Setembro a Dezembro de 1943 Salerno, Kiev e Teerã Tópicos do capítulo



Baixar 107.33 Kb.
Página1/3
Encontro29.07.2016
Tamanho107.33 Kb.
  1   2   3
Setembro a Dezembro de 1943

 

Salerno, Kiev e Teerã

 

Tópicos do capítulo:

 

9 de setembro: desarmadas as tropas italianas



Desembarque americano na Península

1o de outubro: os King’s Dragoons Guards entram em Nápoles

Skorzeny liberta Mussolini no Gran Sasso

O governo de Salo entregue aos italianos

Speer e as novas armas

A grande retirada alemã no Dniéper

Queda de Smolensk

A rota de Teerã

22 de novembro: conferência do Cairo

Vatutine conserva Kiev, conquistada a 6 de novembro

Em Teerã, Churchill isolado entre Roosevelt e Stalin

A França em 1944. A Resistência. Laval fica onde está

 

 

Alvorada da vitória



 

A palavra convencional “Ashse”, causadora do desarmamento das tropas italianas, foi lançada pelo Marechal Kesselring no dia 9 de setembro, às 19h30, alguns instantes antes da confirmação do armistício por Badoglio. As disposições tomadas previamente pela Wehrmacht tornaram fácil a operação. Na França, o 4o Exército não opôs a menor resistência. Na Croácia e em Montenegro, grupos de soldados italianos juntaram-se aos partisans. Na Sardenha e no norte da Itália, algumas unidades preferiram, pelo contrário, continuar a lutar ao lado dos companheiros de armas alemães. Foram saqueados, como normalmente se saqueia um exército destruído e um país conquistado. Os homens de 80 divisões firam tratados como prisioneiros de guerra. A lista do material tomado pelos alemães aponta 1.250.000 fuzis, 38.383 metralhadoras, 9.980 canhões, 970 tanques, 4.553 aviões, 287.502 toneladas de munição, 15.500 caminhões, 67.000 cavalos e mulas, 196.000 toneladas de minério de ferro, 3.400 toneladas de mercúrio, ... 1.139.000 camisas, 352.000 metros de tecidos, etc... “A abundância - observa Jodl - por algum tempo voltou ao Exército alemão. Este é o único serviço que a Itália um dia nos prestou...”

 

Os alemães só encontraram realmente oposição em volta de Roma. A 3a Divisão de Granadeiros Blindados e a 2a Divisão de Caçadores Pára-quedistas sobrepujaram as resistências locais, sendo a do General Roatta a mais viva, no GQG de Monte Redondo. A rendição do General Calvi di Bergolo, genro do rei, poupou às tropas alemães o trabalho de entrar à força na Cidade Eterna; Kesselring deixou-lhe a Divisão Piave, para manter a ordem na capital, e encarregou-o de mandar os soldados das outras formações de volta às suas casas. Na hora em que começa a invasão, o Comando alemão na Itália está ao mesmo tempo dividido e desunido. O norte, até a linha Ancona-Piombino, constitui a zona do Grupo de Exércitos B, comandado por Rommel. O resto pertence ao Grupo Sul, que obedece às ordens de Kesselring. Os dois marechais se detestam e têm concepções opostas. Pessimista, Rommel queria abandonar Roma e transportar a defesa para a altura de Florença. Otimista, Kesselring acredita que os invasores devem ser empurrados para as praias. Hitler, a quem os assuntos do Mediterrâneo aborrecem, não arbitra. Rommel tenta impor-se tratando Kesselring de superior a subordinado, mas o OKW não lhe apoia a pretensão. A Itália fica dividida entre dois rivais ciumentos.



 

Sob as ordens de Rommel acham-se sete divisões de infantaria, duas blindadas, entre as quais a SS Adolf Hitler, e ainda uma brigada de montanha. Dispersadas do Passo de Brenner, estas dez grandes unidades se desinteressam da batalha ao sul de Roma. Todos os pedidos, todas as queixas de Kesselring não encontram o menor eco.

 

O Grupo Sul conta com duas divisões blindadas e 2 divisões de pára-quedistas. Dividem-se em 3 corpos de exército: o 72o, que amortece o avanço prudente de Montgomery na Basilicate e na Apúlia; o 14o Corpo Blindado, que ocupa a região de Roma. Na Sardenha, a 90a Pz Gr recebe ordem de retirar-se da ilha. Passará primeiramente pela Córsega, de onde, reunida à guarnição local, a Brigada SS Reichsfuhrer, vai-se retirar, pela ilha de Elba, para o continente.



 

A Operação Avalanche não pega Kesselring desprevenido. Enquanto a baía de Nápoles está interditada por fogos cruzados de artilharia, o golfo de Salerno está completamente aberto, e os grupos de caça com base na Sicília ainda estão longe de intervir. A 16a Divisão Panzer se instala no setor em início de setembro e, à primeira notícia da rendição italiana, apossa-se de todas as fortificações, dos ninhos de metralhadoras, das posições de artilharia, etc., construídos pela 222a Divisão de Defesa Costeira, fuzilando o General Ferrante Gonzagua, que tenta opor resistência. Os dois regimentos de granadeiros estão dispostos ao longo do litoral, e o regimento de tanques, agrupados no centro, em Battipaglia, está reservado para os contra-ataques. Apesar de seu nome, 5o Exército dos Estados Unidos, e da nacionalidade de seu chefe, o General Mark Clark, o exército aliado que parte para a conquista da Itália, na noite de 8 para 9 de setembro, é composto de 100.000 ingleses contra 69.000 americanos. O escalão de assalto compreende a 46a e a 56a divisões inglesas, formando o 10o Corpo, sob o comando do General McCreery e a 36a Divisão americana, pertencente ao 6o Corpo dos Estados Unidos. Esta desembarca em Paestum, ao pé dos templos de Poseidon, nas praias Azul, Amarela, Verde e Vermelha. Uma zona pantanosa de uns 15 km, formada pela foz de um riacho, o Sele, separa os americanos dos ingleses, que desembarcaram ao sul de Salerno, nas praias Roger, Sugar e Uncle. Dois batalhões de “comandos” britânicos e três batalhões de Rangers americanos prolongam a ação além de Salerno, até a vizinhança de Amalfi.

 

As praias estão relativamente acessíveis. A parte de trás da região é de acesso penoso. O sul do campo de batalha, isto é, o setor americano, está dominado pelo cone do monte Sottine e pelo diedro do monte Soprano. A planície litoral, coberta de ricas culturas, encaixa-se no vale do Sele, de onde se desprende, na margem esquerda, o sulco semicircular de seu afluente, o Calore. Acima de Salerno, em direção de Eboli, as montanhas ainda se elevam, ultrapassando os 1.600 metros, e ligam-se à admirável península de Sorrento, atrás da qual se desenvolve a baía de Nápoles. Nunca tanta doçura e tanta história cercaram combates humanos. A idéia da manobra é a de se estabelecer no fundo do golfo, de Maiori e Agropoli, e, depois, dar uma volta em torno de Salerno, para desembarcar e tomar Nápoles. Vindo do sul, o 8o Exército britânico se alinhará ao 5o Exército americano e prolongará a frente até o Adriático.



 

Os planos aliados estão feitos até a linha do Volturno, mas as polêmicas anglo-americanas sobre a importância do teatro de operações italiano e sobre a sua utilização do teatro de operações italiano e sobre a sua utilização posterior não cessaram.

 

A noite merece o nome de divina. Os transportes e os grandes navios de guerra tiveram que parar a 12 milhas da costa, por causa dos campos de minas, mas o mar está tão calmo que a dragagem dos canais e a proximidade dos companheiros de desembarque não encontram dificuldades sérias. Saciado pelos precedentes de Gela, de Siracusa e de Reggio, exaltado pelas notícia da capitulação italiana, o maior otimismo reina no exército invasor. Clark pensa que talvez fosse mais prudente entrar direto na baía de Nápoles e desembarcar no próprio porto. O comandante do 10o Corpo britânico exigiu uma preparação de artilharia, mas o comandante do 6o Corpo americano, Ernest Dawley, decidiu jogar a 36a Divisão às praias da Paestum sem antes disparar um só tiro de canhão. Vinda de Orã, a divisão ainda não abriu fogo.



 

São 3h30 e a escuridão é profunda.. Os pescadores de Amalfi saíram como todas as noites e os pirilampos de seus barcos deslizam em águas onde estão 450 navios, carregando 55.000 soldados e sua imensa equipagem. Em sete vagas sucessivas, as centenas de LST, de LCVP, de LCI, de caminhões anfíbios ou DVKW aproxima-se da costa, aparentemente adormecida. Em direção à Salerno, os canhões dos navios ameaçam a terra muda. Na direção de Paestum, o primeiro ruído que rasga o silêncio é a voz de um alto-falante com sotaque alemão: “Vocês estão sob mira! Avancem e rendam-se!” Foguetes clareiam a praia. As armas falam. O desembarque-milagre na Calábria, o desembarque fácil na Sicília não estão destinados a se reproduzirem na Apúlia. Os alemães estão lá, com ordem de resistir energicamente.

 

À insolente intimação, os americanos respondem com o entusiasmo. Jogam-se às dunas, tomam Paestum, atravessam a estrada e a via férrea, atingem os objetivos da jornada, armam uma cabeça-de-ponte de 5 km de profundidade, sobre a qual logo se acumula uma montanha de material. Os ingleses, muitos já veteranos da guerra do deserto, tem menos sucesso do que os novatos da 36a Divisão dos EUA. Não conseguem tomar nem a pequena cidade de Battipaglia nem o pequeno aeródromo de Montecornino. Contudo, bem amarrada, à esquerda, pelo desembarque dos “comandos”, sua cabeça-de-ponte não está menos sólidas do que na primeira noite.



 

No dia seguinte e no outro, os ingleses ainda tem dificuldades em se apoderar de Salerno, Montecornino e Battipaglia, mas os americanos sentem a resistência alemã curvar-se diante deles. O 142o Regimental Combat Command toma a aldeia de Altavilla, situada em local elevado, que comanda o vale do Calore. Clark desembarca sua reserva flutuante, a 45a Divisão americana, onde passam a estrada e a via férrea que, depois de terem atravessado o Eboli, penetram na luminosa pobreza do Mezzogiorno. Parece que o encontro com Montgomery está próximo e que a invasão tem sucesso.

 

Mas as disposições tomadas por Kesselring foram hábeis e súbitas. Tirando vantagem da prudência excessiva de Montgomery, ele fez desengatar a 26a Panzer e a 29a Panzer Grenadier, para jogá-las no flanco direito da cabeça-de-ponte. Joga sobre o flanco esquerdo as duas divisões, 3a Pz Gr e a 2a F Jg, que acabam de regularizar a questão de Roma. Em direção ao centro, onde a frente alemã ameaça abrir-se, dirige os vestígios da Hermann Goering e da 15a Pz Gr. No momento em que Clak pensa estar vitorioso, os contra-ataques brutais caem sobre seus soldados inexperientes. Os dois dedos que ele fazia avançar sobre Ponte Sele estão severamente machucados. Altavilla, facilmente conquistada, volta a ver luta séria. No vale do Sele, a manufatura de fumo de Persano vê enorme destruição de tanques americanos. A 13 de setembro, o General Von Vietinghoff, comandante da frente de Salerno, anuncia a Kesselring que espera por os invasores mar afora naquela mesma noite. Clark está tão perto de se resignar, que chega a pensar em incendiar os estoques de abastecimento desembarcados na praia.



 

Nesta luta, está em jogo uma grande carreira militar. Eisenhower acaba de ser avisado de que o comando da Operação Overlord voltará a um americano, e não ignora que está na primeira linha, no caso previsível de parecer difícil apartar Marshall de suas funções de chefe de estado-maior. O fracasso do desembarque destruiria suas chances. “Se o caso de Salerno acabar mal - diz ele, filosoficamente -, estou frito...”

 

No campo de batalha, a poeira tornou-se uma nuvem asfixiante. Os homens usam lenços como máscaras, como bandidos de cinema. Os alemães pressionam com todas as suas forças. No dia 13, às 18h30, 15 PzKw-4 atingem a ponte incendiada que franqueia o Calore perto do seu encontro com o Sele, a menos de 7.000 metros do mar. Clark dirige pessoalmente o 158o e o 179o grupos de artilharia de campo, que cobrem de granadas o vale e detêm os tanques. Duas horas depois, 2.500 pára-quedistas da 82a Airbone, disponível em vista do abandono da idéia de descer em Roma, caem com precisão perto da foz de Sele, exatamente no local mais ameaçado da cabeça-de-ponte. O perigo da jornada está afastado.



 

Nos dias 14 e 15, os alemães ainda atacam. Mas o dinamismo da batalha voltou. A superioridade da aviação aliada é opressiva. Os grandes navios ancoram no golfo, uma vez retiradas as minas. O cruzador americano Savannah e o velho Warspite são avariados por bombas radioguiadas, nova arma alemã, mas o fogo da artilharia naval, interditando as estradas e abatendo os carros à vista, tira dos alemães toda a chance de apagar a cabeça-de-ponte de Salerno antes de serem vencidos pelo 8o Exército. Kesselring resigna-se. Ordena a volta à primeira posição de barragem, chamada Rheinhard Stellung, que segue o curso do Volturno e encontra o Adriático por Compobasso e Termoli. A retirada se efetua metodicamente, com vivas ações de retaguarda e demolições que amortecem o avanço dos vencedores.

 

A 1o de outubro, os King’s Dragoons Guards entram em Nápoles. A cidade acha-se em terrível estado. Os alemães sabotaram o porto, incendiaram os bairros baixos, dinamitaram as canalizações de água e de eletricidade, destruíram até as fábricas de espaguete, juntado ao rigor das necessidades militares ao furor da vingança. Os americanos e os ingleses devem encarregar-se de um milhão de civis abandonados à fome e à epidemia.



 

A 6 de outubro, Capore é tomada e Volturno atingida. Um quarto do território italiano está conquistado.

 

 

 



Cativeiro e libertação do Duce

 

Mussolini, caído do pedestal, ainda era um problema. Ele havia sido transferido para a ilha de Ponza, ao largo de Nápoles, e depois, a 8 de agosto, para a ilha de Madalena, ao norte da Sardenha. O governo Badoglio sabia que os alemães pensavam em levar o ex-Duce, assim como não ignorava os esforços dos serviços secretos aliados para descobrir, com os mesmos fins, o lugar de sua detenção. Quer Mussolini fosse capturado por Churchill ou libertado por Hitler, as conseqüências só poderiam ser desagradáveis, se não funestas, para o marechal e para o rei.



 

Em Ponza, onde a corveta Persephone o havia deixado, o cativo, miseravelmente alojado, tinha passado semanas de aflição. A ilha havia servido para degredo dos antifascistas, e um certo Zaniboni, que havia atirado contra Mussolini, ainda ali estava detido. O 60o aniversário do Duce, para o qual Hitler programara a celebração entusiástica de uma amizade heróica, tinha-o passado na solidão. Alguns dias depois, tinha-se trazido o presente do Fuhrer, as obras de Nietzsche. Rachele, mais humildemente, havia feito chegar a seu marido roupas de baixo, 10.000 liras e uma Vida de Jesus.

 

Ponza estava exposta a um ataque inglês. A Madalena, pequeno arquipélago transformado em base naval, apresentada o inconveniente inverso, uma divisão Panzer de Granadeiros, ocupando ainda a Sardenha. No dia 18, uma avião alemão, que sobrevoava a ilha, alertou Roma. No dia 28, um hidroavião-ambulância veio buscar Mussolini. Instalado em uma casa confortável, cercada de ciprestes, ele havia começado a leitura de Nietzsche e se felicitava pela nova estada. Encarou a transferência com má-vontade.



 

O hidroavião pousou no lago Bracciano, na campina romana. A viagem prosseguiu num trem-ambulância e acabou pelo teleférico de Gran Sasso da Itália. Nada designava este ponto culminante do Apepino, uma grande aresta lisa entre Aquila e Pescara, para o papel de prisão. Situado a 1.226 metros de altitude, a estação de esportes de inverno chama-se Campo Imperatore, traço amargo para o Duce caído. Foi instalado, entre 200 policiais, no hotel do mesmo nome. Pouco faltou para que Mussolini fosse levado da base de Madalena. O avião de 18 de agosto levava a bordo o Sturmbannfuhrer Skorzeny, e uma golpe era iminente quando o prisioneiro foi levado ao continente. Adolf Hitler, que tinha como único sentimento humano o companheirismo, prometera livrar de uma sorte quase necessariamente fatal aquele do qual nenhuma decepção o tinha separado. Tendo o serviço de informação alemão rapidamente revelado o novo lugar de detenção, o Fuhrer preparou pessoalmente os detalhes de sua ida.

 

A 12 de setembro, às 2 horas da tarde, aviões apareceram nos caminhos do Gran Sasso. Dos 12 planadores, 8 vieram aterrar na relva do Hotel Campo Imperatore. Chegando à janela do quarto, Mussolini viu chegar os salvadores e fugirem os carcereiros; 1.000 metros mais abaixo, um outro destacamento de SS, chegando pela estrada, apossava-se do teleférico. Carmine Cenise, retomando suas funções de chefe de polícia, havia sabido da passagem deste último grupo para Aquila, mas se abstivera de tomar providências. Há quatro dias que o armistício se tornara público e, no caso de haver guardado Mussolini, Badoglio se veria forçado a entregá-lo aos Aliados. Hitler poupava-lhe este gesto odioso. Uma vez libertado, Mussolini não manifestou a menor alegria. Pediu para voltar a Rocca delle Caminate, mas Skorzeny fê-lo saber que tinha ordem de levá-lo à base alemã de Patricia di Mare, perto de Roma. Um pequeno avião de dois lugares acabara de aterrar com dificuldade diante do hotel. Sem barbear-se, dançando dentro de uma grossa capa, um chapéu disforme na cabeça, o ar de um velho imigrante, Mussolini embarcou, sem dissimular a apreensão. O corpulento Skorzeny apoderou-se do ouro único lugar para passageiro. Todos os presentes acreditavam que o avião falhasse na decolagem e se estraçalhasse.



 

O risco era supérfluo. Mussolini teria podido viajar pela estrada, assim como o general italiano Soletti, chegado em dos planadores, ou o comissário de polícia Guali, que, encarregado por Badoglio de guardar o Duce caído, tinha-se ligado à sua sorte. Os dois homens chegaram a Patricia di Mare em tempo de embarcar no Heinkel que partia para Viena, aonde Mussolini chegou à meia-noite, morto de cansaço. Ao telefonema de boas-vindas de Hitler, ele respondeu que estava doente e precisava dormir. Partiu no dia seguinte para Munique, onde Dona Rachele o esperava com os filhos menores, Romano e Anna Maria.

 

Dois outros membros da família encontravam-se em Munique, Edda e Galleazo Ciano. Tinham deixado Roma com a ajuda da Wehrmacht, munidos de um passaporte espanhol e convencido de que poderiam voar para Madrid no dia seguinte. Estavam esperando havia 15 dias.



 

O novo contato entre Hitler e Mussolini ocorreu em Rastenburgo, a 15 de setembro. Um historiador muito inteligente ali estava, na pessoa do Dr. Goebbels, como Ministro da Propaganda; ele havia dado à exploração do Gran Sasso uma ressonância formidável, mas, como estadista, falava com reservas: “Além do Tirol do Sul - dizia Goebbels em seus escritos -, nossa fronteira deve englobar a Venécia. Vai ser difícil conseguí-lo se o Duce reaparecer na política”. Keitel e Rommel pensavam, igualmente, que um governo fascista complicava a tarefa alemã e que uma ocupação militar pura e simples seria preferível.

 

Libertado, Mussolini atrapalhava os seus libertadores. Fazia pior: decepcionava-os. “A primeira coisa que eu esperava encontrar em Mussolini - diz Hitler a Goebbels - seria uma bravia vontade de vingar-se de todos aqueles que o traíram. Mas ele não é capaz disso, com o que mostra suas limitações. Ele é por demais tipicamente italiano para ser um revolucionário como Stalin e eu. Tive todas as dificuldades do mundo para fazê-lo admitir que Grandi é um traidor comprovado... A influência de sua filha Edda é detestável. Ela veio ver-me, há alguns dias, para dar-me ciência de sua intenção de emigrar com o marido para a América do Sul e, ao pedir-me autorização para converter em pesetas seis milhões de liras, teve a audácia de em oferecer uma comissão! Em Munique, ela começou a promover a reconciliação de Ciano com seu pai. É evidente que o Duce não pode castigar os traidores, já que ele poupa seu próprio genro. Estou muito desapontado...”



 

A Hitler, bastaria pôr de lado o homem que lhe causava esta decepção. Alquebrado, Mussolini só aspirava ao descanso. Dizia, com uma bela inconsciência, que queria voltar à vida privada e, para exprimir sua renúncia, havia feito esta fórmula: “Não se transpõe o Rubicão aos sessenta”. Tendo Hitler se oposto à sua volta imediata à Itália, ele passou uma semana no meio de uma floresta da Baviera, no velho castelo do banqueiro de Bismarck, Bleichröder, perguntando-se se não teria apenas mudado a forma de prisão. Enquanto isso, os alemães reorganizavam a Itália. O Alto Adige e a Venécia Juliana estavam postos sob o controle dos Gauleiters Hofer e Rainer. O resto do país dividia-se em uma zona de operações, submetida aos comandantes dos exércitos, e em uma zona de ocupação.

 

O fascismo já não parecia achar lugar nesse quadro. Entretanto, renascia fracamente. Permanências reabriam, milícias se constituíam, os líderes presos depois de 25 de julho saíam das prisões, onde os democratas os substituíam nas celas. O partido recebia o nome de “republicano”, denunciando “a traição total e deliberada da monarquia”. Nomeado secretário-geral, Pavolini estava em Roma, onde as autoridades alemães se opunham diretamente a seus esforços. Perguntava-se se não ficaria sem efeito o comunicado de 15 de setembro anunciando que Mussolini retomava suas funções, mas o concurso do Marechal Graziani, aceitando por ódio a Badoglio o Ministério da Defesa, voltou a movimentar o mecanismo governamental. A 23 de setembro, consolidado por essa reunião imprevista, Mussolini deixou Munique e, por Fordi, chegou a Rocca delle Caminate. Durante três semanas, sua residência particular foi a sede do governo. Ali ele retomou forças, ganhou novo apetite, e, rapidamente, deu a impressão de ser de novo o homem que sempre fora.



 

O sinal material da restauração do Duce teria sido sua volta a Roma. Os alemães a consideravam impossível. A ficção Roma “cidade aberta” coloriu a transferência do neofascismo numa capital irrisória, a cidadezinha de Salo, na margem ocidental do lago de Garde. Mussolini ali chegou a 10 de outubro e instalou-se, com Dona Rachele, na Villa Feltrinelli, perto de Gargano. A dupla vida que levava em Roma, perpetuava-se pela vizinhança de Clara Petacci, que, presa pela polícia de Badoglio e liberta pela Gestapo, ocupava uma casa na cornija de Gardone. Os ministérios estavam repartidos pelas grandes cidades no norte da Itália. O standing internacional do governo é medido por uma nota espanhola respondendo a um pedido alemão. Dizia: “Não é possível reconhecer uma sombra”. Um destacamento SS guardava a sede do neofascismo e instalado na Villa Feltrinelli, um oficial alemão controlava as audiências do Duce, dando contas dos gestos deste, diariamente aos seus superiores. Outro italiano foi restituído pelos alemães à Itália. Num avião, o Conde Ciano foi escoltado até Verona e entregue à polícia italiana, quer o encarcerou na prisão dos Scalzi. Ali ele entrou com desenvoltura, de capote escuro, dizendo que estava contente de se ver livre dos carcereiros alemães. Alguns dias depois, ao descobrir que dois SS lhe guardava a porta, teve medo.

 

Luta contra um hidra

 

A ofensiva soviética contra a saliência de Orel tinha obrigado a Wehrmacht a abandonar sua própria ofensiva contra a saliência de Kursk. No mesmo dia dessa decisão, 17 de julho, duas outras ofensivas russas se jogaram contra a ala direita do Grupo de Exércitos Manstein, uma sobre o Mius, ao norte de Taganrog, a outra sobre o Donetz, ao leste do Isjum. Obtiveram sucessos importantes, cavaram nas linhas alemães brechas de 20 a 30 km de profundidade, colocaram sob perigosa mira a região industrial de Stalino-Vorochilovgrad, ameaçaram Kharkov.



 

A luta prosseguiu na fornalha de julho. A 1o de agosto, o Comando alemão fez um balanço satisfatório. Pegando em sua ala esquerda o 3o PzK e o corpo blindado SS, Manstein tinha detido os russos, levado sai frente a dois rios, feito 18.000 prisioneiros, destruído 700 tanques e 900 canhões. Na saliência de Orel, a batalha defensiva também tinha tomado rumo relativamente favorável. O avanço de Gorbatov tinha sido detido a 6 km de Orel e a tremenda abertura do caminho de Bagramian em direção à única via férrea do setor havia sido contida pela Divisão Grossdeutschland. Hitler, de resto, acabara de autorizar a retirada da saliência. Von Kluge calculava que a diminuição da frente lhe permitiria retirar da batalha 17 divisões, com a ajuda das quais ele poderia reconstituir a massa de reserva que até então lhe tinha faltado.

 

A crise de verão na frente oriental parecia desviada. Hitler declarou a Zeitzler que o Mediterrâneo era, em 1943, “mais importante do que a Rússia”. Reforços, e especialmente as divisões SS, cujas batalhas de julho tinha retardado a remessa, receberam suas cartas de viagem para a Itália.



 

O precioso descanso dura três dias. A 3 de agosto, 3.000 peças de artilharia abrem fogo em volta da saliência de Kharkov. As batalhas de julho haviam sido apenas um prelúdio. Começa a verdadeira ofensiva soviética.

 

É agora que um assombroso e quase um pânico se apossa dos chefes civis e militares da Alemanha. Uma palavra o comprova: as cabeças da hidra. Mostrando por um instante sua máscara de otimismo fanático, Goebbels confia a Guderian que é preciso compreender que os russos podem chegar até Berlim e ter idéia de envenenar as mulheres e os filhos dos alemães. Contra um monstro cuja capacidade de reconstituição parece sem limites, as próprias vitórias não adiantam. No ano anterior, até os generais alemães menos levados a esposar as ilusões de Hitler acharam que o Exército Vermelho estava enfraquecido. No entanto, em 1943, uma terceira onda de poderio, mais alta do que as duas precedentes, levanta-se da imensidão soviética e faz submergir a Wehrmacht.



 

Diante das 29 divisões de infantaria e das 13 blindadas de seu grupo de exércitos, Manstein identifica, em julho, 109 divisões e 9 brigadas de caçadores, 7 corpos de cavalaria, 7 corpos mecanizados, 10 corpos, 20 brigadas e 16 regimentos autônomos de tanques. Por mais elevados que sejam, estes dados, concordam com o quadro geral do Exército soviético em 1943: 513 divisões ou brigadas de infantaria, 41 divisões de cavalaria, 290 brigadas mecanizadas ou blindadas. As formações russas são organicamente menos guarnecidas do que as unidades alemães correspondentes, mas há nestas últimas alguns vazios abertos. O Grupo Sul, por exemplo, perde em julho e agosto 133.000 homens e recebe apenas 33.000 substitutos. A Rússia está banhada em sangue, mas mantém um potencial humano, em classes de idade, quatro vezes mais numeroso do que o das classes alemães. Além disso, ela só combate um inimigo.

 

Sob o ponto de vista material, a Alemanha consegue uma reparação magnífica. Para substituir Todl, morto a 8 de fevereiro de 1942 em um acidente de aviação, Hitler colocou como Ministro do Armamento um arquiteto de 36 anos, Albert Speer, construtor dos coliseus nazistas de Nuremberg, planificador da futura Berlim. O projeto é ambicioso, mas Speer é um gênio. Em alguns meses vê-se encarregado de toda a produção de guerra, e o exército do trabalho cosmopolita colocado sob suas ordens passa de 2.600.000 a 14.000.000 de homens. As investidas dos Aliados mutilam as fábricas, perturbam os transportes, desorganizam o trabalho, esgotam os trabalhadores - e, entretanto, a produção alemã de armas dobra e redobra. O peso dos tanques postos em serviço passa de 36.000 toneladas em 1940 a 150.000 toneladas em 1942 e a 590.000 toneladas em 1944. O resto é proporcional.



 

Speer reanima a própria aviação, tão despojada que, segundo Udet em seu desespero, o chefe do Estado-Maior da Luftwaffe, Jeschonneck, se suicida. De 1940 a 1942, o número de aparelhos construídos na Alemanha só se tinha elevado de 10.247 a 15.409. Speer o levará a 24.807 em 1943 e as 405.593 em 1944.

 

Mas ele não negligencia os novos meios de ataque. A Alemanha prepara uma bomba voadora chamada A1 (futura V1), instrumento simples, leve (2.200 kg), lento (166 m/segundo), fácil de construir (286 horas/operário), pouco custoso (3.500 RM), pela qual Hitler se interessa. O Fuhrer, entretanto, está cético quanto ao projeto A4 (futura V2). Trata-se, desta vez, de um instrumento revolucionário, de um foguete longo e pesado (14 metros e 12.6 toneladas), supersônico (1.520 m/s), viajando a 90 km de altitude, arma aterradora, mas cujo preço em trabalho e dinheiro faz tremer um exagero de esforços para um resultado aleatório. As dúvidas se dissipam depois de uma visita organizada por Speer ao polígono de Peenemunde, de onde Hitler volta extasiado, fazendo dar imediatamente ao A4 todas as prioridades. É sob o efeito desta revelação que, em Feltre, ele contará a Mussolini seu segredo para ganhar a guerra “arrasando Londres até a última pedra”.



 

De um império-acanhado, de um território arrasado, de recursos decrescentes, a Alemanha tira mais forças do que na época de sua maior expansão. No entanto, os russos fazem melhor! A cadência mensal da produção de tanques chega a 2.000 unidades, ou seja, duas vezes a produção alemã. A arma russa favorita, o canhão, conhece impulso ainda mais rápido: 30.000 tubos de um calibre superior a 100 mm em 1943. Isso permite constituir as divisões e os corpos de artilharia que reintroduzem na guerra o Trommelfeuer de 1916-1918. A densidade das peças nos setores ofensivos chega rapidamente a 300 por quilômetro e o ataque de Biegorod é apoiado por cerca de 6.000 bocas de fogo.

 

Em matéria de tática, os russos quase não inovam. A batalha de Kharkov reproduz com mais poder as batalhas anteriores. O principal esforço cai sobre a junção do 4o Exército Panzer com o 8o Exército (Ex-Destacamento Kempf). A 8 de agosto, uma brecha de 50 km se abre entre os dois. No lugar de precipitar-se nesse vazio, como teria feito a Wehrmacht, os russos como anteriormente o Marechal Foch, estendem e diversificam sua ofensiva, para fixar e desgastar as reservas inimigas. No Centro, atacam na direção de Smolensk. No Sul, retomam seus esforços contra o Mius e o Donetz. No Extremo Sul, fazem pressão sobre a cabeça-de-ponte do Cubã. O preço é sangue. Insuficientemente apoiados, os ataque de fixação acarretam as hecatombes, mas o resultado é atingido. Em 13 de agosto, a frente da estepe, comandada pelo General Hagen, ultrapassa Kharkov. Manstein, cujo grupo de exércitos suporta o peso principal da luta, se cansa em vão pedindo reforços. No dia 22, ele deve ordenar a retirada da grande cidade. Cai sem combate o cinto de fortificações construído em torno dela.



 

Em 27 de agosto, Hitler tem de novo, por um dia, seu antigo QG de Vinitza, a fim de conferenciar com Manstein. O marechal pede o abandono do Donetz, que declara ser indefensável. Hitler responde que é preciso sempre resistir “até o momento em que o inimigo se convença da inutilidade de seus ataques”. Cedendo aos pedidos de Zeitzler, afastando a repugnância por tudo o que parece revelar uma intenção de se dobrar, ordenou a construção de uma posição defensiva, chamada Panther, que partirá do Báltico até Narva, ganhará o Dniéper, por Vitebsk e Gomel, seguirá o curso do grande rio até Zaporojie e irá, por Melitopol, até o mar de Azov. Mas, se a retirada se torna necessária, isso deverá ser feito lenta e metodicamente, salvando o material e desgastando o inimigo em combates de retaguarda. Enquanto espera, Manstein deve bater-se energicamente nas linhas em que se encontra. Hitler promete-lhe reforços, que tirará dos Grupos Norte e Centro.

 

No dia seguinte, o Marechal Von Kluge acorre a Rastenburgo. Não tem, é ele quem o diz, uma única divisão a ceder. Os russos atacam violentamente diante de Smolensk e diante de Jelna. E ainda não empenharam na luta, segundo os quadros do OKH, 134 divisões de infantaria e 187 brigadas de tanques. “Como, pergunta Kluge, tiraria eu a minha roupa para vestir Manstein, enquanto estas massas, podem, de um momento para o outro, juntar-se contra mim?”



 

A luta seguiu-se nessas condições. Nada tem solução. Tudo é contraditório. Com o verão, a atividade dos guerrilheiros intensificou-se; apenas nos dias 2 e 3 de agosto, coincidindo com a primeira investida soviética, houve 8.422 dinamitações de trilhos das ferrovias e 1.748 emboscadas. Retardam-se os movimentos de tropas e a insegurança reina na retaguarda, mas seriam necessárias dezenas de divisões para limpar as florestas, e as divisões faltariam mesmo nos setores de maior atividade da frente. Hitler quer guardar tudo, imobiliza as tropas na margem do oceano Ártico, às portas de Leningrado, nos avanços do Cáucaso, nas ilhas do Egeu, mas tudo lhe escapa em detalhe. Stalino cai a 8 de setembro. Dois corpos do 6o Exército (ressuscitado depois de Stalingrado) ainda estão cercados à beira do mar de Azov e metade de seus efetivos está destruída. No Cubã, as tropas do Cáucaso Norte desembarcam em Novorossisk na retaguarda do 8o Exército. Mais ao norte, o 9o Exército abandona Briansk, o 4o Exército é arrancado de Jelna e o 3o Exército perde Velish. Hitler escreve a Von Kluge que a batalha não é mais uma questão de habilidade tática, mas unicamente de estoicismo: os exércitos devem inspirar-se no precedente do inverno de 1941-1942, enfiar os pés no solo, morrer ali mesmo: O estado-maior do Grupo Centro, onde reina um violento espírito de censura, tem a audácia de responder ao Fuhrer que as circunstâncias não são as mesmas e que a comparação não tem valor.

 

Um nome, Dniéper, obseda os generais alemães fatigados. Atrás de seu grande esconderijo, eles esperam retomar o fôlego, reorganizar suas divisões, estabelecer uma linha de defesa, reconstituir e manobrar sua reservas. A 8 de setembro, mudando ainda uma vez de lugar, Hitler chega ao QG de Manstein, em Zaporojie, onde ouve a demanda do marechal para uma retirada por trás do rio. Responde que as considerações econômicas e as razões de prestígio se conjugam para evitar-lhe esta renúncia.



 

Desde o dia 14, Manstein ensaia um novo grito de angústia. Hitler o convoca a Rastenburgo, tenta convencê-lo de que a situação militar vai dar uma tremenda reviravolta com a entrada de um novo tanque pesado. Manstein responde com as cartas e relatórios de seus lugar-tententes. Hitler termina por ceder. A massa do Grupo Sul voltará a cruzar o Dniéper. O Grupo de Exército Centro o prolongará no Ssoh, afluente do grande rio, depois se ligará por Vitebsk ao Grupo de Exércitos Norte, que mantém suas posições. Hitler não quis sacrificar a Carélia e os outros postos avançados de Leningrado, por temer as repercussões políticas na Finlândia. Recusou igualmente sacrificar a Criméia, cuja perda poderia sacudir a Romênia. Destaca do Grupo Manstein o 6o Exército, que, ligado ao Grupo Kleist, deve barrar a estepe nogasca, 150 km de horizontalidade, e interditar o acesso ao istmo de Perekov.

 

A grande retirada começa. Pesadas carretas fazem rolar na Ucrânia massas de poeira. As quatro únicas vias férreas espalham procissões de trens transformados em blockhaus rolantes, para a defesa contra os guerrilheiros. Duvida-se, até o último momento, da perda do 4o Exército Panzer, perseguido na frente de Voronej. Ele chega, in extremis, a escoar-se pelas pontes de Kiev e de Tcherkassy.



 

A 25 de setembro, as vanguardas russas atingem o Dniéper entre Zaporojie e Dniepropetrovsk. Momento emocionante. Dois anos antes, os soldados alemães tinham sido tomados de emoção, quase de vertigem, quando envolveram com os olhos a imensidão do rio, e, além de seu leito cheio de ilhas, a planície infinita afundada numa bruma de calor. Os soldados russos reencontram o gigante que lhes tinha dado um sentimento de derrota e inferioridade. Isto não lhes tira o entusiasmo. Uma brigada de pára-quedistas estabelece uma cabeça-de-ponte perto de Krementchug. Uma unidade de infantaria toma pé no anel de Perejeslav, ao sul de Kiev. Ao norte da cidade, os guerrilheiros favorecem a infiltração das tropas soviéticas na zona pantanosa vizinha da embocadura do Pripet. A barreira do Dniéper já não está intacta. Inversamente, sob a ordem categórica de Hitler, cabeças-de-ponte alemães são mantidas, na margem esquerda, diante de Zaporojie, Dniepropetrovsk, Krementchug e Kiev. O comando local objeta que isso exige demais das tropas e enfraquece a defesa do plano de água.

 

Ao centro, a frente de Kalinine, em 24 de setembro, retomou Smolensk. Libertação simbólica, primeiro acontecimento saudado em Moscou, pelo canhão da vitória. A queda de Smolensk, em 1941, parecia fazer soar a salva da capital; sua retomada significa que Moscou está fora de perigo.



 




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal