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SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

NÚCLEO REGIONAL DA EDUCAÇÃO DE APUCARANA

SETOR EQUIPE DE ENSINO



APOSTILA COM TEMAS DA DISCIPLINA DE

CULTURA AFRO-BRASILEIRA.

ORGANIZADA PELO PROF. LUIZ ANTONIO BURIM


NRE - APUCARANA

2005

Sumário

Introdução.................................................................................................................................................05.

Capítulo 1 –

NÓS E OS OUTROS – O mito de Narciso........................................................................................05

Os diferentes... Skinheads, ultra-racistas...................................................................................................06

Violência: mancha vermelha......................................................................................................................06

Conheça a Ku Klux Klan............................................................................................................................07

Intolerância: para a anistica, há falta de empenho Skinheads...................................................................08
Capítulo 2 –

A RIQUEZA DA DIVERSIDADE.

O legado da Africa....................................................................................................................................11

Texto – A luta é minha..............................................................................................................................11

Capítulo 3 –

CABELOS, PELE, NARIZ E OUTRAS DIFERENÇA

A espécie humana.....................................................................................................................................13

As diferenças na aparência física..............................................................................................................13

Diferentes raças........................................................................................................................................14

Texto – A prevenção em suas mãos - Malonona......................................................................................14

O primeiro homem.....................................................................................................................................15



Capítulo 4 –

A ESPÉCIE HUMANA

Medo..........................................................................................................................................................15

Texto – Depoimento sobre relações raciais...............................................................................................15

Capítulo 5 –

AS TEORIAS RACIAIS

A fórmula do Racismo...............................................................................................................................18.

Característica ”inatas”...............................................................................................................................18.

Texto – o escravismo antigo......................................................................................................................19

A elaboração de civilizações “superiores” ...............................................................................................19

Africa do Sul..............................................................................................................................................20

Um pouco da História da Africa do Sul......................................................................................................20

Situação do negro no Brasil hoje...............................................................................................................21

Emprego da população negra e branca.....................................................................................................21

Texto – 3 de maio: Dia Nacional de combate ao racismo na educação....................................................22

Trabalho negro...........................................................................................................................................23

Capítulo 6 -

O OVO DA SERPENTE: AS TEORIAS RACIAIS NO BRASIL

O “branqueamento” da nação brasileira...................................................................................................23

Os europeus que o Brasil queria...............................................................................................................23

Texto – Diferenças raciais no Brasil..........................................................................................................24

Desigualdades sócio-raciais no Brasil.......................................................................................................24

Capítulo 7 –

O PRECONCEITO E O ESTEREÓTIPO”

Característica básicas do preconceito......................................................................................................26

Tinha que ser preto...................................................................................................................................26

A construção do estereótipo.....................................................................................................................27

O estereótipo nos Meio de Comunicação Social......................................................................................27

Os estereótipos na Escola........................................................................................................................27

Texto – Família de vendedor assassinado ganha maior indenização já paga no Brasil...........................27

Racismo em Histórias em quadrinhos é camuflado..................................................................................28

CAPÍTULO 8 –

O RACISMO NA HISTÓRIA OFICIAL DO BRASIL”

Recuperando a verdadeira História do Brasil...........................................................................................31

Texto- Um lugar para o homem no mundo...............................................................................................31



Capítulo 9 –

HISTÓRIA E AUTO ESTIMA”

Texto – Os bandeirantes...........................................................................................................................33

Capítulo 10 –

A LINGUAGEM DO RACISMO: BRINCADEIRINHAS QUE SÃO SÉRIAS

Texto – Estudante diz que a professora a chamou de “macaca” em Escola...........................................35

Capítulo 11 –

A QUE SE DEVE O ESTEREÓTIPO

Culpabilizar os discriminados...................................................................................................................37

Elevar o autoconceito dos discriminados..................................................................................................37

Livrar os discriminados de suas responsabilidades..................................................................................37

Localizar os culpados pelos problemas sociais........................................................................................38

Ocultar as próprias deficiências................................................................................................................38



Capítulo 12 –

A DISCRIMINAÇÃO...................................................................................................................39

Pesquisa realizada em 15 Escolas da Rede Pública Municipal da Grande Vitória no período de 15 a 21 de março de 2002..........................................................................................................................................41



Capítulo 13 –

OS NÚMEROS NÃO MENTEM: AS ESTATISTICAS DÃO DISCRIMINAÇÃO RACIAL...........42

Capítulo 14

DISCRIMINAR É CRIME: RACISMO É LEI..........................................................................44



Capítulo 15.

NAS TRAMAS DA DISCRIMINAÇÃO............................................................................................48

Capítulo 16.

O PRIMEIRO SAMBRA GRAVADO PELO TELEFONE...........................................................56

Samba e Resistência............................................................................................................................56

Contribuições para práticas pedagógicas – história........................................................................59

Geografia...............................................................................................................................................60

Língua portuguesa...............................................................................................................................60

Literatura...............................................................................................................................................60

Religião..................................................................................................................................................60

Sociologia..............................................................................................................................................60

Matemática............................................................................................................................................60

Educação física....................................................................................................................................60

Educação artistica...............................................................................................................................60

Educação afro – desccendencia........................................................................................................61

Biologia.................................................................................................................................................61

Atividades Interdisciplinares...............................................................................................................61

Capítulo 17.

SÍNTESE HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO AFRODESCENDENTE NO BRASIL.....................................63

Capítulo 18.

A POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA..........................................................................................64

Capítulo 19.

O MULTICULTURALISMO NA EDUCAÇÃO.........................................................................................66

Capítulo 20

A PEDAGOGIA INTERÉTNICA.............................................................................................................67

Capítulo 21

O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL......................................................................................................71

A escravidão “suave” da Primeira Geração de estudiosos...............................................................71

Carta – “Eu estava a procura de uma ama- de – leite”.......................................................................72

Deformação” da Personalidade dos Negros : a segunda geração de Estudiosos........................72



A terceira Geração de Estudiosos: A discriminação racial no cotidiano.........................................72

Texto – O racismo dentro de você........................................................................................................73

Capítulo 22

A RESISTÊNCIA NEGRA........................................................................................................................74

Os quilombos..........................................................................................................................................74

A lei aurea : Ato de Bondade?...............................................................................................................74

Valeu, Zumbi, Guerreiro negro – A org. do Quilombo de Palmares...................................................74

O mestre – sala dos mares: a resistência negra após a abolição- A revolta da Chibata.................76

A frente negra brasileira.........................................................................................................................77

Teatro experimental do negro e outras organizações.........................................................................77

Branco negreiro.......................................................................................................................................78

13 de maio da juventude........................................................................................................... .............78

Capítulo 23

O MOVIMENTO NEGRO NA ATUALIDADE...........................................................................................78

As conquistas anti-racistas...................................................................................................................78

Os 300 anos de Zumbi e os Quilombos contemporâneos..................................................................79

Capítulo 24

A HISTÓRIA DA HISTÓRIA DA AFRICA................................................................................................82

A história da África parece que começa e termina na Antiguidade...................................................83

A História da África na nossa História..................................................................................................84

Documentos/Vídeos................................................................................................................................85

Introdução

A elaboração desta apostila, teve como principio básico, fornecer aos professores um subsidio de Cultura Afro-brasileira, uma vez, que a Lei 10.639, de 09 de janeiro de 2003, torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira.

A lei diz o seguinte: “O conteúdo programático a que se refere, incluirá o estudo da História da Africa e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. Os contéudos referentes à História e Cultura Afro-brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística, Literatura, Geografia e História”.

Esperamos que o presente material Pedagógico, possa contribuir para um bom desempenhos nas atividades, referentes à disciplina de Cultura Afro-brasileira.

Atenciosamente:

Prof. Luiz Antonio Burim – Técnico Pedagógico – NRE de Apucarana.



Módulo 1 – A Espécie Humana
...Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto, é que Narciso acha feio o que não é espelho...

Caetano Veloso
1º CAPÍTULO

Nós e os Outros”



O Mito de Narciso


Narciso é uma conhecida figura da mitologia grega. Era um menino solitário que morava num jardim. Certo dia, ele se sentou à beira de um lago de águas puras e cristalinas e, ao debruçar-se sobre ele para matar a sede, viu sua imagem refletida. Como não conhecia espelho, o menino nunca havia olhado para si próprio; acabou por se apaixonar pela imagem refletida. Foi assim que Narciso sumiu no lago à procura daquela pessoa por quem se apaixonara, sem saber que buscava a si mesmo.
Esse conhecido mito revela uma característica que todos os seres humanos apresentam e que sofre alterações ao longo da vida: o narcisismo.
O narcisismo, ou seja, gostar de si próprio, é importante para a garantia de um desenvolvimento saudável. Gostar de si próprio significa lutar para satisfazer desejos, expressar opiniões; sentimentos, sonhos e tentar realizá-los. É uma questão de sobrevivência. Diz-se que as crianças são muito narcisistas, exigindo sempre a satisfação dos seus desejos; quando isso não acontece choram, fazem birra. Muitas vezes, elas buscam ficar apenas com aqueles que consideram “iguais”, os que têm os mesmos desejos, opiniões ou interesses.
Assim, surgem os “clubes da Luluzinha”, formados só por meninas e aqueles que reúnem somente meninos, os “clubes do Bolinha”. Mesmo na adolescência, muitas vezes as pessoas ainda se comportam desse modo, agrupando-se em gangues de bairro que, vez por outra, se colocam como adversários do bairro vizinho.
Os integrantes desses “clubes e gangues” apresentam, em geral, características em comum: não gostam do que é diferente deles mesmos; compartilham determinados valores; vestem-se de forma muito parecida; tendem a freqüentar os mesmos lugares.


Os “Diferentes”


Os adolescentes que não fazem parte do grupo, os diferentes”, que pensam, agem, vestem-se de forma diversa, muitas vezes são ridicularizados. Não raro tornam-se alvo de agressões físicas.
Esse tipo de comportamento costuma mudar quando se atinge a fase adulta. No entanto, não são poucos os que se envelhecem apoiando, protegendo, favorecendo exclusivamente aquelas pessoas consideradas seus iguais e com os quais compartilham interesses: membros do grupo, da família, da mesma cor, raça ou religião, do mesmo time de futebol. Em contrapartida, rejeitam os outros, os diferentes.
Muitas vezes essa característica de personalidade se associa ao autoritarismo, à violência, ou a interesses políticos e econômicos. Temos, nesse caso, pessoas que perseguem, ferem e matam para fazer prevalecer as idéias, os hábitos, os valores e os interesses do seu grupo.
As guerras entre grupos religiosos na Europa ou no Oridente são casos desse extremo. Outro exemplo são os conflitos, entre torcidas de futebol no Brasil, que têm causado ferimentos e mortes em muitas pessoas.
Uma pessoa como Hitler é um bom exemplo de como a combinação entre narcisismo e violência, posta a serviço de interesses políticos, pode formar uma personalidade destrutiva. Proclamava Hitler: “Nós arianos, somos uma raça superior; ‘outros’, os judeus, são uma raça inferior”. E assim o famoso ditador chegou a considerar e tratar os judeus como animais.
Merece atenção especial uma característica que se repete nos casos que acabamos de relatar: em todos, o modo de lidar com a diferença é explorá-la negativamente e fazer dela uma justificativa, uma verdadeira desculpa para a prática de atos de violência.


Texto para discussão
Skinheads, ultra-racistas


Dos três grupos com tendência neonazistas de São Paulo, o mais radical é o Skinheads White Power. É também o mais racista. Em seus fanzines Orgulho paulista e Raça e pátria, por exemplo, há frases como “temos orgulho de ser brancos, descendentes de europeus e não devemos abrir mão disto” ou “vida longa à raça branca”. Segundo o delegado da Polícia Federal, João Câncio Pereira, que há dois anos investiga esses grupos, os skinheads surgiram em São Paulo em 1986, inspirados em similares europeus.
Os integrantes são jovens da periferia de São Paulo, de classe média para baixo, que trabalham para pagar os estudos. Vestem-se com roupas escuras, calçam coturnos e usam suspensórios — modelo inspirado nos operários ingleses, de onde o movimento surgiu — e raspam a cabeça. “É um dos movimentos mais organizados, porque é mundial”, explica o delegado. Nos fins de semana seu programa é se reunir para discutir idéias nazistas. Detestam negros, judeus e nordestinos. No número um do fanzine Raça e pátria, de maio/junho de 1989, apreendido pela Polida Federal, há um exemplo que não deixa dúvida. Um trecho do editorial diz: “O migrante nordestino nortista somente atrasa nosso lado. FORA NORDESTINOS, estas terras são nossas!!!”
Jornal do Brasil, 25 de outubro de 1992.



Violência: Mancha Vermelha
Torcedores usam táticas de guerrilha e se armam para transformar os estádios em campos de batalha

As torcidas organizadas recorrem até a métodos paramilitares para emboscar os adversários, antes ou depois dos jogos. “A polícia nunca encontra e nem vai encontrar armas, porque elas estão muito bem escondidas”, diz A. D. M.

Elas estão debaixo de ônibus ou dentro de carros próximos dos estádios. Também entram com as bandeiras gigantes ou camufladas no mastro.” Os hooligans tupiniquins vão aos campos de futebol munidos de um arsenal, que inclui canos de ferro, correntes, soco-inglês, rojões, facas, punhais, adagas (arma branca com um ou dois gumes) e até revólveres. “O revólver entra desmontado no campo. Já vi isso muitas vezes”, testemunha o ex-integrante da Mancha. A partir daí, qualquer incauto que vista a camisa da torcida adversária é um potencial inimigo, pronto para ser abatido. O hooligan mostra, então sua verdadeira cara...






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