Sheila Ostrander Lynn Schroeder Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro



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Outro grupo de cientistas acampado no norte do Cáucaso também avistou um disco avermelhado cabriolando no céu. O chefe desse grupo, o geofísico Dr. V. G. Krylov, descreveu-lhe a trajetória como "um tanto ou quanto errática, finalmente espiral". O disco mudou de cor: passou do vermelho para o branco azulado.

Em 1964, todos os ocupastes de um avião soviético, um TU-104A, que fazia o trajeto normal entre Leningrado e Moscou, viram um disco grande, brilhante, de aparência metálica, passar por baixo do avião. O Dr. Vyacheslav Zaitsev, estudioso dos OVNIS na história antiga, estava felizmente a bordo do aparelho. Contou que o disco, que se manteve paralelo ao avião por algum tempo, tinha uma protuberância no centro, que parecia uma cabina. A Dra. Ludmila Tsekhanovich, astrônoma geodética, também avistou no Cáucaso um disco brilhante parecido, e acompanhou-lhe o curso, diurno, no ano de 1965. Esse tinha igualmente uma protuberância em forma de cabina. (262)

Ao que tudo indica, certo número de aviões soviéticos foi seguido per objetos desconhecidos, que se diriam inteligentemente governados. Famosos pilotos russos. Valentin Akkuratov, navegador-chefe da aviação polar soviética, relatou um dos seus encontros com OVNIS em 1956.

"Estávamos empenhados no reconhecimento estratégico do gelo na Groenlândia. Saímos das nuvens para uma nesga de céu claro e, de chofre, notamos um aparelho desconhecido que seguia um rumo paralelo ao nosso, à esquerda. Parecia uma grande lente irisada de bordas pulsantes. Julgando tratar-se de um aparelho norte-americano desconhecido, voltamos a mergulhar no meio das nuvens, a fim de evitar um choque. Depois de quarenta minutos de vôo, as nuvens se acabaram. A bombordo do nosso avião, continuava o mesmo estranho objeto. Não vimos sinais de asas, vigias, antenas ou quaisquer gases de escapamento. Decidimos examiná-lo mais de perto e, abruptamente, alteramos o curso para aproximar-nos dele. Quando, porém, mudamos a direção do aparelho, a desconhecida máquina voadora também mudou a sua, permanecendo sempre paralela a nós. Volvidos uns quinze minutos, a misteriosa nave acelerou a marcha, subiu e desapareceu. Voava a uma velocidade que parecia impossível para nós". (263)

Que eram essas coisas brilhantes, coloridas, que cabravam violentamente sobre a Rússia, voando atrás dos seus aviões? "A hipótese que encontra a menor quantidade de abjeções é a de que os OVNIS são veículos de civilizações extraterrestres", observou o Dr. Ziegel. Outros cientistas insignes estavam dispostos a especular. "Pode ser", disse o Dr. Vasily Kuprevich, Presidente da Academia de Ciências da Bielo-Rússia, "que seres do espaço exterior ainda estejam visitando a Terra sem estabelecer contato com as pessoas. O seu desenvolvimento intelectual talvez tenha atingido tal nível que eles fazem de nós o mesmo conceito que fazemos dos nossos antepassados, os homens das cavernas". (202)

A propósito da existência de uma vida aprimorada em outras partes da galáxia, realizou-se uma conferência em 1967 "Sobre as Civilizações Espaciais", dirigida pelo grande astrônomo armênio Vitor Ambartsumyam. A citada conferência chegou à seguinte conclusão: a existência de civilizações extraterrestres na galáxia pode ser praticamente havida como certa; por conseguinte, deveriam ser encetados desde já os estudos preliminares dos problemas científicos e técnicos das nossas futuras ligações com elas. (32)

"Possuímos observações muito bem documentadas de todos os pontos da URSS", revelou Ziegel. "É difícil acreditar que sejam todas ilusões de ótica. As ilusões não são claramente registradas em chapas fotográficas e no radar." Ele mencionou um duplo rastreamento, de que participou o Major Baidukov, da Força Aérea, que voava à noite sobre Odessa em abril de 1966. O major localizou um abjeto não identificado no seu radar. Várias unidade; terrestres de radar também captaram o mesmo pique, que voava alto, e viram-no baixar, em quarenta e cinco minutos, de 50 para 17,5 quilômetros de altura da terra. (Circularam até rumores de que alguns cosmonautas soviéticos no espaço externo teriam visto um pires perto da sua cápsula.)

“Não creio que convenha a um verdadeiro cientista abordar problemas com a mentalidade do homem que disse da girafa: Esse bicho não existe, continuou Ziegel. Sem rejeitar a hipótese dos visitantes do espaço, ou qualquer outra teoria, precisamos iniciar um estudo sistemático do enigma dos OVNIS. Utilizemos os nossos observatórios astronômicos, meteorológicos e geofísicos, as nossas unidades de rastreamento de foguetes e satélites espaciais, o radar dos nossos aeroportos e os nossos radares hidrometeorológicos”.

O primeiro pronunciamento público de Ziegel sobre os OVNIS na URSS provocou manifestações do Dr. J. Allen Hynek, Presidente do Departamento de Astronomia da Northwestern University e um dos principais cientistas norte-americanos que se consagraram ao seu estudo. Escrevendo em Playboy, o Dr. Hynek confessou o seu principal receio: numa bela manhã ele abriria o jornal e leria: "Russos desvendam o mistério dos OVNIS". Nos devaneios de Hynek, os soviéticos apareceriam com alguma explicação cósmica, ainda não imaginada, dos OVNIS. Ou, o que seria muito mais traumático, relatariam o primeiro contato com membros de uma civilização extraterrestre que andassem fazendo reconhecimentos na Terra. "Qualquer uma dessas histórias abalaria de tal maneira a América que o lançamento do Sputnik em 1957 pareceria, retrospectivamente, tão importante quanto o anúncio russo de uma abundantíssima colheita de trigo", disse Hynek. (309)

Conhecendo os métodos soviéticos, o Dr. Hynek observou ser muito improvável que Ziegel proclamasse a necessidade de um estudo científico em larga escala dos OVNIS se algum já não tivesse sido iniciado.

Um mês antes de qualquer manifestação pública sobre os OVNIS, os parapsicalogistas, de qualquer maneira, já entendiam haver alguma razão para discuti-los. Os parapsicologistas acertaram com dois grupos de físicos a realização de um seminário sobre "Possíveis maneiras de comunicar-nos com civilizações extraterrestres". (132) O engenheiro Yu. Dolgin falou sobre a busca científica atual de civilizações no espaça exterior. Depois a discussão se dirigiu para os OVNIS. Acredita o Dr. Ziegel que a parapsicologia poderá prestai grandes serviços ao homem. E ele talvez se referisse a pesquisas psíquicas quando disse: "Aqui parece que estamos lidando com uma espécie de realidade ainda inexplorada". Mas referia-se aos OVNIS. Falou no desenvolvimento de sistemas de comunicação para sondar o espaço à procura de respostas inteligentes. "Será pura coincidência que as observações se intensifiquem sempre que Marte está mais próximo da ferra?" perguntou Ziegel. "Ninguém sabe." Um sistema de comunicação apropriado poderia provocar uma resposta do até agora insociável OVNI. A telepatia talvez fosse a solução. Nenhum dos participantes do seminário, naturalmente, vira ainda um ser espacial. Mas os soviéticos já estavam preparando os seus "discursos" para o caso de serem indicados.

O Dr. Vyacheslav Zaitsev, outro participante das reuniões de parapsicologia, não está convencido de que ninguém jamais tenha visto um visitante cósmico. Ele acredita, e passou anos documentando as suas teorias, que homens do espaço pousaram na Terra e trouxeram consigo a aurora da civilização humana. "Deuses do céu", é como lhes chama. Filólogo da Academia de Ciências Bielo-russa, Zaitsev compulsou velhos documentos, sobretudo documentos sagrados, para chegar às suas idéias. "O relato bíblico da destruição de Sodoma e Gomorra parece uma explosão nuclear", assinala Zaitsev não desarrazoadamente, "descrita por uma testemunha sem cultura".

Segundo o Dr. Zaitsev, as sagradas sagas indianas, entre as quais o Ramayana, falam em "carros celestiais de dois andares com muitas janelas. Rugem como leões, vestem-se de chamas rubras, e disparam no céu como se fossem cometas". O Mahabharata e vários livros sânscritos descrevem circunstanciadamente esses carros "acionados por um relâmpago alado... A nave librava-se no céu e demandava a região do Sol e das estrelas".

Alguns arqueólogos soviéticos acreditam que os carros podem ter deixado "registros". Recentemente foram descobertos 71G discos de pedra em cavernas na montanha Bayan Kara Ula, entre a China e o Tibete. Essas "gravações", que os soviéticos verificaram conter traços de metais, têm sulcos como um disco moderno de vitrola e um furo no centro. Calculam os arqueólogos que eles foram feitos por volta do ano 10 000 A.C, e supõem que talvez sejam uma forma de escrita. Refere Zaitsev que, quando se tiram partículas dos discos, eles vibram como se contivesse uma carga elétrica. Na opinião do Dr. Zaitsev, esses discos poderiam dar novo significado às veneráveis lendas chinesas de homens magros, de rosto amarelo, que desceram das nuvens. (256)

Zaitsev escora a sua tese dos "Deuses do Céu" num amplo conhecimento da história da arquitetura. Os povos primitivos, supõe ele, afeiçoaram os seus edifícios sagrados inspirando-se nas máquinas dos visitantes do espaço e, assim, imortalizando-as. Ele tem livros cheios de exemplos. A forma da cápsula espacial norte-americana Gemini pode ser encontrada em estruturas antigas. Aparece, notadamente, num exemplar da arquitetura judaica, mostrado num compêndio, o túmulo erguido no vale de Cedron. Correspondentemente, a silhueta de um edifício sagrado fenício, o túmulo de Amrites, lembra o Vostok soviético. A forma do Vostok também se encontra nos primitivíssimos "stupas" talhados em templos indianos cavernais. Pagodes chineses, como o famoso pagode de ferro perto de K'ai-feng, igrejas, minaretes muçulmanos, todos têm "anelos de céu", de acordo com o Dr. Zaitsev. Ele aponta para os minaretes que rodeiam Santa Sofia em Istambul: dir-se-iam foguetes prontos para o lançamento.

"Preservados pelos êxtases messiânicos da religião, esses símbolos cósmicos inspirados pelos nossos primitivos visitantes e benfeitores chegaram à Rússia através do cristianismo. Vejam as flechas das igrejas. Comparecem a cúpula acebolada do Campanário de Ivã, o Grande, no Kremlin, com a proa em forma de sino da espaçonave Vostok." O Dr. Zaitsev disse aos parapsicologistas que, se novas pesquisas corroborarem essas teorias, o homem terá de modificar as suas idéias acerca das origens da civilização e das religiões, "e as nossas idéias sobre as crenças messiânicas. Se fomos realmente visitados há alguns séculos, é possível que estejamos no limiar de um "segundo advento" de seres inteligentes do espaço exterior". (257)

Para Zaitsev, o "segundo advento" não é apenas uma alusão teológica. Ele acredita que Jesus, representante de uma civilização mais adiantada, tenha vindo do espaço externo. Isso explicaria, em parte, os seus poderes sobrenaturais, as suas tremendas capacidades. "Em outras palavras, a descida de Deus à Terra é realmente uma ocorrência cósmica", diz Zaitsev. Nesse sentido, ele entende que os soviéticos deveriam considerar a vinda de Deus como um verdadeiro acontecimento histórico. F sugere apenas que o termo Deus seja mudado para "Cosmonauta Jesus Cristo". (314)

Será isso demais? Na Rússia, as idéias de Zaitsev geraram profundo interesse. Ele é apenas um dos cientistas soviéticos para os quais as nossas civilizações foram iniciadas por seres vindos do espaço exterior. Antes que Zaitsev enunciasse a suas teorias, o Professor Modesto Agres, doutor em matemática física, causou sensação na Gazeta Literária (fevereiro de 1966) propondo a tese de que a Terra foi visitada por homens do espaço durante um milhão de anos.

O Professor Agrest alude às "tectitas", rochas misteriosas encontradas no Líbano, que desconcertaram a ciência. Formaram-se graças a uma radiação nuclear. Por que não seriam mísseis provenientes do espaço? Como Zaitsev e outros, Agrest se confessa intrigado pelos "Dogus", estátuas com 25 000 anos de idade descobertas no Japão e que, afirma-se, parecem astronautas em trajes espaciais. Agrest acredita também que os eventos e as personalidades bíblicas mostram a intervenção de visitantes cósmicos.

Embora pareçam estranhas, essas idéias não constituem temas de comentários frívolos e esporádicos, mas foram apresentadas como hipótese científica séria, apoiada em vasta documentação. O Dr. Iosif Shklovsky, membro correspondente da Academia de Ciências, escreveu: "Agrest considera ousadamente que muitos acontecimentos bíblicos surpreendentes se baseiam numa visita de astronautas de outros planetas a Terra. [...] No verão de 1962, uma hipótese semelhante foi aventada por Karl Sagan, conhecido astrofísico norte-americano. Claro está que nem a hipótese de Agrest, nem a versão desenvolvida por Sagan com base nessa hipótese têm, até agora, amparo científico sério. Não obstante, ambas merecem consideração e não devem ser postas de lado como baboseira não científica".

“Nunca encontramos alguém que tivesse visto um pires - até irmos à Rússia e conversarmos com um professor de física. Quando palestramos com esse cientista de quarenta e cinco anos, que leciona numa prestigiosa universidade soviética, os OVNIS tinham caído novamente em desgraça. ‘Sei que isso soa estranho’, disse-nos ele, ‘mas eu mesmo já vi os tais pires por duas vezes. No verão de 1960, com um grupo de pessoas, eu estava esperando a passagem de um carro na estrada de Samarcanda, a uns quarenta e cinco quilômetros de Tashkent. Isso aconteceu entre nove e dez horas da noite. O OVNI, mais ou menos do tamanho de uma estrela grande, passou pelo nordeste do céu. Inverteu a marcha e deslocou-se na direção da terra com sinuosas ondulações de luz. Tinha-se a impressão do movimento de um inseto do gênero Nepa. No dia seguinte, fiz indagações e constatei que numerosos habitantes de Tashkent tinham visto o mesmo objeto. O fato de não se tratar de um avião, nem de um meteorito, nem mesmo de um Sputnik artificial era comprovado pela direção quebrada do vôo e pelas suas tremendas mudanças de velocidade”.

"Cerca de um mês depois, no mesmo verão, eu me achava na Criméia com dois conhecidos professores de arte e seus alunos, quando vi o segundo OVNI - na realidade não foi apenas um, foram cinco. Vimo-los executar uma espécie de manobra no zênite, parecida com as brincadeiras dos pirilampos." Esse professor, como o Dr. Ziegel, também fez alusão ao famoso meteorito de Tunguska, que derrubou uma floresta siberiana em 1909. A publicação Relatórios da Academia Soviética de Ciência, em 1967, divulgou estudos para mostrar que, fosse o que fosse o Sue tenha caído na Sibéria, não foi um cometa nem um meteorito. Nesse mesmo ano, o Instituto de Pesquisa Nuclear Conjunta, em Dubna, apresentou um relatório segundo o qual a explosão de Tunguska, que deixou grande quantidade de radioatividade, tinha todas as características de uma explosão nuclear. Finalmente, o Dr. Ziegel demonstrou, em 1966 (antes da publicidade do pires), que o objeto de Tunguska descreveu no ar um arco imenso, de 600 quilômetros, antes de cair. "Ou seja", diz Ziegel, "ele executou uma manobra". (263)

Consoante alguns observadores, estranhos objetos ainda estavam executando manobras sobre terras comunistas. A revista militar tcheca Periscópio (1966) declarou: "Recentemente, OVNIS tem sido visto sobrevoando a União Soviética, a Polônia, a China e a Tchecoslováquia".

Em outubro de 1967, o Major-General Porfiri Stolyarov, da Força Aérea, foi nomeado presidente da Comissão Cosmonáutica da União, grupo não oficial que se incumbe de estudar os OVNIS, e do qual fazem parte muitos cientistas e heróis da União Soviética. (301) A sociedade anunciou que faria uma palestra pela televisão, ruas não chegou a fazê-la. Ziegel propôs um estudo dos OVNIS de âmbito mundial aos visto que naquele ano novas observações haviam sido feitas na Rússia. A Estação Astrofísica da Montanha, da Academia de Ciências da URSS, no Cáucaso, relatou duas observações notáveis.

Numa noite clara e cheia de estrelas, o astrônomo H. I. Potter viu uma formação densa, leitosa, com um núcleo vermelho, tirante ao róseo. A nuvem empalideceu e sumiu, mas o centro vermelho continuou pairando. Durante duas horas, Potter tirou fotografias. Poucas semanas depois, pessoas que estavam passando as férias em Kislovodsk, estação de veraneio nas montanhas, alvoroçaram-se ao ver um crescente brilhante zumbindo no céu. Num ponto mais distante da montanha, na estação de astrofísica, o astrônomo Anatoli Sazanov e dez cientistas avistaram e rastrearam o mesmo fenômeno. Tênues fitas luminosas, como uma espécie de escapamento, seguiam os cornos do crescente. Finalmente, o brilho se dissipou e viu-se que o objeto era um disco. (263)

Antes de chegarmos à Rússia, os OVNIS estavam oficialmente extintos. O Dr. Ziegel, que, pelo visto, se apresentara na TV e criara o que as autoridades consideravam um espetáculo demasiado sensacional, estava de férias, umas longas férias que durariam enquanto durasse a celeuma pública. Por conseguinte, a discussão dos OVNIS, das civilizações extraterrestres e das maneiras de se comunicar com elas teriam de ser riscada da conferência de parapsicologia de junho. Todas as observações de pires mencionadas neste capítulo, excetuando-se a história que o nosso amigo testemunhara, foram publicadas pelos soviéticos. Sputnik, revista soviética distribuída cm vinte e oito países não comunistas, reproduziu algumas.

Em março de 1968, a Academia Soviética de Ciência declarou: "a pesquisa de OVNIS é anticientífica". Se eles existissem, os cientistas saberiam da sua existência. Afirmou a Academia: "Nenhum dos nossos astrônomos viu jamais um OVNI. Eles nunca foram avistados por nenhum dos nossos cientistas que têm a sua base em terra. As nossas unidades de defesa, que guardam o país dia e noite, nunca viram um OVNI". Por isso mesmo, concluía a Academia, não poderia haver OVNIS. (414) A maioria dos observadores ocidentais acredita que o pronunciamento se destinasse apenas ao consumo interno, e tivesse sido feito para acalmar o povo, pois um povo calmo é uma boa coisa aos olhos das autoridades.

Isto é, publicamente.

- Ora, - disseram vários russos com os quais conversamos. - Os discos voadores voltarão de novo no próximo degelo.

O Dr. Carl Jung, o grande psicanalista, escreveu um livro sobre discos voadores. Eles podem ou não existir materialmente, pensava Jung. O que lhe interessava era a mítica luminescência dos OVNIS. Que mudanças, no mais profundo da psique, traduzem as suas observações? perguntava ele a si mesmo. Como o demonstram as teorias populares de Zaitsev sobre os "Deuses do Céu", o lado mítico e místico do disco voador projeta sombras férteis sobre a Rússia.

Não é uma coincidência o fato de parapsicologistas, astrofísicos e ovnistas se juntarem em seminários em Moscou. O mesmo impulso, o mesmo anseio por descobrir os profundos indizíveis da vida estão implícitos na exploração do espaço interno e externo. A Rússia mística não morreu. Está simplesmente, lentamente, mudando as aparências da sua busca. Afastando-se por necessidade da religião, voltou-se para a ciência. Procura nela uma definição nova, maior, do eu humano. Procura nela uma nova compreensão do lugar desse eu no plano das coisas. A parapsicologia sonda o íntimo do ser. A Astronáutica sonda o exterior, a brilhante e negra abóbada infinita que se estende sobre as terras infinitas dos soviéticos. Ambas têm, atrás de si, os inquietos e atormentados séculos da Rússia.

Os soviéticos surgiram com poderes telepáticos no chão; lançaram homens ao espaço. Não é improvável que tenham combinado, ou venham a combinar, os dois. E menos provável que descubram que têm uma história desfavorecida pelas estrelas, que homens do espaço desceram trazendo os dons de Prometeu. Entre esse provável e esse improvável pende o enigma do OVNI. Toda a gente presume o que sejam esses objetos exasperantes, que voam a alturas consideráveis. Se revelaram alienígenas, e se acreditarmos no que escrevem os autores de ficção científica e no que nos dizem os ocultistas acerca de seres de outros mundos, que nos procuram, guiados por vibrações simpáticas - nesse caso, um russo não oficial talvez diga a primeira palavra intergaláctica.

Numa palestra sobre seres espaciais dotados de inteligência superior, o Dr. Ziegel perguntou: "Não haverá a possibilidade de um entendimento comum, visto que nascemos no mesmo universo e obedecemos às mesmas leis da natureza?" O otimismo de um russo culto, um admirador de Zaitsev que encontramos certa noite em Moscou, depois de jantar, foi mais longe ainda.

- Eles são como pais amorosos no céu, - disse ele. - Agora que possuímos a força nuclear para destruir-nos e para prejudicar o sistema solar, eles virão. Não deixarão que nos aniquilemos.

9
O IMPACTO TELEPÁTICO

O pianista tocou uma valsa. Entre os braços do parceiro, uma jovem começou a rodopiar sobre o polido tablado de danças de uma estação de veraneio no Mar Negro. Numa ante-sala, o Dr. K. I. Platonov, psicologista, levou a mão aos olhos e concentrou-se. A súbitas, no meio de um passo, a moça que dançava caiu em transe hipnótico. Telepaticamente, Platonov interrompera a jovem que dançava, a Srta. M.

No Congresso de Psiconeurologistas Russos de 1924, Platonov tornou a hipnotizar telepaticamente a Srta. M. diante de uma sala cheia de cientistas. A animada jovem estava conversando, ou pelo menos assim o imaginou, com um grupo de médicos, que aguardavam o início de uma demonstração hipnótica. Não se via Platonov, escondido atrás de um grande quadro negro. Ele levou a mão à testa, como um sinal, e a Srta. M., de repente, adormeceu. Em seguida acordou-a e, logo, tornou a adormecê-la. (154 -237)

Platonov encontrara mais que uma forma exótica de curar a insônia com a sua magia. A capacidade de adormecer as pessoas e despertá-las telepaticamente à distância de uns poucos metros ou de mil e tantos quilômetros tornou-se a contribuição mais completamente testada e aperfeiçoada dos soviéticos à parapsicologia internacional. A experiência soviética. A capacidade de controlar a consciência de uma pessoa por meio da telepatia está sendo agora explorada nos laboratórios de Moscou e Leningrado. O teste do adormecer e despertar, entretanto, granjeou um longo e intrigante pedigree científico antes de ser finalmente revelado no princípio da década de 1960.

Pouco depois da convenção de 1924, algo inusitado aconteceu a uma aluna de dezenove anos de uma faculdade de Kharkov. "Quando vão começar as experiências, Professor Dzelichovsky?" perguntou a moça ao seu professor de física. A curiosidade exasperava-a. Mais de um mês antes, ele lhe pedira que se submetesse a alguns testes muito importantes. Tratava-se de um pedido lisonjeiro. No entanto, ela voltou a interrogá-lo sobre o assunto, ele limitou-se a dizer que o equipamento estava atrasado e continuou falando sobre a solução que, naquele momento, ia despejando num tubo de ensaio.

O Professor A. V. Dzelichovsky convidava-a freqüentemente a ir ao laboratório durante a longa espera. Agia quase como um professor particular, que nunca se cansava de vê-la nem de falar-lhe - mas de falar sobre tudo, exceto as experiências de que ela deveria participar. Por fim, a curiosa jovem começou a aparecer no laboratório a qualquer momento. "Houve alguma razão especial que a trouxe aqui?" perguntava Dzelichovsky. E a única coisa que ela conseguia fazer era corar e balbuciar: "Não... não, apenas senti vontade".

Sem o saber, a moça já participava de experiências muito especiais. Enquanto fazia o que esperava que fosse uma conversa trivial a respeito do tubo de ensaio que estendia à aluna, com o fito de distraí-la, ele viu, de repente, que as pálpebras da jovem começavam a bater e depois se fecharam. A sua respiração tornou-se mais vagarosa, mais profunda, mais regular. Ela adormecera profundamente.

Numa sala próxima, K. D. Kotkov, psicologista, também tinha os olhos cerrados. Mas não estava dormindo, embora repetisse mentalmente, sem cessar: "Durma, durma". Ao mesmo tempo, imaginava vividamente o rosto da jovem. Kotkov descobriu que o ingrediente mais importante nessa tentativa de controle telepático secreto era desejar. Ele desejou que a rapariga adormecesse até sentir "uma espécie de êxtase de triunfo. Conheci que ela estava dormindo". Tomou nota do tempo e dispôs-se a despertá-la.




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