Show fernando catatau e o instrumental



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PROGRAMAÇÃO DO 15º FESTCURTAS BH
ABERTURA | LIVRE
SHOW FERNANDO CATATAU E O INSTRUMENTAL

Projeto criado há dois anos, em paralelo à banda Cidadão Instigado. Fernando Catatau já compunha músicas instrumentais e as guardava na gaveta para o futuro. As inspirações da banda estão nos grandes clássicos do rock, como Led Zeppelin, The Cure, Black Sabbath, Pink Floyd, sem esquecer suas origens na música árabe e nordestina. Em fase de gravação, o primeiro disco do projeto deve ser lançado no próximo ano.




ABOUT NDUGU | SOBRE NDUGU


David Munoz | Espanha, 2013, 16’

Ndugu recebe uma carta do Sr. Schmidt, seu novo pai adotivo nos Estados Unidos, que acaba de perder a esposa. Ndugu vai procurar uma nova esposa para ele.


APOCALIPSE DE VERÃO | SUMMER APOCALYPSE

Carolina Durão | Brasil/RJ, 2013, 15’

Rio de Janeiro, 45°C, praias lotadas: apocalipse de verão! Daniel, 8 anos, está de férias na praia. Lá ele experimenta diversos mundos e se diverte entre a fantasia e a realidade. Um dia, o mar está cheio de algas tóxicas. A praia está imprópria! Será o fim do verão?


LE 12E HOMME | O 12º HOMEM | THE 12TH MAN

Thomas Pons | França, 2012, 8’

No meio das arquibancadas, o 12º homem é a perfeita encarnação de instintos gregários, de altruísmo nas decepções e alegrias da multidão.


MUSICAL INSECTS | INSETOS MUSICAIS

Deborah Stratman | EUA, 2013, 6’

A temporalidade dos filmes imita a temporalidade de uma obra impressa. O filme homenageia o livro homônimo de Bette J. Davis, ele próprio um tributo aos pequenos compositores do mundo dos insetos.


MOSTRA COMPETITIVA INTERNACIONAL
Internacional I | 16 anos
JURNAL #2 | DIÁRIO #2 | DIARY #2
Adina Pintilie | Romênia, 2013, 16’

Revelações de caráter íntimo são gradualmente apresentadas, no que se assemelha a um confessionário ou diário-filmado compartilhado por duas mulheres. Segredos, devaneios e afetos reprimidos dão lugar ao ato de conhecer o próprio corpo, assim como o do outro, o do objeto de desejo. Presenciamos um testemunho particular e sensível, em que o grau de ficção vem somente reforçar as sensações relatadas. Ao final, o que sobressai é o tato enquanto experiência fílmica, na qual o feminino – reforçado pela reiteração do rosto envelhecido da personagem principal – é, a todo momento, posto em evidência. (CI)





A STORY FOR THE MODLINS | UMA HISTÓRIA PARA OS MODLINS

Sergio Oksman | Espanha, 2012, 20’

Elmer Modlin faz uma pequena aparição em uma cena decisiva e conhecida de O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski. O que não se sabe é que existe um personagem bastante excêntrico por trás dessa mera figuração vista no filme. A Story for the Modlins é um documentário espanhol sobre a excentricidade da família Modlin. Elmer é casado com Margaret e pai de Nelson. Eles vivem num sombrio apartamento onde contam estranhas histórias de sua vida enquanto pai e filho servem de modelos para pinturas apocalípticas de Margaret. Enquanto isso, outras histórias vindas de pessoas que enviam fotos para a família ajudam a construir uma espécie de história universal de um mundo estranho. (LA)


LA MUJER PERSEGUIDA | A MULHER PERSEGUIDA | A WOMAN BEING FOLLOWED

Jerónimo Quevedo |Argentina, 2013, 16’


Parece existir uma geração de jovens cineastas argentinos que parte de certos aspectos formais e estéticos do cinema para estabelecer um jogo de adesão e rompimento que dá vazão a uma interessante liberdade de criação. La Mujer Perseguida é um filme de uma busca por uma atriz que possa fazer o papel de uma mulher perseguida pelos corredores de uma escola. Em off escutamos os depoimentos dessa busca pelo próprio diretor. Na fatura fílmica, encontramos um feito em seu processo de feitura. Poucos planos fixos e de grande profundidade de campo, câmeras na mão que percorrem os corredores para captura dos corpos e a instabilidade da lente em zoom são alguns dos aspectos formais recursivos no curta-metragem. (LA)
O QUE ARDE, CURA | AS THE FLAMES ROSE

João Rui Guerra da Mata | Portugal, 2012, 26’

Nos chega pelo telefone um diálogo amoroso, o fim de uma relação. No confinamento, reconstituem-se, através de sons e por meio de uma memória dos objetos, os traços sensíveis de uma experiência simultaneamente radicada em uma época e extemporânea. Pois seria como, em meio à teatralidade e ao artifício, se esses rastros dissessem do que se sente tanto quanto a nudez de um torso. (EB)


Internacional II | 12 anos
CHOIR TOUR | A TURNÊ DO CORAL

Edmunds Jansons, Letônia, 2012, 5’

O que delimita um traço? Em Choir Tour, uma série de experimentações em termos de animação são postas em evidência, num esforço de transpor amarras narrativas ou uma atenção que se volta unicamente à técnica empregada. A musicalidade dita o ritmo, dosada em justa medida a formas, cores, movimentos. Utilizando-se de poucos elementos e nenhum diálogo, o filme propõe uma viagem de teor surrealista que questiona seus próprios limites, construindo-se com inventividade e muito bom humor. (CI)


TABATÔ

João Viana | Portugal, 2013, 13’

Em preto, branco e vermelho, o passado permanece inacabado em Tabatô, seja nas mortes que não cessam de ocorrer, na guerra ou fora dela, seja na música que se plasma como forma de vida em meio à destruição que se avizinha. Ficção que se estilhaça em reencenação do cotidiano, catarse e luto pelo trauma da guerra, assistimos à vida e à experiência estética desenharem frágeis limites. (EB)


RHINOCEROS | RINOCERONTE

Kevin Jerome Everson | EUA, 2012, 7’

A frontalidade do plano e o caráter excessivo das palavras que nos são dirigidas não nos enganam sobre a artificialidade do gesto nesse filme-proscênio. Mas algo ainda se oculta no discurso que convoca à ação e nos gestos que a presidem. Ruptura ou reação seriam o substrato referencial dessa performance física e linguística? O corte abrupto, a revelação do encenado aponta para o que subjaz e não poderia ser dito. (EB)


GAMBOZINOS | WILD HAGGIS

João Nicolau | Portugal, 2013, 20’

É tempo de caça aos gambozinos, ainda que não haja registros de alguém já os ter visto. Em uma colônia de férias, garotos são garotos: eis o universo dos extremos, onde toda graça reside no aparentemente impossível. O tempo corre, para, torna a correr. Antônia Josefina entra no salão e a dança, ora estática, ora movente, faz com que aqueles dias durem para sempre. (UR)


PETIT MATIN | AMANHECER | BREAK OF DAY

Christophe Loizillon | França, 2013, 34’

Um acontecimento trágico tinge de melancolia a manhã numa casa com jardim. Separados por cartelas, seis planos-sequência buscam dar conta da miríade de sentimentos que circundam o episódio: para cada personagem, o filme reserva um olhar. Longe de conferir uniformidade ao que vemos, a rigidez do dispositivo é o que permite que cada encontro entre a câmera e os atores resulte em uma variação expressiva singular, resultado da articulação entre a precisão da mise en scène de Christophe Loizillon e a força das atuações. No momento em que uma vida se esvai, o cinema toma para si a tarefa de fazer vibrar a espessura das que ficam. (VG)


Internacional III | 12 anos
THE NAME IS NOT THE THING NAMED | O NOME NÃO É A COISA NOMEADA
Deborah Stratman | EUA, 2012, 11’

O primeiro plano nos coloca num longo movimento de câmera, o qual acompanhamos o curso de um rio rumo à escuridão. A ausência de luz funciona como disparador, passível de desencadear todo tipo de concatenação visual, sensorial, lógica. A fluidez aparece como um de seus eixos condutores; a rispidez de certas construções imagéticas entra em contraste com a fluxo dos movimentos, da água e do vento. O filme nos afirma como o nome realmente não é a coisa nomeada, uma vez que imagem e som, signo e referente estão radicalmente dissociados, em constante convocação do espectador frente à opacidade do que lhe é apresentado. (CI)


WHITE PIG | PORCO BRANCO

Yang Kyung-mo | Coreia do Sul, 2013, 23’

Um pai, um filho, um terreno ameaçado e um porquinho. A vigilância sanitária insiste em erradicar os porcos em uma pequena vila, pois há evidências de que eles estão espalhando doenças. O destino inexorável desses animais parece ser a morte – e seu grito por ajuda é assustador. Por que os porcos são tão brancos? (UR)


QUE JE TOMBE TOUT LETEMPS? | CAIO EU A TODO TEMPO? | THAT I’M FALLING?

Eduardo Williams | França, 15’, 2013

A estranheza atravessa Que Je Tombe Tout le Temps, marca talvez da extrema – paradoxalmente quase imperceptível – exterioridade de uma mise en scéne que flerta com o realismo e um conjunto de situações de caráter francamente inusitado. A desconexão dos espaços, a sobreposição de diálogos aparentemente cotidianos e banais e uma ambientação que não possui qualquer espécie de articulação causal com os mesmos, o protagonismo de uma misteriosa semente cujo sentido somente será percebido em seus efeitos, tudo configura um mundo em reversibilidade, cujos atributos são imediatamente contraditos e negados na sequência seguinte. (EB)


OS VIVOS TAMBÉM CHORAM | THE LIVING CRY TOO

Basil Da Cunha| Suíça, 2012, 30’

O Zé tem um plano: juntar dinheiro para, na primeira oportunidade, deixar Portugal em direção à Suécia, e lá abrir uma casa de vinhos. Quando o sonho é interrompido pela compra inesperada de uma máquina de lavar, o protagonista tem de apelar para outros subterfúgios, com a ajuda de seu amigo ucraniano. Oscilando entre um realismo devotado à presença dos atores e uma construção onírica atravessada pela musicalidade do fado, Basil da Cunha nos apresenta uma peculiar saga quixotesca: quando moinhos de vento se convertem em navios de carga, realidade e sonho não cessam de procurar por novas contaminações. (VG)


Internacional IV | 12 anos

TODAVIA TRABAJANDO | AINDA TRABALHANDO | STILL WORKING

Esteban Argüello | Argentina, 2013, 6’

Seis minutos e meio. O tempo de um telefonema. De um lado da linha, o neto (e diretor do filme), que vive e trabalha na China, com a esposa Jiang e um cachorro recém-chegado à casa. Do outro, a avó, que mora na Argentina e se alegra de ter voltado a trabalhar na padaria da família (pequena insurreição contra as preocupações exageradas dos mais novos). Enquanto ouvimos uma singela troca de notícias, repleta de carinho e intensidade, vemos as imagens do cotidiano da abuela, entre as roupas estendidas no varal, o cuidado com o gato e as facturas vendidas em meio às imagens religiosas que enfeitam a caixa registradora. No sotaque partilhado à distância e no calor que aquece a tela, os milhares de quilômetros que separam os dois mundos se dissolvem em um dispositivo simples, mas pleno de sentido. Seis minutos e meio. Tempo suficiente para que uma conversa miúda possa se converter em cinema. (VG)


ICH HABE GETRÄUMT, DASS BERLIN BRENNT | EU SONHEI QUE BERLIM QUEIMAVA | I DREAMT THAT BERLIM WAS BURNING

Bastian Gascho | Alemanha, 2013, 18’

Este é um filme em movimento, movimento em direção à vida. A vida nele é sentida a cada instante, cada respiro, cada gesto. Karla é uma jovem mulher que não tem tempo a perder. Ela anda com firmeza, cada passo antecipando o seguinte, e assim sucessivamente, sem saber exatamente para onde eles a levam. Karla segue seu fluxo particular e, no caminho, encontra seus pares. A juventude no esplendor e liberdade. Bastian Gascho realiza este filme com leveza e segurança, dando espaço necessário a Karla, mas seguindo-a com intensidade até o último e comovente plano-sequência. (LP)


SAUDADE

Jean-Claude Rousseau | França, 2012, 14’

O tempo da saudade é aquele que acabou de passar, mas ainda está presente. Sentimos a falta de algo que já não é, mas que continua. Os tempos se desencontram, às vezes por apenas uma fração de segundo. No começo do filme, vemos o mar. A imagem que vem sugestivamente logo antes do título nos proporciona um sentimento ao mesmo tempo familiar e abstrato. Rousseau é um poeta da imagem e do som e, como tal, ele não quer descrever sentimentos. Saudade é um filme da experiência, não do discurso; é um filme de circunstância, não de preparo. Com meticulosa observação dos espaços e uma montagem exata, construída em cima de pequenas variações no interior do quadro causadas no tempo, a superfície do filme parece calma, mas na verdade estamos diante um vulcão adormecido prestes a entrar em erupção. (LP)


LES BRIGANDS | BANDIDOS | BANDITS

Antoine Giorgini | França, 2013, 16’

O filme nos convida a observar o universo de dois jovens buscando dialogar com um urgente estar no mundo, em que as coisas não parecem ter muito sentido e a busca ininterrupta se torna sua força motriz. Pequenos roubos, conversas sobre garotas, segurar a onda como Rambo faria. O dia vai passando e as coisas parecem não sair do lugar. Até que outro ser, igualmente selvagem, se torna alvo. (UR)


LINTU TOISELTA TAIVAALTA | PÁSSARO MIGRATÓRIO | MIGRATORY BIRD

Katja Lautamatti | Finlândia, 2012, 23’

Produção finlandesa sobre famílias nigerianas que vão ao Líbano em busca de trabalho ou a caminho da Europa e, de lá, não conseguem nem seguir nem voltar para casa, devido a políticas rígidas de imigração. Além do interesse natural gerado pelo tema, o filme trabalha com uma abordagem e uma estética que se revelam potentes. Adotando procedimentos da ficção, Lintu Toiselta Taivaalta se constrói a partir do ponto de vista de uma criança que vive exatamente a situação descrita. Ao realizar essa opção, o curta consegue dar um caráter lúdico e intimista para a questão sem perder o aspecto político e social desses nigerianos que vivem situação de incerteza em território libanês. (LA)


Internacional V | 16 anos
EL RUIDO DE LAS ESTRELLAS | O RUÍDO DAS ESTRELAS | THE SOUND OF THE STARS DAZES ME

Eduardo Williams | Argentina, 2012, 20’

A cada novo curta, Teddy Williams parece dar forma a uma nova encarnação do mistério inebriante de seu cinema. Em cena, um grupo de jovens e o mundo que os circunda, ameaçador e convidativo: o bastante para converter a situação mais mundana em um território imaginativo infinito. El Ruido de las Estrellas faz jus a esse momento da juventude em que as conversas intermináveis sobre OVNIs e tribos distantes são a coisa mais corriqueira e prazerosa do mundo. Na dissociação radical entre o som e a imagem, descobre múltiplas e inesperadas ressignificações; de onde menos se espera, faz nascer a poesia, apenas para abortá-la com um golpe de montagem. Trata-se de um cinema que pergunta pelo peso relativo das baratas mortas, e talvez não haja nada mais importante. (VG)


BETONIERA | BETONEIRA | THE CEMENT MIXER

LIVIU SANDULESCU |Romênia, 2012, 16’

O cinema romeno tem tido grande destaque no mundo pela construção de ficções que mesclam um realismo da encenação com forte dose de ironia ou constatação de situações burocráticas observadas na sociedade pós-ditadura de Ceacescu. Betoniera é um exemplo desta estética, sem, no entanto, se escravizar pela mesma. A situação criada pelo filme é bem simples para uma realidade complexa: um homem, incomodado pelo barulho de uma obra que o impede de dormir ou conversar com a família, coloca o carro de frente a uma betoneira e impede o prosseguimento dos trabalhos. O que se vê a partir de então são os impedimentos impostos pela burocracia local e o abuso do poder daqueles que o detém. Seria um filme comum caso não investisse até o fim em sua ideia de revolução simples e investigação das relações de poder. (LA)


SOLES DE PRIMAVERA | SÓIS DE PRIMAVERA | SPRINGTIME SUNS

Stefan Ivancic | Sérvia, 2013, 23’

Um grupo de jovens sérvios passa as férias na cidade natal. Conversas sobre a concretude do cotidiano (garotas, família, estudos) se intercalam às incertezas do futuro. Uma sensação de inquietude acompanha o filme, que transita de modo sutil entre encenação e registro documental, entre manifestações próprias da adolescência e um devir revolucionário que ainda não encontrou seu lugar. Como os sóis de primavera – belos, ainda que fugidios –, o filme nos revela questionamentos que dizem de todo um país, através de breves e sensíveis momentos juvenis. (CI)


PRISONS – NOTRE CORPS EST UNE ARME | PRISÕES – NOSSO CORPO É UMA ARMA | PRISONS - OUR BODY IS A WEAPON

Clarisse Hahn | França, 2012, 12’

A diretora filma duas mulheres que carregam no corpo as marcas de uma guerra violenta e sangrenta. Ela detém a câmera nos rostos dessas mulheres e as olha sem medo do que podem nos mostrar, ou ainda sem medo do que ela própria pode vir a encontrar. Assim, ao filmar, Hahn transforma o ato de olhar e de escutar em um ato de resistência, posicionando-se no campo de batalha ao lado dessas mulheres. Ela faz com cinema o que as entrevistadas fizeram com o corpo: “Eu era uma espingarda carregada, eu era uma bala pronta para disparar. Meu corpo é uma arma”. Prisons também é uma arma, é uma bomba tão potente que, quando explode na tela, não há quem escape. Junto do filme, nós também temos que resistir. (LP)


Internacional VI | 16 anos

SEPTEMBRE | SETEMBRO | SEPTEMBER

Salomé Richard | Bélgica, 2011, 23’

O embate é entre o corpo e as convenções sociais. Judith é jovem e não esconde os desejos latentes. Ela é impulsiva e age conforme o momento. Ela sente uma inadequação em relação ao outro, mas não tem medo de se abrir. Ela está no mundo para experimentá-lo, mas o que ela aos poucos começa a entender é que sua postura libertária tem consequências das quais ela não terá como fugir. Em certo momento, libertar-se passa a ser a briga por um lugar no mundo. Setembre é um filme de atitude, no qual a atriz principal é também a diretora do filme. Vemos que a graça e a beleza podem incomodar, mas podem também ser um meio de afirmação. (LP)


SOUND OF SILENCE | SOM DO SILÊNCIO

Frida Kempff | Suécia, 2013, 14’

Dois extremos separados pelas evidências do tempo: um garoto, uma senhora. Porta, janela, olho mágico – olhos já usados, gastos, iminentes de cerrar, observam a vida lá fora. Ela o vê de seu apartamento enquanto o som do silêncio invade seu corpo envelhecido. Horas, minutos, ontem, hoje, amanhã – tudo aparentemente igual. Um objeto jogado na árvore o convida a entrar... (UR)


L'ITALIE | ITÁLIA | ITALY

Arnold Pasquier |França, 2012, 20’

O filme começa onde O Eclipse (L'eclisse, 1962), de Michelangelo Antonioni, havia nos deixado. Anos mais tarde, Paolo perambula por um desses bairros periféricos que carregam em sua arquitetura a confusão, para não dizer fracasso, de um projeto de cidade modernista. Esses lugares que são misto de arranha-céus, conjuntos habitacionais, terrenos baldios, praças sem árvores, guindastes e tapumes esqueceram-se do homem e de seus anseios. Nesse cenário, encontramos Paolo, que sonha em retornar ao terraço onde um dia ele amou pela primeira vez. Preso num labirinto, busca o caminho de volta para a Itália. Do labirinto ele não sairá, mas Paolo sabe que o homem pode sempre vencer a solidão. (LP)


LA MADRE | A MÃE | THE MOTHER

Jean-Marie Straub | Alemanha, 2012, 20’

A tela preta marca o preâmbulo da ópera de Mahler. Vemos diferentes formas em que se lê esse texto pavesiano, sutis variações entre o recitativo e a leitura dramática, entre a performance física e o hieratismo quase estático, interrompido apenas pela repetição, tão suave quanto incessante, da natureza ao derredor. Ambiguidade que atravessa mesmo o texto, entre a vingança e a reparação, entre duas mortes e um nascimento, na impossibilidade de se ir e na rejeição ao permanecer. (EB)


MOSTRA COMPETITIVA BRASIL
Brasil I | LIVRE
SANÃ

Marcos Pimentel | Brasil/MG, 18’, 2013

Em cena, o diretor concede à paisagem e ao seu personagem o mesmo peso. Na ilha paradisíaca dos lençóis maranhenses, as dunas de areia refletem a luz exuberante. Sanã é um menino albino. Branco como a paisagem, ele parece contracenar com ela, ora rivalizando-a, testando-a ou se integrando a ela. No último plano do filme, ele escava com as próprias mãos um buraco na areia, onde enfia a cabeça. Em meio a um mundo radiante, eis que surgem grãos de opacidade. (CA)


NASCEMOS HOJE, QUANDO O CÉU ESTAVA CARREGADO DE FERRO E VENENO | WE WERE BORN TODAY, WHEN THE SKY WAS FILLED WITH IRON AND POISON
Marco Dutra, Juliana Rojas | Brasil/SP, 2013, 18’

Os dois jovens cineastas de carreira consagrada realizam este pequeno e autorreferente musical de ficção científica filmado em formato VHS. É a estranha odisseia de dois paulistas perdidos entre a melancolia e o cinismo do mundo em que vivem. Ela, uma publicitária com aspirações cinematográficas. Ele, um cruzamento entre desempregado desiludido e cientista maluco. Ambos empreendem uma fuga para o espaço. Constroem uma nave, atravessam zonas de pesadelos e aportam num planeta onde conseguem respirar e cantar harmonicamente. Seria o planeta-cinema? (JT)


RECONCILIADOS | RECONCILED

Pedro Faissol | Brasil/RJ, 14’, 2013

Um afinador de piano trabalha como em qualquer outro dia, mas alguma coisa o modifica, mobiliza-o e inquieta-o mais que o normal. O filme será coerente aos sentimentos desse personagem e, do registro cotidiano, vai passar ao plano fixo: o rosto do personagem toma a tela numa encenação estilizada, repleta de memórias (verdadeiras ou falsas?), de conexões, de relações nem sempre regidas pela lógica imediata. O piano consertado se transforma no mergulho profundo para além dele, deixando de ser só aquilo que se olha para ser também aquilo que olha de volta. O título do filme explicita uma de suas referências (Jean-Marie Straub e Danielle Huillet, Não-reconciliados) e dela é devedor. (MM)


VENDE-SE PEQUI | PEQUI FOR SALE
André Lopes, João Paulo Kayoli | Brasil/MT, 2013, 24’

O povo indígena Manoki vive no noroeste do Mato Grosso e uma de suas atividades produtivas é a venda de pequi na estrada que corta sua terra. Tendo como ponto de partida a busca pelo mito de origem do pequi, jovens participantes de uma oficina de vídeo mostram um pouco de suas vidas nas aldeias, a relação com os velhos e o processo de coleta e venda do fruto. (AC)


Brasil II | 16 anos
A QUEIMA | THE BURNING
Diego Benevides | Brasil/PB, 2013, 14’

Em noite de queima, quando os canaviais estão altos, Macário surge para impedir o fogo. Em casa, as famílias se protegem com velas e fogareiros acesos, na tentativa de afastarem o mau-assombro. Construído como fábula, o curta se funda nas narrativas populares que povoam as regiões de lavoura no nordeste do país. (AC)


NOITE | NIGHT

Bruno Andrade | Brasil/SC, 2013, 14’

Rapaz flerta com uma moça. Seria uma paquera como qualquer outra, mas é uma negociação: ele, solitário, vai procurar companhia num prostíbulo. O diálogo desenvolvido a partir do instante em que ambos trocam as primeiras palavras é enquadrado e reenquadrado de acordo com os sentimentos ambíguos em jogo, que ora aparentam se revelar, ora se escondem em olhares, gestos e elogios exacerbados (a ideia da “esfinge”). Com a discrição típica do melhor cinema da imagem e da evidência, o filme tem na concretude das coisas e dos corpos, na sonoridade musical ambiente e na fluidez dos movimentos de câmera seus grandes trunfos visuais e narrativos – todos de concretude imediata tanto quanto de profundas imbricações afetivas. (MM)


SUE – TURBULENTA ABERRAÇÃO | SUE – TURBULENT ABERRATION
Camilo Soares, Zizo Lima | Brasil/PE, 2013, 20’

Livremente inspirado na criação do poeta marginal pernambucano Zizo Lima, o curta apresenta Sue, personagem que se sente inadequada e busca na literatura, no devaneio, nos encontros afetivos e marginais das ruas e bares do Recife alguma poesia restante. Um filme vigoroso, não conformado, feito de matéria tão violenta quanto lírica. Uma ode à poesia marginal, aos becos, à vida cachorra – de ferro e flor – dos poetas das ruas. (AC)


A ONDA TRAZ, O VENTO LEVA | EBB AND FLOW

Gabriel Mascaro | Brasil/PE, 2012, 28’

Rodrigo é surdo e trabalha numa equipadora instalando som em carros. Gabriel Mascaro recria o cotidiano desse personagem, marcado pela percepção alterada de ruídos, vibrações, reverberações, mas também por desentendimentos e pela incomunicabilidade. Nesse filme, o diretor parece ir ao encontro do seu personagem sem poupá-lo nem repreendê-lo. A partir dessa abordagem, surgem ambivalências que concedem ao protagonista – e ao filme – a capacidade de nos trazer para bem perto dele (como a onda) e, ao mesmo tempo, nos levar para longe (como o vento). Quando somos levados a acreditar que o capturamos, ele nos foge. (CA)


Brasil III | 12 anos
ÁLBUM | ALBUM

Igor Câmara | Brasil/CE, 2013, 8’

Da pose ao gesto. Da fotografia ao cinema. Na latência das imagens que compõem Álbum, uma pose conduz a um gesto e uma fotografia leva ao cinema. O conjunto dos corpos filmados por Igor Câmara constitui, ao final, uma espécie de álbum de retratos em movimento. Concedendo tempo aos corpos e filmando-os em preto e branco, acentuando a granulação da imagem, Igor parece dizer que o encontro com outra arte (nesse caso, a fotografia) pode fazer o cinema sair dos trilhos. (CA)


TERNO | SUIT
Gabriela Amaral, Luana Demange | Brasil/SP, 14’, 2013

Enquanto aguardam os ajustes finais num terno feito sob medida para o casamento que acontecerá no dia seguinte, pai e filho acertam as contas afetivas entre eles. Por causa de uma forte chuva, ambos estão presos no ateliê do alfaiate que prepara o terno. O confinamento impede também a comunicação deles com a noiva e a mãe do noivo. Não é exatamente o que falam um para o outro que forma o tecido que os une, mas as memórias, os gestos e o encontro efetivo entre seus corpos. (CA)


LIÇÃO DE ESQUI | SKI LESSONS
Leonardo Mouramateus, Samuel Brasileiro | Brasil/CE, 2013, 23’

Dois amigos ensaiam na praia para algo que ainda desconhecemos. A interação deles é íntima, violenta e divertida. Aos poucos, nos aproximamos da rotina dos jovens amigos, que trabalham num supermercado de Fortaleza. Começamos a juntar as peças e entender o golpe que pretendem dar. Os ensaios se intensificam e, com eles, parece se acentuar um desejo subterrâneo, canalizado em ímpetos de violência. O infalível golpe que só podia dar errado acaba criando uma cisão na amizade dos dois. Eles voltam a brigar, dessa vez sem ensaios. Descarregam as frustrações de tudo o que não pôde ser. No amanhecer, vemos em seus corpos as marcas do que deu errado. Ao final da rua, se despedem. Onde a palavra falha, o filme mostra eloquência em cada gesto. Observa os jovens com interesse, singeleza e precisão. (JT)


BEBETE E DANIBOY | BEBETE AND DANIBOY
Ruy Veridiano | Brasil/SP, 2013, 35’

“Liberdade e liberação: República Mundial do Brasil”. Num futuro distópico e absurdo, quando a liberdade é um dever e uma imposição, casal de amigos que se beija muito passa por grande aventura. Em um acidente de balada, Daniboy perde a dentadura aos pés de um paquera. O pai, responsável pela tragédia pessoal de Daniboy, está no leito de morte e quer se despedir do filho. O rapaz chega ainda a tempo e em grande estilo, com seus novos dentes de porcelana. Ao lado da amável Bebete, ele terá uma grande revelação. Os excessos maneiristas do filme beiram o insuportável. Tudo é artificioso; o mundo é imagem, consumo e libido. A realidade demiurgicamente construída do filme tem ecos de Rainer W. Fassbinder, numa versão remixada de alguma balada futurista. (JT)


Brasil IV | 14 anos
A ANTI-PERFORMANCE | THE ANTI-PERFORMANCE
Daniel Lisboa | Brasil/BA, 2012, 11’

Um homem de rosto oculto voa de Salvador a São Paulo. Protagonizado pelo artista Jayme Fygura, o curta apresenta-se, também ele, como proposição e performance. São duas as cenas que se configuram. Se no aeroporto e no interior da aeronave tem-se o imperativo da identificação e adequação do artista às normas de segurança e identificação, nas ruas de São Paulo tem-se o espaço legitimado da performance, onde artista e cidade são tão estranhos quanto espetaculares. Constrangimento ou espetáculo, o que se coloca como pano de fundo é a incapacidade de lidarmos com o que está à margem, com a diferença, com o que a nós não se apresenta como (triste) espelho. (AC)


O MEMBRO DECAÍDO | THE FALLEN MEMBER

Lucas Sá | Brasil/MA, 2012, 17’

Se, a princípio, o dispositivo visual e narrativo transmite a ilusão de que o espectador segue os passos cotidianos de um personagem do qual não vemos o rosto, o encadeamento do filme deixará mais evidente que estamos, de fato, assistindo ao ponto de vista de uma urbanidade nutrida de violência latente. Trata-se de um raro filme sobre o qual se pode afirmar que o olhar da câmera é o olhar de uma cidade (e não o olhar para uma cidade, como de praxe). Não há análise sociológica ou documental. Há pura e simplesmente a construção cinematográfica de uma jornada de banalidades, na qual dois corpos ausentes da imagem (um inteiro, outro aos pedaços) vão desembocar num terceiro elemento, que reiniciará o ciclo. O rigor da construção estética se equilibra ao despojamento de um filme sobre os impactos físicos do mundo urbano atual. (MM)


POUCO MAIS DE UM MÊS | ABOUT A MONTH

André Novais Oliveira | Brasil/MG, 2013, 22’

No começo da relação amorosa, as dúvidas vêm à tona com a frequência de carros e ônibus que inundam a pista de uma grande avenida de Belo Horizonte. André e Elida estão se conhecendo, assim como o espectador do filme está conhecendo a ambos a cada novo plano do filme. Sabemos tanto deles quanto eles sabem de si (talvez saibamos um tantinho menos). Num misto de realismo e construção rigorosa do espaço, o filme se equilibra entre a ilusão lúdica que remete à infância (a “câmara escura” na cortina do quarto) e as exigências e responsabilidades afetivas do ser adulto. O casal só poderá realmente viver (como indivíduos e como casal) não apenas se superarem as dúvidas, mas principalmente se as compreenderem e absorverem. Entre silêncios e hesitações, André e Elida talvez não saibam, mas já estão protagonizando as angústias da idade adulta. (MM)


SOBRADO | TOWN HOUSE

Eduardo Consonni, Rodrigo T. Marques | Brasil/SP, 2013, 24’

Numa época em que o mercado imobiliário se tornou um tipo de carta de poder sobre a vida cotidiana das pessoas, este filme muda o ângulo da visão tradicional e aponta a câmera para a discreta figura de um vendedor. Parado num pequeno apartamento por horas e horas durante um único dia, aguardando clientes, esse personagem se torna ele mesmo o próprio filme, distendendo o tempo e fazendo com que o público perceba o passar das horas através da movimentação, da precisa construção espacial e do embate entre aquele corpo entediado e toda a cidade (e a efervescência nela existente) que se apresenta diante dele. Até que o dia acabe e todo o ciclo recomece. (MM)


Brasil V | 14 anos

SEXTA SÉRIE | SIXTH GRADE
Cecília Da Fonte | Brasil/PE, 2013, 18’

Há Clarice e Ana. Há também um passeio de bicicleta, um banho de rio, a conversa distraída depois da escola. Há a descoberta breve do amor. E um corpo de menina que dança em frente ao espelho. Sexta Série aborda com delicadeza um dia na vida de duas amigas no interior de Pernambuco. Uma narrativa sem tempos fortes, leve, fluida, que se constrói na duração e no ritmo da vida de todo dia. (AC)


PÁTIO | QUADRANGLE
Aly Muritiba | Brasil/PR, 2012, 17’

Um plano fixo. Um pátio de uma casa de detenção. A voz de um detento. Da cela, avista-se o pátio onde os encarcerados jogam bola e capoeira, o dia nasce, a noite cai, a chuva vem, os meses passam. Enquanto isso, o detento fala sobre a vida na prisão e a liberdade. Um filme construído de escolhas precisas e econômicas. Um cotidiano que se apresenta da janela de uma cela. (AC)


TREMOR

Ricardo Alves Jr | Brasil/MG, 2013, 14’

A corrida de um cavalo por um viaduto de Belo Horizonte é a imagem-ícone do personagem Elon Rabin circulando pela noite em busca de algo que o público demora a se dar conta do que seja. Essa procura melancólica e silenciosa é filmada com rigor por uma câmera-sombra, sempre posicionada nas costas de Elon, entrando com ele nos recônditos de ambientes obscuros e nos tornando cúmplices de sua jornada, cujo desfecho está fadado à solidão. (MM)


O INVERNO DE ŽELJKA | THE WINTER OF ZELJKA

Gustavo Beck| Brasil/RJ, 2012, 20’

Na primeira parte desse filme silencioso, tomamos lugar em um trem que viaja por uma paisagem durante o período do inverno – está escuro e há neve. Os longos travellings nos guiam até uma cidade por onde, em seguida, circulamos pelas feiras, praças, ruas e cafés. Mas somos apenas turistas que olham à distância passando ao largo de tudo e todos apenas até aqui. Os longos planos fixos que encaram os corpos frontalmente, na terceira e última parte do filme, parecem nos lembrar que há caminhos entre os corpos e as paisagens que também podem ser percorridos. (CA)


Brasil VI | 12 anos

ANIMADOR | CARNY

Fernanda Chicolet, Cainan Baladez| Brasil/SP, 2012, 20’

Fernanda Chicolet é, a um só tempo, atriz e diretora desse filme (juntamente com Cainan Baladez). Sua personagem, Lígia, trabalha num parque de diversões. Vestida com fantasia de coelho, ela permanece suspensa num brinquedo de bolinhas, até que alguma criança consiga acertar o alvo para derrubá-la. Seja dentro ou fora do parque, o cotidiano de Ligia é duro, entediante e segue sem emoções ou surpresas, contrariando o leque de possibilidades que um parque de diversões em geral proporciona – a experiência de Lígia é da ordem do trabalho. Entretanto, o humor muito singular da personagem para enfrentar a vida acaba por divertir o espectador, sem precisar aderir à comodidade de uma comédia fácil. (CA)


SERRA DO MAR | SEA RIDGE
Iris Junges | Brasil/SP, 2012, 15’

Jonas vigia as torres de energia da Serra do Mar, que separa São Paulo do litoral. Francisco vive só, em aparente reclusão, num casebre simples no meio da mata. Os dois se cruzam por um instante. Jonas pede água, mas a visita soa como uma invasão. Francisco é personagem involuntário da vigilância. Pouco depois da visita, a estação de Jonas pega fogo. Ele passa a ter os monitores em sua casa, iluminando a escuridão do quarto. Existe a suspeita de que o incêndio tenha sido criminoso. O mistério paira no ar, até se chocar com os limites do que é possível enxergar nas trevas. Assim como nos casos de Jonas para sua amante, a narrativa tem o ponto de vista de um observador limitado. O mistério permanece. (JT)


MASTER BLASTER – UMA AVENTURA DE HANS LUCAS NA NEBULOSA 2907N | MASTER BLASTER – A HANS LUCAS ADVENTURE AT FOGGY 2907N
Raul Arthuso | Brasil/SP, 2013, 18’

Hans Lucas, agente secreto da Agência Intergaláctica para Assuntos Intergaláctivos (ou A.I.A.I.), vai à Nebulosa 2907N investigar um evento astronômico. Um segundo sol, de vermelho hipnótico, surgiu misteriosamente no céu e não permite que a noite chegue à cidade. Hans Lucas vai se meter em altas confusões para desvendar o mistério e devolver as trevas à população. As implicações políticas não são mera coincidência. A ficção científica é estranhamente próxima da realidade que retrata. A amálgama absurda de referências e o escracho com que subverte certos clichês remetem a coisas tão díspares quanto a reinterpretação noir de Godard e as sátiras iconoclastas do Edgard Navarro dos anos 1970. E tudo mais quanto existe entre um e outro. (JT)


A QUE DEVE A HONRA DA ILUSTRE VISITA ESTE SIMPLES MARQUÊS? | TO WHICH I OWE, AS A SIMPLE MARQUIS, THE HONOR OF THIS VISIT?
Rafael Urban, Terence Keller | Brasil/PR, 2013, 25’

Rafael Urban, aqui em parceria com Terence Keller, dá prosseguimento à pesquisa estética iniciada em seu filme anterior, Ovos de Dinossauro na Sala de Estar. Mais uma vez adentramos o universo particular de um personagem constituído de memória. Aparentemente fazemos uma visita aos arquivos de Max Conradt Jr., velho marquês paranaense, colecionador compulsivo e apaixonado. Mas o espaço cinematográfico que abriga o personagem e acolhe seu acervo faz de cada objeto o catalisador de rememorações que cuidadosamente dão acesso a fragmentos da narrativa de Max. Aqueles objetos são a sua história, revelam amores, ausências, saudades, raros interesses e uma atração particular por preservar e iluminar a frágil evidência de que estivemos aqui. (JT)


MOSTRA COMPETITIVA MINAS
MG 1 | LIVRE
URBE | CITY

Rafael Borges | Brasil/MG, 2013, 5’

Uma criança vê a cidade que cresce. Adulto, o rapaz encara com pesar os problemas decorrentes do progresso e do desenvolvimento urbano desordenado. Numa referência aos jogos computadorizados dos anos 80, a animação constrói, destrói e transforma espaços, paisagens e territórios em pixels coloridos. (AC)


MACACOS ME MORDAM | HOLY CRAP

Sávio Leite, César Mauricio | Brasil/MG, 2013, 10’

Por um erro de grafia, uma cidade é tomada por 600 macacos. A animação, toda feita com caneta esferográfica sobre papel, é inspirada no conto homônimo de Fernando Sabino e narrado na voz “marginal” de Paulo César Peréio. A precariedade da técnica e o sarcasmo da narração em off potencializam as questões sugeridas no texto, num humor seco e preciso. (AC)


ALFAIATES DE BELO HORIZONTE | TAILORS OF BELO HORIZONTE

Silvia Batista Godinho, Ana Luisa Santos | Brasil/MG, 15’

O título do filme revela sua simplicidade e objetividade. Por alguns poucos minutos, vamos nos aproximar de alguns velhos alfaiates e ouvi-los versar sobre esse ofício em extinção. Eles falam de outro tempo, quando a industrialização ainda se alastrava e não havia engolido a demanda da produção sob medida. Ainda assim resistem, tanto quanto o fazer com certa graça e alegria. O filme não se detém sobre as figuras. Escuta o que elas dizem enquanto compõe um grande retalho de todos os detalhes de roupas, tecidos, réguas, agulhas e marcas. Cria um retrato nesse acúmulo de imagens. Acompanha algumas trajetórias, alguns tracejos e se despede em silêncio. (JT)


SALAMAQATS

Andrés Schaffer | Brasil/MG, 2013, 11’

Os corpos que habitam a cidade e se deslocam como autômatos de um lado para o outro são transformados em corpos que dançam. O diretor constrói uma outra cidade, onde os corpos se liberam de suas funções normativas, a partir de imagens tomadas durante o Movimento Quarteirão do Soul, em Belo Horizonte. Ele retira a sonoridade que serve de guia aos movimentos dos corpos e insere, no lugar, uma trilha sonora composta de ruídos da própria cidade. O procedimento cria uma atmosfera na qual o movimento dos corpos pode surgir potencialmente em qualquer lugar. (CA)


D'OURO | GOLDEN

Joana Oliveira | Brasil/MG, 2013, 25’

O significado de um objeto está não só no seu valor de mercado, mas tanto (ou mais) no simbolismo afetivo. Este documentário se equilibra na pequenez física de um presente como depositário de memórias e histórias íntimas que extravasam sua própria existência. A feitura artesanal permite que as mãos dos criadores daqueles brincos sejam emissárias do amor e da felicidade, de vidas que se atravessam a partir de um furo na orelha e, com isso, tornam-se parte de um tipo de relação com o mundo (e consigo mesmas) bastante além da superfície. (MM)


MG 2 | 16 anos
FLORAIS SINTÉTICOS (POSOLOGIA) | SYNTHETIC REMEDIES (POSOLOGY)
Dayane de Souza Gomes | Brasil/MG,2013, 3’

A diretora empresta seu corpo para uma singela performance. Alguns ramos de flores sintéticas começam a invadir sua pele, escalar o tronco, enroscar-se em seu pescoço. Tão artificiais quanto elas, o artifício da montagem que reverte o fluxo da imagem. Os florais são devorados, numa posologia imprecisa. Uma dose artificial. Num corpo real. Dayane parece dialogar com a Marina Abramovic dos anos 1970, quando a obra e suas questões se tornavam indiscerníveis do corpo. (JT)


AQUELE CARA | THAT GUY

Dellani Lima |Brasil/MG, 2013, 15’

Filme de personagem, mas também de realização: ao deixar a câmera absorver os trejeitos, histórias e expressões de seu protagonista (um ex-viciado em drogas que narra suas experiências e sentimentos), o documentário faz algum procedimento mágico que nos absorve através de suas imagens. Enquadrado pelo mar de um lado e pelo olhar do cineasta do outro, o entrevistado olha para si (seu rosto refletido na imagem) e para o mundo (o oceano). No processo, como uma espécie de milagre, ele permite que o filme o purifique. (MM)


MICROSIEVERTS

Rodrigo Carneiro | Brasil/MG, 2013, 7’

Uma respiração que não cessa, o avesso do corpo, suas microdilatações, cavidades, pulsações. O que de um homem uma radiografia revela? Que gestos, que opacidade e transparências abrigam? Microsieverts (unidade usada para avaliar os efeitos biológicos da radiação) é um curta experimental, que manipula a imagem de corpos atravessados pelo raio-X. (AC)


CARGA VIVA | LIVE LOAD

Débora de Oliveira | Brasil/MG, 2013, 18’

O filme apresenta o ofício da família Antunes. Os pais e seus dois filhos criam burrinhos que são levados de um sítio, nas redondezas de Belo Horizonte, até o Parque Municipal, no centro da cidade, onde tradicionalmente divertem as crianças. A observação atenta e cuidadosa é a credencial que permite ao filme não apenas descrever um ofício, mas também estabelecer relações entre esse ofício e a cidade. Da mesma maneira que a cultura dos burrinhos persiste no imaginário das crianças, o parque que os abriga é uma pequena área verde que resiste em meio aos prédios. (CA)


O CURTA DOS FESTIVAIS | FESTIVALS SHORT MOVIE

Leo Pyrata | Brasil/MG, 2013, 15'


Fragmentos de filmagem, intervenções no som e na imagem, distorções: a salada de estímulos audiovisuais do filme emula a salada de relações afetivas e profissionais captadas pelo diretor em viagens por festivais de cinema no Brasil. Em vez de filmar o ambiente oficial, o realizador coloca a câmera na intimidade de um sofá, no papo dentro de uma van, na dança inquieta numa boate, nas brincadeiras e jocosidades de uma conversa de boteco. Ao mesmo tempo despojado, provocador e político, o filme é, antes de quaisquer intenções, uma tomada de posição diante do estado das coisas percebido por seu diretor. (MM)
MOVIMENTOS DE MUNDO
MOV I | LIVRE
L'ÎLE DES ÉTRANGERS | A ILHA DOS ESTRANGEIROS | OUTLAND’S ISLAND

Lee Jin-woo | Coreia do Sul, 2012, 12'

Sempre fiquei intrigado com um edifício isolado, erguido num canto perto da natureza como se fosse uma ilha. Eu estava curioso para conhecer a vida de seus habitantes e descobrir se eram felizes. Fiz perguntas inocentes e usei minha câmera para capturar imagens de suas vidas dentro de seus apartamentos. Enquanto filmava, as pessoas entrevistadas paravam de conversar comigo depois de um tempo e começavam a falar entre si. As conversas que tinham revelavam emoções e sentimentos muito mais profundos do que eu havia imaginado inicialmente.


SPACE IN BETWEEN | O ESPAÇO ENTRE

Noelia Nicolas | Holanda, 2012, 25’

Todos os dias, uma mulher romena vai até o muro da cadeia para falar com seu amante, preso. Senta-se na grama diante da cela onde ele está confinado, berrando palavras de carinho. Ambos perderam a liberdade.


ESKIPER

Pedro Collantes | Espanha, 2012, 14’

Todos sabem educar crianças, exceto quem tem filhos.


A COMUNIDADE | THE COMMUNITY

Salomé Lamas | Portugal, 2012, 23’

A Comunidade (The Community) é um documentário de curta-metragem sobre o CCL, a mais antiga área de camping em Portugal.



MOV II | 12 anos
AMERICAN CAPITALISM, A SELF PORTRAIT | CAPITALISMO AMERICANO, UM AUTORRETRATO

Thibault Le Texier | França, 2013, 9’

Professor de História da Universidade de Harding (Arkansas, EUA), Clifton L. Ganus Jr. revela em menos dez minutos a santíssima trindade do capitalismo americano.


RAIL BLUES | BLUES DOS TRILHOS

Javier Barbero | Espanha, 2012, 14’

Ao longo da trajetória de um trem que atravessa a África ocidental, nosso ponto de vista é deslocado do real para o imaginário, contrastando uma viagem onírica com a realidade de uma fábrica.


VILLAGE SILENCED | VILA, SILENCIADA

Deborah Stratman | EUA, 2012, 7’

Remake do seminal docudrama de 36 minutos de Humphrey Jennings The Silent Village (1943), no qual mineiros de carvão galeses da vila de Cwmgiedd reencenam coletivamente a invasão nazista e a aniquilação da resistente vila mineradora tcheca de Lídice. O foco nesta interação recai sobre o som como um modo de controle social e sobre as maiores implicações históricas da repetição. Uma homenagem à lúcida abordagem de Jennings sobre solidariedade entre colegas de trabalho, poder e comemoração.
GERILLA | GUERRILHA | GUERRILLA

Clarisse Hahn | França, 2012, 19’

Os rebeldes curdos filmam seu próprio dia a dia na fronteira do Iraque e Turquia. As imagens de guerra no Curdistão são confrontadas com as imagens dos refugiados curdos nas ruas de Paris, questionando as várias estratégias de construção da identidade de uma comunidade, com toques de idealismo e romantismo em meio à violência política e social. Gerilla pertence a uma série de 3 documentários de curta-metragem intitulada “Nosso corpo é uma arma”.


RAKASTAN SINUA KYYNELIIN | LÁGRIMAS DE FELICIDADE | CRY TEARS OF HAPPINESS

Jari Kokko | Finlândia, 2012, 27’

A vida é como uma utopia no Campo da Juventude Patriótica de Putin. Milhares de jovens idealistas trabalham e participam de palestras sobre valores de família e estilos de vida saudável. Os únicos sinais de dissidência são causados pela lenda do rock Juri Sevchuk.


MOV III | 14 anos



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