Significado tectônico da formaçÃo missão velha, bacia do araripe, nordeste do brasil gelson Luís Fambrini1, Virgínio Henrique de M



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SIGNIFICADO TECTÔNICO DA FORMAÇÃO MISSÃO VELHA, BACIA DO ARARIPE, NORDESTE DO BRASIL
Gelson Luís Fambrini1, Virgínio Henrique de M. Lopes Neumann1‡, Diógenes Ribeiro de Lemos2*, Jadson Trajano de Araújo2*, Bruno Varela Buarque3*, José Acioli Bezerra de Menezes Filho3*, Wellington Ferreira da Silva Filho4, Cecília de Barros Lima2
1Depto. de Geologia, UFPE, LAGESE/PPGEO/PRH-26-ANP (e-mail: g_fambrini@yahoo.com), 2Pós-Graduação em Geociências PPGEO-UFPE, 3Graduação em Geologia, bolsistas PRH-26/UFPE, 4Depto. de Geologia/UFC, †PETROBRAS Petróleo Brasileiro S/A, *ex-bolsistas PRH-26/ANP, bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq
Os influentes trabalhos do geólogo Francisco Celso Ponte e colaboradores, realizados nas décadas de 1970 a 1990 (e.g. Ponte & Ponte Filho, 1996), colocaram a Formação Missão Velha como pertencente da fase pré-rifte da evolução tectono-sedimentar da Bacia do Araripe. A Formação Missão Velha (neojurássico-neocominano da Bacia do Araripe, Fig. 1) constitui-se, segundo os autores citados, em unidade arenosa principal da denominada Depressão Afro-Brasileira, conjunto de bacias que caracterizaram o Neojurássico no início da fragmentação do Supercontinente Gondwana. Este evento acha-se registrado em várias bacias do Nordeste do Brasil, tais como as Bacias do Recôncavo-Tucano-Jatobá e de Sergipe e Alagoas. No entendimento dos autores mencionados, a Formação Missão Velha representa a fase pré-rifte na evolução tectono-sedimentar das bacias da Depressão Afro-Brasileira. Entretanto, estudos recentes revelaram a presença de importante discordância interna à Formação Missão Velha que evidenciam modificações no preenchimento tectono-sedimentar da unidade. De acordo com este trabalho ora apresentado, a Formação Missão Velha compreende uma sucessão sedimentar dominada por arenitos amalgamados com troncos fósseis, com rochas mais finas subordinadas, aflorante no Vale do Cariri, porção leste da Bacia do Araripe (Fig. 2). Deste modo, a Formação Missão Velha pode ser subdividida em duas sequências deposionais, informalmente definidas como Sequência I e Sequência II (Fig. 3). A Seqüência I é composta por depósitos pelíticos lacustres na base (Formação Brejo Santo), que são sobrepostos por arenitos finos a médios depositados por canais fluviais efêmeros e, subordinadamente, dunas e lençóis de areia eólicos (porção inferior da Formação Missão Velha) definindo um padrão progradacional com taxa relativamente elevadas de espaço de acomodação de sedimentos. Os estratos fluviais apresentam uma paleofluxo consistente para S e SE. A Seqüência I (porção inferior da Formação Missão Velha mais a totalidade da Formação Brejo Santo) caracteriza-se por (i) depósitos de sistema lacustre com contribuição fluvial, (ii) depósitos de sistema fluvial meandrante com retrabalhamento eólico e (iii) depósitos de sistema fluvial entrelaçado. Os depósitos da Seqüência II (porção superior da Formação Missão Velha mais a totalidade da Formação Abaiara, não discutida aqui) acham-se limitados na base por uma superfície erosiva, sobre um nível de paleossolo de espessura variável e de grande extensão lateral, sendo compostos por arenitos grossos a conglomeráticos portadores de abundantes troncos fósseis depositados por cinturões de canais entrelaçados, cujos estratos cruzados mostram um sentido de paleocorrente para W, SW, S e SE. A Seqüência II apresenta taxas de espaço de acomodação de sedimentos acentuadamente menores que a Seqüência I. A ligeira mudança no sentido de paleocorrente dos sistemas fluviais das seqüências I e II indica uma reestruturação no sistema de drenagem, associada a movimentações tectônicas na bacia, sobretudo em seu limite norte (Zona de Cisalhamento de Patos). Alem disso, ocorreu uma alteração nas características de descarga do sistema fluvial, associada a uma mudança de condições climáticas mais áridas para mais úmidas. Isto se reflete na abundância de troncos fósseis silicificados de coníferas presentes na Seqüência II. Deste modo, a Formação Missão Velha superior (Seqüência II) representaria o início do estágio rifte na Bacia do Araripe, de acordo com os preceitos de Prosser (1993) e Martins-Neto & Catuneanu (2010), em função das seguintes características: (i) presença de discordância erosiva que coloca conglomerados de sistemas fluviais entrelaçados ricos em troncos fósseis silicificados; (ii) mudança no regime de drenagem da bacia; (iii) refletida na ligeira mudança no sentido de paleocorrentes dos sistemas fluviais das seqüências I e II e (iv) na diminuição na taxa de espaço de acomodação de preenchimento sedimentar da porção superior da Formação Missão Velha. Estas características acham-se relacionadas ao incremento da atividade tectônica na bacia no início do Cretáceo significando, em termos tectônicos, as fases iniciais e a própria implantação do Estágio Rifte da Bacia do Araripe (Rift Initiation to Rift Climax stages de Prosser, 1993).
Referências
Brito-Neves, B.B.; Santos, E. J.; Van Schmus, W.R. 2000.Tectonic history of the Borborema Province. In: Cordani, U.G. et al. Tectonic evolution of the South America. Rio de Janeiro p.151-182.

Martins-Neto, M. & Catuneanu, O. 2010. Rift sequences stratigraphy. Marine and Petrol. Geol., 27, 247-253.

Ponte, F.C. & Ponte Filho, F.C.1996. Estrutura geológica e evolução tectônica da Bacia do Araripe. Recife, PE, DNPM/DMME (Pernambuco e Ceará). 68 p.

Prosser, S. 1993. Rift-related Linked Depositional Systems and Their Seismic Expression. Special Publication, vol. 71 (1). Geological Society, London, 1993, p. 35-66.



Figura 1 – Localização e contexto geológico da Bacia do Araripe, NE do Brasil (modificada de Brito Neves et al., 2000).

Figura 2 – Afloramento da localidade de Grota Funda, seção-tipo da Formação Missão Velha. A: Fotomontagem de detalhe do afloramento com as principais litofacies, B: Seção colunar de detalhe do afloramento com as paleocorrentes medidas (1-2), C: Detalhe de A (arenitos exibindo estratificações cruzadas) mostrando a discordância que separa as sequências S1 e S2, onde as medidas de paleocorrentes foram coletadas em estratos frontais de estratificações cruzadas tabulares e acanaladas.


Figura 3 – Seção colunar de detalhe do afloramento das localidades de Olho D’água do Comprido, seção-tipo da Formação Missão Velha. Na figura exibem-se as litofacies, as medidas de paleocorrentes por nível estratigráfico, as feições sedimentares encontradas e a discordância erosiva que separa as sequências S1 e S2.
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