Sim, eu sou tutor do meu irmão!



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Encontro31.07.2016
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Sim, eu sou tutor do meu irmão!


(1o Encontro do Sistema de Tutoria da FT — 29.03.00)

Luiz Carlos Ramos

Introdução:


Texto: Gênesis 4.8-10 (JFA-ERAB)

Assunto: Tutoria

Tema: A tutoria como suporte para o crescimento.

Exórdio: “Respeito o Cristo dos Cristãos, mas desprezo o cristianismo deles” (Gandhi). Um cristianismo que seja indiferente ao sofrimento do próximo não merece respeito.

Explicação: O episódio narrativo de Caim e Abel se insere no contexto do conflito histórico entre os pecuaristas nômades e os agricultores sedentários do antigo Oriente Médio... Enquanto os pastores precisavam caminhar livremente pelas terras circunvizinhas em busca de pastagem e água, os agricultores tendiam a privatizar a propriedade e a expulsar quem as invadisse... Na perspectiva bíblica, Deus aceita (hebr. sha’ah = respeita, considera) o sacrifício dos pastores proscritos, e rejeita (não respeita, não considera) a oferta dos agricultores egoístas que expulsam seus irmãos pecuaristas da terra.

Na narrativa, um termo chama a atenção. O substantivo “tutor” aparece em, pelo menos, duas passagens bíblicas – uma no AT, neste trecho de Gênesis 4 (v.9); e outra no NT, em Gálatas 4.2. Em Gálatas o termo é usado no seu sentido forense/jurídico, significando aquele que protege, ampara ou dirige, o defensor de alguém. Em Gênesis “tutor” é usado no sentido agrícola (Caim era lavrador – cf. v.2), cujo significado é “estaca ou vara fincada no solo para amparar e sustentar uma planta cujo caule é flexível ou demasiado débil” (cf. Dicionário Michaelis).



Proposição: Assim, por oposição, podemos aprender, com a história de Caim e Abel, que suportes um/a tutor/a deve oferecer para seu irmão, para sua irmã.

Palavra chave: suportes – Interrogante: Quais?

Desenvolvimento:

Transição: O primeiro suporte que um/a tutor/a deve oferecer é a...

  1. Sinceridade (versus a Falsidade de Caim):

    1. Passado: Caim parece gentil, amável e interessado quando convida seu irmão (’ach): “— Vamos ao campo” (v. 8a) [no original, conversam quando estavam no campo]. Sabemos que as intenções de Caim não eram as melhores, por isso sabemos também que seu convite é falso e hipócrita.

    2. Presente: Todos/as temos “amigos” como Caim que nos chegam sorrindo, cheios de gentilezas, mas que atrás estão escondendo um punhal.

    3. Futuro: Ao contrário, um tutor deve ser absolutamente sincero (do latim sin+cere = sem cera). No Teatro da Antigüidade, era prática comum os atores usarem máscaras de cera para representar. O teatro é representado por duas máscaras: uma sorrindo e outro chorando. Daqui deduzimos que uma pessoa sincera é aquela que não usa máscaras: não emite sorrisos forçados nem “lágrimas de crocodilo”.

Transição: Além da sinceridade, o/a tutor/a deve ainda oferecer um segundo suporte, o da...

  1. Lealdade (versus a Deslealdade – traição – de Caim)

    1. Passado: Caim trai terrivelmente a confiança do irmão aceita o convite para passear com ele no campo. Em lugar de desfrutar de alegres momentos de lazer, Abel foi vítima de uma traição cruel e fatal (v. 8b): Caim “se levanta” (quwm = colocar-se acima, sobrepujar) contra Abel.

    2. Presente: Todos já passamos pela experiência de sermos traídos por algum amigo ou amiga. E essa é uma experiência que provoca a morte de muitas amizades.

    3. Futuro: Um tutor, ao contrário, deve ser extremamente leal. Jamais agirá pelas costas. Jamais trairá voluntariamente a confiança de seu irmão ou de sua irmã.

Transição: Mas não basta ser sincero e leal se o/a tutor/a não oferecer o terceiro suporte, a...

  1. Solidariedade (versus a Indiferença de Caim)

    1. Passado: Quando perguntado por Deus sobre o seu irmão, Caim respondeu: “— Não sei: acaso sou eu tutor (shamar) de meu irmão?” (v. 9). Eis aí a semente da indiferença para com o próximo que tanto indignava Gandhi.

    2. Presente: “Não tenho nada com isso”. “Não estou nem aí”. “E eu com isso?” São todas expressões correntes na experiência cotidiana de todos nós.

    3. Futuro: O tutor seria, então, aquele que é solidário. Aprendemos que o amor de Deus por nós (e que ele espera de nós) é mais do que o amor físico (que depende de nossas qualidades estéticas), e mais do que o amor fraterno (que depende de nossas qualidades morais), aprendemos que o amor de Deus é a completa solidariedade (que é gratuito e incondicional). Não o amor de quem tira, mas o daquele que dá a vida pelo/a seu/ua irmão/ã.

Transição: Concluindo

Peroração


O texto de Gênesis que estamos estudando termina por nos mostrar que Deus é o Tutor dos tutores. Ele é o nosso sustento. A sua sinceridade, lealdade e solidariedade é tal que ele ouve até a voz dos que já não têm mais voz: “E disse Deus: Que fizeste? A voz (qowl = grito) do sangue de teu irmão clama da terra a mim” (v. 10). Não, não é por acaso. Nós somos mesmo apoio e suporte, tutores e tutoras de nossos irmãos e irmãs!


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