Sistema Orçamentário para a Empresa Bichos da Casa Conveniência Animal



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Sistema Orçamentário para a Empresa Bichos da Casa Conveniência Animal
Murilo Colombo Leite1

Resumo:
No Brasil a maioria do mercado empresarial é representada pelas pequenas e médias empresas e muitos destes empresários não estão preparados para enfrentar o dia a dia, não tendo visão gerencial, precisando assim de ferramentas que auxiliem na gestão e na tomada de decisões para melhor enfrentar o mundo dos negócios. Diante desta realidade foi realizado o estudo na empresa Bichos da Casa na cidade de Triunfo, com o intuito de desenvolver um sistema orçamentário juntamente com um plano estratégico, planejamento de compras, vendas, caixa e investimento, a demonstração projetada dos custos dos produtos, estoques e despesas gerais e administrativas. O estudo teve características de pesquisa aplicada, descritiva, documental, qualitativa e observação assistemática. A aplicabilidade do sistema orçamentário realizado na empresa teve relevante importância para seu planejamento e desenvolvimento, tendo êxito em seus objetivos. Além de tudo, a visualização do fluxo de caixa, a demonstração do resultado projetado e o balanço patrimonial, mostram com antecedência a possibilidade de retorno sobre as atividades e posição econômico, financeira e patrimonial da empresa no futuro.


Palavras chave: Planejamento Estratégico, Sistema Orçamentário e Investimento.
Abstract:
In Brazil most of the entrepreneurial market is of small and medium companies, and many of those entrepreneurs are not prepared to face daily problems, not having managerial understanding, therefore needing tools that help in management and decision making to face better the business world. In face of this reality a study was done in the company Bichos da Casa in the city of Triunfo, RS, Brazil, with the objective of developing a budget system along with a strategic plan, as well as a plan for procurement, sales, cash and investment, forecasted statement of product costs, inventory, and overhead. The study was conducted as an applied research, descriptive, documental, qualitative, and non-systematic observation. The applicability of the budget system was relevant for the company’s planning and development, achieving success in its objectives. The visualization of the cash flow, the forecasted result statement, and the balance sheet, demonstrated ahead of time the possibility of return on the activities as well as economic, financial and equity status of the company in the future.
Key words: Strategic Planning, Budget system and Investment.
1 Introdução
No atual cenário de mercado, as empresas de pequeno porte estão sendo cada vez mais afetadas pela acirrada concorrência, e, consequentemente, tendo que se adequar às condições exigidas. Aquelas que não gerirem bem os seus recursos e investimentos fatalmente ficarão para trás e até mesmo correndo risco de falência, pois acima de tudo é necessário um planejamento capaz de auxiliar o gestor na tomada de decisões.

Todas estas eram, até pouco tempo, preocupações exclusivamente das grandes organizações e nos dias de hoje passa a ser de todas as empresas e ramos de atuações independente de seu porte. Assim, o presente artigo tem o propósito de agregar maior conhecimento sobre o sistema orçamentário empresarial aplicado à pequena empresa.

Nos últimos anos o ambiente empresarial tem-se modificado constantemente. As políticas e a economia são umas das principais mudanças interligadas a essa evolução empresarial, portanto, pode-se dizer que se está em um novo ambiente empresarial, onde as organizações terão que se adaptar aos desafios propostos pelo mercado ao longo do tempo.

Os desafios que ocorrem juntamente com a evolução do mercado incitam um bom planejamento estratégico, que possa dar condições de continuidade e expansão da empresa. A acirrada concorrência também colabora para o desenvolvimento do planejamento nas organizações, norteando os gestores para um caminho mais seguro, eficiente e eficaz no gerenciamento dos recursos.

No âmbito das pequenas empresas a maioria dos empresários não está apta a reconhecer o planejamento estratégico como uma possibilidade de propiciar à empresa um acréscimo significativo, por considerar seu custo de elaboração muito alto, se esquecendo do retorno que poderá ocorrer com o desenvolvimento desse planejamento.

Algumas empresas até poderão ter algum tipo de planejamento, porém normalmente é informal ou desestruturado e que, portanto pode ser bastante inconsistente, sem continuidade e sem foco direcionado no mercado. Assim, acabam por deixar passar oportunidades de novos produtos e serviços, permanecendo estacionadas no caminho mercadológico, fator que acaba por afetar sua sobrevivência.

O crescimento da organização perante o mercado se dá por uma gestão de esforços continuada, vontade de não ficar parado, procurando novos caminhos e oportunidades, com qualidade e principalmente com um planejamento estratégico empresarial. Porém, este planejamento deve estar intimamente relacionado a um completo sistema orçamentário, fazendo com que se possa planejar o presente e o futuro com uma visão mais adequada da sua realidade econômica e financeira, trazendo melhores decisões para a execução de eventos que estejam por vir.

A empresa em estudo é de pequeno porte e não possui nenhum tipo de planejamento estratégico estruturado, consequentemente necessita de um sistema orçamentário completo e de extrema importância para seu gerenciamento econômico e financeiro, o qual possibilitará um melhor aproveitamento das informações para desempenhar uma estratégia empresarial adequada a sua realidade e ao cenário em que a empresa vive, tendo um controle da sua gestão de negócios e maior eficácia, atribuídos a tudo isso uma administração plena e de um futuro promissor.

Diante desta realidade encontrada foi realizado o estudo na empresa Bichos da Casa (ramo de pet shop e veterinária) na cidade de Triunfo, com o intuito de desenvolver um sistema orçamentário capaz de auxiliar os gestores na administração dos recursos, para o exercício social de 2013. Para tanto também foi elaborado o plano estratégico da empresa para o período de 2013; o planejamento de compras, vendas, caixa e investimento (longo prazo); a demonstração projetada dos custos dos produtos, estoques e despesas gerais e administrativas.

Este estudo é de importância fundamental para a empresa e seus sócios em função de que poderá encaminhar um bom planejamento estratégico e consequente sistema orçamentário que auxiliará na sua gestão, podendo antecipar resultados e possíveis problemas.

Enfim, o artigo trata sobre a importância de se ter um modelo de sistema orçamentário eficiente e eficaz em uma pequena empresa, que possa propiciar ao gestor da organização um planejamento econômico e financeiro adequado, para uma boa gestão de seus recursos ao longo do tempo.
2 Caracterização da Organização
O estudo foi desenvolvido na empresa Bichos da Casa Conveniência Animal, nome empresarial Haussen Pereira & CIA LTDA - ME, CNPJ nº 07.921.309/0001-63, fundada em 21 de março de 2006, situada na Rua Marechal Deodoro nº 426 na cidade de Triunfo/RS, cidade esta localizada na região metropolitana de Porto Alegre.

A empresa esta enquadrada na natureza jurídica de sociedade empresarial limitada dividido em dois sócios, e está sendo tributada na modalidade do Simples Nacional. Atua no ramo veterinário, oferecendo serviços de vendas de produtos destinados à veterinária para animais de estimação como rações, medicamentos, brinquedos, roupas, xampus e outros tipos de produtos, venda de peixes e seus produtos, banho e tosa, serviço de hospedagem, serviços clínicos e diagnósticos.

Sua estrutura está dividida em: setor de banho e tosa dentro deste setor há uma banheira com torneira elétrica, um secador automático, um soprador, dois secadores, duas máquinas de tosa, duas mesas para tosas, ambiente climatizado e que conta com três colaboradores; setor clínico dentro deste setor há duas mesas sendo uma para o consultório e outra para a sala cirúrgica, uma aparelho de ecografia, um computador, uma estufa para esterilização de matérias, balança para pesagem dos animais, área para hospedagem pós cirúrgico, geladeira para as vacinas e que conta com dois Médicos Veterinário e o setor de vendas dentro deste há os produtos a serem vendidos, um computador com cadastro de clientes, estante para os medicamentos, uma sala para o estoque de mercadorias e que conta com um colaborador.
3 Contabilidade, Contabilidade Financeira e Gerencial
A contabilidade visa controlar o patrimônio empresarial através de um sistema de informações, que coleta, analisa e processa os atos e fatos ocorridos na empresa. De acordo com Greco e Arend (1996, p.11):
Compreendendo um conjunto coordenado de conhecimentos, com objeto e finalidade definidos, obedecendo a preceitos e normas próprias, pode-se afirmar que a Contabilidade é uma ciência do grupo chamadas ciências econômicas e administrativas. A contabilidade registra, estuda e interpreta (analisa) os fatos financeiros e ou econômicos que afetam a situação patrimonial de determinada pessoa econômica e administrativa.

A contabilidade é como um instrumento de análise, gerência e decisão, utilizando-se das demonstrações contábeis para um gerenciamento e planejamento, com isso, auxiliando os administradores na gestão e também na tomada de decisões.

A elaboração da contabilidade financeira de uma empresa está voltada a órgãos externos, através do registro dos eventos passados e a emissão de relatórios padronizados, que evidenciam dados e informações para um importante relacionamento da empresa com o mercado (PARISI; MEGLIORINI, 2011).

Conforme Parisi e Megliorini (2011, p.5):


Na contabilidade financeira, as informações obtidas a partir dos relatórios por ela emitidos retratam fatos já ocorridos – são informações históricas que vão possibilitar análises baseadas em relatórios cujos fatos neles constantes foram registrados e acumulados até uma determinada data do passado: ’posição de balanço’.
Segundo Horngren, Sundem e Stratton (2004, p.4) a “contabilidade financeira refere-se à informação contábil desenvolvida para usuários externos, como acionistas, fornecedores, bancos e agencias regulatórias governamentais.”

Diferente da contabilidade financeira, a contabilidade gerencial está vinculada com o gestor da administração, pois é o gestor que dita o modelo a ser adotado que seja mais útil para a empresa.

Parisi e Megliorini (2011, p.9) comentam:
A contabilidade gerencial tem uma importante contribuição para o processo decisório, uma vez que as decisões, na maioria das vezes, contemplam julgamentos e recomendações por ela oferecidos. Neste contexto, a contabilidade gerencial atende as necessidades dos administradores no que concerne ao uso de informações contábeis para o planejamento e ações relacionadas à alocação de recursos, identificação de processos ineficientes, identificação da combinação ideal de produtos e serviços, avaliação de desempenho de unidades etc., alinhadas com a política e os objetivos da organização.
Na visão de Horngren, Sundem e Stratton (2004, p.4) a “contabilidade gerencial é o processo de identificar, mensurar, acumular, analisar, preparar, interpretar e comunicar informações que auxiliem os gestores a atingir objetivos organizacionais.”

Iudícibus (1998 apud KOLIVER 2005) coloca que:


A Contabilidade Gerencial pode ser encarada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a diversas técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira e de balanços, colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes da entidade em seu processo decisório.
O objetivo da contabilidade gerencial é fornecer instrumentos aos gestores que auxiliem na tomada de decisões gerenciais, voltada assim para uma utilização melhor de seus recursos econômicos com um adequado controle das informações gerenciais (CREPALDI, 1997 apud KOLIVER, 2005).

Para Parisi e Megliorini (2011, p.285):


as empresas de pequeno e médio porte estão inseridas neste ambiente dos negócios. Este fato requer que seus proprietários e gestores tomem decisões que lhe permitam: garantir a sobrevivência, a continuidade e o crescimento – as preocupações abrangem geração e realização de lucros, formação de preços, planejamento e controle de resultados, identificação e análise de mercado e comportamento; obter e manter competência gerencial – significa ter e manter capacidade técnica, administrativa e tecnológica, vital para a gestão eficaz; identificar e se posicionar diante de fatores externos – ter e, quando necessário, usar a representatividade institucional e política dos órgãos de classe, atenção aos concorrentes, identificação e compatibilidade das receitas com a carga tributária, dentre outros.
Todos esses conceitos apresentados são de extrema importância para as organizações, principalmente as empresas de pequeno e médio porte, que os utilizarão para uma gestão eficaz.
3 Planejamento
Planejamento de um modo geral envolve e desenvolve atividades e objetivos que venham a proporcionar o crescimento, estabilidade e a continuidade das organizações. Para Rezende e Takeshy (2002, p.33) o planejamento é:
um método de ordenação de atividades com vistas a alcançar os objetivos propostos e, portanto, atingir um futuro desejado. O seu propósito básico não é o de prever o futuro, mas o de examinar alternativas futuras, analisar o leque de escolhas, priorizar, optar por uma delas, no sentido de minimizar ações incorretas e prever e prover os meios e recursos necessários, no intuito de buscar a redução de incertezas e minimizar os riscos.

Segundo Greco e Arend (1996, p.19) o planejamento “consiste em decidir, em função das informações contábeis e das pretensões da empresa, que atitudes deverão ser tomadas com vistas ao futuro. Normalmente é preciso decidir, dentre várias alternativas, qual a melhor.”

No andamento do planejamento em certas situações poderão ocorrer modificações inesperadas, que necessitem de atenção tendo que separar o que é relevante para o futuro da organização.

O planejamento operacional tem por sua origem, orientar e direcionar o gestor da administração para uma execução adequada de suas decisões nos processos gerenciais.

Na concepção de Hoji (2010, p.407):
O planejamento operacional tem a finalidade de maximizar os recursos da empresa aplicados em operações de determinado período. Esse tipo de planejamento, geralmente, é de curto e médio prazos (seis meses a três anos) e envolve decisões mais descentralizadas, mais repetitivas e de maior reversibilidade.
A definição do planejamento operacional está nas políticas e metas estabelecidas da empresa, com planos para um determinado período e vinculados com o planejamento estratégico estabelecido (MOSIMANN; FISCH 1999).

O planejamento estratégico de modo geral tem por sua determinação, as metas qualitativas, quantitativas e integradas. Também o conjunto de decisões, objetivos e políticas serem retratados para atingir as metas estabelecidas (OLIVEIRA, 2002).

Mosimann e Fisch (1999, p.46) entendem que:
O processo estratégico centra-se no exame de influências ambientais e análise do setor, e levantamento de oportunidades. Nas influências ambientais e análise do setor, o passo inicial da empresa diz respeito, em geral, ao estudo permanente do meio ambiente no qual a empresa opera e, especialmente, do mercado por ela atingido e concorrentes que nele atuam. O ambiente sofre influências tecnológicas, econômicas, políticas, socioculturais e demográficas. Tais influências condicionam e limitam as oportunidades.
Já nas palavras de Thompson e Strickland (2000 apud OLIVEIRA, 2002):
O desenvolvimento de missão e visão estratégicas, estabelecimento de objetivos e a decisão sobre uma estratégia são tarefas básicas de estabelecimento de rumo. Elas indicam o rumo da organização, seus objetivos de desempenho de curto e de longo prazo, bem como as mudanças competitivas e programadas. Juntas, elas constituem o planejamento estratégico.
O Planejamento estratégico tem por fim assegurar o cumprimento da missão. Com isso, essa fase da gestão gera diretrizes de caráter qualitativo que visa orientar o planejamento operacional, o processo de planejamento estratégico analisa o ambiente externo e o interno da empresa. Tendo assim, as diretrizes estratégicas que evitarão as ameaças e aproveitando as oportunidades (PARISI e MEGLIORINI, 2011).

4 Sistema Orçamentário

O Orçamento é utilizado como um instrumento de planejamento, que seja capaz de auxiliar o gestor nas diversas adversidades que a organização terá ao longo do tempo.

Na visão de Zdanowicz (2001, p.22):
O orçamento é o instrumento utilizado para elaborar, de forma eficaz e eficiente, o planejamento e o controle financeiros das atividades operacionais e de capital da empresa, auxiliando à tomada de decisão. Assim, o orçamento é a técnica, que toma, por base, informações e dados de experiências passadas, mas deverá constituir-se, também, em ferramenta de orientação no processo de tomada de decisão da empresa para o futuro.

Para um ideal orçamento, temos que ter informações adequadas e estruturadas do passado e presente, geradas por sistema de informações financeiras e contábeis e possa indicar o caminho a ser percorrido pela organização.

Orçamento geral traduz-se em uma estratégia da empresa, por meio de um conjunto de orçamentos específicos que auxiliarão o gestor para decisões futuras.

Segundo Moreira (1989 apud HOJI, 2010) é:


Um conjunto de planos e políticas que, formalmente estabelecidos e expressos em resultados financeiros, permite à administração conhecer, a priori, os resultados operacionais da empresa e, em seguida, executar os acompanhamentos necessários para que esses resultados sejam alcançados e os possíveis desvios sejam analisados, avaliados e corrigidos
Pode-se dizer também que o orçamento geral é todo e qualquer procedimento da gestão da empresa, juntamente com os auxílios dos diversos instrumentos de orientação a uma estratégia eficaz.

O orçamento geral para as pequenas e médias empresas no setor do comércio pode ser composto pelos seguintes orçamentos específicos que serão utilizados na pesquisa:

- Orçamento de vendas;

- Orçamento de custos;

- Orçamento de despesas de vendas e administrativas;

- Orçamento de investimentos;

- Orçamento de caixa;

- Projeção da Demonstração de Resultado.

- Projeção do Balanço Patrimonial.

O orçamento de vendas tem relação direta ao estabelecimento das quantidades, preços a serem elaborados e prazos, e contando ainda com os impostos que incidirão. É o ponto de partida e principal referência para a elaboração de todas as partes que formarão o orçamento (NASCIMENTO; REGINATO, 2007).

Conforme Oliveira (2002, p.132):
O orçamento de vendas consiste na elaboração das metas de vendas da empresa, divididas por produtos, região, tipos de clientes etc. É importante ressaltar que essas metas sejam, preferencialmente, atingíveis, pois todos os demais suborçamentos estarão sendo elaborados partindo-se dessa premissa. A mensuração das metas de vendas deve ocorrer em termos de quantidade e valores.

O orçamento de vendas tem como principal função a determinação do nível de atividades futuras da empresa, constituindo um plano das vendas e determinando o seu período de tempo.

No orçamento de custos temos uma estrutura que tem três elementos essenciais: Materiais diretos (MD); Mão-de-obra (MOD) e Custos indiretos de fabricação (CIF).

Conforme destaca Moreira (1992 apud NASCIMENTO; REGINATO 2007):


O orçamento de matérias-primas tem múltiplas finalidades. É por meio desse orçamento que a administração tem condições de avaliar as necessidades físicas de cada tipo de matéria-prima necessária para a produção e a forma de abastecimento. Dada uma determinada política de estoques estabelecidas, a empresa necessita provisionar antecipadamente recursos financeiros tendo em vista o conseqüente orçamento de compras.

O orçamento de matérias-primas determina a quantidade e o valor de matérias-primas a consumir e a comprar, e o calculo dos impostos incidentes sobre as compras estabelecidas (HOJI, 2010).

Já na visão de Welsch (1996, p.161) sobre os custos de mão-de-obra:
Compreendem todas as despesas relacionadas aos indivíduos empregados pela empresa: altos executivos, administradores de nível hierárquico médio, assessores, supervisores, contramestres, operários qualificados e trabalhadores braçais. Para planejar e controlar eficazmente os custos de mão-de-obra é necessário considerar os diversos tipos de custos separadamente.
Para Moreira (1992 apud NASCIMENTO; REGINATO, 2007) que “o orçamento de mão-de-obra direta visa determinar, por produtos, departamentos e períodos, o volume e os custos das horas trabalhadas aplicadas diretamente à produção, em função das quantidades dos produtos a serem trabalhados.”

Do ponto de vista Welsch (1996 p.178) sobre os CIF:


Representam aquela parte do custo total de produção que não é diretamente identificável (associável) com produtos ou trabalhos específicos. As despesas consistem em materiais indiretos, mão-de-obra indireta e despesas diversas de fabricação, tais como impostos, seguros, depreciação, materiais de consumo, luz, água, gás e manutenção.

Os CIFs variam de acordo com a produção e existem CIFs variáveis (os combustíveis e lubrificantes, parte da energia elétrica e alguns materiais de consumidos no processo de produção) e os CIFs fixos são outros custos que existirão mesmo que não tenha produção (HOJI, 2010).

Orçamento de despesas de vendas visa dimensionar os recursos necessários para o apoio às vendas orçadas, na sua maioria são de natureza fixa e algumas variáveis, isto é, variam de acordo com o volume de vedas (HOJI, 2010).

Na visão de Zdanowicz (2001, p.77):


As despesas comerciais, dependendo do tipo de atividade econômica, serão classificadas de acordo com o momento em que incorrerão, ou seja, elas poderão ocorrer antes, durante e depois do evento vendas. Outro critério utilizado para projetar as despesas de vendas, será classificá-las por ordem de relevância, no planejamento financeiro da empresa.

Segundo Welsch (1996, p.189) sobre as despesas administrativas:


As despesas administrativas incluem outros custos que não os das operações de produção e vendas de uma empresa. Em geral, elas são incorridas na supervisão e prestação de serviços a todas as principais funções de uma empresa, em vez da execução de qualquer função especifica.
De acordo com Hoji (2010, p.448): “Orçamento de despesas administrativas tem a finalidade de determinar os recursos que serão despendidos com a gestão da empresa.”

O orçamento de despesas administrativas normalmente possui despesas de natureza fixa, na sua elaboração pode utilizar de custos históricos corrigidos ou novas cotas. Deve ser analisado se a estrutura administrativa é suficiente para que a execução dos planos anteriores seja possível (OLIVEIRA, 2002).

O orçamento de investimentos visa determinar os valores de aquisição e baixas de bens do imobilizado, também determina apurar as cotas de depreciação, exaustão e amortização (HOJI, 2010).

Na visão de Welsch (1996, p.231): “O orçamento de investimentos em imobilizado expressa os planos detalhados da alta administração em relação a acréscimos, melhoramentos, substituições de ativos, patentes e aos fundos reservados para esses fins.”

O Orçamento de caixa envolve a projeção das entradas e saídas de caixa e das necessidades de financiamento e controle financeiro (Welsch, 1996).

Segundo Zdanowicz (2001, p.91):


O orçamento caixa será fundamental para a empresa estabelecer um equilíbrio financeiro entre as receitas e os custos projetados, no sentido de estimar, antecipadamente, o saldo necessário entre entradas e saídas financeiras, evitando assim possíveis embaraços na hora de cumprir os futuros compromissos orçado.
O orçamento caixa consiste na elaboração do planejamento do fluxo de caixa, com informações obtidas através dos orçamentos de contas a pagar, a receber, aplicações e empréstimos, que pode ser visualizado a sobra ou falta de caixa, que sejam solucionadas, para ser possível a execução dos outros planos (OLIVEIRA, 2002).

As principais finalidades do orçamento de caixa são:

- indicar a posição financeira provável em resultado das operações planejadas;

- indicar o excesso ou a insuficiência de disponibilidades;

- indicar a necessidade de empréstimos ou a disponibilidade de fundos para investimentos temporários;

- permitir a coordenação dos recursos financeiros em relação ao capital de giro total, vendas, investimentos e capital de terceiros;

- estabelecer bases sólidas para a política de crédito; estabelecer bases sólidas para o controle corrente da posição financeira.

A projeção da demonstração de resultado é muito importante para o orçamento, pois demonstra o resultado final das operações que indicará o lucro liquido (ou prejuízo) do período (HOJI, 2010).

Contudo para Zdanowicz (2001, p.103):
Essa demonstração permitirá visualizar, de forma sintética, todos os instrumentos auxiliares, que comporão o planejamento econômico-financeiro da empresa, ou seja, os orçamentos de vendas, produção e despesas operacionais, bem como o lucro liquido operacional ou prejuízo operacional projetados. Essas informações serão importantes para que o comitê orçamentário possa analisar e concluir se o retorno sobre o investimento será ou não aceitável, comparado às aplicações dos mercados acionário e financeiro.
Essa projeção tem como característica em obter o conhecimento antecipado sobre a capacidade da empresa em gerar lucro para o período orçado.

O Balanço patrimonial projetado irá mostrar a posição financeira e patrimonial da empresa nos períodos orçados e realizados, assim possível de ser analisado entre esses períodos (ZDANOWICZ, 2001).

A projeção do balanço patrimonial é uma das ferramentas importantes do orçamento, pois, ela relata a posição da empresa nos períodos orçados com os realizados visando à comparação e a comprovação que de fato foi bem estruturado o planejamento da empresa.

São vários métodos de elaboração do orçamento que podem ser utilizados, cada um com suas características, nos próximos parágrafos serão apresentados os métodos mais usados.

O orçamento contínuo (Roller Playing) é uma das formas mais comuns de orçamento, o gestor tem uma visão bem ampla sobre o desempenho para o período, esse período normalmente é de um ano, deste modo é adicionado continuamente um mês seguinte projetado em substituição ao mês decorrido (NASCIMENTO; REGINATO, 2007).

O orçamento perpétuo faz com que não haja alteração do nível de atividade que foi empregado na elaboração do orçamento, ou seja, não há o reconhecimento dos efeitos provocados em outro nível diferente daquela orçada (NASCIMENTO; REGINATO, 2007).

Na sua concepção Padoveze (2003, p.193) diz:
É o mais comum. Elaboram-se todas as peças orçamentárias a partir da fixação de determinado volume de produção ou vendas. Estes volumes, por sua vez, também determinados o volume das demais atividades e setores da empresa. O orçamento é considerado estático quando a administração do sistema não permite nenhuma alteração nas peças orçamentárias.
A elaboração do orçamento estático consiste na manutenção dos valores previstos, independente de ocorrer mudanças estratégicas ou ambientais, quais possam diminuir a qualidade da informação para o controle e no andamento dos resultados (OLIVEIRA, 2002).

O orçamento flexível tem o conhecimento da estrutura de custos dos produtos fabricados e ou serviços prestados, classificação dos custos fixos e variáveis com essa classificação pode-se isolar o aumento ou a redução dos custos em função de diferentes volumes trabalhados (NASCIMENTO; REGINATO, 2007).

Para Horngren (1985 apud PADOVEZE 2003): “O orçamento flexível é um conjunto de orçamentos que podem ser ajustados a qualquer nível de atividades.”

No orçamento base zero sua maior característica é a elaboração do orçamento partindo exclusivamente do zero, sem resquícios de dados passados.

Na opinião de Pyhrr (1981 apud NASCIMENTO; REGINATO, 2007):
Deixa explícito que essa forma de elaboração do orçamento, apesar da sua aparente praticidade, carrega uma grande deficiência que é aceitar como única e necessária uma situação já estabelecida. Preocupa-se mais em justificar os gastos futuros do que rediscutir a validade dos gastos passados. Alem disso, impede que os gestores exerçam toda a sua capacidade em repensar outros métodos e alternativas operacionais afora os atualmente desenvolvidos.

Orçamento base zero é elaborado a partir de projetos hierarquizados com base no seu grau de importância, esse orçamento é elaborado como se fosse feito pela primeira vez (OLIVEIRA, 2002, p.120).

De acordo com Padoveze (2003, p.193):
Esta proposta conceitual de elaboração de orçamento apareceu em contraposição ao orçamento de tendências. A filosofia do orçamento base zero está em romper com o passado, em dizer que ele nunca deve partir da observação dos dados anteriores, pois eles podem conter ineficiências que o orçamento de tendências acaba por perpetuar.
Portanto, para a pesquisa em estudo será aplicado o método de orçamento continuo, pois, pretende criar um modelo de sistema orçamentário que possa auxiliar a gestão da empresa, partindo da observância dos dados e informações atuais para alcançar as soluções dos problemas. O estudo partirá do zero, sem considerar efeito de operações anteriores, mensurando a estruturação e a manutenção da atividade e quais seriam as metas e objetivos.




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