Sistema reprodutivo



Baixar 211.19 Kb.
Página1/2
Encontro06.08.2016
Tamanho211.19 Kb.
  1   2
MELHORAMENTO GENÉTICO DO EUCALIPTO

Teotônio Francisco de Assis


SISTEMA REPRODUTIVO

O gênero Eucalyptus L'Herit pertence à família Myrtaceae, possuindo mais de 600 denominações diferentes incluindo espécies, variedades e híbridos (Pryor 1975). Ocorre em uma gama de condições ambientais que vão desde áreas pantanosas, até muito secas, solos de baixada, de alta fertilidade, até solos arenosos muito pobres. além disso ocupa ambientes altamente variáveis, tanto em termos de precipitação quanto temperaturas. Toda essa diversidade ambiental concentra se principalmente no continente australiano, apresentando, também, ocorrências na Indonésia e ilhas adjacentes.

As flores de todas as espécies são hermafroditas e tem como principais vetores de polinização os insetos, sobretudo Hymenopteros, Dipteros, Lepdopteros, Coleopteros e Hemipteros. Nas áreas de ocorrência natural, pequenos marsupiais e alguns pássaros também figuram como polinizadores importantes. As espécies são preferencialmente alógamas (Pryor 1975), mas apresentam sistema reprodutivo misto podendo ocorrer até 30% de autogamia. A alogamia é favorecida pela protandria, ou seja, o estigma alcança sua receptividade antes do período de viabilidade máxima dos grãos de pólen. Entretanto esse mecanismo não elimina a possibilidade de ocorrência de autopolinização, pois uma mesma planta apresenta flores com diferentes estágios de maturação (Eldridge, 1978).

~ Eng. Florestal, M.S.   Consultor de Melhoramento Genético/Riocell S.A.   Rua São Geraldo, 1.680   Caixa Postal 108   92.500 000   Guaíba, RS.

Além da protandria, Pryor (1976), descreve ainda a existência de um sistema de auto incompatibilidade controlado geneticamente, que varia em intensidade, dependendo da espécie e grupos de espécies, mas que de maneira geral parece ser característico do gênero. Desta maneira, este mesmo autor define o gênero Eucaliptos, alem de preferencialmente alógamo, tendo suas populações compostas por indivíduos heterozigotos e observando se uma depressão geral no vigor com a autofecundação.
ESCOLHA DE ESPÉCIES E PROCEDÊNCIAS

Um aspecto de primordial importância no estabelecimento de um programa baseado no plantio de florestas de eucalipto é a definição dos objetivos básicos desse programa, ou seja, da destinação principal da madeira produzida por esses plantios. A clara definição desses objetivos vai nortear importantes procedimentos a serem previamente estabelecidos para o desenvolvimento do programa. Dentre estes, talvez o mais importante seja a escolha da(s) espécie(s) de plantio.

Os aspectos envolvidos na eleição de uma espécie são vários. Vão desde estudo das analogias climáticas, fisiológicas e edáficas, entre as origens da semente e as áreas de plantio, ate o conhecimento de aspectos fisiológicos inerentes as espécies, como brotação de cepas, resistência a seca, frio, pragas, doenças, etc. Mas um dos aspectos que devem merecer grande atenção e o conhecimento das qualidades tecnológicas da madeira das espécies, uma vez que estes caracteres variam entre elas e também no atendimento as exigências industriais. Por exemplo, uma espécie de alta densidade e alta relação lignina/celulose e ideal como produtora de energia, entretanto pode ser inapta para a produção de celulose, madeira para serraria e outros usos.

Após a escolha da espécie ideal e necessário definir as fontes geográficas ou procedências mais adequadas, tanto para obtenção de sementes comerciais, como para busca de material genético para o estabelecimento de programas de melhoramento florestal.

Um dos principais fatores que afetam o estabelecimento e a produtividade das plantações de árvores florestais é a escolha da fonte de sementes (Brune, 1978). É absolutamente essencial que se usem as melhores fontes de adaptação, uma vez que os ganhos mais baratos e mais rápidos podem ser obtidos simplesmente garantindo se o uso de fonte geográfica da espécie mais apropriada.

As variações genéticas existentes entre procedências de uma mesma espécie tornam se bastante úteis, já que essas diferenças conferem à espécie comportamentos distintos, em dado local, quando populações geográficas (raças geográficas) são utilizadas como fonte de sementes (Brune, 1978).

Uma indicação das espécies/procedências aptas para as distintas regiões bioclimáticas de Minas Gerais pode ser obtida em Golfari (1975) e Moura et al. (1980). Mais recentemente Albino (1983), Guimarães et al. (1983) e Golfari et al. (1986) apresentaram dados relacionados com características tecnológicas, bem como resultados atualizados do comportamento silvicultural de varias espécies de Eucalyptus, em diferentes regiões ecológicas do estado de Minas Gerais.
ESTRATÉGIAS DE MELHORAMENTO

Os programas de melhoramento são, comumente, desenvolvidos em ciclos repetidos de seleção e recombinação. As estratégias de melhoramento estabelecem como estes ciclos serão organizados para produzir material genético melhorado a serem utilizados nos plantios comerciais. A estrutura básica de uma estratégia de melhoramento e composta da população base, da população de melhoramento, dos métodos para avaliar e selecionar árvores geneticamente superiores, dos métodos a serem utilizados na recombinação destas árvores para regenerar populações de melhoramento, que serão submetidas a ciclos repetidos de seleção, e dos métodos de multiplicação para prover material genético melhorado em quantidade para plantios comerciais.

A população base tem importância fundamental para a sobrevivência do programa a longo prazo. Ela deve ser de uma espécie adequada aos objetivos do empreendimento, deve também ser constituída das melhores procedências e ter uma base genética ampla para propiciar a obtenção de ganhos de forma contínua.

A população de melhoramento constitui o conjunto de plantas que o melhorista manipula para promover o melhoramento genético, incluindo progênies e clones. Eldridge (1993) sugere em torno de 500 famílias de 200 plantas cada para formar a população de melhoramento.

Os métodos para avaliar e selecionar genótipos superiores dizem respeito a tecnologia utilizada na escolha desses genótipos. Esses métodos são importantes por influenciarem diretamente a eficiência do melhoramento, ou seja, dependendo do método pode se conseguir maiores ou menores ganhos. Comparações entre diferentes métodos de seleção combinados com diferentes métodos de recombinação são apresentadas por Cotterill (1966); Cotterill & Dean (1990 ) Pires (1994).

Os métodos utilizados na recombinação para formar novas populações de melhoramento, referem se à maneira pela qual as árvores selecionadas serão intercruzadas para regenerar essas populações. A recombinação pode variar desde formas simples como a polinização livre até diferentes delineamentos de cruzamento que variam entre si pelo grau de complexidade, quantidade e qualidade das informações produzidas e pelo custo.

O método de multiplicação é, na verdade, o veículo que vai permitir transformar em florestas geneticamente melhoradas o melhoramento conseguido na população de melhoramento. Os pomares de sementes, os jardins e áreas de multiplicação clonal e eventualmente os laboratórios de micropropagação constituem os métodos de multiplicação mais utilizados no melhoramento de espécies do gênero Eucalyptus.

Normalmente o melhorista vive o dilema de obter ganhos no curto prazo, reduzindo a base genética, e ao mesmo tempo tendo que manter a variabilidade para promover ganhos continuadamente em gerações avançadas. De acordo com Matheson (1990), um bom programa deve permitir a manutenção da variabilidade a longo prazo, tão grande quanto possível, sacrificando o mínimo os resultados de curto prazo.

Nenhuma estratégia de melhoramento é adequada para todas as situações. Deve se ter em mente que a escolha da melhor estratégia é condicionada por uma série de fatores entre os quais citam se a dimensão do empreendimento, recursos disponíveis, objetivos do programa, aspectos biológicos da espécie etc. Em certos casos o empreendimento não comporta a adoção de programas complexos e deve se utilizar estratégias mais simples. Por seu turno, programas florestais que produzem mateira prima ou insumos energéticos, para industrias de grande porte, justificam a adoção de estratégias mais complexas e mais eficientes.

As estratégias de melhoramento mais utilizadas em gerações avançadas são as sub populações (multi populações e sublinhas) e os núcleos de melhoramento. Higa (1989), numa revisão sobre o assunto, discute a utilização destas estratégias no melhoramento genético de Eucalyptus.

Às estratégias de melhoramento para espécies puras podem ser associados programas de produção de híbridos e de clonagem, visando produzir, capturar e multiplicar combinações superiores no sentido de aumentar a eficiência dos programas de melhoramento.
PRODUÇÃO DE SEMENTES MELHORADAS


Áreas Produtoras de Sementes

As áreas produtoras de sementes são meios utilizados temporariamente, para produção de sementes geneticamente melhoradas, ate que os pomares de sementes atinjam produção comercial. As APS's representam um dos métodos de maior simplicidade e de mais baixo custo de produção de sementes com qualidade genética superior a curto prazo.

São estabelecidas em talhões geneticamente puros e superiores quanto a desenvolvimento, forma das árvores e condições fitossanitárias, proporções de copa e derrama natural. Sua instalação consiste basicamente na seleção dos indivíduos superiores do talhão e eliminação dos restantes, mantendo a área isolada de espécies afins, para evitar cruzamentos indesejáveis.

Nas "APS's" a seleção é feita apenas baseando se nas características fenotipicas dos indivíduos, uma vez que não são realizados testes de progênies para guiar a seleção. Apesar deste aspecto, ganhos genéticos consideráveis são obtidos mediante a utilização de sementes das APS's para estabelecimento de plantios comerciais, especialmente como resultado da formação de raças locais, substituindo, com vantagens, a importação de sementes.

A superfície e uma área produtora de sementes é variável, principalmente em função da disponibilidade do material genético a ser manipulado e da demanda de sementes para suprir as exigências dos programas de plantio a serem estabelecidos com a espécie considerada. Não existe uma limitação preestabelecida quanto ao tamanho máximo de uma "APS", em virtude dos aspectos já mencionados. Quanto ao tamanho mínimo, recomenda se que, para uma produção econômica de sementes, as "APS's" nunca sejam inferiores a 3 ha. Algumas situações particulares, como a inexistência no mercado de sementes de certa espécie importante, ou no caso de espécies que atingem tardiamente o estágio reprodutivo, podem desconsiderar este aspecto. Contudo áreas demasiadamente pequenas podem trazer problemas futuros de consangüinidade, caso o material não seja convenientemente manipulado.

O numero final de árvores dentro de uma "APS", após a remoção dos indivíduos fenotipicamente inferiores, deve ser tal que possibilite um bom desenvolvimento das copas, para permitir que haja uma incidência de luz capaz de proporcionar colheitas abundantes de sementes. Entretanto, o espaçamento entre as arvores remanescentes, após os desbastes seletivos, não deve ser excessivamente amplo, para evitar a ocorrência de autofecundação e seus efeitos depressivos. Um numero básico, para "APS's" de Eucayptus, capaz de assegurar boa produção de sementes em quantidade e qualidade, tem sido estipulado em 150 árvores/ha (oscilando de 100 a 200 arvores/ha).

A idade do material a ser manipulado para a instalação de áreas produtoras de sementes é variável. De acordo com algumas características particulares, como a espécie, a região e o espaçamento inicial de plantio, os desbastes serão iniciados mais cedo ou mais tarde. Em espécies de crescimento mais rápido, em regiões de maior potencial produtivo e em plantios feitos em espaçamentos mais apertados, situações estas em que a competição entre as plantas se verifica mais cedo, os desbastes seletivos poderão ser iniciados também mais cedo. Em situações opostas, os desbastes de raleio podem ser iniciados em pouco mais tarde.

Em qualquer destas situações, os talhões que serão submetidos a seleção e raleio, com o fim de instalação de áreas produtoras de sementes, deverão possuir as seguintes características:

  as árvores devem ser suficientemente jovens para responder bem ao primeiro raleio, formando copas capazes de produzir sementes em grandes quantidades;

  as árvores deverão estar em estágio de desenvolvimento tal que já exibam os caracteres que interessam para seleção e ter idade suficiente para permitir uma correta avaliação de suas características;

  as árvores deverão estar fisiologicamente maduras ou próximas a alcançar o estágio reprodutivo, para possibilitar uma boa floração e frutificação e, conseqüentemente, uma boa produção de sementes.
Um outro aspecto a ser ainda lembrado é que a seleção final deve, preferencialmente, coincidir com a idade de corte ou pelo menos se aproximar dela, isso porque a seleção é pouco efetiva quando realizada muito afastada desta época.

As espécies do gênero Eucalyptus são predominantemente alógamas, onde ocorre livre troca de genes entre indivíduos de determinada população, através de cruzamentos ao acaso. Portanto, no estabelecimento de áreas produtoras de sementes de Eucalyptus, e necessário considerar o isolamento, tanto de outras espécies afins como de talhões da mesma espécie onde não foi realizado seleção.

Recomenda se que as distâncias mínimas de isolamento, embora haja carência de estudos sobre a capacidade de dispersão do pólen dos eucaliptos, seja de 300 m. Quando não e possível manter esta distância mínima, pode se aplicar o mesmo critério de seleção nos talhões contíguos, que funcionarão como barreira a entrada de pólen de indivíduos inferiores na APS. Contudo, este artificio não se aplica no caso de talhões vizinhos serem de espécies afins, porém diferentes daquela que esta sendo selecionada.

Como barreira de isolamento pode ser utilizado, também, o plantio de espécies não afins circundando a APS e protegendo a do afluxo do pólen indesejável.

Para a seleção dos talhões a serem manipulados com a finalidade de instalação de áreas produtoras de sementes, deve se levar em consideração a produção de madeira e a uniformidade dos talhões, devendo estes ter árvores com boas características fenotipicas, as quais se procura captar na seleção de matrizes.

Preferencialmente os talhões devem estar localizados em áreas que representem em suas características edáficas, climáticas e fisiográficas, as regiões de plantios em larga escala.

Atributos como pureza genética do talhão e o conhecimento da origem e base genética das sementes, que se utilizaram para o plantio dos talhões, são de fundamental importância para a qualidade das sementes produzidas. A utilização de populações geneticamente impuras, para formação de áreas produtoras de sementes, pode dar origem a plantios excessivamente heterogêneos e de má qualidade devido à segregação gênica, enquanto que o desconhecimento da correta origem das sementes e da base genética do material pode causar quedas futuras sensíveis na produção volumétrica em decorrência dos efeitos depressivos da endogamia.

O método recomendado para a seleção de matrizes, objetivando ao estabelecimento de áreas produtoras de sementes, é a seleção massal. Esse tipo de seleção em massa baseia se no fenótipo das árvores, onde aquelas que exibem o maior número de características desejáveis são selecionadas e utilizadas como reprodutoras.


02   Desbaste seletivo para estabelecimento de APS de E. grandis (10anos)

Os critérios utilizados na escolha das matrizes dependem diretamente da destinação da madeira. Entretanto, alguns critérios de qualificação de árvores superiores, como o vigor, a sanidade e a forma de fuste, são considerados universais e aplicam se a todos os programas de melhoramento florestal.

Para a instalação de áreas produtoras de sementes, a seleção de matrizes e o posterior raleio podem ser executados em uma ou mais etapas. Em talhões localizados em regiões não sujeitas a ventos muito fortes e que estejam na idade de corte ou acima desta, a seleção e o desbaste de raleio podem ser praticados de maneira definitiva em uma etapa única. No caso de talhões mais jovens ou mesmo nos mais velhos, cujas idades sejam superiores a de rotação, porem sujeitos a ventos fortes, o raleio deve ser feito em etapas para evitar problemas de queda das árvores que permanecerão na área produtora de sementes.

Em se tratando de talhões jovens, a primeira seleção pode ser feita aos 2   4 anos (dependendo da região, da espécie e do espaçamento inicial). A seleção final deve ser aplicada preferencialmente quando o talhão atingir a idade estabelecida para o corte das florestas.

A intensidade de seleção aplicada tem influência direta no ganho genético que se pode obter, uma vez que o rigor da seleção e um dos fatores dos quais depende o grau de melhoramento possível de se alcançar. No caso especifico de áreas produtoras de sementes, a intensidade de seleção nunca pode ser muito forte devido ao perigo da ocorrência de autofecundação se as árvores ficarem muito isoladas entre si, como conseqüência de uma seleção muito intensa. Fica claro, assim, que a intensidade de seleção nas APS's, sem ser um parâmetro rígido, é muito pouco flexível, mas pode ser aumentada em talhões plantados em espaçamento mais apertados.

Uma outra limitação das áreas produtoras de sementes é a impossibilidade ou a dificuldade de se realizarem avaliações de qualidade da madeira, nas quais a obtenção dos dados seja feita através de métodos destrutivos. Nestes casos os pomares de sementes clonais seriam mais indicados.


POMARES DE SEMENTES

O estabelecimento de pomares de sementes e um método bastante recomendado para produção de sementes geneticamente melhoradas e utilizado na maioria dos programas de melhoramento que se desenvolvem no mundo todo.

Os indivíduos integrantes deste tipo de pomar são testados quanto aos seus valores reprodutivos (teste de progênies), possibilitando eliminar aqueles que não produzem boas mudas (baixa capacidade geral de combinação), o que resultara em plantios mais produtivos e mais homogêneos.

Na seleção de indivíduos para composição dos pomares, é possível conhecer a qualidade da sua madeira bem como da de suas progênies. Este carácter, ao ser levado em conta na seleção, refletirá de maneira positiva na indústria, seja de celulose, siderúrgica ou madeireira.

Existem, basicamente, dois tipos de pomares de sementes: os de sementes clonais e os de sementes por mudas. Ambos são mais eficientes no sentido de promover o melhoramento genético de determinado caráter do que as áreas produtoras de sementes. Seus objetivos são os mesmos, quais sejam, os de produzir sementes geneticamente superiores em quantidade e são baseados na maximização dos cruzamentos não aparentados entre árvores selecionadas por suas características desejadas, constituindo se, assim, na base para futuros plantios comerciais.

Pomares de Sementes Clonais

Os pomares são estabelecidos a partir de arvores superiores, selecionadas com base no desempenho médio de suas progênies. Os indivíduos que, pelo teste de progênies, forem superiores para certo numero de características desejáveis, são selecionados e, por propagação vegetativa, são multiplicados e arranjados em delineamento próprio, de modo a assegurar cruzamentos não consangüíneos.

As principais vantagens dos pomares clonais são: neles a produção de sementes é bem precoce (no caso de enxertia); permitem uma alta intensidade de seleção; a possibilidade de acasalamento entre indivíduos aparentados e mínima; o valor genético dos clones dos pomares é previamente conhecido por intermédio dos testes de progênies.

De cada árvore selecionada é colhida uma amostra de sementes para testes de progênies e formação de porta enxertos. Quando se trabalhar com espécies de fácil enraizamento, é preferível abater as matrizes e enraizar sua brotação ao invés de trabalhar com enxertia, para se evitarem problemas futuros de rejeição.

Seja por enxertia ou por enraizamento, as matrizes são multiplicadas, vegetativamente (formação de clones) e plantadas com casualização restritiva, para separar indivíduos do mesmo clone, evitando assim a autofecundação. O espaçamento de plantio deve ser amplo para permitir uma floração abundante e precoce.
03   Poda de formação de copa em pomar clonal de E. grandis.

Pomares de Sementes por Mudas/Testes de Progênies

Uma das grandes vantagens dos pomares de sementes obtidos de "Seedlings" é a de que podem associar testes de progênies e produção de sementes. Além disso, evita se a propagação vegetativa em espécies em que essa operação e difícil e ha possibilidade de haver maior numero de progenitores iniciais, resultando numa base genética mais ampla.

Os testes de progênies são realizados quando se deseja testar a superioridade que visualmente certo indivíduo apresenta. Pelo teste de progênies, é possível saber se certo indivíduo superior aparentemente o é devido à sua constituição genética superior, ou se o é devido a uma condição ambiental favorável. Desse modo, quando é feita a seleção para formação de pomares clonais, testes de progênies são sempre requeridos para determinar a superioridade genética das árvores selecionadas e, a partir dos resultados, proceder ao desbaste seletivo, eliminando se os clones geneticamente inferiores.

Além de servirem como um meio eficiente de testar a capacidade das matrizes em transmitir suas características as descendências, os testes de progênies são um meio bastante recomendado de produção de sementes geneticamente melhoradas. A transformação do teste de progênies em pomar de produção de sementes por mudas consiste em selecionar os melhores indivíduos pelo método "entre e dentro" de famílias ou pelo índice combinado que proporciona maiores ganhos.

Os testes de progênie são também úteis nos estudos de herdabilidade e de outros parâmetros genéticos, cujos resultados são da maior importância no desenvolvimento dos programas de melhoramento florestal. Os valores destes parâmetros determinam que meios deverão ser utilizados para maior eficiência na obtenção do melhoramento genético das características de interesse.


Manutenção e Manejo das Unidades Produtoras de Sementes

As atividades que visam à manutenção das APS's são principalmente a proteção contra incêndios e a eliminação de vegetação competidora, inclusive brotação de cepas de árvores eliminadas.

O manejo das APS's envolve todas as atividades que visem ao aumento da produção de sementes e a melhoria da sua qualidade. Os desbastes seletivos melhoram a qualidade genética das sementes, enquanto que as fertilizações aumentam a produção.

Tem sido indicadas tanto para pomares quanto para APS's fertilizações com maiores níveis de fósforo e potássio como fator de aumento da produção de sementes, assim como a colocação de colméias de abelhas européias contribui para um maior vingamento de frutos e maior número de sementes por fruto, influenciando diretamente a quantidade de sementes produzida por unidade de área.

Para a primeira colheita de sementes, deve ser feito um levantamento da porcentagem dos indivíduos que alcançaram o estágio reprodutivo, pois a utilização das sementes só deve se efetivar, se o mínimo de 60% dos indivíduos florescerem no mesmo período.

É importante observar também que o raleio final só será eficiente, para a primeira colheita, se tiver sido feito antes da floração. Desse modo, torna se importante o conhecimento da fenologia das espécies a serem trabalhadas.

A colheita de frutos nas áreas produtoras de sementes se processa por meio de corte dos galhos das copas das árvores. Esta redução drástica da copa provoca uma paralisação na colheita por dois anos consecutivos, período necessário para a recuperação das plantas. Para que não haja interrupção na produção de sementes, a colheita deve ser feita em apenas um terço das arvores a cada ano. Para evitar problemas de autofecundação, é conveniente dividir a APS em três partes, ao invés de coletar sementes em 1/3 das árvores salteadas dentro do talhão.

Os cuidados que devem ser dispensados aos pomares de sementes são praticamente os mesmos das áreas de produção de sementes. Alguns procedimentos como poda de formação de copas e eliminação de clones inferiores são adicionalmente executados nos pomares de sementes clonais. Nos pomares de sementes por mudas são selecionados as melhores famílias e os melhores indivíduos dentro destas, eliminando se os restantes, de acordo com o método de seleção escolhido (seleção combinada ou "entre e dentro").

No caso dos pomares de sementes deve se observar o sincronismo de floração de clones. Clones que florescem em períodos não coincidentes com os demais devem ser retirados do pomar para não comprometer a qualidade da semente em razão da possibilidade de ocorrer autofecundação em taxas mais altas.
CLONAGEM DE EUCALYPTUS EM ESCALA COMERCIAL

A propagação vegetativa, além de se constituir em importante ferramenta auxiliar do melhoramento florestal, principalmente na formação de pomares de sementes, tem mostrado ser de grande utilidade na promoção do melhoramento de características desejáveis, sobretudo no que diz respeito à uniformização de atributos tecnológicos da madeira e a velocidade com que o melhoramento destas características é obtido.

Esse método de propagação oferece certas vantagens em relação à seleção e propagação de árvores selecionadas. 1. Enquanto na reprodução sexuada consegue se capturar apenas o componente genético aditivo da superioridade de árvores selecionadas, na propagação vegetativa consegue se capturar o componente genético total, ou seja, o componente aditivo e o não aditivo, resultando em maiores ganhos dentro de uma mesma geracão de seleção. 2. A segregação e recombinação gênica verificadas na reprodução sexuada de espécies alógamas resultam em alto grau de variabilidade, enquanto que a reprodução por vias vegetativas resulta em uniformidade de crescimento, forma, qualidades tecnológicas, bem como uma série de outras características selecionadas ou não. Por outro lado, a propagação vegetativa tem sido o meio mais adequado para o aproveitamento comercial da heterose verificada em vários cruzamentos interespecíficos, sendo de grande importância na multiplicação de híbridos superiores.

Apesar das grandes vantagens da propagação vegetativa, um problema que pode surgir da sua utilização é o risco de estreitamento excessivo da base genética dos plantios, tornando os pouco flexíveis às mudanças ambientais e mais vulneráveis à ocorrência de pragas ou doenças.

A utilização de um número de clones muito pequeno, embora possa representar a possibilidade de obter um ganho maior, traz consigo um risco muito grande de que sérios danos possam ocorrer. Contudo, e possível trabalhar com um bom número de clones sem que isto comprometa os ganhos a serem obtidos. Um número como 30 a 50 clones por região tem sido considerado adequado para se ter uma boa base genética e suficientemente pequeno para propiciar ganhos significativos.

Outra limitação é que a propagação vegetativa e uma técnica de ''fim de linha". Proporciona o máximo de ganho em uma única geração, mas a partir daí nenhum ganho adicional é conseguido. Portanto, os programas de propagação vegetativa devem estar apoiados em programas de melhoramento sexuado desenvolvidos paralelamente, para que se possam ter ganhos adicionais sucessivos, captando, fixando e perpetuando as novas combinações gênicas favoráveis, produzidas durante as diferentes fases do programa, sejam combinações intra específicas, no caso de sementes melhoradas, ou interespecíficas, no caso de hibridação.

Contudo vale destacar que a clonagem tem apresentado muito mais exemplos de solução de problemas do que de produzi los. Na verdade existe muito poucas situações onde a clonagem acarretou prejuízos. Desde que o processo de seleção seja bem feito os riscos diminuem, os quais são amplamente compensados pelos benefícios possíveis de serem obtidos.

Embora o enraizamento de estacas seja hoje a técnica de propagação vegetativa mais em uso na clonagem comercial de Eucalyptus, sua utilização não é viável técnica e economicamente para todas as espécies. Para uma série delas não existe ainda perfeito domínio sobre o controle da formação de raízes adventícias em estacas. Outro problema encontrado no enraizamento de estacas de Eucalyptus, de vital importância para o sucesso desta técnica, diz respeito ao processo de maturação verificado nas espécies deste gênero. A maturação é um fenômeno que geralmente afeta espécies lenhosas de acordo com o seu desenvolvimento ontogenético (Monteuuis, 1988). Uma das mais importantes conseqüências do envelhecimento ontogenético para a clonagem é a redução ou ate mesmo a perda da capacidade de enraizamento que se verifica em plantas lenhosas adultas. Este fato tem grande importância na propagação de espécies florestais em virtude de que as árvores só são convenientemente avaliadas no seu estágio adulto, quando já perderam a capacidade de enraizar (Cresswell & de Fossard, 1974).

Para se conseguir o enraizamento de plantas adultas é necessário explorar a maior capacidade de enraizamento de material juvenil, seja pela utilização e propágulos provenientes de partes juvenis da planta, ou pela promoção do rejuvenescimento de partes da planta adulta, restaurando sua competência ao enraizamento. As técnicas mais usadas na obtenção de propágulos com características juvenis, enraizáveis, são a indução de brotações epicórmicas basais, mediante a utilização de artifícios que provoque injúrias no tronco (corte, anelamento, calor etc.) e a propagação em série ou em cascata".

A propagação em série consiste em micropropagar ou enxertar, sucessivamente, propágulos adultos até obter o rejuvenescimento. A micropropagacao em série (sequencial) produz efeito no décimo sub cultivo e a enxertia na quarta reenxertia. Verifica se uma mudança na morfologia foliar, que passa gradualmente da adulta para a juvenil, após cada etapa de multiplicação. Todavia nem todas as plantas atingem níveis de enraizamento economicamente viáveis para a clonagem em larga escala, em decorrência de variações genéticas existentes entre as plantas quanto a este aspecto.

Desde o início dos trabalhos de clonagem de espécies de Eucaliptos, desenvolvidos por Franclet em 1956 no Marrocos, ate hoje, esta tecnica tem experimentado uma evolução de inquestionável grandeza. Sua utilização comercial se concretizou a partir dos anos 70 quando o C.T.F.T. no Congo e Aracruz no Brasil desenvolveram métodos para a produção de florestas clonais. A incorporação de novos avanços tecnológicos na clonagem de Eucalyptus tem sido permanente e hoje o conceito de silvicultura clonal esta amplamente difundido e em uso em vários países do mundo.

Além de representar a possibilidade de se obter maior produção de biomassa por unidade de área plantada, bem como significativas melhorias na qualidade da madeira, seja como matéria prima industrial ou como insumo energético, uma das conseqüências mais atrativas do uso da clonagem em escala comercial é a homogeneização da madeira para fins industriais. A produção de matéria prima florestal pouco variável e que tenha sido selecionada levando se em conta suas aptidões específicas, para atender as exigências da indústria a que destina, tende a promover ganhos significativos tanto em processo quanto em produtos.


  1   2


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal