São José Calasanz, padroeiro principal da Congregação das Escolas de Caridade (solenidade) Pe. João de Biasio



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São José Calasanz, padroeiro principal da Congregação das Escolas de Caridade (solenidade)

Pe. João de Biasio

I-“A escola é um meio formativo insubstituível, não só para preservar os meninos do mal, mas ainda mais para endereçá-los eficazmente ao bem, seja qual for a condição familiar ou social deles. O assíduo contato com o mestre pode influir tão profundamente no ânimo dos jovens até o ponto de transformar por completo a sua vida. À semalhança de vergônteas, os jovens se deixam facilmente levar pelo educador na direção que ele quer imprimir; mas será bem dificil retomá-los e re-educá-los se por acaso pegam perigosas deformações...”



A missão educadora requer muita caridade, máxima paciencia, humildade profunda: mas aquele que consagra toda sua vida a esta missão, e pede de Deus a graça de ficar fiel ao seu compromisso educativo, além da alegria de se sentir escolhido para ser cooperador da verdade, terá do próprio Deus amparo e conforto e receberá dele a recompensa da qual fala o Livro Santo: “Aqueles que instruem a muitos na justiça serão quais estrelas na perpétua eternidade”(Dn 12, 3).

Tudo isso obterá por certo os que vinculando-se a esta missão na doação plena de uma vida consagrada, procuram aderir a Cristo e só agradar aquele disse: “O que fizestes a um dos meus pequeninos, a mim o fizestes”(Mt 25, 40). (dos Escritos de são José de Calasanz).

II-“Já passaram as festas de Páscoa, nem se fala ainda nas novas Constituições; só Deus sabe se irão sair. Fiquemos com a firme esperança que Deus bendito responderá para o nosso Instituto, que está fundado só na caridade para com os jovens pobres. Que não se diga: “As crianças reclamam pão e ninguém lho dá” (Lm 4, 4). Tenhamos o ânimo grande para servir a Deus nos seus membros, que são os mais pobres, a fim de que possamos ouvir: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes (Carta de abril de 1647).

Breve comentário e exegese dos dois textos:

1- O primeiro é de caráter geral, parte da segunda leitura no dia da festa do Santo, sobre a educação da juventude com observações e exortações que iremos encontrar também nos nossos Padres: sinal evidente que neles tinha passado o mesmo espirito de fé e de amor do santo padroeiro. Para anotar: a- quais são as virtudas que devem animar toda a ação para com os jovens: muita caridade, máxima paciencia e humildade profunda; b- a grande importancia da escola entre os mmeios educativos: a fidelidade a este meio se tornará objeto do quarto voto na Ordem das Escolas Pias.

2- A carta de 1647 tem que ser entendida no seu contexto. Tinha acontecido o triunfo do Maligno e a quase total destruição da Ordem dos crérigos pobres da Mãe de Deus das Escolas Pias. Desde 1642, quando foi enviado pelo Santo Oficio um visitador que impôs como primeiro Assistente e Vice-Geral o pe Mario Sozzi e depois da morte dele o pe Stefano Cherubini, foi uma Via-Sacra de humulhações e sofrimentos para José e seus amigos. Se erros ele fez enquanto Superior e fundador, como historicamente aparece, embora em boa fé, Deus provou-o e purificou com toda sorte de tribulações: acusação junto ao Santo Oficio, destruição do cargo de Superior, afastamento dos amigos, tirando dele quase tudo: cartas, livros, etc... Supressão da Ordem, reduzida a um pio Instituto sem votos, com permissão a todos os que quizessem de sair para entrar no clero diocesano ou em outras Congregações... O Santo escreve esta e outras cartas semelhantes, cheias de fé em Deus, de esperança e paciência. Humanamente INCRÍVEL! Nestas cartas brilham duas coisas: a- Deus não vai falhar. Podem mandar, desmandar e enfurecer Sozzi, Cherubini,Pietrasanta até o Papa Inocêncio X, que não entendeu o valor da escola para os pobres e não conhece a verdade sobre o que acontece na Ordem: mas Deus não falha! Como são José disse um dia ao pe Mario – e foi a única vez que reagiu às perseguições indignas – “entre nós dois Deus vai ser o juiz”. b- O Santo permanece firme na sua vocação: tem certeza que ele não é um iludido, nem um fracassado na sua vida de sacerdote educador; que sua missão é um dom do Espirito para a Igreja e a suciedade de seu tempo. “As crianças reclamam pão ...”; “foi a mim mesmo que o fizestes, que deste este pão da formação na inteligencia e na piedade...”.

Foi uma grande purificação: “Agradeçamos ao Senhor Nosso Deus que nos pôs à prova como a nossos pais”(Jd 8, 25). Os Escolapios eram 500 no começo da hecatombe (itália, Alemanha, Hungria, polonia e Boemia): em poucos anos ficaram só 300. Alguns voltaram atrás depois da tempestade. Em 1648 José morre, fazendo uma predição: Deus vai restaurar a Ordem. Coisa que acontece em duas etapas: antes congregação com votos simples, depois como Ordem regular com os quatro votos.

OBS.: Em 1637 já eram: 124 sacerdotes; 159 operários entre os com barrete e os sem; 79 clérigos e 70 noviços.

Uma verdadeira tragédia na qual confluiram a vaidade, soberba e maldade dos homens e a bondade e o erro do Fundador. Qual foi o erro? Qual é o erro, possível também hoje entre os religiosos? As Escolas Pias tiveram um incremento rápido demais, que não permitiu, em alguns casos, uma suficiente formação e em outros favoreceu o ingresso de não vocacionados: foram estes que trabalhavam para destruir a Ordem e acabar com o Fundador. Os efeitos da educação na terra virgem de meninos pobres foram maravilhosos e o Calasanz se achou literalmente assediado e insidiado por pedidos contínuos de bispos, padres párocoas e prefeitos: abra uma escola na minha cidade, temos muitas crianças abandonadas. Numerosos eram os que se apresentavam para se tornarem Escolápios, senão padres ao menos irmãos mestres... O Santo, como todos os Fundadores, tinha toda liberdade de admitir, promover às ordens, fazer exceções, permitir derrogações, ...e, ele fez o que julgava melhor segundo os casos. Quantas vezes escrevia aos padres mestres: sejam cuidadosos e firmes na formação; a nossa deve ser uma vida consagrada verdadeira... E, quantas vezes, depois de ter respondido que não tinha elementos para uma nova fundação, acabava acolhendo o pedido, tirando os membros antes de completarem sua formação ou enfraquecendo as familias religiosas. Por isso foi criticado uma vez por alguns dos assistentes gerais; por isso houve entre os seus companheiros muitos santos, mas também pessoas indignas que aproveitando das circumstancias levaram a Ordem à ruina.

Diante desta história, qual a mensagem para nós? O nosso erro poderia consistir em não entender e/ou não viver a razão última de nosso ser CAVANIS. Qual é a razão última? O que nos faz
Cavanis? Seria a educação dos meninos e dos jovens, o serviço sócio-evangélico que prestamos à sociedade e à Igreja? A tentação é de responder que SIM: eu sou Cavanis porque me dedico à educação de juventude, por que Antonio e Marcos Cavanis sentiram o drama dos pobres, sobretudo dos meninos pobres de seu tempo, a situação dolorosa de quem se apresenta à vida, buscando um lugar que lhe é negado pela sociedade, ainda muito mais aristocrática que democrática ... Eles, os nossos Padres, dedicaram sua vida a “questa povera figliuolanza dispersa”e, fundaram uma Congregação para tornar estável esta dedicação, convidando outros que sentissem o chamado para este tipo de serviço. Seria o erro dos que acreditam que a base da vida religiosa está na funcionalidade que desenvolve. De Jesus que deveríamos testemunhar na nossa vida, colhemos só o aspecto dele “que passava fazendo o bem”, não daquilo que ele era, de seu SER. Hoje em dia, em um país como o Brasil, onde podemos experimentar em nosso coração aquilo mesmo que os Padres sentiam, onde tem tanto para fazer no meio dos pobres, em defesa dos direitos humanos para a formação da juventude, para uma educação sócio-politica que abra mesmo as portas à dignidade, ao trabalho, à igualdade para todos: neste Brasil, eu encontraria, m uito mais que na Itália de hoje, a minha razão última de SER CAVANIS no trabalho educativo, e nisso a motivação que sustenta a minha vocação.

Seria um erro: assim como o erro daqueles que dissessem que somos Cavanis para que busquemos a nossa santificação ... “A vida religiosa não se explica, finalmente, nem como pura funcionalidade e nem como salvação do homem, senão como seguimento de Jesus, embora a urgência do amor a Cristo lance esta pessoa a serviço dos demais”(M. A. Asiain). Nem a solução pragmática (estou aqui para me dedicar aos meninos pobres), nem a solução individualista e intimista (...para buscar a minha salvação), explicam o porquê da minha vida Cavanis. Se quero ser Cavanis, não devo fazer simplesmente o que os Cavanis fazem, não posso colocar outra base-alicerce na minha vida a não ser o encontro pessoal com a PESSOA DE JESUS, seguindo a Ele como Pedro e André e os demais o seguiram.

Os nossos Padres acertaram no alvo quando, falando em nosso “fazer”disseram claramente que é o Cristo Crucificado, com suas santas chagas, que dá valor e sentido a este nosso fazer em prol dos jovens; quando explicaram que nossa Congregação – mais que outras – deve ter o nome e a realidade da Caridade e que sem Caridade de nada adianta cumprir milagres e distribuir bens aos pobres. Neste sentido merece ser assinalado o que encontramos antes de tudo na Constituição 4.1: “Será portanto dever dos congregados BUSCAR APRÓPRIA SANTIFICAÇÃO (PERFEIÇÃO)) IMITANDO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO que primeiro deu o exemplo (coepit facere) e depois ensinou”. Este ‘coepit facere’tem um profundo sentido existencial = o que Jesus viveu em seu coração, seu modo de pensar, seu estilo, seu jeito de SER, para responder à consagração do Pai: é Jesus obediente antes de mais nada, Jesus buscando sempre a Vontade do Pai, Jesus orante (esta ligação tão intima e constante com o Pao através da oração, que o evangelista Lucas salienta muitas vezes), Jesus manso e humilde de coração, efeito de sua oração e fé em Deus Pai que é misericórdia e manda a chuva sobre bons e maus, Jesus aberto às necessidades do povo, grei sem pastor, etc.

ESTE É O SER DE JESUS: deste ser depende e toma valor e vigor seu fazer. Ensinou como quem tem autoridade, expulsou demônios, ficou andando rumo a Jerusalém sem medo da cruz, enfrentou desafios e perseguições, passou fazendo o bem, enfim venceu a morte. Por isso a Constituição numero 1 nos fala de consagração, caridade fraterna, uniforme vocação, seguimento de Cristo na prática (= coepit facere, existencialmente no coração, na mente, nas ações) dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. E o numero 2, citando uma frase dos Padres de quando começaram pensando em uma Congregação, diz: “... se dedicam a aperfeiçoar o exercício da caridade para com Deus e o próximo num estilo de vida particular”. Iremos ver isso mais adiante.

O que queríamos dizer, parafraseando um pouco o pe M. a, Asiain, é isto: ninguém se faz Cavanis para educar e sim quem se faz Cavanis, segundo o espirito dos nossos padres Fundadores, vai em busca da perfeição que se consegue dedicando-se a um trabalho (educar) que ganhou também o coração. O ato primário da vida religiosa não é um trabalho que se cumpre no meio dos homens; o serviço evagélico para com os jovens é de suma importancia, mas Jesus vai além (Aqui está quem é maior do que Salomão, do que Jonas, Lc 11,31). Poderíamos nos explicar também com a parábola do tesouro que um homem achou no campo: o tesouro é Jesus, o campo é a educação da juventude. Alegre o homem vende tudo para conquistar Jesus, comprar o campo e trabalhar nele. Mt 13, 44: “O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo; um homem o acha e o esconde novamente, depois vai cheio de alegria e vende todos os seus haveres e compra aquele campo”. Notemos a alegria ...: ele achou o seu querigma: é a riqueza inesperada e adequada para ele, que lhe convém, que o sacia. Porque o esconde? Para poder dar tudo (todos os seus haveres) para poder seguir uma PESSOA – Jesus é o tesouro! Qual é o nosso tesouro que nos permite agir com liberdade em condiçòes difíceis, com consciência em condições pesadas? Seria o sentido do dever: o fato que as coisas precisam ser feitas, que já estou num determinado caminho ou então a alegria do Reino, o tesouro Jesus. Todas as outras motivações tem seu sentido dentro do quadro do querigma: isolando-se dele podem virar hipocrisia, temor de desagradar, desejo de um certo estatus social, de não decepcionar a expectativa alheia, etc.

JESUS É O QUERIGMA: Quando alguém se enriqueceu com a plenitude de Cristo, quando compreendeu Cristo em sua plenitude, então o amor de Deus nele é perfeito e, pode doar-se liberalmente e esvaziar-se também no dom de si.



II PARTE:

“Quem pretendesse apoiar sua vida no serviço funcional, veria que não é suficientemente consistente para superar as investidas das crises e dos problemas que se apresentam na vida. Chegaria um momento em que compreenderia que não vale a pena viver unicamente pela educação; compreenderia, ao sentir certos impulsos de seu ser, que se pode educar dentro de outra forma de vida. Ninguém opta de maneira definitiva, arrancando-se dos valores mais importantes da existencia humana, por causa de um trabalho que quer realizar, por válido que seja. Queremos dizer portanto, que embora a história mostre que no nascimento das Escolas Pias, comO a Ordem Religiosa, exerceu importância decisiva a necessidade de buscar a estabilidade dos membros que se dedicassem ao ensino, temos de admitir uma intenção mais profunda no Fundador. O Espirito o foi amadurecendo pouco a pouco ...”(M. A. Asiain, A EXPERIENCIA RELIGIOSA DE CALASANZ).

“A vocação escolápia (e nós dizemos também Cavanis), tanto a nível pessoal, como a nível de Instituto, deve superar qualquer tentação pragmática e não pode reduzir-se a mero trabalho. Existe um “algo mais” que lhe outorga a razãode sua existência e, sem o qual, esses valores poderiam arruinar-se nos momentos críticos da existencia pessoal, quando parece que outros valores fascinam o coração humano” (Idem).

NOTAS HISTÓRICAS PRÉVIAS SOBRE OS PADRES FUNDADORES E A VIDA RELIGIOSA:

1- Com certeza o jovem Antonio Cavanis sentiu a vocação para o vida religiosa (talvez para uma forma franciscana de vida religiosa). Diante da oposição do pai e seguindo o conselho de seu diretor, antonio quis esperar e pensar entretanto na ordenação sacerdotal. Que brilhava diante de seu olhos de jovem? Ele entendia a razão profunda de ser religioso. Acho que sim; e como o Pe Casara resumiu toda a sua vida em “a vida de voces está escondida com Cristo em Deus”, penso que diante do jovem Antonio Angelo brilhasse uma escolha de caráter batismal no seu seguimento de Cristo: renúncia ao mundo no sentido que encontramos em uma de suas poesias, busca das coisas do alto, tendo-se revestido do homem novo em Cristo: “Mundo, eu não me ponho no número dos teus! Os afetos do meu coração um objeto muito mais digno todos atrai a si. Eu vivo escravo servindo a ti Senhor... livre vivo”. É um jovem de 22 anos que toma uma decisão: deixar seu cargo de secretário na República Veneta e se dedicar totalmente ao Senhor. Não se trata ainda de vida religiosa, mas os sentimentos e a vontade de seguir a Cristo são claras.

2- É bom lembrar que os dois irmãos Cavanis tinham frequentado aulas, em particular de filosofia e de teologia quando pediram as Ordens Sagradas, no convento dos Dominicanos de S. Maria do Rosário. Tinham então, um conhecimento da vida relogiosa e também amigos e diretores espirituais nos padres dominicanos. Mas os tempos eram contrários à VR, questionada e acusada: os ideais do Enciclopedismo e da Revolução Francesa batiam sobretudo na tecla da dignidade humana que a VR feria sobretudo por meio do voto de obediência. Alguns governos, mesmo católicos, chegaram ao ponto de proibir vestiçòes e profissões antes dos 25 anos de idade. Outros, acusando uma pobreza muito comoda (= a mão de obra morta das grandes propiedades das ordens eclesiásticas) chegaram a secularizar os bens tentando acabar com toda forma de vida consagrada. Não foi só a Companhia de Jesus que expulsa de alguns estados, Brasil em 1759, depois a Espanha e Portugal, ..., ficou até sendo abolida pela Santa Sé; aos poucos toda a VR foi declara anti-moderna, coisa de outros tempos, inútil à sociedade , etc. por último, Napoleão em 25/04/1810 decretou a supressão de conventos e mosteiros, a dispersão dos religiosos e a confiscação de seus bens.

3- Eis porque os fundadores não retomaramo discurso sobre a VR quando, falecido o pai e alcançada a maior liberdade de decisão pessoal, poderiam ter entrado numa ou em outra casa religiosa que conheciam muito bem e onde tinham grandes amigos. É portanto, o sacerdócio que brilha agora diante dos olhos de seu coração; mas também no sacerdócio que eles vêem, antes de mais nada, o aspecto da consagração: vocacionado para ser de Deus, totalmente de Deus, para sempre de Deus(Pe Antonio no dia de sua ordenação 21/03/1795). Mas claro que um presbítero tem sua identidade que se expressa no serviço ministerial, na “Caritas pastoralis”. O Pe antonio, zeloso sacerdote, encontra-se sem querer no problema das crianças pobres que não podem ter escola regular ou que não conseguem superar as dificuldades de ordem intelectual. Todos sabemos a gênese do apostolado para com a juventude, a fundação da congregação Mariana, da primeira escola popular gratuita na história de Venezaem 1804, com o Pe Marcos que entra de cheio, ainda leigo, neste compromisso e que enfim torna-se sacerdote em 20/12/1806.

Porém a VR sempre está presente na vida dos Padres, bem antes de eles pensarem na fundação de uma Congregação: a- por quanto dissemos a respeito de seus estudos; b- pela devoção para com São José de Calaszns que fundou a uma Ordem para nela buscar a perfeição e se dedicar, até com voto, à educação da juventude na escola; c- pelo estilo de sua pastoral juvenil, seja na congregação Mariana, seja na Escola de Caridade. Pois os Padres Fundadores formavamos jovens à piedade e, dentro desta visão de fé na vida, à escolha do estado de vida. Para elesera uma coisa necessária colocar o probl;ema muito cedo: como e onde irei responder minha vocação? No matrimonio, no clero diocesano, na vida consagrada? Daí o numeroso desabrochar de vocações entre os alunos da CM e do Oratório (Escola). Vocações das quais os nossos Padres cuidaram, sobretudo o Pe Antonio, tão atencioso e respeitoso do gênio e do caráter dos jovens e bom conhecedor das diversas espiritualidades existentes na Igreja Católica: portanto, antes da supressão napoleônica e depois da queda de Napoleão, ele acompanhava o amadurecimento vocacional dos jovens e endereçava-os para uma ou outra ordem religiosa ou para o seminário diocesano.

4- No começo de seu apostolado os Padres estavam bem longe da idéia de se tornar fundadores de uma Congregação Religiosa. Aliás isto é tipico de vida de todos os santos Fundadores. Consideremos um pouco São José de Calasanz: antes sua união com a congregação luquesa, depois, a fundação de uma congregação de votos simples, enfim, a Ordem das Escolas Pias em 1621/22. Mas quando repararam que o Oratório se desenvolvia e se afirmava além de suas previsões – “... pensaram no modo de assegurar sua existencia: e não se pode achar meio melhor do que fundar uma congregação para este fim de ter uma sucessão perene de zelosos padres que com o espirito de vocação para o caridoso ministério se dedicassem a exerer o amoroso ofício de pais para com a juventude precisando de educação, sem querer retribuição nenhuma nem pública, nem particular”(cf NOTIZIE, pág. 15ss).

PLANO OU MELHOR RELATÓRIO DE 1812 a mons. Stefano Bonsignori, sobre a finalidade e os meios educativos do Instituto Cavanis, como também RECURSOS para obter como colaboradores dois clérigos do Seminário patriarcal que tivessem vocação para este ministério e ficassem livres de toda outra obrigação com as paróquias, vivessem no Instituto com os Padre, para se preparar a serem um dia mestres e diretores e dessem continuação àInstituição. O Relatório e o Recurso são ricos de observações muito importantes, porque já dizem qual o espirito, a visão, a prática que os animava, dez (10) anos apenas após o histórico ano de 1802. Alguma citações: 1- OS CLÉRIGOS que trabalham na educação dos jovens na escola dos Cavanis não ficam longe ou alienados do trabalho pastoral paroquial; antes “sendo que (a educação dos jovens0 se torna um benifício para toda a paróquia, ela deveria considerá-los como seus coadjutores úteis e operosos”; 2- A OBRA (Instituto masc. e fem.) é laboriosa: mas os pedintes não tem medo de fadigas e cansaço ou despesas: antes querem promover sua pujença e sua estável subsistencia. 3- FINALIDADE; promover gratuitamente a educação dos jovens abandonados e também os que tem pais, mas pais que não podem cuidar deles ou oferecer os recursos necessários. 4- A OBRA É VASTA: seja pelo número de jovens assistidos, seja pela multiplicidade dos meios com que se procura prover à sua educação. 5- BASTA QUE UM JOVEM precise e falte de educação, ele tem titulo para entrar na Obra, ...

Neste plano de 1812 , então, ainda não se fela de VR, nem de comunidade de pessoas consagradas, etc ..., e sim, de homens que tenham o dom de se dedicar à educação de juventude, que aceitam ser desligados do apostolado normal do clero para viver com os Padres Cavanis e aprender a se tornarem pais dos jovens...

5- Está tramontando o astro de Napoleão, o Papa Pio VII após 5 anos de cadeia é liberado e volta para Roma, fala-se novamente de VR na Igreja, ... Os Nossos Padres preparam e enviam ao Santo Padre diretamente um PLANO: “BREVE E SIMPLES IDÉIA DO PLANO DE UMA CONGREGAÇÃO DE SACERDOTES SECULARES DA MÃE DE DEUS DEDICADOS ÀS ESCOLAS PIAS”. É O PLANO DE 1814! Tem 4 parágrafos: a- Motivo da Instituição; b- Espirito e finalidade do Instituto; c- Regulamento Interno da Congregação; d- Meios de subsistencia.

Sobre o parágrafo a- notamos: depois de uma leitura dos tempos, da situação da juventude e falta das familias eles escrevem: “... Requerem-se operários bem treinados para este difícil apostolado e livres também para se dedicar totalmente a ele ... Não tem ninguém em Veneza que, por Instituto e com todos os meios adequados, se dediquem a cultivar, defender, e ajudar os jovens. Mesmo antes da geral e fatal dispersão das comunidades religiosas, não existiam nesta cidade os clérigos regulares das Escolas Pias, nem outro Instituto totalmente dedicado por “vocação à juventude. Sobre o parágrafo b-: Os Padres tem receio de falar em novacongregação – “...seria só uma ramificaão da Ordem dos Clérigos regulares pobres da Mãe de Deus das Escolas Pias, que a autoridade apostólica iria aprovar como Congregação de Sacerdotes seculares da Mãe de Deus dedicados às Escolas Pias, vivendo nas pegadas de São José de Calasanz, que foi escolhido como exemplar e padroeiro no exercício das Escolas de Caridade. Notar aqui: 1- A HUMILDADE: não pretendem ser fundadores; 2- A DISCRIÇÃO: será só uma união de secerdotes seculares; 3- O ESPIRITO CALASÂNCIO: são José de Calasanz será exemplar; 4- ENFIM, NÃO HAVERÁ VOTOS: “unidos pelo vinculo da Caridade e da paz e da comum vocação”(oração comunitária, refeição comum, morada na mesma casa, também à noite).

Já temos aqui algumas notas características da espiritualidade dos Veneráveis Fundadores: humildade, espirito salasâncio, uniforme vocação e união de caridade entre os membros desta familia de sacerdotes diocesanos; estas notas constituem uma riqueza do Carisma deles e se tornaram também virtudes-metas do nosso próprio Carisma (fundacional). Mas poderíamos dizer que, também neste plano, o que parece discriminante para a fundação desta associação religiosa é o serviço de Caridade, ficando em primeiro lugar a caridade para com o próximo e a funcionalidade do serviço das escolas prestado à juventude, e quase subentendido o projeto de busca da perfeição na imitação de Jesus Cristo.

Seríamos tentados a dizer, em base do relatório/recurso de 1812 e do plano de 1814, que ser membro das Escolas de Caridade, ser Cavanis seria realizar este trabalho de sermos pais da juventude pobre para o Reino. Este serviço funcional (isto é, adequado às necessidades e programado com estabilidade), explicaria a origem do próprio Instituto e a justificação da vocação – segundo os nossos Padres, e talvez da nossa própria vocação. Mas seria uma conclusão precipitada ... Como ainda fala o Pe Asiain “É certo que muitas pessoas sentiram em seu interior a inqueitude das situações dolorosas dos homens e quiseram suavizá-las com a caridade cristã e remi-las com a justiça; é certo também que alguns acreditam que o motivo da vida religiosa se encontra em uma busca pessoal e intransferível da própria santificação”. Diante desta diversidade de motivações os nossos Padres nos enviam ao PRINCÍPIO UNIFICADOR DE TODA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA E DE TODA ATIVIDADE PASTORAL, que é o próprio Deus buscado na sua amabilíssima vontae e Jesus seguido e imitado naquilo que fez antes (oração, trabalho, busca da vontade de Deus, misericórdia para os pecadores e pobres, etc...) e, depois ensinou.

Então, a VR não se explica nem como puro serviço bem feito e funcional, nem como salvação do homem, senão como seguimento de CRISTO, embora a urgência do amor a Jesus lance os religiosos ao serviço dos demais. Sem dúvida nenhuma houve muita preocupação para a estabilidade do serviço evangélico em nossos Padres, sempre pedindo a Deus muitos e valiosos operários para a messe da juventude; mas quando atualizaram uma nova forma de VR na Igreja, antes na diocese de Veneza e depois, reconhecida válida na Igreja universal, quiseram transfundir em seus filhos, antes de mais nada, o amor entusiástico para Deus, feito de oração, confiança filial, busca da vontade divina, decisão em cumpri-la, custe o que custar: e Cristo é o caminho que nos leva a este amor, ...

6- Chegamos assim ao PLANO 1818, enviado ao patriarca dom Francisco Milesi em 14/09/1818. Neste plano se fala claramente: “O espirito interno da Obra é precisamente dirigido a aperfeiçoar o exercício da caridade para com Deus e com o próximo e promover juntamente as vantagens da sociedade civil”. Esta sentença dos Padres Fundadores se tornou clássica na história de nossas escolas e Congregação, como também de nossa espiritualidade pessoal e comunitária. Foi retomada como base da auto-compreensão da nossa Congregação, quando nos reunimos em Capitulo Geral Extraordinário Especial em 1969/70, para um trabalho de revisão e de volta às fontes que a Igreja pediu de todas as Congregações, na indicação de PC do Conc. Vat. II. Ganhamos, então, aquele maravilhoso pequeno documento “FISIONOMIA E FUNÇÃO DA CONGREGAÇÃO DAS ESCOLAs de caridade”, que a meu ver, diz muitíssimo a respeito da TEOLOGIA PRÁTICA de Antonio e Marcos Cavanis, e que deve constituir o poço no qual bebemos (beber no próprio poço) e, com regularidade porque sempre estamos com sede.

Mas antes de passar a definir a “teologia prática” (o que é, por que é importante na história da espiritualidade cristã e católica), paremos um pouco no exame do conteúdo deste plano que será aceito pela autoridade politica (o Imperador da Austria Francisco I) e, eclesiástica (o Patriarca de Veneza Francisco Maria Milesi), respectivamente em 19/06/1819 e 16/09/1819.

7- NO PLANO DE 1818 se fala explicitamente da Congregação das Escolas de Caridade “formada de sacerdotes seculares, unidos entre si pelo vinculo da caridade e da uniforme disciplica”, Escolas de Caridade para os jovens pobres.

- Haverá um diretor em cada casa do Instituto, sem nenhuma forma de governo centralizado quando se multiplicassem as casas/escolas da obra; pois todas as Casas ficariam subordinadas aos respectivos Bispos;

- Não há votos religiosos para os membros desta Congregação; porém a disponibilidade deve ser completa no que diz respeito ao exercício gratuito das Escolas e a respeito da pobreza: renda do patrimônio eclesiástico, espórtula de Missas, outras entradas derivando do trabalho pessoal, tudo vai para a caixa comum da Congregação;

- Não aceitam-se os que quisessem entrar só buscando a quiete na VR “devendo manter-se na comunidade um só espirito e uma disciplina uniforme”(para nós: o verdadeiro seguimento de Cristo leva aos meninos pobres e ao exercício das Escolas).

Temos que lembrar que neste Plano de 1818 tem outros pedidos para a aprovação, também do ramo feminino da Obra, isto é, “As Ecolas de Caridade para as pobres filhas”. Eis algumas notícias históricas que achamos no mesmo Plano:

1- Há naquela altura já 16 Mestras (o titulo seria então “Congregação das Mestras das Escolas de Caridade”), 50 meninas e jovens internas e mais de cem meninas que frequentam a escola como externas. Tudo é gratuito.

2- Aceitam-se somente as virgem e viúvas ...

3- As Mestras irão fazer, emforma simples, os votos, válidos porém enquanto elas permanecerem no Instituto; ficariam automaticamente desligadas quando saissem da Congregação.

4- Sujeitas à autoridade do Bispo, terão também uma superiora responsável pela direção interna e a administração. O Superior dos Sacerdotes das Escolas de Caridade terá também responsabilidade de colaboração e vigilância; por e.: a- irá apresentar ao Bispo – para aprovação – um padre que seja diretor espiritual das Mestras e da Obra; b- prestará ajuda nas necessidades, seja a respeito da disciplina, seja respeito a subsistência.

5- Interessante notar as outras tarefas indicadas para as mestras das Escolas de Caridade: 1- ajudar a própria paróquia na catequese, em qualquer serviço pedido delas; 2- ficar disponíveis e aceitar por sete meses moças do interior (que os párocos enviam) para prepará-las e treiná-las a se tornar Mestras em suas aldeias, segundo o espirito de Madalena de Canossa, que intituiu em Veneza as primeiras mestras que – sob a direção dos Fundadores – tinham-se dedicado às Escolas de Caridade.

6- Fiquem disponíveis para abrir a sua casa para receber por 10 dias de retiro aquelas senhoras que o desejassem, ...

7- Fala-se enfim, da administração e subsistência.

Como dissemos, o Imperador deu seu consenso para instituir as 2 Congregações em 19/06/1819, mas com algumas reservas típicas da mentalidade absolutista “josefina”; eis algumas para a Congregação masculina: a- Não cede a Igreja de Santa Inês à Congregação; b- Não haja estudo de filosofia nas Escolas de Caridade (os meninos soa pobres e precisam ir trabalhar); c- Nada se exija do Estado para as Obras; d- Todos os padres tenham seus meios de sustentamento; e- Que todos possam deixar o Instituto quando sua tranquilidade e vocação o exigissem!

8- O Decreto “DIES TANDEM” do Patriarca Milesi foi assinado em 16/09/1819, dois dias antes da morte do mesmo Patriarca. Pe Marcos anota no Diário “foi o último penhor de ternura que nos deixou o falecido Pastor”. É bom lembrar que – a nivel de Igreja local – os patriarcas Milesi e card. Mônico foram os dois que mais apreciaram, ajudaram, sustentaram os nossos Padres e a Obra de educação para os meninos e meninas pobres da cidade de Veneza nos primeiros 50 anso do século XIX. No mesmo Decreto se notifica que o padroeiro da Congregação dos Sacerdotes será São José de Calasanz, e o da Copngregação das Mestras será São vicente de Paulo.



Por mais de 15 anos a nossa Congregação ficou de direito diocesano, com base juridica reconhecida pelo Estado e pela Igreja local de Veneza (e também de Àdria pela casa de Lendinara). A aprovação pontificia, válida para o mundo inteiro, veio no dia 21/06/1836 com o Breve “CUM CHRISTIANAE” do Papa Gregório XVI (que é o primeiro documento público da Igreja sobre educação da juventude)

O primeiro ano de Noviciado da nossa Congregação começou no dia 27/08/1820 – festa de São José de Calasanz: o Superior da Obra, o Pe Antonio A. Cavanis, se tornou também o primeiro Mestre dos Noviços e ele começou a vida comum com eles na famosa “CASETTA”, berço pobre e humilde da nossa Congregação. Os primeiros noviços foram: Pietro spernich, Matteo Voltolini, Angelo Cerchieri e, como irmão Pietro Zalivani.


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