São Tomás e Santo Agostinho



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São Tomás e Santo Agostinho


Filósofos da Idade Média

Pertencentes a congregações religiosas

Defendiam dogmas da Igreja Católica

Foram seguidores dos pensamentos de grandes filósofos como Platão e Aristóteles, respectivamente.



SANTO AGOSTINHO

Nasceu em Tagasta- Argélia ( 354/430) e foi o mais importante dos pais da igreja e o primeiro grande pensador cristão. Conciliou a religião com a filosofia apelando para dados da Teologia na medida em que a autonomia da razão – separada da fé – é considerada estéril. Inspira-se na teoria neoplatônica da hierarquia dos seres, coloca Deus, ser perfeito criador do mundo imperfeito, no topo, A ordem cósmica estende-se a toda criatura e distribui-se de acordo com o ritmo ternário: o ser, a vida, a inteligência – os animais e o homem as possuem - mas somente aquele que tem a inteligência tem espírito, alma e corpo, portanto é miniatura do universo.


Embora viciada pelo pecado original alma humana tem por missão “ compreender e ver a Deus e contemplar as verdades eternas graças à luz interior com a qual Deus nos proporciona - Teoria da iluminação.

Obras : As Confissões

Da Trindade

A cidade de Deus


Biografia

  • Padre que Inspirou-se na Filosofia de Platão ou melhor neo-plantonismo.

  • Sistematizador da experiência cristã até o séc. V.

  • É considerado o construtor da grande síntese filosófica – teológica da Igreja Católica Antiga.

  • Nasceu em Tagaste, Numídia no dia 13 de novembro de 354.

  • Pai, Patrício, um pagão

Mãe, Mônica, uma cristã.

  • Mestre na arte da oratória.

  • Professou as doutrinas maniqueístas (doutrinas que separam o espírito do corpo e consideram mal tudo o que está ligado ao corpo).

  • Converteu-se ao cristianismo, foi batizado em 387 por Ambrósio

  • Ordenou-se sacerdote da Igreja Católica e tornou-se bispo de Hipona em 395

  • Faleceu em 430

Obras

Da vida beata

Contra os acadêmicos

Os solilóquios

Sobre a imortalidade das almas

Sobre a quantidade da alma

Sobre o mestre
Contexto Histórico

  • Época.

  • Conturbação

  • Lição

  • Conversão

  • Base doutrinária



SÃO TOMÁS DE AQUINO

Nasceu na Itália ( 1225/1274) e foi chamado de Doutor angélico por conciliar a fé e a razão. Procura explicar os dogmas da igreja católica sob a visão aristotélica, a exemplo das cinco provas da existência de Deus: a) Deus, motor do universo, b) Deus, movimento e causa deste universo, c) Deus, ser necessário, d) Ser absoluto em relação as coisas do universo e d) Deus, o maior grau da perfeição.

Com sua inteligência o homem pode chegar a um conhecimento explícito do Bem, estabelecendo uma escala hierárquica autêntica dos valores, que nem sempre é fácil em virtudes das várias solicitações que , induzindo- os ao erros e fazem-no escolher um bem medíocre ou ilusório e cair na falta moral.
Obras: Suma Teológica

O Comentário sobre Aristóteles

Suma contra os gentios


  • Nasceu em 1225

  • Recebeu sua primeira educação no grande mosteiro de montecassino

  • Depois de estudar as artes liberais, com 18 anos ingressou na ordem dominicana

  • Em colônia em Paris, foi aluno do e discípulos do grande santo e doutor da igreja Sr. Alberto Magno

  • Seus escritos são uns dos maiores monumentos de filosofia e teologia Católica

  • Faleceu no dia 07 de março no mosteiro de Fossanova, entre Nápoles e Roma, tinha 49 anos de idade

  • Foi canonizado em 1323, Sr. Pio V deu-lhe o título de “O Doutor Angélico”

As Obras de Tomás de Aquino podem-se dividir em quatro grupos:

1- Comentários: A lógica, a física, a metafísica, a ética de Aristóteles

2- Sumas: Suma contra Gentiles (Suma contra os gentius) elaborada entre 1258-60, De ente et essentia (Sobre o ente e a essência), Suma teológica, começando em 1265, no entanto a mais importante de todas as suas obras

3- Questão: Questão disputadas, Da verdade, da alma do mal

4- Opúsculos: Da verdade do intelecto contra os averrostas; da eternidade do mundo

Contexto Histórico

  • Rompimento da ordem econômica e política feudal

  • Fatores fundamentais para o desenvolvimento do pensamento escolástico

  • A importância do surgimento das universidades

  • O interesse pelas obras de Aristóteles

  • A importância do surgimento daas ordens religiosas

Corrente de Pensamento

  • Estabelecer o equilíbrio entre a razão e fé, entre a teologia e a filosofia

  • explicar alguns princípios da fé, a existência de Deus, sob a filosofia de Aristóteles

  • Foi a maior referencia da ESCOLÁSTICA

  • Suas obras influenciaram o Tomismo

  • buscou reformular a relação do homem com Deus

As cinco provas da existência de Deus

1º Argumento:

Movimento – Deus é entendido então como o primeiro motor



2º Argumento:

Causa eficiente – Deus é a primeira causa eficiente



3º Argumento:

Necessidade e Contingência – Deus é o primeiro ser existente e necessário



4º Argumento:

Os graus de perfeição – Deus é o ser perfeito



5º Argumento:

Finalidade ou causa final – Deus é finalidade e causa inteligente da natureza

A filosofia cristã de São Tomás de Aquino teve sua contribuição do pensamento político no momento histórico de sua época que viviam transformações políticas sócias e econômicas no período de transição da Idade Média para moderna cuminando com o período do surgimento do Estado Novo.

Conclusão

A filosofia cristã fundamentou doutrinas sagradas no intuito de transformar o Direito Natural, vinculada a existência de um Deus capaz de suprir a necessidade humana na busca da felicidade.

Os preceitos religiosos instituído neste período contribuíram para estruturar valores que regulem a relação entre Igreja e Estado, estabelecendo parâmetros com características morais e éticos que justifiquem a “positivação” dos direito e deveres entre as várias instâncias que norteiam a vida em sociedade

Marco Túlio Cícero (106-43 AC) foi um importante orador e estadista romano influenciado pelos ensinamentos de Platão e dos estóicos.

Recupera o conceito platônico de alma imortal e incorpórea.

Poderes da alma: memória, criatividade, atenção e sabedoria

Sua vida voltada a Política.

Sendo um dos maiores representantes do Direito Natural.

O povo designou com o título de “Pai da Pátria”.
O ESTADO

Para Cícero o Estado se encontra definido como uma união natural. É uma associação resultante de um acordo mútuo. Acreditava que se não houvesse virtude no homem, também a não existiria no Estado.

Estado - No livro De Officiis (“Dos deveres”, 44 a.C.), Cícero escreveu: “a principal razão para o estabelecimento de Estados e ordens constitucionais é a proteção dos direitos de propriedade individual... é função peculiar do Estado ou da cidade a garantia a cada homem do controle livre e despreocupado sobre sua propriedade. Mais uma vez: os homens que administram as questões públicas devem primeiro se certificar de que cada pessoa tem sob sua posse o que é seu e que os indivíduos nunca sejam privados de seus bens pelos homens públicos.”
PODER - POLÍTICA

As principais características ou fatores que distinguem as formas de organização do poder no período moderno são de ordem qualitativa. Com relação às leis: numa república as leis são expressões da vontade popular, enquanto na monarquia expressam a vontade do rei (muitas vezes em conformidade com a tradição e o costume vigente). No despotismo, o governante exerce o poder por meio de leis e decretos ocasionais e improvisados em cada ocasião.


Em relação à integração social, numa república é a "virtude" que leva os cidadãos a privilegiarem o bem do Estado em detrimento do interesse particular. Na monarquia, é o senso de honra da nobreza hereditária e, no despotismo, é o medo diante da ameaça da violência repressiva que paralisa os súditos. Em relação ao surgimento da ordem política, na república ela nasce de baixo (da vontade do povo); na monarquia ela surge do alto por iniciativa do rei, mas em consonância com a tradição e o costume vigente; no despotismo, a ordem política é imposta pela força do tirano.

Política

Enquanto Cícero derivava várias idéias dos gregos, também contribuiu com algumas idéias próprias importantes. Os filósofos gregos concebiam que a sociedade e o governo eram praticamente a mesma coisa, reunindo-se na pólis (cidade-estado). Cícero declarou que o governo é como um gestor, obrigado moralmente a servir à sociedade – o que significa que a sociedade é algo maior e independente. O apreço pelo grande número de maravilhas que a sociedade civil, em que indivíduos desenvolvem linguagens, mercados, hábitos legais e Joutras instituições não apareceram até o século XVIII, mas foi Cícero que viu o primeiro raio de luz.
Cícero foi o primeiro a dizer que o governo se justificava, primeiramente, como um meio de se proteger a propriedade privada. Tanto Platão quanto Aristóteles imaginavam que o governo poderia fornecer algum aprimoramento moral. Nenhum deles tinha compreendido a propriedade privada – uma reivindicação absoluta de algo sobre todas as outras pessoas.
Regime político ideal - Para Cícero, o governo ideal ou justo é aquele que respeita a lei (ou um conjunto de leis) em conformidade com o interesse e bem comum. Ele contrapunha a república não à monarquia, à aristocracia ou à democracia, mas aos governos considerados injustos, ou seja, aqueles que não se guiavam pelo bem comum. Assimilando o conceito de res publica ciceroniano, Santo Agostinho (354-430 d.C.) denominará os governos injustos de magna latrocinia.
Sobre as formas de Governo, Cícero não se afasta muito da noção aristotélica. Reconhecendo a existência de três modalidades legítimas de Governo, a monarquia, a aristocracia e a democracia, Cícero opta por uma modalidade Mista, uma vez que nenhuma destas três formas de Governo é suficientemente boa.
A monarquia é inconveniente porque se presta a abusos sempre que se tem a pouca sorte de ser governado por um mau rei. A aristocracia tende a ser o governo dos ricos, esquecendo os direitos do povo. A democracia tende a ser o governo das multidões que, entregues às paixões, aos apetites e ao poder da inveja, pode gerar a tirania.
Cícero conclui que a melhor constituição é a que reúne em justas proporções os três modos de governo. No fundo, Cícero defende que é necessário que o Governo tenha suficiente poder para governar, que o Parlamento tenha suficiente autoridade para fazer leis e que o Povo tenha suficiente liberdade para exercer algum controlo sobre o Governo e sobre o Parlamento.
Em uma de suas Obras: “Da República” Defende, como sistema ideal, um modelo misto de aristocracia e de governo popular, ao tratar da questão "qual a melhor forma de governo?".

Para Cícero, o GOVERNO IDEAL ou justo é aquele que respeita a lei (ou um conjunto de leis) em conformidade com o interesse e bem comum. Ele contrapunha a república não à monarquia, à aristocracia ou à democracia, mas aos governos considerados injustos, ou seja, aqueles que não se guiavam pelo bem comum

Dizia:

Todo governo é inimigo de seu povo.”



Sua inteligência era excepcional, criou o conceito de povo, deixando-nos grandes contribuições, tanto para a Filosofia, Direito como para a Política.

A aristocracia representava, para Cícero e para outros pensadores igualmente ilustres, o melhor regime político.

Para Cícero o PODER estaria na liberdade de participação direta do povo em decisões políticas.

A autoridade estaria no órgão que conserva a memória da fundação da cidade e detém o poder legislativo, o senado, e poder executivo dos magistrados.
DIREITO

Em De Legibus (52 a.C.), uma de suas obras, Cícero discute os princípios gerais do direito e da justiça. É considerado como a seqüência natural de sua outra obra

Os principais temas abordados nas obras de Cícero:

- Lei

- Justiça

- Leis religiosas

- Papel do estadista

- Os poderes
Cícero deve à ética estóica o conceito de direito natural. A idéia de que há um direito natural, superior e anterior ao direito positivo, é profundamente grega. Essa idéia surge, com toda a força, na Antígona de Sófocles e Aristóteles faz-lhe justiça ao distinguir entre a lei positiva e a lei natural
É, no tratado De Republica, que Cícero explicita a sua idéia de direito natural: "existe, pois uma lei verdadeira, que é a reta razão, conforme a natureza, presente em todos os homens, constante e sempre eterna. Esta lei conduz-nos imperiosamente a fazer o que devemos, e proíbe-nos o mal desviando-nos dele. O homem honesto não é nunca surdo aos seus comandos e proibições: mas estes não têm efeito sobre o perverso. A essa lei nenhuma alteração é permitida, e não é lícito revogá-la no todo ou em parte".
Para Cícero, existe uma lei natural, enraizada na ordem natural, que foi criada por Deus e essa lei natural é descoberta pela razão humana. Repare-se: a lei natural, para os estóicos, não é construída, nem inventada pela razão humana; é apenas descoberta. Há aqui evidentes semelhanças com o cristianismo e, em particular, com a ética de Paulo de Tarsus, tal como surge expressa nas Cartas de São Paulo.

Podemos encontrar na defesa do direito natural, considerado por Cícero imutável e superior às leis positivas, a primeira origem da teoria dos direitos humanos.
O direito para Cícero tem a ver com universo, entendido como uma sociedade comum aos deuses e aos homens. Porque o homem é afim de Deus, porque nascemos para a justiça, e a lei não se funda na opinião, mas na própria natureza do homem.

Nestes termos, considera que a lei não é imaginada pelo gênio de um homem nem estabelecida por qualquer decreto popular, mas um determinado princípio eterno que governa todo o universo, dirigindo sabiamente o que está certo e proibindo o que está errado. Porque a justiça é absolutamente nula se não se encontra na natureza: assentando num interesse, outro interesse a destrói; se a virtude em geral se apoiasse na opinião, o mesmo aconteceria com as virtudes particulares.
Aliás, é comum sentença dos mais sábios que a lei não é invenção do engenho humano nem vontade dos povos, mas algo de eterno que deve reger o mundo inteiro pela sabedoria dos seus mandatos e proibições.

Se conformando com os juízos da natureza, pensassem os homens, como disse o poeta que nada de humano lhe é alheio, todos respeitariam de igual maneira o direito: porque a quantos deu razão à natureza, concedeu-lhes recta razão, e, por conseguinte a lei, que não é outra coisa senão a recta razão enquanto manda ou proíbe.
Ele insistiu na primazia dos padrões morais sobre as leis governamentais. Esses padrões passaram a ser conhecidos como Direito Natural. Acima de tudo, disse Cícero, o governo está moralmente obrigado a proteger a vida humana e a propriedade privada. Quando o governo perde o rumo, as pessoas têm o direito a se rebelar – Cícero homenageou cidadãos corajosos que ajudaram a derrubar tiranos.
Cícero transmitiu a idéia dos gregos estóicos, de lei moral elevada, para o mundo moderno. Em seu diálogo, De Legibus (52 a.C.), falou sobre a lei suprema que existiu através dos tempos, anterior à existência de qualquer lei escrita ou ao estabelecimento de qualquer Estado. Também se referia a ela como a lei da natureza para a origem dos direitos. Em De Republica (Da República, 51 a.C.) diz que “a verdadeira lei é a razão correta em concordância com a natureza; é de aplicação universal, imutável e eterna... não haverá leis diferentes em Roma e em Atenas, ou leis diferentes agora e no futuro, mas haverá apenas uma lei, eterna e imutável, que será válida para todas as nações, em todos os tempos, e haverá apenas um mestre ou governante, Deus, acima de nós todos, já que ele é o autor da lei, seu promulgador e seu juiz. Quem quer que a desobedeça está fugindo de si mesmo e negando sua natureza humana, e por essa razão sofrerá as piores punições...”
Mais tarde, Cícero estabeleceu uma distinção entre as leis superiores e as leis dos governos. Declarou ser absurdo chamarmos de justos todo artigo, decreto e lei das nações. “Mas e se essas leis forem praticadas por tiranos?... a justiça essencial que mantém a sociedade humana unida, e é mantida por uma lei, é a razão justa, expressa em comandos e proibições. Quem quer que desobedeça a essa lei, seja ela escrita ou não, é injusto.”
HOMEM

Está na alma , e não naquela figura que com o dedo se pode mostrar”



Para Cícero, o homem tinha na sua característica ser leal.

Os homens são partes da natureza (o lógos divino), portanto, predispostos à virtude, motivo pelo qual é improvável que possam preferir os males em detrimento dos bens. Todo homem deseja ser sábio, justo, prudente e corajoso. Ninguém deseja ser ignorante, injusto, imprudente e covarde.

Homem - O homem supersticioso, diz Cícero, é miserável em qualquer situação e em qualquer circunstância da vida; até o próprio sono, que bane todas as demais preocupações dos infelizes mortais, proporciona-lhe matéria para novos terrores; quando reflete sobre seus sonhos, descobre nessas visões noturnas presságios de novas calamidades.
Cícero coloca em primeiro plano as obrigações dos homens para com a humanidade em geral e, depois, para com aqueles a quem deve amparo material: primeiro, a comunidade (o bem comum, o interesse coletivo), em seguida, os pais (idosos), depois os parentes e os cônjuges.
Contribuições de Cícero
Cícero foi o grande transmissor das idéias estóicas da Grécia para Roma. As doutrinas estóicas do direito natural influenciaram decisivamente os juristas romanos do segundo e do terceiro séculos d.C., e assim ajudaram a dar forma às grandes estruturas do direito romano que impregnaram a civilização ocidental.

Importante momento da história romana, a transição da República para o Império



É considerado o primeiro romano que chegou aos principais postos do governo com base na sua eloquência, e ao mérito com exerceu as suas funções de magistrado civil.
Principais Obras
As obras de Cícero reforçam a idéia da supremacia de um grupo que, ajustando-se à ordem da Natureza, exerce o controle político e o monopólio para a determinação da legitimidade (ou ilegitimidade) das leis.

- De Legibus

- República

- Dos Deveres
Dessa forma pode-se avaliar a grande importância de Cícero para a filosofia latina, sua ética não só permite uma moral universal, sem empregar os métodos coercivos platônicos nos quais cada um nasce predestinado, segundo seu tipo de alma e sua posição social, como também uma maneira original de trazer para o contato dos homens o reino dos deuses. Pois ele afirma que os homens e os deuses possuem as mesmas características.
Corrente do pensamento político

Cícero é um homem de seu tempo, unia em sua pessoa o ideal romano de homem virtuoso, perfeito e excelente.. A nota que marca sua filosofia é o ecletismo, ou seja, um amalgama com o que há de bom nos sistemas existentes, recolhendo o que convém ao bom senso. Cícero compilou suas doutrinas de fontes gregas, principalmente dos epicuristas (Epicuro e Lucrécio), estóicos (Zenão, Panécio e Possidônio), peripatéticos (Aristóteles e Canéades) e principalmente os acadêmicos (Platão), aliás, Cícero faz uma homenagem a Aristóteles na ambientação do De Legibus, no qual ele dialoga com seu irmão Quinto e seu amigo Atico, passeando por um parque. Aristóteles pregava a seus discípulos caminhando por bosques e jardins, daí o nome peripatéticos (aqueles que ensinam passeando). A obra de Cícero também deixa evidente a sua admiração por Platão em vários trechos o vemos elogiar e afirmar a grande influência da doutrina platônica em sua formação.
A maior parte de seus trabalhos filosóficos foi escrita entre 45 e 44 a.C.. Anteriores a essa data são: "Sobre a república" e "Sobre as leis", em que tenta interpretar a história romana em termos da teoria política grega. Outras obras são: "Sobre a consolação" e "Sobre os objetivos da ética", exposição e refutação do epicurismo e do estoicismo; "Discussões em Túsculo", diálogos sobre a dor, a morte e a virtude; "Sobre a natureza dos deuses", "Catão o velho ou sobre a velhice", "Sobre a adivinhação" e "Sobre a amizade".
Importante lembrar que Cícero é um homem romano, portanto um homem de ação e como tal mais orientado para as regras práticas que auxiliam na vida cotidiana, pouco inclinado às especulações metafísicas. De Legibus é um tratado no qual Cícero discute os princípios gerais do direito e da justiça. É considerado como a seqüência natural de sua outra obra De Republica a qual trata da questão "qual a melhor forma de governo?". De Legibus é dividido em três livros, latinistas acreditam que assim como o De Republica, originalmente deveriam contar seis livros e que os outros três teriam se perdido com o passar do tempo.
Cícero nos afirma que para ser um bom jurista, um bom político, ou melhor, para ser um homem completo é necessário ser virtuoso. Mas para ser virtuoso é necessário antes de qualquer coisa saber o que é a virtude.

A virtude é na realidade um conjunto de características que formam o caráter do homem de bem. Maria Helena da Rocha Pereira, nos apresenta o conceito de virtus como sendo uma característica que não se refere exatamente a uma fase da vida como a velhice ou a juventude, ela ainda nos propõe que o virtus “ é <> no sentido de ser <>” e ainda nos apresenta a virtus como um conceito muito antigo que aparece já nas doze Tábuas da Lei significando valentia, essa valentia corresponde ao sentido da aretê homérica.

A aretê é a excelência. Inclui tudo aquilo que faz de um homem o mais perfeito que ele possa ser e nos tempos homéricos essa perfeição incluía as características morais, intelectuais e físicas.
Sendo assim ao tempo de Cícero a virtus já era caracterizada como algo a ser desenvolvido interiormente, como uma tendência para viver de maneira constantemente adequada aos preceitos morais, o próprio Cícero nos dá uma definição de virtus no Tusculanae disputationes, liv. II cap. 13-:30, afirmando que virtus pode ser o que consideramos como honesto, reto e conveniente.

Notamos em Cícero a justiça sendo colocada no rol das virtudes, igual a todas as outras virtudes, assim a justiça perde o papel, que possuía para Platão, de algo ordenador e inflexível e estático que dividia as pessoas em classes distintas de almas. Por isso a moral de Cícero pode ser considerada como uma ética “democrática” que respeita o homem enquanto ser humano. Sendo assim podemos avaliar a grande importância de Cícero para a filosofia latina, sua ética não só permite uma moral universal, sem empregar os métodos coercivos platônicos nos quais cada um nasce predestinado, segundo seu tipo de alma e sua posição social, como também uma maneira original de trazer para o contato dos homens o reino dos deuses. Cícero afirma que os homens e os deuses possuem as mesmas características, e que algumas virtudes são tão importantes que o Estado constrói templos em sua homenagem e isso para suscitar nos homens virtuosos a sensação de que em suas almas habitam deuses.

Como já foi dito Cícero é um adepto do ecletismo e esse matiz humano é o que há de novo em sua ética, ele dá valor a virtudes que para Platão não tinham reconhecimento e para Aristóteles não possuíam caráter humano, tais como a caridade, a condescendência, a honestidade e o decoro. Assim sendo pode-se afirmar que a virtude para Cícero é, tal como a aretê, a excelência enquanto ser humano, porém uma excelência que pode ser desenvolvida por todo e qualquer ser humano. E que o homem de bem, o homem perfeito é aquele que vive virtuosamente. Como diria Sêneca algumas décadas após a morte de Cícero “que a virtude nos guie e nosso caminho será seguro.” (XIV. P.41).


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