Sob o manto santo da igreja de cristo



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“SOB O MANTO SANTO DA IGREJA DE CRISTO” : POLÍTICA E RELIGIÃO NAS ORIGENS DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE – MEB NO ESTADO DO PARÁ.

Carlos Ângelo de Meneses Sousa

Universidade Católica de Brasília – UCB



cangelo@ucb.br / cangelos@uol.com.br
Resumo:
Baseado em fontes primárias o artigo discorre e problematiza a relação entre política, religião e a prática pedagógica do Movimento de Educação de Base - MEB a partir de dois documentos: uma carta do bispo do Prelado de Guamá, Bragança no Pará, dirigida ao Conselho Diretor Nacional – CDN do MEB no ano de 1969 e de “um ofício confidencial, reservado” do delegado regional do Pará da Polícia Federal ao mesmo bispo. Nestes se descreve “a difícil situação da equipe do MEB em Bragança – PA” que “[...] vêm promovendo uma campanha subreptícia[sic], entre os ingênuos caboclos do interior, procurando lançá-los não só contra as autoridades constituídas, atribuindo a estas a sua precária situação de vida, como também promovendo a luta de classes, despertando o ódio contra os mais favorecidos pela fortuna. [...] procuram se acobertar sob o manto santo da Igreja de Cristo [...] ”. Assim, este artigo versa sobre aspectos históricos das origens do Movimento de Educação de Base – MEB, pertencente à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O mesmo é parte de uma pesquisa que teve como objeto de estudo a relação entre educação, política e religião, a partir da ação social de um grupo de leigos e eclesiásticos do referido movimento. Conforme uma perspectiva weberiana, a análise genética da constelação de interesses religiosos presentes em uma sociedade é fundamental para que possamos entender os fenômenos religiosos na mesma. Assim, é necessário que conheçamos o período em que tais fenômenos religiosos foram gestados, bem como as normas sociais e culturais objetivas. Destacaram-se com o fito de identificar a relação entre os interesses políticos e religiosos nos primórdios do MEB, alguns exemplos. A fim de se ter uma visão, o quanto possível, direta dos mesmos, transcreveu-se trechos das cartas em questão e outros documentos. Constataram-se alguns dos indicadores referentes à estreita relação entre política e religião na prática pedagógica nesse período de origem do MEB, pois entendemos que os mebianos, através das escolas radiofônicas, entre outras práticas educativas, desenvolveram seu projeto político-pedagógico com certa consistência interna entre seus objetivos e ações desenvolvidas, a partir de uma racionalidade teórico-científica, buscando endossar uma religiosidade transcendente, de salvação segundo a sociologia weberiana, onde a política exercia um ponto capital. No contexto da época, nesta região do Brasil, isso significava que a alfabetização e formação dos monitores (alfabetizadores) estavam, no mínimo, apresentando novas idéias, perspectivas críticas que estimulava a autonomia e a liberdade dos sujeitos e a sua “conscientização” de ser pessoa humana, filho de Deus e por isso portador de grande valor, em meio a um contexto altamente tradicional, autoritário, profundamente desigual e isso fazia diferença.
Palavras-chave – MEB - Política – Religião - História.

Há nos estudos sobre a Igreja Católica, em grande parte, uma produção voltada para a hierarquia, fato explicável tendo em vista a alta hierarquização desta instituição e, em geral, os movimentos e organizações nascidos ou atuantes no seio da mesma, demonstram pouca autonomia e independência. Contudo, a década de 60 do século passado, no Brasil, apresentou algumas particularidades que historicamente nos ajudam a problematizar e compreender essa tensa e desafiante inter-relação entre política e religião, na história da educação brasileira. Não é a toa que várias pesquisas realizadas tomam esse período e alguns movimentos dessa época como objetos de estudos. (KADT, 1970; 2003; ALVES, 1979; GOMES SOUZA, 1984; WANDERLEY, 1984; MAINWARING, 1989; SOUSA, 1999; 2006; DIAS, 2004; BRESSER-PEREIRA, 2006).


A participação dos cristãos, notadamente dos católicos, na América Latina, em movimentos e organizações políticas que visavam uma transformação social foi alvo de atenção de todo o mundo, especialmente no período do Regime Militar Brasileiro. Neste período, a Igreja Católica era uma das poucas instituições que mantinha um posicionamento autônomo frente a esse regime e assim servia de “guarda-chuva” para diferentes atores políticos. Tal participação teve um maior impulso e reconhecimento oficial, sobretudo depois do Concílio Vaticano II(1962-1965) e após a tradução do mesmo na realidade Latino-Americana, através das Conferências Episcopais de Medellín (1968) e Puebla (1979).
Dentro da Igreja Católica podemos destacar, entre outros, os movimentos da Juventude Universitária Católica – JUC, Juventude Operária Católica – JOC e o Movimento de Educação de Base – MEB, único dos movimentos de Educação Popular da década de 1960 que continua existindo até hoje e que é objeto de nosso estudo.

Esses movimentos, com suas diferenças e ênfases, criaram uma situação inédita na Igreja Católica brasileira. Segundo Cândido Mendes (1966, p.64), seu ineditismo estava no rompimento do “pano de fundo ou quadro de alterações graduais ou evolutivas a que tradicionalmente se afizera a Igreja”. Ao se imbuírem dos ideais revolucionários de um cristianismo que parte sempre dos últimos para ver, julgar e agir frente à realidade brasileira, esses movimentos eclesiais, ou dela derivados, questionaram profundamente e alteraram a aliança de classe que tradicionalmente sustentou a Igreja Católica no Brasil. Lançaram sementes de uma nova concepção de sociedade e Igreja que trouxe inovações profundas na teologia e prática pastoral elaboradas no Brasil, exemplarmente apresentadas no desenvolvimento das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs e na Teologia da Libertação - Teologia da Libertação.



Infelizmente com o Golpe Militar em 1964, esses movimentos foram afetados drasticamente e a posição do conjunto da hierarquia da Igreja, tendo apoiado o golpe, extinguiu e “disciplinou” alguns desses, no caso o MEB, após esse duro atentado contra a democracia. Todavia o que importa é que tais experiências já tinham deixado marcas indeléveis no conjunto da Igreja Católica no Brasil, inclusive entre os bispos que depois, em conjunto, via Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, adotaram posições proféticas e contrárias ao regime militar. Concordamos com José de Souza Martins (1994, p.125) quando diz: “mais importante, historicamente, do que a intervenção da Igreja nas questões sociais foi à disseminação de um modo de pensar crítico, sobretudo entre os intelectuais católicos[...]”.
Não obstante as críticas que possam ser feitas à atuação desses movimentos, como uma visão ingênua de uma revolução iminente e do levante natural das massas, crença no poder mágico do não-diretivismo e conscientização, uma concepção romântica das classes populares e outras (SEMERARO, 1994; PAIVA, 1986), é possível ver nessas experiências uma fecunda sementeira para as futuras idéias e práticas da Igreja Católica no Brasil em sua vertente popular. Falando sobre a esquerda católica1, Michael Löwy (1990, p. 673) diz que “trata-se de um movimento pioneiro, com uma surpreendente criatividade intelectual e política que, apesar de seu fracasso imediato, espalha sementes que iriam germinar mais tarde no Brasil e em todo continente”.
Conforme uma perspectiva weberiana (WEBER, 1994), a análise genética da constelação de interesses religiosos presentes em uma sociedade é fundamental para que possamos entender os fenômenos religiosos na mesma. Assim, é necessário que conheçamos o período em que tais fenômenos religiosos foram gestados, bem como as normas sociais e culturais objetivas. Isso poderá nos auxiliar “a discernir as grandes direções, assim como os limites, em que a motivação religiosa poderá ajudar a conduzir a ação humana na busca de seus interesses, não apenas de natureza religiosa, mas também econômica, política, estética, moral, etc.”. (SANTOS, 2000, p.150).
Destacaremos com fito em identificar a relação entre os interesses políticos e religiosos nos primórdios do Movimento de Educação de Base - MEB, mais especificamente no Estado do Pará, alguns exemplos. Tomaremos, para tanto, algumas fontes primárias, a partir de dois documentos: uma carta do bispo do Prelado de Guamá, Bragança no Pará, dirigida ao Conselho Diretor Nacional - CDN do MEB no ano de 1969 e de “um ofício confidencial, reservado” do delegado regional do Pará da Polícia Federal ao mesmo bispo. Nestes se descreve “a difícil situação da equipe do MEB em Bragança – PA” que “[...] vêm promovendo uma campanha subreptícia[sic], entre os ingênuos caboclos do interior, procurando lançá-los não só contra as autoridades constituídas, atribuindo a estas a sua precária situação de vida, como também promovendo a luta de classes, despertando o ódio contra os mais favorecidos pela fortuna. [...] procuram se acobertar sob o manto santo da Igreja de Cristo [...] ”. (OFÍCIO, 1969, p. 1).

A fim de termos uma visão, o quanto possível, direta dos mesmos, transcreveremos alguns trechos mais relacionados ao nosso objetivo em questão. Em carta datada de 24 de fevereiro de 1969, dirigida ao Conselho Diretor do MEB e a secretária nacional do MEB, o bispo, descrevia a situação da equipe do MEB/Bragança e inicia anunciando os seus erros em relação à equipe:


a) Dei a mais ampla liberdade de ação a irmã I. 2 [...], Missionária de Santa Teresinha; era boa e ativa: julguei que merecia liberdade de ação; mas não percebi a mudança que se ia operando e não descobri a maneira com que começou a me enganar.

b) Confiei na equipe demasiadamente: tenho uma desculpa era formada de moças e rapazes que foram meus alunos no ginásio e Escola Normal. Embora eu notasse e reclamasse uns quantos exageros, desculpava achando que era boa fé e entusiasmo. Sempre lembrei as intemperanças naturais e inocentes na juventude que tem um ideal. Reclamei muitas vezes junto a equipe e nas reuniões dos Bispos: mas sem nunca tomar uma providencia eficaz. Sim, errei por excesso de confiança; julguei que a confiança e dever do Bispo para ajudar os leigos a se integrarem na Pastoral diocesana: e nisso acho que fiz bem: mas errei na dose.

(CARTA, 1969, p.1)
Segue sua narrativa apresentando, segundo suas palavras, as ideias inculcadas em 1968 pela equipe do MEB/Bragança:
Em 1968 as coisas foram piorando. A irmã I. [...] formou na equipe, um grupinho que assimilou fortemente suas ideias de revoltas: um grupinho pequeno mais muito atuante. Esse grupinho foi restringindo cada vez mais a promoção humana e social aos assuntos seguintes:

a) A injustiça social de que é vítima o povo do interior da Amazônia, martelando especialmente as injustiças que o caboclo pode ver, constatar, ou sofrer pessoalmente, criando no caboclo uma angustia penosamente negativa e prejudicial ao máximo grau.

b) A culpa do Governo: porque não toma providências; porque protege os ricos que ficam cada vez mais ricos a custa dos pobres e

c) A Culpa do Povo porque não reage, porque se acomoda, porque não se une, porque não escolhe um líder.

d) A Culpa da Igreja porque não faz nada para o povo: "só cuida de reza" e de alisar os ricos e o ... governo.

e) Os Crimes dos Americanos, inimigos do gênero humano, mas especialmente do Brasil. Chegou-se ao ponto de aconselhar recusar os alimentos do CARITAS porque contem "drogas perigosas" até para esterelizar [sic] as mulheres.

f) Fala-se também de AMOR e UNIÃO: mas no sentido expresso nos slogans: "uni-vos para lutar” e "só com a luta total se vencerá”.

(CARTA, 1969, p.1 e 2)

Em outro trecho explica que a técnica usada pela equipe do MEB/Bragança para “despertar a angústia” no povo, em vista de seus objetivos era fazer perguntas, sem respondê-las diretamente:
[...] isto é: desperta a atenção sobre um fato verdadeiro ou possível e sobre qualquer situação que crie raiva, indignação, revolta, ódio e violência. Joga a pergunta incidiosa [sic] e deixa que a resposta – evidente – seja formulada pelo caboclo. Joga a pedra e esconde a mão.

( CARTA, 1969, p.2)


Sob o subtítulo “oportunidades em que lançavam as idéias”, o bispo mencionou que nas aulas, nos encontros com supervisores e monitores e nas reuniões de supervisão a equipe do MEB aproveitava para veicular suas ideias e conclui esse item, observando que até nas orações se aproveitava para tal intento, assim discorrendo, “em 1968 toda oração foi improvisada pedindo a Deus que faça a justiça que os homens não fazem.” ( CARTA, 1969, p.2).
Outro documento que nos servirá de base para análise será um ofício reservado e confidencial de número 009/69, datado de 21 de fevereiro de 1969 do delegado regional do Departamento da Polícia Federal – DPF/Pará ao referido bispo. Vale a pena a transcrição, mesmo que longa, de boa parte do documento, para que tenhamos acesso direto a visão deste órgão sobre a equipe do MEB/Bragança. Vejamos:

Em 21 de janeiro último, remetemos a V. Exª o ofício nº 005/69 - DR-PA - RESERVADO - em que manifestávamos a nossa apreensão pelo desvirtuamento das diretrizes da seção do MEB, instalada em Bragança, promovendo irradiações suspeitas na Radio Educadora desse Município alem de publicações no jornal local e pedimos providencias a V. Exª a fim de evitar a interferência direta da Polícia Federal. Infelizmente não terminou de vez essa ação agitadora desses elementos, o que obrigou este Delegado a enviar um Agente Federal àquele município, a fim de colher dados positivos que possibilitassem a ação da lei. Realmente ficou comprovado que alguns elementos do MEB entre os quais se destacam a professora S. [...], além, de outros, vem promovendo uma campanha subrepticia[sic] entre os ingênuos caboclos do interior, procurando lançá-los não só contra as autoridades constituídas, atribuindo a estas a sua precária situação, de vida, como também promovendo a luta de classes, despertando o ódio contra os mais favorecidos pela fortuna e o que é mais grave, é que esses elementos que parecem apoiados pe1a Direção Nacional do MEB procuram se acobertar sob o manto santo da Igreja de Cristo, utilizando trechos das Encíclicas Papais para melhor mascarar a sua campanha subversiva. Deixam assim perplexos, os próprios fieis mais velhos que veem nessas pregações o desmoronamento de suas crenças arraigadas durante anos e descaminham os mais jovens, ainda sem convicção religiosa. Evidentemente que não cabe a mim a defesa da Igreja V. Exª , mais do que ninguém saberá faze-1o com a sua autoridade de Bispo e o conhecimento das coisas e dos homens. Mas achei de bom alvitre V. Exª , contra essa situação que de tão grave já acarretou, inclusive, o comprometimento de uma Irma de Caridade que exerceu a função de coordenadora do MEB em Bragança, que pela sua ingenuidade se deixou impolgar[sic] por essas ideias subversivas, conforme ficou comprovado nas investigações que mandamos proceder. Sabemos que o Governo Federal vem empregando todos os seus esforços pela valorização da Amazônia e pela solução da situação dos nossos caboclos do interior. Mas, para essa concretização é necessário que tenha êle, tranquilidade e paz para tomar medidas úteis e necessárias, a fim de dar melhores condições de vida ao homem do interior e aplainar os desníveis sociais existente. Isto esta sendo feito com planejamento cuidadoso e execução positiva. Muito concorreria para que esses planos do Governo tenham realmente um pronto êxito, se o MEB local estivesse realmente dentro de suas finalidades de extirpar o analfabetismo e de ensinar um melhor aproveitamento dos recursos locais, dando assim, ao homem melhores condições de vida. Mas, da maneira como os elementos do MEB local vêm procedendo incorrem eles na Lei de Segurança Nacional, cabendo a este Delegado Regional, o dever de determinar as medidas 1egais necessárias para permitir as autoridades o ju1gamento desses maus elementos e a restauração da paz social e da tranqüilidade da Pátria Brasileira. Certo da compreensão de V. Exª para tão angustiante problema,apresento a V. Exª, os meus protestos de consideração e apreço. (OFÍCIO, 1969, p. 1 e 2).

Como podemos observar há uma recorrente ideia de “politização”, através da educação, para usar a expressão original, direta ou indiretamente nos documentos apresentados. Somadas a isso há também, como pano de fundo, orientações religiosas e/ou ambientação religiosa presentes, com a menção a documentos da Igreja e uma evocação da “missão religiosa da Igreja”. Que interesses políticos e religiosos estariam aí presentes? Como podemos explicá-los? Indubitavelmente há contradições e pensamentos distintos entre a equipe do MEB/Bragança e as visões do bispo e do delegado. A equipe do MEB/Bragança se apoiava no ideário dos documentos elaborados pela equipe nacional do MEB. Assim, a partir de agora quando nos referirmos ao MEB tomaremos como referência as produções da equipe nacional do MEB.


A política para o MEB dessa época ou, como era dito, politização, era entendida como uma dimensão fundamental do processo de conscientização3. A concepção conscientizadora estava vinculada a interpretação da consciência histórica, que se baseava na noção de pessoa (como sujeito consciente de si), de mundo (como realidade destacada), do outro (como outra consciência), das circunstâncias em que se encontram as consciências em um mundo mediatizador. O Pe. Vaz, que já, antes do MEB, tinha sido um dos grandes e maiores ideólogos da JUC, tinha a intenção de superar interpretações idealistas e marxistas de consciência. O mesmo, segundo Wanderley (1984, p.115), para tanto buscou “o elemento estrutural da consciência histórica na “consciência moderna”, suas relações com a cultura e ideologia, e a força do cristianismo na formulação dessa consciência”.
Utilizo uma síntese sobre a concepção de conscientização assumida pelo MEB da época, expressa por Barreiro (2000, p.63), que, fazendo uso das idéias do Pe. Vaz e de textos escritos por membros da equipe nacional do MEB4, afirma que se conscientizar poderia ser “pensar as relações entre o significado próprio da existência humana e a circunstância histórica que determina pelo menos alguns dos aspectos mais importantes dessa existência.” Continuando sua síntese, menciona que a “consciência conscientizada” é aquela capaz de pensar a sua época histórica ao mesmo tempo em que se pensa e se determina nessa época”. Conclui assim que o homem conscientizado é o homem comprometido com a história de sua época.
Conforme já mencionamos anteriormente, Gustavo Gutierrez (1986), um dos precursores da Teologia da Libertação, antes de escrever seu livro que consagrou o nome desta teologia, sentiu necessidade de ter contato com cristãos brasileiros, especialmente da JUC, por entender que as idéias germinais da Teologia da Libertação tiveram início nas experiências de alguns movimentos da Igreja Católica no Brasil. Também já vimos que um considerável número de agentes leigos que compunham o MEB provinha da Ação Católica, notadamente da JUC, assim, esse fato nos leva a cogitar que a relação entre política e a religiosidade vivenciada pelos agentes leigos do MEB, bem como as ações pedagógicas por eles empreendidas apresentam elementos que evidenciam um processo de racionalização valorativa por buscarem uma ética cristã com base em uma racionalidade teórico-científica em contraposição a uma racionalidade prático-técnica5 onde a espontaneidade, a reatividade e a magia se consubstanciam.
No documento “A educação na perspectiva da consciência histórica do Brasil hoje”, apresentado no I encontro de coordenadores do MEB6, em Recife no ano de 1962, encontramos uma explicitação da afirmação que fizemos no parágrafo anterior. O citado documento divide-se em quatro partes, a primeira apresenta o título “o homem no mundo”; a segunda parte, “o mundo e o homem na revelação cristã”; a terceira parte, “ o homem na história: consciência histórica” e, finalmente, a última parte, “consciência crítica no Brasil de hoje”. Atemo-nos, em vista dos nossos objetivos, especialmente na segunda parte desse documento. Todavia, antes vale destacar que logo na introdução do referido texto há uma menção de que pretendem apresentar algumas reflexões, no entanto desejam evitar duas tentações fáceis “a de ver a realidade como algo estático e morto ou então uma história onde se penduram alguns valores abstratos e postiços”, e a de isolar “os elementos de uma reflexão, sem ver seu encadeamento vital e conseqüentemente lógico”. (GÓMEZ DE SOUSA, 1962, p.01). Há, assim, um explícito desejo de sistematizar logicamente, a partir de uma racionalidade teórico-científica, as suas ideias e experiências.
Na introdução da segunda parte mencionam que o que os reúne não poderia jamais ter “um rótulo confessional, o que os levaria a uma confusão entre o espiritual e o temporal que, se para um cristão não se isolam, tampouco se confundem” (op.cit, p.05). Observam ainda que uma ideologia que fundamentasse o trabalho de educação popular não poderia ser elaborada unicamente a partir de elementos da revelação, o que contrariaria a possibilidade de uma ação pluralista. Por outro lado, ressaltam também que tal ideologia “não poderia opor-se às opções religiosas de seus membros” (op. cit., p.05).
Visando mostrar a concordância das idéias sobre o homem no mundo, objeto da primeira parte do documento, com os dados da revelação, tendo como base o livro bíblico do Gênesis, diz que o mesmo “nos dá a chave das grandes linhas da revelação”, o que será desenvolvido nos outros livros da Bíblia e completado pela vinda de Jesus Cristo.
Transcreveremos, na íntegra, essas idéias básicas:

a) no princípio, Deus criou o mundo: (Gen.1,1) realidade objetiva, anterior ao homem. O mundo não é produto da imaginação ou do intelecto do homem. Ele existe.

b) No mundo, Deus fez o homem para que possuísse a terra (Gen.1,28). Pois, Deus criou o homem à sua imagem (Gen. 1,27).

Deus criador fez o homem à sua semelhança: criador também; co-participante da criação do mundo. Um homem no mundo (imanência), transforma o mundo e se coloca além do mundo (transcendência).

“Deus descansou no sétimo dia porque já tinha alguém para ocupar-se do resto” ( Lubac).

c) O homem possui a terra enfrentando-a, lutando contra ela, pelo trabalho. Este não é conseqüência do pecado original, mas “Deus Javé tomou o homem e o pôs no jardim do Éden para cultivá-lo” (Gen. 2,15).

d) “Deus Javé disse: não é bom que o homem esteja só” (Gen.2,28). Criou a mulher. Deu-lhes como regra: “crescei e multiplicai-vos”.O homem nasceu com duas relações: filho de Deus e irmão dos homens (a direção dos dois mandamentos maiores: amar a Deus e ao próximo).Deus criou a cada um e todos. Cada um a serviço de todos (do bem comum, para empregar uma palavra hoje gasta por um emprego superficial e inconseqüente).

e) Os homens se encontram na luta (Caim e Abel) e na reconciliação(o bom samaritano). Pecado e caridade.

f)A pedagogia de Deus se revelou progressivamente: criação, aliança natural com Noé, revelação pessoal a Abraão, ensinamento das leis por Moisés, caminhos de preparação de séculos que levaram ao cume da história: a Encarnação. A história de Israel é a educação progressiva para esperar o Messias. Deus se põe à altura do homem de cada tempo, para que ele cresça.

g) Assim, a revelação não aparece como uma codificação já elaborada, mas como história ( a Bíblia não é um manual de Leis, mas uma história). Deus age no tempo.

h) Ele se revela a homens que representam um povo. Pelo povo – família – fiel ou infiel, se manifesta. Povo que se universaliza: a família de Noé, a descendência de Abraão, Israel, a Igreja, novo Israel, católica desde as suas origens, mas aperfeiçoando a sua catolicidade e a concretizando aos poucos em extensão (trabalho missionário) e profundidade (penetração nas diversas camadas sociais).

  1. Finalmente, Deus se fazendo homem, dá à pessoa humana um valor incomensurável. E com os homens, constrói o Corpo Místico.

Toda verdadeira comunidade, todo estreitamento de laços, é imagem antecipação da união futura. A socialização dos tempos modernos prepara o Cristo total (ainda que os planos naturais e sobrenaturais não se confundam).

Resumindo: temos um homem, ser social, que na história, educando-se, pelo trabalho domina o mundo. Por escapar a esta exposição, não tocamos aqui na parte central da revelação: todos estes atos se fazem para um fim extratemporal: a salvação dos homens (atenção no plural). E repetimos, para evitar acusações gratuitas, o domínio do mundo não abrange todo o trabalho de construção do reino (que não é deste mundo). O contrário é mais válido: as fronteiras da construção do Reino são mais largas e abraçam seus limites nos abismos intransponíveis das consciências” (GÓMEZ DE SOUSA, 1962, p.06-07).
Como podemos observar toda a ação desenvolvida pelos cristãos, e no caso específico dos agentes leigos do MEB, é realizada em vista de um fim: a salvação dos homens. Dito no plural, porque não visa apenas tal fim para o indivíduo e sim para toda a comunidade. Há claramente um processo de racionalização teológica da “revelação divina”, com base na Bíblia, com o fito de que o homem ao se assenhorear de sua condição de co-criador do mundo, portador de um valor incomensurável, construa o Reino no mundo.
Contudo, é interessante descrever outro trecho do citado documento que explicita a partir de que se deve construir esse Reino no mundo, no caso mais especificamente no Brasil. Mencionam:
As perspectivas abertas à criação de um Brasil novo terão de partir dos dados do analfabetismo, fome, etc. e terão de basear-se no estágio atual da luta do homem com o homem e com a natureza:

  • estudo da alienação do trabalho;

  • estudo da alienação da cultura;

  • estudo da alienação da educação;

  • e, globalmente, estudo da alienação atual do homem brasileiro.

Esta constatação, para não ser platônica, terá de levar a uma posição radical de transformação de estruturas. Reformas de bases, tais como são apresentadas, não passam de paliativos”. (GÓMEZ DE SOUSA, 1962,p.11).
O MEB entendia por práticas pedagógicas toda e qualquer ação desenvolvida num processo educativo que se orientava pelos princípios da educação popular. Defendia uma posição de que esse ato educativo é também um ato político. Esse germe se fazia presente nas ações pedagógicas daquela época.
Paulo Freire (2001, p.28-29), que também vivenciava àquele momento, posteriormente sistematizou essa concepção da seguinte forma, os educadores e grupos populares em suas práticas educativas elaboraram uma concepção de educação popular como um processo permanente de refletir a sua prática, a sua militância, especialmente a capacidade de mobilizar-se em direção a objetivos próprios. Dessa forma a prática educativa se reconhece como prática política que “é tão interessada em possibilitar o ensino de conteúdos às pessoas quanto em sua conscientização”. Esta é uma tarefa fundamental de uma educação popular de corte progressista: inserir os grupos populares no movimento de superação do saber de senso comum e adoção de uma compreensão científica acerca de suas experiências. Isso implica rever a compreensão de História como fatalista que entende o futuro como a repetição quase inalterada do presente ou de um futuro como algo pré-dado. É necessário adotar uma concepção de “tempo histórico sendo feito por nós e refazendo-nos enquanto fazedores dele”.
Indubitavelmente constatamos alguns dos indicadores da nossa hipótese referente à estreita relação entre política, religião e prática pedagógica nesse período de origem do MEB, senão vejamos:

  1. Deus é um Deus que se revela na história de seu povo, a revelação é, portanto, histórica. Ele “age no tempo”, sendo Jesus Cristo a sua manifestação histórica enquanto Deus que se fez homem;




  1. A pessoa humana é concebida como portadora de um papel ativo na relação com o sagrado, é um instrumento da ação de Deus no mundo e possui “um valor incomensurável”, pois é “imagem e semelhança de Deus”;




  1. A Bíblia e alguns outros documentos eclesiais do magistério católico são utilizados a partir de uma interpretação que enfatiza “uma rejeição do mundo no mundo” e não se apartando do mesmo, pois é neste mundo que os cristãos devem já começar a construir o Reino de Deus;




  1. A ação a ser desenvolvida pelos cristãos no mundo não pode ser “platônica”, deve transformar as estruturas. Citando problemas como o analfabetismo e as conseqüências dele advindas (alienação do trabalho, cultura, etc.) demonstra, mesmo que, não utilizando o termo política7 e nem querendo associar-se a uma única tendência ou ideologia política, há uma inevitabilidade de uma ação política enquanto condição de transformação da realidade do mundo em vista da instauração do Reino de Deus já neste mundo, mesmo que não completamente.

Somos cônscios de que há, especialmente nos documentos aqui apresentados sobre a equipe do MEB de Bragança, outras possibilidades de abordagem que, por limitação do número de páginas nesta publicação, não será possível destacar, como por exemplo, a questão de gênero envolvida, especialmente na forma de se referir a religiosa que coordenara inicialmente a equipe do MEB. A fim de exemplificar essa dimensão de possibilidade analítica, recuperamos um trecho de um depoimento de uma mulher, neste mesmo período, não das fileiras do MEB, mas envolvida com a luta contra a Ditadura Militar que assim expressa a sua visão, em uma ótica de gênero, sobre a questão: “No momento do primeiro golpe na esquerda armada em 1969 havia poucas mulheres, pelo menos conhecidas. Eu lia todos os jornais para ver se transparecia um pouco do que eles sabiam, e cheguei à conclusão de que a acusação contra mim era ser mulher”. (COSTA et al., 1980, p. 208).


Entendemos que os mebianos, através das escolas radiofônicas, entre outras práticas, desenvolveram seu projeto político-pedagógico com certa consistência interna entre seus objetivos e ações desenvolvidas, a partir de uma racionalidade teórico-científica, buscando endossar uma religiosidade transcendente, de salvação (WEBER, 1994), onde a política exercia um ponto capital. A alfabetização e formação dos monitores (alfabetizadores) estavam, no mínimo, apresentando novas idéias, idéias críticas que estimulava a autonomia e liberdade dos sujeitos e a sua “conscientização” de ser pessoa humana, filho de Deus e por isso portador de grande valor, em meio a um contexto altamente tradicional, autoritário, profundamente desigual e isso fazia diferença.
Não obstante as dificuldades pudemos ver nesse modo de agir dos agentes leigos do MEB elementos germinais da Teologia da Libertação que posteriormente foram sistematizados e divulgados enquanto teologia e prática pastoral em grande parte dos trabalhos idealizados e desenvolvidos no seio da Igreja Católica no Brasil, formando a “Igreja Popular” (MAINWARING,1989).

NOTAS:
Quer denominar grupos de leigos, sacerdotes e alguns poucos bispos que tornaram públicas suas críticas ao capitalismo e assinalavam uma perspectiva de um socialismo humanista cristão. Sobre a origem de o termo ver Alves (1968, p.228).
2 Optamos em não identificar explicitamente os nomes dos sujeitos citados ou envolvidos, já que essas informações são secundárias em relação aos nossos objetivos. Observamos ainda que como se trata de uma transcrição de documentos, não faremos correções no português de algumas palavras ou trechos, utilizando quando achamos oportuno o recurso [sic].
3 Nessa época havia uma discussão no Brasil sobre o termo “consciência”, motivadas pelas análises formuladas no ISEB e pelas idéias de Paulo Freire, mas que não teve suficiente impacto no MEB até fins de 1963, segundo Bandeira (2000, p.345). As influências decisivas para uma fundamentação desse conceito foram hauridas da JUC, da literatura dos pensadores cristãos e decisivamente nas idéias sistematizadas do jesuíta Henrique de Lima Vaz. Para maiores detalhes sobre a relação inicial do MEB com Paulo Freire ver Bandeira (2000 p.344-345). Para uma visão das idéias do Pe. Vaz sobre “conscientização” ver Vaz (1968).

Segundo Damasceno (1990), a discussão acerca da consciência perpassou e influenciou todas as várias formas de Educação Popular da época, cabendo destacar que as vertentes citadas no parágrafo anterior possuem em comum uma visão idealista de consciência, o que não significa negar a relevância de suas práticas.


4 Como transcrições do texto “Educação e conscientização” de R. Landin.
5 De acordo com Schluchter (1979, p.24-26), a racionalidade pode ser a) prático-técnica, onde há um cálculo adequado de meios e fins em vista de uma finalidade prática dada; b) ético-metafísica, que possui uma compreensão do mundo como um cosmos que tende a possuir sentido pleno; e c) teórico-científica, onde há a utilização sucessivamente refinada de conceitos abstratos visando um domínio teórico da realidade.
6 Vale ressaltar que foi neste encontro que os agentes leigos do MEB conseguiram imprimir na instituição uma nova perspectiva de atuação, em que a “conscientização” tomou um papel fundamental e desde então sempre presente na intencionalidade das ações. Passou-se de uma intenção majoritariamente religiosa, a partir dos bispos, para uma ação que mescla em igual proporção a religiosidade e a ação conscientizadora, que indubitavelmente possui um caráter político.
7 “Temos então de superar uma consciência ingênua que se apega a rótulos para, criticamente, partindo de fatos, julgar objetivamente as situações. Nada mais movediço do que ficar no plano de “escolas” ou apelidos (esquerdistas, reacionários, comunistas, conservadores, etc.). Uma realidade terá dados bons ou maus, independentemente das motivações ideológicas.” (GÓMEZ DE SOUSA, 1962,p.11) e mencionam ainda que se afastam do marxismo por nesse a história estar determinada (GÓMEZ DE SOUSA, 1962,p.09).


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