Soberania e providência na vida cotidiana



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SOBERANIA E PROVIDÊNCIA NA VIDA COTIDIANA

Um estudo Bíblico sobre Cristo e sua Igreja no Livro de Rute



Por Ismael Quintero Rojas

Mestre em Divindades e

Doutorando em Ministério


Curso de Bíblia e Teologia

Para estudantes de Licenciatura e Mestrado em estudos teológicos


SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE MIAMI

Bogotá – Colômbia, setembro de 2005

ÍNDICE

INTRODUÇÃO


LIÇÃO 1: ELE É JEOVÁ TEU DEUS

    1. SOBERANO EM SUA CRIAÇÃO

    2. INCOMPREENSIVEL EM SEU CARATER

    3. TODO PODEROSO EM SUA AÇÃO

LIÇÃO 2. MISERICÓRDIA E DESCANSO

2.1. TUA TERRA SERA MINHA TERRA

2.2. TEU POVO SERÁ O MEU POVO

2.3. TEU DEUS SERÁ O MEU DEUS
LIÇÃO 3. ELE É JEOVÁ TEU PROTETOR

3.1. HÁ GRAÇA EM SEUS OLHOS

3.2. HÁ REFÚGIO EM SUAS ASAS

3.3. HÁ PROVISÃO EM SUA EIRA


LIÇÃO 4. BÊNÇÃO E REFÚGIO

    1. UM CAMPO ONDE APANHAR ESPIGAS

    2. UMAS CRIADAS COM QUEM TRABALHAR

    3. UMA CASA A ONDE VIVER

LIÇÃO 5. ELE É JEOVÁ TEU REDENTOR

5.1. EU TE REDIMIREI, DESCANSA

5.2. BENDITA SEJAS TU, FILHA MINHA

5.3. NÃO DESCANSAREI E COMPLETAREI
LIÇÃO 6. SALVAÇÃO E SEGURABÇA

6.1. ELE ESTENDE O SEU MANTO

6.2. LHE DÁ SEGURANÇA E DESCANSO

6.3. LHE ENCHE SUAS MÃOS VAZIAS


LIÇÃO 7. ELE É JEOVÁ TEU SENHOR

7.1. DÁ O RENOME ETERNO

7.2. DÁ HERANÇA ETERNA

7.3. DÁ PROSPERIDADE ETERNA


LIÇÃO 8. HERANÇA E POSTERIDADE

8.1. SEU NOME RESTAURADO

8.2. SUA HERANÇA REDIMIDA

8.3. SUA POSIÇÃO PROMOVIDA


CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA

GUIA DO ESTUDANTE E ORIENTADOR

ANEXOS



INTRODUÇÃO
Estudar os livros da Bíblia é uma maravilhosa tarefa e aos que aproximam do texto bíblico reconhecem sua inspiração, infalibilidade. Somos inspirados pelo Espírito Santo em sua leitura e estudo. São poucas as pessoas que se vêem motivadas ao estudo da Bíblia de maneira indutiva e detalha porque isso exige muito trabalho, dedicação e um estudo sistemático das verdades do evangelho.

O nosso propósito neste curso é realizar um estudo indutivo e analítico do livro de Rute, por meio do mesmo, não será possível identificar a providência e soberania absoluta de Deus na vida diária. E abordar os aspectos relacionados com a responsabilidade humana na salvação, os benefícios e resultados da redenção. A forma fiel como Deus governa todas as coisas. No estudo poderemos identificar os princípios da misericórdia, bondade e bênção de Deus, suas perfeições serão estudadas e ressaltadas.

Através da análise poderemos identificar os diferentes grupos sociais que nos rodeiam, a partir deles, é importante estabelecer linhas de trabalho pastoral para o seu desenvolvimento e crescimento na igreja. Alguns destes grupos, são suas viúvas, os órfãos, os estrangeiros, os pobres, os necessitados, entre outros. A partir deles é necessário identificar linhas de acompanhamento pastoral, com as quais podemos desde o evangelho responder as suas necessidades no exercício do reino de Deus.

Analisaremos o livro de Rute desde duas perspectivas, a teológica e a pastoral. Na análise teológica, analisaremos aspectos eminentemente teológicos; como o caráter e a perfeição de Deus, soberania, providencia, presença. Nesse sentido, consideraremos sua missão como Deus, protetor, Redentor e Senhor. Na chaveteológica, estudaremos as implicações do atuar de Deus na vida de seus filhos, ou seja como devemos compreender a graça divina e como estabelecer dinâmicas de trabalho pastoral e eclesial com eles.

Por meio de oito lições desenvolveremos este curso. Por tratar de um livro de quatro capítulos, dedicaremos duas lições para desenvolver cada capitulo. Ou seja, um capitulo com ênfase teológico e outro com ênfase pastoral. Em cada lição é necessário estabelecer um prévio estudo ao comentário, de um registro e análise do capitulo, onde devemos ressaltar com cores os aspectos indicados. Desta forma será possível identificar os personagens principais, suas dinâmicas de ação, as promessas, fracassos e a ação soberana de Deus em meio a toda essa circunstância.

Logo devemos proceder a um desenvolvimento de um questionário relacionado com o tema do capítulo e da lição. Nesse questionário se apresentam perguntas para reflexão, aplicação e contextualização do tema em estudo. Nesse tópico, podemos comentar com as nossas próprias palavras, os sentimentos, conclusões, meditações e eixos temáticos que ressaltam para sua aplicação em nossas igrejas.

Quanto aos símbolos, devemos refletir sobre eles, localizá-los na Bíblia e em seu contexto pastoral e escatológico. Nesse sentido, quem tiver acesso a esse estudo será abençoado, por ser permanentemente convidados a exercer uma vida cristã centralizada no evangelho. O centro de seu estudo é Cristológico, o qual indica que o escrito narrativo, segundo se apresenta nessa ocasião, gira em torno da obra salvadora sem desconhecer outros temas e propósitos do livro, os quais consideramos colaterais.

Como é habitual para esse curso, utilizaremos o método Histórico hermenêutico, o qual consistem em quatro etapas, criação, queda, redenção e céu. Através desta perspectiva metodológica usada nos estudos do Prof. Dr. Cornélio Hegeman, é possível articular os conteúdos do curso que é uma proposta bíblica para análise dos livros da Bíblia. Todavia, se mesclam elementos do método indutivo dos livros com reflexões bíblicas, sistematizadas e considerações teológicas.

Não obstante, isto não significa que o livro não seja pastoral, ministerial, nem eclesial. Também tem fortes elementos familiares, legais, doutrinais e de uma quantidade de posturas, as quais nos permitirão encontrar soluções para a nossa responsabilidade ministerial. Recriam-se lugares, personagens, símbolos, contrastes e cenários diversos. Também recorremos ao método alegórico para decifrar partes dos momentos e lugares da narração.

Apresentaremos anexos, dos quais, ajudarão o estudante do livro de Rute a estabelecer paralelos, comparações e conclusões. Também terão a finalidade de facilitar seu estudo e estimular aos estudantes a desenvolver seu próprio estudo bíblico, sendo assim, cada pessoa além de ler, deve elaborar a parte indutiva e preencher os quadros que são sugeridos no apêndice para a sua complementação.

Este estudo não pretende ser um guia de análise acabada, pelo contrario, é um humilde e um sincero intento de estudar o livro de Rute. Reconhecemos nossas limitações para um estudo mais profundo e mais contextualizado. Todavia, consideramos igualmente que as linhas de reflexão e análise que se planejam, sejam indispensáveis para motivar a igreja a um estudo mais profundo e sistemático. Nossa oração é que esse curso contribua para o seu crescimento espiritual e lhe desafie a estudar por si mesmo as Escrituras Sagradas.

LIÇÃO 1

ELE É JEOVÁ TEU DEUS
Ao começar estudar este livro, é importante reconhecer seus valores históricos, bíblicos e teológicos. Nestas duas primeiras lições, consideraremos aspectos relacionados com o caráter soberano de Deus. Nesse sentido, reconheceremos que o Senhor tem o controle de todas as coisas que existem, nada acontece sem a sua permissão. Também confessaremos que as coisas que vemos, vivemos e conhecemos são controladas e executadas ou permitidas pelo Senhor do Universo. O qual indica que o fio condutor dos acontecimentos e circunstancias estão sustentadas e manejadas por suas mãos misericordiosas, justas e sábias.

A aceitação de sua soberania de tudo quanto existe nos permitirá descansar em seus sábios planos. Também nos convidará a render adoração, reconhecimento e serviço a sua majestade. Só há um Deus soberano que controla todas as coisas. Ninguém pode conhecer os acontecimentos da história, senão somente o seu autor. Não obstante, o único e soberano Deus conhece todas as coisas e se compraz em executá-las para a sua própria glória. Usa os meios que Ele mesmo tem estabelecido para que as coisas se realizem para a sua glória.

Ao estudarmos o livro de Rute, descobriremos em suas linhas, não somente as maravilhas desta história, mas também conheceremos os aspectos históricos da vida de Israel, vida familiar, princípios de relações e fidelidade. O mais fascinante é ver a mão de Deus guiando, dirigindo, e fazendo que as coisas que tem sido preestabelecida sejam realidade no tempo, circunstâncias e condições como tem sido planejada. E nos permite conhecer a Deus, revelado em sua criação e manifestado na forma providencial para guiar e sustentar os seus. Nesse sentido, o primeiro capítulo deste livro, nos contextualizará nos aspectos relacionados com ser caráter, desígnios e seu plano redentor para os seus filhos.

Para a realização deste estudo, é imprescindível ler o primeiro capitulo do livro de Rute, ao ler, devemos fazê-lo em chave teológica, ou seja, identificar, ressaltar e meditar nas decisões e ações diretas ou indiretas que o revelam como o Deus verdadeiro. Desta forma, será possível reconhecer sua soberania caráter, e providencia diária em todas as circunstâncias e será possível valorizar seu controle absoluto e descansar em seus sábios planos.



    1. SOBERANO EM SUA CRIAÇÃO

O capítulo começa falando de um acontecimento histórico e real, vivenciadas em uma situação de fome. “Aconteceu nos dias em que julgavam os juizes, houve fome naquela terra...” (v. 1). Podemos julgar que a fome é conseqüência do pecado, mas Deus permite para que seu poder seja manifestado, demonstrar sua justiça e expressar seu grande poder e provisão. Podemos dizer que a circunstância de fome que se passou naquela terra foi uma expressão da soberania divina para que o seu poder fosse revelado. É interessante anotar que o alimento, por ser uma necessidade básica mobiliza todas as pessoas. Nesse caso quem está enfrentando a escassez se vêem forçados s a ir a lugares onde possam encontrar alimentos suficientes.

Devemos ressaltar que em várias partes da Bíblia se registram várias situações de fome, as quais a terra passou não só pelo povo escolhido. Isto nos permite reafirmar que as condições naturais, pelas quais o Senhor os permite passar é para que seja revelada a grandeza de Deus sobre as coisas criadas. Ele tem o controle sobre sua criação de tal forma que faz produzir fruto em abundância em algumas épocas ou as fazem improdutivas e estéril.

No tempo de Abraão houve fome em sua terra e ele teve que ir ao Egito em busca de alimentos. “Então houve fome em sua terra e desceu Abraão ao Egito para ali morar, porque era grande a fome naquela terra”. (Gn. 12: 10). Houve fome no Egito nos dias de José, filho de Jacó; “E vieram os sete anos de fome, como José havia dito; e houve fome em outros países...” (Gn. 41: 54). Durante o reinado de Davi houve fome em Israel. “houve fome nos dias de Davi por três anos consecutivos” (II Sm. 21: 1). Os profetas Elias e Eliseu também sofreram as penúrias do período de fome; “... e a fome era grave em Samaria” (I Rs. 18: 2), “Eliseu voltou a Gilgal quando havia uma grande fome na terra” (II Rs. 4: 38). “E houve grande fome em Samaria”. (II Rs. 6: 25).

Também o profeta Jeremias sofreu os rigores da fome; “... porque ali morrerá de fome, pois não há mais pão na cidade” e “...prevaleceu a fome na cidade até não haver pão para o povo” (Jr. 28: 9; 52: 6). No Novo Testamento, a Bíblia registra um período de fome, o qual afetou os cristãos; “E levantando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender que pelo Espírito que viria uma grande fome em toda a terra; o qual sucedeu no tempo de Cláudio”. (At. 11: 28).

Em relação à situação de fome na terra, da qual Noemi e sua família foram afetadas, devemos notar a manifestação da soberania de Deus sobre a sua criação. É o Senhor quem permite períodos de fome e escassez para chamar o seu povo ao arrependimento; julgar aos reprovados; disciplinar a seus filhos e manifestar sua maravilhosa providencia para com eles. Isso nos mostra os seguintes textos: “... porque Jeová tem chamado a fome, a qual virá sobre a terra por sete anos” (II Rs. 8: 1). “Fez vir fome sobre terra e cortou o meio de se obter pão” (Sl. 105: 16). “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que eu os punirei; os jovens morrerão a espada e os seus filhos e suas filhas morrerão de fome” e “E enviarei sobre eles espada, fome e peste, até que sejam exterminados da terra a qual dei a seus pais” (Jr. 11: 22; 24: 10).

Outra manifestação da soberania de Deus nesse período de fome é a provisão da qual ele nos enche para a sua glória e a nossa bênção. Pelo menos isso é o que indica as Escrituras. “Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém aos que buscam ao Senhor, nenhum bem lhes faltará” (Sl. 34: 10). “O Senhor não deixa ter fome o justo, mas rechaça a avidez dos perversos” (Pv. 10: 3).

A graça soberana de Deus para com seus filhos, se manifesta não só em ordenar a natureza que atue de acordo com a sua vontade, mas em sustentar a seus seguidores em meio a situações que parecem hostis e adversas. Nesse sentido, podemos perceber a soberania de Deus, no deslocamento desta família a Moabe e posteriormente, nas três mortes da família judia. “...e um varão de Belém de Judá foi morar nos campos de Moabe, ele, sua mulher e seus dois filhos” (v. 1).

Muitos de nós, temos dificuldade de ver a soberania de Deus na morte de nossos entes queridos e em condições de pobreza, dor e angustia. “E morreu Elimeleque, marido de Noemi, e ficou ela com seus dois filhos...E morreram também os dois, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido” (v. 3 e 5). Ao ser banidos por razões naturais ou não, e enfrentar outras condições de vida, nos perguntamos: “Onde está o Senhor?”

Todavia, para quem são guiados pelo Senhor, todas as coisas conduzem a vida e a esperança. “E sabemos que aos que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o seu bem e aos que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8: 28). Nesse sentido, a fome, a morte, a dor e sofrimento, são elementos cheios de soberania usada por Deus no trato com seus filhos. Afirmar isso é fácil, todavia, quando estamos em meio à prova, a situação se torna distinta e incompreensível.

Um Deus soberano dirige com cordas invisíveis de amor e providencia aos seus filhos. Isso é o que vemos com a direção que Sá passo a passo às direções e adversidades na vida de Noemi, Rute e sua família. Cada detalhe, por simples que pareça, está moldando dentro do cuidado amoroso, terno e extraordinário de Deus. A fome em Belém e a posterior abundância, solidão e posterior companhia, amargura e posterior doçura; dor e posterior esperança; Perda, posterior ganha. Todas as situações e momentos específicos pelo que passamos diariamente são dirigidos e encaminhados pela corda irrompível de sua soberania, controle e providência sobrenatural.

A casualidade, destino ou sorte levado pelo mesmo, perde sentido, ao entender pela graça divina, que tudo está determinado desde antes da fundação do mundo, quer dizer que nada acontece pela decisão humana e sim pela soberania de Deus. Portanto, não devemos desanimar diante das situações inesperadas e complexas da vida. Devemos descansar na graça soberana do Senhor para seus filhos. Noemi e Rute viram em sua própria vida sua direção. Compreenderam que como Ele usa as circunstâncias aparentemente adversas para executar seus planos preestabelecidos e completar sua perfeita obra.

Da mesma forma que todo o filho é chamado para ver em todas as coisas a vontade soberana de Deus, sendo executada para a sua glória. Deus em sua grandeza, não é surpreendido em coisa alguma, pelo contrario, Ele mesmo é quem dá a Palavra e todas as coisas acontecem. De maneira especial, no capítulo um, vemos a soberania de Deus em favor de seus filhos, ele usa situações de vida para revelar-lhes os seus insondáveis planos. Não devemos descansar até que compreendamos os princípios de sua majestosa ação na vida de sua criação.




    1. INCOMPREENSIVEL EM SEU CARATER

A soberania de Deus é a expressão de seu caráter, nesse sentido, ao desprender seu controle poderoso põe manifesto o caráter do Senhor. Cada ação, ,ou decisão ou realidade, das quais, somos objetos, é a apresentação de ações características e perfeições de Deus. Pelo qual, os eventos na perspectiva bíblica e teocêntrica, nos chamam a reconhecer, adorar e exaltar uma bondade específica do caráter criador.

Por isso, estudar o cuidado dele para com seus filhos, é adentrar nos aspectos de seu ser e operar. Consideremos alguns de seus aspectos da essência de Deus, manifestos no capítulo um. Nessa lição se exalta a soberania nos eventos históricos. Também sua providencia. Esta tem a ver com o sustento da criação e as coisas que foram criadas. Consideremos as implicações da providência divina.

Deus, o grande criador de todas as coisas, sustenta (Hb.1: 3) dirigem dispõe e governa toda a criatura , ação e todas as coisas (Dn. 4:34,35; Sl. 135:6; At. 17:25-28; Jó 38-41) desde o maior até o menor (Mt. 10: 29-31), por sua providência (Pv. 15:3; Sl. 145:17; 104:24), conforme a sua presciência infalível (At. 15: 18; Sl. 94: 8-11) e o livre imutável conselho de sua própria vontade (Ef. 1: 11; Sl. 33: 10, 11), para o louvor de sua glória, sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia (Ef. 3: 10; Rm. 9: 17; Sl. 145: 7; Is. 63: 14; Gn. 45: 7) (Westminster, Cap. 5).

Nesse sentido podemos argumentar que a descrição característica de Deus apresentada neste livro, indica o cuidado e segurança que Deus tem das coisas criadas, incluindo o homem e a mulher. Pelo qual, vemos no capítulo um, a ação de Deus em favos dos seus. Ao prover um sítio aonde viver temporariamente, ao dar companhia e consolo a viúva e ao facilitar o regresso de Noemi e Rute para a terra de Belém.

É interessante notar que apesar do grandioso mover de Deus em sua vida, Noemi não entende o sofrimento, as perdas, deslocamento. Portanto, entra em um estado de profunda depressão e confusão. Lembramos que Ele mesmo estabelece os fins e os meios pelos quais irão realizar seus planos (At. 27: 31, 44; Os. 2: 21, 22) apesar disso, ele é livre para operar sem os meios (Os. 1: 7; Mt. 4: 4; Jó. 34: 10), sobre eles (Rm. 4: 19-21) e contra eles, segundo lhe apraz (II Rs. 6:6; Dn. 3: 27) (Westminster, cap. 5).

Em conseqüência, fazemos muitas perguntas diante das situações que soberanamente tem sido planejada, quando sofremos na nossa própria carne. O que se põe em manifesto é a incompreensão, insatisfação e o desacordo diante de sua sábia e justa decisão. Noemi não é a exceção. “porque haveis de ir comigo? Tenho eu mais filhos em meu ventre que possam ser vossos maridos?... porque eu já sou velha para ter marido e mesmo que dissesse: tenho esperança e esta noite estivesse com marido e ainda desse luz a filhos, haveria vós esperá-los até que fossem grandes? Haveis de ficar sem casar por amor a eles?...” (v. 11 -13). Ainda que o seu raciocínio seja verdadeiro dentro da lógica humana, mas não é assim pela ótica divina. Podemos afirmar que Noemi estava muito preocupada em resolver a sua solidão e a falta de filhos por conta própria, para si mesmas e para suas abnegadas noras.

É interessante reconhecer que os crentes diante da incompreensão da graça de Deus nas circunstâncias adversas, são tentados a buscar essas coisas usando seus próprios meios ineficazes e pecaminosos, e culpar a Deus pelas coisas que lhes acontecem. Como Noemi, desabafamos, não reconhecendo nossas faltas, mas expressando nossas amarguras e aflição diante de Deus. A nossa tendência é descarregar a nossa amarga situação diante do justo e bondoso Senhor. “Não filhas minhas; que maior amargura tenho eu do que vós, pois a mão de Jeová tem pesado sobre mim”. (V. 13).

Ao chegar à terra natal, Noemi é recebida em Belém com surpresa e admiração. “Andaram pois elas, até que chegaram a Belém; e aconteceu que havendo entrado na cidade de Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas e disseram: Não é esta a Noemi? (v. 19). O interessante é notar que esta surpresa é pela aparência que refletia esta abatida mulher. É ali que ela expõe toda a amargura, dor e pesar. “E ela lhes respondia: Não me chame de Noemi, mas me chamem de Mara; porque com grande amargura me tem afligido o Todo Poderoso” (v. 20).

E novamente em casa quando pode processar as perdas e ser consolada, pode falar livremente dos amargos dias que está vivendo. “Ditosa eu fui, mas Jeová me fez voltar de mãos vazias. Por que me chamareis de Noemi, já que Jeová tem dado testemunho contra mim e o Todo Poderoso me tem afligido?” (v. 21) Depois de longos dias caminhando em silêncio, meditando seu sofrimento, com a companhia de sua nora Rute, agora em Belém exterioriza sua dor e a motivação que a traz de volta. Chora sua dor e aos seus mortos. É em Belém que compreende a totalidade de suas perdas.

Quão interessante é que ao manifestar sua dor e sofrimento, Noemi reconhece a soberania do Senhor em cumprir sua vontade, reconhece que tudo vem de Deus. Não atribui nenhuma falta ao esposo, pelo contrário exclama que o mesmo Senhor quem tirou de Belém com as mãos cheias e regressa de mãos vazias. Este reconhecimento indica o grau de sua maturidade, não protesta contra Deus, mas reconhece amargamente sua soberania. Não se aquieta diante de seus conterrâneos, mas expressa sua incompreensão diante das decisões do Senhor que tem sido dolorosa, com sábia e pública confissão.

Noemi não entende como agora tem mudado. Se expressa muitos contrastes valiosos para a compreensão deste quadro de sofrimento. A família sai de Belém, casa do pão, porque há fome. Chegam a Moabe e se estabelecem com o infortúnio para Noemi, de perder seu esposo e seus dois filhos. Seu nome que significa prazer, converteu em amargura. Saiu cheia de esperança, volta vazia e em aflição (Vilchez, 1998, pp. 84-85).

Deus aflige a seus filhos? Ainda que muitas pessoas consideram que Deus em sua bondade não pode afligir a seus filhos, na obstante, vemos neste quadro a verdade sobre o assunto. A aflição é um dos meios que ele usa para manifestar o seu poder, disciplinar a seus filhos e para que ele seja glorificado em meio a nossa adversidade. Como é o caso de Jó, há uma incompreensão por parte de Noemi da realidade do sofrimento. Não obstante, no quadro dramático de Jó nos é revelado a origem celestial de seus propósitos divinos do infortúnio. No caso de Noemi, não há essa informação que daria essa resposta aos leitores das razões soberanas e celestiais que promovem a dor.

Noemi considera a realidade presente em seus olhos de mulher. Seus olhos vêem dor, perda, aflição, amargura. Parece que ela crê o que muitos crêem em relação à vida, que o tempo que passou foi melhor. Ao olhar para traz quer voltar no tempo e continuar desfrutando o que em seu juízo lhe dá mais prazer. Todavia, desde a ótica celestial, não acontece nada que não contribua para a glória de Deus e para a bênção de Noemi e o povo escolhido. Em relação a Confissão de fé disse: “Ainda que seja em relação a presença e decreto de Deus, quem é a primeira, todas as coisas acontecerão imutável e infalivelmente? (At. 2: 23); todavia, pela mesma providência as tem ordenado de tal maneira, que acontecerão conforme a natureza das causas secundárias, seja necessária ou livre (Gn. 8: 22; Jr. 31: 35; Ex. 21: 13; Dt. 19: 5; I Rs. 22: 28; Is. 10: 6-7) (Westminster, Cap. 5).

Diante do egoísmo de Noemi e de todos os nossos diante do sofrimento, Deus responde. Todavia, por causa da nossa dureza de coração, vemos sua resposta depois de muita dor e amargura. Nesse sentido, para os filhos de Deus, todo tempo por vir será melhor, porque é a oportunidade para conhecer melhor o Senhor e desfrutar de suas decisões providentes, justas e soberanas. E o que podemos aprender de Noemi e de todo o filho de Deus que tem passado pelo sofrimento e aparente solidão é quando pensamos somente em si mesmos, Deus está tecendo seu projeto redentor para todos os escolhidos. Em conseqüência disso, não devemos nos preocupar com tudo que se passa ao nosso redor, se não enchermos de alegria pelas coisas que o Senhor está executando para a sua glória e a bênção de muitos, mesmo que muitas vezes não entendemos.

A forma significativa e admirável é como Deus usa a nossa incompreensão e dor para tecer seus maravilhosos planos. Também podemos nos alegrar, porque em meio a nossa dureza para compreender a ação divina, Ele permanece fiel a sua palavra e seus planos preestabelecidos. O que Noemi não sabia é que sua dor e sofrimento era parte do preço que devia pagar por ter ido a terra estrangeira e anunciar o plano redentor aos moabitas; dos quais, alguns, como é o caso de Rute seria incluída como um dos filhos de Deus e trazida ao ovo da aliança e viver debaixo da promessa de salvação e vida abundante.

Podemos perguntar: Noemi era consciente que Deus seus passos estavam sendo dirigidos por Deus? Ela compreendia que sua dor era necessária para que Rute pudesse ter sido trazida a reconhecer o senhorio do Deus de Israel em sua vida? Se o marido e os filhos de Noemi não tivessem morrido, ela teria voltado a Belém? Havia estabelecido tanto Noemi em Moabe, que o Senhor tirou sua família para que visse obrigada a regressar? Não percebe tudo isso, a soberana direção de Deus para esta humilde e valente mulher?

Podemos concluir esta seção dizendo que por mais que pese toda amargura que nos cause a direção de Deus em nossas vidas, ainda assim, todos os seus filhos estamos sendo guiados pelo Senhor. E estamos sendo chamados a reconhecer seu caráter e aprender de sua provisão mesmo em meio da mais amarga situação. Essa é uma das conclusões aquis chega Jó ao final do sofrimento. Isto tem lhe servido para conhecer mais o Senhor a quem amava e para compreender seus imensos desígnios e depender de seus maravilhosos propósitos.

Não é necessário entender os planos de Deus para deleitarmos nele, não é necessário definir a direção que Ele dá a nossa vida para depender dele. Não devemos esperar a ter prazer nas coisas, para aceitar que somos sustentados por Ele. Muitas vezes Deus usa a dor e sofrimento para dar alegria a muitos. Esse é o caso de José, escravo no Egito, também o de Jó e centenas de crentes em todo o mundo. Como é o caso de Noemi, a amargura passageira e aparente perda são amplamente recompensadas pelo generoso e bom Deus.

Nesse sentido podemos reiterar que Deus sempre tem cuidado com os seus, mesmo que estes não o vejam e compreendam. Em meio da aflição, amargura e vergonha nossa, o Senhor está fazendo soar a melodia de seu incomparável propósito redentor. As notas de seus bondosos planos soam em meio de nossos desafinados gritos de incompreensão diante de sua doce sinfonia. Pelo qual, devemos descansar em seus braços e refugiarmos confiadamente em seu caráter imutável. Noemi é um claro exemplo de como Deus nos revela seu caráter em meio à admiração dos demais e a sua incompreensão, pela forma como somos tocados e afetados pelas situações da vida.

Lembre-se, Deus sempre tem um campo com colheita e uma mesa servida, logo ao passarmos pelo deserto triste e doloroso. Pelo qual, estar na expectativa pelo desenvolvimento dos seguintes capítulos na vida de Noemi e Rute. O cuidado providencial de Deus, trouxe Noemi a terra do pão: Belém para ser alimentada com os manjares da casa, sob o cuidado paternal de Deus. Podemos afirmar, segundo disse a Confissão de fé: “assim como a providência de Deus alcança em geral todas as criaturas, assim também de um modo especial cuida a sua igreja e dispõe todas as coisas para o bem dela” (I Tm. 4: 10; Am. 9: 8,9; Rm. 8: 28; Is. 42: 3-5, 14) (Westminster, Cap. 5).




    1. TODO PODEROSO EM SUA AÇÃO

Depois de refletir sobre a soberania de Deus em todas as coisas, circunstâncias e pessoas e de meditar na incompreensão de seus filhos diante de seu caráter, estudaremos as ações providentes do Senhor para seus seguidores. Não devemos avançar, sem reconhecer que o caráter de Deus para seus filhos, com freqüência é um símbolo desconcertante e difícil de entender. Todavia, seu Espírito, é quem nos leva diligente e perseverantemente da mão para que reconheçamos sua graça inesgotável e seus deleitosos e verdes pastos. “O Senhor é meu pastor, nada me faltará, em deliciosos verdes pastos me faz descansar, guia-me mansamente às águas tranqüilas”. (Sl. 23: 1 e 2).

Todas as ações que provém da mão de Deus são poderosas., ou seja, revelam o poderio e magnificência do Criador. O que vemos no capítulo um é a expressão potente para atrair seus escolhidos ao redil. Algumas das ações poderosas de seu operar expostas com clareza ou entrelinhas no capítulo um são: a fome na terra de Belém, a abundância na terra de Moabe, a direção forte de Deus para levar esta família a terra estrangeira. O matrimônio de seus filhos com mulheres estrangeiras. A morte dos três varões da família. A maravilhosa notícia da colheita na terra de Belém. O regresso de Noemi a Belém. A companhia fiel e abnegada de Rute a favor de sua sogra. A luz que há no coração de Noemi sobre a soberania do Senhor em toda a sua dor.

Noemi está enfrentando as inclemências, segundo ela, do poder de Deus sobre a sua vida. É de anotar que todos estes anos estão cheios do poder de Deus sobre esta mulher. Não obstante, só o reconhece publicamente, quando sua dor é levada à máxima expressão. Ali anuncia que seu Deus é Todo Poderoso. Esta proclamação de uma das perfeições do Senhor não está associada à bênção, mas a sua dor e a aflição. Não reconhece Noemi, o poder de Deus ao guardá-la e trazê-la de volta? Entende o poder de Deus, ao dar em sua companhia inseparável de Rute?

Parece aos nossos olhos, segundo o que se descreve a narração, que esta sofrida mulher, só reconhece o poderio do Senhor quando toca fundo em sua dor e angustia. Nos perguntamos: não havia poder de Deus ao sustentá-la durante todos esses anos? Seu poder se faz evidente só para afligirmos? Apesar desta errada apreciação, o que se reconhece Noemi, é que a realidade de sua vida sofrida é a manifestação de seu grande poder.

Devemos refletir como reagimos diante das decisões de Deus que nos causem dor. São muitos os personagens bíblicos que enfrentaram adversidade. Entre eles temos, Jó, Jeremias, Elias, Jonas. Diante das provas, reagiram de várias formas. Em geral, foram inspirados a reconhecer o poder e a auto-suficiência do Senhor ao passar por elas. “Ele é sábio de coração e grande em poder; quem porfiou com ele e teve paz?” (Jó 9: 4). “Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro; por isso tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua que jamais se esquecerá. Tu pois, ó Senhor dos Exércitos que provas o justo e esquadrinhas os afetos e o coração, permite que veja eu a tua vingança contra eles, pois te confiei a minha causa”. (Jr. 20:11-12).

Com freqüência, culpamos o Senhor por sua disciplina e não nos alegramos nela, como privilegiados de Deus. Devemos aprender a alegrarmos a situações incompreensíveis a vida do crente. “Meus irmãos, tende em vós alegria, quando passardes em diversas provas”. (Tg. 1: 2). Cada situação de prova é dolorosa, mas necessária para o nosso crescimento espiritual. Pelo qual devemos estar gratos ao Senhor. Lembramos que o livro de Hebreus nos exorta a reconhecer os propósitos finais da disciplina pelo Senhor nas nossas vidas. “È verdade que nenhuma disciplina ao presente parece ser causa de alegria, mas de tristeza; mas depois dá fruto aprazível de justiça aos que nela tem sido exercitado” (Hb. 12:11).

Diante das perdas, incompreensões, amarguras e aflições reconhecer o poder do Senhor. Sua graça nos tem sustentado, com seu braço forte tem aberto o caminho para que passamos e sustentado com sua inesgotável graça. Meditamos em ações poderosas do Senhor em favor de seu povo.

O poder do Senhor se faz evidente em escolher um povo para si e em libertá-lo da escravidão. “Porquanto amou seus pais e escolheu a sua descendência depois deles e tirou do Egito, ele mesmo presente e com a sua grande força”. (Dt. 4: 37). O salmista louvava o Senhor porque seu poder é notório em todos os povos e digno de ser reconhecido e anunciado por todos os tempos e pessoas. “Do poder de teus maravilhosos feitos falarão os homens e eu anunciarei a tua grandeza. Proclamarão a memória de tua imensa bondade e cantarão as tuas justiças”. (Sl. 145: 6-7). Mesmo Jesus na oração do Pai nosso, nos ensinou a reconhecer o senhorio de Deus em todas as coisas e seus infinitos limites. “...porque teu é o reino, o poder, a glória, por todos os séculos” (Mt. 6: 13). O apóstolo Paulo inicia sua carta aos romanos expressando a compreensão do poder sobrenatural de Deus, razão pela qual são indesculpáveis diante de sua presença. “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como a sua própria divindade se faz claramente visíveis desde a criação do mundo, sendo entendida por meio das coisas feitas, de modo que os homens são indesculpáveis”. (Rm. 1: 20).

Como Noemi, outros servos de Deus foram inspirados a reconhecer o grande poder de Deus em diferentes circunstâncias e distintas motivações. O Senhor ao chamar a Abraão lhe manifesta este aspecto de seu caráter. “Era Abraão da idade de noventa e nove anos quando o Senhor lhe apareceu e lhe disse: Eu sou o Deus Todo Poderoso; anda diante de mim e sê perfeito” (Gn. 17: 1). Diante do sofrimento, Jó nos exorta a aceitar humilde e esperançosamente a correção do poderoso Criador. “Eis aqui, bem aventurado o homem a quem Deus castiga; Portanto, não menospreze a correção do Todo Poderoso” (Jó 5: 17). Ele é Todo Poderoso, ao qual não alcançamos, ele é grande em poder; e em juízo e em multidão de justiça não afligirá”. (Jó 37:23).

O apóstolo João termina de escrever o Apocalipse e faz ressoar em nossos ouvidos a proclamação do poder de Deus a favor de seus filhos. “E ouvi como a voz de uma grande multidão, como estrondo de muitas águas e como a voz de grandes trovões que dizia: Aleluia! Porque o Senhor nosso Deus Todo Poderoso reina!” (Ap. 19: 6).

Um Deus poderoso tudo pode, pelo qual, devemos estar confiados e seguros em suas mãos. Com Ele tudo o que sucede é para o seu bem. É possível deleitarmos nele porque tudo o que faz é bom em grande maneira. Como um hino que se repete uma e outra vez como um estribilho, em Gênesis capítulo um, “tudo o que faz é bom”. Porque nos angustiamos diante de todas as coisas que ele permite aos nossos filhos. Por que não descansar em sua graça soberana, com a segurança que o filho da história de nossas vidas está sendo sustentado e levado a um final feliz pelo Senhor de todas as coisas? Esta segurança no coração mesmo que nublada pelos imprevistos da vida, é a que sustenta Noemi e Rute em seu retorno a Judá, como tem nos sustentado para que sigamos suas pegadas apesar de...

LIÇÃO 1 – ELE É JEOVÁ TEU DEUS

TRABALHO PESSOAL
ATIVIDADES


  • Realizar as atividades do Registro de Observação e Análise do Capítulo um.

  • Contestar cada uma das correspondentes ao tema da lição;

  • Por favor, não vá mais além do que está sendo sugerido pra esta classe.


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