Sobre o toyotismo



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SOBRE O TOYOTISMO
Os conceitos que norteiam a organização da produção atualmente são inspirados em ferramentas e métodos amplamente associados ao modelo japonês de produção. “Dentre experiências do capital que se diferenciavam do binômio taylorismo/fordismo, pode-se dizer que o ‘toyotismo’ ou o ‘modelo japonês’ encontrou maior repercussão”(ANTUNES, 2003, p. 53).
Não é possível recuperar aqui os detalhes do método, as fases de implantação do mesmo na empresa Toyota ou sua disseminação também no ocidente. Nos importa apenas destacar no que o toyotismo difere de formas anteriores de gestão e organização da produção e seus princípios gerais. Para o sociólogo Ricardo Antunes, o toyotismo difere do fordismo basicamente pela produção muito vinculada à demanda, além de variada e bastante heterogênea; fundamenta-se no trabalho operário em equipe, com multivariedade de funções e flexível, onde o trabalhador pode operar várias máquinas; tem como princípio o just in time, o melhor aproveitamento possível do tempo de produção e funciona segundo o sistema de kanban, placas ou senhas de comando para reposição de peças e de estoque, que deve ser mínimo. O processo produtivo é horizontalizado, transferindo muitas atividades para terceiros – enquanto na fábrica fordista cerca de 75% era produzido no seu interior, na fábrica toyotista esse número chega a 25% e tende a reduzir-se ainda mais. Além disso, organiza grupos de trabalhadores que são instigados a discutir seu desempenho “com vistas a melhorar a produtividade das empresas, convertendo-se num importante instrumento para o capital apropriar-se do savoir faire intelectual e cognitivo do trabalho, que o fordismo desprezava” (ANTUNES, 2003, p. 55).
Pela pequena descrição feita até aqui já é possível compreender o grau de controle necessário para operar respondendo à demanda do mercado, produzindo o necessário com o maior aproveitamento possível da mão de obra, assim como controlar um estoque mínimo, onde nada falte, mas nada sobre, visando não antecipar capital. E, no lugar do trabalhador especializado, operando uma única máquina, sob o olhar de um supervisor com um cronômetro, imagem clássica do método de Taylor, teremos no toyotismo um trabalhador queopera várias máquinas ou executa diferentes funções, às quais escapariam à gerência coordenar e, além disso, essa gerência ainda foi reduzida; as atividades podem ser feitas por equipes ou times de trabalho muitas vezes com rotatividade das competências. Além disso, várias empresas executam pequenas etapas do processo de fabricação de determinado produto ou fornecem peças que precisam seguir a risca as especificações do produto final, mas também um exército de trabalhadores pode trabalhar à distância, muitas vezes em suas casas, apresentando desempenho elevadíssimo, sem que o ‘chefe’ esteja sentado na mesa de trás.
E aqui vale ressaltar um dos princípios norteadores da gestão atual, que é a busca pela redução de efetivos. O planejamento e controle da produção busca chegar a um nível que permita dividir determinada tarefa, distribuindo-a entre os trabalhadores, de modo a eliminar o posto daquele que antes a executava. A constante coleta e interpretação de dados permitem entender um fluxo de trabalho e traduzí-lo em um software ou maquinário que passe a executar a tarefa e reduza o trabalho vivo.
“[...] não é tanto para economizar trabalho, mas, mais diretamente, para eliminar trabalhadores. Por exemplo, se 33% dos ‘movimentos desperdiçados’ são eliminados em três trabalhadores, um deles torna-se desnecessário. A história da racionalização na Toyota é a história da redução de trabalhadores; [...] Todo o seu tempo [dos trabalhadores], até o último segundo, é dedicado à produção (Kamata apud ANTUNES, 2003, p. 56).
Já que a coleta e interpretação de dados relativos ao processo é tão importante para o aperfeiçoamento contínuo da gestão, assim como as sugestões e melhorias feitas pelo próprio trabalhador à sua atividade, o que é encorajado, estimulado e exigido pela empresa, fica evidente que o envolvimento e participação dos trabalhadores é essencial nas formas contemporâneas de gestão da produção, mobilizando qualidades que foram, por vezes, deixadas de lado em formações anteriores. Também fica claro que o quadro atual traz várias complicações para os trabalhadores, como uma intensificação do trabalho, um desgaste evidenciado por vários problemas de saúde física e mental, ao mesmo tempo em que crescem os índices de desemprego.
“Não nos parece que o ‘toyotismo’ tenha significado, do ponto de vista dos trabalhadores, um avanço em direção ao domínio do processo produtivo. Isso por vários motivos: (...) as contrapartidas do ‘toyotismo’ inscrevem-se claramente numa estratégia de cooptação dos operários para participação nos objetivos da empresa; (...) precarização das condições de trabalho e o desemprego estrutural para contingentes cada vez maiores da força de trabalho. Mesmo para os trabalhadores que estão empregados pelas empresas centrais, o que se observa é a extensão da jornada de trabalho e uma pressão contínua” (MARCELINO, 2004, p. 114-115).
Pode parecer, no mínimo, contraditório que se consiga a adesão dos trabalhadores para que incorporem novas tarefas, intensifiquem o ritmo de trabalho, contribuam com idéias para a melhoria do processo, sendo que o resultado da melhoria não é redução de desgaste no trabalho, mas de postos, de modo que, no limite, o trabalhador trabalha para sua própria exclusão. Os níveis de desemprego e a precarização a que se assiste já não deixaram bastante claros o efeito de ‘escada rolante ao contrário’ em que vive o trabalhador, onde se dedicar à tarefa, estudar e se aperfeiçoar para além do horário oficial de trabalho, não garantem ascensão na carreira?
Ao calcular as possibilidades de intensificação de trabalho, Taylor escolhia um trabalhador que lhe parecesse adequado para definir um novo padrão, um gorila amestrado em suas palavras, e lhe oferecia um pagamento maior se cumprisse a tarefa como planejada. Seu método procura estabelecer uma “relação formal de reciprocidade entre dois sujeitos histórica e politicamente desiguais: capital e trabalho” (HELOANI, 1994, p. 18).
Já as contrapartidas do fordismo como modelo vão além dos melhores salários pagos por Ford, estando ligadas também às políticas keynesianas e do Estado de bem estar social, durante uma espécie de “círculo virtuoso (ganhos elevados de produtividade – grande produção – aumento dos salários – consumo alto)” (LINHART, 2007, p. 76). “A esmagadora maioria dos conflitos e das greves das décadas de 1950, de 1960 e do início da década de 1970, que haviam sido desencadeados pelos sindicatos ou retomados por eles, terminou em negociações sobre os salários ou, de modo mais geral, sobre o contrato de trabalho” (LINHART, 2007, p. 78). Cabe perguntar quais são as contrapartidas do toyotismo?
Thomas Gounet resume ironicamente as inovações principais do toyotismo:

“Em lugar do trabalho desqualificado, o operário é levado à polivalência. Em vez da linha individualizada, ele integra uma equipe. No lugar da produção em massa, para desconhecidos, trabalha um elemento para satisfazer a equipe que vem depois da sua na cadeia. Em suma, o ‘toyotismo’ elimina, aparentemente, o trabalho repetitivo, ultra simplificado, desmotivante, embrutecedor” (GOUNET, 1999, p. 33).


Se estes são os pontos de defesa de tais técnicas de gestão, por outro lado já estão bastante evidentes o caráter de intensificação do trabalho, redução e precarização de postos, entre outros. Levando psicólogos do trabalho a voltarem-se para tais questões e trabalhadores a declararem preferir os métodos anteriores.
Diante disso é preciso comentar que não pode ser possível que as ferramentas de gestão da qualidade, o conhecimento psicológico da área de recursos humanos, as ‘reuniões do abraço’, os concursos, os prêmios, as gincanas, enfim, as técnicas de gestão e seus mecanismos de cooptação, sejam os únicos responsáveis pela adesão do trabalhador. Fica limitada a análise desse quadro se interpretarmos que ocorre um engodo por parte do capital, que os trabalhadores são enganados para que contribuam, pois parece que o capitalismo parou de prometer há algum tempo. Não mais se pede empenho para a situação melhorar, mas apenas constata-se que ‘não há alternativas’, a frase preferida, talvez, da doutrina neoliberal. Um primeiro ponto que precisamos investigar é de que esse envolvimento é possível em um tipo específico de trabalhador e de sociedade.
Pois, ao tratar de controle, claro que é interessante analisar o aspecto técnico da gestão do trabalho, como a produção pôde se dispersar, como a produtividade dos trabalhadores pode ser acompanhada a distância, como os dados gerados pelo sistema podem ser constantemente colhidos e analisados para aperfeiçoá-lo; mas existe uma outra dimensão desse controle que é a adesão que se consegue do trabalhador e da sociedade. Claro que é um feito para o capital conseguir equacionar a financeirização da economia, a dispersão da produção, a flexibilidade produtiva acompanhando mudanças constantes no mercado, é impressionante mesmo todo o fluxo de informação controlado. Mas não é um feito muito maior conseguir que aqueles que trabalham, que colhem as informações, que alimentam as máquinas e softwares, enfim, que possibilitam a movimentação econômica o façam com toda a dedicação ao mesmo tempo que são gradativamente e cada vez mais jogados à margem do sistema? Não é essa característica do controle muito mais refinada, conseguir que o trabalhador defenda a empresa, pois dela depende sua vida, mas o faça morrendo por ela?
Para isso, tendo tratado rapidamente de aspectos da racionalidade aplicada à produção contemporânea, passemos para o raciocínio político e o discurso social que se articulam neste cenário para, adiante, tentar delinear o quadro geral de uma sociedade de controle e em que esse conceito encontra ressonância na realidade que estamos comentando. Nesse sentido, é necessária certa paciência ao leitor, pois alguns trechos podem parecer parte de uma outra discussão, da análise de determinada teoria ou fato histórico, mas trata-se apenas de delinear um quadro, de apresentar uma articulação, diferentes questões, mas com uma mesma matriz de raciocínio. Apresentar esses elementos em separado permitirá ao final tratar das sociedades de controle voltando a eles e a seus exemplos.
Trecho extraído do texto "Toyotismo e neoliberalismo: novas formas de controle para uma sociedade-empresa", de Rafael Alves da Silva.
CONCEITOS & DISCUSSÕES II

Estereótipo

Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação. São usados principalmente para definir e limitar pessoas ou grupo de pessoas na sociedade.

Conceito infundado sobre um determinado grupo social, atribuindo a todos os seres desse grupo uma característica, frequentemente depreciativa; modelo irrefletido, imagem preconcebida e sem fundamento.

O Estereótipo também é muito usado em Humorismo como manifestação de racismo, homofobia, xenofobia, machismo e intolerância religiosa. É muito mais aceito quando manifestado desta forma, possuindo salvo-conduto e presunção de inocência para atingir seu objetivo.



Estigma

Estigma social é uma forte desaprovação de características ou crenças pessoais que vão contra normas culturais. Estigmas sociais freqüentemente levam à marginalização.

Exemplos de estigmas sociais históricos ou existentes podem ser deficiências físicas ou mentais, ilegitimidade, homossexualidade, filiação a uma nacionalidade, religião (ou falta de religião) ou etnicidade específicas, tais como ser judeu, negro ou cigano. Outrossim, a criminalidade carrega um forte estigma social.

Discriminação

Discriminar significa "fazer uma distinção". Existem diversos significados para a palavra... O significado mais comum, no entanto, tem a ver com a discriminação sociológica: a discriminação social, racial, religiosa, sexual, por idade ou nacionalidade, que podem levar à exclusão social.

Atualmente, é chamada 'discriminação positiva' (e a um conjunto delas 'políticas afirmativas'), a discriminação que visa beneficiar determinado grupo que sofre historicamente algum nível de discriminação social.

Preconceito

Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, "racial" e "sexual".

De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada "estereótipo". Exemplos: "todos os alemães são prepotentes", "os americanos formaram grandes grupos arrogantes", "todos os ingleses são frios". Observar características comuns a grupos são consideradas preconceituosas quando entrarem para o campo da agressividade ou da discriminação, caso contrário reparar em características sociais, culturais ou mesmo de ordem física por si só não representam preconceito, elas podem estar denotando apenas costumes, modos de determinados grupos ou mesmo a aparência de povos de determinadas regiões, pura e simplesmente como forma ilustrativa ou educativa.

Observa-se então que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio. Tipos de preconceito: racial, sexual, de origem etc.



Democracia racial

Democracia Racial é um termo usado por alguns para descrever as relações raciais no Brasil. O termo denota a crença de que o Brasil escapou do racismo e da discriminação racial vista em outros países, mais especificamente, como nos Estados Unidos. Pesquisadores notam que a maioria dos brasileiros não se veem pelas lentes da discriminação racial, e não prejudicam ou promovem pessoas baseadas na raça. Graças a isso, enquanto a mobilidade social dos brasileiros pode ser reduzida por vários fatores, como sexo e classe social, a discriminação racial seria considerada irrelevante.



Racismo e xenofobia

O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, atribuindo superioridade a alguns de acordo com a matriz racial.

A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade e ao complexo de inferioridade, se sentindo, muitos povos, como inferiores aos europeus.

O racismo tem assumido formas muito diferentes ao longo da história. Na antiguidade, as relações entre povos eram sempre de vencedor e cativo. Estas existiam independentemente da raça, pois muitas vezes povos de mesma matriz racial guerreavam entre si, e o perdedor passava a ser cativo do vencedor, neste caso o racismo se aproximava da xenofobia. Na Idade Média, desenvolveu-se o sentimento de superioridade xenofóbico de origem religiosa.

Quando houve os primeiros contatos entre conquistadores portugueses e africanos, no século XV, não houve atritos de origem racial. Os negros e outros povos da África entraram em acordos comerciais com os europeus, que incluíam o comércio de escravos que, naquela época, era uma forma aceite de aumentar o número de trabalhadores numa sociedade e não uma questão racial.

No entanto, quando os europeus, no século XIX, começaram a colonizar o Continente Negro e as Américas, encontraram justificações para impor aos povos colonizados as suas leis e formas de viver. Uma dessas justificações foi a ideia errônea de que os negros e os índios eram "raças" inferiores e passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados "direitos" aos colonos europeus. Àqueles que não se submetiam era aplicado o genocídio, que exacerbava os sentimentos racistas, tanto por parte dos vencedores, como dos submetidos, como os índios norte-americanos que chamavam os brancos de "Cara pálidas".

Os casos mais extremos foram a confinação dos índios em reservas e a introdução de leis para instituir a discriminação, como foram os casos das leis de Jim Crow, nos Estados Unidos da América, e do Apartheid na África do Sul.

O sexismo e suas formas

Sexismo é termo que se refere ao conjunto de ações e ideias que privilegiam entes de determinado gênero (ou, por extensão, que privilegiam determinada orientação sexual) em detrimento dos entes de outro gênero (ou orientação sexual). Embora seja constantemente usado como sinônimo de machismo é na verdade um hiperônimo deste, já que é possível identificar diversas posturas e ideias sexistas (muitas delas bastante disseminadas) que privilegiam o gênero feminino em detrimento do gênero masculino. (Ex: Vagão de trem com acesso permitido apenas a mulheres e crianças, na Índia).

Ações sexistas podem partir de diversos pressupostos, destacando-se os de que:

- Um gênero (ou uma identidade sexual) é superior a outro.

- Mulher e homem são profundamente diferentes (mesmo além de diferenças biológicas), e essas diferenças devem se refletir em aspectos sociais como o direito e a linguagem.

- Existem características comportamentais que são intrínsecas a determinado gênero, de modo que todas as pessoas deste gênero as possuem (visto em generalizações como "todo homem é mulherengo" ou "toda mulher é delicada" ou "todo homossexual é gentil").

Diferentes termos podem ser usados para nomear conjuntos de ideias e ações sexistas de acordo com o gênero afetado. O sexismo contra homens é chamado de misandria ou androfobia. O sexismo contra mulheres é comummente denominado de machismo, chauvinismo ou misoginia. As formas de sexismo contra GLTB podem ser genericamente nomeadas como homofobia.

É comum que indivíduos promovam atitudes sexistas contra seu próprio gênero. A forma como a cultura age no imaginário coletivo permite que seja possível encontrar mulheres que defendam que "lugar de mulher é na cozinha" ou homens afirmando que "marido que não procura trabalho é vagabundo" assim como há mulheres e homens que se contrapõem a tais ideários, indistintamente.



Intolerância religiosa

Intolerância religiosa é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas de terceiros. Poderá ter origem nas próprias crenças religiosas de alguém ou ser motivada pela intolerância contra as crenças e práticas religiosas de outrem. A intolerância religiosa pode resultar em perseguição religiosa e ambas têm sido comuns através da história. A maioria dos grupos religiosos já passou por tal situação numa época ou noutra.






SOCIOLOGIA - 2º ANO - Apostila nº 2 - Página


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