Sobre viver nos sertões em tempos de peste: memórias da epidemia de malária no Baixo Jaguaribe-Ce



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(sobre)viver nos sertões em tempos de peste: memórias da epidemia de malária no Baixo Jaguaribe-Ce
Gláubia Cristiane Arruda Silva

Doutoranda em História (UFPE)



glaubiacristiane@yahoo.com.br

Lá nas várzeas, ao curso dos rios, onde se aglomeram os sítios, os cultivos agrícola, as fazendas de criar e se espargem e sucedem os carnaubais intermináveis, a vida não é mais possível, ou consiste num incessante e afanoso trabalho de defesa individual. Permanecer é duro sacrifício, senão ousada temeridade, que em novecentos por mil obrigará o indivíduo aos amargosos da febre incontinente, da hemoglobinação, do aniquilamento. (Raimundo Girão)

Raimundo Girão (GIRÃO, 1938), ao descrever essas paisagens, em 1938, tentava sensibilizar as diversas autoridades da capital do Ceará para os efeitos e os perigos da propagação de uma epidemia de febre palustre que se expandia em vôo célere pelos sertões do Baixo Jaguaribe1 deixando suas marcas sorumbáticas por onde passava.

Embora a malária já fosse uma doença endêmica no Brasil, a epidemia que se alastrou pela região, no final da década de 1930, foi disseminada por um tipo de mosquito conhecido como Anopheles gambiae. Considerado o mais perigoso transmissor da malária no mundo, o referido mosquito não era nativo da fauna brasileira, sendo o mesmo considerado como um anofelino africano, o qual, no ano de 1942, foi exterminado do território brasileiro.

O sucesso da campanha de erradicação dessa epidemia tornou-se, desde então, referência mundial no combate às pestes maláricas,. Possibilitando achegando o Brasil, inclusive, a receber prêmios internacionais. No entanto, há, aindatambém outros , muitos percursos, inúmeros enredos, múltiplas muitas vivencias, pressões políticas, toutros tantos dramas, e negociações esquecidas e apagadas nos “bastidores” desse “teatro de horrores”2 que merecem ser interpretados e analisados historicamente.

Dessa forma, um dos focos de análise deste texto será, bem como as ações empreendidas pela Fundação Rockefeller3 (Cf: COSTA, 1985, 112), na tentativa de erradicar o mosquito transmissor da doença, através do Serviço de Malária do Nordeste (SMNE). Buscando Objetivamos perceber como a população (re)agia diante da presença dos profissionais do SMNE tanto nos espaços de domínio público como em suas residências. Esquadrinhando em que medida o trabalho de erradicação do mosquito interferia no cotidiano da população local.



Labirintos e Veredas: percursos de memórias
NNão obstante as epidemias tenham sido no passado, objeto de diversas crônicas, os historiadores, embora venham crescentemente estudando o tema das não desprezem a referência às doenças, é possível afirmar podemos dizer que ainda são poucas as obras historiográficas que se disponham a interpretar o sofrimento, as adversidades, as mudanças e permanências culturais vivenciadas durante a incidência de surtos epidêmicos, que se constituíram em verdadeiras tragédias sociais. Nesse sentido, procuro, pois, Desde já, precisamos estar atentos para entendermos as doenças como sendo, também, um acontecimento cuja experiência é socialmente construída, uma vez que as formas como as pessoas lidam com a presença de um surto pestilento diferem de acordo com o cotidiano muda conforme o contexto sociocultural nas quais estão inseridas. Segundo Jean-Charles Sournia, “as doenças têm apenas a história que lhe é atribuída pelo homem.” (SOURNIA, 1985, 359) .

Um grande mal ou sua dimensão sócio-cultural transmuda o simples acontecimento patológico. A incidência da malária, tal qual uma pequena fissura que lentamente se amplia, tomou enormes proporções ao incidirinterferir diretamente no cotidiano (Cf: CERTEAU, 2000) dos habitantes da região, ao e provocar modificações bruscas em suas vidas. Ítalo Tronca nosme chama atenção para o fato de que, quando a relação entre o corpo, sob a ameaça da morte, as linguagens que a instituem e as memórias em torno da moléstia acabam por criar uma nova doença, “uma espécie de ser simbiótico que reúne traços do fenômeno biológico juntamente com os da cultura.” (TRONCA, 2002, 119).

Um acontecimento de natureza mórbida abala não apenas as referências culturais, os valores e os princípios norteadores da vida, mas, sobretudo, as referências coletivas, de modo a incidir, diretamente, no comportamento das pessoas de uma determinada sociedade. Contraponho-me, portanto, às interpretações que reduzem a história das doenças simplesmente à quantificação do número de mortos, esquecendo ou apagando outras dimensões valiosas, significativa para amplos segmentos da sociedade como, por exemplo, a das, assim, de perceber às sensibilidades (Cf: MONTENEGRO, et. al. (org) 2008; PENSAVENTO, p. 9-21), que compõemconstituem um esse acontecimento histórico.

 Muitas Na maioria das vezes, o pensamento científico tende a manter a ilusão da ruptura entre a doença e o social, ignorando a importância de se levar em conta também os valores e as práticas culturais de cadaa sociedade. Estes, por sua vez, estão, intrinsecamente, relacionados também ao aspecto religioso. François Laplatine nos esclarece observa que o pensamento religioso, por vezes, nos permite “tomar consciência daquilo que nos é oculto pelo pensamento científico”. (LAPLATINE, 1991, 8).

As influências dque o catolicismo no comportamento exerce sobre os valores e crenças dos moradores do Baixo Jaguaribe sãoé extremamente significante marcantes e de, fundamentalmente, importanciates quando se pensamos em analisar suas ações e/ou reações cotidianas diante da epidemia. A doença ao significar a iminência da morte, do fenecer do corpo, leva, muitas vezes, os homens e as mulheres a buscarem uma explicação transcedental para tanto sofrimento e, conseqüentemente, a questionarem suas práticas e seus valores morais. Nesse aspecto, me apoio em concordo plenamente com Jacques Le Goff, quando nos afirma que, as problemáticas em torno das doenças pertencem tanto à história dos progressos científicos como também à história profunda dos saberes e das práticas ligadas às estruturas sociais, às representações e às mentalidades. ( Cf: LE GOFF, 1985, 8)

As memórias das pessoas, com as quais realizei entrevistas, bem como os registros sonorosorais dos chefes do SMNE (concedidos à FIOCRUZ) são de suma importância para este estudo, na medida em que lançamnova luz sobre áreas inexploradas da vida diária.” (PORTELLI, 1997, 31) À medida que viajava pelos diversos espaços do sertão do Baixo Jaguaribe, em busca das narrativas sobre a epidemia, tive a oportunidade de ouvir inúmeras histórias do “tempo da malária”, constatando, assim, o quanto, amplamente profundamente, essa mazela marcou a parede da memória daqueles que a viveram. Nesse diversificado mosaico memorialístico Nesta ampla paredeé possível encontrar, se acha segura uma rede de significados construídos em torno da doença, na qual repousam vivências, sentimentos, racionalidades, hábitos e valores que marcaram uma sociedade e uma época. Regina Beatriz Guimarães observa nos revela com maestria que


“[...] entre pequenas notícias e comentários dispersos, nos trechos de memórias e nas histórias anônimas, encontramos modos de racionalidade indicativos dos comportamentos sociais, apresentando indícios de uma rede de relações históricas que lhes confere sentido”. (GUIMARÃES NETO, 2005, 419). 4
Michel Pollak nos chama atenção para o fato de que, paralela à memória oficial, sobreviveriam às memórias subterrâneas. Estas, quais pequenas fissuras, seriam capazes de abalar as estruturas de muros de concretos. Para tanto, precisar-se-ia deslocar o foco das atenções e emprestar o ouvido para as sinfonias sussurradas pelas minorias por vezes silenciadas oficialmente. Seria indispensável, portanto, perceber as disputas, as fronteiras entre o dito, o esquecido e o silenciado; os diversos sentimentos que permeiam a produção de uma memória coletiva, bem como a convergência de sentidos imbricados em sua produção. (POLLAK, 1989, 3-15)

Walter Benjamim, em seu livro Rua de Mão Única, discorre em um capítulo das interessantíssimo relacionado às suas memórias de infância, na cidade de Berlim por volta de 1900, que impressiona não apenas pela riqueza de detalhes com que descreve suas lembranças, , mas, também, pelas inúmeras inquietações e problemáticas que sua narrativa aponta despertadas em todos aqueles que realizam pesquisas utilizando a memória como fonte de pesquisa. Em sua construção narrativa Benjamim ressalta: “saber orientar-se numa cidade não significa muito. No entanto, perder-se numa cidade como alguém se perde numa floresta, requer instrução”. (BENJAMIM, 1987, 73)

A alegoria utilizada por Benjamim demonstra bem o desafio que é seguir e perder-se nas encruzilhadas das lembranças dos discursos orais. Em vários momentos, senti-me perdida diante das várias veredas e caminhos apontados pelos narradores que surgiram selecionados ao longo desta pesquisa. No entanto, ao seguir seus rastros, pistas e galhos quebrados, pude melhor inferir acerca das sensibilidades inscritas nos eventos históricos. Junto com as narrativas orais nos foi possível descortinar espaços, valores, crenças, medos e sentimentos outros que permeiam os relatos discursos sobre a epidemia de malária.

Ao fazer uso da metodologia da História Oral, é preciso ficar atentodevemosos para não considerar encarar o discurso dos narradores como sendo depositários de uma verdade absoluta ou de uma realidade fechada em si, uma vez que as memórias das pessoas estão constantemente sendo ressignificadas. O entrevistado, ao narrar suas memórias de vida, traz intrínseco, em sua fala, valores e experiências do tempo vivido no presente, onde o passado está cotidianamente sendo recriado. ( RICOEUR, 2007)

A subjetividade presente na fonte oral não diminui sua legitimidade. Ao contrário, é preciso ter a consciência de que o passado jamais poderá ser resgatado em sua totalidade, no máximo, o historiador, partindo de questões do tempo presente, estabelece um diálogo com o vivido. Dessa forma, qualquer documento que venha utilizar como registro histórico será sempre uma construção ou produção acerca versão do acontecido. (MONTENEGRO, 2010)

Nesse caso, a exemplo do trabalho interpretativo que Foucault (FOUCAULT, 1988) realiza dnos quadros de Magritte, devemos ler os indícios dos acontecimentos passados como um caligrama - compreendendo os cruzamentos, as batalhas, os liames do objeto e a escrita sobre o mesmo. As imagens, as palavras, as memórias ou as escrituras não significam o passado, mas uma representação do mesmo. O fazer historiográfico, portanto, não se encontra na reprodução das fontes, mas, nos deslocamentos, na operacionalização da documentação e no diálogo com os discursos historiográficos.

A Invasão do gambiae
Em agosto de 1928, Adolfo Lutz, segundo Leônidas Deane, viajara a Natal com o objetivo de escolher um local apropriado para a construção de um leprosário no Estado do Rio Grande do Norte e, ao perceber a movimentação de navios estrangeiros no porto da capital, advertiu o governo brasileiro para a possibilidade de uma importação de insetos exógenos, vindos principalmente do continente africano. (DEANE, 1994, 161)

Dois anos depois do alerta feito por Lutz, na tarde de domingo de 22 de março de 1930, o entomologista norte-americano Raymond Shannon, que trabalhava em Natal no Serviço de Febre Amarela5, resolvera retardar seu almoço para finalizar as pesquisas que vinha realizando das larvas de anofelinos encontradas na capital do Rio Grande do Norte. Durante seu trabalho, o entomologista teria encontrado cerca de 2.000 larvas de um tipo de mosquito que, até então era desconhecido na região. Após realizar árdua pesquisa, Shannon chegou à conclusão de que havia encontrado, pela vez no hemisfério ocidental, larvas do mosquito Anopheles gambiae.6

Segundo a Fundação Rockefeller, a presença do gambiae em solo brasileiro no início da década de 1930, representava uma ameaça não só ao Brasil, mas ao continente americano como um todo, pois se tratava de um dos mais eficientes vetores da malária no mundo. 7

O Dr. César Pinto, em 1939, chamava atenção para o fato de que os aviões Comodoros, que faziam escala no Rio Grande do Norte, poderiam também favorecer a disseminação do anofelino africano para locais ainda não infestados. E mais, de acordo com esse especialista em malária, os Estados Unidos redobraram os cuidados e atenções com as aeronaves advindas da América do Sul, desde o momento em que foram informados da migração do gambiae. (PINTO, 1939, 852)

Pouco tempo após a descoberta das larvas do mosquito, ocorreu um surto de malária em Natal. O entomologista Raymond Shannon escreveu, em setembro de 1930, um telegrama à Fundação Rockefeller no qual declarava: Encontrei gambiae em Natal. Pobre Brasil!8. Shannon lamentava os perigos da doença e as dificuldades para conter o avanço de uma epidemia que já se mostrava iminente no início daquele ano.

No ano seguinte, em 1931, no subúrbio da capital potiguar, em um bairro chamado Alecrim com aproximadamente 12 mil habitantes houve 10 mil casos da doença. De acordo com César Pinto, “a referida epidemia não teve similar no Brasil, pelo número de doentes atingidos e vitimados. Esse mosquito é incontestavelmente o mais perigoso para o homem no papel de transmissor da malária, pois, se infesta na proporção de 62%, a mais alta até hoje já observada.” (PINTO, 1939, 852)

Esse anofelino africano trazia, como um de seus agravantes, o fato de se reproduzir de forma muito fácil, até em locais com pequenas alocações de água, como poços, cacimbas, vasos, potes, que existiam em abundância na região. Para além de sua fácil reprodução, o mosquito tinha por característica sua condição de antropofílico, ou seja, só picava o ser humano. Invadindo e colonizando qualquer ambiente, o vetor transmissor da malária fazia suas vítimas deixando, por onde passava, os rastros da morte.

Não obstante estivessem conscientes dos perigos e ameaças que a presença do gambiae trazia para o Brasil e para o continente americano, os diretores da Fundação Rockefeller, de início, não se mobilizaram, em 1930, com o intuito de exterminar o vetor transmissor da malária. Suas atenções estavam voltadas principalmente para a erradicação de outro mosquito, o Aedes aegypti, transmissor da febre amarela.


Circundados pela malária

Ao longo dos anos de 1937 a 1942, o gambiae ampliou consideravelmente seu espaço de morada, expandindo rastros de destruição e miséria. A região do Baixo Jaguaribe-CE tornara-se seu novo alvo. As notícias das calamidades e da força mórbida com o anopheles gambiae adentrara a região despertaram novamente as atenções dos chefes da Fundação Rockefeller para o problema do gambiae no Brasil.

Após longos e árduos debates e pesquisas, em 11 de janeiro de 1939, o governo de Getúlio Vargas, em parceria com a Fundação Rockefeller, de origem norte-americana, criou, através do decreto-lei no 1042, o Serviço de Malária do Nordeste (SMNE).

A partir da institucionalização do Serviço de Malária do Nordeste, a região passou a ser pensada como um território doente, que precisava ser ordenado tanto em seus espaços de domínio público como também privado. A campanha de combate ao Anopheles gambiae coordenada pela Fundação Rockefeller, transformou o Baixo Jaguaribe em um território estratégico de guerra contra o insano mosquito africano transmissor da malária.

O SMNE seguiu a mesma estrutura organizacional que a Fundação Rockefeller vinha empregando no combate à febre amarela no Brasil. Operava livre de todas as restrições burocráticas, pois dispunha de um fundo orçamentário próprio, pessoal treinado e constituído por uma equipe técnica administrativa refinada. Toda essa estrutura foi montada numa verdadeira operação de guerra para impedir a propagação do gambiae pelo território sul-norte-americano.

Um verdadeiro esquadrão composto por cerca de 50 pessoas, entre médicos, guardas, laboratoristas e funcionários administrativos vieram do Serviço de Febre Amarela trabalhar no Ceará. Em meados de 1939, o SMNE contava com cerca de 4.000 pessoas trabalhando no combate ao mosquito. Desses apenas 20 eram norte-americanos.

Homens, mulheres, jovens e adultos, após passarem por um processo seletivo e treinamentos, poderiam ser contratados para trabalhar no serviço de combate ao mosquito transmissor da doença. Alguns eram encaminhados para trabalhar nos escritórios, outros nos laboratórios, além dos que executavam funções nos trabalhos de campo. Para termos uma idéia da importância do Serviço de Combate à malária, os que ocupavam a função de chefia no SMNE chegavam a ganhar salários superiores aos de um prefeito da região.

Os funcionários do SMNE eram obrigados a tolerar uma disciplina militar de trabalho. Podemos tomar como exemplo as dez pessoas que trabalhavam no laboratório central e eram responsáveis por examinar as lâminas de sangue coletadas das pessoas possivelmente infectadas pela malária. Exatamente às 8 horas da manhã, o chefe do grupo ligava um relógio despertador para iniciar as atividades do dia. Cada microscopista tinha 10 minutos para examinar uma lâmina, após esse tempo, o relógio despertava, devendo-se passar para a análise de outra lâmina. Quando se passava 50 minutos, dava-se um intervalo de descanso de 10 minutos para enfim retornarem o trabalho. De vez em quando o chefe do grupo colocava lâminas positivas em meio às outras, se por acaso ocorresse qualquer engano, a pessoa perdia o dia de salário.


“Um grupo de trabalhadores recolhia os mosquitos, ia guardando numas caixinhas e trazia para o laboratório. Essas equipes de rapazes e moças então examinavam e procuravam o gambiæ entre os mosquitos capturados. E eles tinham que, com cuidado, verificar se havia algum gambiæ entre eles. Se havia, tinham que registrar, para saber em que lugar tinha aparecido o gambiæ. Se erravam no diagnóstico do gambiæ, perdiam um dia de pagamento. Era uma pena muito séria porque, afinal de contas... Eu me lembro, estive no laboratório deles, onde uma moça verificava quinhentos mil exemplares por dia. Se ela errava um, se deixava passar um gambiæ, perdia um dia. Era um serviço muito duro mesmo, desumano, pode-se dizer. O mais engraçado é que nós, que éramos encarregados dos laboratórios, tínhamos que, naqueles tubinhos com larvas ou nas caixas com mosquitos adultos, colocar de vez em quando um gambiæ e marcar a caixa que tinha o gambiæ. Sabíamos que aquela caixa e aquele tubo tinham o gambiæ; portanto, prestávamos atenção para ver quem tinha deixado passar aquele gambiæ.” (DEANE, 164)
Os chefes dos grupos que examinavam as larvas e os mosquitos incentivavam também uma espécie de competição entre os trabalhadores. No final de cada dia, cada examinador deveria colocar no quadro-negro o nome e a quantidade de exemplares examinados. Numa forma de estimular os funcionários a trabalhar mais e ganhar “prestígio” dentro do serviço.

Os guardas da malária, que trabalhavam no campo, também eram alvos de constantes fiscalizações. Para termos uma idéia, eles deveriam, obrigatoriamente, se barbear, diariamente, vestirem-me com uniformes sempre limpos, andar com sapatos engraxados, cumprir rigorosamente os horários e as tarefas planejadas para o dia de trabalho, etc. Tratava-se, pois, de uma rotina de trabalho absolutamente diferente da rotina de trabalho a que estava acostumada à população, marcada, sobremaneira, pelos hábitos e costumes camponeses. Muitas pessoas não persistiram as pressões e as novas rotinas de trabalho. Constantemente havia revezamento dos funcionários em detrimento de muitos terem sidos dispensados e outros tantos pedirem demissão.9

Apesar das constantes pressões advindas do olhar vigilante dos chefes do Serviço de Malária, bem como do trabalho árduo, o SMNE constituía-se numa oportunidade de emprego para aqueles que se dispunha a ser guardas da malária. Para população local, assumir um posto de trabalho no SMNE representava, para além da ascensão profissional dentro do serviço de combate à epidemia, uma forma de obter uma maior visibilidade dentro da sociedade em que vivia. Tomemos como exemplo o guarda da malária, que desfrutava de um reconhecimento social simbolizado na própria farda, com a qual se apresentavam em serviço, bem como no discurso de autoridade sanitária que faziam uso.

Trabalhar na campanha de erradicação da malária poderia, também, ser um instrumento de ascensão social, uma vez que a pessoa poderia elevar-se profissionalmente, assumindo cargos de chefia. Alguns indivíduos abandonaram os antigos empregos em busca de trabalho no SMNE. O Sr. Adalto Odilon da Silva, que ocupava o cargo de estatístico da prefeitura de Limoeiro, desistiu de seu emprego para ingressar, na função de guarda medicador. Tempos depois, “seu” Adalto foi promovido a Guarda Chefe Geral. (LIMA, 1997, 458).

Para o Sr. Manoel Carlos da Silva, um dos entrevistados que trabalhou como guarda no Serviço de Malária no município de Jaguaribe, as lembranças das cenas tristes, que seu trabalho o obrigava a testemunhar durante a lida diária, mesclavam-se com as recordações das amizades construídas, dos lugares até então desconhecidos, etc. Com o dinheiro arrecadado durante o tempo que trabalhava no SMNE, o Sr. Manoel conseguiu comprar uma casa. Aliás, segundo nosso narrador, foi graças a esse tempo de trabalho que conseguiu proporcionar à sua família uma condição de vida melhor. Além dos salários, relembra ele, freqüentemente, os guardas recebiam “gratificações”. As famílias mais abastadas chegavam a presenteá-los com carneiros, bezerros, além dos que ofereciam dinheiro.
O período em que trabalhei no Serviço de Malária, ganhei muita coisa. Tudo que tenho hoje, posso até lhe dizer, que consegui através do que ganhei naquele tempo. Posso dizer que, apesar daquela doença triste, foi muito bom pra mim. Além do meu salário que ganhava, que aliás era muito bom, ganhava, dos moradores que fazia amizade de um tudo: era carneiro, bezerro, galinha e sempre davam uma gratificação em dinheiro por fora também. Com o dinheiro que juntei, pra você ter uma idéia, me casei, construí minha casa e ainda sobrou uma coisinha pra mim.10

Aos guardas cabia a tarefa de esclarecer as pessoas sobre as formas de contágio da doença, bem como as maneiras de preveni-la. Para tanto, vistoriavam todos os cômodos das casas localizadas nas zonas urbana e rural, na tentativa de identificar e exterminar os focos da moléstia. Cada equipe de guardas ficava encarregada de visitar as mesmas residências com certa assiduidade, no mínimo uma vez ao mês, para evitar a manifestação do mosquito. Para a aplicação do veneno era necessário que todos os membros da casa saíssem para que, assim, os guardas pudessem iniciar o expurgo do mosquito propriamente dito. Todos os cômodos da casa, bem como os utensílios que tivessem água depositada, deveriam ser minuciosamente vasculhados.

Dentre os vários utensílios analisados pelos guardas, um deles se destacou nas narrativas orais: o pote. Utilizado principalmente para armazenar água, este era o principal alvo dos guardas. Na maioria das vezes, sem levar em conta o quanto fora dificultoso para alguns sertanejos conseguir água para ser armazenada, tratavam logo de esvaziá-los. Vários entrevistados chegaram a nomear os guardas do SMNE de “quebradores de potes”. A Sra Clara Reinaldo Maciel, residente na cidade de Russas, recorda uma das visitas que os guardas fizeram a casa de seus pais, na zona rural daquela cidade.
“Eles chegavam com uma lanterna. Os potes, mandavam a gente cobrir os potes e tudo. Mas, as vezes, em algumas casas, eles encontravam larvas dentro do pote, derramavam, aí colocavam um pozinho.”11

O fato de muitos guardas da malária ser moradores da própria região facilitava o acesso dos mesmos ao interior das casas, minimizando, desse modo, a “invasão de privacidade”. Embora convictos da presença do guarda da malária no espaço doméstico de cada residência, os chefes do SMNE estavam conscientes de que o sucesso da campanha de combate ao mosquito dependeria do apoio da população jaguaribana. Temia-se que a população dificultasse o trabalho de erradicação da doença mobilizando-se no sentido de não permitir a presença dos guardas no interior de suas casas. De um modo geral, a população local se mostrava desconfiada ante os procedimentos tomados pelos membros do SMNE.


Ameaçavam-nos de morte, não podíamos ir em tal vila porque o pessoal "vai receber vocês muito mal, podem matá-los". Então, às vezes, não podíamos ir a determinados lugares. Havia muita dificuldade. O pessoal também fugia quando chegávamos. Íamos a um sítio, por exemplo, não encontrávamos ninguém. Todo mundo tinha sabido da possibilidade da nossa vinda; iam embora, deixavam as casas vazias.12
O Sr. Waldemar de Sousa Pinheiro, chefe geral do serviço de malária na cidade de Russas, recordou que, logo nas primeiras visitas, muitas pessoas se recusavam a receber os profissionais em suas casas. Caso a rejeição perdurasse, dever-se-ia chamar as autoridades policiais.
Teve caso de camarada atirar até em gente. Um guarda chefe, colega meu, lá em Lavras da Mangabeira, o sujeito atirou no guarda chefe, eu levei ele pro hospital. A denúncia foi pra Fortaleza, quando foi tal dia, chegou um trem especial, com a Força Federal. Pediram o endereço dele, foro buscar ele. (...). Tinha gente que recusava-se, né? Já tinha outos que ajudava. Pelo menos dava alimentação. Se o guarda chegava num canto, eles dava um almoço, dava janta, dava uma dormida, né? Então, tratava bem o guarda. (...). Aí, tinha aquele camarada que dava a recusa. Era um sujeito muito ignorante, demais! Mas ói, as autoridade ajudava muito também.13

Antes de ser, meramente, um ato de ignorância, toda expressão de resistência manifestada pela população, frente às iniciativas médicas no combate à malária, advinham, em boa medida, dos valores sócio-culturais compartilhados coletivamente. As experiências vividas por Leônidas Deane, chefe do destacamento científico do SMNE, quando viajava por alguns municípios do Ceará, são bastante elucidativas. Segundo ele, quando viajava pelo interior testemunhou por duas vezes a desconfiança de algumas pessoas que chegaram a comparar, ele e sua equipe, com os cavaleiros do apocalipse.


Quando estávamos lá (referindo-se ao interior do Ceará), o Padre Cícero tinha deixado como tradição a idéia de que o demônio vinha tentar provocar o fim do mundo. Ele viria primeiro sangrando a população. Depois, no ano seguinte, o diabo viria furando os olhos e no terceiro ano vinha matar todo mundo. Acontece que a nossa caminhonete tinha o número 666, que é o número do Apocalipse. Chegavam aqueles três camaradas, meu irmão, a Maria e eu, tirando sangue das pessoas — a primeira profecia do Padre Cícero. Nós estávamos tirando sangue para procurar malária, mas ficaram muito desconfiados conosco.

Houve dois episódios de besta-fera comigo. Um dia em Iguatu, no sul do Ceará, cheguei numa casinha onde só tinha uma mulher e umas meninas tremendo de medo. Eu estava com dois guardas e expliquei para elas que ia tirar sangue, não doía nada, ia tirar primeiro das crianças para mostrar que não doía; enfim, aquela conversa de sempre. Mas elas, nada. Tremendo, tremendo, uns olhos assustadíssimos. Perguntei por que estavam assim. O guarda foi falar com elas e me disse: "Elas dizem que estão com medo que o senhor seja o diabo. O senhor tem que provar que não é o diabo, tirando as botas para mostrar que não tem pés de cabra." Tirei as botas, meias etc. para mostrar que meu pé não era de cabra. Então elas me deixaram tirar o sangue. Em Icó aconteceu a mesma coisa em outra casa e o guarda me disse o que elas estavam querendo que eu fizesse: tinha que fazer o sinal-da-cruz em frente do crucifixo. E ele acrescentou: "Elas disseram que, se o senhor não explodir com cheiro de enxofre, deixam o senhor tirar o sangue."Fiz o sinal-da-cruz diante do crucifixo, não explodi e elas deixaram tirar o sangue. Era desse nível a crendice do pessoal do interior, naquela zona fanatizada pelo Padre Cícero no sul do Ceará.14


Os relatos do Dr. Leônidas Deane nos fazem inferir acerca das experiências compartilhadas tanto pela população sertaneja quanto pelos guardas da malária, os quais, antes de qualquer procedimento profilático, deviam ser sensíveis diante das crenças que povoavam o imaginário local.

A exemplo das residências, os guardas da malária também procuravam a incidência do mosquito transmissor da doença nos rios, açudes, poços d’água e lagoas da região. Estes espaços ficavam cobertos de um pó verdade chamando de verde-paris para evitar a reprodução das larvas.

Embora fizessem questão de esclarecerem que os larvisidas colocados nas águas não traziam qualquer prejuízo saúde do homem, no Relatório do SMNE encontramos referência que, alguns guardas que trabalhavam diretamente com o verde paris, estavam sendo alvos de uma dermatite. Há casos de funcionários que tiveram como causa de morte envenenamento, pois utilizavam aquele pó em grande quantidade e de forma errada, dessa forma acabava por inalar altas doses do inseticida.

Diante dos casos de envenenamento, os Chefes do Serviço trataram logo de instruir os trabalhadores de campo que jogassem o pó a favor do vento, evitando, dessa forma, que os mesmos continuassem inalando aquele pó. No final de 1939, foram registrados 275 casos de intoxicação entre os guardas da malária.15

Como podemos inferir, os guardas da malária valiam-se tanto do seu “status” para impor-se enquanto autoridades, como também buscavam na sua identidade regional, enquanto homens comuns, trabalhadores e moradores do Baixo Jaguaribe, para negociar e conseguir o apoio da população local. Por vezes, serviam de negociadores e/ou intermediários entre os chefes do SMNE e o habitante comum.

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TRONCA, Ítalo A. Foucault e a linguagem delirante da memória.In: RAGO, Margareth; LACERDA, Luiz B.; VIEIRA NETO, Alfredo (Org) Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. Rio de Janeiro: DP&A. 2002. [119-215].



1 As cinco principais cidades que, na época, compunham a região jaguaribana e que foram atingidas pela epidemia de malária eram: Aracati, União, São Bernardo de Russas, Limoeiro e Morada Nova. A região do Baixo Jaguaribe, após a seca de 1932, parecia vivenciar momentos de prosperidades; as elites jaguaribanas usufruíam das riquezas da cera dourada, extraída dos extensos carnaubais que, por longas veredas, seguiam intermináveis; da terra, também brotava o “ouro branco” nascido dos algodoeiros, além da atividade agrícola e da pecuária que muito tornavam farta a mesa camponesa.

2 Expressão utilizada por Raimundo Girão, em 1938, quando ministrou uma palestra na sede do Rotary Clube em Fortaleza, ao fazer referência às calamidades vivenciadas pela população do Baixo Jaguaribe durante a epidemia. Cf: GIRÃO, Raimundo. Efeitos da malária na vida sócio-econômica do Baixo Jaguaribe. Editora Fortaleza, 1938. Biblioteca Menezes Pimentel – Seção de Obras Raras

3 A Fundação Rockfeller pode ser definida como sendo uma organização não governamental com fins beneficentes criada no ano de 1917, em Nova York, EUA. Tinha como um de seus principais objetivos era promover pesquisas nas áreas biomédicas e nas ciências sociais. Alguns autores como Nilson do Rosário, vêem essa filantropia multinacional como sendo uma fachada para esconder os seus verdadeiros objetivos que advinham da “necessidade do capitalismo americano de criar condições políticas e sanitárias para as inversões de capital.” Tratava-se, portanto, de uma tentativa dos norte-americanos de expandirem a supremacia tanto no aspecto político como ideológico. Cf: COSTA, Nilson do Rosário. Lutas Urbanas e Controle sanitário: origens das políticas de saúde no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1985. p.112.

4 Conferir também: MONTENEGRO, Antonio Torres. História Oral: Caminhos e descaminhos. In: Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH/Marco Zero, vol.13. No 25/26, set. 92 /agosto 93.p.57. Conferir também os trabalhos de: ALBUQUERQUE, Durval Muniz de. Violar a Memória e Gestar a História: abordagem a uma problemática que torna a tarefa dos historiadores uma tarefa difícil. In: CLIO – Revista de Pesquisa Histórica de UFPE, no 15, Recife, Universitária, 1994. BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembrança de velhos. 3a edição. São Paulo. Companhia das letras. 1994. THOMSON, Alistair. Recompondo a Memória: questões sobre a relação entre História Oral e as memórias. Projeto História. São Paulo (15), abril de 1997. p. 51-84.

5 O Serviço de Febre Amarela (SFA) fora colocado em prática em vários estados do Nordeste. Uma parceria financeira que se firmara entre Governo Federal, Estadual e a Fundação Rockfeller com o objetivo de exterminar o mosquito Aedes aegypti. Sobre o assunto conferir a obra de BENCHIMOL, Jaime Larry (coord). Febre Amarela: a doença e a vacina, uma história inacabada. Rio de Janeiro. Editora Fiocruz, 2001.

6 Relatório do SMNE enviado ao Ministério da Saúde e Educação – Casa de Oswaldo Cruz – p.1

7 SHANNOR, R. Um anofelino africano migrante no Brasil. Anexo da Carta de M.E.Connor destinada a Dr. W. A. Sawyer, São Salvador, Bahia. 04 de abril de 1930. Op.cit.

8 Raymond Shannon Apud. BENCHIMOL, Jaime Larry (coord). Op.cit. p. 168.

9 Cf: Relatório do Serviço de Malária do Nordeste ao Ministério da Educação e Saúde (1939-1942). Fundação Rockfeller. Casa de Oswaldo Cruz – COC. Doc.213.

10 Manoel Carlos da Silva, 85 anos, entrevista gravada na cidade de Jaguaribe em 15/07/2005.

11 Clara Reinaldo Maciel, 79 anos, entrevista gravada em 23/02/2003 na cidade de Russas.

12 Deane, Leônidas. Depoimento. Op.cit. 169.

13 Waldemar de Sousa Pinheiro, 88 anos, entrevista gravada em 07 de Abril de 2006 em Russas.

14 Deane, Leônidas. Depoimento. Op.cit. 169.

15 Relatório do Serviço de Malária do Nordeste ao Ministério da Educação e Saúde (1939-1942). Fundação Rockfeller. Casa de Oswaldo Cruz – COC. Doc.213. p. 101.



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