Sombras do Passado (The Martinez Marriage Revenge)



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Sombras do Passado

(The Martinez Marriage Revenge)

Helen Bianchin

Quando o casamento de Shannay com o bilionário Marcello Martinez acabou, ela voltou para seu país levando um segredo precioso...

Agora, quatro anos depois, Marcello encontrou a esposa e descobriu que ela escondeu dele que ti­nham uma filha!

Marcello fará Shannay pagar por tê-lo enganado, trazendo-a de volta para sua vida... e para sua cama?





Digitalização: Simone Ribeiro

Revisão: Tati
PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II

B.V./S.à.rl

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamen­to ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança

com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Título original: THE MARTINEZ MARRIAGE REVENGE

Copyright © 2008 by Helen Bianchin

Originalmente publicado em 2008 por Mills & Boon Modem Romance

Arte-final de capa: Isabelle Paiva

Editoração Eletrônica:

ABREITS SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654/2524-8037

Impressão: RR DONNELLEY

Tel.: (55 XX 11) 2148-3500 www.rrdonnelley.com.br

Distribuição exclusiva para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

Fernando Chinaglia Distribuidora S/A

Rua Teodoro da Silva, 907

Grajaú, Rio de Janeiro, RJ — 20563-900

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Aos cuidados de Virgínia Rivera

virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


CAPÍTULO UM

Podemos ir mais uma vez? Por favor?

O barulho e as cores do parque de diversões os cerca­vam. Música alta, risadas, gritos de crianças maravilha­das com o carrossel, a roda-gigante... tantas diversões para encantar a atenção de uma menina pequena.

Uma beleza em miniatura, o sorriso de Nicki era encantador, a natureza radiosa uma bênção, e Shannay abraçou com força sua adorável e risonha filha.

Pequenos braços enlaçaram-lhe o pescoço.

— Estamos nos divertindo, não é?

Shannay sentiu o familiar aperto no coração pelo pri­vilégio de ser alvo do amor incondicional e confiante de uma criança inocente.

— Só mais uma vez — concordou e pagou por outra rodada. — Depois temos mesmo que ir embora.

— Eu sei — concordou Nicki, risonha. — Você tem que trabalhar.

— E você precisa de uma boa noite de sono, para estar com os olhos brilhantes no jardim de infância amanhã.

— Para eu crescer inteligente como você.

A música ficou mais alta, o carrossel começou a se mover e Nicki agarrou as rédeas do cavalinho pintado em cores brilhantes. Certo, ela se formara numa univer­sidade. Mas não era tão inteligente, pensou Shannay, quando se tratava de sua vida pessoal.

Tinha um apartamento num edifício moderno no su­búrbio de Applecross e trabalhava no turno de cinco à meia-noite como farmacêutica registrada numa farmácia não muito distante de casa. Ideal, porque podia passar os dias com Nicki e pagar a Anna, uma viúva gentil que morava num apartamento vizinho, para ficar com Nicki enquanto trabalhava.

— Posso levar algodão-doce para mim e Anna? — pediu Nicki. — Prometo que escovo os dentes depois.

Shannay abriu a boca para recusar e mudou de idéia. O que era um passeio a um parque sem algodão-doce? O rosto de Nicki se iluminou de alegria.

— Eu amo você, mamãe. Você é a melhor. Shannay abraçou a filha com força.

— Amo você também, molequinha.

Riu e se abaixou para beijar a face de Nicki.

— Então vamos comprar algodão-doce. Depois pega­mos o caminho de casa.

Levantou a cabeça... e gelou com o choque ao ver duas pessoas que esperava nunca mais encontrar.

A esperança de nenhum membro da família Martinez jamais cruzar seu caminho.

E quais eram as chances, quando viviam em lados opostos do mundo?

E por que aqui, numa feira montada num parque dos subúrbios de Perth?

Poderia jurar que seu coração parará de bater antes de recomeçar, acelerado.

Era evidente o reconhecimento e com ele a admissão de que não havia fuga.

— Oi, Shannay.

Houve uma pausa imperceptível enquanto Sandro Martinez adotava uma expressão de civilidade.

Levantou o queixo enquanto via o olhar especulativo de Sandro se transferir para Nicki.

— Oi, Sandro.

Fria, polida... podia ser as duas coisas.

— Oi, Luisa — cumprimentou a jovem ao lado dele. Tinha que ir embora. Agora.

— Mamãe?


Não. Da boca de uma criança inocente saíra a única palavra que removeria qualquer dúvida sobre quem era Nicki.

Shannay viu a boca de Sandro se transformar numa linha rígida.

— Sua filha?

Antes que pudesse dizer uma palavra, Nicki se apre­sentou, solene;

— Meu nome é Nicki e tenho três anos.

Oh, minha querida, pensou Shannay com um medo terrível. Tem alguma idéia do que acabou de fazer?

A silenciosa acusação nos olhos escuros de Sandro a alarmou e não tinha dúvida de que, se estivessem sozi­nhos, ele lhe diria exatamente o que estava pensando e as palavras não seriam nada gentis.

Os laços familiares dos Martinez eram tão fortes que Shannay tinha a certeza de que Sandro não esconderia de Marcello o que sabia.

Mal resistiu ao instinto de tomar Nicki nos braços, correr para casa... e fazer as malas. Tomar um avião para a costa leste e se perder em outra cidade.

— Com licença, temos que ir. Já estamos atrasadas — conseguiu dizer com frieza.

Shannay segurou com força a mão de Nick, voltou-se e se obrigou a caminhar com calma forçada para a saída, as costas retas e a cabeça alta.

Orgulho. Tinha de sobra. E se recusou a olhar para trás quando foram engolidas pela multidão.

Sentiu o estômago embrulhar e o sangue em suas veias gelou quando acomodou Nicki na cadeira de criança no banco de trás do carro.

— Esquecemos o algodão-doce — disse Nicki, a voz um lamento.

Oh, inferno.

— Compramos no caminho para casa, no supermer­cado.

Ligou o carro e saiu.

— Não será a mesma coisa — disse Nicki triste, mas sem rancor.

Não, não seria. Oh, maldição, praguejou em silêncio. Se não tivessem dado outra volta no carrossel... mas de­ram, e agora era tarde demais para lamentações.

Shannay se dirigiu para casa e, tentando não pensar, deu banho na filha, vestiu-a e se aprontou para o trabalho, então entregou Nicki a Anna e dirigiu até a farmácia.

De alguma forma conseguiu cumprir suas tarefas com a eficiência de sempre. Mas estava tomada pelo medo, pela preocupação, pela sensação mista de desespero e impotência. Quando chegou a hora de sair, estava com uma terrível dor de cabeça.

Foi um alívio chegar ao santuário de seu apartamento, agradecer a Anna, ver se Nicki estava dormindo bem, despir-se e deitar-se.

Mas não para dormir.

Temia a reação do marido quando descobrisse que ti­nha uma filha... a filha dele.

Conseguiria convencê-lo de que ele não era o pai de Nicki? Quase riu, sem humor. Tudo o que Marcello pre­cisava fazer era um teste de DNA, para se assegurar da paternidade.

E depois?

Um tremor sacudiu seu corpo frágil. Marcello era um estrategista impiedoso, com poder e riqueza suficientes para derrotar qualquer pessoa ou qualquer coisa que se pusesse em seu caminho.

Shannay seria a exceção, não permitiria que nada a separasse de Nicki.



Ninguém.

Uma decisão que permanecia em sua mente quando acordou na manhã seguinte e se fortaleceu à medida que as horas passavam. Ao lado de uma tensão nervosa crescente. Não era uma questão de se, mas de quando Marcello faria contato. Em pessoa ou através de um re­presentante legal.

Marcello Martinez podia ser indiferente a ela. Mas uma filha, indiscutivelmente dele, seria outra coisa com­pletamente diferente.

Que dificuldade teria Marcello para descobrir onde ela vivia ou trabalhava? Com seu poder, praticamente nenhuma, pensou, o medo crescendo a cada minuto.

Pouco comia e dormia e, cada hora que passava acordada, tentava imaginar o que Marcello iria fazer e quando.

Precisou conversar com Anna, pedir-lhe que tomas­se todas as precauções enquanto Nicki estivesse aos seus cuidados.

— Está tendo problemas com a justiça? — perguntou Anna.

— Não... não, claro que não -— afirmou Shannay.

— Isso é tudo que preciso saber.

— Obrigada. — Sua gratidão era genuína.

Uma mãe aparentemente solteira e uma criança — quais as chances de ela conseguir uma vitória se houves­se uma batalha judicial pela custódia de Nicki? Prova­velmente muito poucas, se o adversário fosse Marcello.

Quantos dias teria até que Marcello planejasse sua estratégia e a pusesse em ação? Alguns dias? Uma sema­na?

Antes disso precisava consultar um advogado para conhecer seus direitos legais sobre Nicki e pedir o di­vórcio.

Como viviam separados havia quatro anos, o divórcio não seria problema. A única questão que restava seria a da custódia.

Sentiu-se gelada até os ossos. Marcello não poderia ficar com a custódia, que direitos poderia ter que anu­lassem os dela?

Mas o medo que sentia era real e muito forte. Seu futuro ex-marido tinha riqueza e poder suficientes para conseguir o que quisesse. Se decidisse que queria Nicki, faria tudo para consegui-la.



Apenas sobre o meu cadáver, decidiu Shannay.


CAPÍTULO DOIS
Marcello Martinez caminhou pelo terminal interna­cional com Cario, seu assistente pessoal e guarda-costas de confiança, a seu lado, indiferente ao interesse que seu corpo alto e grande despertava.

O legado dos Martinez lhe dera as feições bem definidas de seus antepassados, e os penetrantes olhos escuros, que mostravam a dureza de um homem que conhecia bem a fragilidade da natureza humana.

Era cercado por uma aura de poder e intensa masculinidade e uma impiedade perigosa que ameaçava qual­quer adversário.

Tinha ligações de sangue com a nobreza espanhola e uma riqueza que o colocava num lugar bem alto na lista dos ricos europeus.

E isso era visível... como ele tinha intenção de ser, desde o terno Armani, os sapatos artesanais italianos até o refinado Rolex em seu pulso.

O longo vôo não ajudara a diminuir a raiva que man­tinha sob controle. O luxuoso Gulf Stream particular ti­nha todos os confortos e era equipado com o que havia de mais recente em tecnologia, permitindo-lhe ter um escritório no céu.

Trabalhara, estudara fotos, gráficos e informações e se mantivera em contato com Sandro, mas não conseguira dormir, embora tivesse à disposição uma cama confortável na cabine nos fundos do jato.

Ficara dominado pela imagem de uma mulher jovem na foto recente, tirada por celular.

Shannay Martinez... nascida Robbins.

E sua filha.

As fotos de antes e depois.

A primeira, serena, feliz e amorosa. Mãe e filha, rin­do. Na segunda imagem, a expressão da criança per­manecera a mesma. As feições de sua mulher, porém, demonstravam choque e alguma coisa mais. O quê? O conhecimento de que a vida que levara desde que deixa­ra a Espanha estava prestes a mudar?

Sem dúvida.

Um músculo se movia em seu maxilar quando saiu pelas portas de vidro automáticas do terminal e entrou numa limusine que o esperava.

Mal olhou o cenário depois que a limusine deixou o aeroporto e se dirigiu para a cidade.

Uma filha.

A raiva, mantida sob controle por um esforço tremen­do depois do telefonema de Sandro, se manifestou.

Como Shannay ousara esconder dele a existência da criança?

Sua reação inicial fora voar para a Austrália imedia­tamente. Mas a calma prevaleceu e ele tomara providên­cias, consultara sua equipe de advogados e planejara sua estratégia. Amanhã a colocaria em ação.

Marcello instalou-se na suíte reservada no luxuoso hotel do centro da cidade, tirou a jaqueta e a gravata e se sentou para ler o relatório que recebera ao chegar.

Os investigadores particulares que empregara tinham feito um bom trabalho. O documento tinha uma lista de­talhada dos movimentos de Shannay nos últimos dias, seu endereço, o número de telefone que não constava da lista, a marca, modelo e número de seu carro, seu local de trabalho e a escola maternal de Nicki.

Mostrava também que não tocara num centavo do di­nheiro que havia depositado para ela numa conta bancá­ria, nem nos valores que depositara mensalmente desde então.

Queria sacudi-la, e o teria feito se ela estivesse perto.

O que estava tentando provar?

Algo que ele já sabia.

As ligações de sua família, sua riqueza e status social nunca a tinham impressionado.

Ela caíra em sua vida, literalmente, lembrou-se, quan­do seus saltos altos ficaram presos numa grade de metal e ela fora lançada contra ele numa rua movimentada do centro de Madri.

Não estava preparado para a instantânea química fí­sica. .. e o desejo instintivo de prolongar o contato com ela.

Tomaram café juntos, trocaram números de celular... e o resto era história. Marcello fechou o relatório, cruzou a ampla sala e foi até a varanda, de onde tinha uma vista brilhante do rio Swan.

O céu era um fundo adequado para os altos edifícios da cidade, os parques... um panorama colorido, notou distraído, lembrando-se de uma visita semelhante pou­cos anos antes, quando a aliança no dedo de Shannay provava que era sua mulher.

Um tempo em que nunca tinham o bastante um do outro e raramente passavam um momento separados.

Marcello sentiu seu corpo enrijecer a lembrança de tudo que haviam partilhado. Da parte dela, o entusiasmo sem inibições, a risada, a paixão. Da dele, uma reação libidinosa e a perda de controle.

Algo que nunca experimentara com outra mulher, nem em qualquer outra área de sua vida.

Tinha a reputação, na arena dos negócios, de uma cal­ma gelada em qualquer situação de risco, uma caracterís­tica que lhe valera o respeito de seus contemporâneos.

Olhou as horas. Fora um vôo longo, cruzando países e oceanos, entrando em outra zona de tempo e precisava se ajustar. Nadar na piscina do hotel e fazer exercícios na academia ajudariam a diminuir a tensão. Enviou uma mensagem a Cario e vestiu roupas de banho.

Uma hora e meia depois, vestido num terno formal, saiu do hotel e mandou que o motorista da limusine o levasse a um endereço no centro.

Conversou com o advogado de Perth, um profissio­nal famoso contratado por sua equipe jurídica de Madri para cuidar de seus interesses na Austrália. O advoga­do confirmou alguns pontos legais, deu-lhe garantias e conselhos sobre os procedimentos futuros. A consulta terminou no fim do dia e Marcello voltou para o hotel, para jantar e dormir.


Shannay tomou Nicki no colo, abraçou-a, sussurrou "amo você", ouviu a filha responder "amo você tam­bém", deixou-a no chão, passou-lhe a mão nos cabelos e disse:

— Tenha um dia bem agradável.

A escola maternal era bem organizada, havia muita diversão e, mais importante, Nicki adorava a companhia das outras crianças, com as quais brincava e ouvia his­tórias.

— Você também.

Hora de ir para casa, tinha que dar telefonemas e arru­mar a casa antes de voltar para pegar a filha.

Estava terminando a arrumação quando o interfone tocou. Foi atender com uma estranha sensação de perigo. A tensão aumentara nos últimos dias enquanto esperava a inevitável reação de Marcello, aguardando o momento em que ele agiria.

Pensou que poderia ser qualquer pessoa chamando seu apartamento. Então respirou fundo e foi verificar quem estava à porta na tela do vídeo de segurança, uma proteção essencial numa cidade grande.

O interfone tocou de novo, ela ligou a tela... e sua respiração parou ao reconhecer Marcello Martinez... em pessoa.

A imagem em preto e branco não lhe diminuía a pre­sença, as feições fortes, a estrutura dos ossos do rosto, o olhar penetrante e a boca bem-feita.

Shannay sentiu um frio na barriga em reação, porque bastara um olhar para as lembranças voltarem com in­tensidade.

As boas lembranças, quando sua paixão e seu carinho acendiam alguma coisa selvagem em sua alma... e as não tão boas, quando as discussões começaram a aumen­tar com a raiva em escalada.

Atenda, disse a si mesma, a demora não vai ajudar em nada.

Suas mãos tremiam quando pegou o aparelho, disse algumas palavras de reconhecimento e viu as feições dele se tornarem mais duras.

— Abra, Shannay, precisamos conversar. Ela se segurou para não responder com raiva.

— Não tenho nada a lhe dizer.

Por um momento, seu olhar se tornou ligeiramente velado e a voz perigosamente suave.

— Quero ver minha filha.

— Você não tem provas de que ela é sua.

— Prefere o modo mais difícil?

— Perdemos a arte de conversar com educação há muito tempo.

A expressão de Marcello se tornou ainda mais dura e ela teve a estranha sensação de que ele podia vê-la... o que, evidentemente, era impossível.

Mas saber disso pouco a ajudou a se sentir segura ou a impedir que um terrível medo lhe provocasse um arrepio na espinha.

Foi fácil fechar a tela de vídeo, mas não tão fácil tirar sua imagem da mente, aquela imagem de força que se re­cusava a desaparecer apesar de todos os seus esforços.

Aprontou-se, saiu e pegou o elevador para a garagem no porão. A tensão nervosa aumentou quando começou a caminhar em direção a seu sedã... e parou quando viu a figura masculina encostada no carro.

CAPÍTULO TRÊS


Marcello. Com uma das mãos no bolso da calça, a posição tranqüila demonstrando uma calma estudada... uma aparência que ela sabia ser enganosa, por que traia a decisão do predador esperando a oportunidade para atacar.

Por um segundo pensou em voltar, mas se recusou a lhe dar esta satisfação. Mais importante, estava na hora de pegar Nicki no jardim de infância.

Queria um confronto? Pois bem, ela estava pronta!

Shannay ergueu o queixo e o fitou com um olhar de­terminado — que aparentemente teve pouco ou nenhum efeito, já que ele ficou na mesma posição enquanto ela se aproximava. Ergueu os ombros, endireitou a espi­nha e encontrou sem medo seus olhos escuros, quase negros.

Certo, seria educada no começo.

— Marcello.

— Shannay.

Para sua exasperação, o timbre da voz dele, com um leve sotaque, abalou-lhe os nervos. Não queria que ele a afetasse, nem se lembrar do que haviam partilhado. O que era uma tolice, já que havia Nicki como prova!

— Esta é uma garagem particular.

Uma das sobrancelhas se ergueu em clara zombaria.

— Agora vai me perguntar como consegui entrar.

— Não tenho tempo para conversar. — Olhou as ho­ras num gesto de desafio.

— Então vamos diretamente ao ponto.

A resposta numa voz lenta, arrastada, irritou-a e lhe deu medo ao mesmo tempo. Tentou ignorar o frio que lhe percorreu a espinha.

— E o ponto é? — perguntou, como se não soubes­se.

Os olhos escuros se tornaram duros e implacáveis.

— Minha filha.

O olhar que a avaliava era desestabilizador e ela fez um esforço concentrado para fortalecer sua decisão.

— O nome do pai não consta da certidão de nasci­mento.

Decidira omiti-lo como medida de proteção e, tinha que admitir, também como um ato de desafio.

— Tive acesso aos registros de hospital — disse Marcello com suavidade mortal. — Nicki nasceu com nove meses, o que mostra que sua concepção ocorreu por vol­ta de seis semanas antes de você deixar Madri.

Ela sabia o que viria a seguir e fechou os olhos, como se isso pudesse evitar as palavras que inevitavelmente se seguiriam.

— Autorizei a realização de um teste de DNA num laboratório particular. Eles já têm minha amostra e pre­cisam de uma de Nicki, de preferência nas próximas 24 horas. — Um músculo se contorceu em seu maxilar. — Tenho a permissão para você assinar.

Queria bater nele, com força, de preferência onde doesse mais.

— Não. — A voz era seca, enquanto lutava com a raiva, e os olhos dele ficaram mais duros.

— Você se recusa a permitir?

— Sim, maldito!

— Então entro com um pedido de custódia e tudo fica pior.

O tom de voz frio dele causou uma onda de medo que percorreu todo o corpo de Shannay.

Ele podia contratar os mais hábeis cérebros legais do país para apresentar um caso em seu favor.

Sem surpresas. Era um exemplo da personalidade dele, garantir que cada detalhe fora previsto antes de atacar.

— Canalha.

Uma sobrancelha se ergueu em cinismo deliberado.

— Sem adjetivos descritivos, Shannay?

— Demais — admitiu implacavelmente, odiando-o mais do que odiara qualquer pessoa.

— Sua vez. Você tem 24 horas para me informar so­bre sua decisão.

Os olhos dela brilhavam de raiva.

— Vá para o inferno, Marcello.

Ele tirou um cartão do bolso e estendeu-o.

— O número do meu celular. Ligue.

— Nunca neste milênio.

A atmosfera entre eles era tão carregada que ameaça­va se incendiar.

— Talvez você deva reconsiderar, já que tenho seu endereço, o do jardim de infância de Nicki, conheço o parque que vocês freqüentam. — Sua expressão não mu­dou. — Preciso continuar?

A consternação lhe encheu a mente ao pensamento de que ele poderia aparecer sem aviso em qualquer desses lugares... do efeito que causaria sem uma apresentação e uma explicação adequadas.

— Você faria isso? — perguntou Shannay, abalada pela simples idéia. — Amedrontaria Nicki, até mesmo a seqüestraria?

Mierda. — A voz dele estava rouca de raiva, suas feições uma dura máscara. — Que espécie de homem você acha que sou?

No passado, ela pensara saber. Agora havia muito em risco para até mesmo adivinhar.

— Pretendo conhecê-la, passar algum tempo com ela. — Olhos frios e impiedosos aprisionavam os dela. — Aceite o que vai acontecer, Shannay, de uma forma ou outra.

Ele estava lhe dando uma escolha, isso era claro... A forma fácil ou a via legal.

Fechou os olhos por um momento para não vê-lo, odiando a posição em que a colocara. Por si mesma, não se incomodaria. Mas era extremamente protetora com a filha e caminharia sobre brasas antes de expor Nicki a qualquer coisa que a abalasse ou destruísse sua con­fiança.

-— Você é um canalha impiedoso.

A voz dela era cheia de amargura e ele simplesmente inclinou a cabeça.

— Então, qual é a novidade?

— Nicki é minha. Decidi carregá-la por nove meses, deixá-la nascer. — Os olhos dela brilhavam com uma emoção extrema. — Eu a alimentei, criei e amei.

Um músculo ficou tenso perto da mandíbula dele.

— Você me negou a oportunidade de participar de tudo isso.

— Nós tínhamos terminado.

— Foi decisão sua fugir. A correção feriu.

— Em vez de ficar e lutar por você?

Fez um gesto de desânimo e sua voz ficou rouca.

Por favor. Bati a cabeça numa parede de tijolos figurativa a cada momento. No fim, sua amante e sua família venceram.

Os olhos dele se entrefecharam.

— Você era minha mulher.

O era lhe deu forças. Ergueu o queixo e olhou-o com desafio.

— Grande diferença isso fez.

-— Eu lhe jurei fidelidade — lembrou ele com impie­doso descaso, observando as emoções conflitantes que se sucediam no rosto expressivo.


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