Sonhar novos caminhos



Baixar 15.09 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho15.09 Kb.
SONHAR NOVOS CAMINHOS...

Leonardo Borba *1

Se a juventude viesse a faltar o rosto de Deus iria mudar”. (Jorge Trevisol)


A vida nas suas diferentes formas sugere-nos o desejo de Deus, de variedades e de diferenças, em formas únicas que se enriquecem, se misturam. “Uma coisa completa a bondade da outra, ninguém se cansa de contemplar a glória de Deus” (Eclo. 42,25). “Escutando a vida por dentro, tocamos de perto o carinho com que Deus tudo cria e recria incansavelmente” (Sab. 11, 24-25). Será que conseguimos escutar Deus em nossas vidas? Como Ele se revela?

A revelação divina aos homens e mulheres de hoje é sempre, inscrita no tecido da vida. E nos ensina que formar grupos que se entreajudam, que respeitar uns aos outros e a natureza, que acolher as diferentes formas do ser no mundo é o mandamento vital para a sobrevivência do planeta, da humanidade e da própria vida.

Para compreendê-la, é necessário uma atitude de entrega e solidariedade. É preciso um olhar de sonho e esperança para a realidade vivenciada no mundo. Sonhar, ter esperança é capacidade humana de sempre se encontrar na escuta do silêncio uma resposta do ser no mundo. E, tornar o sonho realidade viva na experiência comunitária, faz de nós, jovens e assessores, anunciadores do grande desejo humano: uma vida participativa e comprometida com o bem estar de todos (as).

A solidariedade é fruto do amor e da gratuidade de Deus, que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo. 1,14). Estando entre nós, continua sua obra, no agir solidário de Jesus que se volta para os pobres e marginalizados, manifestando sua vontade salvífica e a justiça do seu amor. Como transmitimos o amor de Deus aos outros? O que você faz para se tornar próximo do outro?

Uma das grandes características que percebemos na juventude hoje é a possibilidade de sonhar. Escutamos algumas pessoas falarem que os jovens não querem nada com a vida, não tem perspectivas de futuro. Será que isso é verdade? E você como percebe isso? Não podemos confundir algumas pessoas que andam alheias à sua realidade, com aquelas que pensam no futuro, planejam, organizam o presente, de modo que suas ações são estratégias para alcançar algo mais no futuro.

Deus se revela na nossa própria história, caminhando conosco, presente nos momentos de alegria, dor, decepção, incertezas. Às vezes, em momentos difíceis, não conseguimos enxergá-lo, e até, achamos que se esqueceu de nós. Essa revelação convida-nos a viver em sintonia com o Pai e participar de sua vida. “Eu serei o teu Deus e tu serás meu povo” (Ex 6,8).

Dick, afirma que: “Deus sonhou que as pessoas vivessem sua felicidade relacionando-se, isto é, vivendo um processo que nunca termina, mas que dentro da história, se vá encarnando em projeto de vida que se constroem e amadurecem obedecendo à dinâmica da compaixão e misericórdia” (Dick, 2005. p. 60).

Ao fazer tal afirmação, Dick sinaliza que somos seres inacabados e estamos em constante aprendizado, construindo a vida a partir das relações que estabelecemos com os outros. O Evangelho nos interpela a viver as Bem- aventuranças “felizes os misericordiosos porque encontrarão misericórdia” (Mt. 5, 7). Somos convidados (as) a viver um projeto de vida, que seja enraizado e vá se aperfeiçoando a cada dia, sendo compassivos (as) crescendo em decisões e exigências.

O projeto de Deus vai se concretizar através da encarnação de seu filho, Jesus Cristo. Ele entendeu o projeto do Pai, e ajuda a humanidade a compreender o sentido da existência, através das suas ações, gestos e ensinamentos. Assim, rompe com as barreiras dos preconceitos e da discriminação da sociedade do seu tempo.

Jesus mostrou o que deveria ser feito para a vivência e construção do Reino de Deus. Conversava com homens e mulheres, crianças, doentes, pagãos, publicanos, prostitutas, fariseus, cobradores de impostos; a todos (as) Ele acolhia, visitava e fazia com que cada um (a) se libertasse e fosse valorizado (a) enquanto pessoa humana.

Ao iniciar sua vida pública, ele anuncia que “o tempo já se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Mc. 1, 14). O Reino de Deus está presente na nossa vida. É uma ação, assim como deve ser o nosso Projeto de Vida. A construção do Reino assumido por Jesus como projeto de Deus, possibilita-nos dar atenção aos mais pobres e necessitados como os privilegiados do Reino. Jesus denuncia as injustiças, o sofrimento humano e anuncia a partilha, a fraternidade, a justiça e a solidariedade, engrandecendo a pessoa, tornando-a protagonista.

Dessa forma, Ele nos convida a continuarmos o seu projeto de amor, defendendo a vida em todas as circunstâncias. O chamado acontece de várias maneiras, considerando a realidade e a história de cada uma (a). Nestas diversas formas de chamado, há um significado fundamental, igual para todos, que é o relacionamento pessoal com Jesus.

Portanto, não tenham medo de dizer Sim a Cristo e a cada um dos seus ideais. O papa João Paulo II, por ocasião da XV Jornada Mundial da Juventude (2000), disse aos jovens: “não sejais instrumentos de violência e de destruição; defendei a paz, à custa da própria vida se for necessário. Não vos conformeis com um mundo onde outros seres humanos morrem de fome, continuam analfabetos, não têm trabalho. Vós defendereis a vida em todas as etapas da sua evolução terrena, esforçar-vos-eis com todas as vossas forças por tornar esta terra cada vez mais habitável para todos” (João Paulo II).

Pelo Batismo, somos chamados a ser discípulos (a) de Jesus, convivendo com Ele participando de sua vida e unindo-se a Ele. “Sigam-me e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens” (Mc. 1, 17). Também nos convoca a aderir e colaborar com a sua missão (DGAE, 2008-2010). Não podemos dissociar Jesus de sua missão, que nada mais era do que a defesa da vida em todas as circunstâncias. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo. 10, 10).

Esse é o propósito para a nossa existência: a defesa da vida. Deus quer que sejamos felizes e contribuamos com o seu projeto que também é nosso. “Ele suscita em nós o desejo de fazermos da nossa vida algo de grande, a vontade de seguirmos um ideal, a recusa de nos deixarmos submergir pela mediocridade, a coragem de nos empenharmos, com humildade e perseverança, no aperfeiçoamento pessoal e da sociedade, tornando-a mais humana e fraterna”. (João Paulo II).

Para chegarmos a algum lugar é necessário dar o primeiro passo. As grandes transformações acontecem, primeiramente, dentro de cada um de nós. Em seguida atingiremos pequenos grupos, em casa, no bairro, na sala de aula, na escola, sendo multiplicadores da justiça e da esperança. Somos uma gota d’ água como diz Renato Russo em uma de suas canções, porém temos dentro de nós a força e a bravura dos oceanos. Você acredita nessa força?

O momento requer de cada um de nós perseverança e vontade de caminhar rumo aos desafios, mas com perspectivas de uma nova sociedade. Juntos (as) construiremos a tão sonhada Civilização do Amor, onde todos são iguais, sem maior ou menor. Somos amados(as) por Deus.

REFERENCIAS
BÍBLIA SAGRADA: Edição. São Paulo: Paulus, 1990.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2008-2010). Documentos da CNBB. 87. São Paulo: Paulinas, 2008. p. 43-53.

______. Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais. Documento da CNBB. 85. São Paulo: Paulinas, 2007. p. 40-41.

DICK, Hilário. Cartas a Neotéfilo. Conversas sobre assessoria para grupos de jovens. São Paulo: Loyola, 2005. p. 60-63.



PAULO II. João. Homilias da Jornada Mundial da Juventude 2000. Disponível em: http://www.vatican.va/gmg/years/gmg_2000_po.html. Acesso em: 28 ago. 2008.



1 Noviço do Instituto dos Irmãos Maristas (Província Brasil Centro Norte), Graduado em Ciências Biológicas pela UNICAP-PE, Especialista em Adolescência e Juventude no mundo contemporâneo pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo-Horizonte MG. Email: leonardoborba25@gmail.com




Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal