Soteriologia clgt



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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO, CULTURA, ASSISTÊNCIA E RELIGIÃO

SOTERIOLOGIA - CLGT


Leandro Tarrataca
SOTERIOLOGIA
INTRODUÇÃO

Salvação é um termo amplo que inclui vários aspectos. A bíblia nos apresenta o fato de que fomos salvos no passado, presente e futuro. Ou seja, fomos salvos da penalidade do pecado, do poder do pecado e da presença do pecado. Há salvação do espírito na regeneração, da alma na santificação, do corpo na glorificação. Podemos afirmar que o tema é dividido em três tempos:



  1. Salvo quando creu (Lc 7:50; At 16:30,31; 1 Cor 1:18; 2 Cor 2:15; Ef 2:8; 2 Tim 1:9).

  2. O crente está sendo salvo do domínio do pecado (Rom 6:1-14; 8:2; 2 Co 3:18; Gal 2:20; 4:19; Fil 2:12; 2Ts 2:13).

  3. Será salvo da presença do pecado (Rm 13:11; 1Ts 5:8; Hb 1:14; 9:28; 1 Pe 1:3-5; 1Jo 3:1-3).

Soteriologia é sem dúvida uma das doutrinas cardeais da fé cristã. Como afirmou Lewis Sperry Chafer: “Em um ministério equilibrado, a pregação do evangelho deveria ser, no mínimo, 75% do testemunho do púlpito. O restante pode ser para a edificação daqueles que já estão salvos.”1
Uma pergunta importante é, fomos salvos de que?

R. C. Sproul conta que nos anos 60 quando lecionava na Conwell School of Theology, vou abordado abruptamente por um homem que lhe perguntou: “Você á salvo?”, ele respondeu: “Salvo de que?”. O homem ficou tão surpreso com a pergunta que se quer pode respondê-la. Do que somos salvos? Se a doutrina da salvação é uma doutrina tão importante na fé cristã, então é singular que saibamos do que somos salvos. Na compreensão deste assunto o estudo dos vocábulos utilizados para descrever salvação podem ser muito úteis.


Vocábulos:

Os dois verbos mais importantes do AT para o estudo de soteriologia são: natsal e yasha´. O primeiro ocorre 212 vezes, com o sentido mais freqüente de livrar,2 libertar. Assim como Deus revelou a Moisés que Ele desceu para “Livrar” Israel (Ex 3:8). VA 2Cr 32:17; Sl 22:21; 35:17; 69:14; 71:2; 140:1). Nestes contextos o verbo indica haver uma “salvação” física, individual ou coletiva. No entanto, o termo teve um desenvolvimento assumindo um sentido mais espiritual, por exemplo, quando Davi pede a Deus perdão pelos seus pecados (Sl 39:8; 51:14). O salmo 79 contextualmente é um lamento por causa da invasão de Israel e a profanação do templo, mas o salmista reconhece que a “salvação” ou o “livramento”só seriam possíveis com o perdão dos pecados do povo. (V.9)

Yasha´ ocorre 354 vezes, sendo que a maior concentração do termo encontre-se nos salmos (136 vezes!) e nos livros proféticos (Cem vezes). Significa livrar, salvar, conceder vitória ou ajudar. A maioria das vezes em que é utilizada tem Deus como o sujeito e o povo de Deus como o objeto. Ex 14:30; Dt 20:4; Jz 3:9; Jr 17:14-18) e de calamidades (2 Cr 20:9). Por esta razão Deus é o Salvador do seu povo (Is 43:11,12; Sl 18:14; 2 Sm 22:3; Sl 27:1).

Freqüentemente Deus escolhia representantes para trazer a salvação. No entanto, as barreiras a serem derrubadas eram tão grandes que , sem a intervenção divina não seriam transpostas. Já no livro de Ezequiel, o termo tem características morais. (Ez 37:23).

Já no NT a palavra empregada é sozo, que significa salvar, preservar, ou tirar do perigo e suas formas derivadas. Sozo também poderia significar salvar a pessoa da morte (At 27:20,31), da enfermidade física (Mt 9:22; Mc 10:52; Lc 17:19; Tg 5:15), da possessão demoníaca (Lc 8:36) ou da morte que já sobreveio (Lc 8:50). Mas, na grande maioria das ocorrências, refere-se à salvação espiritual que Deus providenciou por meio de Cristo (1Co 1:21; 1Tim 1:15) e que as pessoas experimentam pela fé (Ef 2:8). Assim podemos concluir que seja o substantivo Salvação ou o verbo salvar, não se referem exclusivamente ao que denominamos doutrina da salvação, se não considere (1Tim 2:15). Será que Paulo queria dizer que bastaria uma mulher dar luz a filhos e seria reconciliado com Deus? Certamente não.
Definição: Salvação inclui todo empreendimento divino para o crente, a partir de sua libertação do estado de perdição, até a sua apresentação final em glória, já conformada a imagem de Cristo.

Tendo considerado estas informações podemos concluir respondendo a questão: “Somos salvos de que?”


A Bíblia nos ensina que somos salvos


  1. Maldição da lei (Gl 3:13)

O texto de Dt 27:26 diz assim: “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo. E todo o povo dirá: Amém.” A maldição é uma imprecação, no grego katara, ou seja o desejo de que algo mau aconteça. Aqueles que não observam a lei perfeitamente, mas a ofendem em um só ponto, são culpados de todos eles (Tg 2:10), por esta razão sobre este repousa a maldição que a lei requer de seus violadores. Essa maldição naturalmente, consiste primeiramente na desaprovação de Deus. Em Gálatas 3:10 lemos que Cristo tomou nosso lugar nos resgatando da maldição da lei. Digno de nota o termo resgatou (exagorazo) que significa “comprar da escravidão” através do pagamento de um preço, Cristo pagou este preço morrendo em nosso lugar (cf. 1 Pe 1:18, 19; At 20:28).


  1. Da morte (2Co 7:10)

Em Rm 8:2 lemos: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.”

É importante entendermos morte em três aspectos:




  1. Fisiológico. No AT a morte era a separação entre o corpo e a parte imaterial do homem; para o Israelita a morte era considerada uma perda. Embora não tivessem uma revelação explicita sobre o tema “pós-morte”, eles tinham uma visão profundamente pessimista da morte.

Sl 115:17 “Os mortos não louvam ao SENHOR, nem os que descem ao silêncio.”


Ec 9:5 “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento.”

No NT embora com uma revelação explicita, percebemos uma descrição de consciência após a morte, mas a morte não é o ápice da esperança cristã. (1Cor 5:1-4; Mt 10:28; 1Ts 3:13-18)

Todavia, o mesmo conceito de separação do corpo esta presente no NT, (Fil 1:23; Luc 16:20-25; Apo 6:9).


  1. Da ira (1Tes 5:9; Jo 3:36)

Paulo resume a garantia da salvação, considerando negativamente ele diz que Deus não nos destinou a Ira. Esta ira refere-se a uma ação divina, especifica, identificada com a era messiânica, isto é um pouco antes de sua aparição (1Ts 1:10; 2:16) assim como a destruição repentina mencionada no versículo 3 do capítulo 5. Quando Deus voltar sua ira contra os habitantes desta terra (Ap 6:16, 17), o corpo de Cristo estará no céu preservado da ira vindoura (4:14-17 cf. 3:13).

Vale destacar ainda que no Filho de Deus, isto é em Jesus temos a vida eternal; mas o descrente não tem esta vida e de fato já está sob a condenação de Deus, e a ira divina está sobre ele. Esta ira não se refere a uma questão temperamental, refere-se ao desprazer de Deus em relação ao pecado. É a “alergia” divina ao mal moral, a reação da justiça diante da injustiça. Isto quer dizer que a própria natureza de Deus se opõe e julga a desobediência.

As leis morais no universo são imutáveis, assim como as leis físicas, e Deus não pode ignorá-las sem que viole sua própria natureza.
Sofonias 1:14-18

Palavra do SENHOR, que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá.

Sf 1:2 Hei de consumir por completo tudo de sobre a terra, diz o SENHOR.

Sf 1:3 Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços juntamente com os ímpios; e exterminarei os homens de sobre a terra, diz o SENHOR.

Sf 1:4 E estenderei a minha mão contra Judá, e contra todos os habitantes de Jerusalém, e exterminarei deste lugar o restante de Baal, e o nome dos sacerdotes dos ídolos, juntamente com os sacerdotes;

Sf 1:5 E os que sobre os telhados adoram o exército do céu; e os que se inclinam jurando ao SENHOR, e juram por Milcom;

Sf 1:6 E os que deixam de andar em seguimento do SENHOR, e os que não buscam ao SENHOR, nem perguntam por ele.

Sf 1:7 Cala-te diante do Senhor DEUS, porque o dia do SENHOR está perto; porque o SENHOR preparou o sacrifício, e santificou os seus convidados.

Sf 1:8 Acontecerá que, no dia do sacrifício do SENHOR, castigarei os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de trajes estrangeiros.

Sf 1:9 Castigarei naquele dia todo aquele que salta sobre o limiar, que enche de violência e engano a casa dos seus senhores.

Sf 1:10 E naquele dia, diz o SENHOR, far-se-á ouvir uma voz de clamor desde a porta do peixe, e um uivo desde a segunda parte, e grande quebrantamento desde os outeiros.

Sf 1:11 Uivai vós, moradores de Mactes, porque todo o povo que mercadejava está arruinado, todos os que estavam carregados de dinheiro foram destruídos.

Sf 1:12 E há de ser que, naquele tempo, esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que se espessam como a borra do vinho, que dizem no seu coração: O SENHOR não faz o bem nem faz o mal.

Sf 1:13 Por isso serão saqueados os seus bens, e assoladas as suas casas; e edificarão casas, mas não habitarão nelas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho.

Sf 1:14 O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso.
Esta passagem teve seu cumprimento imediato quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, capturou Judá, mas seu cumprimento definitivo acontecerá durante os anos da tribulação.

A ira de Deus está sobre todo aquele que perverte a verdade, sobre todo aquele que rejeita seu Filho. (Rom 1:18)




  1. Da destruição (2 Tes 1:9)

Os oponentes do evangelho sofrerão o juízo de Deus, serão punidos com destruição eterna. Isto é, um preço será pago por todos os sofrimentos causados ao povo de Deus, e este preço é a “destruição eterna”. Olethros ("destruição") não se refere a aniquilação, porque se não poderia ser eterna. Vale observar que seu uso na LXX e no NT nunca tem o sentido de aniquilação, mas trás o sentido de separação de Deus e a perda de tudo o que se pode valorizar. Assim como vida eterna pertencem aos seguidores de Jesus, a destruição pertence aqueles que se opõe a Cristo. (Mt 25:41, 46).

A confirmação do pensamento pode ser percebida pela frase “banidos da face do Senhor”. Este banimento da presença do Senhor é exatamente o que Jesus ensinou sobre a punição eterna (Mt 7:23; 8:12; 22:13; 25:30; Lc 13:27). Palavras são insuficientes para descrever a miséria desta condição.

Podemos afirmar a luz do texto bíblico que a salvação divina proporciona a dispensa e a remoção de toda a acusação contra o pecador e o equipa com a vida eterna em lugar da morte, com o mérito perfeito de Cristo em lugar da condenação, e com o perdão e a justificação em lugar da ira.
Como Deus nos Salvou?
Sabemos que Deus nos salvou por meio da morte de Jesus, o sacrifico vicário de Cristo, isto é substitutivo foi profetizado, teve seu cumprimento histórico e seu valor doutrinário foi confirmado nas epístolas.


  1. A morte de Cristo de acordo com Gênesis. Gênesis 3:15 é uma indicação antecipada da morte de Cristo.

  2. A morte de Cristo de acordo com a Profecia do AT. Sl 22:1-21 e 40:6,7. Em Isaias 52:13-53:12, ocorre uma das mais importantes predições.

  3. A Morte de Cristo de acordo com os Evangelhos. Temos quatro narrativas da morte, assim como suas próprias predições a respeito de sua morte.

  4. A morte de Cristo de acordo com Romanos, 1, 2 Cor, Gal. Nestes a morte de Cristo é base da salvação. Rom 3:22-26; 1 Co 1:18-2:8; 2 Co 5:14-21; Gl 1:4; 2:20; 3:10;

  5. A morte de Cristo de acordo com Efésios, Fil, e Col. A base da reconciliação é a morte de Cristo. Ef 5:25-27; Fil 2:5-8; Col 1:14, 20.

  6. A morte de Cristo de acordo com Hebreus. Este é um tratado sobre a morte de Cristo e seus benefícios Heb 1:3; 2:9; 5:1-10; 7:25-27.

  7. A morte de Cristo de acordo com outros livros do NT. At 17:3; 1Tes 4:14; 5:10; 1 Pe 1:18-21; 1Jo 2:2; Ap 5:6,9; 12; 13:8.


Por que Deus nos Salvou?

Charles Ryrie fez as seguintes perguntas sobre este tema: “Por que Deus desejaria salvar os pecadores?” Por que precisaria enfrentar a dor de entregar seu Filho unigênito para morrer por pessoas que havia se rebelado contra a sua bondade? Qual seria o possível significado de Deus ter uma família de seres Humanos?3

A bíblia apresenta três razões:


  1. Foi a maior demonstração de amor. As dádivas vistas na natureza, seu cuidado providencial, todos os benefícios maravilhosos são incomparáveis com o presente que nos deu ao tornar Jesus Cristo nosso Salvador. (João 3:16; Rom 5:8; 1João 4:10)

  2. Foi a maior demonstração da graça de Deus. (Ef 2:7) Cada um de nós que fomos salvos seremos troféus eternos da graça. Esta demonstração eterna da graça só é possível na salvação.

  3. Foi a maior arregimentação de “boas obras”. Deus desejou estabelecer um povo que fizesse boas obras nesta vida e, desse modo, pudesse mostrar ao mundo, mesmo que de maneira imperfeita, um Deus que é bom (Ef 2:10).


Terminologia da salvação


  1. Expiação:

Este termo expressa a obra total de Cristo sobre a Cruz. A palavra remonta o AT (Lev 1:4). Embora o termo não apareça no NT, e quando usado no AT, cerca de 77 vezes, é uma tentativa de traduzir o significado de Kaphar, que significava originalmente cobrir. The New Standard Dictionary define o significado de expiação da seguinte maneira: “fazer reparação ou satisfação, por causa da ofensa do pecado; a remoção da culpa pelo sofrimento da punição; expiação, ou uma expiação.”


  1. Culpa

A culpa (Gen 42:21; Rom 3:19; 1 Co 11:27; Tg 2:10), significa que o culpado ofendeu o caráter e a vontade de Deus, a culpa é uma realidade em dois sentidos:

a) Pessoal, a culpa é assim relacionada ao fato histórico de pecado real. Alguma culpa é intransferível. A história e seus registros nunca podem ser mudados.



b) Como uma obrigação moral para com a justiça, que é o uso teológico do termo culpa. Esta é transferível no sentido em que uma pessoa inocente pode realizar as obrigações daquele que é culpado.


  1. Justiça

Geralmente falando, seja como é usado no AT ou no NT, o termo justiça é um sinônimo de retidão. A conduta de uma pessoa para com outra esta em vista, e especialmente a verdade de que Deus age em relação aos homens em justiça. Tão perfeito em si mesmo é o plano da salvação, através de Cristo, que Deus é dito ser justo (não misericordioso), quando Ele justifica o ímpio (Rom 3:26; 4:5). Deus é sempre justo em seus caminhos.


  1. Justificação

Teologicamente considerado, o termo justificação significa ser declarado justo. É verdade que, por estar em Cristo, o crente é justo; mas a justificação é o reconhecimento e a declaração divina de que aquele que esta em Cristo é justo. Aquele que Deus assim declara, Ele defende. A justificação é imutável. (Rom 5:1,2; 8:31-39).


  1. Penalidade

Embora imensurável pela mente finita, ambas, a razão e a revelação, asseveram que a penalidade pelo pecado não é mais do que aquilo que a santidade de Deus exige. Ela é a expressa autoridade judicial de Deus. É aquilo que Cristo satisfez. O que quer que essas exigências possam ter sido, deve ser crido agora que Cristo as satisfez e, e por isso confiamos nele. (Jd 1:7; cp 24, 25)


  1. Propiciação

Propiciação é o efeito ou valor da cruz com relação a Deus. Visto que Cristo morreu, Deus é propício o Dicionário Houaiss assim define: “disposto favoravelmente, compadecido, inclinado a conceder proteção...”. Esta verdade é o coração do Evangelho e o que deve ser crido. (Rm 3:25; 1 Jo 2:2; 1Jo 4:10).


  1. Reconciliação

Ela apresenta o efeito e o valor da cruz com relação aos homens. Visto que a palavra significa uma mudança completa, o termo não pode ser aplicado propriamente a Deus que é imutável, mas ele se aplica ao homem, que pela morte de Cristo é colocado numa relação de mudança para com Deus e para com os Seus juízos contra o homem. Por sua própria escolha o homem pode voltar-se ou converter-se às reivindicações justas de Deus sobre ele. (Rm 5:11; 2Co 5:18, 2Co 5:19)


  1. Redenção e Resgate

Estes dois termos são praticamente o mesmo em significado. Redenção implica no pagamento de um preço de resgate, e, na redenção que Cristo trouxe, os juízos divinos contra o pecado, visto que estes foram pagos pelo sacrifício voluntário de Cristo. Isto, além disso, não é algo a ser feito ainda; mas por ter sido realizado, é alguma coisa para ser crida. (Rm 3:24; Ef 1:7; Gl 3:13)


  1. Sacrifício

Enquanto este termo usualmente significa algum tipo de renúncia, seu significado doutrinário é o de uma oferta a Deus. Assim, todo animal morto na economia mosaica era um sacrifício, e estes apontavam para um sacrifício final e perfeito que Cristo veio a ser pelos homens perdidos (Hb 9:26; 10:12).


  1. Satisfação

Doutrina que afirma que Deus aceitou como satisfatório o pagamento que Jesus Cristo fez. A maior prova é própria ressurreição. (1Pe 1:21; Rm 8:34).


  1. Vicário e Substitutivo

Estas duas palavras são consideradas idênticas em significado e referem-se ao sofrimento de um em lugar de outro, no sentido de que por esse sofrimento da parte de um, o outro é totalmente aliviado. Cristo sofreu e morreu para que os homens não mais tivessem de suportar o fardo da condenação do pecado. (Rom 5:8)


  1. Remissão e Perdão

Remir é livrar alguém de algum ônus por meio de um pagamento. Perdão é a remissão de uma pena. Assim Cristo nos livra do ônus do pecado por meio de seu pagamento e por isso pode nos conceder perdão. (Ef 1:7; 1Jo 1:9).


  1. Avocado

A regeneração da nova vida; a justificação trata da nova atitude da alma para com Deus; a adoção admite o homem na família de Deus com alegria filial. A adoção é ter a posição de filho. Sua aplicação trata dos direitos e privilégios, heranças que aqueles que crêem recebem. (Gl 4:5; Rom 5:15; 23; 9:4; Ef 1:5).
A obra de Cristo e o perdão:

    1. O perdão depende da expiação de Cristo (Ef 1:7; Rom 3:25; Mat 26:28).

    2. A validade da expiação cerimonial no AT dependia da fé na futura missão de Cristo (Rm 3:25). No NT aprendemos que não apenas os Judeus foram beneficiados, mas também os gentios (At 17:30, 31).

    3. O contínuo perdão dos pecados dos crentes depende da obra de Cristo (1 Jo 1:9)

    4. Há uma ligação estreita entre perdão e arrependimento (Miq 1:4; At 2:38; Lc 24:47)

    5. O perdão está ligado à fé ou à confiança em Cristo (At 10:43; Tg 5:15).

    6. A garantia do perdão repousa sobre a completa missão de Cristo, sobre a sua morte e ressurreição (Heb 9:26; Rom 4:25).

Aspectos subjetivos da Salvação

Regeneração: Isto é o que chamamos de nascer de novo, podemos defini-la nos seguintes termos: É um ato divino através do qual Deus nos concede nova vida (João 3:3-8). A regeneração é uma obra operada exclusivamente por Deus. Isto fica claro quando João fala a respeito daqueles a quem Cristo deu poder de se tornarem filhos de Deus (João 1:13). Aqui João claramente especifica que os filhos de Deus são o que nasceram de Deus e que nossa vontade humana não pode realizá-la.

Assim podemos dizer que no que tange a regeneração somos completamente passiveis, isto é evidente pelo ensino das Escrituras (Tg 1:18; 1Pe 1:3; João 3:3-8). O termo que melhor transmite a idéia da regeneração no NT é palingenesia “renascimento”, ele aparece apenas duas vezes no NT um desses casos é MT 19:28, em que se refere ao “novo mundo” que será parte da consumação da história. O outro é Tito 3:5, que se refere à salvação, numa referência obvia ao novo nascimento. A exposição mais conhecida sobre este conceito é encontrada na conversa de Jesus com Nicodemos (João 3:7), na mesma conversa Jesus falou em ser nascido do Espírito. Outras expressões semelhantes são: Nascido de Deus, gerado pela palavra (João 1:12,13; Tg 1:18; 1Pe 1:3, 23 1Jo 2:29; 5:1, 4). Qualquer pessoa que passe por esta experiência é uma nova criatura (2Co 5:17). Paulo fala da renovação no Espírito Santo (Tt 3:5), de doação de vida (Ef 2:1,5) e de ressurreição dentre os mortos (Ef 2:6). A mesma idéia está implícita nas declarações em que Jesus diz ter vindo para dar vida (João 6:63; 10:10, 28).


  1. Importância da regeneração.

É a porta para a família de Deus – João 1:12.

É a porta de entrada para o reino – João 3:3-5.

A regeneração é importantíssima, pois determina a linha divisória entre a vida eterna e a morte eterna, entre a filiação e a separação eterna. Apesar de não compreendermos totalmente os mistérios da regeneração é evidente que algo novo, ou uma reversão total das tendências naturais da pessoa toma lugar por ocasião desta. Além disso, o texto bíblico parece apontar para o novo nascimento como sendo instantâneo. Isto porque todas as descrições apontam nesta direção, noutras palavras em nenhuma parte é caracterizado como incompleto ou como sendo um processo. A bíblia fala de crentes que “nascem de novo” ou “nasceram de novo”, não que “estão nascendo de novo” (João 1:12,13; 2 Co 5:17; Ef 2:1, 5, 6; Tg 1:18; 1 Pe 1:3, 23; 1 Jo 2:29; 5:1, 4) Embora não possamos determinar o momento exato do novo nascimento, e também embora hajam vários antecedentes, parece que o novo nascimento em si é completamente instantâneo. É importante, contudo, reconhecer que a regeneração é o início de um processo de crescimento que continua ao longo da vida. Este processo espiritual é chamado de santificação. (Fil 1:6).


b) Negativamente considerada.
Regeneração não é o batismo, nem resultado dele. (1Co 4:15 cf 1:14; At 8:13, 14, 18-23; 11:12-14; 10:44-48).

Aqueles que ensinam a regeneração batismal interpretam João 3:5 e Tito 3:5 como passagens que fornecem base para acreditar-se que a regeneração só tem lugar em conexão com o batismo. Mas, qualquer que seja a interpretação dada a essas passagens, o que é certo é que não sustentam essa doutrina. Alguns interpretam-nas figuradamente, à luz de Ef 5:26, que diz “...para que santifique...por meio da lavagem de água pela palavra...” . Se o batismo e a regeneração fossem idênticos, então a linguagem de Paulo na passagem acima seria incoerente e contraditória.


c) Resultados da regeneração:
Encontramos um ótimo exemplo dos resultados da regeneração na primeira carta de João, que pode ser esboçada assim:

Mudança moral: (1Jo 3:9; 2:29)

Mudança do coração: (1Jo 4:7)

Mudança de atitude: (1Jo 5:3,4)

Mudança de domínio: (1Jo 4:4; 5:18)

Em resumo, João enfatiza que as características na vida daqueles que foram regenerados implica em crer que Jesus é o Cristo, abstenção de uma vida de pecado contínuo, amar seu irmão e vencerá as pressões do mundo e do Maligno.


Conversão:

A conversão foi proclamada pelos apóstolos como um chamado na direção da vida (At 3:19; Ef 5:14). É realmente interessante que a ordem de Pedro está na voz ativa, ou seja Pedro estava dizendo: Convertam-se! Embora a conversão seja um ato único possui muitos aspectos distintos mas inseparáveis: Arrependimento e a fé. Arrependimento é o ato do incrédulo dar as costas para o pecado, e fé, seu ato de voltar-se para Cristo. São, respectivamente, aspecto negativo e positivo do mesmo acontecimento. A bíblia não nos apresenta o que poderíamos chamar de um padrão, veja, se por um lado, no pentecostes parece ter ocorrido uma decisão cataclísmica, com a mudança acontecendo praticamente em segundos, por outro lado para outros a conversão foi um processo mais lento, Nicodemos pode ser um exemplo (João 19:39). O mesmo é verdadeiro no que diz respeito a aspectos emocionais da conversão, por exemplo Lídia, sua experiência parece ter sido muito calma (At 16:14). Por outro lado, uns poucos versículos adiante, lemos sobre o carcereiro que, ainda tremendo clamou: “que devo fazer para ser salvo?” (V.30). As experiência de conversão deles foram muito diferentes, mas o resultado final foi o mesmo.

Uma distinção importante deve ser feita entre conversão e conversões. Existe apenas uma conversão, a Cristo como único e suficiente salvador, existem muitas conversões, práticas e crenças que devemos abandonar quando recebemos a verdade da palavra de Deus.

Arrependimento:

O aspecto negativo da conversão é o abandono do pecado. Isso é o que entendemos por arrependimento. Baseia-se num sentimento piedoso de pesar positivo pelo mal que fizemos. Quando examinamos o arrependimento e a fé, devemos nos lembrar de que não podemos de fato separá-los. Vamos tratar primeiro do arrependimento porque, pela lógica, o lugar em que se estava precede o lugar a que se vai.

Dois termos hebraicos expressam a idéia de arrependimento:
Nacham: “ansiar, suspirar ou gemer”, que passou a significar “lamentar ou afligir”. Interessante que quando o verbo nacham ocorre o sujeito do verbo é Deus. Gen 6:6.
Shuv: É o tipo de arrependimento que os homens devem apresentar. È amplamente usada nos apelos dos profetas para que Israel volte para Deus. A palavra salienta a importância de uma separação moral consciente, a necessidade de abandonar o pecado e de ter comunhão com Deus.
No NT também há dois termos principais para arrependimento:
Metamelomai: “ter um sentimento de cuidado, preocupação ou pesar”. Salienta o aspecto emocional do arrependimento, um sentimento de pesar ou de remorso pelo erro cometido. (MT 21:30), a mesma palavra é usada para descrever o remorso de Judas por ter traído Jesus (Mt 27:3). Podemos concluir que metamelomai seja simples pesar ou remorso pelo que se fez, no caso de Judas a consciência do pecado o levou a destruição, no caso do “segundo filho” a uma alteração de comportamento. O mais importante então, não seria a questão emocional, mas a resposta que se dá.
Metaneo: “Pensar de forma diferente sobre algo ou mudar de idéia.” Era um termo vital na pregação da igreja primitiva. No pentecostes, Pedro insistiu com a multidão (At 2:38). O mesmo proclamou Paulo (At 17:30). O arrependimento não é um assessório descartável da experiência cristã, ao contrário é parte essencial do evangelho, assim como o arrependimento era parte da mensagem de Jesus e João Batista (Mt 3:2, 4:17).

Em definição: O arrependimento é um pesar em relação ao pecado e a decisão de deixá-lo.


Fé:

A fé é o aspecto positivo da conversão, o ato de apropriar-se das promessas e da obra de Cristo. A fé está bem no centro do evangelho, pois é o veículo pelo qual somos habilitados a receber a graça de Deus. A fé em seu aspecto inicial é sinônima à crença, em contraste com outros aspectos que podem ser identificados com a confiança.



  1. Fé no Evangelho de Cristo: Rom 1:16; 1Jo 5:10,11.

  2. Fé na recepção de Cristo: João 1:12

  3. Fé na palavra de Deus. João 5:24; 1Jo 5:10; At 27:22-25; Rom 4:3.

No exercício da fé, bem como do arrependimento não devemos desconsidera assistência do Espírito Santo (João 16:8-11), talvez um grande exemplo seja o caso de Lídia.


At 16:14 “E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.”
Salvos Para que?

Ef 2:10 – Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

A questão da verdadeira identidade tem sido um dilema entre cristãos e não cristãos. Quem somos? Ou quem sou? Algumas vezes definimos nossa identidade a partir da conclusão de outros, e como numa casa de espelhos somos definidos com todas as formas e tamanhos. Em última analise a pergunta que queremos responder quanto a identidade do Cristão é a seguinte:

Como Cristão, sou essencialmente um pecador perdoado, ou um santo que peca?

Muitos Cristãos se referem a si mesmos como pecadores salvos pela graça. Isto certamente é verdade, mas você é realmente um pecador? Será que esta é sua identidade espiritual?

Deus já não nos chama pecadores, ele nos chama de santos, sagrado.

A melhor definição de sua identidade: Um santo que ocasionalmente peca.

Cristãos são pecadores no sentido de que ainda pecam, mas a Bíblia também se refere a eles como santos.

Cristãos são pecadores que pela graça de Deus foram perdoados e são santos que pecam.

Isto não quer dizer que sofremos de um tipo de esquizofrenia ou múltipla personalidade.

Cada crente é uma pessoa, ou um ego, um eu.

O apóstolo Paulo escreveu, “Gl 2:20”. Havia apenas um “eu” e um Paulo esta transição.

A questão da identidade do cristão, portanto relaciona-se ao verdadeiro “eu”.

Assim esta identidade deve relacionar-se com a natureza verdadeira e comportamento do “eu”.

Noutras palavras se a natureza de alguém, bem como suas atividades são essencialmente pecaminosas então não é difícil determinar a identidade como sendo a de um “pecador”.

Por outro lado o cristão é alguém que recebeu uma nova natureza, nova atividade o que o torna primariamente santo, assim a verdadeira identidade do cristão é a de um “santo”.

Uma consideração bíblica demonstra que a descrição do cristão e suas atividades revelam uma mistura de pecado e santidade.

No entanto quando se trata da descrição da identidade verdadeira daquele que se submete a Deus, a descrição é positiva.

Mesmo no AT aqueles que crêem são descritos como íntegros:
Reis 9:4; Sl 78:72

Obvio, isto não quer dizer que desfrutava de alguma impecabilidade, ou mesmo um desconhecimento dos pecados.

Mas quer dizer que eram pessoas devotadas, dedicadas a Deus.

Já no N.T. A linguagem é bem mais explícita, visto que os que crêem são clara, e freqüentemente chamados de santos:

At 9:32; Ef. 1:1; Col. 1:2.
Isto descreve-nos duas coisas importantes:

a) Sua posição em Cristo

b) Sua natureza
Cristãos são chamados de “filhos” de Deus, uma referencia a sua posição e certamente sua natureza. 1 Jo 2:29–3:2

Aqueles que estão em Cristo são chamados de “luz” Ef. 5:8 e também de filhos da luz 1 Tess. 5:5, isso quer dizer que “são caracterizados pela luz” resultado da transformação espiritual que acontece na vida dos que crêem.

O cristão faz parte da nova criação de Deus 2 Cor. 5:17.

O Cristão se despiu do velho homem e se revestiu do novo homem.


Col. 3:9–10; cf. Rom. 6:6

Esta transição refere-se à transferência do cristão da humanidade “corporativa” sob a liderança de Adão a nova humanidade de quem Cristo é o Cabeça.

Também é uma referencia de mudança individual.

Demonstrada através da figura de linguagem de despir e revestir.

O conceito da co-morte e corressurreição são expressões radicais da realidade espiritual de que nosso velho “eu” morreu e um novo “eu” é ressuscitado para viver em novidade de vida.
Gal. 2:20

Estas descrições indicam não apenas um status, uma posição, mas também o tipo de natureza que aqueles que crêem desfrutam em Cristo.

Esta conclusão deve-se ao fato de que as exortações apostólicas nos desafiam a vivermos um novo comportamento fruto direto desta nova identidade.

O apóstolo não esperava novo comportamento como reflexo de uma nova posição, mas que a nova natureza produziria novas ações.

A verdade é que estas ações são possíveis pela graça da vida de Deus no cristão denominadas de “fruto do Espírito”.

Mas ao mesmo tempo este fruto passa a ser característica do individuo assim como o fruto da videira é atribuído a seu ramo.

Jo 15:2–5, 16.

O Próprio Jesus referindo-se a padrões e valores espirituais afirmou que bom fruto é produzido de boa árvore (Mat. 7:17). Portanto, não podemos produzir bons frutos baseados em nossa velha natureza, mas exclusivamente pelo milagre da graça que nos concede nova natureza.

Anthony Hoekema em seu livro “Salvos Pela Graça” escreve:

“Dado o significado de “crucificado”, Romanos 6:6 afirma com inconfundível clareza que aquele que está em Cristo, que é um com ele em sua morte, não é mais o velho homem que já foi um dia.”





1 Chafer, Lewis Sperry. Systematic Theology. Grand Rapids: Zondervan, 1981, V.3, p. 9.

2 Becota, Daniel, Teologia Sistemática, A obra Salvífica de Cristo, Rio de Janeiro, CPAD, 1996.

3 Ryrie, Caldwell Charles, Teologia Básica, Mundo Cristão, 2004, São Paulo.



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