Sr. Presidente



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Encontro06.08.2016
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Sr. Presidente


Senhoras Deputadas,

Senhores Deputados,


Uso esta tribuna hoje não para uma despedida, mas sim para lhes falar de continuidade. No ano de 2002 o povo do Maranhão me elegeu deputada federal, numa demonstração de que o trabalho diário que exerci em defesa da liberdade e da justiça social em meu estado, não tinha sido vão.

Eu e meus companheiros nos empenhamos desde sempre a lutar pela democracia e para libertar o Maranhão das garras daqueles que se utilizam da política para montar impérios, transformando o povo em indigente; transformando a esperança dos pais e mães de nossa terra em tragédias anunciadas.

Nos últimos vinte e cinco anos, nós, do Partido dos Trabalhadores, demos continuidade à luta daqueles que tombaram em busca de novos ideais; daqueles que dedicaram suas vidas a combater as desigualdades e por um projeto humanista de país.

Assim fizemos também eu e meus companheiros no Maranhão. Demos continuidade à luta histórica de dezenas de valorosas pessoas que acreditaram que um outro Maranhão era possível.

Este ano, como já registra a história, fizemos parte de um movimento de libertação em nosso estado. Derrotamos a última oligarquia que teimava em ir contra os rumos do desenvolvimento e da diminuição das desigualdades nos quais o presidente Lula colocou tão bem o nosso país.

E mais uma vez não hesitei em dar a minha parcela de contribuição a esta luta. Fui chamada a ser candidata a vice-governadora na chapa PT, PSB, PCdoB, PMN, PRB, encabeçada pelo ministro Edson Vidigal, deixando uma reeleição bastante provável à Câmara dos Deputados. Fiz isso baseada nos princípios imutáveis que trago comigo de que a política é para o bem coletivo e não, repito, para enriquecer famílias à custa da escravização de um povo.

Nos últimos quarenta anos, a oligarquia Sarney colocou o estado do Maranhão nos últimos lugares em todos os indicadores sociais e econômicos de nosso país. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas somos o estado com o maior número de miseráveis do Brasil: 63,72% da população. Dados do IBGE sobre o Produto Interno Bruto dos municípios brasileiros, mostra o Maranhão liderando o ranking da pobreza, possuindo a pior renda per capita do Brasil. Essa pesquisa foi feita entre 1999 e 2002, durante o governo da hoje senadora Roseana Sarney. Dos 100 municípios mais pobres do Brasil, nada menos que 83 estavam localizados no Maranhão.

E os dados alarmantes não param por aí. O IBGE aponta que quase três milhões de maranhenses moram em casa de taipa ou palha. Mas a oligarquia Sarney diz textualmente que o povo mora assim porque gosta. Três milhões de maranhenses não têm água encanada em suas moradias e dois milhões destas casas não possuem fossa séptica ou rede de esgoto.

Denunciei aqui nesta casa por mais de uma vez, a manobra urgida pelo senador José Sarney para tentar barrar um empréstimo internacional solicitado pelo governador José Reinaldo para implementar programas de melhorias na qualidade de vida de nosso povo. O senador mostrava para o país quem realmente era, mobilizando todos os seus aliados para impedir que o povo do Maranhão pudesse ter melhor qualidade de vida.

Hoje o povo maranhense soltou o grito de liberdade que estava atravessado em sua garganta por décadas. Soltamos os grilhões. Elegemos o Dr. Jackson Lago, em quem depositamos agora nossa confiança de iniciar a mudança que vai levar o Maranhão a ser um estado desenvolvido.

Mas temos a certeza de que ainda não vencemos a guerra. Os desafios são muitos. Vamos continuar lutando diariamente na construção dessa nova realidade. Não fraquejaremos um só instante. Continuarei fora daqui a missão da qual nunca me furtei: a construção de um Maranhão livre e justo. É dessa continuidade a que me referia no início desse discurso.

Nestes quatro anos em que representei o povo de meu estado, muitas foram as bandeiras que empunhei, sempre em defesa do desenvolvimento do Maranhão e pela melhoria na qualidade de vida de nosso povo. Da mesma maneira e com a mesma certeza revolucionária que sempre apoiei ativamente o governo do presidente Lula.

Assumi nesta Casa tarefas que muito me orgulham e foram muitos os desafios que enfrentei como ter sido por dois anos do colégio de vice-líderes do meu partido no meu primeiro mandato. Sempre trabalhei com afinco seja nos debates e votações em plenário, seja nas comissões que participei, seja nas representações externas a que esta Casa me orgulhou representá-la. E os números não me deixam mentir. Sempre obtive mais de 90% de presenças registradas no plenário e minhas faltas sempre foram justificadas.

Das várias indicações e requerimentos que fiz junto a esta Casa, queria destacar algumas delas, como a criação de um camping da Universidade Federal no Sul do Maranhão, criação de uma Escola Agrotécnica na cidade de Balsas e a criação do Parque Nacional da Chapada das Mesas, no município de Carolina e entorno, uma das regiões mais belas do mundo! Propus também que o Presidente Lula nomeasse um jurista negro para o Supremo Tribunal Federal. Todas essas ações acabaram se concretizando, o que reforça ainda mais a sensação que tenho de dever cumprido.

Gostaria também de destacar alguns Projetos de Lei de minha autoria que considero de grande relevância, como o Projeto de Lei 747/2003, que dispõe sobre a proibição da derrubada de palmeiras de babaçu nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Goiás. Esta proposição atendeu a reivindicação do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu.

Destaco também o Projeto de Lei 2775/2003, que assegura compensações financeiras para a comunidade nos contratos de exploração de atividades econômicas aero-espaciais da cidade de Alcântara. Compreendo que a utilização de Alcântara como base espacial tem que ser acompanhada de ações concretas para a melhoria das condições de vida da população, principalmente os herdeiros de terras de pretos e quilombolas que historicamente residem por lá.(destacar outros?)

Posso destacar ainda a luta em defesa dos direitos das crianças e adolescentes, dos garimpeiros, das donas de casa, dos agentes comunitários de saúde e de combates às endemias, dos moto-taxistas, dos trabalhadores rurais, das quebradeiras de coco babaçu, do movimento de moradia, dos estudantes, do movimento de direitos humanos. Tenho a plena convicção que honrei cada voto que me foi dado com muito trabalho, responsabilidade, democracia e sobretudo com muita ética.

Esse aliás, tem sido um tema de bastante debate nesta Casa. A ética na política. Precisamos urgentemente de uma reforma política profunda em nosso país, para que possamos aperfeiçoar a democracia e sob pena de continuarmos vendo estourarem escândalos em todos os níveis da política no Brasil. O meu partido viveu seus dias mais difíceis nesses dois últimos anos, mas estamos tendo a coragem de debater com a sociedade tudo o que de fato aconteceu e qual a consequência desse debate para o fortalecimento da democracia no Brasil.

Queria reafirmar que jamais me furtei de debater os problemas que envolveram o Partido dos Trabalhadores, assim como jamais deixei de ter um posicionamento firme em defesa do Governo Lula e dos avanços que ele trouxe para o país. Em todos os cantos que estive seja no meu estado, seja fora dele, sempre defendi com lucidez o governo do companheiro presidente.

O presidente Lula tem demonstrado que podemos aliar crescimento com distribuição de renda. Que o Brasil pode ao mesmo tempo despontar como uma grande liderança mundial e proteger as milhões de famílias que viveram historicamente sem a atenção devida do estado brasileiro. Estão aí os dados, basta que se façam as comparações. Nunca, na história política brasileira, um governo foi tão incisivo na defesa das populações de baixa renda de nosso país. Nunca se distribuiu tanta renda, nunca se gerou tanto emprego. Estamos crescendo com firmeza rumo ao posto de grande força internacional, sem deixar de lado a preocupação com a segurança social. Mudamos de país alvo de especuladores internacionais para país com capacidade de geração de emprego e renda.

Para se ter uma idéia da importância deste governo para a população que era desamparada, no meu estado, o Maranhão, o programa Bolsa-família proporciona a mais de seiscentas mil famílias a oportunidade de ter um alimento em suas mesas. Isso para um estado que aponta os piores índices sociais do país é de uma importância fundamental para a segurança alimentar sobretudo de nossas crianças.

Outro investimento importante do Governo Lula em um estado essencialmente agrícola como o Maranhão foi com o Pronaf. O estado obteve destaque nacional, com uma aplicação de R$ 222,9 milhões e um total de 69,6 mil famílias atendidas. Esse volume superou a meta do Banco do Nordeste no estado em mais de 200%.

Este governo conseguiu aliar grandes investimentos na agricultura exportadora, por exemplo, sem deixar de lado também grandes investimentos na agricultura familiar.



Isso é o que faz o Governo Lula ser talvez o mais importante governo para a melhoria das condições de vida de milhões e milhões de famílias por todo este país.

Esta é a nossa causa. A transformação do Maranhão em um estado livre e justo e do Brasil numa nação cada vez mais rica e desenvolvida e também com mais justiça social.


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