Sr. Vice-Presidente da acftu xu Zhenhuan, prezados Senhores líderes Sindicais participantes, senhoras e senhores



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Encontro31.07.2016
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Sr. Vice-Presidente da ACFTU Xu Zhenhuan, prezados Senhores líderes Sindicais participantes, senhoras e senhores:
É uma grande honra para a CLAT – Central Latino Americana de Trabalhadores participar a convite da Confederação de Trabalhadores da China do Fórum Econômico Global e os Sindicatos. Para mim em especial, que venho de uma Central Sindical do Brasil, a UGT – União Geral dos Trabalhadores, que nasceu no fim do ano passado com a fusão de três centrais sindicais e muitos sindicatos independentes, movimento singular na história do Brasil. Como deixou claro o Sr. Presidente da República da China Sr. Hu Jin Tao na abertura deste Fórum, trabalho decente, desenvolvimento sustentável são os grandes desafios deste Governo.
A CLAT com seus mais de 50 anos de existência, nasceu com a bandeira de defesa dos trabalhadores. Resistimos as ditaduras militares de nossa região, demos guarida, denunciamos os abusos a liberdade e ajudamos centenas de sindicalistas perseguidos por seus governos. A CLAT denunciou e realizou profundos estudos sobre os danos do processo neoliberal aplicado. Previmos o enfraquecimento do Estado como ferramenta eficaz para calar o movimento dos trabalhadores e levar milhões de famílias a pobreza, falta de perspectiva e descrédito com as entidades de representantes dos trabalhadores. Mesmo assim, gostaríamos de manifestar nosso otimismo com as mudanças ocorridas no mundo do Trabalho com a criação da CSI – Confederação Sindical Internacional, e com a criação da CSA – Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas, entidade que nascerá com união da CLAT e a ORIT e independentes, com Congresso marcado para março no Panamá. Podemos nos perguntar como uma entidade com esta história incessante em defesa dos trabalhadores pode ser favorável a criação de uma nova entidade. Podemos responder com as palavras do próprio Secretário Geral da CSI Guy Ryder em recente visita que fez a CLAT na Venezuela:
Porque, junto, vamos criar algo inclusive mais forte do que existe hoje, e que possa, sim trabalhar bem, ser uma ferramenta mais eficaz nas mãos dos trabalhadores e isto é necessário porque, a pesar de tudo o que temos conseguido, não estamos ganhando as lutas chaves desta época da globalização.”

Estamos acompanhando um crescimento dos PIBs (Produto Interno Bruto) de uma forma geral muito maior que o nível de empregos e qualidade dos mesmos. A cada vez mais aumenta os empregos informais ou desregulamentados. O Movimento de Trabalhadores necessita dar resposta e buscar soluções para este tema. Temos visto de uma forma geral, os sindicatos brigando para garantirmos as conquistas atuais e dificilmente temos logrados avanços nos processos laborais.


Consideramos fundamental a participação dos sindicatos nos organismos da sociedade civil como representantes de fato e de direito dos trabalhadores. A Nível de Mercosul, o Movimento Sindical está presente na grande maioria dos foros em que consideramos que suas discussões vão interferir na vida do cidadão de nossa região.
O Mercosul foi criado como bloco oficialmente em 1991 com o Tratado de Assunção, mas só em 1994 com o Protocolo de Ouro Preto criou-se o FCES – Foro Consultivo Econômico e Social, um espaço de participa,ao da Sociedade Civil. Neste Foro empresários, trabalhadores e 3° setor, sem a participação dos governos, formam a estrutura do Mercosul. Este Fórum manifesta-se quando questionado pelos organismos oficiais do Mercosul e trabalha sempre com consenso, o que faz com que o diálogo entre os setores avance de uma forma positiva. Podemos citar trabalhos importantes realizados pelo FCES como resoluções de problemas com as fronteiras como o livre trânsito de pessoas e mercadorias. Também discussões regionais e locais sobre a importância do Mercosul e de que forma o processo interfere na vida do cidadão.
Dentro do Mercosul foram criadas diversas instâncias de participação de diálogo social

referentes ao mundo do trabalho. Podemos citar a CSL – Comissão Sócio Laboral onde representante dos governos, trabalhadores e empresários discutem simetrias na região e á aprovaram uma Carta Laboral mínima que a cada ano avança. Ou ainda SGT10 – Sub-Grupo de Trabalho 10 – Assuntos Trabalhistas, Emprego e Seguridade Social que discute relações de trabalho, direito individual, direito coletivo, custo do trabalho, observatório de emprego, migrações, qualificação profissional, saúde, segurança, seguridade social, entre outros temas.


Os espaços marcados, tanto na Ata de Assunção como no Protocolo de Ouro Preto, são significativos do ponto de vista teórico, mas estão longe de sua concretização, no espaço comunitário e no Foro Econômico-Social. As propostas sociolaborais do SGT Nº 10 têm contribuído com aportes, mas, de concreto, muito pouco se tem alcançado.
Um fenômeno sócio laboral que está aparecendo com mais nitidez é o das migrações trabalhistas entre os países do Cone Sul.
A pessoa que migra é tão humana como qualquer outro cidadão do país que ela escolheu para procurar melhores condições de vida, segurança, trabalho, paz. Devemos combater a xenofobia, garantir os direitos e que os e as migrantes não sejam, “uma carga indesejável”, “um alienígena”, ou até “uma ameaça”. Passar a entendê-los, política, cultural e espiritualmente como uma riqueza. Acreditar e expressar, nas políticas públicas, que a presença do outro, a alteridade, é forma privilegiada de se encontrar, de se transformar e de crescer.

A imigração, escreveu Vargas Llosa, “de qualquer cor e sabor é uma injeção de vida, energia e cultura e os países deveriam recebê-la como uma bênção”, e considera que “a tarefa, o papel histórico das migrações é transformar fatos econômicos em fatos culturais e fazer evoluir o direito”.


Assim foi construída a América Latina. De Norte ao Sul somos o resultado de forte imigração Européia, Africana e Asiática e vários outros com povos originários que, infelizmente, foram quase dizimados pelo sistema de colonização.
A coesão social foi o foco temático da Cumbre Iberoamericana de 2007. Há uma constatação de que é preciso unir esforços de todos os seguimentos da sociedade para diminuir a pobreza, aumentar a oferta de emprego e reduzir o impacto ambiental. Ainda que tenhamos avançado nos últimos anos, na América Latina, são altos os índices de pobreza e indigência, há extrema desigualdade e diversas formas de exclusão social. Por isso, os agentes (sindicatos, patrões e governos) devem ser chamados para construírem um espaço de interação positiva. A coesão social depende da percepção do problema e do real interesse na solução.
O movimento sindical moderno, além de suas atribuições fiscalizadoras e de representação, deve não apenas buscar espaços, mas ocupá-los com capacidade e força de discussão. Um hospital público, onde crianças morrem por falta de médico, é assunto de interesse do movimento sindical; uma família que não tenha condições de mandar os filhos a escola, também. O transporte publico, a corrupção na política, ou até a falta de segurança são temas que devem constar no dia a dia dos sindicatos, e é com esta identidade e pensamento que a CLAT – Central Latino Americana de Trabalhadores encerra esta pequena saudação, com a mensagem de um Sindicalismo humanitário e participativo.

Cícero Pereira da Silva

cicerougt@hotmail.com

Diretor de Integração

CAT – Brasil


Pequim, janeiro 2008.


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