Subsídios para a Lição da Escola Sabatina 4º Trimestre de 2015



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Subsídios para a Lição da Escola Sabatina - 4º Trimestre de 2015

Lição 2: A crise (interna e externa) - 3 a 10 de outubro

Autor: Ozeas C. Moura: ozeas.moura@unasp.edu.br

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Nesta semana analisaremos a época em que Jeremias exerceu o ministério profético e veremos que o povo de Deus enfrentou muitos desafios. O desafio externo tinha a ver com a ameaça de invasão por parte dos babilônios, enquanto o interno, ainda mais grave, estava relacionado à apostasia, idolatria e desobediência aos mandamentos de Deus. E o pior: o coração de muitas pessoas havia se tornado tão endurecido e danificado pelo pecado e pela apostasia que elas se recusavam a dar ouvidos às advertências enviadas por Deus, que poderiam ter evitado o desastre em sua vida.

I. Uma história intensa

A história do povo israelita mostra a força que o pecado tem nas pessoas que não se interessam pelo Deus verdadeiro nem estão dispostas a seguir Seus ensinamentos. Sempre que alguém abandona o Senhor e deixa de cumprir Sua vontade, cai nas garras do pecado. Ou seja, sem o poder de Deus, a chance de não pecar é nula.

Quando os israelitas finalmente entraram na terra prometida, após anos de peregrinação pelo deserto, não demorou muito para que ocorressem problemas. Bastou surgir uma nova geração “que não conhecia o Senhor” (Jz 2:10) e teve início uma crise espiritual que, de muitas formas, contaminou a nação ao longo de toda a sua história.

Juízes 2:11 diz: “Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor”. Cada geração se afastou um pouco mais de Deus, até que a nação estava fazendo exatamente o que o Senhor havia dito que não fizesse. Devido ao pecado, as pessoas enfrentaram uma crise após outra, e mesmo assim o Senhor não havia desistido delas. Enviou-lhes juízes (Jz 2:16) que as livraram de suas aflições imediatas.

Depois da era dos juízes, a nação entrou numa época de relativa paz e prosperidade sob o que tem sido chamado de “monarquia unificada”, isto é, o reinado de Saul, Davi e Salomão, que durou cerca de cem anos. Sob a liderança de Davi, e depois de Salomão, a nação se transformou numa potência regional.

Os “bons” tempos, porém, não duraram muito. Após a morte de Salomão (em cerca de 931 a.C.), a nação se dividiu em dois reinos: Israel, no norte, e Judá, no sul. Em grande parte, essa situação pode ser atribuída aos altos impostos cobrados por Salomão e a instituição de trabalho escravo. As coisas nunca mais foram as mesmas para a nação escolhida por Deus. Por causa de seus pecados, Israel, o reino do norte, sofreu várias invasões de inimigos estrangeiros, sendo finalmente destruído pelos assírios, em 722 a.C. Já o reino do Sul, Judá, sofreu três invasões dos babilônios, sendo a última em 586 a.C. Os cativos judeus só voltaram do exílio babilônico cerca de 70 anos depois.

II. Os dois reinos

Após a divisão da nação, as coisas foram de mal a pior. No reino do norte, o rei Jeroboão fez algumas escolhas espirituais terríveis, que tiveram um impacto duradouro para o mal.

Temendo que o povo das 10 tribos do norte acabassem passando para o lado de Roboão, rei de Judá, Jeroboão I (931-910 a.C.) mandou fazer dois bezerros de ouro. Ele pôs um em Dã, a cidade mais ao norte do reino, e outro em Betel, a cidade mais ao sul, além de instituir festas idolátricas que rivalizavam com as festas ao Deus verdadeiro, realizadas em Judá (1Rs 12:26-33). Daí em diante, praticamente todos os reis que vieram depois de Jeroboão I cultuaram esses ídolos, além do deus Baal, da deusa Aserá, entre outros. Sem exceção, é dito que todos os reis de Israel, o reino do norte, “fizeram o que era mau perante o Senhor”. Como os israelitas imitavam o proceder de seus reis, eles acabaram desaparecendo da História, sendo levados cativos para a Assíria e outras nações, por Salmanasar V, em 722 a.C.

As coisas não estavam tão mal no reino do sul, pelo menos até esse tempo. Mas Judá também não era exemplar e, como ocorreu com o reino do norte, o Senhor procurou salvar aquelas pessoas da calamidade, que, no caso delas, era proveniente da ameaça dos babilônios. Infelizmente, com raras exceções, Judá teve uma série de reis que também “fizeram o que era mau perante o Senhor”. Eles continuaram levando a nação a uma apostasia cada vez mais profunda. Em 586 a.C., os babilônios, sob o comando de Nabucodonosor, deportaram as pessoas do reino de Judá para Babilônia.

Apesar da liderança terrível, muitos dos livros proféticos da Bíblia, inclusive Jeremias, são palavras dos profetas que Deus enviou a Seu povo na tentativa de afastá-lo do pecado e da apostasia que estava destruindo o coração da nação. O Senhor não desistiria de Seu povo, mas lhe daria tempo suficiente e oportunidade para que abandonasse seus maus caminhos e, assim, fosse poupado do desastre que seu pecado poderia trazer.

III. Dois males

Embora a nação tivesse experimentado certa reforma espiritual sob a liderança de Ezequias e Josias, as pessoas voltaram aos seus velhos caminhos e caíram numa apostasia ainda pior. Como fez durante todo o seu ministério, Jeremias falou em termos claros sobre o que estava acontecendo.

São especialmente interessantes suas palavras em Jeremias 2:13. As pessoas haviam cometido dois males: abandonaram o Senhor, a fonte das águas vivas e, consequentemente, cavaram para elas mesmas cisternas rachadas, que, naturalmente, não podiam reter água. Em outras palavras, tendo abandonado o Senhor, haviam perdido tudo. Como se sabe, a água na Palestina é algo muito valioso. Seria completa tolice trocar uma fonte de água corrente por uma cisterna de água estagnada e ainda rachada, que não pode reter água. Fazer isso seria trocar o real pelo irreal e ilusório (Comentário Bíblico Adventista, v. 4, p. 382).

Às vezes ficamos admirados porque os israelitas trocaram Javé, o Deus verdadeiro, por deuses como Baal. Mas parece que o ser humano sempre achou difícil acreditar em algo que não pode ver nem tocar. Além disso, para a mente carnal é “mais cômodo” adorar um ídolo, visto que ele não exige um comportamento ético. Pode-se fazer tudo errado e ainda se dirigir ao ídolo e pedir coisas a ele. No entanto, Javé, o Deus vivo, exige comportamento ético e correto de seus adoradores.

IV. A ameaça babilônica

Jeremias foi chamado ao ministério profético no 13º ano do reinado de Josias (cf. Jr 1:2), isto é, em 627/626 a.C. Foi justamente no ano 626 a.C. que os assírios foram derrotados por uma coligação de babilônios e medos. Em 612 a.C., essa mesma coligação destruiu Nínive, a capital assíria. Em 605 a.C., o que restou do exército assírio que havia fugido para a região de Harã, foi aniquilado pelas forças babilônicas. Com o declínio do império assírio, o Egito procurou recuperar o poder e o domínio na região. Contudo, na batalha de Carquemis, em 605 a.C., o Egito foi derrotado e Babilônia se tornou a nova potência mundial.

Essa nova potência fez de Judá um Estado vassalo. Jeoaquim, rei de Judá, só conseguiu estabilizar o país jurando lealdade ao rei babilônio. Contudo, muitos não queriam fazer isso. Preferiam lutar e tentar se libertar dos babilônios, embora isso não fosse o que o Senhor desejava que eles fizessem. Ao contrário, Deus estava usando Babilônia especificamente como instrumento para punir a nação por sua apostasia.

Repetidas vezes Jeremias advertiu o povo sobre o que aconteceria por causa dos pecados dele, e vez após vez, muitos dos líderes políticos e religiosos se recusaram a dar ouvidos às advertências, acreditando que, pelo fato de serem o povo escolhido por Deus, Ele os pouparia, sem Se importar com a conduta deles.

V. Falso juramento

Em Jeremias 5:1, o Senhor disse aos judeus: “Percorram as ruas de Jerusalém, olhem e observem [...] se podem encontrar alguém que aja com honestidade e que busque a verdade. Então Eu perdoarei a cidade” (NVI). Isso traz à mente duas histórias. Na primeira, Diógenes, filósofo grego do quarto século a.C., segundo a lenda, costumava andar pelo mercado durante o dia com uma lanterna acesa, dizendo que estava procurando um homem honesto. Na segunda história, Deus falou com Abraão, dizendo-lhe que, se conseguisse achar 50 justos em Sodoma (o número foi reduzido várias vezes, até chegar ao mínimo de 10), Ele não a destruiria.

Nas palavras do Senhor, por meio de Jeremias, o objetivo era revelar quanto a apostasia e o pecado haviam se disseminado entre Seu povo. Não havia ninguém que agisse com honestidade e buscasse a verdade? Se havia, eram bem poucos. E hoje, o quadro é diferente? Lamentavelmente, a resposta é não!

Embora a nação tivesse caído profundamente, muitas pessoas acreditavam que ainda estavam seguindo fielmente o Senhor! Estavam pronunciando Seu nome, mas estavam “jurando falsamente” (Jr 5:2, NVI), e não “com fidelidade, justiça e retidão” (Jr 4:2, NVI), como o Senhor lhes havia ordenado. Não davam ouvidos à advertência de Deus, mas prosseguiam com suas práticas religiosas como se tudo estivesse certo entre elas e Deus, quando, na verdade, quase nada estava certo. Agiam como se fosse possível comprar o favor divino mediante a prática de ritos religiosos.

A profundidade do engano em que se encontravam pode ser vista em Jeremias 7:4, onde é mencionado o falso conforto que o povo encontrava nestas palavras: “Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este”, como se a presença do templo fosse tudo que ele necessitava para garantir que as coisas dariam certo. Saber que se está numa crise é ruim, mas estar numa crise e não perceber isso é ainda pior.


Apresentação do autor dos comentários:

Ozeas Caldas Moura é natural de Rubiataba-GO, e nasceu em 15 de agosto de 1955. É Bacharel em Teologia, pelo Educandário Nordestino Adventista (ENA), Licenciado em Letras, pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB – campus de Santo Antônio de Jesus, BA), Pós-graduado em Língua Portuguesa, pelas Faculdades Integradas Severino Sombra (FISS), em Vassouras, RJ, Mestre em Teologia Bíblica, pelo SALT-UNASP, Mestre em Teologia Bíblica, área do Novo Testamento, e Doutor em Teologia Bíblica, área do Antigo Testamento, cursados na PUC do Rio de Janeiro. É Pós-doutor em Teologia Sistemática, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, MG. Foi pastor distrital por doze anos. Trabalhou por três anos como redator na Casa Publicadora Brasileira (2007-2009), além de ter lecionado Teologia por nove anos no SALT-IAENE (1990-1995 e 2003-2005 – atuando neste último período também como diretor do SALT-IAENE), e por dez anos no UNASP-EC (1999-2002 e 2010 até o momento). Foi coordenador do curso de Teologia do UNASP por três anos (2012-2014). Atualmente é o coordenador da Pós-graduação em Teologia do SALT-UNASP, e professor de disciplinas na área de Antigo Testamento nessa mesma instituição. É membro do International Board of Ministerial and Theological Education (IBMTE), órgão do Departamento de Educação da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. É casado com a Profa. Jane Cleide Casa Branca Moura. Tem duas filhas e um neto.


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