Sumário 1 introdução 2 I – a problemática filosófica contemporânea a Wittgenstein 6



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sumário 1

introdução 2

I – a problemática filosófica contemporânea a Wittgenstein 6

1 .1 – Ambiente de Crises e Re-propostas 7

1. 2 – Duas escolas, caminhos diferentes 12

1. 3 – O caminho empreendido por Wittgenstein 15



II – a resposta do Primeiro Wittgenstein 18

2.1 – Os primeiros passos 18

2.2 – Sua primeira obra: Tractatus 20

2.2.1 – A linguagem e o mundo: teoria da figuração 22

2.2.2 – A linguagem lógica e o sentido: teoria da verdade 25

III – A resposta do segundo Wittgenstein 28

3. 1 – A ruptura wittgensteiniana: superação da tradição e do Tractatus 29



3. 1. 1 – Teorias objetivista e espiritual da linguagem 30

3. 1. 2 – Crítica à teoria objetivista e espiritual da linguagem 34

3. 2 – Jogos de linguagem: a nova imagem de linguagem 42



3. 2. 1. Os Jogos de linguagem seguem regras gramaticais 44

3. 2. 2 – Jogos de linguagem resguardam semelhanças de família 47

3. 3 – Formas de vida 49



Conclusão 52

Referências bibliográficas 57



introdução


Partir de um período histórico ou de um problema específico, que possa ser tomado como origem última, ou primeira, de todas as coisas, parece ser a característica fundamental da metafísica. No entanto, não é a marca deste Trabalho de Conclusão de Curso que, além de pesquisar um autor que combate a metafísica, trabalha uma problemática bastante situada num período e num contexto. Período de virada do século XIX para o XX e no contexto marcado pela concepção filosófica tradicional, que atinge sua expressão máxima na primeira proposta wittgensteiniana, em oposição a qual o autor apresenta a segunda proposta que protagoniza toda a reviravolta pragmática lingüística.

O desenvolvimento dessas duas propostas wittgensteinianas, que procuram oferecer respostas para um mesmo problema, ocorre no seio do movimento filosófico denominado Filosofia Analítica. Movimento que, além de estar em desenvolvimento, surgiu como resposta ou reação a movimentos já existentes. A problemática filosófica, própria desse período, desperta Wittgenstein para a busca das causas de tais problemas a fim de elaborar possíveis propostas de solução para os mesmos. Nesse empreendimento o pensador constata que os problemas filosóficos seriam causados pela má compreensão dos enunciados lingüísticos. E essa má compreensão dos enunciados estaria estritamente ligada à problemática da significação da linguagem. A partir da constatação dessa única problemática, Wittgenstein apresenta duas propostas de solução para a mesma.

Este aceno inicial serve como base para expressar que, a partir do seio da Filosofia Analítica, será trabalhado o problema da linguagem e seu significado. Tal problema será abordado a partir das duas respostas wittgensteinianas. As mesmas serão apresentadas como a Primeira resposta de Wittgenstein – referente à filosofia do Tractatus – e, respectivamente, como a Segunda resposta de Wittgenstein – referente à Filosofia das Investigações Filosóficas. Na primeira obra, Wittgenstein defende uma linguagem cujo significado é estritamente dependente da relação lógica entre nome e objeto: “O nome significa o objeto. O objeto é seu significado” (T. 3.203)1. Na segunda obra ele defende uma linguagem que adquire seu significado no jogo de linguagem a partir das atividades cotidianas desenvolvidas em cada forma de vida: “a significação de uma palavra é seu uso na linguagem” (I.F. § 43)2.

Este Trabalho de Conclusão do Curso de bacharelado em Filosofia é motivado pela busca de entendimento do problema que marca o período filosófico do final do século XIX e início do século XX. Tal problema relaciona-se com o significado da linguagem. O objetivo desta monografia é apresentar no cenário acadêmico a importância da discussão acerca da problemática lingüística, enfatizando o quão importante é ser capaz de conciliar objetividade conceitual com a capacidade de diálogo, principalmente a partir da Filosofia da Linguagem desenvolvida posteriormente à década de 1930.

A fim de melhor estudar tal problema, o desenvolvimento deste trabalho é dividido em três capítulos. No primeiro é visto o contexto e o problema da época. Nesse contexto Wittgenstein apresenta a primeira resposta, que é o conteúdo do segundo capítulo deste trabalho. Uma vez vista a primeira resposta, a partir dessa, Wittgenstein apresenta a re-proposta como segunda resposta. Essa segunda resposta é o conteúdo do terceiro capítulo desta monografia.

O contexto e o problema da época do trabalho são o contexto e o problema da Filosofia Analítica, aqui apresentada como uma reação e busca de saída para o descrédito que a Filosofia enfrentava. Crise gerada pela característica existencialista, idealista e fenomenológica, que marcava tal período. Tal característica fazia com que a Filosofia perdesse o crédito que a ciência então conquistava. Para superar tal impasse um ramo da Filosofia se aproxima da ciência, caracterizando-se como o movimento filosófico analítico. Tal movimento é caracterizado por centralizar sua problemática em torno da Filosofia da Linguagem no intuito de conferir a ela um caráter próximo à cientificidade. Uma boa parcela dos estudiosos da Filosofia Analítica a dividem em duas grandes correntes que, para este trabalho, facilitam o alojamento da Primeira resposta de Wittgenstein numa corrente e a Segunda resposta na outra corrente. Uma das correntes seria caracterizada pela busca de uma Filosofia da Linguagem ideal, científica – familiar ao Tractatus. A outra corrente analítica seria caracterizada pela valorização da linguagem ordinária, prática – familiar às Investigações.

No entanto, qualquer definição ou distinção filosófica deve ser prudente ao pretender utilizar-se de terminologias e definições absolutas. Neste trabalho, tal prudência deve acompanhar a leitura de cada definição ou conceituação, como por exemplo: quando são apresentadas possíveis definições de Filosofia Analítica, a divisão de tal movimento em duas correntes não são interpretações absolutas.

No segundo capítulo, são trabalhadas as duas teorias tomadas como centrais na estruturação da primeira obra wittgensteiniana. Por primeiro, a teoria da figuração, segundo a qual a linguagem figura o mundo numa espécie de adequação entre o pensar, o falar e o real. Tal adequação é regida pela estrutura lógica que iguala a estrutura do falar com a estrutura do falado. Existe uma relação de configuração entre o mundo, o pensar e o falar (T. 2.161). A segunda teoria dos Tractatus é a teoria da verdade, segundo a qual a linguagem é uma simples descrição do mundo. Tal descrição é feita a partir de frases complexas que são compostas de frases elementares. As frases complexas (a descrição do mundo) são verdadeiras quando são verdadeiras as frases elementares que as compõem. A proposição é verdadeira se exprime um estado de coisas como realmente ele é.

No terceiro capítulo é desenvolvida uma interpretação da teoria wittgensteiniana das Investigações. Teoria marcada pela ruptura e superação do Tractatus e da tradição lingüística ocidental. Tal ruptura e superação são marcadas pela crítica às teorias objetivista e espiritual da significação lingüística e pela superação do dualismo tradicional e da parcialidade da concepção instrumentalista da linguagem. Tal superação resulta numa original e interessante re-proposta desenvolvida a partir dos jogos de linguagem que são regidos por regras gramaticais, caracterizados pela semelhança de família e alojados nas formas de vida. Aqui a linguagem abandona sua pretensão de exatidão absoluta, buscada pela proposta de constituição de uma linguagem ideal que servisse como referência para todas as linguagens, e passa a valorizar a linguagem prática aplicada e vivenciada em cada contexto.

A pretensão desta pesquisa não é encontrar soluções precisas para os problemas filosóficos, nem apresentar descobertas geniais ou o melhor dos trabalhos acadêmicos referentes à Filosofia da Linguagem. Se esta fosse a pretensão, se estaria sendo tão ou mais prepotente que o Primeiro Wittgenstein, estar-se-ia pretendendo filosofar contra os princípios básicos de uma Filosofia equilibrada e madura e, pior que isso, se estaria negando toda a concepção de Filosofia da Linguagem desenvolvida pelo Segundo Wittgenstein. De acordo com a concepção filosófica do Wittgenstein das Investigações, objetiva-se, nas páginas que seguem, compor um jogo de linguagem, no qual, se possa compreender o contexto em que Wittgenstein depara-se com o problema da significação da linguagem e quais as possíveis respostas que ele apresenta para tal problema. A partir do problema da significação buscar-se-á a resposta apresentada pelo Primeiro e pelo Segundo Wittgenstein. Daí o título deste trabalho ser: “Wittgenstein: Um problema, duas respostas”.




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