Sumário 1 introdução 2 I – a problemática filosófica contemporânea a Wittgenstein 6



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1. 2 – Duas escolas, caminhos diferentes


Alguém até pode questionar qual seria a motivação desse Trabalho de Conclusão de Curso em Wittgenstein estar se preocupando com os caminhos tomados pelas escolas analíticas. No entanto, cabe enfatizar que o objetivo desse capítulo da monografia é, justamente, contextualizar as raízes do Primeiro e do Segundo Wittgenstein. Daqui é que se originam as duas diferentes metodologias filosóficas aderidas pelo autor. Nada melhor para distinguir as duas fases de Wittgenstein do que partir dessa definição do Movimento Analítico, que será trabalhada agora. É um tanto comum entre os estudiosos analíticos conceituar, dentro da concepção geral de Filosofia Analítica, a existência de duas vertentes metodológicas que predominam.

Duas grandes vertentes podem, contudo, ser identificadas. A primeira, que constitui o que podemos chamar de semântica clássica, se desenvolve a partir de Frege, Russell e Wittgenstein (com o Tractatus lógico-philosophicus, 1921), caracterizando estes dois últimos, juntamente com Moore, a chamada Escola Analítica de Cambridge. Podemos incluir ainda nessa tradição o positivismo lógico do Círculo de Viena, que foi de início fortemente influenciado por Wittgenstein. A segunda grande vertente parte também da influência de Moore, de Gilbert Ryle, do “segundo” Wittgenstein e de John Langshaw Austin, incluindo a Escola de Oxford, também conhecida como “Filosofia da Linguagem ordinária”, caracterizando assim a chamada “virada lingüística”.23

Essas duas correntes seriam as principais, às quais seria possível associar as demais. Seriam elas, adaptando a este trabalho: a chamada Filosofia da Linguagem ideal – do Primeiro Wittgenstein – e a chamada Filosofia da Linguagem ordinária – do Segundo Wittgenstein. No entanto, esse trabalho não ignora a falta de unanimidade na própria distinção entre uma e outra das duas corrente analíticas, bem como, na classificação de qual filósofo realmente pertence a uma e a outra corrente. Na citação acima, Marcondes apresenta uma concepção dessa distinção, ou classificação. Costa, como pode ser conferido na próxima citação, apresenta uma divisão bastante semelhante, porém com divergências. Uma delas refere-se ao pensador que poderia ser o ponto de partida de cada corrente.

A Filosofia Analítica possui duas vertentes metodológicas principais. A primeira chamada de “Filosofia da Linguagem ideal”, tenta aproximar-se das questões por métodos inspirados nas ciências exatas, em especial na lógica e na Matemática desenvolvida principalmente por Frege, no final do século passado. Para filósofos como Frege, Bertrand Russell, o jovem Wittgenstein, e, posteriormente, positivistas, como Carnap e Quine, as formas gramaticais de nossa linguagem natural tendem a ser vistas apenas como uma fonte de confusão encobridora da verdadeira estrutura lógica de nossas expressões; [...]. A segunda vertente da Filosofia Analítica, chamada de “Filosofia da Linguagem ordinária”, tem sua origem nos trabalhos escritos pelo filósofo inglês G. E. Moore, no início deste século, tendo sido desenvolvida por Wittgenstein a partir da década de 30, e, em seguida, pelos filósofos da chamada “Escola de Oxford”: Ryle, Austin e Strawson.24

Conforme se percebe na apresentação feita a partir de Costa, a primeira corrente, denominada Filosofia da Linguagem ideal, caracteriza-se por sua metodologia inspirada nas ciências exatas, em especial na lógica e na Matemática desenvolvidas por Frege no final do século XIX. A esta são identificados filósofos como o próprio Frege, Russell, o Primeiro Wittgenstein, Carnap e Quine. Para estes as formas gramaticais da linguagem usual são uma fonte de confusão que encobrem a verdadeira estrutura lógica das expressões. Tais expressões devem passar pelo crivo da purificação das ambigüidades e imprecisões. As mesmas devem ser transformadas em linguagem lógica matemática ou simbólica.

A segunda vertente metodológica da Filosofia Analítica, chamada de Filosofia da Linguagem ordinária, tem sua origem nos trabalhos escritos por Moore, no início do século XX. Esta vertente foi desenvolvida pelo Segundo Wittgenstein a partir da década de 1930 e, em seguida, pelos filósofos da Escola de Oxford. Será essa a linha pela qual este trabalho mais se estenderá, uma vez que o principal objeto a ser atingido por esta pesquisa é a significação da linguagem do Segundo Wittgenstein, onde se encontra a segunda e definitiva resposta do autor à problemática de sua época. Os filósofos da linguagem ordinária, na sua maioria, defendiam a não modificação pela Filosofia do uso natural ou ordinário das expressões, bem como a não-adesão a pressupostos metafísicos sugeridos pela lógica matemática25. Para Wittgenstein, a Filosofia deve reconduzir as palavras de sua aplicação metafísica para sua aplicação cotidiana26. O filósofo deve simplesmente esclarecer o uso dos significados concretos das expressões da linguagem ordinária. D’Agostini centraliza a origem dos dois movimentos na Filosofia de Frege.

Além disso, o trabalho de Frege pode ser pensado como base única do dois movimentos. Frege foi o ponto de referência tanto de Russell quanto dos neopositivistas austríacos, alemães, polacos; de outra parte, como acenamos e como sustentou rapidamente Dummett, Frege antecipou a ‘virada lingüística’ em todas suas variantes, inclusive o interesse pela linguagem ordinária e pelos aspectos executivos, pragmáticos da linguagem. 27

Conforme essa afirmação de D’Agostini, Frege apresenta-se como um autor de relevante importância para essa monografia, que pretende trabalhar as duas fases da filosofia wittgensteiniana. Uma vez que Frege é apresentado como ponto de partida único, das duas escolas analíticas e antecipa a virada lingüística, ele contempla bem, a busca das raízes wittgensteinianas empreendidas pelo primeiro capítulo dessa pesquisa monográfica.

Ao analisar as duas faces centrais da Filosofia Analítica, percebe-se a presença de Wittgenstein em ambas as correntes. O que significa que o Wittgenstein do Tractatus estaria mais afim com a vertente da Filosofia da Linguagem ideal, enquanto o Wittgenstein das Investigações estaria mais afim com a vertente da Filosofia da Linguagem ordinária. No próximo item será trabalhado o caminho feito pelo autor dentro deste Movimento Analítico, uma vez que o mesmo protagoniza no seio de tal movimento a mudança metodológica em sua Filosofia. Razão pela qual ele inicia dentro de uma vertente e, após a reviravolta, é o autor principal da segunda vertente.

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