Sumário 1 introdução 2 I – a problemática filosófica contemporânea a Wittgenstein 6



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1. 3 – O caminho empreendido por Wittgenstein


Wittgenstein nasceu no mesmo ano que Heidegger e Gabriel Marcel, 188928. Inicia sua produção filosófica no período imediatamente anterior à Primeira Guerra Mundial. A paisagem filosófica de então era determinada pelo Neokantismo, pela Filosofia da vida e pela fenomenologia de Husserl. Como foi visto, Wuchterl diz que essa era uma época em que as massas de pessoas cultas estavam, como hoje, afastadas da Filosofia devido à insatisfação com a Filosofia de Hegel, Marx, Kierkegaard e Nietzsche. Aí se passou a valorizar o pensamento das ciências naturais29. Isso teria desafiado a Filosofia a entrar na área científica. Tal fato seria o principal responsável pelo surgimento da Filosofia Analítica, da qual Wittgenstein é um dos principais defensores. A obra que introduz a ação de Wittgenstein no campo da Filosofia Analítica é o Tractatus, publicado em 192130, durante a Primeira Guerra Mundial, da qual Wittgenstein participou servindo o exército austríaco.

Na primeira obra de Wittgenstein, o Tractatus, é apresentada uma Filosofia da ‘linguagem ideal”31. Ela tem um estilo próprio da primeira corrente da Filosofia Analítica, que, como foi visto, primava pela lógica e pela Matemática como meios de purificação da ambigüidade e imprecisão da linguagem. Contém a concepção que Wittgenstein defende e eleva ao auge, acreditando ser ela a resolução de todos os problemas filosóficos32. Ao findar essa obra, ele afirma ter definitivamente solucionado tais problemas e não mais ser possível falar deles: “Por outro lado, a verdade dos pensamentos aqui comunicados parece-me intocável e definitiva. Portanto, é minha opinião que, no essencial, resolvi de vez os problemas”33. Esta afirmação será melhor estudada no próximo capítulo deste trabalho.

Mas, no final da década de 1920 e início da década seguinte, estimulado por uma diferente concepção de fazer Filosofia, Wittgenstein retorna ao cenário filosófico e, em contraposição ao antigo modo de pensar, desenvolve uma espécie de Filosofia da Linguagem ordinária.

Ciente disso e estimulado por uma diferente concepção da maneira como a investigação filosófica poderia ser exercida, Wittgenstein retornou a Cabridge, onde, nos 21 anos seguintes, desenvolveu o que poderíamos classificar como uma espécie de Filosofia da Linguagem ordinária. Embora tenha, nesse período, escrito intensamente, ele não publicou praticamente nada, além do Tractatus. A obra mais importante dessa segunda fase de sua Filosofia leva o título de Investigações Filosóficas.34

Costa se refere aqui a expressão da virada pragmática lingüística desenvolvida e apresentada por Wittgenstein. Este tema será melhor trabalhado nos próximos dois capítulos desse Trabalho de Conclusão de Curso. Nos capítulos II e III dessa pesquisa será apresentada a concepção de linguagem e de seu significado em cada um deles. No primeiro, será apresentada a concepção do Tractatus, com a referida resposta wittgensteiniana. No capítulo seguinte, apresentar-se-á a concepção e a resposta wittgensteiniana que marca sua última concepção e resposta filosófica. A obra mais importante desta segunda fase de sua Filosofia é as Investigações Filosóficas, que será abordada no terceiro capítulo deste trabalho, como oposição ao segundo.

No chamado Primeiro Wittgenstein, duas teorias centrais tomam a atenção do autor: a teoria da figuração35 e a teoria da verdade36. Teorias inteiramente identificáveis com as teorias desenvolvidas na primeira vertente da Filosofia Analítica. Seguem uma linha puramente lógica, objetivando purificar a linguagem usual na busca de uma linguagem ideal que servisse como essência e parâmetro para toda e qualquer linguagem. Já no Segundo Wittgenstein – ponto de chegada deste trabalho – percebe-se os claros e predominantes traços da Filosofia da Linguagem ordinária, que prima pelo uso e contextualização da linguagem37.

Nas Investigações, é onde surge a grande novidade da Filosofia moderna da Linguagem. Wittgenstein dá novo ar ao Movimento Analítico ao inserir e desenvolver, no seio de tal movimento, as duas teorias básicas que protagonizam a Reviravolta Pragmática e Metodológica da Filosofia da Linguagem, a saber, a teoria dos Jogos de Linguagem e a teoria das Formas de Vida.

É possível dizer que Wittgenstein se mantém dentro da Filosofia Analítica devido à sua característica, comum aos analistas, de centralizar a Filosofia sobre o tema da linguagem e o que realmente ela diz e significa. Vale lembrar que a unidade da problemática wittgensteiniana, que se manteve em torno da linguagem e seu significado, foi o que possibilitou a Wittgenstein oferecer duas respostas a partir do contexto de um único movimento filosófico. Sem ignorar que, talvez, a própria flexibilidade do Movimento Analítico tenha possibilitado Wittgenstein sempre se identificar com uma das correntes do mesmo movimento.

O empreendimento wittgensteiniano, iniciado no primeiro capítulo desse trabalho, que apresenta de maneira sucinta a necessidade da contextualização do problema aqui trabalhado, bem como, a contextualização do autor que trabalha tal problema, passando pela menção das duas concepções do autor, será agora seguido em ordem cronológica. Por isso, esse trabalho passa agora, em seu segundo capítulo, a estudar as principais teorias do Wittgenstein do Tractatus, nas quais o autor elabora a primeira resposta, para depois, em oposição a essa, elaborar a segunda resposta38.

II – a resposta do Primeiro Wittgenstein


Conforme Tugendhat, uma maneira de filosofar só pode constituir-se enquanto posição filosófica fundamental na confrontação com concepções anteriores de Filosofia. Por isso, refletir sobre os fundamentos não seria apenas um ato adicional de auto-entendimento, mas uma condição para a autenticidade da Filosofia. Autenticidade que exige da Filosofia a busca de métodos e conceitos fundamentais existentes para, a partir destes, desenvolver outros novos39. Acredita-se que Wittgenstein, embora negue a tradição, deva ser estudado a partir da problemática filosófica que marcava o período histórico no qual o autor ensaia seus primeiros passos. Uma vez que, pelo menos suas primeiras teorias, como são mencionadas neste trabalho, buscam a aproximação com a precisão científica para reconquistar o crédito que a Filosofia havia perdido devido a comportamentos próprios daquele período e dos períodos que o antecediam. Tal caminho, que no percurso desse empreendimento, é marcado tanto pela autonomia como pela dependência da lógica, é o tema que esse trabalho tratará nas linhas que seguem. Tema que no decorrer de todo o trabalho é regido pela busca do significado da linguagem em Wittgenstein.

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