Sumário cinema e tv 3


Estado de Minas – Da roça para os palcos



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MÚSICA

Estado de Minas – Da roça para os palcos

Dupla sertaneja formada por integrantes da comunidade mineira de Noiva do Cordeiro lança primeiro disco, Sonhos, com 10 faixas inéditas. Canções falam da história do grupo


Ana Clara Brant
(01/02/2013) Elaine virou Márcia e Celso agora é Maciel. Os dois se conheceram na comunidade Noiva do Cordeiro, em Belo Vale, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, povoado reconhecido pela forma de vida peculiar e coletiva, decidiram formar uma dupla sertaneja e acabam de lançar o primeiro disco: Sonhos. Maciel, de 30 anos, sempre gostou de música, desde criança, e aos 7 já improvisava no violão. Quando Márcia o conheceu, convidou-o para acompanhá-la em festas de casamento e rodas de viola e a dupla nasceu por acaso. “Ele se tornou o meu guia musical. A gente não premeditou nada e quando vimos estávamos cantando juntos. Nunca imaginei que seria cantora. Há pouco tempo ainda estava trabalhando na roça ou na fábrica de roupas. Era uma vida completamente diferente”, revela Márcia, de 32 anos.

Em 2011, a partir da realização do projeto Noiva do Cordeiro em Cena, patrocinado pela Vale e realizado pela Associação Comunitária, os dois, assim como outros moradores da região, passaram a ter oficinas de dança, teatro e música. “Acabamos virando os cantores oficiais da comunidade e somos os primeiros artistas formados lá que estão na estrada. É um orgulho”, destaca a cantora, que se mudou há seis meses para Belo Horizonte.

As mudanças não foram fáceis. Márcia revela que se assustou com tudo que envolve o universo artístico, mas não quer desistir. Ela e Maciel querem se aperfeiçoar a partir de fevereiro, quando vão ingressar em curso de música, e já estão em busca de um produtor para ajudar na divulgação do trabalho. “No começo foi um choque. A gente veio muito inocente para cá. Tinha essa ilusão de que seria igual ao Zezé di Camargo, que levava as composições para a rádio e bastava ligar para lá e a música tocava. E não é bem assim, ainda mais em cidade grande. A coisa é bem comercial”, atesta a cantora.

Por enquanto, a dupla vem se apresentando ocasionalmente em cidades do interior e emplacou os primeiros lugares em rádios do Norte de Minas, como Montes Claros. “Queremos mostrar que o nosso disco tem valor. E estamos batalhando para as pessoas conhecerem. É uma luta, mas gostamos de estar no palco”, completa.

Sonhos foi produzido por meio de uma vaquinha realizada pelos moradores da Noiva do Cordeiro. Traz 10 faixas inéditas, compostas por Márcia e Maciel, que refletem muito da história e da vida dos moradores do povoado. Canções que falam de amor, de família e de união. “Escolhemos justamente essa composição para dar nome ao CD porque ela resume muito o que passamos. É um sonho não só meu, mas de todos. Levamos o nome da comunidade e eles acreditam demais na gente. Por isso temos que lutar mesmo. Estou me adaptando ainda a toda essa realidade, mas estou confiante e empolgada”, completa.

Saiba mais

Noiva do Cordeiro

No fim do século 19, Maria Senhorinha de Lima, natural de Roças Novas, povoado de Belo Vale, se casou com o francês Arthur Pierre. Ela acabou se separando e foi viver com Francisco Augusto Fernandes de Araújo onde hoje está a comunidade de Noiva do Cordeiro. A atitude foi condenada e os dois, rotulados de pecadores, tiveram amaldiçoada sua descendência por gerações. Nos anos seguintes, em toda a redondeza, a atitude de Senhorinha ganhou olhares de reprovação. Entretanto, o casal tocou a vida e criou 12 filhos. A situação se complicou novamente em meados do século passado, quando Anísio Pereira, neto de Francisco, fundou a seita protestante Noiva do Cordeiro, que batiza o lugarejo, e converteu toda a família, agravando as relações com parentes vizinhos e católicos. Em 2007, o Estado de Minas trouxe a público a história da família, que ganhou documentário de TV e rodou mundo. Hoje, respeitada pela maioria dos moradores da cidade, a comunidade, que tem cerca de 300 habitantes, tem ajudado a promover a cultura na região.



Correio Braziliense – O ano do batuque

O grupo de percussão Patubatê tem um 2013 lotado de compromissos, desde viagens à Índia e ao Paquistão até projeto com catadores de lixo


FELIPE MORAES
(02/02/2013) Fred Magalhães, membro fundador do grupo de percussão Patubatê, precisa ser ágil e preciso com as mãos mesmo quando não está batucando e tirando sons de instrumentos incomuns, feitos de sucata e outros materiais geralmente associados a fins utilitários. É que, hoje em dia, ele admite, não dá para ser somente artista. É preciso também ser empresário, produtor e agente, preocupar-se com documentos, com negociações, passar a vista em propostas, rubricar contratos e dar conta de outras burocracias necessárias para que ele e os colegas sejam, nos momentos certos, artistas. Com uma porção de projetos já formatados ou ainda em fase embrionária, Magalhães espera que 2013 seja o ano do boom do Patubatê.

O modelo seguido por ele, Fernando Mazoni, Gustavo Lavoura, Pablo Maia, Felipe Fiuza, DJ Leandronik, além da equipe que cuida dos bastidores — o técnico de som Tiago Sampaio, o de luz Zé Mário, e os roadies Frota, Isaías e Maranhão —, é baseado num conceito de produção independente. “It’s We Produções”, brinca Magalhães. “A gente tem conseguido fazer história sem morar no eixo Rio-São Paulo. Com o Móveis Coloniais de Acaju e Os Melhores do Mundo foi assim também”, explica. A agenda é cheia porque a banda, formada em 1999, não se acanha: além dos trabalhos artísticos e culturais, em parcerias públicas e privadas, lança-se em propostas empresariais customizadas, lançamentos de produtos e topa até palestras motivacionais.

Ano passado, uma das dedicações da banda foi a gravação do DVD Ruído sonoro, primeiro registro oficial, financiado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). A gravação do show, filmado no interior do Estádio Nacional de Brasília, é vendido pela própria banda por um preço promocional de R$ 5, e deve chegar em breve às lojas. O segundo DVD, RS02 (Ruído Sonoro 2), de produção já garantida pelo FAC — e gravação prevista para março e abril, no Sesc Ceilândia —, vem com outra proposta. O Patu planeja convidar cantores como GOG e Marcelo Yuka para preencher as canções instrumentais com letras originais. Na contrapartida, o Patu gravará arranjos de canções dos colaboradores. Outra iniciativa de registro, ainda em fase inicial, é uma exposição interativa de fotos da trajetória da banda, clicadas por Ricardo Peixoto.
Oficinas e shows
O grupo mandou propostas para os carnavais de Brasília, Pirenópolis e Recife, mas ainda não fechou nada para a folia de 2013. O grupo também tocaria hoje durante o evento 500 Dias para a Copa do Mundo de 2014, porém a festa foi cancelada por causa do incêndio que matou 233 pessoas em uma boate em Santa Maria (RS). Enquanto negociam com as secretarias de Turismo, Cultura e Esporte números para o mundial de futebol do ano que vem, os músicos também tentam alinhavar algo para a estreia da amarelinha na Copa das Confederações, em 15 de junho, contra o Japão. “Pensamos em arranjos diferentes para o hino brasileiro e para o hino japonês, talvez algo com a movimentação do daiko (instrumento japonês) com ritmos brasileiros e percussão eletrônica”, descreve.

Trabalhos fixos à parte — como a oficina sempre às quintas, no colégio Sigma (606 Norte) —, o Patu leva adiante em 2013 a formação de grupos musicais com catadores de lixo. “Pensamos em formar uma banda mesmo, algo do tamanho de uma bateria de escola de samba. Talvez até orquestrar mesmo, juntando material eletrônico do DJ com orquestra. É algo que está engatinhando, mas que já está formatado”, adianta Magalhães.

Em parceria com a Fundação Banco do Brasil e a WWF, os brasilienses começaram o trabalho em Pirenópolis, em modo experimental, e já conversam com catadores de Brasília, por meio da CentCoop (Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do Distrito Federal e Entorno), para montar uma versão local do Patucatá. O resultado das oficinas será mostrado no evento Hora do Planeta, em 23 de março, em local de Brasília ainda a ser definido. Outro projeto que deve ganhar fôlego neste ano é o Bloco Eletrônico, gestado nas oficinas semanais e que se apresentou ano passado no segundo Perc Brasil, no Jogo de Cena e no Green Move Festival.
Índia e Paquistão
A bordo do Programa de Difusão Cultural, do Ministério das Relações Interiores, o Patu já rodou por vários países, como Trinidad e Tobago, China e nações africanas. Em 14 de fevereiro, o grupo embarca para Índia e Paquistão. Na agenda, há compromissos em Nova Délhi e Calcutá (Índia), dentro do World Percussion Festival, e nas cidades paquistanesas de Karachi e Islamabad (capital) em duas oportunidades — apresentações no Hotel Serena e no Pakistan National Council of Arts. Magalhães também sonha em, nesses países, internacionalizar as oficinas com os catadores.

Sempre que viajam, os artistas ministram oficinas com músicos e população em geral, e chamam os participantes dos workshops para participar dos shows. Mais viagens para o exterior, desta vez com destino a Portugal (onde é representado pela produtora Ritmos e Temas) e Alemanha, por meio do consulado de Frankfurt, podem ocorrer entre julho e setembro.




Correio Braziliense – Sons fora do quadrado

GABRIEL DE SÁ


(02/02/2013) Os discos de três artistas independentes de Brasília estão entre os 100 melhores lançamentos nacionais de 2012. Pelo menos é o que acredita o jornalista Ed Félix, editor do site Embrulhador (www.embrulhador.com), de Campina Grande (PB). Pelo segundo ano, o pesquisador elencou o que de melhor rolou na música brasileira no ano que passou. Para a surpresa e a alegria de muitos, a banda Sexy Fi, o compositor e guitarrista Dillo D'Araújo e o trio Passo Largo estão no rol, divulgado há alguns dias e encabeçado pelo álbum Caravana sereia bloom, da cantora Céu.
Para chegar à centena consagrada, Félix ouviu mais de 550 CDs. No trabalho minucioso, ele avaliou aspectos que vão desde a originalidade até a qualidade da produção; passando, por exemplo, pela arte gráfica, no casos dos álbuns em formato digital. “Brasília sempre se destaca na cena nacional pelo rock. A cada ano, tem surpresas vindo daí nesta área”, comenta o jornalista. E os três escolhidos por ele têm realmente uma ligação forte com esse universo.
Formado por Camila Zamith, JP Diogo Saraiva, Ivan Bicudo, Márlon Tugdual e Fernando Lanches, o Sexy Fi foi batizado com esse nome em 2012. Antes, com outra formação, era Nancy. Nunca te vi de boa, que ocupa a 50ª posição na seleção, só sai em formato físico no Brasil em fevereiro, mas garantiu seu lançamento internacional há alguns meses por um selo inglês. “A gente estava saindo em várias listas, então não foi exatamente uma surpresa”, diz o guitarrista João Paulo, que define o som do grupo como um “rock de doidão, levemente experimental”. “Pouca gente conhece a banda ainda. Quanto mais você expõe seu trabalho para diferentes públicos, melhor”, considera. O que chamou a atenção de Félix foi a originalidade da trupe. “É bem diferente do que se está sendo produzindo no Brasil”, destaca.
Loucuras
No caso de Dillo — 59ª posição com seu Jacaretaguá —, Félix observou que o artista se mostrou bem à vontade para criar, “sem amarras”. “Ele fez boas loucuras neste disco”, comenta. Dillo, por sua vez, comemorou estar à frente, por exemplo, de nomes como Gaby Amarantos (61º lugar) e Otto (93º). “Pra ser sincero, eu nem gosto muito desses rankings. Mas se eu não estivesse nele, eu estaria puto”, diverte-se. “É uma lista isenta”, elogia. Para o guitarrista, há de se brindar pelos três brasilienses no rol, mas ele acha que poderia haver muitos outros representantes, pelo volume atual de produção na cidade.
Já o Passo Largo, cujo CD homônimo está na 78ª posição, é formado pelos músicos Vavá Afiouni, Thiago Cunha e Marcus Moraes. O trio faz um trabalho de rock instrumental. Segundo Ed Félix, a lista alcançou mais de 300 mil acessos desde sua publicação, vindos de todo o país. A grande maioria dos trabalhos selecionados é independente.


O Globo – Memórias de um outro samba

Paulinho da Viola e Nelson Sargento celebram o reencontro no bloco que sai amanhã homenageando o espetáculo 'Rosa de Ouro', onde se conheceram, em 1965


(02/02/2013) Em casa, Paulinho da Viola guarda em estantes uma boa quantidade de LPs, muitos dos quais arrematados em sebos ou de comerciantes de discos usados. Alguns, ele admite com orgulho, comprou só pelas capas mui singulares - belezuras com lugar garantido em qualquer antologia do tipo "Worst album covers of all time", com artistas em trajes escalafobéticos ou em poses inacreditáveis e cantoras com o buço por raspar. Outros, porém, são relíquias do samba, que ele se delicia em pôr para tocar na presença dos amigos que vão visitá-lo. E, na tarde de terça-feira, lá estão Zeca Pagodinho (que passara só para dar um alô) e Nelson Sargento, com quem Paulinho se encontrará novamente amanhã, no desfile do Bloco Timoneiros da Viola, que, em seu segundo ano, relembra o espetáculo "Rosa de Ouro", no qual os dois se conheceram, há quase 50 anos.
- Nelson, e o Zagaia? E o Preto Rico? - pergunta Paulinho, em tom saudoso, enquanto saca da capa meio surrada e ajeita na vitrola o LP "Escolas de samba", no qual Jamelão interpreta sambas de compositores da Mangueira (como os citados) e do Império Serrano.

- Eu tinha esse disco aí! - interfere Zeca ao ver outra relíquia, "Olha o partido aí!", que se anuncia como "gravado ao vivo nos 40 anos de samba de Mangueira", com os partideiros Xangô, Padeirinho, Aniceto, Zagaia e Jorginho.


E assim o papo, que começara nas incríveis aventuras de Paulinho na infância em Botafogo ("Você foi preso por jogar bola... e conseguiu cair de um bonde parado! Você tem que ser estudado, Paulinho!", recomenda um atônito Zeca) e em seguida enveredou pelas raridades fonográficas do samba, chega, forçosamente, ao "Rosa de Ouro", espetáculo de Hermínio Bello de Carvalho que, em 1965, juntou as cantoras Aracy Cortes e Clementina de Jesus a um grupo formado por Nelson, Paulinho (então com 22 anos), Elton Medeiros, Anescar do Salgueiro e Jair do Cavaquinho para cantar o fino do samba.
Compositor da Mangueira desde os anos 1940, parceiro de Cartola, Nelson é quem abre o pote das memórias:
- O Elton e o Hermínio foram lá no morro e disseram que queriam um sambista que tocasse violão. Eu era pintor de parede, e o recado que me chegou era para que eu fosse lá no Teatro Jovem, em Botafogo. Eu pensei que era para pintar o teatro! Eles pediram de novo, mas eu não fui. Na terceira vez, eles disseram: "Vai lá amanhã ou não vai mais." Quando cheguei, estavam Jair, Anescar e o Elton, e aí soube que era para eu fazer parte do grupo.
E, se não caiu da cadeira com aquele convite, Nelson cairia logo depois, quando Paulinho, atrasado, chegou ao teatro. O sambista da Mangueira olhou para o garoto, pensou em dizer alguma coisa, mas não disse. Nos primeiros versos de "14 anos" ("Tinha eu 14 anos de idade quando meu pai me chamou / perguntou se eu queria estudar Filosofia, Medicina ou Engenharia / tinha eu que ser doutor"), perguntou: o samba é desse garoto? E alguém respondeu: "É, e ele tem melhores do que esse!"
- Se eu pensasse em voz alta, estava perdido! Mas eu sempre pensei em voz baixa - diverte-se o mangueirense.


O Globo – Companheiros do mangue

(02/02/2013) As bandas pernambucanas Nação Zumbi e Mundo Livre S/A gravam disco com músicas uma da outra e planejam turnê, na trilha aberta pela Orquestra Manguefônica


Troca de beats no mangue. A "musa da Ilha Grande" vai desfilar com um novo gingado e "rios, pontes e overdrives" vão ficar mais sinuosos a partir de março, quando chega às lojas "Nação Zumbi vs Mundo Livre", com uma banda interpretando canções do repertório da outra. Inspirado na boa repercussão do disco que uniu Ultraje a Rigor e Raimundos, lançado ano passado pela Deckdisc, os dois grupos vão inverter os papéis que os consagraram desde a década de 1990, quando a maré mudou e Recife apareceu, definitivamente, no sonar da MPB.
Idealizado pelo produtor Rafael Ramos, o projeto une desta vez dois artistas de uma mesma geração e de uma mesma linhagem musical, marcada pelas fusões de rock com samba, maracatu, hip-hop e eletrônica. Subvertendo o famoso manifesto do mangue beat, divulgado em 1992, "Nação Zumbi vs Mundo Livre" - em fase final de produção - vai fazer os caranguejos trocarem de cérebro.
- Eu lembro que estava no Rio, durante a festa de um prêmio, quando o Rafael veio me falar desse projeto que tinha feito com Ultraje e Raimundos - conta Fred 04, vocalista e compositor do Mundo Livre S/A. - Ele disse que era uma coisa em tom de brincadeira, mas que tinha ficado legal e gerado uma boa repercussão, inclusive de vendas. Por isso, pensava em levar o projeto adiante. Alguns dias depois, ele me ligou, dizendo que queria unir Nação e Mundo Livre para a sequência. Para mim, aquilo foi uma alegria muito grande, e topamos na hora.
Além das conexões naturais, os dois ícones do som de Recife já tinham feito um projeto juntos, a Orquestra Manguefônica, que começou com uma apresentação no Sesc-Pompeia, em São Paulo, em 2005, passou pelo Abril Pro Rock, em Recife, e chegou a fazer uma excursão de dez datas pelo país naquele ano, com as duas bandas dividindo o mesmo palco. Mas não houve um registro em disco daquela união, como lembra 04.
- Na noite anterior à daquele show em São Paulo, acho que ninguém, dentre nós todos, dormiu de tanta excitação. Foi um troço mágico mesmo. No meio do show, o Rodrigo, do Mamelo Sound System, um dos convidados, pediu uma salva de palmas para a gente e ficou todo mundo de pé, por uns cinco minutos. Ficamos de alma lavada. Foi um lance incrível, como toda a turnê. Chegamos a pensar em compor algo específico para a Orquestra Manguefônica, mas nunca conseguimos levar isso adiante.
No toma-lá-dá-cá do disco, sete faixas foram selecionadas pelas duas partes. A Nação Zumbi ficou com "Livre iniciativa, "Pastilhas coloridas", "Girando em torno do sol", "Musa da Ilha Grande", "Seu suor", "Como James Brown já dizia" e "Bolo de ameixa".
- Não foi nada fácil fazer essa seleção, já que adoramos o som do Mundo Livre. É uma banda que traz tantas referências de coisas de que a gente gosta, de Clash a Serge Gainsbourg, passando por Jorge Ben e Hunter S. Thompson - conta Jorge Du Peixe, que assumiu os vocais da Nação desde a morte de Chico Science, em 1997. - A gente queria gravar também "Terra escura" e "O homem que virou veículo", mas o consenso levou a essas sete. Nas gravações, a minha preocupação foi trazer tudo para o meu tom de voz, que é diferente do tom do Fred. O dele é mais alto, eu não consigo alcançar aquelas notas.
Tributo a Chico Science
Já o Mundo Livre S/A ficou com "A cidade", "Samba makossa", "Rios, pontes e overdrives", "Meu maracatu pesa uma tonelada", "Etnia", "Manguetown" e "Quando a maré encher", mas todas em leituras bastante pessoais, como afirma o vocalista do grupo.
- Não íamos fazer um projeto desses sem homenagear o Chico Science. Por isso, selecionamos alguns clássicos que ele gravou com a Nação, incluindo "Rios, pontes e overdrives", que foi uma parceria nossa - diz 04. - No nosso caso, tentamos não ficar na sonoridade que consagrou a Nação, o que soaria meio falso, trazendo as músicas para o nosso lado, para a nossa praia, numa textura que valoriza mais a melodia e é menos rapeada.
Como era de se esperar, as gravações do disco trouxeram lembranças do começo das duas bandas, quando ainda tocavam em "palquinhos improvisados", segundo Du Peixe:
- Foi realmente um flashback muito intenso mergulhar nesse repertório. As músicas do Mundo Livre trazem altas memórias do nosso começo, juntos, tocando em lugares pequenos, com pouca gente na plateia, numa época em que Recife estava começando a sair do seu cantinho.
Depois que o disco for lançado, nenhum dos grupos descarta a possibilidade de fazer uma turnê de divulgação, na trilha aberta pela Orquestra Manguefônica.
- A turnê deve rolar, sim - diz Du Peixe. - A Orquestra já mostrou que nos damos muito bem ao vivo. É como se fosse um mash-up orgânico.

Folha de S. Paulo – "Brasil é fonte de prazer musical", diz crítico

Jon Pareles, que escreve no 'New York Times' há 30 anos, participa de evento na Bahia


BRUNO NOGUEIRA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
(03/02/2012) O Brasil e a música brasileira são velhos conhecidos de Jon Pareles. No jornal americano "The New York

Times", em que é crítico musical desde 1982, ele já escreveu sobre Tom Zé, Caetano Veloso, a Tropicália e Ivete Sangalo, que o deixou impressionado pelo "espírito incansável" no palco.

Pareles está pela terceira vez no país. Desta vez para participar, amanhã, do congresso Digitalia, sobre música e cultura digital.

O evento começou anteontem e vai até terça-feira em Salvador (veja programação em digitalia.com.br).

"O mundo exterior conhece muito pouco sobre música e cultura brasileiras. Eu vou sugerir maneiras de alcançar pessoas de fora como eu", disse ele à Folha.

Pareles -que, antes de chegar ao jornal nova-iorquino, foi um dos editores da revista musical "Crawdaddy", a primeira dos EUA inteiramente dedicada à crítica de rock, e teve breve passagem pela "Rolling Stone"- diz que as novas formas de ouvir música pouco mudaram a postura dos ouvintes.

"A música pop sempre foi alvo de julgamentos rápidos. Quantos segundos você dava a uma nova música antes de mudar a estação de rádio? Talvez só um pouco a mais do que hoje, mas o instinto sempre vai ser a primeira guia para ouvintes que não são críticos. E é assim que deve ser. A música precisa tocar seu coração primeiro."

É esse laço afetivo que, na opinião dele, também une crítica e público. "A crítica de música sempre importou apenas para um número relativamente pequeno de pessoas, mas essas pessoas são -assim como os críticos- ouvintes apaixonados."

Na era do acesso hiperfacilitado a novidades musicais, em que as pessoas encontraram outros meios para se orientar na selva digital/musical, Pareles defende a relevância dos críticos.

"As pessoas que querem ir além da simples decisão de ouvir uma música ou outra, que vão querer pensar com um pouco mais de profundidade sobre o que estão ouvindo, além de apenas gostar ou desgostar, ainda encontram bons 'insights' na boa crítica de música."

O americano diz que chega disposto a "ouvir o máximo de música possível" e se declara um apaixonado pelo que ouve do país.

"Talvez o Brasil esteja guardando sua música medíocre em casa, mas o que escuto continua a gerar novas ideias junto a maneiras brilhantes e criativas de remixar as antigas ideias. O Brasil é uma fonte perpétua de prazer musical para mim."




Estado de Minas - As aventuras dos bambas

(04/02/2013) Causos saborosos – e até históricos – do mundo do samba foram reunidos pelo antropólogo carioca Marcos Alvito em um pequeno livro que acaba de chegar às vitrines. Dos emblemáticos João da Baiana e Noel Rosa aos contemporâneos Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz, ali todo mundo é bamba.


Em 100 tópicos, Alvito relembra passagens relativas à música e à vida de mestres do samba. Candeia, por exemplo, era temido detetive. Ficou paralítico depois de esbofetear uma senhora na Lapa. Ela lhe rogou uma praga e, dias depois, o valentão foi baleado. Pixinguinha, um santo, morreu dentro da igreja – naquele mesmo dia, a Banda de Ipanema interrompeu imediatamente seu animado desfile carnavalesco. Em silêncio, foliões se dispersaram.
Histórias do samba – De João da Baiana a Zeca Pagodinho (Editora Matrix, R$ 29,90) mostra a dura lida dos compositores, gente humilde praticamente obrigada a vender parcerias a artistas famosos, como Francisco Alves, sovina conhecido como Chico Duro, e Mário Reis. Os dois astros eram “fregueses” de Cartola. Alvito revela: a irreverência carioca logo tascou um apelido nesses “parceiros”, que jamais criaram um verso: “comprositores”.
Professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), o autor fornece informações sobre a origem e o desenvolvimento do gênero musical mais famoso do Brasil, destacando a importância do jongo, do lundu e do coco para o DNA do samba.


Estado de Minas - Minas dá soul

O cantor e compositor Wolf Borges explora a fusão dos ritmos norte-americanos e mineiros em seu novo álbum. Três baixistas foram convocados para garantir o suingue da empreitada




"Estou doido para chegar a Belo Horizonte:" Wolf Borges, compositor


Ailton Magioli
(04/02/2013) O radicalismo da capa – um dos profetas de Aleijadinho aparece segurando a tocha da Estátua da Liberdade – pode até chocar os puristas de plantão. No entanto, a intenção do cantor e compositor Wolf Borges com o lançamento do disco Pdqjo soul – pãoDeQUeijo music pROJect (sic) é provar que a negritude perpassa as músicas mineira e norte-americana. Afinal de contas, as duas têm – sim – algo em comum.
Com trabalho fundamentado no resgate dos ritmos brasileiros, o artista sul-mineiro diz que seu quarto disco solo propõe algo diferente. Para a empreitada, ele contou com a reconhecida liberdade da MPB.
“Busquei a fusão da música de Minas Gerais com a música norte-americana”, explica Wolf. Mesmo tendo se deparado com ritmos dançantes, como o funk, ele confessa: não consegue deixar de lado o ciclo de canções que marcaram sua carreira.
Equipe Casado com a cantora Jucilene Buosi, desta vez, além dos vocais quase líricos característicos de sua mulher, Wolf contou com as participações de Marília Barbosa, Bomina Rebouças e Fernanda Brito. O disco reúne também instrumentistas, arranjadores e intérpretes como Ney Conceição, Robinho, Tiquinho (do Funk como Le Gusta), Marcos Santurys, Fred Selva, Arthur Huf e o Quarteto da Sinfônica de Campinas, além de Omar Fortes Jr. e Ravi Kefi.
Wolf faz questão de ressaltar: são três baixistas em seu disco. Robinho Tavares, da banda de Ed Motta, especialista em funk; Ney Conceição, com quem já havia trabalhado e considera “um gênio”; e Ricardo Finazzi, do Sul de Minas.
O álbum, segundo o cantor e compositor, representa a busca de sonoridade que, além do funk, passa por jazz, blues, pop e balada romântica. Com leitura mais suingada e dançante, a faixa Fruto de pomar, que Wolf regravou, vem se destacando nas rádios.
Turnê Depois de shows em Santa Rita de Jacutinga, Pouso Alegre e Poços de Caldas, onde mora, Borges anuncia o início da turnê regional de lançamento do CD. A maratona começa no dia 28, por Alfenas. Em 23 de março, será a vez de Três Pontas, também no Sul de Minas. “Estou doido para chegar a Belo Horizonte”, diz o compositor, que morou na capital na década de 1980.

O repertório do disco inclui as faixas Semente; Não tô pedindo, com Maurício Brandão; Intensa, A lua acolhe, Meu canto, Só para nós, Vilões, Encontro e Todo mundo, com Elder Costa; Sim, Dez culpas e Mistério profundo, com Rafael Toledo.

O CD pode ser adquirido a R$ 23 no site oficial do artista sul-mineiro (www.wolfborges.com.br).


Estado de Minas - Preservando a tradição

Maracatu Lua Nova, do Bairro Aparecida, em Belo Horizonte, faz festa para comemorar seus 10 anos e lança disco com temas recolhidos por Guerra Peixe nos anos 1940 e 1950


Walter Sebastião
(05/02/2013) “É uma festa diferente. Não é só show de palco, mas apresentações com grande interação com o público, para mostrar a riqueza cultural do Bairro Aparecida.” Assim André Salles Coelho, de 46 anos, coordenador do Maracatu Lua Nova, de Belo Horizonte, se refere às comemorações dos 10 anos de existência do grupo, que serão celebrados hoje, a partir das 19h, na Funarte MG, com lançamento do disco Maracatus do Recife. E com presença de convidados ilustres: a Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário, a Guarda de Moçambique Divino Espírito Santo e o Ensaios – Samba do Seu Marcelo.
O Maracatu Lua Nova tem cerca de 60 integrantes. “Desde crianças de três anos até senhoras que, por educação, eu não pergunto a idade”, brinca André Salles. O disco, explica ele, traz 22 composições recolhidas em Pernambuco, transcritas e publicadas em livro com o mesmo nome, pelo maestro, compositor e pesquisador César Guerra-Peixe (1914–1993), nas décadas de 1940 e 1950.
“Apesar do livro ser largamente conhecido entre pesquisadores e praticantes de maracatu, essas melodias, em sua maior parte, já estão esquecidas, inclusive entre os integrantes dos grupos mais antigos e tradicionais”, continua André Salles, suspeitando que se trata da primeira gravação do material. “O CD é um registro histórico, mas também é disco com produção musical muito bonita. Maracatus são grupos com muita energia musical. O nosso objetivo é que as pessoas, e inclusive os grupos de maracatus, conheçam essas músicas.”
Bairro Aparecida O Lua Nova nasceu do encanto de André Salles e outros integrantes com o maracatu, o que os levou a fazerem oficinas dedicadas à manifestação e a viagem a Recife para conhecer mestres e praticantes. “Recife está a 2 mil quilômetros de Belo Horizonte. Então, para continuar o trabalho, era mais fácil criar um grupo em Belo Horizonte do que ficar viajando para Pernambuco”, justifica André. Para ele, os 10 anos de existência do grupo têm sabor de vitória. “É grupo grande, que ensaia todos os sábados; são quatro uniformes, trinta e tantos instrumentos. Então não é simples administrar tudo isso. Cobra muita dedicação”, completa, lembrando que, depois de alugar casa, foi necessário comprar terreno para criar a sede.
No simbolismo, conta André, o maracatu é semelhante aos congados: fazem a festa de coroação de reis negros. Os tambores graves são mais um elemento que aproxima as duas práticas. Se em Pernambuco os grupos são mais próximos do candomblé, em Minas Gerais estão juntos aos católicos. O grupo de Belo Horizonte desenvolve duas linhas de atividades: uma participando de festas tradicionais; outra atuando como convidado em vários eventos (festival de inverno, carnaval de Ouro Preto e inauguração de estabelecimentos.). “O maracatu tem um ritmo marcante, dança, figurinos e canto bonitos, mas o mais importante é promover o encontro de todas as pessoas da comunidade”, defende André, acrescentando que os seus ensaios são abertos a quem quiser ir.
André Salles é só elogios ao Bairro Aparecida. “É e sempre foi musicalmente riquíssimo”, afirma. O mesmo espaço onde se reúnem congados, guardas e maracatu abriga quadrilhas, grupos de samba, choro, coco e um de música barroca. “Aos poucos Belo Horizonte está começando a conhecer a cultura daqui”, observa, lembrando que no segundo fim de semana de junho acontece ali uma festa tradicional com a presença de 20 guardas de moçambique de várias cidades.





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