Sumário Programa da disciplina 1



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Gestão Empresarial em Cooperativas de Saúde




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Análise do Contexto Econômico e Economia Brasileira



Profa. Nora Raquel Zygielszyper, M.


nora@fgvmail.br






Realização

Fundação Getulio Vargas

FGV Consulting – Curso in Company



Todos os direitos reservados à Fundação Getulio Vargas




Zygielszyper, Nora Raquel.

Análise do Contexto Econômico e Economia Brasileira. Edição 1, Rio de Janeiro: FGV Consulting – Cursos in Company.

90p.

1. Economia Brasileira



Coordenação Acadêmica: Prof. José Horta Valadares



Sumário

1. Programa da disciplina 1

1.1 Ementa 1

1.2 Carga horária total 1

1.3 Objetivos 1

1.4 Conteúdo programático 1

1.5 Metodologia 2

1.6 Critérios de avaliação 2

1.7 Bibliografia recomendada 2

Curriculum resumido do professor 4

2. Economia como Ciência 5

2.1 A Ciência Economia 5

2.2 Modelos econômicos 8

3. Medidas de Performance da Economia 11

3.1 O Cálculo do Produto Interno Bruto: 11

3.2 Os Elementos do Pib: 13

3.3 Pib Real e Pib Nominal 14

Exercícios 16

4. Produção e Crescimento 17

5. A Poupança e o Investimento, um modelo de economia fechada 23

5.1 Poupança e Investimento nas Contas Nacionais 24

5.2 O Déficit Fiscal 25

5.3 O Sistema Financeiro 26

5.4 A Dívida Pública Interna Brasileira 27

5.4.1 Artigo do Jornal O Globo 29



6. Crise da Previdência Social 31

6.1 A origem de algumas distorções 32



6.2 O Caso dos Inativos do Governo 34

6.3 Alguns Outros Dados Pertinentes: 36

7. O Sistema Monetário 37

7.1 Funções da moeda 37

7.2 Tipos de moeda 38

7.3 A moeda na economia 39

7.4 O Banco Central 40

7.4.2 Criação de Moeda através do Sistema de Reservas Fracionárias 41

7.4.3 Os Instrumentos de Controle da Oferta de Moeda do Banco Central 42

7.4.4 Problemas Com o Controle da Oferta de Moeda 43



Exercícios 44

8. Inflação 45

8.1 Causas da Inflação 45

8.2 O Imposto Inflacionário 47

8.3 Custos da Inflação 49

Exercícios 51

9. O Plano Real 52

10. O Setor Externo 56

10.1 Os Fluxos Internacionais de Bens e Capitais 56

10.2 Poupança, Investimento e sua relação com os Fluxos Internacionais. 59

10.3 Taxa de Câmbio Real e Taxa de Câmbio Nominal. 60

10.4 Como as Forças Atuam no Mercado de Câmbio. 61

10.5 Regimes Cambiais. 63

10.5.1 Regime de Câmbio Fixo. 63

10.5.2 Câmbio Fixo Real (Crawling Peg): 63

10.5.3 O Regime de Câmbio Flutuante 64

10.5.4 O Padrão Ouro 64

10.5.5 Currency Board 66



Exercícios. 66

11. Abertura Comercial 68

12 O Balanço de Pagamento 70

12.1 Conceitos Básicos 70

12.2 A Estrutura do Balanço de Pagamentos 71

12.3 Fundo Monetário Internacional – FMI 76

12.4 A Dívida Externa Brasileira 77

13 Políticas Fiscais e Monetárias no Curto Prazo. 79

13.1 O modelo Básico das Flutuações Econômicas. 80

13.2 Política Fiscal 81

13.3 Política Monetária 82

13.4 Política Cambial e Política Comercial 82

Exercícios 84

14. Lista de Exercícios 85

15. Material Complementar 87

15.1 The Economist –25/08/2001 87




1. Programa da disciplina

1.1 Ementa

Evolução dos Modelos Econômicos: evolução econômica, teoria econômica e política econômica. Antecedentes da Política Econômica Brasileira de Abertura Comercial. Fundamentos do Plano Real de Estabilização. Política Econômica e Reformas Estruturais. Resultados Sócio-Econômicos do Plano Real.

1.2 Carga horária total

24 horas/aula.

1.3 Objetivos

Este curso trata de macroeconomia, focando o contexto brasileiro. O seu objetivo é apresentar ao aluno os principais conceitos e modelos desenvolvidos pelos estudiosos de economia, com a finalidade de análise do impacto de diferentes políticas macroeconômicas sobre o crescimento econômico da economia do Brasil e conseqüentemente sobre o padrão de vida do seu povo. São abordadas as reformas necessárias para um desenvolvimento sócio econômico sustentado e a diminuição da vulnerabilidade externa do país.

1.4 Conteúdo programático




A Economia como Ciência

  • A Ciência Economia.

  • Modelos Econômicos.

Medidas de Performance da Economia

  • O Cálculo do Produto Interno Bruto.

  • Os Elementos do Pib.

  • Pib Real e Pib Nominal.

Produção e Crescimento

  • Fatores de Produtividade

Poupança e Investimento

  • O Déficit Fiscal.

  • A Dívida Pública Interna Brasileira.

Crise da Previdência Social

  • Origem de Distorções.

  • A Questão dos Inativos.

  • Outros Dados Pertinentes.

O Sistema Monetário

  • Funções da Moeda.

  • Banco Central.

Inflação

  • Causas da Inflação.

  • Imposto Inflacionário.

  • Custos da Inflação.

O Plano Real

  • Plano de Ação Imediata.

  • Implementação

  • Conquistas sociais

O Setor Externo

  • Fluxos Internacionais de Bens e Capitais.

  • Taxa de Câmbio Real e Taxa de Câmbio Nominal.

  • Regimes Cambiais.

Abertura Comercial

  • Abertura da Década de 90.

Balanço de Pagamentos

  • Estrutura do Balanço de Pagamentos.

  • Fundo Monetário Internacional.

  • Dívida Externa Brasileira.

Políticas Fiscais e Monetárias no Curto Prazo

  • Política Fiscal.

  • Política Monetária.

1.5 Metodologia

Os tópicos do curso serão apresentados através de aulas teóricas complementadas com exercícios para fixação dos principais conceitos. Os vários aspectos sempre serão ilustrados com fatos históricos passados e recentes, tanto da economia brasileira como da mundial.

1.6 Critérios de avaliação

A nota final será a média ponderada de uma lista de exercícios (30%), e da prova final (70%), que será individual, sem consulta e com duração de 2h30min.

1.7 Bibliografia recomendada

DORNBUSCH, Rudiger & FISCHER, Stanley Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2ª edição,1982.
MANKIW, N. Gregory ,Introdução À Economia: Princípios de Micro e Macro Economia.Rio De Janeiro, Editora Campus,1999.
MANKIW, N. Gregory Macroeconomia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora,1995.
KRUGMAN, Paul and OBSTFELD, Maurice, International Economics, Theory And Policy, Massachusetts , Addison-Wesley,1997.

SIMONSEN, Mário Henrique & CYSNE, Rubens Penha Macroeconomia. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1989.
GIAMBIAGI, FÁBIO & ALÉM, Ana Cláudia Finanças Públicas, teoria e prática no Brasil: Editora Campus, 2001.
Curriculum resumido do professor
Engenheira Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mestre em Economia pela PUC-Rio.
É professora dos cursos da Escola de Pós-Graduação de Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV-RJ) e do Departamento de Economia da PUC-Rio, nas cadeiras de Macroeconomia, Microeconomia e Valuation em Finanças.

2. Economia como Ciência



Por que Estudar Macroeconomia?

Porque razão as rendas atualmente são mais elevadas do que em 1950 e porque em 1950 eram mais altas do que tinham sido em 1900? Por que razão alguns países têm inflação alta enquanto outros têm preços estáveis? Quais as causas da recessão e da depressão – fases periódicas em que as rendas caem e o desemprego aumenta? – como as políticas públicas podem evitá-las? A macroeconomia, o estudo da economia como um todo, tenta responder a essas e muitas outras perguntas semelhantes.

Basta ler os jornais para se ter uma idéia como as questões macroeconômicas influenciam a vida de todos. Não é surpreendente que a economia esteja no centro do debate político. A política econômica fornece o tema principal do debate entre os candidatos, e a situação econômica tem forte influência nos resultados das eleições.

As questões econômicas também têm um papel importante nas relações internacionais.Um exemplo foi a crise de petróleo da década de 70. Na América do Sul, a prolongada crise Argentina representou um sério golpe no desenvolvimento do Mercosul.

Freqüentemente aliados políticos brigam por divergências econômicas. Um exemplo é a forte reação da Europa e Japão às recentes práticas protecionistas no setor de aço do governo Bush.

2.1 A Ciência Economia



A ciência não é nada mais do que o refinamento do pensamento cotidiano.

Albert Einstein

A palavra economia vem do grego e significa: aquele que administra o lar.

Assim como uma família sempre tem diversas decisões a tomar sobre como administrar seus recursos e quem vai realizar as várias tarefas, a sociedade, como um todo, também se depara com inúmeras decisões:


  • Quais tarefas serão executadas?

  • Quem as executará?

  • Alocação de bens e recursos.

Os recursos de uma sociedade são sempre escassos.

Escassez significa que a sociedade tem menos a oferecer do que aquilo que as pessoas desejam ter. Economia é o estudo da forma pela qual a sociedade administra seus recursos escassos.

Na maioria das sociedades, os recursos são alocados pelas ações combinadas de milhões de famílias e empresas. O comportamento de uma economia reflete o comportamento das pessoas que formam esta economia.



A escassez de recursos implica que os agentes econômicos enfrentam “ tradeoffs”.

No fundo isto tem a ver com as expressões "nada é de graça", ou "there is no free lunch". Para se obter algo que desejamos, em geral temos de abrir mão de algo de que gostamos => Deve-se comparar objetivos.

Pense num casal decidindo como alocar a renda da família:


  • Podem comprar comida, roupas, viagens etc...

  • Podem poupar parte da renda para a aposentadoria ou para pagar os estudos dos filhos.

No momento em que eles resolvem gastar um real num item, é menos um real disponível para as outras despesas. Isto é, existe um tradeoff entre as diversas possibilidades de alocação da renda familiar.

Assim como uma família, uma sociedade também se depara com tradeoffs.

Um tradeoff clássico seria "armas e manteiga". Quanto mais é gasto na defesa nacional (armas), menos se pode gastar com bens para aumentar o padrão de vida desta sociedade (manteiga).

Uma empresa de capital aberto pode enfrentar um tradeoff entre uma distribuição de lucros através de dividendos para seus acionistas ou reter parte dos lucros para financiar uma expansão de atividades.

A tomada de decisões exige a comparação dos custos e benefícios de vários cursos de ação, que nem sempre são óbvios.

Além de definir exatamente o que são custos deve-se estar atento para o custo oportunidade.

Ex: Ao resolver cursar uma universidade, uma pessoa tem claramente um benefício intelectual e melhores oportunidades de emprego ao longo da vida.

E os custos? Anuidades, livros e em alguns casos moradia e alimentação.

Além desses custos diretos, a pessoa tem um custo oportunidade: ao invés de estudar, ela poderia estar trabalhando e ganhando um salário. O dinheiro dos livros e anuidades poderia estar aplicado, rendendo juros.

Por exemplo, imagine que um jogador de futebol muito bem pago,(um jogador de seleção) estivesse pensando abandonar sua carreira para estudar medicina. Certamente o seu custo oportunidade é muito alto. Pois o salário que ele deixaria de ganhar como jogador é muito alto. Se um outro jogador da terceira divisão resolvesse a mesma coisa, certamente não estaria abrindo mão de um salário tão alto, logo seu custo oportunidade é menor.

Os macroeconomistas são cientistas que procuram explicar o funcionamento da economia como um todo, reúnem dados sobre rendas, preços, desemprego e outras variáveis em diferentes épocas e diferentes países. Procuram então elaborar teorias gerais que ajudem a explicar esses dados.

A macroeconomia é, sem dúvida, uma ciência jovem e imperfeita. Contudo, atualmente já sabemos uma grande quantidade de coisas a respeito do funcionamento da economia. Não estudamos macroeconomia apenas para explicar os fatos econômicos; também queremos aperfeiçoar a política econômica. Os instrumentos fiscais e monetários do governo podem exercer uma influência poderosa - para o bem ou para o mal – sobre a economia. O conhecimento da macroeconomia ajuda as autoridades públicas a avaliarem políticas alternativas. Os economistas são chamados a explicar o mundo econômico como ele é e refletir sobre como poderia ser.

Os economistas tentam tratar seu campo de estudo com a objetividade de um cientista. Eles formulam teorias, coletam dados e depois analisam esses dados para confirmar ou refutar suas teorias. A essência da ciência é o método científico - a formulação e o teste desapaixonado de teorias sobre o funcionamento do mundo. Contudo, os economistas enfrentam um empecilho que torna sua tarefa mais desafiadora: com freqüência os experimentos no campo da economia são difíceis. Um físico que estudasse a lei da gravidade poderia deixar cair uma bolinha quantas vezes achasse necessário para gerar os dados para sua pesquisa. Já um economista que estudasse a correlação da política monetária de países com a inflação, não poderia simplesmente controlar a expansão monetária para obter dados. Assim como os astrônomos, o economista tem que se contentar com os dados que o mundo lhe fornece e prestam bastante atenção aos experimentos naturais que a história lhe oferece: a guerra no oriente médio e a interrupção do fluxo de petróleo para a economia mundial, a grande depressão, a revolução industrial inglesa, a hiper inflação alemã, a recente crise na Ásia etc... Esses episódios são valiosos, pois nos permitem ver como a economia funcionou no passado e principalmente avaliar teorias no presente.

O papel das hipóteses:

A razão pela qual os economistas elaboram hipóteses é basicamente a mesma que surge em outra ciência. As hipóteses facilitam a compreensão do mundo.

Um físico, ao estudar a queda de uma bolinha de três metros de altura formula a hipótese que ela estaria caindo no vácuo (para não levar em consideração o atrito com o ar). Se a bolinha estivesse caindo de um edifício de cinqüenta andares, esta já não seria uma hipótese razoável. Um economista, para estudar o comércio internacional, por exemplo, supõe que o mundo é constituído de dois países que produzem dois bens. O mundo real é formado por diversos países e cada um deles produz milhares de bens. A hipótese permite a concentração do pensamento. Uma vez compreendido o comércio internacional num mundo imaginário, o economista estará em melhor posição para entender o mundo real. A arte do pensamento científico quer seja na física ou na economia, está em decidir quais as hipóteses formular.

2.2 Modelos econômicos

Os professores de biologia normalmente ensinam anatomia plástica usando réplicas plásticas do corpo humano. Esses modelos têm todos os órgãos principais e permitem ao professor mostrar aos alunos, de uma maneira simples, como se encaixam as partes importantes do corpo. Os economistas também usam modelos para apreender o funcionamento do mundo. Esses modelos ao invés de serem de plásticos são compostos de diagramas e equações matemáticas. Como os modelos de anatomia, os modelos econômicos também omitem muitos detalhes para permitir que se visualize o que é realmente importante. Esses modelos são construídos encima das hipóteses que simplificam a realidade para melhorar sua compreensão.

Primeiro modelo: Diagrama de Fluxo Circular da Renda

A economia é constituída de milhões de pessoas envolvidas em muitas atividades compra, venda, trabalho locação, produção etc... O modelo de fluxo circular de renda simplifica tais atividades e explica em termos gerais como a economia se organiza.



Hipóteses do modelo:

  • Esta economia é fechada (não há comunicação com o resto do mundo) e sem governo.

  • Existem nesta economia dois tipos de tomadores de decisões: - famílias e empresas

  • As empresas produzem bens e serviços usando vários insumos, tais como trabalho, terra e capital (prédios e máquinas), esses insumos são chamados de fatores de produção.

  • As famílias são as proprietárias de fatores de produção e consomem todos os bens e serviços produzidos pelas empresas.

  • Famílias e empresas interagem em dois tipos de mercado:

  • No mercado de bens e serviços as famílias são compradoras e as empresas vendedoras.

  • No mercado de fatores de produção as famílias são vendedoras e as empresas compradoras.

O diagrama de fluxo circular da renda oferece uma forma simples de organizar todas as transações econômicas que ocorrem entorno das famílias e empresas.

No circuito interno do diagrama, as empresas usam os fatores de produção para produzir bens e serviços que por sua vez são vendidos às famílias no mercado de bens e serviços. Portanto os fatores de produção fluem das famílias para as empresas e os bens e serviços fluem das empresas para as famílias.

O circuito externo mostra o círculo de reais. As famílias gastam reais para comprar bens e serviços oferecidos pelas empresas. As empresas usam parte da receita de suas vendas para pagar os fatores de produção, como por exemplo, os salários dos funcionários. O que sobra é lucro dos donos das empresas, que por sua vez são membros das famílias. Portanto, a despesa com bens e serviços flui das famílias para as empresas e a renda, em forma de salários, aluguel e de lucros flui das empresas para as famílias.

Segundo Modelo: Fronteira de Possibilidade de Produção

Hipóteses do modelo:


  • Uma economia produz somente dois bens: computadores e automóveis.

  • Essas indústrias utilizam em conjunto todos os recursos desta economia.

  • Existe uma tecnologia dada (uma para cada produto) que transforma esses insumos nesses bens.

A fronteira de possibilidade de produção é um gráfico que mostra as várias combinações de produto, neste caso computadores e automóveis, que a economia pode produzir potencialmente, dados os fatores de produção e a tecnologia disponível para as empresas que transformam estes insumos em bens.

Podemos observar que nesta economia, se todos os recursos forem utilizados pela indústria automobilística são fabricados 1000 carros e nenhum computador. Isto significa que o custo oportunidade de você fabricar 1000 carros são 3000 computadores.

No ponto C, a economia divide totalmente seus recursos, fabricando 2200 computadores e 600 carros. Para passar do ponto C para o ponto A, isto é, para aumentar a produção de carros em 100 unidades, é necessário abrir mão de fabricar 200 computadores. Este fato é inerente à questão central da economia que é lidar com escassez. Esta economia deve decidir como alocará seus recursos (sempre escassos no sentido de limitados) cada unidade de recurso que ela decidir alocar para computadores é menos uma unidade de recurso disponível para automóveis. No ponto B esta economia não está utilizando todos os seus recursos. Poderá, por exemplo, estar havendo algum desemprego.

O ponto D representa um nível de produção fora do alcance desta economia (com os recursos e tecnologia que ela dispõe). A linha da fronteira de possibilidade de produção representa a plena utilização dos recursos desta economia, dado o nível tecnológico que ela possui. Para se deslocar sobre a linha, a economia sempre enfrentará um “trade offf”. (terá que abrir mão de produzir algumas unidades de um produto para ampliar a produção do outro).

A estratégia de crescimento de longo prazo visará a expansão da fronteira de possibilidade de produção.

3. Medidas de Performance da Economia

Como as condições da economia em seu conjunto nos afetam profundamente, as variações nas condições econômicas são amplamente noticiadas na mídia. É difícil ler um jornal sem ver alguma nova estatística sobre a economia. Esta estatística pode medir a renda total gerada em uma economia, (PIB), a taxa de aumento dos preços (inflação, o percentual da força de trabalho que não encontra emprego (desemprego), a despesa total nas lojas (vendas no varejo) ou o desequilíbrio do comércio entre o Brasil e o resto do mundo (déficit ou superávit da balança comercial). Todas essas estatísticas são macroeconômicas, na medida que se referem à economia como um todo. O objetivo da macroeconomia é explicar as mudanças na economia que afetam muitas famílias, empresas e mercados simultaneamente. Assim como é natural que o sucesso econômico de uma pessoa tenha como uma de suas medidas a sua renda, se julga o sucesso de uma economia pela renda total gerada nesta economia. Esta é a tarefa do produto interno bruto: O Pib.

O Pib mede duas coisas simultaneamente: a renda total gerada na economia e a despesa total com seus bens e serviços produzidos na economia. Para verificar este fato pode-se observar o diagrama de fluxo circular apresentado anteriormente. A razão para o PIB medir duas variáveis ao mesmo tempo (renda e despesa) é que para a economia como um todo elas são iguais => cada transação tem duas partes: um comprador e um vendedor. O que representa renda para um é despesa para o outro. Podemos calcular o Pib de duas maneiras: somando a despesa total das famílias ou somando as rendas (salários, aluguéis e lucros) pagos pelos empresários.

3.1 O Cálculo do Produto Interno Bruto:

Produto Interno Bruto (Pib) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em dado período de tempo.

Pib é o valor de mercado..... ”

Todo mundo aprende nas primeiras aulas de matemática no primário que não se soma maças com bananas, Contudo, isto é exatamente o que o PIB faz, soma diversos tipos diferentes de bens numa única medida de atividade econômica. Para isto ele lança mão dos preços de mercado. Como estes medem a quantia que a pessoas estão dispostas a pagar por cada bem ou serviço, refletem então o valor desses bens ou serviços. Se o preço de uma maça é o dobro do preço de uma laranja, uma maça contribui o dobro do que uma laranja para o valor do Pib.

.... de todos .....”

O Pib tenta ser abrangente. Inclui todos os itens produzidos legalmente nos mercados. O Pib mede o valor de mercado de maças, pêras, livros, aulas, ingressos de cinema cortes de cabelo, serviços de saúde etc...

O Pib também inclui o valor de mercado do serviço de moradia proporcionado pelo estoque de residências na economia. O valor do serviço seria o aluguel. Muitas pessoas porem moram em residências próprias. O valor do aluguel que seria pago pela pessoa caso não fosse dona também é computado no Pib.

.....os bens e serviços ....”

O Pib inclui tanto bens tangíveis com bens intangíveis (comida, vestuário, automóveis etc...), quanto serviços intangíveis (cortes de cabelos, cursos, consultas a dentistas etc...)

...finais....”

Quando uma fábrica de tecidos fabrica o tecido que vai ser utilizado por outra fábrica para confeccionar uma camisa, este tecido é denominado bem intermediário e a camisa é um bem final. O Pib só inclui bens finais. O motivo é que o valor dos bens finais já inclui o valor do bem intermediário e se contássemos os dois haveria dupla contagem. Uma exceção seria quando um bem intermediário é produzido e em lugar de ser utilizado é adicionado aos estoques da empresa para ser utilizado ou vendido posteriormente. Neste caso o bem intermediário é considerado “final” momentaneamente e seu valor como investimento em estoques é adicionado no Pib.

......produzidos.....”

O Pib inclui bens e serviços produzidos no presente. Não inclui transações envolvendo itens produzidos no passado. Quando a General Motors produz e vende um carro novo, o valor do carro é incluído no Pib. Quando uma pessoa vende um carro usado para outra pessoa, o valor do carro usado não entra no Pib.

....em um país....”

O Pib mede o valor da produção gerada dentro dos limites de um país. Se um cidadão italiano trabalha temporariamente no Brasil, sua produção é parte do Pib do país. Uma multinacional que produza no Brasil tem sua produção contabilizada no Pib do Brasil. Portanto, itens são incluídos no Pib de um país quando são produzidos internamente sem levar em consideração a nacionalidade do produtor.

...em dado período de tempo...”

O Pib mede o valor da produção que tem um lugar em um intervalo de tempo específico. Geralmente este intervalo de tempo é um ano ou um trimestre. O Pib mede o fluxo de renda ou de despesa da economia durante este intervalo de tempo.

3.2 Os Elementos do Pib:

As despesas de uma economia têm muitas formas: a qualquer momento, a família Silva pode estar almoçando no MacDonalds, a General Motors pode estar construindo uma fábrica de automóveis, o exército pode estar comprando munição ou a Varig estar comprando aviões à Embraer. O Pib inclui todas essas formas de despesas em bens e serviços produzidos internamente. Para entender como a economia está utilizando seus recursos escassos, os economistas em geral se interessam em estudar a composição do Pib segundo vários tipos de despesas. Para fazê-lo, o Pib (a que chamaremos de Y, vindo da palavra Yield, em inglês), é dividido em quatro componentes, consumo (C), investimento (I), aquisições do governo(G), e exportações líquidas (EL- exportações (X) – importações (M))


Y = C+I+G+EL




Consumo (C) – é a despesa das famílias com bens e serviços.

Investimento (I) – é a aquisição de equipamentos de capital, estoques e construção, como moradias novas (por convenção a despesa com moradias novas é a única forma de despesa das famílias que se classifica como investimento e não como consumo).

Aquisições do governo (G) – são as compras de bens e serviços dos governos federal, estadual e municipal.

Exportações líquidas (EL) – são iguais às compras por parte de residentes fora do país de bens e serviços produzidos internamente (exportações) menos as compras internas de bens e serviços produzidos externamente.

Ex: Pib total da economia dos EUA em 1996 e sua decomposição em quatro componentes.

Descriminação

Total (em bilhões de US$)

Per Capita

Participação

Produto interno bruto (Y)

7.576

28589

100%

Consumo (C)

5.152

19.441

68%

Investimento(I)

1.116

4.211

15%

Aquisições do governo (G)

1.407

5309

19%

Exportações líquidas (EL)

-99

-373

-1%

fonte: departamento de comércio dos Estados Unidos

3.3 Pib Real e Pib Nominal

Como vimos, o Pib mede a despesa total em bens e serviços em todos os mercados da economia. Se a despesa total aumenta de um ano para o outro, pelo menos uma das seguintes coisas deve ser verdadeira:


  • A economia está gerando uma maior produção de bens e serviços.

  • Os bens e serviços estão sendo vendidos a preços mais altos.

Ao estudar as variações na economia ao longo do tempo, os economistas desejam separar os dois efeitos. Em especial, desejam medir a quantidade de bens e serviços produzidos pela economia sem a influência das variações nos preços desses bens e serviços.

Para esta finalidade os economistas utilizam uma medida chamada Pib real. O Pib real responde à seguinte questão hipotética: qual seria o valor dos bens e serviços neste ano se fossem avaliados aos preços vigentes em determinado ano passado? Ao avaliar a produção de cada ano utilizando preços fixos nos níveis do passado, o Pib real mostra como a produção de bens e serviços da economia como um todo muda ao longo do tempo.

Exemplo de construção do Pib real:

Vamos supor que uma economia produz apenas dois bens, hamburguers e cachorro quente: a tabela a seguir mostra as quantidades produzidas de ambos os bens e seus preços nos anos de 2001, 2002 e 2003.



Preços e Quantidades

Ano

Preço do cachorro- quente em R$

Quantidade de cachorro–quente

Preço do hambúrguer em R$

Quantidade de hambúrguer

2001

1

100

2

50

2002

2

150

3

100

2003

3

200

4

150

Cálculo do Pib Nominal

2001

R$1 por cachorro-quente100 + R$ 2 por hambúrguer 50= R$ 200

2002

R$2 por cachorro- quente 150 + R$3 por hambúrguer 100= R$600

2003

R$3 por cachorro-quente200 + R$4 por hambúrguer 150= R$1200

Cálculo do Pib Real (ano – base 2001)

2001

R$1 por cachorro-quente100 + R$ 2 por hambúrguer 50= R$ 200

2002

R$1por cachorro-quente 150 + R$2 por hambúrguer 100= R$350

2003

R$1 por cachorro-quente200 + R$2 por hambúrguer 150= R$500

Note-se que foram mantidos os preços de 2001 (ano escolhido como base) e somente variamos as quantidades para o cálculo do Pib real nos outros anos.

Estamos interessados em comparar a evolução do Pib no tempo.

Para isto calculamos a taxa de crescimento de um período para outro;

Vamos examinar o que se passa com nossa economia hipotética, cujos dados aparecem na tabela acima:

Pib Nominal:

Taxa de crescimento:

2002/2001: =>200% 2003/2001: =>500%

Pib Real:

Taxa de crescimento:

2002/2001: =>75% 2003/2001: =>150%

A taxa de crescimento que é relevante é a do Pib Real, pois esta reflete o crescimento de produção de bens e serviços sem o impacto do aumento de preços. O Pib nominal reflete as duas coisas misturadas.



Produto Interno Bruto (Pib) e Produto Nacional Bruto (Pnb)

O Produto Interno Bruto mede a renda total de todos na economia. Mas, exatamente quem se inclui nesse todos? Os brasileiros que trabalham no exterior? Os estrangeiros que trabalham no Brasil?

Para responder estas questões devemos comparar o produto interno bruto e o produto nacional bruto que são estatisticamente muito relacionados.


  • O Produto Interno Bruto (Pib) – É a totalidade da renda internamente. Inclui a renda ganha por estrangeiros que moram no Brasil, mas não inclui a renda de brasileiros ganha no exterior.

  • O Produto Nacional Bruto (Pnb) – é a renda total recebidas pelos brasileiros tanto no país como no exterior, mas não inclui o montante ganho pelos estrangeiros residentes no país.

Essas duas medidas são diferentes porque uma pessoa pode receber uma renda e fixar residência em país distinto

Para entendermos essa diferença, consideremos alguns exemplos: Suponha que um argentino trabalhe temporariamente no Brasil. Sua renda faz parte do Pib do Brasil porque é obtida internamente, mas não faz parte do Pnb, porque este trabalhador não fixou residência no Brasil.

Como outro exemplo suponha que um cidadão japonês possua um edifício residencial em Nova York. O aluguel que ele recebe é computado no Pib americano porque é obtido internamente ao EUA, mas não no Pnb, pois o proprietário é residente em outro país.

Do mesmo modo um cidadão brasileiro, residente no Brasil, possui uma fábrica na Venezuela, o lucro obtido faz parte do Pnb do Brasil, mas não do seu Pib.

Em geral, a distinção entre Pib e Pnb não é crucial. Como as pessoas em geral recebem a maior parte de sus rendas no país onde fixaram residência, um acompanha o outro bem de perto. Seguiremos a prática convencional de enfocar o Pib como medida de renda agregada (renda da economia como um todo).

Exercícios



  1. O que contribuirá mais para o Pib, a produção de um carro econômico ou a produção de um carro de luxo?

  2. Um agricultor vende trigo ao padeiro por R$ 2. O padeiro usa o trigo para fabricar pão que vende por R$3. Qual é a contribuição para o Pib?

  3. Liste os componentes do Pib. Dê um exemplo de cada um.

  4. No ano de 2001, a economia produz 100 pães a R$2,00 cada um. No ano de 2002, a produção é de 200 pães, vendida ao preço unitário de R3,00. Calcule o Pib nominal e o Pib real para cada um dos anos, utilizando 2001 como ano base. Qual a variação percentual desses indicadores?

  5. Qual dos componentes do Pib brasileiro seria afetado por cada uma das transações seguintes.

  1. Uma família compra uma geladeira nova nacional.

  2. Um casal passa uma semana de férias em Buenos Aires, voando Varig.

  3. Você compra uma pizza.

  4. A Volks vende um Gol do seu estoque do ano anterior.

  5. O Estado de São Paulo repavimenta as estradas estaduais.

  6. A Petrobrás expande uma refinaria.

  7. João compra o carro usado de seu amigo.

  1. O componente “aquisições do governo” do Pib não inclui despesas com o pagamento de transferências, como seguridade social. Explique, em termos de definição do Pib, porque as transferências estão excluídas.

4. Produção e Crescimento

Quando se viaja ao redor do mundo observam-se profundas disparidades nos padrões de vida. Um cidadão médio de um país rico como os EUA, Japão ou Alemanha aufere uma renda pelo menos dez vezes maior daquele que vive em países pobres como a Nigéria ou a Índia. Estas grandes diferenças de renda se refletem na qualidade de vida. Mesmo em um só país há grandes variações do padrão de vida ao longo do tempo. Nos EUA no século XIX, a renda média medida pelo Pib per capita cresceu cerca de 2% ao ano. Embora possa parecer pequena esta taxa de crescimento significa que a renda média duplica cada 35 anos. Em conseqüência disso o americano médio desfruta de maior prosperidade econômica do que seus pais avós e bisavós.



A tabela a seguir mostra a evolução do Pib per capita em diversas economias:

País

Período

Pib per capita no início do período

Pib per capita no fim do período

Taxa de crescimento médio anual

Japão

1890-1990

842

16144

3,00

Brasil

1900-1987

436

3417

2,39

Canadá

1870-1990

1330

17070

2,15

Alemanha Ocidental

1870-1990

1223

14288

2,07

Estados Unidos

1870-1990

2244

18258

1,76

China

1900-1987

401

1748

1,71

México

1900-1987

649

2667

1,64

Reino Unido

1870-1990

2693

13589

1,36

Argentina

1900-1987

1284

3302

1,09

Indonésia

1900-1987

499

1200

1,01

Paquistão

1900-1987

413

885

0,88

Índia

1900-1987

378

662

0,65

Bangladesh

1900-1987

349

375

0,08

fonte: Robert J. Barro e Xavier Sala -i- Martin, Economic Growth (Nova York, Mcgraw – Hill, 1995)

Como podemos observar, o Japão é um país que cresceu em relação aos demais. O Brasil também apresentou uma boa performance, infelizmente interrompida a partir da década de 80. Alguns países perderam posição, (Reino Unido e Argentina). Em Bangladesh, o habitante de hoje vive na mesma pobreza que seu bisavô.

O que está por traz disto? O que explica estas mudanças ao longo do tempo? Porque alguns países avançam enquanto outros recuam?

Veremos que a explicação pode ser resumida em uma palavra, produtividade.



Produtividade => é a quantidade de bens e serviços produzida por hora de trabalho.

Nos países onde trabalhadores podem produzir grande quantidade de bens e serviços por unidade de tempo, a maior parte das pessoas tem um alto padrão de vida; nos países onde os trabalhadores são menos produtivos, a maior parte das pessoas vive com menor conforto.

Não é o empregador que paga os salários --, ele só distribui o dinheiro. É o produto que paga os salários”.

Henry Ford

Fatores que Influenciam e Determinam a Produtividade



Capital físico => estoque de equipamentos e estruturas utilizadas na produção de bens e serviços.

Os trabalhadores são mais produtivos quando possuem máquinas e ferramentas adequadas para o trabalho.

Podemos imaginar como um exemplo o que seria a diferença de produtividade de dois grupos de lavradores idênticos, trabalhando em duas plantações idênticas, com a única diferença sendo os instrumentos de trabalho: enxadas e pás para um grupo e arados modernos para o outro.

Capital humano => conhecimentos e habilidades adquiridos pelos trabalhadores através do ensino, do treinamento e da experiência.

Este determinante da produtividade vem sendo considerado como o mais importante na nova economia.

A produção de capital humano inclui perícia acumulada em programas para a infância, cursos primários e secundários, faculdade, pós-graduação e treinamentos e cursos administrados ou oferecidos pelas empresas. Os insumos da produção deste capital são os professores, bibliotecas e tempo de estudo. Na verdade, os estudantes podem ser considerados “trabalhadores“ que têm a importante tarefa de produzir o capital humano que será utilizado na produção futura.

Fato Histórico

Nas duas últimas décadas o mundo assistiu ao crescimento expressivo das economias de países asiáticos. É fato que o esforço de investimento em educação nestes países foi significativo e certamente estão recolhendo resultados desta política governamental.



Fato Histórico

O Japão aparece na tabela anterior como o país com a maior taxa de crescimento de Pib per capita no período. O Japão era um país pobre nas últimas décadas do século XIX, e é a segunda potência econômica mundial na atualidade (a terceira, se considerarmos a União Européia).

É interessante observar neste contexto que, já no século XIX, o Estado japonês promovia fortemente a educação, tornando o ensino primário e até o secundário obrigatório (as crianças não trabalhavam). Curiosamente o ensino não era gratuito.

Recursos naturais => insumos fornecidos pela natureza para a produção de bens e serviço, como a terra, os rios e as jazidas minerais.

Estes recursos se apresentam com duas características: renováveis e não renováveis, (as florestas são de um tipo, o petróleo de outro).

Alguns países do Oriente Médio, como o Kuwait e a Arábia Saudita atualmente são ricos só porque estão localizados sobre as maiores jazidas petrolíferas do mundo.

Fato Histórico

O carvão certamente não foi o único nem o principal fator que fez com que a revolução industrial se desse no século XVIII, na Inglaterra, que até o início do século XX foi a maior potência econômica do mundo. Contudo, o fato de grandes jazidas de carvão estarem situadas naquele país certamente teve seu papel. A máquina a vapor inventada por ingleses era a tecnologia de ponta da época para a produção de energia.

A indústria que impulsionou a economia inglesa foi a têxtil, principalmente, os tecidos de algodão. Os Estados Unidos, que possuíam grande extensão de terra (um outro recurso natural) tiveram sua economia alavancada, pois eram o principal fornecedor de matéria prima para as fábricas inglesas.

Embora os recursos naturais sejam importantes, não são essenciais para que uma economia registre alta produtividade. Novamente o Japão é um exemplo de país com poucos recursos naturais que apresentou um crescimento espetacular nas décadas recentes. A economia globalizada e o comércio internacional proporcionam esta possibilidade. O Japão importa os recursos naturais que necessita e exporta manufaturados para economias ricas em recursos naturais.



Conhecimento tecnológico => entendimento da sociedade da melhor forma de se produzir bens e serviços.

Um dos fatores que deram espaço para a revolução industrial foi a revolução agrícola. Cem anos atrás muitos americanos trabalhavam na agricultura porque a tecnologia agrícola existente exigia um alto insumo de trabalho para alimentar toda a população. Atualmente a tecnologia agrícola permite que menos de 2% da população americana trabalhe no campo e que o EUA ainda seja um grande exportador de produtos agrícolas



Fato Histórico

Muitas vezes o desenvolvimento tecnológico é responsabilizado por causar desemprego. Apesar de que temporariamente e localizadamente isto possa acontecer, os avanços tecnológicos são uma das principais armas para administrar os recursos escassos da economia, aumentando o bolo da riqueza. No século XVIII, quando a Inglaterra inventou os teares mecânicos e movimentados a vapor. A Índia competia mundialmente com os ingleses na produção de tecidos de algodão, fabricados até então por teares manuais. Apesar de já ter acesso na época à nova tecnologia, os indianos optaram por continuar com os teares manuais que empregavam uma boa parte da população evitando assim o desemprego. No médio prazo porem esta estratégia surtiu o efeito contrário, pois a maior produtividade da indústria têxtil inglesa a tornou bem mais competitiva e a Índia perdeu a maior parte da sua fatia do mercado.



Fato Histórico

A linha de produção para a indústria automobilística, idealizada por Henry Ford em 1910, aumentou enormemente a sua produtividade possibilitando que a classe média tivesse acesso a um produto mais barato, deslocando a indústria européia da liderança do mercado.

Podemos observar que para se obter uma taxa de crescimento compatível com um aprimoramento no padrão de vida de uma nação é necessário investimento em bens de capital (bens que produzem outros bens) e em conhecimento e educação. Se hoje uma sociedade produz uma grande quantidade de bens de capital novos, amanhã ela estará produzindo uma maior quantidade de bens e serviços.

Para isto ser possível é necessário Investimento, e para haver investimento é necessário Poupança (interna e/ou externa).



O Controle do Crescimento Populacional

A produção e o crescimento de um país são determinados em parte pelo seu crescimento populacional. Obviamente, a população de um país é o principal determinante da força de trabalho do país. Portanto, não surpreende que os países com grande população (como os EUA e o Brasil) tendam a gerar um Pib maior que do que países com populações pequenas (como Luxemburgo, Uruguai ou Holanda). Mas o Pib total não é um bom indicador de bem estar econômico. O Pib per capita é mais importante, pois aponta para a quantidade de bens e serviços disponíveis para o indivíduo típico da economia.

Um grande crescimento populacional reduz o Pib per capita. O rápido crescimento do número de trabalhadores implica numa disponibilidade menor por trabalhador dos outros fatores de produção. Este problema é evidente no caso de capital humano. Países com uma alta taxa de crescimento populacional têm um grande número de crianças em idade escolar. Isto sobrecarrega o sistema educacional. Portanto não surpreende que o desempenho educacional seja baixo em países com alto crescimento populacional. os países ricos tiveram uma taxa de crescimento entorno de 1% no último século. Já os países em desenvolvimentos apresentaram taxas de 3% ou superiores, o que significa dobrar a população a cada 23 anos.

Direitos de Propriedade e Estabilidade Política.

A proteção dos direitos de propriedade e a promoção da estabilidade política são dos fatores importantes na promoção do crescimento econômico. Direitos de propriedade podem ser definidos como a capacidade de alguém exercer autoridade sobre os recursos que possui. Uma empresa não fará o esforço e investimento necessários se tiver dúvidas se no futuro poderá usufruir dos lucros que obtiver.



Investimento Externo

A poupança dos residentes não é a única maneira pela qual um país pode investir em capital novo. Outro modo é o investimento estrangeiro. Quando estrangeiros investem num país, eles o fazem porque esperam auferir um retorno sobre seu investimento. Mesmo que parte dos benefícios do investimento externo retorne aos proprietários, ele aumenta o estoque de capital da economia, expandindo a produtividade e os salários.



Alguns dados pertinentes:

Média de Anos de Estudo da População Brasileira em Idade Ativa

Anos

Anos de estudo

1981

3,9

1982

3,9

1983

4,0

1984

4,1

1985

4,2

1986

4,3

1987

4,4

1988

4,5

1989

4,6

1990

4,6

1992

4,7

1993

5,0

1995

5,1

1996

5,3

1997

5,4

1998

5,6

1999

5,8

Fonte: IBGE

Recursos Aplicados em Pesquisa e Desenvolvimento
em percentual do Pib - 1999:


Brasil

0,8

México

0,4

Portugal

0,6

Espanha

0,8

Itália

1,0

União Européia

1,8

França

2,2

Coréia

2,4

Estados Unidos

2,6

Japão

3,8

Fonte: OCDE, Main Science And Technology Indicators 2001

Venda de Computadores no Brasil (milhões de unidades)

1995

1

1996

1,3

1997

1,7

1998

1,9

1999

2,1

2000

3,0

2001

3,5

2002

4,5

Elaboração: Ministério de Ciência e Tecnologia
5. A Poupança e o Investimento, um modelo de economia fechada

Para haver crescimento é necessário haver investimento nos fatores que aumentam a produtividade do país.

Imaginemos alguém que acaba de se formar em economia e decida abrir o seu próprio negócio (por exemplo, uma firma de consultoria). Esta pessoa terá que inicialmente arcar com despesas substanciais para abrir sua empresa (computadores, arquivos, mesas, cadeiras, o escritório em si...). Cada um desses itens é um tipo de capital que a empresa utilizará para produzir os serviços a serem vendidos.

Como esta pessoa irá financiar este empreendimento? Uma das maneiras certamente é pedir um empréstimo no banco. Outro modo seria pedir emprestado para algum parente ou amigo. Outro seria vender participação na futura empresa para alguém que entraria com o capital. Esta pessoa poderia ainda usar capital próprio. Em todo caso, o investimento em computadores, mobílias etc, estará sendo financiado pela poupança de alguém.



O sistema financeiro se compõe de instituições econômicas que ajudam a promover o encontro entre poupadores e investidores (veja bem, quando você põe seu dinheiro na poupança ou em outro tipo de produto bancário você é um poupador e não um investidor, no sentido que o economista usa estas palavras).

Podemos dizer que existe um mercado de “fundos emprestáveis” aonde os vendedores são as pessoas que gastam menos do que sua renda e poupam. Os compradores são as pessoas que querem investir (construir fábricas, abrir negócios, fazer cursos para aumentar o conhecimento etc...).

Os intermediários deste mercado são as instituições financeiras. O preço do “produto” (fundos emprestáveis) é a taxa de juros que o indivíduo que quer investir em um negócio tem que pagar.

5.1 Poupança e Investimento nas Contas Nacionais

O Produto Interno Bruto, como se viu, pode ser escrito como:


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