Talvez a maneira mais forte de definir o conceito de paradigma seja dizer que ele representa os conteúdos de uma visão de mundo



Baixar 103.95 Kb.
Página1/7
Encontro07.08.2016
Tamanho103.95 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7
PARADIGMA

Talvez a maneira mais forte de definir o conceito de paradigma seja dizer que ele representa os conteúdos de uma visão de mundo. Isso significa que as pessoas que agem de acordo com os axiomas de um paradigma estão unidas, identificadas ou simplesmente em consenso sobre uma maneira de entender, de perceber, de agir, a respeito do mundo.

Os que partilham de um determinado paradigma aceitam a descrição de mundo que lhes é oferecida sem criticar os fundamentos íntimos de tal descrição. Isto significa que o olhar deles está estruturado de maneira a perceber só uma determinada constelação de fatos e relações entre esses fatos. Qualquer coisa que não seja coerente com tal descrição passa desapercebida; é vista como elemento marginal ou sem importância.

Quer um exemplo? Até alguns anos atrás energia elétrica não era problema para o Brasil nem para os brasileiros. A única coisa que um cidadão comum sabia sobre o assunto era que ligando o interruptor da sala, a luz acendia. Vivíamos com a idéia de que a natureza nos forneceria energia para sempre. A natureza era vista, então, com um grande supermercado cujas mercadorias nunca acabariam. Bastava pegar um pouco de energia na prateleira e pagar por ela. Se precisássemos de mais, bastava pegar e pagar. Este era o paradigma que orientava nossa visão de mundo com relação ao consumo de energia, e ninguém imaginava que pudesse ser diferente. Neste cenário, ninguém dava importância, por exemplo, para lâmpadas mais econômicas, ou para banhos de chuveiro mais curtos, ou para aquecedores solares. Eles existiam, mas não eram vistos como importantes, pois o nosso paradigma os descartava. Não precisávamos deles. De repente, tudo mudou. Surgiu o risco de um apagão. Descobrimos que estávamos enganados, e que a energia é finita. Se não soubermos trabalhar adequadamente com a natureza, ficaremos sem energia. Isso significou uma mudança em alguns de nossos paradigmas, e, de uma hora para a outra, as lâmpadas econômicas sumiram dos supermercados. Todo mundo queria comprá-las, todos foram atrás de aquecedores solares e começaram a contar os minutos do banho no chuveiro. O que aconteceu? O mundo mudou? Não, mas o paradigma que o descrevia sim. Da descrição de um mundo com energia infinita, passamos a uma outra descrição. Mudaram nossos paradigmas.

Mas aqui há uma diferença entre as pessoas comuns e os cientistas. Você deve se lembrar que vários pesquisadores já alertavam há anos para o risco do apagão, não é? Que diferença é essa, então? Normalmente, os homens e mulheres comuns (ou seja, nós, em nosso dia-a-dia), não nos damos conta dos paradigmas que orientam nossa ação. As pessoas do senso comum dificilmente podem ver as forças que governam sua vida. Já o cientista, ao menos dentro do restrito espaço do seu trabalho disciplinar, deve tentar manter claro quais são as premissas, os valores, os dogmas, os princípios que estruturam seu olhar sobre o fenômeno que está observando. Isto não significa que ele consiga tal proeza na sua totalidade, mas que, enquanto cientista, ele sabe que o que observa é o resultado de conexões profundas com sistemas de valores que fazem parte de uma maneira particular de ver o mundo. Saber isto não mudará o resultado de sua pesquisa, só o manterá antenado com o leque de possibilidades que seu paradigma lhe permite perceber e com os limites que este lhe impõe impiedosamente. Saber isto lhe permitirá, e isto é o mais importante, saber quando ele está agindo dentro dos limites do paradigma, e quando e porque razões ele poderá ou deverá transgredi-los.

Finalmente, saber sobre os paradigmas da ciência que pratica, permite ao cientista, transitar com liberdade entre eles, criticar uns e assumir outros, combater uns e defender outros, e inclusive, misturar, quando necessário, elementos de diversos paradigmas.

Da mesma forma, não entender o sentido, a dinâmica e as possibilidades dos paradigmas, deixa ao cientista a mercê da ditadura que cada visão de mundo impõe aos que acreditam nela. O cientista não saberá realmente porque enxerga isto e não aquilo, não entenderá realmente o sentido de séries de fatos, não terá condições de interpretar coerentemente conjuntos de fenômenos, não terá condições de afirmar ou negar com autoridade nem poderá sustentar seus pontos de vista nem suas críticas. Da mesma maneira, não poderá enfrentar críticas e não terá condições intelectuais de defender o seu trabalho. Isto é válido para qualquer área, tanto das ciências naturais como das ciências sociais e humanas.

Portanto, o estudante, iniciante no campo das ciências, deve considerar a necessidade de estabelecer um mapa paradigmático que lhe permita entender sua posição como estudante de uma determinada ciência e a posição desta frente ao contexto de todas as ciências que emergiram no que chamamos de modernidade.

 

Clique aqui para ver os delineamentos básicos de um mapa paradigmático. Ele fica aqui, por razões de espaço e de formato, necessariamente incompleto, mas pode ser a base para que você o transforme, agregando-lhe, ao longo de seus anos de estudo na universidade, as informações pertinentes para transformá-lo num mapa completo e funcional aos seus interesses intelectuais.



Neste mapa podemos ver que essas tradições estão na base de diferentes paradigmas na ciência. O positivismo e o neopositivismo, por exemplo, são basicamente monistas, pois são uma forma de ver o mundo como uma unidade que parte de não aceitar a distinção entre fenômeno e essência. Já a dialética, o funcionalismo e o estruturalismo são paradigmas dualistas, pois fundamentam suas procuras na base de polaridades que se opõem: na dialética, por exemplo, a idéia de uma tese que se opõe uma antitese . O materialismo é de cunho dialético, portanto, dualista. Finalmente, a tradição pluralista cobre os expoentes das teorias de sistemas, da fenomenologia e da hermenêutica: paradigmas que partem de uma visão de mundo na qual múltiplos sistemas, fenômenos ou interpretações convivem gerando uma multiplicidade de mundos paralelos. Daí emergem, então múltiplas possibilidades de leitura do mundo, criando um mosaico fluido de configurações.

É necessário dizer que este mapa não passa de um exercício arbitrário de classificação. Que ele não corresponde à realidade histórica das ciências. Mas enquanto instrumento de navegação e de orientação permite que um estudante navegue sem sentir-se perante uma imensidão de nomes, dados, tendências, teorias, sem fim. É claro, então que dependendo de quem faça a classificação haverá diversas maneiras de entender as mesmas escolas, os mesmos paradigmas. O que significa que na realidade eles continuam a ser extremamente fluidos e relativos.

Neste mapa faltam também os detalhes: nomes das ciências que se agrupam dentro de cada paradigma, nomes dos autores e das teorias que podem ser relacionadas a cada um. Isto, devido ao fato de que este mapa pretende abarcar a ciência moderna como um todo, e, por isso, é muito geral. Cabe a você continuar a completá-lo desde sua área de estudo: ver por exemplo, se você estuda biologia quais são os autores e teorias positivistas e neopositivistas dentro da sua área, quais os estruturalistas, o funcionalistas, quais os sistêmicos, os fenomenólogos ou hermeneutas. Tentando levar isso aos mínimos detalhes qualquer um pode manter um certo controle de toda a informação que está recebendo ao longo dos semestres de estudo na universidade. O mesmo se aplica para todas as áreas de atuação.

 

OUTROS MAPAS

Outro exemplo de mapa paradigmático é apresentado pelo físico e historiador da ciência Fritjof Capra, no seu livro “O Ponto de Mutação” (1995). Ali, o autor divide a ciência moderna em dois grandes paradigmas: o mecanicista e o sistêmico. O paradigma mecanicista agrupa todos os paradigmas que aceitaram a visão de mundo de René Descartes, segundo a qual o mundo natural é uma maquina carente de espiritualidade, e, portanto, deve ser dominada pela inteligência humana e ser colocada a seu serviço.

Nessa visão, o mundo opera a partir de leis matemáticas, iguais a qualquer máquina, o que permitiria que, ao ser elas estabelecidas rigorosamente, o homem teria assim, uma copia fiel do mundo. Esta visão agrupa o positivismo e o neopositivismo e a dialética materialista. Em suma, agrupam-se aqui as escolas de pensamento monistas e algumas dualistas. Em concreto, fazem parte desta linha de pensamento todas as ciências modernas que hoje consideramos clássicas: física, química, biologia, psicologia, sociologia, medicina, entre outras, e todas as decorrências tecnológicas que daí resultaram.

No paradigma sistêmico, Capra introduz algumas das ciências que têm efetivado uma mudança radical na visão clássica (visão mecanicista) ou cartesiana de mundo. A visão sistêmica ou holista, rejeita a dicotomia entre homem e natureza, e propõe uma postura de integração entre esses dois pólos que permita um grau de compreensão voltado para a interação de processos, a multiplicidade das interpretações, a hetoregeneidade de mundos possíveis, de observadores e leituras possíveis.

O paradigma sistêmico estaria, na visão de Capra, substituindo “os conceitos de uma visão de mundo obsoleta – a visão de mundo mecanicista da ciência cartesiana-newtoniana (Capra, 1995:14) . Capra elabora no seu livro uma descrição detalhada de como o mecanicismo cartesiano foi incorporado por todas as ciências tradicionais, levando à crise individual, social e ambiental de caráter global que vivemos hoje.

O novo paradigma, introduz, com a física de Einstein, parâmetros de mundo que permitem pensar a natureza, a sociedade e a psique humana de maneira inteiramente diferente da descrição mecânica. A visão mecanicista adota a idéia de que o mundo natural é regido deterministicamente por leis matemáticas em contraposição ao mundo humano, onde há o livre arbítrio. Já, a visão sistêmica propõe que a inter-relação entre homem e natureza, não permitindo uma separação tão simples. O paradigma sistêmico de Capra admite interações complexas entre homem e natureza, onde a subjetividade humana é afetada pela força da natureza, onde o observador é tomado pela sua psique (natureza íntima) e levado a observar de maneira particular um mundo que, ao mesmo tempo, deve compartilhar com outros. O que nos leva a ter não um mundo, mas tantos mundos quanto observadores participando, e tantas interações quanto sejam possíveis dependendo dos fatores em jogo.

O paradigma mecanicista privilegia a individualidade, a luta, a competição. O paradigma holístico prefere o coletivo, o cooperativo, o complementar. Se um vê homogeneidade, o outro vê heterogeneidade. Se aquele propõe autoridade, este afirma a liberdade. Onde um se propõe reduzir, o outro se permite complexificar. Onde um vê separação, outro vê redes.

Se os primeiros observam absolutos, os segundo advogam pela relatividade. Onde uns vem ordem, outros vem caos. Onde uns vem desordem, outros vem dinamismo.

O certo é que o paradigma mecanicista transformou o mundo medieval no mundo moderno que hoje vivemos. A tecnologia aplicada a todos os campos da nossa vida cotidiana, industrial e científica, é fundamentada nas descobertas da ciência mecanicista, positivista, e nossas sociedades e instituições, nossa individualidade e subjetividade, funcionam de acordo com os modelos dialéticos, materialistas. O que significa que de fato, a crise que se vive hoje em todas as áreas, desde a ecológica, passando pela social até a individual e espiritual, é responsabilidade do paradigma cartesiano, como propõe Capra no seu livro.

Diversos cientistas em todos os campos estão explicitando suas adesões ao novo paradigma. Na biologia, por exemplo, Humberto Maturana, vê os fenômenos bióticos no mesmo sentido que Einstein via os fenômenos físicos. Prigogine na química, Jung na psicologia, Luhman na sociologia, Morin na epistemologia, etc. As novas tecnologias telemáticas e os mais diversos aplicativos tecnológicos operam no mesmo sentido: conectividade, interatividade, rede, complementaridade, interação, multiplicidade.

Cabe a cada um de nós, como futuros profissionais, saber a partir de qual paradigma estaremos falando e agindo. É o mínimo que podemos esperar do nosso curso: que ele nos ajude a nos localizar em meio a diferentes paradigmas e tradições de pensamento, para que cada um de nós possa, também, fazer a nossa parte na construção destas tradições e para que essa história continue no futuro.

 O QUE É PARADIGMA











Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente, modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.

Usualmente, paradigma tem sido usado para designar um pensamento “fechado”, inflexível, mais alinhado com as crenças de uma pessoa, por exemplo. Assim, quando queremos dizer que esta pessoa tem dificuldade em renovar suas crenças (aqui, não estou usando a palavra “crenças” no sentido religioso, mas sim no sentido prático), podemos dizer que ela tem dificuldade em rever seus paradigmas.



PARADIGMA

Paradigma são valores e "preconceitos" que cada ser humano detêm em seu subconsciente, abaixo segue um texto que possa exemplIficar melhor o que é ou como nasce um paradigma.



Como Nasce um Paradigma
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.
Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.
Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
Não devem perder a oportunidade de passar esta história para os vossos amigos, para que, de vez em quando, se questionem porque fazem algumas coisas sem pensar ...
  1   2   3   4   5   6   7


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal