Tatiana leite de carvalho garcia



Baixar 17.76 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho17.76 Kb.
TATIANA LEITE DE CARVALHO GARCIA
AGENDA 3 - ATIVIDADE 2
ANÁLISE DA MULTIMODALIDADE NAS VERSÕES APRESENTADAS DE “PITUCHINHA”

Ao refletir sobre o conceito de multimodalidade é preciso, primeiramente, esclarecer o que se entende por texto.

Este não consiste apenas “em um monte de palavras escritas” (texto de apoio – A noção de texto e a multimodalidade), mas representa um todo significativo, ou seja, o texto é um conjunto de elementos verbal (escrito e oral) e não-verbal (imagens, cores, tamanho e formato das letras, etc) que produzem sentidos num determinado contexto e, portanto, possuem alguma função.

Segundo Koch, o texto não deve ser entendido como um produto acabado, mas como um processo. Ainda de acordo com este autor o “sentido não está no texto, mas se constrói a partir dele, no curso de uma interação” (p. 25).

Além disso, cabe acrescentar que “não existem textos puros” (Duchet, citado por Vigner), já que “eles só existem em relação a outros textos anteriormente produzidos, seja em conformidade ou em oposição a um esquema textual preexistente, mas sempre em relação a eles” (Vigner, p. 32). Daí uma prática importante, a intertextualidade, que deve ser considerada quando se pensa sobre leitura e escrita.

Portanto, deve-se ressaltar ainda que um texto constitui-se a partir de atividades interacionais que, por sua vez, estão em conformidade com práticas socioculturais.

Nesta perspectiva, os textos simples presentes no cotidiano (tais como: cardápios, mapas, placas, bilhetes, cartazes informativos, dentre outros) são considerados TEXTOS, podendo contemplar apenas material verbal ou não, bem como material não-verbal, ou ainda, envolver a combinação de ambos.

Tal característica dos textos, especialmente, os contemporâneos, é chamada de MULTIMODALIDADE e colabora na produção de sentidos.

Sob a ótica do letramento, os textos multimodais assumem grande importância, uma vez que refletem os usos reais da escrita dentro da sociedade. A diversidade destes textos, bem como suas inúmeras funções e efeitos devem fazer parte do trabalho pedagógico.

Tais textos possibilitam, inclusive, a leitura por aqueles que ainda não lêem alfabeticamente, ou seja, por aqueles que ainda não dominam o código escrito.

Face a isso, partindo da perspectiva do letramento, a multimodalidade é uma característica importante para o trabalho com leitura e escrita na Educação Infantil.

Após esta breve contextualização do que se entende por texto e multimodalidade, passemos à análise das três versões da história “Pituchinha”, de Marieta Leite.

Na versão de 1937, observa-se que há sim uma tentativa de relacionar material verbal (escrita da história) com elementos não-verbais (como desenhos e cores), porém tal relação não é enriquecida com muitos recursos. A associação que se faz entre ilustrações e escrita é um tanto limitada, no sentido de propiciar poucos elementos para incrementar a construção de sentidos e significados. Ainda assim, é possível considerar que tal construção possa ser realizada pelo leitor, mas tal versão não contribui significativamente para isso. Estas considerações baseiam-se em algumas observações relacionadas à versão em questão, observações estas que se seguem.

A capa, especificamente, possui uma cor predominante (azul) e traz uma imagem pequena da boneca (principal personagem do livro), ou seja, a própria capa é restrita e não apresenta outros personagens que constituem a história. Tal fato não colabora para tornar o livro mais atrativo, não desperta muitas hipóteses e, consequentemente, não causa encantamento pela história num primeiro contato visual com a obra.

A contracapa aborda algumas informações sobre outras coleções da editora (Edições Rio Branco), fazendo uso exclusivo da escrita.

Em relação ao prefácio, este não possui nenhum outro recurso que não o verbal (não possui nenhum desenho/imagem, nem cores). O índice apresenta pequenas imagens/ ilustrações que se referem a pequenos trechos da história (a impressão que se tem é que tais imagens são pequenos recortes das ilustrações que depois se repetem nas páginas respectivas aos trechos do livro).

As ilustrações, de modo geral, estão inseridas em espécies de quadros, todos de um mesmo tamanho, colocados sempre acima dos trechos escritos (verifica-se uma formatação limitada, restrita em relação às imagens presentes no livro). Há cores variadas nas imagens, porém não é utilizado nenhum outro recurso, tais como: sombreamento, proporção, tamanhos diferenciados de desenhos e letras, ou até mesmo, formatos variados das letras, ou seja, a multimodalidade não aparece tão contemplada no texto desta versão.

Já a relação entre escrita e desenho (verbal e não-verbal) também é limitada, pois não se faz uso de outros elementos que auxiliam na produção de sentidos. A combinação entre ambos é estanque e obedece a uma “ordem” que se repete a cada página: ilustração acima, escrita abaixo, além de outras características que se reproduzem ao longo do livro: fonte e tamanho da letra são iguais o tempo todo, o tamanho dos desenhos também não se modifica (ocupa sempre o mesmo espaço na página).

Por fim, os desenhos, de modo geral, não são tão expressivos e não contribuem para criar efeitos e sentidos vários nos leitores.

Analisando a versão de 1995, nota-se que as relações entre elementos não-verbais e o material verbal (escrita da história) já se ampliam.

A capa, por sua vez, é bem colorida e não se limita a apresentar apenas a personagem principal do livro: traz desenhos de outros três personagens da história (soldado, palhaço e bonequinha), enriquecendo o primeiro olhar para o livro. A proporção do desenho da capa é diferente: traz a imagem da boneca em primeiro plano e, em segundo plano, os demais personagens citados.

Ainda na capa há um formato diferenciado para as letras que compõem o título e um efeito de sombreamento destacando os personagens ilustrados.

A contracapa traz outros exemplares da coleção e apresenta uma breve descrição sobre tal coleção (traz informações curtas sobre a proposta da mesma).

A página seguinte à capa já apresenta um recurso gráfico (uma moldura colorida) que incrementa as informações ali contidas (nome da autora, título do livro, número da edição, nome dos ilustradores) e o tamanho da fonte apresenta variações nesta página.

O prefácio é mais atrativo, pois seus dizeres estão emoldurados numa imagem de coração colorido.

As ilustrações ao longo do livro são bem mais coloridas quando comparadas às ilustrações das demais versões (1937 e 7ª edição), apresentadas em tamanhos maiores (muitas preenchem todo o espaço de uma página), além de contar com efeitos de sombreamento que trazem idéia de perspectiva.

Nesta versão, especialmente, há um diferencial relevante: os desenhos são mais expressivos, representando/ilustrando melhor a história.

Neste sentido, na versão 1995, é possível notar que há uma intenção, uma tentativa de relacionar o material verbal com o não-verbal de forma mais apurada, mais intencional, uma vez que as ilustrações possibilitam uma melhor leitura das imagens e favorece assim uma interpretação do livro através das figuras.

Por fim, a versão relativa à 7ª edição traz algumas características bem específicas que, na minha opinião, não contemplam plenamente o conceito de multimodalidade. Isso se deve a vários fatores, a começar pela capa novamente.

Os desenhos contidos na capa desta edição não são atrativos, pois apresentam-se de forma desordenada pelo espaço e as cores utilizadas não favorecem o encantamento pelo livro. Já a contracapa não traz nenhum material verbal e não-verbal, ou seja, não acrescenta nenhuma informação extra/adicional sobre a autora e/ou sobre a obra, propriamente.

A página seguinte à capa não apresenta nenhum recurso diferente ao da escrita (aliás, traz um Português antigo com acentuação na palavra Editora). O prefácio, por sua vez, não contém figuras, limitando-se às considerações da autora.

O índice também não apresenta nenhuma figura, apenas a escrita dos “capítulos”.

Nota-se que os desenhos que se seguem são simples, parecem geométricos, com cores limitadas (prevalecem as cores primárias- azul/vermelho/verde/amarelo, além do preto e branco) que, por sua vez, não preenchem totalmente os mesmos. Tal característica faz com que as ilustrações pareçam ter sido apenas “esboçadas”.

Os rostos dos personagens, especificamente, não possuem nariz e são pouquíssimo expressivos.

As ilustrações parecem não obedecer a uma proporção (por exemplo: página 7), além de serem pouco coloridas (utilização de tons opacos no preenchimento dos mesmos).

Além disso, tais desenhos encontram-se mantidos numa disposição fixa: sempre acima dos textos escritos.

O formato e o tamanho das letras não se alteram no decorrer da história.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KOCH, Ingedore. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo, Contexto, 2001, p.

21- 25.
VIGNER, Gerard. Intertextualidade, norma e legibilidade. In ALVES, Charlotte;



PUCCINELLI, Orlandi; OTONI, Paulo. O texto leitura e escrita. Campinas Pontes,

1997.
Texto de Apoio (Material de Apoio - Agenda 3) – A noção de texto e a multimodalidade.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal