Tem Gato na Tuba Prólogo Música Yes, Nós Temos Banana! Nora



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Tem Gato na Tuba

Prólogo
Música Yes, Nós Temos Banana!
Nora - Quando eu era criança, Carnaval a gente brincava no salão!
Gabriel - Isso, no salão! Dançando as marchinhas!
Nora - Quando eu era criança, a gente usava bisnaga para espirrar água uns nos outros!
Gabriel - E confete e serpentina!...
Nora - E tinha as fantasias, máscaras!...
Gabriel - Eu adorava essa marchinha Yes, Nós Temos Banana!
Nora - Essa música foi feita pelo Braguinha!
Gabriel - Braguinha?
Nora - Braguinha! O João de Barro, ele usava esse nome também! Fez muitas músicas... Lembra aquela do gato!
Gabriel - Ah, lembro!... (Canta) “Atirei o pau no gato-to-to, mas o...”
Nora - Não! Não é essa! É aquela que banda faz: “Pam-pam! Pam-pam-rã! Pam-pam!” e aí o gato grita: “Miau!”
Gabriel - Como é?
Nora - Quando a gente imitar a orquestra fazendo assim: “Pam-pam! pam-pam-rã! Pam-pam!” Todo mundo grita: “Miau!”
Gabriel – Entendi. Vamos tentar?
Nora - Vamos lá!...
Cantam Tem Gato na Tuba
Nora - Olha só o que tem aqui!
Gabriel - O quê?
Nora - Uma vitrola!
Gabriel - Ih, nenhuma criança sabe o que é isso!...
Nora - Talvez alguns pais não saibam também.
Gabriel - Quando eu era criança, os discos eram de vinil e tocavam em aparelhos assim, as vitrolas.
Nora - Tinha os disquinhos coloridos com histórias para crianças.
Gabriel - Eu adorava a história do sapo e do urubu na Festa no Céu!
Nora - Pois eu gostava da Chapeuzinho Vermelho!
Gabriel - Vamos ouvir...
Nora - Olha esse aqui, O Casamento da Dona Baratinha.
Colocam o disco, mas está riscado.
Nora - Ih, tem gato na tuba!
Gabriel - Como é?
Nora - Tem gato na tuba! Não dá para ouvir direito... O disco está riscado.
Gabriel - Então, não vamos ouvir a história!
Nora - Não! Vamos contar a história, com as mesmas rimas...
Gabriel - E as mesmas músicas!
Os Dois - Músicas do Braguinha!
Inicia-se a história Casamento da Baratinha.
Narradora - Era uma vez uma baratinha. Varrendo a casa, achou um vintém. Comprou uma fita, amarrou no cabelo e foi à janela cantar assim: (Nora põe máscara da baratinha.)
Baratinha - Quem quer casar

com a Senhora Baratinha,

que tem fita no cabelo

e dinheiro na caixinha?

É carinhosa

e quem com ela se casar

terá doces todo dia,

no almoço e no jantar!

Passem, passem, cavalheiros,

passem todos sem tardar.

Que o mais belo, com

certeza, minha mão irá ganhar!


Narradora - Naquele momento, com passo lento e bem pachorrento, passou o boi. ( Brincadeira corporal com o andar do boi.)
Baratinha – Boizinho que vai passando, quer comigo se casar?
Boi – Oh! Tão linda senhorita quem sou eu pra recusar?
Baratinha – Sou, porém, muito sensível e medo tudo me traz. Diga primeiro, boizinho, como é que você faz?
Boi – Eu gosto de tomar suco de grama, cheirar flores, dar umas chifradas por aí e faço assim: MUUUUUUUU!!!
Baratinha – Deus me livre de tal noivo, mugindo dessa maneira! Terei sustos todo o dia, terei medo a noite inteira! (Frustração do boi.)
Narradora - E assim lá se foi desiludido o pobre boi.

Mas logo atrás, filosofando, vejam só, vinha um galo passando.


Baratinha – Ó galo que vai passando, quer comigo se casar?
Galo - Oh! Tão linda senhorita quem sou eu pra recusar?
Baratinha – Sou, porém, muito sensível e medo tudo me traz. Diga primeiro, belo galo, como é que você faz?
Galo – Eu gosto de ciscar por aí, proteger o galinheiro, acordar todo mundo de madrugada e faço assim: Cócórócócó!!!!
Baratinha – Deus me livre de tal noivo cantando dessa maneira! Terei sustos todo o dia, terei medo a noite inteira! UIVO
Narradora - Triste, de crista baixa, lá se foi o belo galo se afastando pela estrada. Mas, logo depois, saltando, olhem só, um cachorro vinha chegando.
Baratinha – Cachorro que vai passando, quer comigo se casar?
Cachorro - Oh! Tão linda senhorita quem sou eu pra recusar?
Baratinha – Sou, porém, muito sensível e medo tudo me traz. Diga primeiro, cachorrinho, como é que você faz?
Cachorro – Eu gosto de dormir nos pés do meu dono, cavar, roer um osso, fazer xixi nos postes e faço assim : Au, au, au, au, au!!!!
Baratinha – Deus me livre de tal noivo, latindo dessa maneira! Terei sustos todo o dia, terei medo a noite inteira! ( Cachorro uiva).
Narradora - Tristinho pelo caminho, lá se foi o cachorrinho...

Já quase desanimando, Dona Baratinha viu passar, todo pimpão, o Doutor João Ratão.


Baratinha Ratinho que vai passando, quer comigo se casar?
Ratinho - Oh! Tão linda senhorita quem sou eu pra recusar?
Baratinha – Sou, porém, muito sensível e medo tudo me traz. Diga primeiro, ratinho, como é que você faz?
Ratinho: Gosto de andar a noite pelas casas, degustar um bom queijo suíço, fazer serenatas para lua e faço assim: Chic...chic...chic...
Baratinha – Isso sim que é voz bonita! Não pode assustar ninguém. Até que afinal, achei o noivo que me convém!
Narradora - E pouco tempo depois, com grande satisfação, recebia a bicharada esta participação:
João Ratão e Baratinha – Na matriz do Rancho Velho, dia sete, casarão a Senhora Baratinha e o Doutor João Ratão. A sua amável presença será muito apreciada. Pode trazer os amigos e também a criançada. Porque depois do casório, vai haver festa animada, sendo servida aos convivas uma lauta feijoada!”
Narradora - Ah, maldita feijoada! Oh, terrível tentação que transformou toda a vida do Doutor João Ratão!
Narradora- Eu vou contar pra vocês o que foi que sucedeu.

Na manhã do casório, Mestre Macaco, que é o rei da cozinha, botou mãos à obra. Comprou no mercado feijão, carne-seca, lingüiça mineira e touchinho de sobra.

Com seus ajudantes, macaquinhos, lavou a panela, acendeu o fogão e, para o trabalho correr mais depressa, cantaram em coro esta canção:
Macaquinhos – Abana o fogo, macacada, abana o fogo! Abana bem, bota a panela no fogão.

Está na hora de aprontar a feijoada para o banquete do Doutor João Ratão!

Feijão, carne-seca, lingüiça mineira, orelha de porco pra dar e vender!

Toucinho fresquinho, toucinho gostoso, toucinho cheiroso pra gente comer!


Narradora - Enquanto isso, a Baratinha, bem feliz com sua vida, se aprontava com o auxílio das damas de honra, que vestidas de cor-de-rosa, comentavam:
Damas de Honra - Que lindeza, como vai ficar formosa!
Narradora - E vestindo com carinho a Senhora Baratinha, cheias de entusiasmo, cantavam esta modinha:
Damas de Honra - Vejam só que formosura, bem no dia do noivado, a Senhora Baratinha com seu vestido rendado!

Com seu véu de sete metros, sapatinhos de cetim,

seu corpinho perfumado com essência de jasmim!

Dirão todos, certamente, quando a virem tão faceiras:

“Brilha mais do que a grinalda de flores de laranjeira!”
Macaquinhos – Abana o fogo, macacada, abana o fogo! Abana bem, bota a panela no fogão.

Está na hora de aprontar a feijoada para o banquete do Doutor João Ratão!

Feijão, carne-seca, lingüiça mineira, orelha de porco pra dar e vender!

Toucinho fresquinho, toucinho gostoso,toucinho cheiroso pra gente comer!


Narradora - O noivo, naquele instante, no seu belo apartamento, dormia e sonhava ainda com a hora do casamento. Mas aquela melodia, crescendo qual furação, entrou pelo apartamento do Doutor João Ratão. Entrou pelo apartamento, entrou pelos ouvidos e tomou conta, malvada, de todos os seus sentidos!

Foi assim que começou o seu terrível tormento, pois aquela cantoria, ali, naquele momento, dividiu em duas partes o seu aflito pensamento. Uma ficou com o toucinho, a outra com o casamento.

Mas a idéia do touchinho cresceu em sua cachola. Tanto cresceu que acabou dando-lhe tratos à bola. Tomou formas variadas, de uma roda, de um canudo, de uma onda, de uma nuvem e tomou conta de tudo! Entretanto a outra idéia, a idéia do casamento, foi minguando, foi minguando, fugiu do seu pensamento! Enquanto fervia a feijoada, os macacos fizeram uma pausa. João Ratão aproveitou a distração e pé ante pé colocou uma cadeira ao lado do caldeirão para experimentar uma colherzinha do saboroso feijão.

Narradora - Em dia de festa o tempo voa. E logo chegou a hora marcada para o casamento.

Numa linda carruagem, forrada de azul-turquesa, lá se foi a Baratinha.

Era mesmo uma beleza! Ao seu lado, requintado, parecendo general, ia garboso o padrinho, o papagaio real! Mais atrás, em grande fila, em seus carros enfeitados, vinham parentes, amigos e o resto dos convidados.

Só não vinha no cortejo o Doutor João Ratão, pois como era costume, em tempos que lá se vão, o noivo e sua madrinha deveriam esperar a noiva com seu padrinho desde cedo ao pé do altar. Mas, ao chegar, a Baratinha notou, cheia de aflição:


Baratinha: Onde está o meu noivo? Onde estará o Dr. João Ratão?
Narradora - A velha Dona Araponga, aguardando ao pé do altar, cochichou com a Maritaca:
Dona Araponga – Será que ele vai faltar?
Narradora - De fato, o tempo passava, e nada do João Ratão. Começou o falatório, começou a confusão. E, depois de várias horas naquela lenta agonia, mandaram três urubus pra saber o que havia.
* Flash – back: queda do João Ratão dentro da panela.
Narradora – E os três urubus voltaram com esta notícia horrenda: João Ratão caiu na panela do feijão! (cantam)

Sim, o Doutor João Ratão havia mesmo caído na panela do feijão!


D. Baratinha: Muito feio isso que você fez. Me deixou esperando todo esse tempo pra ficar assim sujo e feio. Não quero mais casar com você.
Narradora - Foi assim que tudo aconteceu.

Vejam só, meus amiguinhos,

Quanto mal um vício faz!

A gula modificou

Toda a vida do rapaz!

João Ratão, que era belo,

É hoje um rato nojento.

Não perdeu por sorte a vida,

Mas perdeu o casamento!
E quem hoje em dia passa

Por aquela casa antiga,

Ainda avista a Baratinha

Repetindo esta cantiga:


Baratinha - Quem quer casar

com a Senhora Baratinha,

que tem fita no cabelo

e dinheiro na caixinha?


Música Chiquita Bacana

Nora - Ai, que final triste, a Baratinha fiou sozinha!
Gabriel - Vamos então contar a história do sapo e do urubu...
Nora - Não! Prefiro a da Chapeuzinho Vermelho!
Gabriel - Essa todo mundo conhece.
Nora - Mas quase ninguém sabe que as músicas mais famosas dessa história são do Braguinha.
Gabriel - Ah! E como vamos contar uma história que todo mundo já conhece?
Nora - Sempre tem jeito diferente de contar as histórias!
Gabriel - Não sei como.
Nora - Use a cabeça!
Gabriel - Me dá uma luz!...
Nora - Boa, uma luz...
Gabriel - E uma luzinha!...
Entra música de introdução
Mamãe - Chapeuzinho, ô Chapeuzinho!

Chapeuzinho - Estou aqui mamãezinha.

Mamãe - Vai à casa da vovó entregar esta cestinha. São doces, bolos e frutas. A vovó está doente.

Chapeuzinho -Vou correndo mamãezinha, vovó vai ficar contente.

Mamãe - Mas olha aqui minha filha, vai pela estrada do rio. O caminho da floresta é muito longo, sombrio. Os caçadores disseram, ontem às nossas vizinhas, que o lobo mau anda lá devorando as criancinhas.

Chapeuzinho -Não se assuste mamãezinha, seguirei o seu conselho. Adeus!

Mamãe - Adeus minha filha. Vai Chapeuzinho Vermelho.

Música da Chapeuzinho

Pela estrada fora

eu vou bem sozinha

levar estes doces

para a vovozinha

Ela mora longe

O caminho é deserto

E o lobo mau

Passeia aqui por perto

Mais à tardinha

Ao sol poente

Junto à mamãezinha

Dormirei contente

Pela estrada fora...
Lobo - Ei !

Chapeuzinho - Eu vou...
Lobo - Chapeuzinho Vermelho, Chapeuzinho venha cá!
Chapeuzinho - Quem é? Não estou vendo! Quem é você? Onde está?
Lobo - Não se assuste, tenha calma. Você não pode me ver porque sou o anjo da floresta. Escute, onde vai você?
Chapeuzinho - Vou levar estes docinhos à vovó que está doente.
Lobo - Muito bem boa menina. Vovó vai ficar contente. Mas se vai para aquelas bandas este caminho não presta. O rio anda muito cheio, siga a estrada da floresta.
Chapeuzinho - Da floresta! Deus me livre! Mamãe disse, que o lobo mau anda lá devorando as criancinhas.
Lobo - Sua mamãe é medrosa, mas que tolice ora esta, há muito que o lobo mau já se mudou da floresta. Agora não há perigo, e toda a mata esta em festa. Há framboesas maduras pelos caminhos ao léu. Há pitangas mais vermelhas do que a cor do seu chapéu! As borboletas azuis são pedacinhos do céu.
Chapeuzinho - Mas seu anjo, tem certeza que o lobo mau já não mora mais na estrada da floresta?
Lobo - Tenho certeza, ora, ora. E para falar a verdade Chapeuzinho, desconfio que o lobo mau anda agora, aí na estrada do rio.
Chapeuzinho - Então vou pela floresta, vou correndo. Credo, cruz! Adeus seu anjo! Até logo!
Lobo - Ah! Ah!Tão boba quanto eu supus. Que grande peça! Isso é que é lobo matreiro. Ela nem viu que eu estava aqui detrás do limoeiro. Sigo agora pela estrada do rio. Vou bem ligeiro, e mesmo que ela se apresse chegarei muito primeiro. Lá chegando papo a vó, que é bem velha com certeza, e fico esperando a neta para comer de sobremesa.
Música do Lobo Mau

Eu sou o lobo mau

Lobo mau

Lobo mau

Eu pego as criancinhas

Para fazer mingau

Hoje estou contente

Vai haver festança

Tenho um bom petisco

Para encher a minha pança
Eu sou o lobo mau

Lobo mau

Lobo mau

Eu pego as criancinhas

Para fazer mingau

Hoje estou contente

Vai haver festança

Tenho um bom petisco

Para encher a minha pança.
Lobo – Ôié! Há! Deve ser esta a casa junto à curva do caminho. Chegamos! Agora calma. Batamos devagarinho. Ô vovó! Ô vovozinha!
Vovó - Quem bate? Quem está aí fora?
Lobo - Sou eu. Sua netinha, trago uns doces para a senhora.
Vovó - Não pode ser. Esta voz não é dela. Tão mudada.
Lobo - Sou eu sim minha avozinha. Amanheci resfriada.
Vovó - Então entre Chapeuzinho! Chegue aqui junto a lareira. Socorro! Aí meu Deus é o lobo!
Lobo - Vais para o papo feiticeira! Hahahá, que maravilha! Que grande guela é a minha. Apesar de um pouco dura comi a velha inteirinha. Visto agora a camisola, a touca e o xale vermelho. Devo estar tal qual a velha. Vejamos que diz o espelho. Falta ainda alguma coisa. Os óculos! Estupendo, perfeito! Que coisa louca, que grande artista se está perdendo. Muito bem, agora a cama. Descansemos um pouquinho. Esperando a sobremesa que vem aí a caminho.
Música da Chapeuzinho

Pela estrada fora

eu vou bem sozinha

levar estes doces

para a vovozinha

Ela mora longe

O caminho é deserto

E o lobo mau

Passeia aqui por perto
Chapeuzinho - Vovó, vovó, vovozinha.
Lobo - Quem bate sem ordem minha?
Chapeuzinho - Sou eu vovó, Chapeuzinho.

Lobo - Hmmm, pode entrar minha netinha.
Chapeuzinho - Bom dia vovó!
Lobo - Bom dia! Chega aqui na minha frente.
Chapeuzinho - A vovozinha hoje está com uma voz tão diferente.
Lobo - Não é nada minha filha. Acordei um pouco rouca. A noite fez muito frio e eu fui lá fora sem touca.
Chapeuzinho - Vovó, vovozinha! Você não vai se zangar, mas para que são esses olhos tão grandes?
Lobo – Esses olhos grandes são pra te enxergar melhor.
Chapeuzinho – E essas orelhas tão grandes?
Lobo – Essas orelhas grandes são pra te escutar melhor.
Chapeuzinho - E este nariz tão grande, tão preto, tão feio?
Lobo – Esse nariz grande é pra te cheirar melhor.
Chapeuzinho - E esta boca, vovozinha, tão grande?
Lobo – Essa boca grande...é para te comer!

Chapeuzinho - Mamãe! Vovozinha, o lobo!
Lobo - Não adianta, minha beleza, a vovó já está no papo. Vai agora à sobremesa.
Chapeuzinho - Seu lobinho, tenha pena.
Lobo – Vou te pegar. Que golpe ordinário, escondeu-se dentro do armário!

Entra música:

Nós somos os caçadores

E nada nos amedronta

Damos mil tiros por dia

Matamos feras sem conta

Varamos toda a floresta

Por vales e serranias

Caçando onças pintadas

Pacas, tatus e cotias.
Nós somos os caçadores

E nada nos amedronta

Damos mil tiros por dia

Matamos feras sem conta

Que é isso? O que estou ouvindo? (Entra a música dos caçadores). Não, seria uma desgraça! Não pode ser! Mas parecem latidos de cães de caça. Os caçadores andavam caçando por trás dos morros. Será que me farejaram estes malditos cachorros? Sim, são eles! Vêm chegando! Ouço as trompas, o alarido. Vou fugir!


Caçador 1 - Abram à porta! Abram senão eu arrombo! Não querem abrir? Então... Pega, pega Boca Negra! Agarra o lobo trovão! Este já está liquidado. O tiro foi bem na testa. Não comerá mais crianças nos caminhos da floresta.
Caçador 1 - Você está ouvindo um soluço? Quem está aí dentro?

Chapeuzinho - Sou eu!
Caçador 1 - Eu quem?
Chapeuzinho - Chapeuzinho!
Caçador 1 - Pode sair minha filha. Já não há nenhum perigo.

Chapeuzinho - Mas a questão é que o lobo devorou minha avozinha.
Caçador 1 – Mas que horror! Que barbaridade! Não chores porem criança, pois nem tudo está perdido quando resta uma esperança. Abriremos à barriga do lobo e a vovó querida como foi comida há pouco, talvez ainda tenha vida. Achei! Respira, ainda vive!
Chapeuzinho - Vivinha! Viva vovó!

Vovó - Ah, chapeuzinho, que susto!

Chapeuzinho - Coitada da vovozinha!
Vovó - Tudo porque desprezaste o que disse a mamãezinha. Agora tens de voltar novamente pela estrada. A noite já vem chegando, vou ficar preocupada.
Caçador 1 - Não se incomode senhora, levaremos a menina de volta para sua casa sem demora.
Vovó: Ouça bem, minha menina, siga sempre pela estrada que te ilumina. Já é tarde. Volta para casa e desfruta da beleza das estrelas pequeninas.
Música:

Chapeuzinho - O lobo mal já morreu

Agora tudo está em festa

Posso caçar borboletas

Posso brincar na floresta.
Música Estrela Dalva
Nora - A Estrela Dalva, essa música é linda! Pode não parecer, mas é uma música de Carnaval!...
Gabriel - Esse Braguinha era demais!
Nora - Sabe que João de Barro é um pássaro que constrói o ninho com barro? Esse ninho fica firme como uma casinha...
Gabriel - E o quê isso tem a ver com as músicas?... Com as estrelas?... Com Céu?...
Nora - Ora, as músicas do João de Barro ficaram firmes na memória de muita gente!

Gabriel - Para mim, João de Barro é um pássaro e pássaro me lembra da Festa no Céu! (Música Urubu Malandro) Agora, vamos contar a história do urubu e do sapo?!
Nora - Quando eu era criança, eu sonhava em ser uma cantora, dessas famosas.
Gabriel - Quando eu era criança, eu adorava e história do urubu e do sapo!
Nora - Eu queria cantar no rádio, gravar discos, aparecer na tevê.
Gabriel - (Quase desanimando) Eu queria brincar com história do urubu e do sapo!
Nora - Chega! Você parece disco riscado!
Gabriel - Um gato na tuba!?
Nora - Não, um sapo no violão!...
Gabriel - Um sapo no violão?
Nora - É! Já-já você vai entender!... Está pronto?
Gabriel - Vamos lá!
Música de introdução
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Narradora - Em certa manhã de junho, em tempos que já se vão, junto à lagoa dos sapos lá no meio do sertão. Mestre Sapo em uma pedra, redondo como uma bola, ensinava tabuada aos sapinhos lá da escola.
Música da Tabuada
Quatro com mais quatro

Um quatro mais quatro

Um quatro
Ta errado!
Quatro com mais quatro

Um quatro mais quatro

Um quatro



Ta errado!
Quatro com mais quatro

Um quatro mais quatro

Um quatro



Ta errado!
Narradora - Só se ouvia as vozes dos sapos lá na lagoa parada. Quando voz mais estridente fez parar a tabuada. A velha Dona Araponga, que é o arauto da floresta, fazendo um berreiro enorme, anunciava uma festa.
Dona Araponga - São Pedro manda avisar aos bichos deste sertão. A grande festa no céu, na noite de São João. Não deve faltar à mesma nem um bicho voador, do mosquito a borboleta, do colibri ao condor. E para bicho sem asa, não fazer vestido à toa, manda avisar que a festança é só para bicho que voa.
Narradora - A madame Saracura que se julgava a mais bela e andava as turras com o Sapo, que a chamara magricela. Quando ouviu a tal noticia pulou de louca alegria e em dueto com o marido, começou a cantoria.
Música da Saracura
Quebrei três pote

Quebrei três pote
Com um coco só

Com um coco só
Quebrei três pote

Três pote

Três pote
Com um coco só

Com um coco só
Quebrei três pote

Quebrei três pote
Com um coco só

Com um coco só
Quebrei três pote

Três pote

Três pote
Com um coco só

Com um coco só
Narradora - Mas para bulir com o sapo, para lhe fazer ciúme, enxertou esses versinhos na cantiga do costume.
Vai haver festa no céu

Na noite de São João

Mas só vai bicho que voa

Mestre Sapo não vai não

Quebrei três pote

Quebrei três pote
Com um coco só

Com um coco só
Narradora - Mestre Sapo ouvindo aquilo fez uma cara zangada e respondeu em um versinho, sem parar a tabuada.

Música do Sapo
Ta errada magricela

Saracura bobalhona

Mestre Sapo vai à festa

Nem que seja de carona
Quatro com mais quatro

Um quatro mais quatro

Um quatro
Ta errado!
Quatro com mais quatro

Um quatro mais quatro

Um quatro



Ta errado!
Narradora - Mas depois daquele dia começou a matutar.
Sapo - Como é que eu vou à festa, sem ter asas para voar?
Narradora - Já estava desanimando, mas achou a solução quando o Doutor Urubu cantou com o seu violão.
Música do Urubu
Vai haver festa no céu

Vou levar meu violão

Vou cantar a noite inteira

Bambaram, baram, bandam
A festança vai ser boa

Vai ter canjica e quentão

Mas só vai bicho que voa

Bambaram, baram, bandam
Quando o Urubu terminou o sapo fez um escarcéu e saiu gritando.
Sapo - Achei! E vou à festa do céu! Saracura ta pensando que eu só vivo na lagoa? Vou mostrar a magricela. Vou provar que sapo voa. Vou tirar minha casaca lá do fundo do baú. Já resolvi, vou a festa no violão do Urubu.
Narradora - Chegou à manhã da festa. Desde cedo a passarada foi subindo para o céu em bandos em revoadas. Também cedo, bem cedinho, mestre Sapo Cururu se vestiu saiu da toca, foi procurar o Urubu. Foi andando, foi andando e ao chegar em uma clareira viu o Urubu cochilando lá no alto da Paineira. O Urubu estava bem alto, mas por sorte o violão estava dependurado em um galho pertinho ao chão. Mestre Sapo deu um pulo e rápido em um momento afastou algumas cordas e penetrou no instrumento e escutou de lá de dentro o Urubu dizer de fora.
Urubu - Vai lha me, São Benedito! Que quase que eu perco a hora!
Narradora - O Urubu pegou no pinho, bateu asas e voou. Mas estranhando o seu peso, pelo buraco espiou. Tanto espiou que encontrou o Sapo lá bem no fundo e sacudindo o instrumento cantarolou furibundo.
Urubu - Saí daí Sapo danado

Sapo velho cururu

Sapo não vai para o céu

Na viola de Urubu
Vou jogar você lá embaixo
Sapo - Ta errado Seu Doutor
Urubu - Desta vez eu te esborracho
Sapo - Ta errado meu Senhor
Urubu - Mas agora eu te perdôo

Bicho feio da lagoa

Só para ver no fim da festa

Como é que sapo voa
Só para ver no fim da festa

Como é que sapo voa
Narradora - Quando chegaram ao céu, a festa estava animada e já de longe se ouvia o canto da bicharada. A marchinha era um sucesso, a orquestra era um colosso, mosquitos cantando fino, besouros cantando grosso.
Música da Orquestra
Sobe, sobe, balãozinho

Balãozinho multi cor

Mais e mais uma estrelinha

Para louvar Nosso Senhor
Sobe, sobe, balãozinho

Balãozinho multi cor

Mais e mais uma estrelinha

Para louvar Nosso Senhor
Sobe, sobe, balãozinho

Balãozinho multi cor

Mais e mais uma estrelinha

Para louvar Nosso Senhor
Narradora - Assim que o Urubu chegou e entrou no grande salão. Mestre Sapo foi saltando de dentro do violão. Foi saltando e foi tirando a garça para dançar, porém a garça orgulhosa nem parou para conversar. Foi tirar a Juriti, quase levou um sopapo do gavião que exclamou.
Gavião - Pomba não dança com sapo!
Narradora - Abandonado por todos, cansado de tudo em fim, Mestre Sapo adormeceu no balanço do jardim. Quando acordou, exclamou.
Sapo - Vá lha me, Nossa Senhora! A festa já se acabou, o Urubu já foi se embora.
Narradora - E começou a pular. Já estava quase maluco quando avistou lá no canto o trombone do Macuco. Mestre Sapo suspirou, deu um salto e entrou de cara pelo bocal reluzente do tal trombone de vara. A orquestra foi a última a deixar o firmamento. Cada músico levando consigo o seu instrumento. Mestre Sapo ia feliz lá no trombone sentado. Quando o maestro cismou de executar um dobrado e levantou a batuta e toda a orquestra atacou. Mas no solo do trombone, a coisa desafinou. Mestre Macuco soprou, mas o solo não saiu, puxou a vara com força e foi isso que se ouviu.
Sapo - Ta errado!

Ta errado!

Ta errado!

Ta errado!

Ta errado!

Ta errado!
Narradora - O maestro ouvindo aquilo gritou com as forças do peito.
Maestro - Pois então se está errado, porque não toca direito?

Macuco - Eu nunca toquei tão mal em dias de minha vida. Eu acho que meu trombone está com a vara entupida.
Narradora - E soprou com tanta força da bochecha e do pulmão que o sapo saiu de dentro como um tiro de canhão. Saiu e se despencou de lá de cima, o coitado. Vindo uma pedra cá embaixo gritando desesperado.
Sapo – Afasta pedra se não te esborracho

Afasta pedra se não te esborracho

Afasta pedra se não te esborracho

Afasta pedra se não te esborracho

Afasta pedra se não te esborracho

Afasta pedra se não te esborracho.
Narradora - Mas por mais que ele gritasse a pedra não se afastou. Pedra não ouve, nem anda e o Sapo se esborrachou. Não morreu, mas ficou feio, seu corpo ficou disforme, os olhos se esbugalharam, a boca ficou enorme. E os sapos que eram redondos, muitos bonitos outrora, ficaram assim tão feios e são tão chatos agora.
Nora - Pois então, meus amiguinhos:

Quem achou que o sapo cairia do violão do urubu,

Deu com os burros n’água tal e qual o sapo cururu

que hoje vive na lagoa,

repetindo, cantando sem sentido, assim à toa:
Gabriel - Tá errado!
Nora - O sapo no trompete,

O gato na tuba,

o disco riscado,

a marchinha da orquestra que tocou o dobrado,

estão aqui, sempre,

de dentro de nossa vitrola,

do fundo do coração

para oferecer um pouco de diversão.


Gabriel - Entrou por uma orelha e saiu pela outra.

Quem quiser, que conte outra!


Nora - E para quem gostou de nossa festa de Carnaval, guarde o fôlego para na hora certa gritar: Miau!...
Refrão do Tem Gato na Tuba.
Fim






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