Tema 1 (cc garcez)



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TEMA 1 (CC GARCEZ)



Qual a utilidade dos estudos das campanhas militares passadas para os oficiais de marinha de hoje?
A principal característica do cenário da guerra naval moderna é o emprego maciço da tecnologia. Neste cenário, as plataformas orbitais devassam a vastidão dos oceanos e a conjugação de sistemas de vetores de longo alcance e de designação de alvos além do horizonte (“Over the Horizon Targetting – OTHT”) permitem o efetivo engajamento de alvos muito além dos limites do horizonte radar. Além disto, sistemas integrados de Comando, Controle, Comunicações, Informações e Computação (C3IC) aceleram o processo de tomada de decisão, Ciclo de Boyd ou Ciclo “OODA”, a níveis jamais imaginados. Isto naturalmente leva ao questionamento sobre a utilidade dos estudos das campanhas militares passadas, desenvolvidas em cenários caracterizados por realidades tecnológica tão díspares.

A primeira impressão intuitiva é que as experiências vividas nas trirremes romanas durante as guerras púnicas, por Nelson a bordo da HMS “Victory” ou até mesmo mais recentemente, durante a Batalha do Pacífico na segunda Guerra Mundial, seriam de pouca, ou nenhuma, valia para os oficiais da marinha “high-tech” dos dias atuais. Entretanto, esta falácia não resiste a um exame mais acurado das implicações desta questão.

Primeiramente, lendo a história, chegaremos à conclusão decepcionante que, se muitos fizeram a guerra, poucos a compreenderam. As mesmas falhas e os mesmos erros se reproduziram com uma regularidade quase matemática. A isto, soma-se o fato de que mesmo na mais ativa das carreiras militares as possibilidades de experiência direta são extremamente limitadas. Assim, verificamos a importância do estudo da história, uma vez que esta pode ser considerada como a experiência universal – experiência não somente de um, mas de muitos e em condições as mais diversas possíveis.

Um campo de estudos de fundamental importância para o planejamento de forças no cenário da guerra moderna, caraterizado pela rápida evolução dos meios e sistemas de armas e de C3IC, é o da prospectiva militar. Neste campo, a análise do passado é fundamental, sendo impossível propor qualquer solução, ainda que parcial e transitória, sem um entendimento da história e do amplo espectro de conhecimentos que ela nos proporciona.

Além disto, ao se pensar em estratégia naval, dois nomes obrigatoriamente devem ser lembrados pela importância de seus estudos: Alfred T. Mahan e Julian S. Corbett. Não se atendo as peculiares diferenças entre as posições e metodologias utilizadas por estes autores, cabe salientar que seus trabalhos basearam-se no estudo de fatos e eventos proporcionados pela história militar.

Finalmente, não se pode pensar em compreender o fenômeno da guerra, sem se ater a seu principal teórico, Karl von Clausewitz, que também alicerçou seus trabalhos em um profundo estudo da história das campanhas militares. A atualidade de sua análise dialética e descritiva deste fenômeno nos indica que apesar do extraordinário hiato tecnológico que nos separa hoje do cenário da Europa na primeira metade do século XIX, é mais uma prova irrefutável da importância do estudo científico da história militar. As atuais guerras, apesar das grandes Evoluções e Revoluções dos Assuntos Militares vividas, não contestam Clausewitz. Isto porque o fenômeno em si permanece o mesmo, devendo ser alteradas apenas as doutrinas, ou a “gramática” da guerra.

Portanto, quer seja simplesmente para não repetir erros anteriores, ou para um melhor entendimento do complexo fenômeno da guerra, em particular em sua componente naval, e independentemente do estágio de desenvolvimento tecnológico, somente através do estudo da história militar científica é que os oficiais de marinha de hoje, bem como os de amanhã, podem almejar algum dia serem estrategistas navais de algum sucesso.

TEMA 2 (CC GARCEZ)



Por que o livro “Da Guerra” de Clausewitz, é considerado uma obra de referência para o estudo da guerra?
Ao se tentar definir o valor da obra de Clausewitz, “Da Guerra”, é necessário identificar inicialmente as motivações e as características peculiares deste autor. Clausewitz iniciara seus estudos sob o impacto da derrota prussiana de 1806 e da capacidade individual de Napoleão de transfigurar o mundo político-militar de sua época. Neste cenário, procurou determinar o que seria a teoria da guerra, o que ela poderia ensinar, como se explicaria o fenômeno Napoleão e se o que ele fizera poderia ser repetido. Na busca destas respostas, Clausewitz se relevaria rigoroso, cuidadoso e aberto.

A primeira característica especial desta obra está na busca do autor em dar-lhe um caráter universal, valendo-se não somente de suas experiências como soldado, comandante, planejador, professor mas também das experiências pretéritas registradas pela História. Outra fator contribuinte para o universalismo dessa obra evidencia-se pelo fato de que, embora suas argumentações tenham sido baseadas na análise de combates terrestres, que melhor conhecia, sua teoria também aplica-se aos conflitos envolvendo meios navais e aéreos.

Por outro lado, Clausewitz alicerçou sua teoria a partir de uma reflexão abstrata sobre o absoluto da violência da guerra, conceituando-a como “um ato de força destinado a dobrar o inimigo à nossa vontade”. Após verificar, por meio do estudo da História, que na prática os resultados eram diferentes do desdobramento lógico do seu conceito inicial, Clausewitz foi refinando seu pensamento buscando esclarecer os motivos desta incongruência. Aqui reside sua força teórica, ao estabelecer o conceito, confrontá-lo com a realidade, e incorporar teoricamente as diferenças entre o conceito e a realidade.

Ao longo desse processo, ele desenvolve a mais completa investigação científica sobre o fenômeno bélico, identificando diversos fatores moderadores do emprego da violência tais como a onipresença da fricção, a assimetria entre ataque e defesa e o reconhecimento, inovador, do povo como um dos componentes essenciais da atividade bélica, incorporando o conceito de uma “trindade paradoxal” entre povo, governo e forças armadas. Destaca-se também a introdução dos conceitos derivados de ponto culminante do ataque e de centro de gravidade. O primeiro, indicando o ponto que, uma vez ultrapassado, o prosseguimento do ataque torna-se temerário, comprometendo a própria força atacante e arriscando sacrificar o que já fora obtido. O segundo, como sendo o ponto do inimigo sobre o qual todas as energias devem ser dirigidas para se obter a vitória.

O valor de sua obra também pode ser inferido pelo fato de que todos esses conceitos tiveram sua validade comprovada em diversos conflitos ocorridos ao longo da história. Além disso, por meio dessa argumentação, Clausewitz demonstra a subordinação da guerra à política, o que foi sem sombra de dúvida sua maior contribuição para o entendimento do complexo fenômeno bélico.

Portanto, a meu ver, em decorrência de seu caráter universal, rigor científico e validade comprovada de seus diversos conceitos, a teoria da guerra exposta em “Da Guerra” é a melhor resposta para o paradoxo da diferença entre a guerra conceitual e histórica, sendo, por isto, considerado até hoje como a obra militar de referência para o estudo dos conflitos armados.


TEMA 4 (CC GARCEZ)

A estratégia japonesa nos movimentos de abertura da guerra do pacífico pode ser explicada a partir dos conceitos Mahanianos?
A mais importante obra de Mahan, “A Influência do Poder Marítimo na História”, serviu como guia para vários chefes navais ao longo da história, tornando-se leitura obrigatória da quase totalidade dos oficiais das marinhas no período que antecedeu a 2a Guerra Mundial. Entretanto, no caso particular da marinha nipônica, não se pode analisar sua estratégia, sem considerar a influência de seu Comandante-em-Chefe, o Almirante Yamamoto. Este oficial, além de ter cursado nos EUA1, também serviu neste país como Adido Naval, sendo um profundo conhecedor do pensamento estratégico americano. Neste contexto, serão inicialmente apresentadas as principais concepções mahanianas e a estratégia naval japonesa, para então verificar uma possível explicação desta estratégia à luz desses conceitos.

O domínio do mar é a concepção básica da teoria estratégica de Mahan. Para o almirante norte-americano, o mar era considerado indivisível e a obtenção de seu domínio se daria através da neutralização definitiva das forças inimigas que pudessem ameaçar a utilização do mar. Portanto, o objetivo primordial de uma força naval é a esquadra inimiga, que deve ser buscada e destruída por meio de uma Batalha Decisiva. Nesta procura, a esquadra nunca deveria ser dividida, a fim de se explorar o princípio da concentração. Mahan também pregava a importância fundamental dos navios de linha e de bases avançadas em áreas de interesse onde fossem previstas operações militares, a fim de garantir uma posição estratégica.

O plano japonês previa a expansão sobre regiões de importância estratégica e ricas em recursos energéticos, ao mesmo tempo em que estabelecia um perímetro defensivo que garantiria a exploração dos recursos e impediria a intervenção de outras marinhas, particularmente a dos EUA. O ataque à Pearl Harbor buscava a neutralização da Esquadra americana do Pacífico, ao mesmo tempo que outra operação visava apoiar, com forças navais, a invasão das Filipinas, da Malásia e das Índias Ocidentais Holandesas pelo Exército japonês.

A concepção mahaniana de domínio do mar não pode ser empregada devido à carência de meios da marinha nipônica e às dimensões do Oceano Pacífico. Essas restrições, somadas a limitações orçamentárias também impediram os japoneses de dar a devida importância à sua frota mercante e à sua necessária proteção. O conceito derivado da indivisibilidade do mar também não pode ser observado, uma vez que, pelos mesmos motivos, só foi possível aos japoneses estabelecerem o controle sobre o perímetro defensivo inicialmente planejado. Assim, o objetivo do ataque a Pearl Harbor não era a destruição completa da esquadra americana em uma batalha decisiva pelo domínio do mar, mas apenas desestimular a oposição dos EUA às suas conquistas.

Com relação ao emprego dos navios de linha, o brilhantismo de Yamamoto vislumbrou antecipadamente a ascendência dos navios aeródromos sobre os encouraçados. Somente após as pesadas perdas aeronavais japonesas na Batalha de Midway, é que o encouraçado voltou a ser empregado como um navio-capital, nos moldes do pensamento mahanianos.

O princípio mahaniano de nunca dividir a esquadra também não foi seguido por Yamamoto nestes primeiros movimentos, quando ele dispersou suas forças para simultaneamente atacar Pearl Harbor e apoiar o avanço do exército japonês em direção ao sul. Isto, provavelmente, deveu-se à necessidade de assegurar rapidamente o acesso às matérias-primas essenciais ao esforço de guerra japonês. Por conseguinte, a concepção mahaniana da necessidade da obtenção de bases avançadas também foi alterada. Isto porque, para os japoneses, estas conquistas iniciais eram fontes daquelas matérias-primas, não tendo a função preponderante de apoiar navios operando longe das bases.

Portanto, a meu ver, a estratégia elaborada pelo almirante Yamamoto para os movimentos de abertura da Guerra do Pacífico não pode ser explicada a partir dos conceitos mahanianos, mas sim pelas restrições impostas pela extensão do Oceano Pacífico, pela carência de matérias-primas estratégicas e pela limitação de recursos e de meios da marinha nipônica.

TEMA 5 (BOI 99)
Qual o palpel do mar na derrota de Napoleão?
De acordo com as interpretações de MAHAN, a História Mundial baseou-se na disputa pelo domínio dos mares. Ao analisá-la, conclui-se que a chave do Poder Marítimo Mundial reside no controle das rotas marítimas de comércio.

Desde que assumiu o governo francês em 1799, Napoleão Bonaparte encontrou na Inglaterra não só seu mais tenaz adversário, mas também seu principal obstáculo à vitória. Entretanto, deve-se reconhecer que a queda do grande general não pode ser atribuída somente à ação inglesa. Na realidade, de longa data esteve a política francesa constantemente divorciada do mar. Luis XIV, cético quanto ao valor do poder marítimo, deixou sua marinha definhar lentamente. Assim, quando Napoleão chegou ao poder, apesar da França ainda possuir uma marinha de guerra poderosa, sua marinha mercante e seu sistema colonial encontravam-se em franca decadência, o que viria a comprometer de modo capital o atendimento das necessidades do futuro esforço de guerra.

Os ingleses, apesar de possuírem um razoável exército, estavam cientes de que não poderiam enfrentar sozinhos a França e seus aliados, através de um confronto direto de forças terrestres. Contando com uma marinha de guerra e mercante superiores, foi através das vias marítimas que a Inglaterra:


  • sustentou seu próprio poder, conservando suas fontes de suprimentos e ampliando seu comércio;

  • bloqueou essas mesmas fontes de recursos ao adversário; e

  • assegurou suas alianças, provendo assistência e subsídios às potências continentais formadoras das coligações contra os franceses.

Decidido a enfrentar os ingleses em qualquer meio, menos no mar, Napoleão tentou abalar o comércio britânico, buscando privá-lo dos navios mercantes neutros e através da exclusão dos produtos ingleses em todos os mercados do continente. Para levar a efeito tais medidas, que ficaram conhecidas como bloqueio continental (1806), o Imperador adotou uma política que o levaria a extremo desgaste.

Em apenas um ano ficaria evidente que a França e seus aliados estavam sendo arruinados em favor da própria Inglaterra.

Em síntese, pode-se afirmar que o papel do mar na derrota de Napoleão foi composto basicamente por dois aspectos. O primeiro relaciona-se com a estratégia naval britânica a qual, negando aos franceses um confronto terrestre direto, conduziu o conflito no elemento que lhe era mais favorável através de ações de desgaste sobre a França e seus aliados. O segundo diz respeito ao próprio emprego do poder naval francês por Napoleão, o qual, assumindo uma atitude defensiva, permitiu aos ingleses o domínio dos mares e consequentemente a aplicação da sua estratégia.
TEMA 06 (CC BIASOLI)
Qual a explicação para a derrota naval alemã na I GM segundo a teoria Corbetiana?

Para podermos responder a esta questão, devemos analisar, inicialmente, como a estratégia alemã pode ser vista sob a ótica da teoria Corbett.

Desde o final do século XIX a Alemanha desenvolvia uma grande marinha (Alte Tirpitz e a “Esquadra de Risco”). Porém nunca houve consonância com o Plano Schlieffen. O fato é que o Exército alemão queria projetar a Nação por meio de uma guerra continental, ou seja, não houve preocupação quanto ao papel da Marinha alemã em um programa de defesa nacional, fazendo com que as forças singulares discordassem uma da outra e até, algumas vezes, seguissem caminhos distintos.

Apesar da superioridade, a esquadra britânica optou pelo bloqueio, evitando a batalha decisiva, pois acreditava ser capaz de estrangular economicamente a Alemanha cortando as suas rotas comercias. Além disto, evitou o emprego e o desgaste da “Home Fleet”.

Na Batalha da Jutlândia (1916) houve o encontro da marinha alemã com a poderosa esquadra britânica. Esta batalha apresentou, de certa forma, uma vitória tática alemã e uma vitória estratégica britânica, pois o Alte Jellicoe (Grã-Bretanha) procurou preservar a sua esquadra subordinando-se a uma estratégia maior. Avaliou que uma derrota da marinha alemã pouco contribuiria para a vitória aliada e um comprometimento das forças navais inglesas levaria à derrota.

A Marinha alemã, apesar do grande desenvolvimento, não estava preparada para uma guerra longa e, como mais fraca, utilizou-se da estratégia da guerra de corso, que foi intensamente combatida pelos britânicos. Com o aumento da pressão exercida pelo bloqueio britânico e o impasse que se seguiu à batalha da Jutlândia, os alemães partiram para a campanha irrestrita de submarinos, a partir de 1917. As implicações políticas foram muito grandes, em face do abandono das convenções de guerra no mar e do ataque indiscriminado a neutros. A principal conseqüência foi a entrada dos EUA no conflito, reduzindo substancialmente o efeito dos esforços alemães em anular as linhas de comunicações marítimas inglesas.

Expostos estes fatos, verifico que, dentro do ponto de vista de Corbett, a Alemanha sofreu a derrota naval pelos seguintes motivos:


  • não conseguiu obter nem o domínio do mar e nem negá-lo aos aliados (principalmente após a entrada dos EUA);

  • dissociação entre as campanhas naval e terrestre;

  • não houve coordenação de esforços;

  • eficácia do bloqueio britânico (Esquadra em Potência alemã imóvel); e

  • não conseguiu desgastar as forças navais britânicas.

TEMA 6 (CC SOUZA FILHO)

Qual a explicação para a derrota naval alemã na I Guerra Mundial segundo a teoria Corbettiana?
A resposta a esta questão não pode ser dada sem uma análise do contexto da estratégia alemã como um todo e não apenas da parte naval. O Exército alemão acreditava ser capaz de vencer a guerra sozinho, cabendo à Marinha apenas a proteção do seu flanco. Associada a este pensamento, houve a decisão do Kaiser de restringir a Marinha a uma atitude defensiva, considerando que a sua preservação seria importante no momento de negociar a paz. Verificamos aqui o primeiro erro alemão segundo as idéias de Corbett, que afirmava que: “... a Esquadra e o Exército são uma arma, coordenando suas ações e indicando as direções segundo as quais irão se mover para atingir o poder máximo de ambos”. A falta de integração entre as forças naval e terrestre para o alcance do objetivo político comum foi determinante para a derrota alemã, principalmente após a hábil manobra francesa que resultou no insucesso do envolvimento de seu exército pelas forças alemãs, conforme previsto no Plano Schliefen. O fracasso deste plano resultou na prolongada guerra de trincheiras, que deu tempo para que a Alemanha sentisse os efeitos do Bloqueio a distância imposto pela Inglaterra.

A fim de analisarmos o aspecto naval, citaremos os principais pontos da teoria Corbettiana da guerra no mar. Corbett considerava que o objetivo da guerra naval, direta ou indiretamente, é o de obter o domínio do mar ou evitar que o inimigo o obtenha. O domínio pode compreender diferentes graus: total ou parcial; permanente ou temporário; e “domínio em disputa”.O domínio só seria absoluto se o poder naval inimigo fosse destruído em uma batalha decisiva, o que era raro.

Caso Houvesse superioridade de um dos oponentes, este deveria buscar o domínio procurando a decisão pela batalha ou estabelecendo o bloqueio, visando à rendição pela carência dos materiais necessários à sobrevivência do povo e ao esforço de guerra. Não havendo superioridade, Corbett preconizava ações defensivas, como o emprego do princípio da Esquadra em Potência, ou por meio de ações de desgaste. Ele considerava que as Operações Navais são conduzidas buscando dois propósitos principais: a conquista ou disputa do domínio do mar; e a garantia do exercício das comunicações marítimas na medida do grau de domínio que for possível exercer.

Além disso, ao contrário de Mahan, Corbett não pregava a indivisibilidade da Esquadra, e sim o aproveitamento da característica de mobilidade, que permitiria a sua concentração no momento e local adequados.

Verificamos então que ambas as esquadras tentaram por em prática a teoria Corbettiana. A inglesa, após ter limpado o alto-mar da ameaça de superfície às suas linhas de comunicações marítimas, com ações navais no extremo Oriente, nas Falklands e nas águas africanas e conquistando a base alemã em Tsingtau na China ( de onde partiu o “Graf Spee” para seu fatídico cruzeiro), fez morrer as esperanças alemãs de que os britânicos empenhariam parte de suas forças navais para patrulhar seu império no Pacífico. Isto fazia com que a “Home Fleet” inglesa se mantivesse em um nível de superioridade que a Esquadra de Alto-Mar alemã não poderia enfrentar. Apesar da superioridade, a esquadra inglesa optou pelo Bloqueio, ao invés de buscar uma batalha decisiva. Isto porque acreditava ser capaz de estrangular a Alemanha economicamente cortando suas rotas comerciais no Atlântico sem arriscar sua frota calcada em unidades de alto custo e difícil reposição, tendo inclusive evitado o emprego da “Home Fleet” em operações que não concorressem para o bloqueio afastado do litoral inimigo. Retirou, inclusive, o grosso da Esquadra do Mar do Norte quando a ameaça submarina lá se fez sentir, mantendo o bloqueio por meio de bases mais afastadas.

A Esquadra alemã, por sua vez, inferior à inglesa, optou pelo emprego das idéias Corbettianas para esta situação. Calcada também em unidades de alto custo e difícil reposição, empregou o princípio da Esquadra em Potência, mantendo a esquadra inimiga no teatro do Mar do Norte pela ameaça que ela, atracada em portos estrategicamente situados, representava para a Inglaterra. Além disso, buscou realizar ações de desgaste, através de surtidas rápidas que buscavam isolar e aniquilar partes da grande esquadra britânica. Uma dessas ações gerou a Batalha da Jutlândia, que poderia ter sido uma batalha decisiva, considerando-se os meios envolvidos, não fosse o apego ao Princípio da Segurança por parte do Alte. Jellicoe, comandante das forças inglesas. No entanto, no dizer de Churchill, “Jellicoe era o único homem que poderia perder a guerra no decorrer de uma tarde”. A batalha constituiu-se em uma vitória tática alemã, mas estratégica inglesa, porque os alemães não alcançaram o objetivo de mutilar a “Home Fleet”, permanecendo intacto o bloqueio britânico, e a esquadra de superfície alemã não mais se aventurou em ações significativas.

Assim, o bloqueio a distância foi a operação naval mais decisiva da guerra e a campanha submarina irrestrita alemã foi a maior ameaça ao esforço bélico aliado, tendo o seu fracasso determinado a derrota alemã.

Os acontecimentos da I Guerra Mundial deram razão a Corbett, na medida em que a guerra no mar foi primordialmente um conjunto de operações de ataque e defesa do tráfego marítimo e não houve engajamento decisivo.

Os alemães falharam na aplicação do princípio da Esquadra em Potência, pois Corbett não propugnava pela imobilidade da esquadra, mas sim pela adoção de atitude defensiva que preservasse os meios, devendo ser buscada a destruição do inimigo caso ele representasse ameaça ao controle das linhas de comunicações marítimas, como era o caso, o que não foi feito pelos alemães, culminando em sua derrota.

Concluindo, a raiz da derrota alemã foi não considerar, ou subestimar, as conseqüências políticas e as necessidades táticas do emprego dos submarinos poderiam trazer. A campanha submarina irrestrita, com o afundamento de navios neutros, inclusive norte-americanos, arrastou os EUA e todo o seu poderio para a guerra, selando definitivamente a derrota alemã.



TEMA 7 (CC SOUZA FILHO)

A tese geopolítica do Poder Marítimo, de Alfred T. Mahan e a do Poder Terrestre (“Heartland”), de Sir Halford J. Mackinder podem ser considerados dois paradigmas antípodas?
A resposta a esta pergunta exige que, antes de tudo, definamos o que vem a ser Geopolítica. Analisando as muitas conceituações existentes, podemos dizer que a Geopolítica é a ciência que trata da dependência dos acontecimentos políticos em relação aos fatores geográficos “espaço” e “posição”, visando a fornecer instrumentos para a ação política e pretendendo ser a consciência geográfica do Estado.

Antes mesmo do termo “Geopolítica” ser empregado pela primeira vez, o oficial da Marinha norte-americana Alfred T. Mahan já apresentava suas idéias relativas às relações de causa e efeito entre um Poder Marítimo forte e a grandeza e riqueza nacionais, caracterizando assim uma tese geopolítica.

Por outro lado o geógrafo inglês Halford J. Mackinder defendia a idéia de que a hegemonia do mundo, então em poder das potências marítimas, passaria para as nações que detivessem a posse de áreas terrestres vitais de alto potencial, o que também caracteriza uma tese geopolítica.

Estas considerações iniciais nos permitem verificar semelhanças entre seus trabalhos: ambos usam a Geopolítica como instrumento e ambos visam a um mesmo propósito político, que é a grandeza e o poder das nações. Vejamos agora, separadamente, as propostas de cada um para o alcance deste propósito.

Mahan considerava que as nações podem crescer ou entrar em decadência, nunca permanecer estáticas, e que o crescimento de uma nação exigiria a existência de um grande Poder Marítimo, cujo desenvolvimento se fundamentaria em seis “fontes”: a posição geográfica, a configuração física, a extensão territorial, a população, o “caráter do povo” e o “caráter do governo”. Segundo ele, a acumulação de riqueza depende de um comércio exterior intenso e crescente, o que só pode ser obtido com uma grande Marinha Mercante, exigindo uma proteção que só poderá ser dada por uma forte Armada, apoiada em bases estrategicamente situadas.

Mahan assinalava três requisitos que seriam necessários à obtenção do poderio estratégico: a produção (com as necessárias trocas de produtos), o transporte (que efetiva as trocas), e as colônias (que facilitam e ampliam as operações de transporte e tendem a protegê-lo, em razão dos pontos de segurança que possibilitam. Neste ponto Mahan passa de anti-imperialista a expansionista, e o geopolítico se mistura ao estrategista naval, ao pregar a instalação de bases ao redor do mundo em posições estratégicas e divulgar suas convicções sobre o Comando do Mar. O domínio do mar seria consubstanciado pela garantia do uso das comunicações marítimas e sua negação ao oponente, pela destruição do seu comércio marítimo, o que seria obtido por meio de quatro princípios fundamentais da guerra no mar: a concentração de forças, uma posição central em relação às forças inimigas, a operação a partir de linhas interiores e ter à disposição boas linhas de comunicação. O mais importante, o princípio da concentração, seria efetivado pela sua máxima “nunca divida a esquadra!”, buscando a neutralização da esquadra inimiga em uma Batalha Decisiva, com o emprego de navios capitais.

O Mahan geopolítico teve o mérito de formalizar a tomada de consciência do povo norte-americano em relação à importância do Poder Marítimo, sendo por isto conhecido como “o evangelista do Poder Marítimo”.

Por seu lado, Mackinder procurou demonstrar que o Poder Marítimo e o Poder Terrestre vinham se alternando em predominância ao longo da História, e que nas oportunidades em que conseguiu controlar por terra as bases e pontos de apoio do Poder Marítimo, o Poder Terrestre o sobrepujou.

Ele considerava que devido à evolução dos meios terrestres de comunicações e até mesmo ao surgimento do avião, a nação que controlasse áreas terrestres vitais assumiria a hegemonia mundial. Baseado em seus sólidos conhecimentos de Geografia, História e Política, lançou a teoria sobre o “pivô geográfico da História”, fundamentada na observação de que 9/12 do mundo são constituídos de águas e que 2/12 das terras emersas formam o “antigo continente” (Europa, Ásia e África) cujo conjunto forma a “Ilha do Mundo”. As demais terras emersas formariam as “Ilhas do Exterior”, ou “Orla das Terras”. Desta teoria surgiu o conceito de “Heartland”, que evoluiu até a versão final que abrange a Rússia e parte da Ásia. Inacessível ao Poder Marítimo e imune às suas ações, seria capaz de abrigar um Poder Terrestre considerável. Quem dominasse o Heartland dominaria a “Ilha Mundial” e a partir daí a “Orla da Terras” e o mundo.

Após verificarmos as duas teorias, constatamos que...




  1. Mackinder visualizava o cenário do fim da era do predomínio britânico, calcado em seu poder marítimo, e Mahan no seu cenário oferecia uma visão prospectiva de uma nova era, a da predominância norte-americana.. Maritimidade e Continentalidade, neste contexto, não significam, a meu ver, modelos, condições ou filosofias distintas. São duas faces de uma mesma moeda: o Poder, visado por ambos em suas teorias, o que faz com que não possam ser consideradas antípodas.




  1. a continentalidade e a maritimidade não podem ser tratadas como uma mesma coisa. As especificidades do Poder Marítimo e do Poder Terrestre tornam as duas teorias muito distantes uma da outra, o que as caracteriza como antípodas.

Para escolha de cada um: a ou b?



TEMA 09 (CC GARCIA)

A tecnologia torna a guerra um instrumento mais utilizável ou menos utilizável pela política?

1- Conceitos iniciais:

Tecnologia de acordo com Van Cleveld, tecnologia é a transformação racional do conhecimento científico.

O conhecimento (ciência), aliando à capacidade de transformá-lo em bens e serviços (tecnologia), tornam uma nação soberana e determinam o que é fisicamente possível. Assim, as opções de ação de um Estado se acham intimamente associadas as suas capacidades, sua influência e seu poder.

O país que detém tecnologia passa a ter maior poder em suas Relações Internacionais (RI). Assim, é inegável que a tecnologia é um dos fatores de poder de um Estado.

Política É o ramo das ciências sociais que trata da organização e do governo dos Estados.


Partindo-se do conceito “Clausewitziano" que a guerra é a continuação da política por outros meios, entendemos que a guerra é um instrumento dessa política.

Atualmente, as existência de Organizações Internacionais como fóruns de debates e resoluções de crises e conflitos passaram a influenciar as políticas externas dos Estados e, por conseguinte, o emprego da guerra como instrumento nas RI..

À luz da teoria de guerra de Clausewitz, encontramos dois conceitos diferentes: lógica de guerra e gramática de guerra.


  • Lógica de guerra: entende-se que é a lógica da própria política, pois é seu instrumento e a ela subordinada.

  • Gramática de guerra: corresponde às ações (engajamentos) desenvolvidas em combate, bem como a forma como as operações são planejadas e executadas.

No que se refere à tecnologia, observamos que o contínuo desenvolvimento dos conhecimentos e processos de produção tem provocado profundas alterações sociais, bem como nas relações de poder entre Estados.

Em relação aos fenômenos bélicos, a evolução tecnológica tem motivado significativas mudanças nas estratégias, táticas, engajamentos e armamentos empregados. Além disso, a tecnologia tem possibilitado ao Poder Político o acompanhamento preciso das operações desenvolvidas, podendo interferir até mesmo no emprego tático dos meios.

2.1) Enfoque da Lógica da Guerra: Os fenômenos bélicos, enfocados de forma teórica, não se alteraram ao longo da história. O entendimento “Clausewitziano” desses fenômenos continuam válidos. Assim, a tecnologia, sob a ótica da lógica da guerra, não modifica a relação da guerra com o elemento político dos fenômenos bélicos.

2.2) Enfoque da Gramática de Guerra: A tecnologia altera substancialmente as ações (engajamentos) nos combates e, portanto, a gramática da guerra.

Devemos observar que uma grande diferença de tecnologia (assimetria) entre os Estados beligerantes permite ao Poder Político, em uma situação de crise, considerar o emprego de guerra em detrimento de solução diplomática. Isto ocorre em função da avaliação, pelo Poder Político, da existência de um menor risco de perdas materiais, humanas e escalada do conflito, tendo em vista a assimetria de poderes envolvidos. Entretanto, as características do teatro em operações e o tipo de guerra podem igualar essa assimetria de poderes.

A utilização da guerra como instrumento da política, dentro da concepção teórica dos fenômenos da guerra, não sofre alteração em face da tecnologia (lógica de guerra).

Ao transportarmos o foco da análise para o campo das RI entre os Estados, observa-se que a tecnologia altera os engajamentos da guerra (gramática de guerra) e possibilita ao Poder Político um maior controle das ações militares.

Além disso, a assimetria dos poderes, resguardada as situações particulares, contribui significativamente para a opção política de emprego das força armadas nas RI. Portanto, a tecnologia torna a guerra um instrumento mais utilizável pela política.



TEMA 10 (CC GARCEZ)

Que argumentação Clausewitz empregou para demonstrar que a subordinação política da guerra é uma conclusão lógica e não uma hipótese de partida?

Clausewitz alicerçou sua teoria a partir de uma reflexão abstrata sobre o absoluto da violência da guerra, conceituando-a como “um ato de força destinado a dobrar o inimigo à nossa vontade”. As conseqüências teóricas desse conceito são o que ele denominou de “as três interações” que levariam necessariamente a um exercício extremo de violência: o lado que usa a força sem constrangimentos ganha vantagem sobre o outro, que é obrigado a imitá-lo; o objetivo da guerra, para ambos os lados, é desarmar o inimigo; e a guerra demanda, para ambos os lados, o máximo dispêndio de todos os meios disponíveis e de toda a força de sua vontade.


Porém, Clausewitz constatou, em seus estudos históricos, que as guerras nunca haviam sido espasmos de extrema violência, nem atos isolados de pura força e seus resultado nunca eram finais, pois tendiam a terminar antes do desarmamento total de um dos lados. Desta forma, elas sempre terminavam antes que se atingissem os extremos de violência que o conceito teórico exigia, além de apresentarem diversas pausas ao longo do seu desenvolvimento.

Assim, após verificar que na prática os resultados eram diferentes do desdobramento lógico do seu conceito inicial, Clausewitz foi refinando seu pensamento no intuito de buscar incorporar as diferenças entre a guerra como conceito e a guerra como história. Ao longo desse processo, ele desenvolve a mais completa investigação científica sobre o fenômeno bélico, identificando diversos fatores moderadores do emprego da violência.

O primeiro desses é que a guerra é a província da incerteza e do acaso. Este fenômeno é incorporado à sua teoria por meio do conceito de fricção e de sua onipresença. Também identifica a

a presença de fatores morais e de que o combate, mesmo virtual, era a atividade essencial da guerra. Ele reconhece, inovadoramente, o povo como um dos componentes essenciais da atividade bélica, incorporando o conceito de uma “trindade paradoxal” entre povo, governo e forças armadas.

As pausas nas guerras foram associadas à assimetria entre ataque e defesa, sendo esta última a forma mais forte da guerra. Esta inovação contra-intuitiva, baseada na observância de que a força com propósito defensivo tem apenas que manter a situação vigente para vencer a guerra e nas vantagens inerentes ao conhecimento do terreno e proximidades das suas bases e do favor da população, levou ao conceito do ponto culminante do ataque. Atingido este ponto, cuja determinação Clausewitz admite ser bastante difícil, o prosseguimento do ataque torna-se temerário, comprometendo a própria força atacante e arriscando sacrificar o que já fora obtido. Como corolário deste ponto, Clausewitz introduziu também o conceito de ponto culminante da vitória.

Desta forma, para Clausewitz, as guerras podem ter objetivos ilimitados – o desarmamento do inimigo- ou limitados – a posse e conquista de territórios inimigos. Quanto mais ilimitados forem os objetivos, mais a guerra tenderá a se aproximar de sua forma absoluta.

Portanto, por meio de uma postura dialética e da aplicação do rigor científico com o qual confronta sua teoria com a realidade, Clausewitz alcançou as respostas para as suas indagações, identificando uma série de fatores que inibiam a violência do fenômeno bélico. O encadeamento lógico destes fatores, principalmente, da supremacia da defesa como forma de guerra, da onipresença da fricção, passando pelo ponto culminante do ataque e com as complexas interações entre os elementos da “trindade paradoxal” têm como conseqüência maior a subordinação da guerra a política., ou em suas palavras: “uma continuação do intercurso político por meio da força”.

TEMA 10 (CC JOSÉ RENATO)

Que argumentação clausewitz empregou para demonstrar que a subordinação política da guerra é uma conclusão lógica e não uma hipótese de partida?
Inicialmente, Clausewitz desenvolveu o conceito de guerra absoluta - guerra ideal isolada das realidades que a cercam e a influenciam. Posteriormente, ele reavaliou suas idéias, verificando que as guerras, na prática, são limitadas ou ilimitadas, jamais absolutas.

Para chegar a este conceito, Clausewitz verificou que as guerras eram produtos das sociedades que delas participavam. Elas eram moldadas pelas idéias, emoções e condições na ocasião em que eram travadas.


Clausewitz constatou, em seus estudos históricos, que as guerras nunca haviam sido espasmos de extrema violência, nem atos isolados de pura força, e seus resultados nunca eram finais, pois tendiam a terminar antes do desarmamento total de um dos lados. Ao contrário, elas sempre terminavam antes que se atingissem os extremos de violência, que o conceito teórico exigia; além de apresentar diversas pausas ao longo do seu desenvolvimento.

Assim, após verificar que, na prática, os resultados eram diferentes do desdobramento lógico do seu conceito inicial, Clausewitz foi refinando seu pensamento no intuito de buscar incorporar as diferenças entre a guerra como conceito e a guerra como história. Ao longo desse processo, ele desenvolveu a mais completa investigação científica sobre o fenômeno bélico, identificando diversos fatores moderadores do emprego da violência.

As pausas nas guerras foram associadas à assimetria entre ataque e defesa; sendo que, em situações de forças equivalentes, aquela que está defendendo tem a vantagem.

Essa constatação, baseada na observância de que a força com propósitos defensivos tem apenas que manter a situação para ganhar a guerra; nas vantagens inerente ao conhecimento do terreno; proximidades de suas base; e do favor da população, levou ao conceito de ponto culminante do ataque. Atingido este ponto, cuja determinação Clausewitz admite ser bastante difícil, o prosseguimento do ataque torna-se temerário, comprometendo a própria força atacante e arriscando sacrificar o que já fora obtido.

Desta forma, para Clausewitz, as guerras podem ter objetivos ilimitados ou limitados. Quanto mais ilimitados forem os objetivos, mais a guerra tenderá a se aproximar de sua forma absoluta.

Portanto, por meio de uma postura dialética e da aplicação do rigor científico com o qual confronta sua teoria com a realidade, Clausewitz alcançou as respostas para as suas indagações, identificando uma série de fatores que inibiam a violência do fenômeno bélico.

O encadeamento lógico destes fatores, principalmente, da supremacia da defesa como forma de guerra, da onipresença da fricção, passando pelo ponto culminante do ataque têm como conseqüência maior a subordinação da guerra a política., ou em suas palavras: “uma continuação do intercurso político por meio da força”.

Face o exposto, concluo que Clausewitz demonstrou a subordinação política da guerra por meio de uma conclusão lógica e não uma hipótese de partida, como fez, inicialmente, sobre o absoluto da sua violência. Esta conclusão foi alicerçada na assimetria do ataque e defesa, evidenciada pelo ponto culminante do ataque; e na pausa entre ações, ditadas pela política.



TEMA 12 (CC LUIZ FELIPE)

O fracasso do plano Schlieffen pode ser atribuído a uma estratégia operacional equivocada ?
SCHLIEFEN, oficial de Estado-Maior e com experiência apenas teórica, elaborou em 1905 um plano para uma guerra em duas frentes contra França, a oeste e contra Rússia a leste. O plano previa:

  • a rápida invasão da França por meio de envolvimento pelo norte , contornando as linhas fortificadas da fronteira, utilizando o território belga;

  • previa a queda da neutralidade belga e a utilização de suas vias férreas para logística e locomoção do exercito;

  • não contava com a fricção no campo de batalha;

  • previa uma concentração do exercito na proporção de 8/1, no lado francês, que era julgado ser de mobilização rápida, o lado russo era postergado, levando-se em consideração que o exercito russo levava muito tempo para mobilizar-se, em função das longas distancias das vias de comunicações existentes.

  • a ação era prevista para apenas 6 semanas; e

  • o plano não previa alternativa para o caso de insucesso da ação inicial.

Com a morte de Schliefen, Moltke tornou-se o responsável pela aplicação do plano. Ela não acreditava no desguarnecimento da fronteira da Prússia oriental em prol da frente francesa. Por este motivo, determinou a transferencia de grande parte do exercito da frente francesa para a Rússia, diminuindo a proporção do lado francês para 3/1, quando da deflagração da guerra.

Iniciada a campanha, a condução das operações dentro do espaço de combate não ocorreu exatamente como previsto no plano. A resistência belga foi heróica e inesperada; À medida que se retiravam, os belgas destruíram linhas férreas e atrasaram cada vez mais o avanço germânico. O apoio logístico para o soldado alemão também tornou-se deficiente, bem como não era esperada a rápida mobilização por parte dos soldados franceses. Todos estes fatores, aliados às decisões equivocadas de diversos comandantes alemães no campo de batalha, geraram o fenômeno de fricção nos moldes clausewitzianos, que culminaram com a interrupção do movimento na Batalha do Marne. A partir deste ponto foi possível aos aliados a construção de uma extensa linha de trincheiras, que ia até o litoral, transformando o ritmo da guerra em guerra de atrição.

Verificamos, desta forma, diversos equívocos na estratégia operacional alemã, e que contribuíram bastante para o fracasso do plano. A pergunta que se faz, no entanto, é simples: teria o plano de campanha tido sucesso se tivesse sido operacionalizado na íntegra? No meu ponto de vista, não. O plano Schliefen, já na sua concepção manteve-se idealístico, teórico e principalmente, inflexível, não prevendo as dificuldades logísticas nem o fenômeno da fricção. Desta forma, mostro-se, para os recursos existentes à época, um plano de difícil implementação.
TEMA 13 (CC BIASOLI/JOSÉ RENATO/GARCIA/RIBEIRO)

Até que ponto a geopolítica pode explicar as decisões estratégicas inglesas na


Campanha de Trafalgar?
Para iniciar esta análise, devemos buscar a definição de geopolítica. De acordo com Friedrich Ratzel, considerado o precursor da geopolítica, é quando os fatores geográficos de espaço e posição influenciam no destino político de um Estado.

Conferindo-se os aspectos geográficos verifica-se que a posição insular da Grã-Bretanha, monarquista, favoreceu a sua postura como potência marítima. Os britânicos, dentro deste contexto geopolítico, já possuíam uma forte marinha mercante em face das necessidades do seu forte comércio e um poder naval à altura, pois dependiam totalmente das trocas realizadas pelos mares. A França, por sua vez, após a revolução burguesa, buscou sua expansão territorial e novas conquistas, sendo a grande potência terrestre da época.

Ambas também viviam uma fase de grande desenvolvimento devida aos reflexos da revolução industrial. Destarte, era necessária a busca e a conquista de novos mercados.

Fica claro que, do antagonismo e das necessidades, um embate entre as duas potências era inevitável.

A tentativa frustada da França de invadir e conquistar o Egito para atingir o Oriente serviu aos franceses para perceber que era necessário desenvolver o seu poder naval e/ou anular o similar britânico. Assim, depois da derrota para as forças britânicas em Aboukir, Napoleão resolve se voltar para uma invasão à Grã-Bretanha, aniquilando o seu domínio do mar.

A Grã-Bretanha adotou, ao início, o bloqueio aos portos inimigos. Assim, manteve seu comércio sem competição e sufocou o comércio marítimo francês. Desta forma, não partiu para o confronto direto em terra e posicionou sua marinha de forma a evitar que a França invadisse as ilhas britânicas. Várias eram as tarefas impostas às forças navais britânicas e limitados os meios.

Com a pressão cada vez mais intensa por parte dos franceses, as forças britânicas assumem uma posição mais ofensiva, buscando bloquear e impedir a concentração das esquadras francesas, principalmente as situadas em Toulon (Mediterrâneo) e em Brest. O combate nestas áreas era difícil em face das restrições de manobra e de vento.

A posição britânica visava a três propósitos”: impedir o acesso francês ao Egito/Oriente (econômico); manter a aliança com a Áustria e a Prússia (político); e manter a Ilha de Ushant e o Reino da Sicília para a vigilância da Esquadra francesa (estratégico-militar).

Cabe aqui pontificar como os fatores geográficos influenciaram as decisões estratégicas, à luz dos interesses britânicos e franceses.

Havia dois pontos focais da estratégia de defesa britânica:



  • Brest/Ushant- esta posição visava a proteger o acesso ao Canal da Mancha e à bloquear a Esquadra francesa em Brest; e

  • Sardenha/Malta- com esta posição conseguia impedir o acesso francês ao Oriente (novos mercados); manter o controle do Mediterrâneo (fundamental para o apoio da Áustria e da Prússia); e bloquear a Esquadra francesa de Toulon.

Na posição mais ao norte, o abrigo que as referidas ilhas ofereciam era importante contra as condições adversas dos ventos de oeste.

Nelson vigiava Toulon, onde não havia um bloqueio aproximado, pois o almirante inglês pretendia atrair Villeneuve para um combate no mar. O ponto de grande importância estratégica foi a Ilha da Sardenha, onde a frota reabastecia de suprimentos e água. Outros pontos de apoio poderiam ter sido escolhidos, tais como Malta ou Gibraltar, mas a distância de Toulon os fez preteridos.

Outra preocupação na província da Sardenha, foi a Ilha da Sicília, pois se ocupada pelo inimigo reduziria o valor de Malta como base naval, que permanecia com ponto chave do controle do tráfego marítimo central e para o leste do Mediterrâneo.

Estes são os principais pontos onde os fatores geográficos de espaço e posição sustentam as decisões estratégicas inglesas na Campanha de Trafalgar, importante batalha na condução da política britânica durante a era Napoleônica.

Finalmente, é possível depreender que todas as ações tomadas no mar visam a apoiar as ações em terra, pois é nesta última que se desenvolve a guerra e onde se localizam os objetivos políticos; evidenciando, assim, a totalidade do fenômeno bélico.

Assim, concluo que os britânicos, apesar de saberem onde as forças francesas se encontravam, preferiram executar um bloqueio afastado, de forma a atender a uma necessidade política e em face das dificuldades de manobra.

Desta forma, a meu ver, a Geopolítica foi a base das decisões britânicas. Além da defesa de seu território, a coroa britânica percebeu os grandes aspectos político-econômicos da manutenção do Mediterrâneo, pois assim garantiria o apoio da Áustria e da Prússia (aliados contra a França no continente) e impediria o acesso francês a outros mercados (Oriente).

A campanha de Trafalgar é apenas uma conseqüência das posturas assumidas pelas duas potências.





1 Prezado Azevedo.ainda não abri os temas que voce botou na nored,mas estava lendo os que foram disponibilizados em disquete hoje a tarde,e no tema quatro se afirma que o Almirante Yamamoto estudou nos EUA e foi adido naquele pais.Minhas fontes dão conta que ele estudou no Naval Royal College em Greenwich England.Como desconheço outros estudos dele no exterior gostaria que voce clarea-se com o autor (Garcez) para saber se Yamamoto foi aluno de Anapolis,o que não me consta,para se for o caso se efetuar a correção e evitar algum erro de colega na prova.

Selva!


Gentil


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