Teologia do novo testamento



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6.4.2.1.3. rebelião

Pesha (33 vezes) significa rebelar-se. Em II Reis 1:1 uma nação se rebela contra a outra. Moabe se rebelou contra Israel depois da morte de Acabe. Em Josué 24:19, o homem se rebela contra Deus. “Então Josué disse ao povo: Não podereis servir ao Senhor, porque Ele é o Deus Santo, Ele é Deus zelozo, Ele não perdoará vossas transgressões e nem os vossos pecados”.


6.4.2.1.4. errar

Shagag (19 vezes) e o verbo relacionado shagah (27 vezes) significam errar. Em Levítico 4: 22 shagah utiliza-se para referir a culpa associada com um erro inadvertido. “Quando um príncipe pecar, e por ignorância fizer alguma de todas as coisas que o Senhor seu Deus ordenou se não fizessem e se tornar culpado; ou se o pecado em que ele caiu, lhe for notificado trará por sua oferta um bode sem defeito”. Em Ezequiel 34; 6 shagah é usado em seu sentido secular desviar de um caminho. “As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes, e por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda terra, sem haver quem as procure, ou quem as busque”.

O mesmo verbo ocorre em Salmos 19: 12 em seu sentido teológico. “Quem há que possa discernir as próprias faltas. Absolve-me das que me são ocultas”.
6.4.2.1.5. Extensão do pecado

Personalidade corporativa. A nação inteira foi castigada pelo pecado de alguém (sofrimento retributivo – Josué 7). A apresentação clássica diz que a nação inteira era culpada do pecado de qualquer membro individual. Whiteley argumenta que isto não é “personalidade corporativa”. O homem hebreu tinha consciência que era um indivíduo (diferentes de outros indivíduos hebreus) mas não tinha consciência dos seus direitos individuais.

Interiorização do pecado. Durante e depois do cativeiro há uma mudança no conceito de sofrimento corporal retributivo. Isto afeta o conceito de sofrimento retributivo, porque a experiência contradiz essa teologia.

6.4.2.2. Judaísmo Pré- Cristão

A literatura judaica enfatiza a universidade do pecado e o pecado original. Por exemplo: Eclesiástico 25: 33 diz: “pela mulher teve o princípio do pecado e por ela morreremos todos” Assim também o documento de Qunram diz:

“Eu disse: Pertenço à assembléia carnal, a reunião da iniqüidade; minhas faltas, minhas rebeldias, meus pecados, meu coração perverso me associam a assembléia destinada a corrupção, ao caminho dos que vão pelas trevas; porque o homem recebe seu caminho e não é ele quem estabelece, pois a justiça pertence a Deus e de sua mão vem a perfeição da conduta”.

Vê-se também em 4 Esdras 3: 7-8, 20-22; 7: 116 – 126 e II Baruch 48: 42-43.

Todavia há também passagens que enfatizam a culpabilidade e responsabilidade pessoal do homem. Eclesiástico 15: 14-16 diz: “Deus fez o homem desde o principio e deixou em suas mãos o livre arbítrio, se tu quiserdes, pode guardar seus mandamentos e é sábio fazer sua vontade”. I QS 4: 23-25 diz:

“Até esse dia,os espíritos de iniqüidade e de verdade se disputarão no coração do homem. Estes caminharão na sabedoria ou na estultícia. Se alguém lhe correspondesse a um sua parte na herança da verdade e da justiça, odiará a iniqüidade; mas se sua herança lhe tocasse no partido da iniqüidade será ímpio e abominará a verdade. Porque Deus colocou em mesma proporção aos dois espíritos até o termo marcado para a renovação”.

Também vemos em II Baruch 54: 19.
6.4.2.3. Helenismo

O helenismo não tem uma teologia do pecado. O único que aborda o pecado é o conceito dualista de homem. Seu corpo é pecado e sua alma é justa, a alma se corrompe em contato com o corpo.


6.4.2.4. Ensinamento de Jesus

6.4.2.4.1. Vocabulário:

Jamartia (marta) quer dizer “faltar”. Jesus ensina que o homem peca. Fala do pecado apenas para falar da necessidade de perdão divino.

“Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações começando em Jerusalém” Lc. 24: 46-47.

Paraptoma também se usa apenas em relação com o perdão de Deus. A idéia da palavra é “transgredir” ou “quebrar uma relação”.

“E , quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai para que o vosso Pai Celestial vos perdoe as vossas ofensas”. Mc 11: 25

Anomia (noma) é inimizade com Deus

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor! Senhor! Não profetizamos em teu nome e em teu nome expulsamos demônios e em teu nome fizemos muitos milagres? E então lhes declararei: “Jamais vos conheci, apartai-vos de mim os que praticam a iniqüidade”. Mt. 7: 22 e 23.
6.4.2.4.2. Pecados nos sinóticos

O pecado é universal.

“Naquela mesma ocasião, chegando alguns que lhe contaram acerca dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Ele porém lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores que outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vos afirmo: se porém não arrependerdes, todos igualmente perecerão”. Lucas 13: 1-3

O que corrompe o homem é o que vem do coração. “O que sai do homem, isso é o que contamina o homem. Porque de dentro do coração sai os maus pensamentos, fornicações, roubos homicídios, adultérios, avareza, maldade, engano, sensualidade, inveja, calúnia, orgulho e insensatez”. Marcos 7; 20-22

O pecado é escravidão. Apresenta em conjunto com o conceito do reino de Satanás que escraviza o homem, mas Jesus o liberta.

O pecado é rebeldia, vemos a parábola do filho pródigo. O pecado, não é atuar como filho (rebeldia). O irmão mais velho não entendeu e pensou que o pecado era desperdiçar toda a sua herança.

O pecado traz condenação. O homem fica debaixo do juízo de Deus o homem prestará contas a Deus.


6.4.2.4.3 Pecado em João

O pecado é ensinamento, o que peca afasta de Deus e o que crê se associa a Ele. “O que odeia a mim, também odeia a meu Pai. Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais, nenhum outro fez, pecado não teriam; mas agora não somente têm eles visto, mas também odiado a mim como a meu Pai”. João 15: 23-24.

O pecado é incredulidade (v. 9: 35-41). O pecado maior é a falta de fé – rejeição da mensagem divina. “O que crê não está condenado, mas ao que não crê já é condenado porque não tem crido no nome do unigênito Filho de Deus” João 3: 18.

O pecado á a ignorância, por isso havia a necessidade de um Verbo

“E Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas e as trevas não o compreenderam (...) Existia a luz verdadeira que ao vir ao mundo, ilumina o homem. Ele estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não o conheceu” João 1: 4-5, 9-10.

O pecado é a morte. A fato que a salvação traz a vida eterna implica que não salvos não terão vida. “Em verdade em verdade vos digo quem ouvir as minhas palavras e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entrará em juízo, mas passará da morte para a vida” João 5: 24

O pecado é universal. Isto é implícito no evangelho, explícito na carta. “Todo aquele que pratica o pecado, pratica também a infração da lei, pois o pecado é a infração da lei”. I João 3: 4
6.4.2.5. Credos Primitivos

Nos credos primitivos, o conceito de pecado não é enfatizado.


6.4.2.6 Paulo

6.4.2.6.1. Vocabulário e significado

Jamartia ocorre 78 vezes em Paulo em seus correspondentes em forma de verbo, substantivo e adjetivo. No singular refere à natureza pecaminosa (Rm. 6: 16): “Não sabeis vós que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis, sois servos, seja do pecado para morte ou da obediência para a justiça”.

O plural refere à totalidade dos pecados do homem (I Cor. 15: 3): “Antes de tudo, eu vos entreguei, o que também recebi: que Cristo morreu pos nossos pecados, conforme as Escrituras”.

Paraptóma ocorre 14 vezes em Paulo. Refere-se a uma transgressão (Gl. 6: 1): “Irmãos, se algum de vós é surpreendido em alguma falta, vós que sois espirituais, repreendê-lo com espírito de mansidão, olhando a ti mesmo, não sejas tu que sejas tentado”.

Anomia ocorre 10 vezes como substantivo, adjetivo ou advérbio em Paulo. Refere a infração da lei (II Cor. 6: 14) “Não estejais em jugo desigual com os incrédulos pois: que associação há entre a justiça e a iniqüidade? E que comunhão há entre a luz e as trevas?”

Parabasis ocorre 5 vezes em Paulo. Refere a uma desviação (Rm. 2: 23) “Tu que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei”. O antônimo de todas estas palavras em Paulo é justiça.


6.4.2.6.2. Origem do pecado em Paulo

Em Romanos 7: 7-25 debate se a passagem refere ao homem pré-cristão ou não cristão.

Alguns sugerem que o homem em pecado é pré-cristão. Os aderentes desta interpretação incluem Wesley, Stewart e Dodd. Seus argumentos incluem:


  1. os verbos 7-13 estão no pretérito

  2. há um contraste entre 7 e 8 (8 sendo introduzido por “agora”)

  3. a descrição do homem em 7: 14 e 24 não é uma característica de um cristão.

  4. a redenção por Cristo é inútil se deixa o homem assim. Segundo esta interpretação:

    • vs 9a refere a inocência da criança

    • vs 9b refere a um estado debaixo da lei

    • 8: 1ss a um estado debaixo da graça. Isto descreve a experiência e vida de Paulo.

Outros sugerem que o homem em pecado de Rm 7 seja um cristão. Seus aderentes são Calvino e Nygremm entre outros., Seus argumentos incluem:

  1. Os verbos de 7: 14- 24 estão no presente

  2. no contexto do livro, ch. 5-8 falam de vida cristã

  3. a interpretação pré-cristã não concorda com Fl. 3: 6

  4. esta tensão na vida cristã se menciona em outras passagens de Paulo (Rm. 8: 23, Gl. 5: 17) esta interpretação se apóia na experiência do cristão.

Porém há uma terceira possibilidade postulada por Kümmel e Bornkamm. Seu argumento é:

  1. devemos dividir a passagem em duas seções: 7 – 13, 14- 24

  2. a primeira pergunta a responder é: A quem refere o “eu” em 7: 13? O “eu” nessa seção é gnômico. Refere ao homem em geral, descrevendo a existência humana. Em Rm. 3: 7 e I Cor. 13 se utiliza “eu” nessa forma. “Eu” refere ao homem.

  3. a segunda pergunta é: Em que tempo ocorre 7 -13? Se compararmos os vss. 9-11 com Gn 2 e 3, encontramos as seguintes semelhanças:




Vivia sem a lei

Gn. 2: 5

Ao vir o mandamento

Gn. 2: 16-17

O pecado cobrou vida

Gn 3: 1-6

O pecado me enganou

Gn. 3: 13

(exépatensen me)

(expatensen me v. II Cor. 11: 3 e I Tm 2: 14)

O pecado me matou

Gn. 3: 22







Conclui que a passagem é uma identificação pessoal com a queda do homem. A chave interpretativa de 14-25 é o verso 25 b. Por que vem depois de 25 a?

“Esta é a conclusão do anterior. Quando confio em meu próprio esforço e não dependo de Deus, sigo reconhecendo a autoridade de Deus e sua lei, mas em meus pensamentos e ações me submeto à autoridade do pecado”.

Existem várias interpretações do pecado original


    1. União genética, visão realista – Agustín. A natureza humana foi corrompida em Adão. Nós estávamos em Adão quando pecou, assim a culpa e o pecado de Adão são imputados. Baseia-se no erro do texto da Vulgata (em quem)

    2. União representativa, visão federalista – Calvino, Instituições II. Adão é o cabeça de todo homem e seu pecado passou a toda humanidade. Mas a nossa culpa vem por cometermos pecado. Pecado é imputado; culpa é o resultado do pecado pessoal.

    3. Depravação herdada, visão wesleyana. Nossa união representativa com Adão não passa seu pecado a nós, mas uma natureza depravada. Cada homem peca por si mesmo e é culpado por seu próprio pecado. A depravação é herdada.

    4. Visão pelagiana debate com Agustino. O resultado do pecado é a morte, porém o nosso pecado e a nossa culpa são totalmente pessoais. Adão não é mais que um exemplo.

O conceito de pecado original depende muito de Rm 5: 12-21. A pergunta básica é: que classe de frase 5: 12? Há três possibilidades:

      1. conjunção de sucessão “depois”

      2. conjunção causal “porquanto”

      3. relativo “em quem”

Para responder essa pergunta, devemos definir. A quem se refere?

  1. anthrópos: pelo pecado de Adão todos pecaram, ou depois da morte de Adão todos pecaram.

  2. thanatos: pela morte todos pecaram, ou depois da morte todos pecaram

  3. nómos: pela lei todos pecaram

  4. idéia: por tudo aquilo, todos pecaram, depois de tudo aquilo, todos pecaram.

A chave exegética da passagem é o vs. 13. É uma forma retórica de apresentar uma objeção a 13 a. Uma reconstrução da idéia de 13 -14 seria


Eu digo “antes da lei havia pecado no mundo”

Alguém protesta: Mas o pecado não se imputa quando não há lei

Respondo, “mas a morte reinou antes da lei e como a morte é o resultado do pecado, havia pecado antes da lei”.
Esta interpretação prefere que seja conjunção de sucessão (e depois). Vs 5: 12 a é histórico (“Adão pecou”) e 5: 12 b é a exepriencia (“e depois todos pecaram”)

Resumo – A natureza do pecado em Paulo.

O pecado é uma dívida (I Cor. 2: 14). Por ser dívida, necessitamos do perdão.

O pecado é uma natureza. Paulo intensifica o entendimento de pecado copmo uma natureza do homem. Esta natureza é descrita muitas vezes como o velho homem (Rm. 6: 1-11,; 7: 7-25; Ef. 4: 17-24; Cl. 3: 5-11).

O pecado é uma ação. Uma vez que é a natureza do homem, o pecado é descrito por fatos específicos. Há uma variedade de lista de pecados em Paulo, coisa que Paulo tem em comum com o retórico de seu dia (Rm 1: 29-31; I Cor. 5: 10-11; II Cor. 12: 20 -21, Gl. 5: 19-21, Ef. 4: 31 Col. 3: 25-8, I Tm. 1: 9 Tt. 3:3).

O pecado corrompe o que é bom. Paulo ensina que o pecado que corrompe a lei (Rm. 7: 11-13), a carne (Rm. 7: 14; Gl. 5: 24; Ef. 2: 3) a mente (Rm. 7: 16-17; 8: 7).

O pecado implica necessariamente castigo. Parte do castigo é a separação do homem de Deus (Rm. 1: 18-32). Por isso, o ministério de Paulo é um ministério de reconciliação do homem a Deus (II Cor. 5: 18) Outra parte do castigo é a morte. A parte final do castigo vem na vida porvir (Rm. 2: 5-8; 6: 21-23).

No pecado está a raiz do problema básico do homem. Bultmann considerou que o homem tem equivocado o seu autêntico ser, seu esforço tem sido desde o princípio equivocado. De fato, uma concepção fundamental para uma doutrina de salvação – desenvolvida detalhadamente em Rm. 1: 18 – 3: 20 é que todos os homens são pecadores; por meio de Adão o pecado e a morte entraram no mundo como poderes dominadores (Rm. 5: 12).

Sanders acusa Bultmann de inverter a ordem de Paulo. Bultmann argumenta a universalidade de pecado até a universalidade da solução. Sanders propõe que em Paulo, a convicção da universalidade da solução precedeu a convicção do problema universal ... A lógica de Paulo parece rezar assim: Em Cristo, Deus atuou para salvar o mundo, portanto, o mundo necessita também de salvação. A lei é contra o propósito de Deus que foi revelado em Cristo? Não, a lei tem a função de deixar todo o mundo no pecado para que o mundo pudesse ser salvo pela graça de Deus.

Assim o problema básico do homem deve ser entendido

Como a antítese a sua solução como Paulo entendeu essa solução... Em contraste ao dizer que alguém morre com Cristo no pecado, portanto, pertence a Cristo, o problema do homem sem Cristo é descrito como ser escravizado e dominado pelo pecado (Rm. 6: 20).

Não obstante, a ordem do argumento Paulino, o problema essencial do homem é que o pecado tem separado o homem de seu Criador (Ef. 2: 12). Isto implica:



  1. A universalidade do pecado (Rm. 1: 18 – 3: 20, 5: 12).

  2. O pecado é descrito como escravidão. Assim o homem decide entre os dois senhores: pecado ou justiça (Rm. 6: 15-22).

  3. A libertação do pecado vem por meio da justificação.

  4. Deve haver alguma forma de conhecer o pecado – Paulo ensina que o conhecimento do pecado vem por meio da lei.

A Soteriologia Descritiva em Paulo

Termos de referência em Paulo. São identificados em vários termos que descrevem a diferença entre um cristão e o não –cristão.

1) Limpeza. Paulo utiliza o conceito de ser lavado dos pecados da vida anterior (I Cor. 6: 9-11).

O termo básico no NT é katharidzo. Paulo utiliza muito pouco (II Cor. 7: 1, Ef. 5: 26 e Tt. 2: 4). O termo usual mais comum é o verbo santificar, no sentido de uma limpeza (Rm. 6: 19). Em Efésios 5: 27-27 há duas possibilidades exegéticas:

a. a limpeza e a palavra são uma imagem de matrimônio.

b. a limpeza e a palavra são uma imagem do batismo, a palavra é a fórmula do batismo.

2) Fé. Paulo utiliza o dualismo de “crentes” e “incrédulos” para descrever as duas possíveis condições para o homem.

3) Participação na morte de Cristo. Tal como a vida cristã pode ser descrita como termo participacionista “em Cristo” a transferência da vida cristã pode ser descrita em termos de participação na morte de Cristo.

4) Liberdade. Paulo utiliza termos que expressam libertação de escravidão para descrever a nova vida em Cristo. O debate com esse conceito é a sua natureza e sua origem. Vem da idéia do AT do Redentor ou do mundo comercial.

a) Esta imagem é do mundo cívico e comercial. Deissmann argumenta que em Gl 5: 1 e 13 temos a mesma fórmula que se utiliza nos manuscritos egípcios. O sacerdote compra um escravo ou uma propriedade em nome de Deus e depois a põe em liberdade. Paulo utiliza do mundo comercial e religioso para descrever o conceito de nossa redenção.

b) Esta idéia é do mundo do AT.

Pada se usa para a redenção do primogênito (Ex. 13: 2, 12, 22: 29) Sacrificava-se o primogênito com a expiação do asno (um animal imundo que não poderia ser sacrificado) e uma criança.

Gr´al se usa para a redenção de uma propriedade. Se alguém vendia uma terra poderia ser restaurada em três formas:


        1. um parente poderia comprar a terra

        2. se não houvesse um parente, o vendedor compraria a terra

        3. Se não havia prata, poderia esperar o ano de Jubileu.

Ambos verbos referem a redenção de Deus para com Israel, tanto no Êxodo como depois (Ex. 6: 6; Sl. 107: 2; Is. 43: 1 Os. 13: 14; Miq 6:4). Por isso, Deus lhe chama Redentor (Is. 41: 14, 43: 14. 44: 6, 47: 4, 48: 17, 49: 7, 54: 5, 60: 16, 63: 16).

Somos remidos da escravidão como Israel foi do Egito. Somos salvos de sermos possessão de outro. Somos salvos de tomarmos como sacrifícios.




  1. Transformação ou Nova Criação. Paulo utiliza o conceito de ser criado de novo para descrever a transferência da nova vida em Cristo.

O capítulo chave é II Cor. 5. Os versículos 1 a 5 apresentam a transformação final como uma transformação escatológica (II Cor. 3: 18). Nos versículos 6-10, a transformação nos dá força para viver a vida hoje. Nos versículos 11-16, a transformação começa agora. E o versículo 17 é o resumo e conclusão. A transformação começa mas, não termina agora (Gl. 6: 15, II Cor. 3: 18).

  1. Reconciliação. Paulo enfatiza a reconciliação com Deus como uma parte que integra a nova vida em Cristo.

O verbo (Katallago) usa exclusivamente para referir a Deus reconciliando-se ao homem (II Cor. 5: 20-21, 15: 18-19, Rm 5:10) O substantivo (Katallagé) refere a ambos (Rm 5: 11, 11: 15, II Cor. 5: 17-19). Sanders nota os seguintes pontos em relação à reconciliação:

a) Reconciliação é totalmente passado. Refere-se ao que foi feito na cruz.

b) Reconciliação refere ao pecado como transgressão humana. O homem rompe a relação com Deus e Deus reconcilia o homem a Ele mesmo.

c) Reconciliação é totalmente a obra de Deus. O homem não faz nada para efetuá-la, apenas a recebe.

7. Justificação. O sentido de justificação se utiliza para descrever a entrada da vida nova em Cristo.

8. Participação na família de Deus. Paulo utiliza o conceito de adoção a família de Deus para descrever a transferência a nova vida em Cristo.

Os conceitos de adoção e parentezco descrevem a trasferencia (Rm. 8; 15; 9: 4/ Gl. 4: 5/Ef. 1: 5). A adoção é um conceito romano. Alguém poderia adotar um filho sem importar a sua idade. O propósito não era de ter outro filho, mas de passar a autoridade e propriedade a outro.

APÊNDICES

N.º 1

Rudolph Bultmann



O NOVO TESTAMENTO E MITOLOGIA

O elemento mitológico na mensagem do NT e o problema da sua reinterpretação
A. O PROBLEMA

1. A Vista Mitológica do Mundo e o Evento Mitológico da Redenção

A cosmologia do NT é essencialmente mitológica em seu caráter. O mundo se vê como estrutura de três níveis, o mundo é o centro, o céu é acima e outro mundo, abaixo. O céu é a morada de Deus e dos seres celestiais – os anjos. O outro mundo é o inferno, o lugar de tormento. O mundo é mais que a cena dos eventos naturais e diários das voltas triviais e tarefas comuns. É cena da atividade sobrenatural de Deus, seus anjos de um lado e Satanás e seus demônios no outro lado. Essas forças sobrenaturais intervêm na natureza e no que o homem, pensa, quer e faz. O homem está no controle de si mesmo, mas espíritos maus podem possuí-lo, Satanás pode inspirá-lo com pensamentos maus. Alternadamente, Deus pode inspirar e guiar seus pensamentos e propósitos, dar visões celestiais, dar poder sobrenatural do Espírito. Na história não segue um curso contínuo, mas se começa e se controla por esses poderes sobrenaturais. Esta época é cativada por Satanás, pecado e morte e busca seu fim. Começa com os ais dos últimos tempos. Depois, o juízo vem com o Juiz do Céu, os mortos se ressuscitam e os homens entram na salvação eterna ou a perdição.

Este é o visto mitológico do NT pressupõe quando apresenta a redenção, a qual é o sujeito de sua pregação. Proclama em sua linguagem de mitologia que o último tempo tem chegado. “Na plenitude do Tempo”, Deus mandou seu Filho, que veio como homem, morreu a morte de um pecador na cruz. Sua ressurreição retrata o principio da catástrofe cósmica. Morte, a conseqüência do pecado de Adão é anulada e as forças demoníacas são privadas de seu poder. O Cristo ressurreto é exaltado a destra do Pai nos céus (At. 1: 6; 2: 23; Rm 8: 34) e se faz Senhor e Rei (Fl. 2: 9-11; I Cor 15: 25). Vem outra vez entre as nuvens dos céus para cumprir a obra da redenção (I Cor. 15: 23) O pecado, sofrimento e a morte serão anulados.

Todos aqueles que pertencem a Igreja de Cristo e são unidos ao Senhor pelo batismo e a eucaristia, estarão seguros de ressuscitar a Salvação (Rm.. 5: 12, I Cor.15: 21) . Os cristãos já gozam de sua salvação, porque o Espírito tem dado testemunho de sua adoção como Filhos de Deus (Rm. 8: 14/4:6) e garantindo sua redenção final (Rm. 8: 11)


2. A vista mitológica do Mundo Antiquado

Tudo isso na linguagem de mitologia e origem dos vários temas pode tratar a mitologia contemporânea do Apocaliptiscismo judaico e os mitos de redenção do gnotiscismo. A este ponto o Kerigma não é crido pelo homem moderno, porque é convencido que a vista mitológica do mundo é antiquada. Esperamos que as pessoas aceitem não apenas a mensagem do evangelho, mas a cosmovisão mitológica do mundo envolvida nesta mensagem.

A pregação cristã pode esperar que o homem moderno aceite a vista mitológica do mundo como verdade? Fazê-lo seria sem sentido e impossível. Seria sem sentido porque não há nada especificamente cristã na cosmovisão do mundo em si. É apenas a cosmologia de uma idade pré-científica. Seria impossível, porque não há homem que aceite a cosmovisão por sua própria vontade, porque já é determinada por ele, pelo seu posto na história. Claro que uma cosmovisão não é impossível alterar e o indivíduo pode contribuir a esta mudança. As descobertas de Copérnico e a teoria atômica são exemplos disso.

Pode ser que as verdades que um esclarecimento superficial não poderia perceber são redescobertas depois nos mitos antigos. Teólogos podem perguntar com razão se isso é o que ocorreu no NT. Ao mesmo tempo é impossível ressuscitar uma cosmovisão antiquada por uma ordem religiosa e especialmente é impossível trazer uma cosmovisão mitológica> Todo nosso pensamento é formado pela ciência moderna, se forças a aceitação do NT seria reduzir a fé e obras. Implicaria aceitar uma vista do mundo na fé e religião que teríamos que negar em nossas vidas diárias. Pensamento moderno, na forma que temos adquirido, traz consigo uma crítica da cosmovisão do Novo Testamento.

O conhecimento do homem é o senhorio do mundo tem avançado por meio da ciência e pela tecnologia a tal ponto que já não é possível aceitar o conceito sobre a visão que o Novo Testamento tem sobre o mundo. Ninguém que tem idade suficiente para pensar que se Deus vive em um céu locativo, já não há céu no sentido tradicional. O mesmo se aplica ao inferno que se refere ao mundo debaixo dos nossos pés. Já que as forças e leis da natureza se têm descoberto, não podemos crer em espíritos maus ou bons. Sabemos que as estrelas são corpos físicos cujas emoções são reguladas pelas leis do universo e não são seres demoníacos que escravizam a humanidade a seu serviço. Qualquer influência que tem sobre a vida diária se pode explicar em termos das leis da natureza. A cura de enfermidades é atribuída a causas naturais. Os milagres do NT têm deixado de ser milagres.

A escatologia é inaceitável pela simples razão que parousia de Cristo nunca ocorreu como esperava no NT. A história nunca terminou. Ainda assim, cremos que o mundo como o conhecemos terminará, suspeitamos que o fim vem a tomar a forma de uma catástrofe natural, não uma forma de um evento mitológico como se espera no Novo Testamento. E assim explicamos a parousia em termos da teoria científica moderna, estamos aplicando uma crítica ao NT, seja consciente ou não.

Mas a ciência natural não é a única prova que a mitologia do NT tem de enfrentar. Há um desafio mais sério que se apresenta no entendimento do homem moderno de si mesmo.

O homem moderno enfrenta um dilema curioso. Pode tomar-se como natureza pura ou espírito puro. Neste, ele se distingue a parte essencial de seu ser como parte da natureza. Em todo caso, o homem é essencialmente uma unidade. Ele leva a responsabilidade e inteira por seu próprio sentimento, pensamento e vontade. Ele não é uma vítima de uma dicotomia que lhe expõe a uma interferência de poderes afora de si. Se o seu comportamento exterior e sua condição interior estão de acordo perfeitos, é algo que ele tem ganhado por si mesmo e se outras pessoas pensam que sua unidade exterior se atrapalha por uma interferência divina ou demoníaca, se chama esquizofrenia.

A Biologia reconhece o homem como um ser dependente, esta independência é inseparável da natureza humana e ele necessita apenas entendê-la para poder ganhar outra vez seu domínio próprio e organizar sua vida com uma base racional. Se pensar que o espírito é permanentemente condicionado pelo físico, a parte corporal de seu ser, mas ele distingue e sabe que ele é independente e responsável por seu domínio sobre a natureza.

Em cada caso, o encontra que o que o NT diz em relação ao Espírito e os sacramentos totalmente alheio e incompreensível. O homem biológico não se pode ver como uma entidade sobrenatural que pode penetrar até os seus próprios poderes e começar a fazer a obra em seu interior. O idealista não pode entender como o Espírito pode tocar e influenciar a sua mente. Ainda que esteja consciente de sua própria responsabilidade moral, não pode ver como o batismo nas águas como um misterioso agente de todas ações e decisões. Não pode ver como a comida física pode levar a força espiritual.

Não precisamos examinar em detalhe as várias formas da cosmovisão moderna, seja idealista ou naturalista. A única crítica do NT que tem relevância teológica é aquela que se levanta necessariamente de uma situação contemporânea. Estamos em liberdade, aceitar ou recusar. A única pergunta relevante pelo teólogo é a suposição básica em que se baseia a adoção de uma cosmovisão biológica tal como outra qualquer, ou aquela que tem sido formada pela ciência moderna e a concepção da natureza humana como unidade auto-suficiente que imune à interferência dos poderes sobrenaturais.

Outra vez, a doutrina bíblica que e a morte como castigo do pecado é igualmente detestável ao naturalismo e idealismo, como os dois tomam a morte como um simples processo e necessário da natureza. Para o naturalista, a morte não é problema, e ao idealista é problema por essa razão, em que não se levanta o espírito do homem, mas destrói o ser espiritual. O idealista se encontra em um paradoxo. Em um lado o homem é um ser espiritual e portanto é diferente dos animais e das plantas, mas por outro lado, é prisioneiro da natureza, cujo nascimento, vida e morte são iguais a todos os animais. O homem é sujeito a morte, mesmo antes de haver cometido pecado. E atribuir a mortalidade humana à queda de Adão é uma bobagem total, porque a culpa implica na responsabilidade pessoal e a idéia de pecado original é como uma infecção de herança é irracional e absurdo.

As mesmas objeções aplicam a doutrina da Propiciação. Como pode a culpa de um ser tirado pela morte de outro que não tem pecado, mas como falar de alguém que não tem pecado? Quais idéias primitivas de culpa e justiça implicam? E que idéia primitiva de Deus?

A razão do sacrifício em geral da luz a teria da propiciação, mas ainda assim que a miologia tão primitiva que é um ser divino chega a ser homem e paga pelos pecados de toda humanidade com seu próprio sangue. Ou alguém poderia adotar uma analogia do tribunal e explicar a morte de Cristo como um acordo de Deus e o homem. Mas faria do pecado o assunto legal; seria não mais que uma transgressão de uma ordem.

A ressurreição de Jesus é inconcebível para o homem moderno, implica num evento em que o poder sobrenatural se solta e se pode apropriai por meio dos sacramentos. Ao biólogo, tal linguagem não tem significado, porque na sua concepção, a morte não é vista como um problema. O idealista não teria problemas com a idéia de uma vida imune da morte, mas não poderia crer que tal vida se faz possível pela ressurreição de um morto. Se Deus nos dá a vida assim, sua ação está envolvida em uma forma irreversível da morte da natureza. Tal idéia é inconcebível para o idealista, porque ele pode ver a Deus atuando apenas em sua própria vida e em sua transformação, mas este milagre é totalmente incompreensível.

A influência gnóstica sugere que este Cristo que morreu e ressuscitou não era apenas um homem, mas um Deus-homem. Sua morte e ressurreição não são fatos isolados que trata somente dele. É com muita força que o homem moderno chega outra vez a uma atmosfera intelectual e nunca poderia aceitar porque toma o ser essencial o homem como a natureza e a redenção como processo da natureza. E em relação à pré-existência de Cristo, com a implicação do traslado do homem a um reino celestial de luz e a veste de uma personalidade humana em veste celestial e corpo espiritual – tudo isso não é apenas irracional sem sentido Por que toma esta salvação nesta forma em particular? Por que seria este cumprimento da vida humana e a realização do ser verdadeiro do homem?


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