Teologia do novo testamento



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Crítica

Tal como é intrinsecamente débil é a proximidade de críticos que questionam a validade do único texto que tem para estudar a história de Jesus, assim outras bases da crítica bíblica radical também são débeis. Existem outras áreas que se poderiam denominar crítica que necessariamente formam base para o estudo da Teologia do Novo Testamento. D. Lührmann enfatiza a relação da crítica com a teologia do Novo Testamento quando organiza seu livro sobre o estudo do Novo Testamento ao redor de três deles:

  1. O Novo Testamento que inclui o estudo do modelo, o texto e a natureza da exegese.

  2. teologia histórica que inclui a crítica textual, crítica literária e a substância do Novo Testamento.

  3. teologia exegética que inclui a teologia dialética, crítica de formas e crítica de redação.

Sua combinação de elementos da teologia do Novo Testamento e a crítica bíblica ilustra a inseparabilidade dos dois estudos.

Todavia, as tarefas normais da crítica bíblica radical – a crítica literária e a crítica histórica – não são tarefas apropriadas para o teólogo bíblico. Aqui se rejeita abertamente o ponto de vista de Barth, Lohse e outros. A crítica histórica geralmente sofre as debilidades mencionadas na seção anterior. Dúvida da veracidade de seu maior testemunho a história do tempo do Novo Testamento. A crítica literária corre o perigo de edificar conclusões sobre as bases inseguras de possibilidades. Na crítica literária sempre estamos em perigo inerente a especulação.

Há outros elementos da crítica bíblica que nos ajudam a entender o texto. A crítica textual, por exemplo, nos ajuda a fixar o texto que estudamos. Em passagens como I Cor. 15: 51, o texto deve fixar-se antes de seguir com a análise teológica. A crítica retórica nos ajuda a entender a estrutura dos argumentos bíblicos. As várias perguntas introdutórias tradicionais (feita de composição, lugar de procedência, autor, propósito, etc) podem chegar a ser importante para o entendimento de um livro. Em geral, deve-se informar de várias perguntas da crítica bíblica radical, antes de iniciar o estudo da teologia do Novo Testamento.
1.3.4. Teologia Dogmática

A teologia Dogmática é: aquela disciplina que busca dar uma declaração coerente das doutrinas da fé cristã, baseado primordialmente nas escrituras localizado no contexto da cultura em geral, expresso no idioma contemporâneo e relacionado como os assuntos da vida.

Geralmente inclui a sistematização dos vários dados por algum esquema (filosofia, sociologia, psicologia, etc.) compreensivo em seu contexto histórico. Este esquema pode ser compreensivo ou parcial. Um teólogo que deseja apresentar uma sistematização do corpo total da fé cristã (assim é a Instituição de Calvino ou Dogmática Eclesiástica de Barth) usaria um esquema compreensivo, pretende ser completo. Um teólogo que deseja apresentar uma solução para um problema ou uma falta teológica específica (assim muitas Teologia de Libertação, O Preço do Discipulado de Bonhoffer) usaria um esquema parcial. Não pretende apresentar um corpo completo de teologia. Ambos esquemas dependem da teologia bíblica para prover os dados teológicos elementares para seu estudo.


      1. Teologia Histórica

A teologia histórica é o estudo e análise de várias teologias dogmáticas que tem se apresentado historicamente. Sendo assim, a teologia histórica estuda a forma em que a igreja em várias idades tem relacionado às escrituras com a sua própria situação histórica. Depois analisa essas formas respeito a sua fidelidade a Palavra de Deus, já que as várias formas formam o fundamentam histórico da teologia dogmática atual. Assim a teologia histórica é a base para a teologia dogmática. A teologia histórica inclui o estudo das bases históricas da teologia dogmática (a teologia dogmática procura identificar com posições teológicas históricas). Mas também a teologia histórica desenvolve o estudo das várias teologias dogmáticas da igreja em suas distintas épocas.
1.4. Definição da Teologia Bíblica

Havendo examinado a definição de teologia, os vários sentidos dados ao termo teologia bíblica e a relação entre teologia bíblica e outras disciplinas teológicas, estamos em condições de definir o termo teologia bíblica.

A teologia bíblica é aquela disciplina que busca sintetizar e resumir a revelação divina expressa nos textos bíblicos ou uma parte, entendidos a luz da história e cultura do receptor inicial e expresso de forma coerente e compreensivo para o leitor moderno.

A teologia bíblica então, sistematiza a revelação divina dos textos bíblicos. Isto implica um sistema de organização coerente e compreensivo. Não há um acordo comum quanto ao sistema de organização na teologia bíblica, mas a necessidade de algum sistema é reconhecida. Os dois esquemas utilizados geralmente são o esquema histórico e esquema temático. Se a revelação de Deus ocorre através dos tempos históricos, a teologia do Novo Testamento deve também incluir pelo menos uma descrição histórica.

A teologia bíblica se baseia radical e concretamente na Bíblia como revelação e inspiração de Deus. Nesse sentido a teologia bíblica é normativa. A teologia bíblica reconhece que a revelação da Bíblia é diversificada. Cada autor tem um aspecto histórico distinto que enfatiza pontos teológicos distintos. Mas a teologia bíblica também reconhece que a inspiração de Deus é constante e consistente. A teologia bíblica, uma vez que é abrangente, deve ser unificada por “colunas” teológicas imutáveis. A diversidade da teologia bíblica corresponde exclusivamente ao veículo de expressão da teologia no Novo Testamento. A unidade da teologia contida no Novo Testamento corresponde ao conteúdo da teologia bíblica. Para expressá-lo em forma positiva, o conteúdo teológico é permanente, porém a formas histórica de expressão é temporária. A tarefa do teólogo bíblico é distinguir entre o conteúdo teológico e sua forma de expressão.

A diversidade e unidade bíblica criam um problema para o teólogo bíblico. A proximidade teológica resolve o problema não enfatizar a diversidade dos conteúdos teológicos de cada autor. Uma proximidade histórica – descritiva não pode resolver o problema assim. Deve buscar algum “centro” para a teologia bíblica. Este “centro” chega ser a coluna principal de imutabilidade na teologia bíblica, da qual todas as demais teologias bíblicas dependem. Nisso encontramos também uma das diferenças entre teologia bíblica e teologia dogmática. A teologia dogmática aceita as conclusões imutáveis. A teologia dogmática está interessada no fim da teologia bíblica, no conteúdo teológico imutável.

A teologia bíblica parte da intenção do teólogo de descrever o que o texto quer dizer, e o que não quer dizer. Aí reconhecemos a proximidade hermenêutica do teólogo bíblico tem que tratar os três níveis, o que o autor quis expressar, o que os receptores entenderam e o que o texto significa para os dias de hoje, a teologia bíblica está interessada exclusivamente nos dois primeiros níveis. O terceiro nível pertence a teologia dogmática.

1.5. Hipóteses Teologia do Novo Testamento

Hipóteses não são facultativas. Bultmann indicou em seu artigo “Existe exegese sem hipóteses?”. Mas Bultmann não vê nenhuma possibilidade de que o homem mude ou escolha suas hipóteses. O homem deve simplesmente reconhecer e aceitar suas hipóteses. Proximidades tradicionais têm procurado ingenuamente eliminar as hipóteses. Bultmann argumenta corretamente que isso é impossível. Mas não considera a possibilidade de aceitar conscientemente certas hipóteses que estejam de acordo com a natureza do estudo da teologia do Novo Testamento. As hipóteses são adquiridas da cultura, a educação e a criação de um indivíduo. Já que são adquiridas, deve ser possível também modificá-las. O estudo da Teologia do Novo Testamento depende parcialmente das hipóteses desde as quais partimos. Neste capítulo, procuramos detalhar as hipóteses que devem dirigir nosso estudo. Tratamos de escolher hipóteses que estão de acordo com a natureza do Novo Testamento.

As hipóteses que temos em cinco áreas em nossas proximidades a teologia do Novo Testamento influenciam nossas conclusões. As hipóteses nessas áreas podem ser expressas em termos de tensões inerentes no estudo da teologia do Novo Testamento.
1.5.1. Hipóteses


  1. O teólogo bíblico pode partir de um ponto de vista objetivo ou subjetivo. Toma a decisão frente à tensão entre a fé e a objetividade.

  2. Pode utilizar-se um meio de sistematização descritiva ou temática na elaboração de sua teologia do Novo Testamento. Toma uma decisão de enfatizar a unidade ou diversidade da teologia do Novo Testamento. O método descritivo enfatizará a diversidade. O método temático enfatizará a unidade.

  3. Pode fixar uma meta descritiva ou normativa para a sua teologia do Novo Testamento.

  4. O conteúdo de sua teologia do Novo Testamento pode partir desde os atos do Novo Testamento ou desde as confissões no Novo Testamento. Esta tensão também reflete a tensão entre Historie e Geschchite no Novo Testamento.

  5. E por último, o teólogo do Novo Testamento deve resolver a tensão que existe entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Pode enfatizar sua continuidade ou diversidade.

1.5.2. Tensão do ponto de partida

Parte do debate entre W. Wrede e Schlatter eram o ponto de partida do teólogo bíblico. Wrede considera que um cristão e um não cristão podem igualmente produzir uma teologia do Novo Testamento. Schlatter considera que para fazer uma teologia do Novo Testamento, um deve partir do mesmo ponto de partida de fé dos autores do Novo Testamento. Em certo sentido, o debate trata de responder a tensão entre objetividade e subjetividade. A resposta de Stendahl – que o crente procure ser objetivo e que o incrédulo procure ter empatia com o crente do primeiro século – pede que o teólogo possa negar seu próprio ponto de partida por conscientemente enfatizar seu lado oposto.

A objetividade é uma meta de alcance para o teólogo bíblico? E se for o alcance? É desejável? Nossa resposta depende de nossa epistemologia. Como se chega à compreensão de algo? Quando o que estudamos é objeto de algo material, o estudo pode ser objetivo (que é objeto? De que se compõe?etc). Mas quando o objeto de estudo é uma pessoa, sai da área totalmente objetiva. Não podemos entender uma pessoa sem entender seu pensamento, sua auto-reflexão, etc. A comunicação vem a ser um passo prévio absolutamente necessário para poder atender as pessoas. O homem, como objeto de estudo, é a vez objeto e sujeito.

Se aceitarmos o conceito bíblico da personalidade de Deus, não podemos estudá-lo como um simples objeto. Apenas podemos entender a Deus em sua relação com o homem. Deus não pode ser estudado de uma forma materialista ou na forma objetiva. O estudo da teologia (a palavra que se refere a Deus) vem a ser um estudo subjetivo. É um estudo da revelação – a forma através da qual Deus se faz conhecido pelo homem. A revelação que temos não em forma dogmática, mas em forma histórica/vivencial. Deus se revela ao homem em sua relação com ele e não através de declarações dogmáticas sobre sua natureza.

O princípio da hermenêutica que “a melhor interpretação do texto procura entender o texto dentro do contexto em que foi dado”, conduz a posição de que é melhor interpretar o texto bíblico desde a fé cristã. Ainda que a objetividade seja uma meta de estudo do texto, não deve ser uma objetividade que separe a exegeta do texto ou de sua relação com Deus.


1.5.3. Tensão do meio de sistematização

O teólogo bíblico tem que escolher entre os vários métodos de sistematização de sua teologia do Novo Testamento mencionados no capítulo anterior, ou fazer um novo método. Essencialmente a seleção do método será determinada pela hipótese do teólogo, quanto a natureza básica da unidade ou da diversidade, o método usado será o descritivo. Se existe unidade em diversidade, o método usado será o misto ou alternativo.

Longenecker insiste na unidade entre expressões diversas da Teologia do Novo Testamento. A diversidade é a o resultado da ação histórica de Deus em uma variedade de situações. A capacidade de compreensão do homem, a expressão circunstancial da revelação e o contexto histórico-cultural no qual o texto foi escrito determinam a diversidade da teologia do Novo Testamento. Todavia, existe uma unidade orgânica da essência do Kerigma do Novo Testamento. O Novo Testamento “debate desde a plataforma em seus vários pontos”.

Podemos notar que um dos pontos principais dos ensinos de Jesus é o conceito do Reino de Deus. Em Paulo, o vocábulo aparece poucas vezes, predominando o conceito de justificação. Este vocábulo pouco aparece nas palavras de Jesus, João enfatiza a fé em Cristo. Todavia, estes três vocábulos, mesmo que diversos em suas expressões, são meramente diferentes para explicar a Soteriologia. Os evangelistas escreveram uma audiência que tem algo de conhecimento da terra da Palestina e tem o propósito de descrever a vida de Jesus. Por isso usam o termo que Jesus usou – Reino de Deus. Paulo e João escreveram sobre pessoas que não compartilham esse conhecimento e aos quais o vocábulo “Reino” pode levar a conceitos autocráticos e burocráticos. Portanto, expressa o mesmo conceito através de vocábulo mui distinto. Longenecker insiste que reconheçamos a “expressão circunstancial” do Novo Testamento.

Vários teólogos têm tentado definir o centro da Teologia do Novo Testamento. Bultmann apresenta a antropologia como o centro. Cullmann diz que o centro da teologia do Novo Testamento é a Heilsgeschichte. Kümmel e Lohse dizem que é a Cristologia. Käsemann busca o centro da teologia paulina em seu conceito de justificação. Outros centros que se tem sugerido são: o pacto, o reino e o reinado de Deus e sua comunão com o homem e a promessa. Outros têm rejeitado a possibilidade de organizar toda a teologia do Novo Testamento em termos de um conceito cêntrico. A advertência de Culmann é valiosa. Devemos cuidar de impor um centro sobre a teologia do Novo Testamento. Devemos observar que o mesmo Novo Testamento apresenta como centro, para depois interpretar os vários temas do Novo Testamento desde esse centro.
1.5.4. Tensão da meta da Teologia do Novo Testamento

Quando alguém escreve uma teologia do Novo Testamento. O que busca? Qual é a sua meta? Existem duas opções, responder a pergunta: que significou? Ou responder: o que significa? Alguém pode buscar simplesmente descrever o conteúdo teológico da revelação do Novo Testamento, ou alguém pode interpretar esse conteúdo para a experiência do leitor moderno.

Childs, através do movimento moderno de teologia bíblica busca desenvolver uma teologia bíblica normativa. O texto bíblico é “uma testemunha do propósito divino de Deus”. A teologia do Novo Testamento deve ir atrás do nível de testemunha do texto a encontrar a realidade do propósito de Deus. Assim que a teologia bíblica não pode fazer-se através de um método descritivo somente. O método descritivo não pode ir atrás do texto para encontrar o propósito de Deus.

Em outras palavras, “a pergunta do que o texto significou e o que significa são inseparáveis e ambas pertencem à tarefa de interpretação da Bíblia como Escritura”.

Stendahl rejeita a normatividade da teologia bíblica e insiste na sua tarefa descritiva e que os textos bíblicos nos levam mais além de si mesmos a uma compreensão do propósito de Deus. Mas a tarefa de ir mais além do texto nos é uma tarefa do teólogo bíblico. Esta tarefa normativa pertence à teologia dogmática.

A. Dulles levanta a questão sobre a separação radical de “o que a Bíblia significou” e “o que a Bíblia significa” Tanto um com o outro são normativos. Isso levanta a pergunta sobre a normatividade da Bíblia para os antigos leitores. Se era normativo para eles, “quando deixou de ser normativo?” A teologia do Novo Testamento pode ter um valor normativo com base na normatividade do que significou o texto?

A questão, todavia, confunde revelação com teologia. A revelação do Novo Testamento era normativa. A revelação não deixa de ser para nós uma revelação, mas para o leitor que sai do contexto histórico e cultural do Novo Testamento, essa revelação requer interpretação. Essa interpretação é a tarefa posterior de organizar essa interpretação em ordem lógica para o leitor moderno, é a teologia do Novo Testamento. O conteúdo da teologia do Novo Testamento possivelmente terá uma força normativa para o teólogo e o estudante trata da revelação normativa de Deus. Todavia em nosso esquema, a teologia tem um rol preparatório para a teologia dogmática, mas é o teólogo dogmático que tem a responsabilidade de aplicar a teologia bíblica ao leitor moderno.
1.5.5. Tensão da natureza do texto

O conceito de M. Kahler sobre a diferença entre Historie e Geschichte se aplica também à teologia do Novo Testamento. O que um pensa da historicidade essencial dos eventos descritos no texto determinará em parte da conclusão teológica em parte a conclusão teológica a qual nos é chegado. Pr exemplo, em fazer uma teologia bíblica do Livro de Atos, se um rejeita a historicidade dos eventos, não são uma fonte aceitável para elaborar teologia bíblica. O teólogo se limita a estudar o conteúdo dos sermões. Mas se um aceita a historicidade essencial dos eventos como o conteúdo teológico dos discursos podem ser fontes para a teologia bíblica de Atos.

Foi mencionada acima a importância de uma proximidade a teologia bíblica que reconhece a relação de Deus com o homem. A revelação histórica de Deus é à base de sua compreensão e sua revelação ao homem. Deus é entendido em Israel sempre em sua relação com o homem. É o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de Davi. O fato histórico é a chave nessa revelação, os atos são eventos constitutivos da história de Israel e da teologia do Novo Testamento. Se Deus não tem sido revelado nesses eventos, não há conhecimento de Deus, e não há revelação. Se os eventos não aconteceram, não há revelação.

O contexto cultural do Antigo Testamento apresenta um ambiente anti-histórico, nas religiões cananeas predomina o mito. A cosmovisão destas religiões tem a ver com a vida em termos de ciclos. Os mitos apresentam uma imagem dos deuses que se resume sob quatro características: politeísmo, o caráter humano dos deuses, a criação do mundo de matéria dos deuses e a impessoalidade e o capricho dos deuses. O Antigo Testamento apresenta um só Deus, cujo caráter ético é um exemplo para os homens. A criação do mundo é ex nihilo Deus não está dentro, mas separado, distante da natureza. Atua na história. Por isso, Israel desenvolve um interesse em escrever história em termos lineares.

O contexto histórico do Novo Testamento apresenta os contextos culturais a-históricos também. O mundo helênico tende a ser platônico e universalista, tem pouco interesse na história. O mundo judeu estava interessado na lei e suas afirmações, já não tinha interesse em relação à história. Tanto a revelação do Antigo Testamento como a revelação do Novo Testamento se deu em contextos não históricos, mas eram concretamente baseados na história. Isto é parte da novidade da Bíblia.

A diferença entre Historie e Geschichte reflete a diferença entre vários teólogos do Novo Testamento que buscam partir não desde os Atos do Novo Testamento, como os atos explicados no Jesus históricos, mas desde a reflexão teológica do Novo Testamento expressa nas confissões da Igreja Primitiva. Von Rad descreve a tarefa da teologia do Antigo Testamento como a organização e apresentação das tradições de Israel. Assim, problemas são evitados implicados em um ataque ou defesa da historicidade dos eventos dos quais são tratados pelo Velho Testamento. Bultmann toma uma posição semelhante partindo de um pessimismo sobre a historicidade dos eventos do Jesus histórico. Hunter também baseia sua teologia do Novo Testamento nas confissões da Igreja, partindo sob a ótica de um otimismo sobre a historicidade dos eventos históricos do Novo Testamento.

A diferença entre a escrita do Velho e Novo Testamento com a literatura, indica que um dos propósitos dos autores bíblicos era escrever a história. Como disciplina nova a historiografia dos antigos não corresponde em todo aspecto a historiografia moderna. Todavia, é óbvio que os autores do Antigo e Novo Testamento escreveram com o propósito de que seus escritos fossem aceitos e cridos como história. A teologia do Novo Testamento deve então, conformar-se a natureza do Novo Testamento e aceitar a historicidade essencial dos atos ali registrados.
1.5.6. Tensão entre AT e NT.

Nota-se uma diferença entre as proximidades a teologia do Antigo Testamento e a teologia do Novo Testamento. Ass teologias do Antigo Testamento tendem a ser mais descritiva, por outro lado, as teologias do Novo Testamento tendem a ser confessional. É em parte um resultado da natureza do Velho e do Novo Testamento.

Mil anos de história e reflexão teológica e a diferença entre os vários níveis de compreensão teológica do início de sua história e o final do período velho testamentário requer que a teologia do Velho Testamento seja primordialmente uma ciência descritiva. O Novo Testamento tem menos tempo em sua história e para uma reflexão teológica. Assim a teologia do Novo Testamento pode ser confessional. Vários teólogos do Antigo Testamento notam a importância da relação do Velho Testamento com o Novo Testamento.

Historicamente, há três posições da relação do Antigo e Novo Testamento.



  1. A escola Marcionita via uma descontinuidade total entre o Antigo Testamento. Para Marción, a lei é o resultado da revelação do demiurgo de obscuridade, Yahweh. A lei é má. O evangelho vem do verdadeiro Deus de luz, Jesus. Por isso Marción tirou do cânon tanto do Antigo Testamento como suas referências no Velho e no Novo Testamento, quase a ponto de excluí-lo do cânon cristão. Bultmann disse “para a fé cristã, o Velho Testamento deixou de ser revelação como tem sido e todavia é para os judeus”.

  2. A escola de Alexandrina, com seus personagens principais como Clemente de Alexandria e Orígenes, une a lei ao Evangelho, vendo uma identidade de substância entre o Velho e Novo Testamento. Orígenes utiliza um método alegórico de interpretação, e assim trata o Antigo Testamento. Tradicionalmente, a escola Alexandrina distingue entre v_ μος e v_ μος. N­_ μος é o princípio ético da lei, v_ μος é a lei mosaica. Tertuliano distingue entre a lei cúltica e a lei moral. Cristo cumpre a lei moral, mas aprova a lei cúltica. A única diferença entre o Velho e o Novo Testamento é o tempo. As substâncias principais de suas idéias são iguais.

  3. A escola antioquina com seus protagonistas Inácio e Teófilo rejeitou a hermenêutica de alegorização que propunha Orígenes. Como os judeus não aceitavam uma diferença entre a lei cúltica e a lei moral, os antioquinos argumentavam que Paulo tampouco o faria. Enfatizavam o desenvolvimento do Velho Testamento até o Novo Testamento. Disseram que era necessário entender o Velho Testamento para poder entender o Novo Testamento. Brunner disse que a história do Pacto em Israel nos conduz a cruz e a um novo pacto atualizado em Jesus Cristo.

Em resumo, os Marcionistas limitam a sua teologia bíblica ao Novo Testamento. Os alexandrinos procedem desde o Novo Testamento até o Antigo Testamento, buscando reinterpretar o Antigo Testamento a luz da revelação em Cristo. Os antioquinos procedem desde o Velho Testamento até o Novo Testamento, buscando entender o Novo Testamento desde o fundo histórico e teológico do Velho Testamento. Expressos em termos aplicáveis ao nosso estudo devem responder a essa pergunta: Até que ponto a teologia do Antigo Testamento é uma base para a Teologia do Novo Testamento? E se for a base, como devemos proceder? Desde o Velho até o Novo Testamento ou desde o Novo até o Velho Testamento?

Quando Paulo apresenta seu entendimento do Antigo Testamento e a lei, sempre fala em termos respeitosos . “A lei é boa, santa e justa” (Rm. 7:7, 12, 14), mas agora, “somos livres da lei” (7:6). Em Rm 10:4, Paulo disse “Mas Cristo é o fim da lei para a justificação de todo aquele que nele crê” Cristo não põe o fim da lei para a justificação em termos gerais, mas que põe fim à lei como sistema de justificação. O homem do tempo do No Novo Testamento é salvo pela fé em Cristo, não segundo o sistema de sacrifício do Velho Testamento.

Longenecker sugere que um uso da lei no tempo do Novo Testamento é como o pedagogo. Gl. 3:19;4-7 apresenta a lei como pedagogo. O pedagogo é um escravo que servia para treinar uma criança em seu desenvolvimento moral. Longeneker sugere que Paulo vê a lei como instrução moral na vida de um crente. A escola antioquina apresentou três usos da lei. O primeiro uso da lei é para salvar, um conceito velho testamentário revogado no Novo Testamento. O segundo uso da lei era como preparação para o Novo Testamento. Positivamente nos prepara para o Novo Testamento. Negativamente, nos condena e nos leva a buscar a Deus. O terceiro uso da lei é como guia moral (teonomia). Longenecker sugere que o Antigo Testamento como sistema de justificação seja revogado. Mas o Velho Testamento como revelação divina, como instrução (Tora), e como guia moral.

Uma das diferenças básicas entre o Antigo e o Novo Testamento é a substância e a ocasião de revelação em ambos. Em Hebreus 1:1-2, o autor apresenta uma diferença entre a ocasião e o meio de revelação no Velho e no Novo Testamento. A diferença entre a primeira parte (revelação no Antigo Testamento) e a segunda parte (revelação no Novo Testamento) é significativa. O uso do mesmo verbo em ambas as partes da oração indica que a essência de revelação (revelação de Deus falando ao homem) é idêntica no Velho Testamento e no Novo Testamento. Ambas declaram ser a Palavra de Deus. As diferenças indicam as mudanças na ocasião da revelação (não de muitas formas e em muito tempo) no tempo da revelação (não aos pais sim a nós), e no meio da revelação (já não por profetas, mas pelo Filho).

Há uma diferença no tempo de revelação. O autor diz que a revelação de Jesus era no “os últimos dias”. Não é uma fórmula escatológica, mas uma referência ao tempo do Antigo Testamento, assim também há uma diferença entre os destinatários. Já os recipientes não são os nossos pais, mas nós mesmos. Experimentamos o gozo destas palavras.

Talvez a diferença mais importante tem a ver com o meio de revelação no Novo Testamento. No Velho Testamento, confirma este ponto de vista que colocava a revelação do Antigo Testamento na boca dos profetas (Ef. 2:20; I Pd. 1;10-12; II Pd. 1:19-21). Devemos entender o que nos fala o restante do trecho de Hebreus 1, nesse sentido, traduzindo o termo γγελος por Anjo, e as vezes por mensageiro (profeta). Cristo é melhor que o mensageiro do Antigo Testamento, melhor que Moisés (Hb. 3:1-6) e por isso, a revelação do Novo Testamento é a melhor que a do Antigo Testamento.

O autor da impressão que a revelação do Antigo Testamento pode admitir uma revelação progressiva, enquanto que a revelação do Novo Testamento é completa em Cristo. Assim mesmo, as epístolas são consideradas a palavra de Deus, pelo menos na forma que se consideram que são interpretações de Jesus. Hb. 10:1 fala da natureza do Velho Testamento. “A lei tendo a sombra dos bens vindouros, não a mesma imagem das coisas”. O Velho Testamento é a sombra. Três vezes das sete que ocorre no Novo Testamento, “sombra” refere ao Velho Testamento (Col. 2:17 “tudo é sombra do que há de vir”; e Hb 8:4-5: “Os quais são figuras e sombra das coisas celestiais”). O Velho Testamento é sombra do Novo Testamento. Deve-se entender em termos positivos.



Assim o Velho Testamento contém revelação progressiva e deve levar em conta esse desenvolvimento no processo de elaboração de uma teologia do Velho Testamento. O Novo Testamento não contem uma progressão na revelação, mas que existe uma unidade na revelação do Novo Testamento. Qualquer diferença, deve-se entender em termos das circunstâncias diferentes dos recipientes da revelação, ou de maior precisão na descrição de alguns conceitos teológicos. Mas a revelação do Novo Testamento não muda. Parece então que o Novo Testamento responde a nossas perguntas sobre a relação do Antigo ao Novo Testamento, nossa proximidade ao Novo Testamento não deve ser anacrônica. Não devemos impor uma compreensão neotestamentária sobre o Velho Testamento. O procedimento correto é partir desde a compreensão teológica do Velho Testamento até uma compreensão teológica do Novo Testamento.

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