Teologia do novo testamento



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Reações Conservadoras

Em meados do século XIX, as bases racionalistas das aproximações anteriores foram atacadas por distintos conservadores. M.F.A Lossius e D.L. Cramer não recusaram o efeito histórico da teologia do Novo Testamento, mas o enfocam. Recusam a crítica radical das tradições do Novo Testamento e buscam unir a teologia dogmática com a teologia bíblica. L.F.O. Bauumgarten-Crucius voltou a unir os testamentos reconheceu a validade da interpretação gramático-histórica, mas atacou a crítica deísta da religião e influência da teologia bíblica.. Sugeriu que a unidade do Antigo Testamento e o Novo Testamento está em seu tema comum – O reino de Deus. E. W. Hengestenberg argumentou contra a validade do método histórico-crítico e também uniu os dois testamentos.

G.F.Oehler abriu outra vez o questionamento da metodologia da teologia do Antigo Testamento. Recusou a depreciação do Velho Testamento de F. Scheleiermacher e a uniformidade do Velho Testamento e Novo Testamento, mas aceitou diversidade nessa unidade. A teologia do Antigo Testamento é


Uma ciência histórica que se baseia na exegese gramático-histórica, cuja tarefa é reproduzir o conteúdo dos escritos bíblicos segundo as regras de idioma sob a consideração das circunstâncias históricas durante as quais, os escritos se originaram e também as condições individuais dos escritores consagrados.
Preferiu exegese gramático-histórico ao método crítico-histórico e buscou o desenvolvimento histórico da religião do Antigo Testamento.


    1. Influências Hegelianas

Dentro do esforço por reproduzir uma teologia bíblica puramente histórica, alguns viram a teologia de G. W.F. Hegel (1770 – 1831) como ferramenta hermenêutica. Hegel considerou que Deus se manifesta nos grandes movimentos da história.
Deus é amor, de modo que mesmo a negação e oposição são historicamente necessárias entre teses e antíteses, também reconciliação através da síntese é sempre essencial.

W.Vatke reconheceu o valor da aproximação racionalista a teologia bíblica, mas considerou que era insuficiente em si. O propósito da teologia do Velho Testamento é “apresentar o movimento vivo dos maiores elementos da religião bíblica, a saber, seu conceito, seu parecer subjetivo e histórico, sua idéia”. Devia organizar o conteúdo da teologia do Velho Testamento, não com base nas características derivadas da Bíblia, mas em algo imposto fora da Bíblia. Adota a filosofia hegeliana da história, identificando uma tese (religião natural), antítese (religião hebraica), e síntese (cristianismo).

F.C.Baur apresenta o resumo da história do Novo Testamento no mesmo sentido de tese (partido petrino), antítese (partido paulino) e síntese (a igreja católica primitiva). A aproximação hegeliana de Vatke e Baur enfatizou mais uma compreensão do desenvolvimento histórico da religião primitiva, ilustrado através da Bíblia em vez de buscar a descrição da teologia bíblica. Localiza a teologia bíblica firmemente no âmbito da História.
2.4.1. A reação contra o Hegelianismo

Além das reações críticas de Lightfoot, Westcott e Hort a escola Tübingen, B. Weiss reagiu à carência da ênfase sobre a teologia bíblica uma disciplina descritivo-histórico, não uma disciplina histórico-crítica. Afirma que “a teologia bíblica do Novo Testamento tem que descobrir a variedade de formas de ensino dos seus escritos”. A melhor ajuda para elaboração de uma teologia do Novo Testamento é a mesma metodologia que emprega, que deve “seguir as regras de interpretação gramático-histórica”. Busca-se interpretar de cada autor, “como cada autor compreenderia a si mesmo”, em vez de impor sistemas filosóficos ou dogmáticos sobre o Novo Testamento. H.G.E. Ewald também contribuiu com uma teologia bíblica nesse período, que destacou os dois enfoques da revelação bíblica, o ensino e a história. História era o lugar onde o ensino foi dado e assim o teólogo bíblico devia trazer o desenvolvimento histórico do ensino. Mas também a história faz valer o conteúdo deste ensino.


2.4.2. Ritschl

A. Ritschl ensinou durante 16 anos na Universidade de Bonn e depois passou a ser professor de Teologia Dogmática na Universidade de Göttingen. Ali escreveu a maioria de suas obras teológicas. O centro da teologia dogmática para Ritschl é a justificação. O cristianismo tem dois enfoques: na pessoa de Jesus Cristo (O Justificador) e a Igreja (os justificados). Ritschl distinguiu entre juízos baseados em fatos e valores. Recusou toda personalidade de conhecimento metafísico objetivo. A Religião não pode ser entendida com base objetiva (fatos), mas pela compreensão que vem através da fé. Qualquer declaração teológica deve ser entendida como juízo baseado em valores, não como uma descrição da realidade objetiva. Assim a divindade de Cristo não pode ser mostrada objetivamente, mas é compreendida pela fé da igreja, e não necessitamos de uma teoria de inspiração para compreender a Bíblia. A Bíblia é entendida através de uma investigação puramente histórica e indutiva. A revelação é dada ao homem através de Jesus Cristo e não através de nenhum livro. A Bíblia é não é senão um livro que dá testemunho da revelação em Cristo. O Novo Testamento é mais importante que o Velho Testamento, porque fala da pessoa de Jesus Cristo. O Velho Testamento apenas tem um valor que provê um entendimento do fundo histórico para a vida de Jesus.


2.4.3. Reemplantamento conservador da Aproximação Histórica

Em meados do século XIX surge a escola Heilsgeschichite, associado com G. Menken, j. t. Beck , J.A. Bengel e J.C.K. Hofmann encontram na Bíblia o registro das ações redentoras de Deus buscando redimir a humanidade. Esta escola, também chamado a Escola Erlangen, aceita a inspiração e autoridade da Bíblia. A tarefa da Teologia bíblica é encontrar o lugar de cada autor na história da salvação.

G. Oehler notou que a Bíblia não continha apenas seções didáticas, mas seções narrativas e históricas. Uma teologia do Velho Testamento devia mostrar a unidade entre o didático e histórico, o teólogo não poderia desconfiar desta história “a coisa que se cria era também a coisa que ocorreu historicamente”. A revelação do Velho Testamento era uma revelação gradativa e progressiva. Assim a teologia do Velho Testamento deve descobrir o desenvolvimento da religião como é expresso no cânon do Antigo Testamento.

H. J. Holtzmann segue a metodologia de Baur, sem aceitar as suas conclusões. Segue sua apresentação conhecida como Lehrbegriff (conceitos de doutrinas). Começa com um resumo histórico de ensino ético de Jesus e depois traz o desenvolvimento deste ensino através dos vários autores do Novo Testamento.

T. Zahn não considerou a teologia do Novo Testamento como um sistema de religião, mas como a apresentação da teologia contida na Bíblia que deve ser apresentada em seu desenvolvimento histórico e organizada segundo o esquema da história de salvação.

J.B. Lightfoot, B.F. Westcott e F.J.A.Hort procuraram apresentar uma série de comentários sobre os livros do Novo Testamento. Fixaram um dos princípios gerais que deveriam dirigir esta tarefa. Um comentário do Novo Testamento deve ser crítico baseado no texto grego mais aceitável. Deve ser lingüístico, aceitando a tarefa necessária da investigação filológica do significado de palavras e orações. Deve ser histórico relacionando cada livro a história e a cultura. Deve ser exegético explicando o significado das palavras que foram escritas nos primeiros livros e seus primeiros leitores. Deve ser de fé em fé (Rm. 1:17) – o autor do comentário deve compartilhar a fé do autor e deve utilizar sua fé na interpretação do Novo Testamento.

A. Schlatter se localiza no movimento geral da História de Salvação, mas inclui um elemento importante, argumenta que o teólogo que procura iniciar seu estudo do Novo Testamento em uma forma neutra o inicia em conflito com o Novo Testamento. O Novo Testamento se apresenta esperando que venhamos a crer e o teólogo que se aproxima do Novo Testamento deixando de lado o elemento de fé, converte sua teologia do Novo Testamento em uma polêmica em oposição ao Novo Testamento. O teólogo do Novo Testamento deve ser sensível à investigação histórica, porque a história é o terreno da relação entre Deus e o homem. Uma teologia do Novo Testamento é uma preparação para uma teologia dogmática. Schlatter escreveu sua teologia do Novo Testamento e depois a teologia dogmática (1911).


    1. Liberalismo

O liberalismo como um programa teológico, teve seu auge nos últimos anos do século XIX. Os conservadores estavam interessados em sua maioria em reagir contra o liberalismo. O programa do liberalismo buscava interpretar a religião do Novo Testamento para a idade moderna e teria que rejeitar a crença religiosa que baseava exclusivamente na autoridade.


      1. Rejeição da Teologia Bíblica

A preferência do liberalismo pelo método histórico-crítico, e sua rejeição de autoridade tradicional levou a vários liberais a questionar a validade de uma teologia bíblica. F. negou que um ponto de vista teológico do Novo Testamento tenha validade. Argumentou que a expectação do fim iminente que tinham os autores bíblicos é incompatível com um desenvolvimento teológico n o Novo Testamento. Em 1897, voluntariamente deixou seu posto como professor de Exegese do Novo Testamento na Universidade de Basel porque esta posição teológica o levou a uma “incredulidade básica”.

J. Welhausen popularizou o conceito que a religião de Israel deve-se interpretar em termos de seu desenvolvimento revolucionário não em termos de revelação divina, mesmo que não era a sua intenção em escrever uma teologia do Velho Testamento, sua obra contribuiu para o desenvolvimento da escola Religions-geschichte do século XX. Procurava prover uma descrição da religião de Israel, seu fundo e sua relação com outras religiões do Oriente Médio. Era um passo prévio para a produção de uma teologia do Antigo Testamento verdadeiro. Mas seu enfoque era a importância de uma teologia do Antigo Testamento (cp. Gabler).

W. Wrede respondeu a aproximação geral de Lehrbegriff de Holtzmann em uma pesquisa em 1897. Wrede argumentou que os escritos do Novo Testamento devem ser examinados com a ajuda do método histórico crítico e devem ser entendidos e interpretados exclusivamente com base na cultura de sua época. A teologia do Novo Testamento é uma disciplina histórica e descritiva, não tem valor para a fé. Esta aproximação leva a rejeição do princípio da Reforma – sui ipsius interpres e a rejeição de inspiração. De onde cai a inspiração, cai também o cânon . Assim ainda o nome teologia do Novo Testamento é incorreto. O teólogo bíblico não está interessado em teologia, mas sim em uma descrição histórica da religião. As fontes da religião não são os escritos de todos os autores da igreja primitiva. O nome correto da disciplina deveria ser: A História da Religião Cristã Primitiva ou História da Religião e Teologia Cristã Primitiva. A tarefa do teólogo bíblico é radicalmente histórica. Wrede morreu em 1906 e nunca publicou uma Teologia do Novo Testamento. Mas H. Weinel publicou um trabalho com base no programa de Wrede.

A Von Harnack argumentou que a essência do cristianismo se encontra no ensino de Jesus, enfatiza três elementos desses ensinamentos: a pregação do Reino, que se estende como utopia humana realizada pela inter-relação dos humanos; o valor infinito da alma humana e a responsabilidade do homem de responder a Deus com amor e justiça. Von Harnack põe em relevância a importância de teologia para o estudo do Novo Testamento. Mas sua aproximação não foi aceita pelos estudos de Religions geschichte Schule.




      1. História das Religiões

As obras de Welhausen e Wrede chamaram a atenção do mundo crítico à importância da cultura e religião contemporânea para a interpretação do Velho e o Novo Testamento. No estudo da Teologia do Antigo Testamento, B. Stade e E. Kautsch publicaram histórias da religião de Israel e outras religiões contemporâneas, revelação especial já não era compreensível nem importante. Assim a teologia do Antigo Testamento não teria importância na estrutura de juma teologia dogmática mas por sua conexão histórica do Cristianismo.

O. Pfleiderer, o padre de Die Religionsgeschichte Schule. Seu estudo do Cristianismo primitivo procurou comprovar que a Religião de Paulo era uma mescla do judaísmo farisaico, judaísmo helenístico e Eleusianismo. Outros postularam vários elementos contemporâneos que haviam infiltrado o cristianismo através do judaísmo. Mas em geral, a identificação de fontes não avançou a teologia do Novo Testamento. Essa aproximação histórica resta a importância da teologia do Novo Testamento.




    1. O retorno da Teologia

K. Barth, no prefácio à segunda edição de seu comentário sobre a Epístola aos Romanos, 1921, resume o que muitos outros consideraram em relação a aproximação histórico crítico ao Novo Testamento.
Não tenho nada a dizer contra a a crítica histórica, mas reconheço e uma vez digo que é necessária. Minha crítica é em relação aos comentaristas recentes que se limitam a uma interpretação do texto que a mim me parece que não é comentário, mas um primeiro passo até um comentário(...) Enquanto o crítico se ocupa neste trabalho preliminar, sigo cuidadosamente (...) crítica aplicada a documentos históricos significa para mim a medida das palavras e frases com um estandarte de que é tratado no documento (...) comentário inteligente significa que sou impulsionado até que não me reste nada mais que o enigma do assunto; até que o documento já não existir como documento; até que eu tenha esquecido que não sou autor do documento

O método histórico crítico era reconhecido como necessário, porém insuficiente. Leva o homem até a teologia bíblica, mas não satisfaz a necessidade de fazer teologia. O método histórico crítico “matou a alma, mas deixou o cadáver”.


2.6.1. Teologia Dialética

Barth e seus seguidores criticaram o método eclesiástico (via positiva) em que Deus vem a ser objeto da racionalização teológica do homem. Mas também rejeita o misticismo, que diz que apenas podemos saber o que Deus não é (via negativa). Existe um terceiro método que diz “sim” ou “não” a (via dialética).


Deus não deve ser reconhecido como um objeto do qual podemos saber, mas há um conhecimento sobre ele que é mais asserção de negativos: Deus é conhecido como sujeito, como Tu, se ele milagrosamente se revela aos homens em sua liberdade incondicional.

Barth apresenta em sua teologia, o grande abismo entre Deus escondido e o homem. O homem é incapaz de conhecer esse Deus, mas Deus reconhecendo essa situação, se faz o Deus revelado, a sua Palavra contém essa revelação. O renovado interesse na situação contribuiu ao renovado interesse na teologia dogmática e comentários, mas não acreditava em uma teologia bíblica. Todavia, abre a porta para que teólogos voltem a tarefa da elaboração da teologia bíblica.


2.6.2. Teologia Existencialista

R. Bultmann era uma figura de suma importância no estudo do Novo Testamento no século XX. Contribuiu a Crítica de Formas, a História das Religiões e o programa de desmistificação. Reúne várias escolas em sua aproximação em sus teologia do Antigo Testamento. Sua hipótese é reinterpretar o Novo Testamento em termos da filosofia predominante do dia – o existencialismo como expressado por M. Heidegger.

Bultmann responde ao problema da antítese entre o método histórico-crítico e a teologia do Novo Testamento por dividi-lo. Essa teologia é dividida em quatro partes. Parte 1 se titula “Pressupostos e Motivos da Teologia Neotestamentária” Parte 4 é “Evolução até a Igreja Antiga”. Encontramos na parte 1, a pregação de Jesus e o Kerigma da Igreja primitiva. As partes 2 e 3 são a “Teologia de Paulo” e a “Teologia de João” , apenas em Paulo e em João encontramos Teologia. Isto é porque apenas Paulo e João são suscetíveis ao programa hermenêutico de desmistificação – e assim são compreensíveis para o homem moderno. O resto do Novo Testamento é tratado em termos puramente históricos. Qualquer Teologia do Novo Testamento depois de Bultmanntem que levar em conta essa aproximação e conclusões. Fuller menciona quatro perguntas que é levantado no trabalho de Bultmann.


  1. Qual é o lugar de um “Jesus histórico” na teologia do Novo Testamento? W.G. Kümmel, G. E. Ladd e J.Jeremias vêem na sua relação muito mais positiva que Bultmann entre o Jesus histórico e a teologia do Novo Testamento.

  2. Até que ponto se pode ou deve usar a “desmistificação” chave hermenêutica de interpretação? Fuller apresenta duas alternativas para o programa hermenêutico de Bultmann – a escatologia em processo de realização da História de Salvação de Cullmann.

  3. Como se resolve o problema de unidade e diversidade no Novo Testamento? Bultmann resolveu o problema expressando a diversidade do Novo Testamento através do tema central da Antropologia. Käsemann resolve o problema por apresentar um cânon dentro de um cânon. Existe Kerigmata (pl) em vez de Kerigma (sing) no Novo Testamento. O intérprete da teologia do Novo Testamento deve escolher uma das várias Kerigmatas que existem sem tratar de unificar todas. F.C. Grant encontra a unidade na Teologia do Novo Testamento na “fé que tem sido dada uma vez aos santos” (Judas 3). Mas J.D.G. Dunn, reconhecendo Käsemann a presença de kerigmata no Novo Testamento prefere ver um cânon dentro de um cânon, um centro da teologia localizado no Jesus histórico.

  4. Existe um extrato do Novo Testamento que pode chamar-se “catolicismo primitivo” Que lugar tem em uma teologia do Novo Testamento? Em geral, teólogos conservadores vão ao catolicismo primitivo no Novo Testamento. Mas quem aceita datas pós-apostólicas para os Pastorais, II Pedro, Lucas –Atos, etc... vêem de uma influência de um catolicismo. Este extrato procurou responder às heresias do segundo século.

Conclusão

O desenvolvimento da teologia bíblica desde 1920, dificilmente pode ser classificado.



CAPÍTULO 3

A METODOLOGIA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO.
Tendo visto a grandes traços da história da Teologia bíblica, podemos entrar no debate moderno sobre o método correto a utilizar em fazer teologia bíblica. Nosso estudo apresenta primeiro sobre as aproximações principais. O método descritivo e o método confessional. Depois se apresentam os métodos mistos que tratam de combinar as forças destas duas metodologias. Finalmente se apresentam os métodos alternos a estes dois métodos. Em um capítulo posterior apresentaremos a metodologia que devemos seguir para fazer a teologia bíblica – essencialmente um método misto. O propósito deste capítulo é descobrir e analisar os vários métodos que estão a nossa disposição.


    1. Método Descritivo- Histórico

J.P. Gabler é conhecido como o fundador da aproximação histórica-descritiva da teologia bíblica . W Wrede e mais atualmente K. Stendahl tem seguido sua apresentação. Para o método descritivo, a tarefa do teólogo bíblico é descrever “o significado do texto” e não “o que o texto significa”. A teologia dogmática se fundamenta sobre a base da teologia bíblica e traduz ao significado da teologia bíblica para o presente. Assim Stendahl pode afirmar que:
A tarefa descritiva pode levar a cabo igual para o crente e incrédulo. O crente tem a vantagem de uma empatia automática como os cristãos do texto – mas a sua fé o tenta a modernizar o material, mas não exerce rigorosamente os cânones de uma erudição descritiva. O agnóstico tem a vantagem de não ter essa tentação, mas o seu poder de empatia deve ser grande se pode ser identificado no crente do primeiro século.

A vantagem do método descritivo é obvia no Antigo Testamento, aonde os textos e a história de Israel cobrem mais de dois mil anos. Deve sistematizar historicamente o conteúdo da teologia do Novo Testamento. A vantagem não é tão óbvia. Os livros e epístolas do Novo Testamento eram escritos em um espaço de 50 a 60 anos. As histórias descritas dos evangelhos e Atos cobrem um período de uns 30 a 40 anos. Não obstante, muitos teólogos do Novo Testamento vêem vantagem em organizar a teologia do Novo Testamento em forma histórica.



3.1.2.. E. Jacob

E. Jacob se localiza na linha de Gabler “segundo a qual a teologia do Antigo Testamento aparece como uma ciência histórica e descritiva e a um certo modo nosso livro podia ser considerado como uma aproximação fenomenológica a religião de Israel”. Nessa linha, Jacob não quer ocupar o lugar do teólogo dogmático para construir uma teologia bíblica normativa, mesmo que confessa que seria tentador. “Deve antes de tudo ater-se a seu domínio particular e construir sua teologia do Antigo Testamento partindo de sua própria disciplina que é de ordem histórica”.

Para essa teologia do Antigo Testamento, Jacob vê três temas que são do domínio de história:


  1. O teólogo bíblico “deve prestar grande atenção ao desenvolvimento real da história de Israel, tanto aos Atos como as tradições, posto que estas últimas formam também parte de uma história”. Isto implica “ascetismo menos pronunciado ba relação com os atos da história”.

  2. O teólogo bíblico deve levar em conta o cânon e o desenvolvimento da literatura de Israel. Israel mesmo reconhece o Cânon do Antigo Testamento – tanto as palavras que Deus dirige a Israel como também a resposta do homem a Palavra de Deus.

  3. O teólogo bíblico deve levar em conta a cultura e religião das quais Israel se desenvolvia. “Só a História de religiões permite aceitar o pleno alcance d certas afirmações que estão situadas no mesmo centro da teologia”.

Todavia, uma teologia do Antigo Testamento não é idêntica a uma história da religião de Israel. Uma teologia do Antigo Testamento não é uma simples enumeração de fatos. O teólogo bíblico não está em seu direito de “reunir de uma maneira sistemática os elementos elaborados para apresentá-los como a substâncias profundas do Antigo Testamento pode ser definida como a exposição sistemática das noções religiosas específicas que se falam em conjunto do Antigo Testamento e que constituem sua unidade específica”.

Por isso, a aproximação de Jacob a teologia do Antigo Testamento utiliza o esquema dogmático modificado para organizar o livro. O conteúdo de sua teologia do Antigo Testamento se apresenta sob três categorias. Aspectos de Deus no Antigo Testamento, Ação de Deus no Antigo Testamento e Oposição a um Fim triunfal da Obra de Deus. Segue geralmente uma apresentação dogmática – mas deixa fora elementos significativos. “A piedade, as instituições religiosas e a ética não são parte do domínio específico da teologia do Antigo Testamento”.


      1. E. Lohse

E. Lohse define a tarefa do teólogo do Novo Testamento como “expor sistematicamente as idéias teológicas dos escritos neotestamentários, examinado com rigor cada um desses escritos a fim de mostrar como se tem desenvolvimento ba pregação de (a qual) a igreja (extrato) a mensagem de Cristo morto e ressurreto, tam como aparece no Novo Testamento”. A tarefa básica é descobrir “como se foi desenvolvendo o Kerigma de Cristo Jesus na proclamação neotestamentária que outorgou base e alicerce a igreja”. A crítica bíblica radical é uma ferramenta necessária.
O Novo Testamento não nos oferece uma mensagem temporária, mas uma proclamação e uma doutrina da Igreja Primitiva formulada com vistas a uma determinada situação. Por esse motivo, a hora de explicar suas afirmações, devemos levar em conta os pressupostos e circunstâncias que conduziram a contraposição dos primeiros cristãos. Daí que a teologia do Novo Testamento deva partir de uma interpretação histórico-crítica dos escritos do neotestamentários, posto que só seus resultados são pontos de vista nos permitem determinar com exatidão as afirmações teológicas contidas no Novo Testamento.

A atitude pessimista até a historicidade intrínseca dos textos na crítica histórica não é obstáculo para Lohse, porque a Teologia do Novo Testamento se interessa no desenvolvimento do evangelho no testemunho histórico não nos fatos históricos. Por exemplo, o estudo de Cristologia não começa com a vida de Jesus, mas com os credos e tradições do cristianismo primitivo. Nos credos predomina o conceito da morte e ressurreição de Cristo. Um exame dos títulos de Jesus mostra a diferença entre a comunidade da Palestina que usou os títulos: Messias (Cristo), Filho de Deus e Servo e Deus, e as comunidades helenísticas, que usou os títulos Senhor e Salvador. Já no final do primeiro século, se começa a descobrir a deidade de Jesus Cristo – João chama Logos e Deus. Neste esquema de Cristologia, a comunidade helenística agrega os elementos do Senhorio de Cristo, o nascimento de Cristo e a preexistência de Jesus.




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