Teologia do novo testamento



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Método Existencialista

R. Bultmann enfatizou a dicotomia entre o mundo do NT e o mundo do leitor moderno. A dicotomia não existe apenas em seus detalhes, mas em sua mesma estrutura, em sua cosmovisão. Se o teólogo deve comunicar a mensagem do NT tem que passar por uma reinterpretação radical, mudando a cosmovisão do NT pela cosmovisão do homem moderno expresso na filosofia contemporânea mais sobressalente, o existencialismo – sobretudo é expresso pelo colega de Bultmann, M. Heidegger.

Uma teologia do NT deve unir os métodos de aproximação histórico-crítica e a aproximação da História das Religiões, e “evitar o erro consistente em romper a unidade entre o ato de pensar e o ato de viver”. Por intermédio do existencialismo, Bultmann espera associar o homem moderno com o mundo do NT por descrever as condições básicas da vida: “ansiedade, esperança, morte, etc”. A distância histórica entre o Novo Testamento homem moderno é tirada da identificação dos dois elementos na experiência comum do homem em qualquer época.. A interpretação do NT tem uma reinterpretação da mitologia que predomina no NT. Esta “desmistificação” do NT é a tarefa dos teólogos do Novo Testamento para que o leitor moderno possa entender.




      1. Crítica aos métodos alternativos

Os métodos alternativos não têm recebido suficiente apoio de outros eruditos como para separar a .aproximação metódica particular do autor que o sugere. Os métodos desta seção são essencialmente individuais, não de escolas ou de movimentos. A crítica destes métodos assim resulta de autores particulares – não de uma metodologia como tal. Os três autores mencionados nesta seção tendem a duvidar do valor da história dos eventos do texto. Para Bultmann, representar uma cosmovisão rejeitada pelo homem moderno. Para Von Rad, os eventos não têm transcendência, mas sim, a reflexão em relação aos eventos, mas a teologia do NT se interessa no significado desses eventos a partir da revelação (a Geschichte). Existem debilidades intrínsecas em uma metodologia que procura ser histórica, mas duvida da veracidade de seus textos.


    1. Conclusão

De alguma forma nossa metodologia utilizada na elaboração de uma teologia do NT deve levar em conta que tem uma dupla tarefa: deve descrever o pensamento dos autores bíblicos e deve sistematizar esse pensamento em forma inteligível ao leitor moderno. Nossa metodologia é mista tratando de combinar a tarefa descritiva e kerigmática.

Capítulo 4

Hipóteses da Teologia do Novo Testamento
Hipóteses não são opcionais, Bultmann indicou em seu artigo “Existe exegese sem pressupostos”, mas não vê nenhuma possibilidade de que o homem mude ou escolha sua hipóteses. O homem deve simplesmente reconhecer e aceitar suas hipóteses. Aproximações tradicionais têm procurado ingenuamente eliminar as hipóteses, para Bultmann isso é impossível, mas considera a possibilidade de aceitar conscientemente certas hipóteses que estão de acordo com o estudo da natureza da Teologia do NT. As hipóteses são adquiridas da cultura, educação de um filho de um indivíduo. Já que são adquiridas, pode ser possível mudá-las, o estudo do Novo Testamento, depende pelo menos parcialmente das hipóteses que partimos. Neste capítulo procuramos detalhar as hipóteses que devem direcionar nosso estudo. Tratamos de escolher hipóteses que estão de acordo com a natureza do Novo Testamento e a tarefa de elaborar a sua teologia.

As hipóteses que temos em cinco áreas em nossa teoria influenciam nossas conclusões. As hipóteses nessas áreas podem ser expressas em termos de tensões inerentes ao estudo da teologia do Novo Testamento:



  1. O teólogo bíblico pode partir do ponto vista objetivo ou subjetivo. Toma uma decisão frente a tensão entre a fé e a objetividade.

  2. Pode utilizar um meio de sistematização descritiva ou temática na elaboração da teologia, tomando a decisão de enfatizar a unidade ou a diversidade, o método descritivo, enfatizará a diversidade e o método temático enfatizará a unidade.

  3. Pode fixar uma meta descritiva ou normativa para elaboração dessa teologia;

  4. O conteúdo desta teologia pode partir dos fatos e confissões do Novo Testamento. Esta tensão reflete na Historie e Geschichite no Novo Testamento.

  5. E por último, o teólogo do Novo Testamento tem que resolver a tensão que existe entre o Velho Testamento e o Novo Testamento, podendo enfatizar a sua unidade ou diversidade.




    1. Tensão do ponto de partida

Parte do debate entre W. Wrede e A. Schlatter era o ponto de partida do teólogo bíblico. Wrede considera que qualquer pessoa, sendo crente ou não, pode elaborar uma teologia do Novo Testamento, mas Schlatter considera que para fazer uma teologia do Novo Testamento, deve introduzir fazendo dos autores do Novo Testamento o seu ponto de partida. Em certo sentido, o debate deve responder a tensão entre objetividade e subjetividade. A resposta de Stendahl – que o crente deve procurar a ser objetivo e o que o incrédulo procure a ter empatia com o cristão do primeiro século – pede que o teólogo procure negar seu próprio ponto de partida por em se consciente enfatizar o seu lado oposto.

A objetividade é uma meta alcançável para o teólogo bíblico? Sim, a nossa resposta depende de nossa epistemologia. Como se chega a uma compreensão de algo? Quando o que estudamos é algum objeto material, o estudo pode ser objetivo, porém quando o objeto de estudo á uma pessoa, sai da área da objetividade. Não podemos compreender uma pessoa sem entender seu pensamento, sua auto-reflexão, etc. A comunicação vem a ser um passo prévio absolutamente necessário para poder entender a pessoa. O homem como objeto de estudo é a vez objeto e sujeito.

Se aceitarmos o conceito bíblico da personalidade de Deus, não podemos estudá-lo simplesmente como objeto. Apenas podemos entender a Deus em sua relação com o homem. Deus não pode ser estudado de uma forma materialista ou em forma objetiva ou em forma objetiva. O estudo da teologia vem a ser um estudo subjetivo, é um estudo da revelação – a forma através da qual Deus se faz conhecer pelo homem. A revelação que temos não é em forma dogmática, mas em forma histórica vivencial. Deus se revela ao homem através de sua relação com Ele, não através de relações dogmáticas sobre sua natureza.

O princípio hermenêutico que “a melhor interpretação do texto procura entender o texto dentro do contexto que foi dado”, conduz que é melhor interpretar o texto bíblico desde a fé cristã. Mesmo que a objetividade seja uma meta de um estudo de um texto, não deve ser uma objetividade que separe o exegeta do texto ou de sua relação com Deus.





    1. Tensão do meio de sistematização

O teólogo bíblico deve escolher entre os vários métodos de sistematização da teologia do NT mencionados no capítulo anterior, ou elaborar um método novo. Essencialmente a elaboração de um novo método será determinada pela hipótese do teólogo em relação da natureza básica da unidade ou diversidade do conteúdo teológico do Novo Testamento. Predominando a unidade, o método usado será o temático, predominando a diversidade, o método usado será o descritivo. Se existe unidade na diversidade, o método usado será o misto ou alternativo.

Longenecker insiste na unidade entre expressões diversas da teologia do Novo Testamento. A diversidade é o resultado da ação histórica da ação histórica de Deus em uma diversidade de situações. A capacidade de compreensão do homem, a expressão circunstancial da revelação e o contexto histórico – cultural no qual o texto foi escrito determinam a diversidade da teologia do NT que “debate todos os pontos sob uma só plataforma”.

Podemos notar que um dos pontos centrais dos ensinos de Jesus é o conceito do Reino de Deus, esse vocábulo aparece poucas vezes na pregação de Paulo, mas vemos o vocábulo justificação que aparece poucas vezes nos ensinamentos de Jesus. João enfatiza a ter fé em Cristo. Todavia, estes três vocábulos, ainda que diversos em sua expressão, são formas de explicar a Soteriologia. Os evangelistas escreveram uma audiência que tem algo de conhecimento da terra da Palestina e tem o propósito de escrever a vida de Jesus, por isso usam o termo que Jesus usou – Reino de Deus. Paulo e João escreveram a pessoas que não compartilham esse conhecimento, e aos quais, o vocábulo Reino pode levar aos conceitos autocráticos e burocráticos. Portanto, expressa o mesmo conceito através de vocábulos distintos. Longenecker insiste que reconheçamos a “expressão circunstancial” do Novo Testamento.

Já que existe no NT a unidade e diversidade, nossa teoria deve usar um método misto ou alternativo. No próximo capítulo optaremos por um método misto semelhante ao método diacrônico de Eichrodt, porém modificado para responder a natureza do NT. Um elemento essencial a essa teoria é a escolha de um tema central desde o qual interpreta o conteúdo teológico do Novo Testamento.

Vários têm tentado definir o centro da teologia do NT, Bultmann apresenta a antropologia, já para Cullmann é Heilsgeschichte, Külmmel e Lohse dizem que é a CristologiA, Kaseman busca o centro da teologia, na justificação da pregação de Paulo. Outros temas sugeridos para o ponto central são a aliança, o reino de Deus e sua comunhão com o homem e a promessa. Outros têm descartado a possibilidade de organizar toda a teologia do NT em termos de um só conceito central. A advertência de Cullmann é valiosa. Devemos tomar cuidado ao impor um centro sobre a teologia do NT, devemos observar o que é colocado como centro, para depois interpretar os vários temas do NT desde esse centro.


    1. Tensão da meta da Teologia do Novo Testamento

Quando se escreve a Teologia do NT, o que busca? Quais as metas? Existem duas opções. Alguém pode responder a pergunta “o que significa?”, ou pode simplesmente descrever o conteúdo teológico da revelação do NT ou pode interpretar esse conteúdo para experiência do leitor moderno.

Childs com o movimento moderno de teologia bíblica, busca desenvolver uma teologia bíblica normativa. O texto bíblico é “um testemunho do propósito de Deus”. A teologia do NT deve ir atrás do nível do testemunho do texto a encontrar a realidade do propósito de Deus. Assim que a teologia bíblica não pode fazer através de um método descritivo, já o método descritivo não pode ir atrás de um texto para encontrar o propósito de Deus. Em outras palavras, “a pergunta de que texto significou e o que significa, pertencem as tarefas de interpretação da Bíblia como Escritura”.

Stendahl descarta a normatividade da teologia bíblica e insiste na tarefa descritiva da teologia bíblica, ele aceita que os textos bíblicos levam mais alem de si mesmos a uma compreensão do propósito de Deus, mas, a tarefa de ir mais além do texto bíblico é do teólogo. A. Dulles levanta sobre a separação radical do que a “Bíblia significou” e do que “a Bíblia significa”, tanto um como outro são normativos. Isso levanta a pergunta sobre a normatividade da Bíblia para os leitores antigos. Se era normativo para eles “quando deixou de ser normativo?” “A teologia do NT pode ter um valor normativo baseando no significado do texto?”

Isso pode haver confusão entre revelação e teologia, a revelação do NT era normativa e isso não deixa de ser revelação para nós, mas para o leitor que sai do contexto histórico e cultural do NT, essa revelação requer interpretação, e essa tarefa de organizar a interpretação em uma ordem lógica e acessível para o leitor moderno é teologia do NT. O seu conteúdo possivelmente terá uma força normativa para o teólogo analisar a revelação normativa de Deus. Todavia, em nosso esquema, a teologia tem um rol preparatório para a teologia dogmática, mas é o teólogo dogmático que tem a responsabilidade de aplicar a teologia bíblica ao leitor moderno.




    1. Tensão da natureza do texto

O conceito de M. Kahler em relação à diferença entre historie e Geschichte se aplica também a teologia do Novo Testamento. O que alguém pensa da historicidade dos eventos descritos no texto determinará em parte a conclusão teológica a qual se pode chegar. Por exemplo, em fazer uma teologia bíblica do livro de Atos, se alguém descarta a historicidade dos eventos, não são uma fonte aceitável para elaborar a teologia bíblica. O teólogo se limita a estudar o conteúdo dos sermões. Mas se alguém aceita a historicidade dos fatos tanto como o conteúdo teológico dos discursos podem ser fontes para a teologia bíblica de Atos.

Foi mencionada acima a importância de uma teoria bíblica que reconheça a relação de Deus com o homem. A revelação histórica de Deus é a base de sua compreensão e a sua relação com o homem. Em Israel, Deus é compreendido em sua relação com o homem. É o Deus de Abraão, Isaque, Jacó, o Deus de Davi, o fato histórico é a chave nesta revelação. Os fatos são eventos constitutivos da história de Israel e da Teologia do AT, se Deus não se revelou nesses eventos, não há conhecimento sobre Deus, sendo assim, não há revelação.

O contexto cultural do AT apresenta um ambiente anti-histórico. Nas religiões cananeas predomina o mito. A cosmovisão destas religiões tem a ver com a vida em termos de ciclos. Os mitos apresentam uma imagem dos deuses, a criação do mundo, a impessoalidade e o capricho. O AT apresenta um só Deus, cujo caráter ético é um exemplo para todos os homens. A criação do mundo é ex nihilo. Deus não está dentro, mas separado da natureza. Atua na história, mas não é parte da história. Por isso, Israel desenvolve interesse em descrever história em termos lineares.

O contexto histórico do NT apresenta dois contextos culturais não históricos, também. O mundo helênico tende a ser platônico e universalista, por apresentar pouco interesse na história. A cultura judaica estava interessada nas coisas que relacionava puramente a lei, não tinha um menor interesse pela história. Tanto a revelação do AT e do NT se deram em contextos não históricos mas em si baseadas na história, isto é parte da novidade da Bíblia.

A diferença entre Historie e Geschichte é entre o ponto de vista que os teólogos buscam partir não desde is fatos do NT, como os fatos implicados no Jesus Histórico, mas desde a reflexão teológica do NT expressas nas confissões da Igreja Primitiva. Von Rad descreve a tarefa de da teologia do AT como a organização e a apresentação das tradições de Israel. Assim evita um problema de um ataque ou defesa da historicidade dos eventos dos quais o AT fala. Bultmann toma uma posição semelhante partindo de um pessimismo sobre a historicidade dos eventos do Jesus histórico. Hunter também baseia sua teologia do NT nas confissões da igreja, parte de um otimismo sobre a historicidade dos eventos históricos do Novo Testamento.

A diferença entre os escritos do AT e do NT com a literatura indica que um dos propósitos dos autores era descrever uma história. Como disciplina nova, a historiografia dos antigos não corresponde em todo aspecto a historiografia moderna. Todavia, é óbvio que de todos os autores do AT e do NT escreveram com o propósito de que seus escritos fossem aceitos como história. A teologia do NT deve conformar-se a sua natureza e aceitar a historicidade essencial dos fatos ali registrados.




    1. Tensão entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento.

Alguém pode notar uma diferença entre as teologias do AT e do NT. As teologias do AT tendem a ser mais descritiva; já as teologias do NT tendem a ser mais confessional. Isso se deve ao resultado da natureza do AT e NT. Mil anos de história e reflexão teológica é óbvia a diferença entre os vários níveis de compreensão teológica do inicio de sua história e o final d período velho testamentário requerem que a teologia do AT seja primordialmente uma ciência descritiva. O NT tem menos de mil anos em suas história e menos tempo para uma reflexão teológica, assim a teologia do NT pode ser confessional.

Vários teólogos do AT nota a importância da relação do AT com o NT. Eichrodt nota que “o desenvolvimento histórica da religião do AT” se adverte na presença de uma força interna que a empurra até adiante”. Existem nela, momentos que parecem estacionar, então volta a surgir a vontade de seguir em busca de uma vida superior reconhecendo o caráter contingente e provisional. Este movimento não termina até a vinda de Cristo”.

Historicamente, há três posições das relações do AT e o NT. A escola Marcionita via uma descontinuidade total entre o AT e o NT. Para Marción , lei é o resultado da revelação obscura, Yahveh. A lei é radical. O evangelho vem do verdadeiro Deus de Luz, Jesus. Por isso, Marción tirou do cânon do AT como referências para o NT, teorias semelhantes são encontradas ainda nos dias de hoje. Schleirmacher e Ritschl enfatizam a importância do NT sobre o AT, quase a ponto de excluí-lo do cânon cristão. Bultmann diz: “para a fé cristã, o AT deixou de ser revelação como tem sido e assim é para os judeus”.

A escola Alexandrina com seus personagens principais, Clementes de Alexandria e Orígenes, une a lei e o evangelho, vendo uma unidade em comum entre o AT e o NT. Orígenes utiliza um método alegórico de interpretação e assim trata o AT desde a perspectiva do NT. Tradicionalmente a escola Alexandrina distingue entre n­­_moV e _n­_moV. N_moV é o princípio ético da lei e n_moV é a lei de Moisés. Tertuliano distingue entre a lei cúltica e a lei moral, mas revoga a lei cúltica. A única diferença entre o AT e o NT é o tempo. J. B. Payne diz: “Existe dentro da unidade básica da relação entre os testamentos, um desenvolvimento histórico real, a diferença básica é o testamento mais velho e o mais novo. O mais velho administrava a salvação por uma fé que antecipava a redenção porvir (Hb 8:5) e o mais novo por uma fé que celebra uma redenção feita de uma vez por todas (Hb. 9: 12/10:10)”.

A escola Antioquia com seus protagonistas Inácio e Teófilo descartou a hermenêutica de alegorização que foi proposta por Orígenes. Como os judeus não aceitavam uma diferença entre a lei cúltica e moral, os antioquinos argumentavam que Paulo tampouco o faria. Enfatizavam o desenvolvimento do AT até o NT, diziam que era necessário entender o AT para poder entender o NT. Brunner diz que a história do pacto de Israel nos conduz à cruz e uma nova aliança em Cristo Jesus.

Em resumo, os marcionitas limitam sus teologia bíblica ao NT. Os alexandrinos procedem desde o NT até o AT, buscando reinterpretá-lo a luz da revelação de Cristo. Os antioquinos procedem desde o AT para o NT, buscando entender o NT desde o contexto histórico e teológico do AT. Colocado em termos aplicáveis a nosso estudo, devemos responder a pergunta: Até que ponto a teologia do AT é uma base para a teologia do NT? E se é base, como devemos proceder? Desde o Antigo até o NT ou desde o Novo até o AT?

Quando Paulo apresenta sua compreensão do AT e a lei sempre fala em termos respeitosos. “A lei é santa, boa e justa” (Rm 7:7, 12, 14), mas “somos livre da lei”. Em Romanos 10: 4, Paulo diz: “porque o fim da lei é Cristo e a justiça de todo o que crê” Cristo não põe o fim na lei em termos gerais, mas põe fim a lei em termos de justificação. O homem do tempo do NT é salvo pela fé em Cristo, não segundo o sistema de sacrifício do Antigo Testamento.

Longenecker sugere que um uso da lei no tempo do NT é como um pedadogo. Gl. 3: 19/4:7 - apresenta a lei como pedagogia. O pedagogo é um escravo que servia para treinar a criança em seu desenvolvimento moral. Longenecker sugere que Paulo vê a lei como instrução moral ainda na vida do crente. A escola antioquina apresentou três usos da lei, o primeiro uso da lei era para salvar, conceito vindo desde os tempos do AT ab-rogado no NT. O segundo uso da lei era como preparação para o Novo Testamento. Positivamente, nos prepara para o Novo Testamento, negativamente nos condena e nos leva a buscar a Deus. O terceiro uso da lei é como guia moral, Longeneceker sugere que o AT como sistema de justificação é ab-rogado. Mas o AT segue vigente no tempo do NT como revelação divina como instrução (Torá) e como guia moral.

Uma das diferenças básicas entre o NT e o AT é a substância e ocasião de revelação em ambas. Em Hebreus 1: 1-2, o autor apresenta uma diferença entre a ocasião e o meio de revelação no AT e o NT. A diferença entre a primeira parte (revelação no AT) e a segunda (revelação no Novo Testamento) são significativas. O uso do mesmo verbo em ambas partes da oração indica que a essência de revelação é idêntica no AT e no NT. Ambas declaram ser a Palavra de Deus, as diferenças indicam uma mudança de ocasião da revelação.

Há uma diferença entre a ocasião de revelação no AT e no NT. A revelação no AT era em muitos tempos, dependendo do ponto de vista em relação à autoria de vários livros do AT, alguém pode ver em máximo de mil anos ou ao mínimo de 500 anos, entre o primeiro livro a ser escrito e o último livro. A revelação do AT era em muitas formas. No AT, vemos revelação por sonhos, profecias, leis, discursos, poesias e escritos históricos. O mesmo não pode se dizer da revelação no NT. O tempo entre o primeiro e o último livro a ser escrito é entre 50 e 60 anos. A forma de revelação no NT é uma só – A encarnação de Jesus (O Logos) e suas palavras. Há uma diferença no tempo de revelação, também. O autor diz que a revelação de Jesus era “nestes últimos dias”. Não é uma fórmula escatológica, mas uma referência ao tempo do Antigo Testamento. O ministério de Jesus não faz parte de “os últimos dias” mas que se localiza no tempo do AT, ou talvez no tempo da transição. Assim também há uma diferença entre os destinatários. Já os recipientes não são nossos pais, senão nós mesmos. Alguém experimenta o gozo destas palavras.

Talvez a diferença mais importante é relacionada com o meio de revelação no Novo Testamento. No AT, o meio de revelação era o profeta. O NT confirma esse ponto de vista que colocava a revelação do AT na boca dos profetas (Ef. 2: 20; I Pe. 1; 10-12; II Pe. 1: 19-21). Devemos entender o texto de Hebreus 1 nesse sentido, às vezes traduzindo o termo _ggeloV por Anjo, às vezes por mensageiro (profeta). Cristo é melhor que o mensageiro do AT, e ainda melhor que Moisés (Hb 3: 1-6) e por isso a revelação no NT é melhor que do AT.

O autor dá a impressão que revelação do AT pode admitir uma revelação progressista enquanto que a revelação do NT é completa em Cristo. Assim, ainda as epístolas se consideram palavras do Senhor, pelo menos na forma em que se considera que são interpretações de Jesus.Hb 10:1 fala da natureza do AT: “A lei tendo a sombra das bem aventuranças, não a imagem das coisas”. O AT é sombra. Três vezes das sete que ocorre no NT “sombra” se refere ao AT (Col. 2: 17). O AT é sombra e figura do NT, deve ser entendido em termos positivos:


As distintas e sucessivas concepções dos autores bíblicos sobre Deus, do homem e do mundo refletem o movimento do espírito humano até a uma percepção mais plena da verdade, sob a direção do Espírito da Verdade. Como temos visto, nesse processo, certas idéias relativamente imaturas e inadequadas são substituídas por outras mais corretas. Podemos falar de um processo de educação. Deus (...) foi comunicando aos homens, conforme eles eram capazes de dirigi-los, um conhecimento cada vez maior de si mesmo. Nesse sentido, se diz com razão que a Bíblia contém uma “revelação progressiva”

Assim, o AT contém uma revelação progressiva e deve levar em conta este desenvolvimento no processo de elaboração de uma teologia do AT. O NT não contém uma progressão na revelação, mas que existe uma unidade na revelação do NT. Qualquer diferença deve ser entendida em termos das diferentes circunstâncias da revelação, ou de maior previsão na descrição de algum conceito teológico, mas a revelação no NT não muda. A teologia do AT é uma base necessária para a teologia do NT, nossa teoria não deve ser anacrônica. Não devemos impor uma compreensão neotestamentária sobre o AT. O procedimento correto é partir da compreensão teológica do AT até a compreensão teológica do NT.




    1. Catálogo: portugues
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