Teologia do novo testamento



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Conclusão

Essas hipóteses são consideradas convenientes para o estudo da teologia do NT. Tem procurado escolher hipóteses de acordo com a natureza do NT. No capítulo seguinte buscaremos definir a teologia do Novo Testamento.

Capítulo 5

Nossa Metodologia
Os capítulos anteriores têm servido para dar base sobre a qual podemos definir nossa teoria da teologia do Novo Testamento. O propósito deste capítulo é definir como podemos elaborar a teologia do Novo Testamento.


    1. Um método misto

O método descritivo tende a enfatizar a diversidade do conteúdo da teologia bíblica. O método confessional tende a enfatizar a unidade desse conteúdo. O método que alguém escolhe para organizar o conteúdo da teologia do NT deve concordar com o conteúdo do NT. Se o conteúdo é diversificado, alguém deve usar o método descritivo, se é unido, alguém deve usar o método confessional.

O conteúdo da revelação no Novo Testamento é diversificado. Uma simples leitura de João e Romanos nos ilustram a diferença destes dois livros. Existe diversidade na classe de literatura. Há livros históricos, livros lógicos, livros apocalípticos, livros didáticos, etc. Isto reflete uma diversidade de propósito, Expressão. O substantivo fé é tão importante na teologia paulina, não ocorre João, quem prefere o verbo “crer”. O termo “Reino de Deus” que ocorre tanto nos evangelhos praticamente não ocorre nas pregações de Paulo.

Todavia, há também uma unidade no conteúdo do Novo Testamento. Esta unidade se vê no ponto de partida dos autores do NT. Todos escrevem desde a realidade de uma vida em relação com Jesus, há unidade de substância Todos os autores do NT escrevem desde um conhecimento profundo do AT e o Judaísmo. Há uma unidade de revelação. Hb 1:1-2 indica que no NT, existe uma unidade no ponto de vista, todo o seu conteúdo pode ser entendido como a revelação de Jesus.

Já que existe unidade com a diversidade no NT, nossa teoria deve usar o método misto ou alternativo. Apenas através de um metido que reconhece a unidade e a diversidade no Novo Testamento podemos fazer uma teologia bíblica que reflete o conteúdo do Novo Testamento. Agora devemos decidir entre as várias opções de métodos mistos e alternativos.




      1. Predominância do método descritivo

Existem duas realidades que nos levam a preferir um método misto ou alternativo no qual predomina a tarefa de descrever o conteúdo teológico do Novo Testamento. A primeira realidade é a intenção dos autores do NT. Todos os autores tentam escrever a história ou para uma situação histórica. Os evangelhos e o livro de Atos eram um esforço por escrever história. As epístolas do NT eram escritas para resolver situações históricas específicas. Mesmo que a epístola de Hebreus ainda carece de uma introdução epistolográfica apropriada é aparentemente escrito para uma congregação (Hb. 13: 22-25). O livro de Apocalipse é também história, ou seja uma história que há de vir.

A maioria dos métodos alternos nos dá prioridade à história do NT. Enfatizam o testemunho dos fatos ou um marco filosófico contemporâneo (método existencialista). Os métodos mistos combinam o elemento descritivo com o elemento confessional e assim podem enfatizar o aspecto histórico.

Esta teoria deve enfatizar o aspecto histórico da teologia do NT. Isto requer que o método a ser utilizado enfatize o aspecto descritivo – histórico da teologia bíblica. Apenas a teologia do NT pode refletir adequadamente o conteúdo do NT.


      1. Classe de organização confessional

O método diacrônico de Eichrodt e o método temático histórico de Morris procura organizar a teologia bíblica a luz do seu desenvolvimento histórico, mas ambos utilizam a organização confessional distinto dentro de seu marco histórico. Eichrodt utiliza o conceito cêntrico através da qual trás os vários temas do AT. Busca a forma em que o Pacto de expressa nos vários aspectos da teologia do AT. Morris organiza sua descrição histórica segundo os temas encontrados nas várias seções do NT.

O procedimento de Morris necessariamente leva o teólogo a apresentar “teologias do NT”. Os mesmos temas que tratam a seção sobre Paulo, tratam sobre Lucas. Nosso desejo é ver a unidade da teologia do NT. Não é suficiente ver a teologia de Paulo ou de Lucas, por isso, é necessário encontrar algum ponto central da teologia do Novo Testamento para poder organizar o conteúdo desse tema.

Para a nossa teoria, necessitamos um centro ao redor do qual podemos organizar a teologia do Novo Testamento. Uma das debilidades dessa teoria é o perigo de utilizar um centro que não concorda com o conteúdo da teologia do NT. Ou seja, se não escolhemos o centro apropriado, poderíamos deixar muito do conteúdo da teologia do NT, ou poderíamos impor conceitos que não estão.

Para evitar este perigo, o centro que utilizamos deve ser sugerido pelo conteúdo do NT. Devemos entrar e examinar a estrutura literária dos documentos em estudo, para encontrar os tópicos centrais, encontramos um denominador comum entre esses pontos, esse denominador vem ser o centro da teologia do NT.




    1. Procedimento histórico-cronológico

Dentro do nosso procedimento, será necessário distinguir entre as várias etapas n processo de escrever o NT. Um máximo de 60 anos separa o primeiro livro a ser escrito do último livro. Todavia, é tempo suficiente para ver certas características que predominam em cada época.

Devemos começar a teoria com o ensino do ministério de Jesus, utilizaremos os quatro evangelhos como fonte para esta seção. Tratamos de separar as palavras de Jesus dos comentários dos evangelistas em relação às palavras.

O passo seguinte é a instrução de Paulo. A primeira carta de Paulo foi escrita entre os anos de 40 – 45 d. C, a última foi escrita entre os anos de 55 – 60 d. C, utilizamos as treze epístolas de Paulo como fonte. A autenticidade das cartas de Efésios, Colosensses. Nossa posição pessoal é de aceitar a autenticidade destas cartas. Mesmo que o teólogo descarte estas cartas, reconhece que nascem de “círculo Paulino” de teologia.

Em seguida, passamos a examinar o conteúdo dos evangelistas sinóticos. Distinguimos entre o ensinamento e a atividade de Jesus registradas no Evangelho e o conteúdo teológico do marco que o evangelista utiliza para comunicar este ensinamento e atividade. Não questionamos a historicidade dos fatos, mas reconhecemos que cada autor seleciona e organiza o conteúdo segundo uma agenda teológica especifica. Nessa seção, procuraremos definir essa agenda.

Depois, passamos a examinar o conteúdo de Atos e as Cartas Gerais. Estas, foram escritas entre 60 e 70 d. C. Nas coleções de escritos do NT na antiga Igreja, estes livros se colocavam juntos. Todos tratam de uma igreja em desenvolvimento.

Termina o nosso estudo com os cinco escritos de João. O tempo da escritura destes livros é entre 85 – 105 d. C. Outra vez, separamos as palavras de Jesus dos comentários de João em seu evangelho. Apocalipse é um livro que poderia ser colocado à parte, mas para manter uma aproximação descritiva-cronológica, estudamos com outros livros joaninos.

Parte de nossa tarefa é ver o desenvolvimento das idéias do NT. Assim será necessário trazer o desenvolvimento destas idéias através de várias épocas. Para entender algum elemento dos ensinamentos de Jesus, deve estudar o elemento no AT e a literatura inter testamentária. Para entender algum elemento algum elemento da instrução de Paulo, devemos estudá-lo no AT, na literatura apocalíptica, em Jesus e em Paulo. E assim sucessivamente devemos examinar a substância para cada etapa da igreja antiga.

Com isso, não dizemos que os autores tiveram conhecimento de todos os autores que lhes procederam. Não dizemos que Mateus conheceu todos os escritos de Paulo ou que João havia conhecido todo o restante do NT. O processo de coleção dos escritos do NT era relativamente lento. Os autores haviam reconhecido alguns escritos, mas seguramente, não todos. Todavia, os autores conheceriam o conteúdo teológico geral dos autores porque isso foi divulgado pela própria igreja.




    1. O centro da Teologia do Novo Testamento

Nesta seção devemos examinar os vários documentos do NT para encontrar seu ponto central. Ao final da seção, faremos a comparação para chegar a um denominador comum. Nosso exame de material deve limitar-se no momento a observação de conteúdo e estrutura dos livros em estudo. Apenas assim podemos encontrar o centro que os mesmos livros apresentam, e não uma avaliação teológica dos livros.


      1. Ensinamentos de Jesus

Mateus se divide em três grandes seções (1:1 – 4: 16; 4: 17 – 16: 20; 16- 21 – 28: 20) através da frase “desde então começou Jesus a...” Em Mateus 4: 17 “desde então começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos porque o Reino dos Céus está próximo”. Em Mt. 16: 21 “desde então começou Jesus a declarar a seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Mt. 4: 17 apresenta o conteúdo do livro – a pregação do reino de Deus. Esta pregação é o conteúdo da primeira parte do livro – A pregação de João era “Arrependei-vos, pois está próximo o Reino de Deus” (Mt. 3: 2). Mateus menciona o termo “Reino” 15 vezes, o termo “reino de Deus” três vezes e o “reino dos céus” 34 vezes. “Reino dos Céus” é uma circunlocução por “reino de Deus”.

O conteúdo de Marcos declara a pregação de Jesus em Mc 1: 14-15. “Jesus veio a Galiléia pregando o evangelho do Reino de Deus dizendo: O tempo tem se cumprido e o reino de Deus está próximo: arrependei-vos e creiam no evangelho” Marcos menciona o reino quatro vezes e o reino de Deus 14 vezes.

Mesmo que a estrutura de Lucas não apresenta um centro, o conteúdo de Lucas é mais definido. O termo “reino de Deus” ocorre 31 vezes em Lucas. O termo reino ocorre 13 vezes. A centralização do reino é vista em que Atos 1: 6, os discípulos perguntaram a Jesus se ele restauraria o reino a Israel.

A estrutura e o conteúdo dos ensinamentos de Jesus apresentado por João não desenvolve o tema “reino de Deus”, a conversa de Jesus com Nicodemos apresenta o tema (3: 3, 5). O tema principal do livro de João parece ser fé em Cristo. A declaração do propósito de João (20: 30-31) aponta a fé como o centro do livro. “Há porém tantas outras coisas que Cristo fez na presença de seus discípulos, as quais não foram escritas neste livro, estas porém foram escritas para que creiam que Jesus é o Filho de Deus e para que crendo, tenhais vida em seu nome”. Os ensinos de Jesus no livro de João, enfatiza a “crer n o nome de Jesus”. Em certo sentido, aborda o tema do reino – no sentido de que explica a natureza e personalidade do Rei e a importância de crermos em seu nome.




      1. Instrução de Paulo

O tema principal da teologia de Paulo não é tão claro. Paulo não escreve uma simples teologia, apesar do livro de Romanos fazer uma apresentação clara dos conceitos básicos da vida de Paulo.

O tema principal do livro de Romanos é “justificação pela fé”. Paulo apresenta uma tese em Rm 1: 17 (“no evangelho, a justiça de Deus é revelada por fé e para a fé”) Já que no dia a dia não se vê a justiça de Deus de uma forma clara. Paulo explica porque no mundo em geral “a ira de Deus é revelada desde o céu” (Rm. 1: 8 – 3: 20). Depois desta explicação, Paulo pôde outra vez expressar a sua tese (“mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei...” Rm. 3: 21). Os outros capítulos do livro dedicam ao conceito da justiça de Deus. A importância da justiça ou justificação para Paulo é visto quando Félix ouviu de Paulo sobre “a fé em Jesus Cristo”. Paulo lhe falou de justiça, domínio próprio e o juízo verdadeiro.

As outras cartas de Paulo também explicam o significado da justiça de Deus. O tema justificação pode ser outra expressão contextualizada do conceito de “Reino”, Paulo não poderia usar a mesma terminologia tão significativa para os judeus, o expressa o mesmo conceito através de uma expressão basicamente jurídica – Justificação.


      1. Comentários dos evangelistas sinóticos

Os comentaristas dos evangelistas sinóticos enfatizam que Jesus é O Messias. Os evangelhos têm 36 referências sobre o Messias, dos quais, 27 referem a Jesus, isto nos leva a concluir que o Messianismo é um conceito principal de seus comentários.


      1. Atos e Epístolas Católicas

Dos Atos predominam tanto o livro de Atos como as epístolas Católicas: a Natureza da Igreja e o Chamado da Igreja. A Igreja é a representação física do reino de Deus. No livro de Atos é mencionado o Reino de Deus oito vezes, mas é significativo que ao falar de Roma, não utiliza o termo “reino”. Nas epístolas, apenas ocorrem outras seis vezes. Muitas outras vezes as epístolas referem à igreja sem utilizar o nome “igreja”.

O chamado da Igreja é missionário. Esse conceito é visto claramente no livro de Atos, antes e depois do chamado de Paulo. E nas epístolas a natureza e missão da igreja são mencionadas varias vezes.




      1. Comentários de João

João enfatiza a natureza e função de Jesus descrita como Logos e como Deus. Grande parte dos ensinos de Jesus que João escolheu dedica-se a este tema, como também muito do conteúdo de seus comentários.

Outro conceito muito importante nos vários escritos de João é a justificação da demora de parousia. O evangelho de João não enfoca a parousia, porém as cartas de João e o livro de Apocalipse a enfocam.


5.4. Conclusão

Em resumo, a centralização do reino de Deus se vê através de todo o Novo Testamento. Ora se enfatiza o reino, ora a natureza do Rei, e outros aspectos referentes a expressão física do reino.

Assim, uma teologia do Novo Testamento tem que ser uma “teologia do Reino de Deus”. Procuraremos descrever o processo histórico do desenvolvimento desse tema na segunda parte do livro.

Capítulo 6

O Reino de Deus nas pregações de Paulo
Contrário aos sinóticos, o reino de Deus não é um vocábulo muito comum em Paulo. Stewart mostra que o motivo da ausência do termo “reino de Deus” em Paulo é porque se deu conta de que os gentios não haviam entendido este conceito. Todavia, o mesmo conceito recorre em Paulo utilizando outro vocabulário. Nesta seção, trataremos o uso das palavras relacionadas com a raiz bazil – em Paulo. Depois examinaremos o conceito Paulino do mistério. Na quarta parte vemos o conceito de membresia no reino a Soteriologia. Finalmente, examinamos o conteúdo do reino, a Eclesiologia em Paulo.
6.1. Reino de Deus nas pregações de Paulo

A palavra reino ocorre 14 vezes em Paulo, todos se referem ao reino de Deus. Oito vezes ocorre como reino de Deus, três vezes como seu (teu), e uma vez como reino de Deus em Cristo. Não incluímos as duas vezes que o Reino de Deus ocorre em Atos através da palavra de Paulo e as três vezes que Lucas faz o comentário que Paulo pregava o Reino de Deus. Nestes casos, é de duvidar se as palavras são palavras exatas de Paulo, ou um resumo das palavras de Paulo feito por Lucas.

Ainda que Paulo utiliza o verbo reinar onze vezes, apenas dois delas referem ao reinado de Jesus (I Cor 15: 25). Outras seis vezes referem ao poder que o pecado (Rm. 5: 21; 6: 12), a graça (Rm. 5: 17, 21) e a morte (5: 14-17) tem para controlar a vida do individuo. Em I Cor. 15: 25-27, Paulo utiliza “sujeitar” como sinônimo de “reinar”. Esse sentido explica tanto os usos em Romanos 5 e 6 como o uso em I Cor 15.

Surpreendente, Paulo usa o substantivo Rei apenas quatro vezes, e apenas duas delas se referem a Jesus. É comum o uso de “Senhor” para referir ao Rei. O reino de Deus em Paulo parece ser sinônimo de cristianismo ou a vida cristã. Depois de repreender aos Romanos para julgar a outros pela comida que comem, lhes disse em Rm. 14: 16-18: “Não seja, pois, vituperado o vosso bem. Porque o reino de Deus não é comida e nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo. Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens”. E outra vez em Colossenses 1: 12-14: “dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amo, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados”.

Existe também um uso escatológico do termo da parte de Paulo. Em II Tm. 4: 1 e 18, Paulo fala do reino como algo que deverá vir. Jesus Cristo “há de julgar vivos e mortos pela manifestação e pelo seu reino”. O Senhor me livrará de toda a obra e me levará salvo para o seu reino celestial”. Este parece ser o sentido de I Cor. 15: 22- 26, de onde Paulo afirma: “Porque assim como em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo, na sua vinda; e então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que Ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte”.

É aparente que Paulo considera que parte do papel do reino é sujeitar tudo debaixo dos pés do Senhor, e quando isso acontecer, Cristo entregará o reino ao Pai.

Mas o uso maior do reino em Paulo é para definir quem não tem participado da vida cristã. “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus: Não vos deixe enganar, nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem os homossexuais, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem ladrões, herdarão o reino de Deus”. Assim, Guthirie nota que “o reino de Deus não é um tema maior nas cartas paulinas... é presumido em vez de ser expresso especificamente”. Depois resume o conteúdo do reino em Paulo sobre quatro temas: o que o reino não é; a herança futura do reino; o reino como meta do trabalho missionário; e o reinado futuro.
6.2. O Rei e seu reinado em Paulo: Cristologia e Teologia

O conceito de Reino e Reinado não recebe um tratamento compreensível em Paulo, o rei é tratado em detalhe. Mas nem todos têm aceitado a importância da figura do Jesus histórico para Paulo. Alguns vêem uma diferença entre o Jesus de Paulo e os Jesus dos sinóticos. Bultmann por exemplo, diz:


A posição histórica de Paulo vem definida pelo fato de que ele, encontrando-se dentro do marco do cristianismo helenístico, tem elevado os motivos teológicos ativos dentro do kerigma da comunidade helenística a clareza do pensamento teológico, tem levado o plano consciente às perguntas que tinham dentro do kerigma da comunidade helenística e tem conduzido a tomar uma decisão desta maneira na medida que nossas fontes permitem emitir um juízo, se tem confundido em uma teologia cristã... De fato, suas cartas apenas mostram huellas da influência da tradição da Palestina da história da pregação de Jesus. Para ele, o significado da história de Jesus é o fato de que ele, como judeu nasceu debaixo da lei (Gl. 4:4) e que foi crucificado (Gl. 3: 1; I Cor. 2: 2; Fil. 2: 5). Quando ele alude a Cristo como exemplo, não pensa no Jesus histórico, mas como o Preexistente (Fp. 2: 5; II Cor. 8, 9; Rm 15, 3).

O problema de Jesus Cristo em Paulo parte da observação que nos evangelhos de Jesus é o Messias, mas em Paulo, Jesus é o Senhor (não é enfatizado o messianismo). Nos beneficiamos de um estudo de uma substância de conceito de Jesus para Paulo. Iniciamos esta seção com o estudo do sentido do termo Messias para Paulo. Seguimos com um estudo básico dos credos pré- Paulinos, enquanto mencionam a Cristo. Analisamos depois o Jesus histórico em Paulo, depois estudamos os vários temas de Jesus em Paulo: Jesus como Senhor, Jesus como Deus e Jesus como Salvador. Finalmente se estudam a morte e ressurreição de Jesus em Paulo.


6.2.1. O Messias

Antigo Testamento:

O significado do termo Messias é “o ungido”. O conceito vem da unção dos líderes de Israel (o rei, o sacerdote e a inda o tabernáculo). A teologia messiânica não se desenvolve muito no AT. O conceito é mais desenvolvido nos “Cantos dos Servos” (Is. 42: 1-7, 49: 1-9, 50: 4-9, 52: 12 – 53: 12).


A escatologia do juízo é do grande retorno não deixa apenas lugar a figura do Messias, não se pode dizer que a ignora por completo. Mas a pessoa do Messias não desempenha mais que um papel claramente secundário. Só Yahveh é o Rei, e autor do juízo e da restauração.
Mas a teologia da idade messiânica se desenvolve no AT, Passagens que mencionam a esperança messiânica são Ez. 34, 37, 38, Jeremias 31, 34, Ageu, Zacarias e Malaquias. A idade messiânica é um tempo em que Deus restaura seu pacto com Israel. Nesse caso, a consumação messiânica foi entendida como cumprimento de uma ordem estabelecida de uma vez por todo o sempre e agora empregado por toda vida. Sobre a irrevogabilidade dessa ordem se constrói a fé.

Durante o tempo de Davi até o exílio, o Messias não é divino, mas um homem ungido por Deus. Sua função principal é ser Redentor de Israel.


Esta subordinação de todos e cada um dos traços concretos a idéia de consumação do reinado de Deus se traduz de forma impressionante na figura do Rei Salvador... Essa tarefa se compreende em um plano superior, assegurando com ele a cada indivíduo uma nova aliança e paz entre ele e seu Deus. Esta função de mediação de baseia na explicação voluntária através do sofrimento até a entrega da própria vida e a superação e conversão interior do pecador, ao aceitar na fé a intercessão por ela conseguida, a perfeita comunhão com Deus dos fiéis dentro da história fica assim liberada definitivamente de toda concepção materialista e afirmada no sentido mais pleno como uma relação pessoal entre Deus e o homem.
Mas depois, durante o tempo pós exílico, o Messias começa a exercer uma função primordialmente política e militar (Zc 9: 9).
Literatura judaica pré-paulina

No apocalipticismo, o conceito do Messias se desenvolve mais além dom AT. O Messias levítico é um conceito que vem da literatura apocalíptica judaica. A literatura apocalíptica tem o conceito de um líder político que não vem de Davi (Judá) mas de Levi (o Messias Sacerdotal).


A Levi e a Judá deu ao Senhor a ordem e com eles também a mim, a Dã e a José para que sejamos chefes. Por isso os ordeno que prestem ouvidos a Levi, porque conhece a lei do Senhor Test Rúben 6: 7-8
Isto é possível uma confirmação do Reino dos Macabeus que também eram sacerdotes e líderes políticos. Isto não cancela o Messias Davídico. Nos documentos de Qumrám também se oferece evidência sobre os dois Messias. Por exemplo, na Regra da Congregação 9: 11. Neles são registrados até a chegada do Profeta e os Messias de Arão e Israel. Igualmente no Documento de Duas Colunas 2: 17-22
E quando é chegada a hora de tomar o alimento e beber o mosto que se havia preparado para o Banquete da Aliança, que ninguém pode partir o pão antes do sacerdote, porque é ele quem deve partir o pão e distribuir o mosto. Imediatamente o Messias de Israel terá em mão para tomar o pão e depois dele toda a assembléia fará o mesmo, seguindo a ordem de seus respectivos postos.
Note-se que o Messias sacerdotal procede ao sobre o Messias real.
Ensinamento de Jesus

Os textos dos evangelhos apontam a Jesus como Messias, mas o mesmo não o dá a conhecer publicamente. Desde o tempo de Wrede, esse fato tem levantado a possibilidade que Jesus não era reconhecido como Messias, mas que a Igreja colocava esta identificação nas palavras de Jesus. Fuller, por exemplo, examina a declaração de Pedro (Mc. 8: 27-33) e o interrogatório diante do Sinédrio (Mc. 14: 61-62) e determina que em ambos Jesus rejeita sua identificação popular como o Messias.

É obvio que por uma rápida leitura dos sinóticos e João que os evangelistas criam que Jesus ra de fato, o Messias, apesar de poucas vezes ser declaradas por Jesus. Mc 8: 29 Mt. 16: 16; Lc 9: 20 é uma declaração feita por Pedro, autorizada por Jesus. Pela aplicação dos critérios da crítica redacional. Fuller reduz a passagem a um intercâmbio mais reduzido. Os elementos eliminados da passagem são:

1) uma ordem para não divulgar

2) uma pregação da paixão

3) a rejeição de Pedro sobre o ensino da paixão

O ponto 1 constitui um tema característico do livro de Marcos; o ponto 2 pertence ao mesmo extrato de tradição que as demais pregações da paixão de Marcos e é pelo seguinte, separado do texto. O que fica da passagem original é:

a) Jesus pergunta: O dizem os homens que sou?

b) Pedro responde “O Cristo de Deus”

c) Jesus responde “Arreda-te de mim Satanás”

Fuller insiste que “Jesus rejeita a messianidade como uma tentação meramente humana e inclusive diabólica”. Este argumento é baseado no messiânico secreto e o conceito da paixão de Jesus não é parte de sua história, mas do Kerigma da Igreja.

Assim também em Marcos 14: 61, o Sumo Sacerdote fez a pergunta direta “És tu o Cristo?” ao que Jesus respondeu “Eu sou”. Em Marcos mesmo alguns manuscritos fazem que a resposta de Jesus se assemelhe mais ao testemunho de outros sinóticos. A razão que Fuller descarta a declaração aberta é “a reação de Jesus em Cezaréia de Filipo” É um perfeito exemplo de edificar uma conclusão débil sobre a outra mais débil.

Em João, Jesus declara abertamente que é o Messias (Mc. 9: 20) onde Jesus fala de seus discípulos como seguidores de Cristo. Em Lc. 24: 26 também fala de seus sofrimentos como de Cristo. Mas talvez o dado mais destacado é que Jesus foi crucificado pela acusação de ser Messias.

Os textos nos sinóticos que sugerem o “secreto” são:

Mc. 1: 25 – Quando Jesus confronta um homem com um espírito imundo, o espírito diz “Jesus de Nazaré... bem sei quem és: O Santo de Israel” Jesus lhe disse “Cale-se e sai dele”.

Mc. 1: 34 – Jesus cura vários enfermos e expulsou vários demônios “e não deixava falar aos demônios, pois eles sabiam quem era ele”.

Mc. 1: 44 – Jesus cura um leproso e depois: “Jesus o admoestou e em seguida despediu dizendo: não digas nada a ninguém”.

Mc. 5: 43 – Jesus levanta a filha de um oficial de uma sinagoga e depois: “deixo ordens que ninguém saiba disso”.

Mc. 7: 36 – Jesus cura um surdo mudo e depois lhe ordenou – “lhe ordenou que a ninguém dissesse”.

Mc. 8: 26 – Jesus cura um cego e depois – “lhe enviou a sua casa dizendo, nem ainda na aldeia entres”.

Mc. 8: 30 - Pedro confessa que Jesus é o Cristo e depois – “E lhes advertiu severamente que não falassem dele a ninguém”.

Mc 9: 9 – Depois da transfiguração, Jesus “lhes ordenou que não contassem a ninguém o que haviam visto”.

Deve reconhecer que o lado oposto do suposto “segredo” messiânico existem vários textos que falam da forma aberta em que Jesus falava de seu ministério.

Mc. 5: 19 – Jesus cura um endemoninhado gadareno que queria seguí-lo. Em vez disse, Jesus pediu-lhe “Vá a tua casa e aos teus, conte quão grandes coisas que o Senhor tem feito por ti e como teve misericórdia de ti”.

Mc. 16: 7 – Depois da ressurreição, as mulheres recebem instruções de “anunciar aos discípulos”.

E existem também uma quantidade de versículos em que Jesus fez um milagre mas não pediu que guardassem segredo.

É justo fazer umas observações em relação aos detalhes do “segredo messiânico”

Primeiro notamos que o “segredo messiânico” é um fenômeno de Marcos. Mateus e Lucas mencionam quando o segredo apenas ocorre em Marcos.

Segundo, deve notar que não é realmente um segredo messiânico, mas um segredo de quem realiza os milagres. Em apenas uma só ocasião que Jesus pede que os discípulos guardem o segredo de sua messianidade. Em poucos, outros guarda a sua natureza divina.

Terceiro, nota-se que nas passagens aonde Jesus pede silencio, há várias características que tem em comum. Em várias passagens o milagre foi feito em público. Em outras passagens, o milagre não ocorreu na terra de Judá ou na Galiléia.

Quarto, deve-se notar que as passagens aonde Jesus pede silêncio também compartilham certas características. O milagre é feito entre poucas pessoas – é possível manter um milagre ou revelação em segredo.

Concluindo, nos parece que o “segredo messiânico” não resolve o problema levantado pelo texto, mas cria ainda outros problemas difíceis de contestar, Qualquer leitura do NT que queira reconhecer a historicidade dos textos terá que dar uma explicação ao Segredo Messiânico. Deve-se notar que existe outra série de passagens que também falam de um segredo por parte de Jesus. Quando Jesus apresenta as suas primeiras parábolas, os discípulos lhe pediram interpretação. Ao responder, Jesus também lhes disse porque estava usando parábolas:

A vós tem sido dado o mistério do reino de Deus, mas os que estão de fora recebem tudo em parábolas, para que vendo, não percebam, para que ouvindo, não compreendem...

E em João não contém nenhuma parábola. O propósito de entorpecer o entendimento de todos “os de fora”.. Em Marcos como também em Mateus, o uso de parábolas segue ao encontro de Jesus e os fariseus, quando os fariseus lhe acusam de fazer milagres pelo poder de Belzebu. Em Lucas é registrado o mesmo fato.

Naqueles instantes, Jesus demonstrou preocupação com o estado espiritual dos fariseus, pois eles estavam cometendo pecado imperdoável – a blasfêmia contra o Espírito Santo. Jesus os culpou disso por haverem dito: “Tem a Belzebu” e “Expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios”. Jesus entendeu que a blasfêmia contra o Espírito Santo era equivalente a atribuir a Jesus poderes satânicos, começou a ensinar de uma forma crítica e também tratou de ocultar-lhes os milagres.

Em Marcos 1: 25 e 34, Jesus manda os demônios calarem a boca por anunciarem sua verdadeira identidade, era por não querer deixar que os demônios falassem e sim, preferia que as pessoas dessem conta de quem ele era de fato. E em Mc. 1: 44, Jesus pede segredo ao leproso, mas que apenas contasse aos sacerdotes o que aconteceu com ele, isso aconteceu, porque ele sabia que as pessoas da região o procurariam (v. 1: 45).

Em resumo, Jesus apresentou-se como Messias apenas a um pequeno grupo e era obvio que as pessoas compreendiam sua identidade. Jesus teve conhecimento de sua natureza, divina e humana, reconhecia que o que fazia era pelo poder de Deus.


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