Teologia do novo testamento


Cristo nos Credos Cristãos e Pré- Paulinos



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6.2.2. Cristo nos Credos Cristãos e Pré- Paulinos

Nos credos pré paulinos, a cristologia julga um papel muito importante. Dez passagens distintas tratam da procedência, da função, da natureza e ressurreição de Jesus. Romanos 1: 3-4 vemos a procedência de Jesus. “com respeito ao seu filho, o qual,segundo a carne, veio da descendência de Davi e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor”.

A função de Jesus é vista em Romanos 3: 24 – 26 a.
Função Jurídica. Sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que é por Cristo Jesus.

Função Cúltica. A quem Deus colocou como propiciação por meio da fé em seu sangue.

Função redentora. Para manifestar sua justiça, por haver passado em todos os pecados no tempo presente.

Na função jurídica, Jesus nos justifica diante do Juiz Divino, na função cúltica, Jesus se oferece como sacrifício pelo nosso pecado, na função redentora, Jesus se sacrifica, para que Deus apague o nosso pecado, sobretudo no tempo presente. A função de Jesus é também vista em II Tm. 2: 11-13. “Se morremos com Ele também viveremos com Ele; se perseverarmos, também com Ele reinaremos; se o negamos, Ele por sua vez, nos negará; se formos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo”.

Aqui a função de Jesus e aplicabilidade dessa função a nós, se descrevem em forma poética. A natureza de Jesus é vista em I Cor. 8: 6. “todavia, para nós há um só Deus, o Pai de quem são todas as coisas, e nós também por Ele”.

A identificação de Jesus e Deus é evidente. Filipenses 2: 6-11 é o credo mais importante que o NT inclui. Também trata da natureza de Jesus.

“mesmo sendo Deus, não o julgou por usurpação ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus, dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.

A natureza divina e humana de Jesus se explica através da Kenosis. Paulo inclui em I Tm. 3: 16, outro credo que trata a natureza de Jesus. “Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória”.

A Igreja primitiva formou critérios cristológicos claros. A ressurreição de Jesus é tratada em Rm. 10: 9, I Cor. 15: 3-5 e Ef. 5: 14. “Jesus é Senhor. Deus se levantou dos mortos. Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, apareceu a Cefas, depois aos doze, depois apareceu a mais de 500 irmãos de uma vez, depois a Tiago e por fim a todos os apóstolos”. “Desperta tu que dormes, e levanta-te dos mortos e Cristo te iluminará”.

Nas três passagens , é evidente que a ressurreição de Jesus tomava parte clara dos credos primitivos. É interessante que o tema central da igreja primitiva era a pessoa de Jesus. Reconheciam que ele era o centro de sua teologia e sempre se preocuparam por identificar-lhe e definir sua função como Salvador ressurreto.


6.2.3. O Jesus Histórico em Paulo:

Paulo utiliza o termo Cristo mais de 400 vezes, o fato é que estava convencido que Jesus era o Messias. Mas Stewart nota:


Em Damasco, Paulo havia encontrado alguém com veste superior que a dignidade externa de algum oficial, havia encontrado o Salvador. Daí em diante, Paulo fala de Cristo, o sentido oficial do termo estava sob o sentido pessoal.
Para Paulo, Cristo era algo mais que o Messias. Há quem possa questionar a importância do Jesus histórico para Paulo. O problema básico é o significado de II Cor. 5: 16. “Já não conhecemos Cristo segundo a carne”. Passagens como II Cor. 5: 18, 8: 9 e Fil. 2: 6-11 demonstram que era possível formular temas sem mencionar fatos históricos, isso fica claro que pela relação de Paulo em relação a tradição palestinense de Jesus é ignorado por ele, praticamente por completo. Poderia levar a atualizar a “Cristo, segundo a carne” do qual, ele não quer saber nada.

O ministério de Jesus que culmina em sua morte é essencial para todo o pensamento de Paulo... recusa-se a conhecer “a Cristo segundo a carne”, ele significa que não quer correr o risco de prestar atenção às condições temporárias do ministério Galileu quando o Espírito de Cristo está conduzindo claramente a novos campos.

Note que o versículo fala não apenas de Cristo, mas de todos os seres humanos. Parece que fala em conhecer a alguém segundo aparências ou seja, superficialmente. Paulo inclui no seu trato de Jesus, varias referências a fatos históricos da vida de Jesus. Jesus veio em carne (Rm. 1: 4). Jesus era ser humano (Rm. 5: 12 e Fp. 2). Morreu uma morte física (I Cor. 15).
6.2.4. Jesus Cristo como Senhor

Um ponto básico para Paulo é o reconhecimento de Cristo como Senhor. Note que Maranata em I Cor 16: 22 representa uma oração pascoal antiga que significa “Vem Senhor” Note também as fórmulas confessionais como Romanos 10:9. Mas o dado maior é o uso se “Senhor” “Senhor Jesus” “Nosso Senhor”, em Paulo é usado mais de duzentas vezes.


6.2.5.Jesus Cristo como Deus

As duas passagens primordiais: Rm. 9: 5 e Tt 2: 13. Ambos permitem uma leitura distinta.

De quem são os patriarcas, é de quem segundo a carne procede a Cristo, Deus bendito pelos séculos, o qual está sobre todas as coisas. Amém.

O problema de Romanos 9: 5 é se a frase “Deus bendito pelos séculos” é uma doxologia ou se modifica “Cristo”. Há duas razões para este fato:

1. a ordem da última frase. Elogetos devem receber uma doxologia (“bendito seja Deus...”)

2. Paulo normalmente coloca as doxologias depois de um substantivo que modificam. O substantivo anterior é “Cristo”.

Já, o problema de Tito 2: 13 – “aguardando a esperança bem aventurada e a manifestação da glória de nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus”. – é que permite a leitura “de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo”, referindo-se assim a dois indivíduos. A gramática grega prefere a leitura da Bíblia das Américas, anotada acima. Também no contexto de Tito 2: 10 fala de “Deus nosso Salvador” – um só indivíduo.


      1. Jesus Cristo como Salvador

Poucas vezes Paulo usa o termo Salvador, mas o mais importante ainda é o conceito Paulino da obra redentora de Jesus.


      1. Morte de Cristo no Pensamento Paulino

Antes de examinar a morte de Cristo, é válido examinar as distintas formas de interpretação.

Marco Teológico-Histórico: As teorias de Expiação


6.2.7.1 Expiação como Vitória (Teoria do preço do resgate)

Predomina na Igreja primitiva até o tempo de Anselmo. A teoria desenvolve de Orígenes e Gregório de Nissa. Orígenes explica que na história do mundo, Satanás ganhou o controle temporário. Como o príncipe deste mundo, Satanás tem certos direitos que não podem ser desvalidados por ninguém. O problema do homem é que é escravo de Satanás, e o próprio fixou o preço do resgate do homem – a morte de Jesus Cristo.

Deus pagou a Satanás esse resgate. Satanás foi enganado, porque pensou que era capaz de manter a soberania sobre Jesus, mas Ele ressuscitou.

Gregório de Nissa mantém a justiça de Deus no trato entre Deus e Satanás, por argumentar que o homem decidiu por si mesmo entregar-se a Satanás. Tirar a Satanás o que lhe foi dado, seria injusto, de modo que Deus ofereceu seu Filho em favor dos homens. Deus enganou a Satanás por esconder sua divindade em carne. Satanás aceitou a vida de Jesus, mas a divindade de Jesus o permitiu ressuscitar e sair do poderio de Satanás.

Agustín descarta a tese que Deus enganou a Satanás e não escondeu a divindade de Jesus em carne. Pelo contrário, Satanás enganou-se a si mesmo, pensando que era capaz de ter vitória sobre Jesus, quando na realidade o seu poder é inferior ao de Cristo.

Seja qual for a expressão, o conceito básico é que a cruz proveu uma vitória sobre Satanás, resgatando a humanidade da escravidão (I Cor. 6: 20, Mt. 20: 28).


6.2.7.2. Expiação como Compreensão ao Pai (Teoria de Satisfação)

Anselmo vive em um ambiente distinto do sistema legal de Roma (é o Arcebispo de Canterbury no século XII), no feudalismo. Nesse contexto histórico o pecado era uma afronta ao senhor feudal, exigia-se justiça para satisfazer o senhor feudal, pois o homem lhe pertencia como “pertence” a Satanás. O homem não pertence a Satanás, de modo que não havia necessidade de se pagar o preço do resgate. A única obrigação que Deus teve era de castigar alguém que convenceu ao homem de rebelar-se contra o seu Senhor. A honra de Deus tem sido violada, ele restaura a sua honra por exigir um preço ao homem, aceitar satisfação feita em seu lugar. Deus oferece Cristo como satisfação da rebelião do homem, e por sua vez, vence a Satanás.

Na teoria da Satisfação, o problema básico do homem é que não cumpriu o propósito pelo qual foi feito por Deus. O homem foi criado para servir, amar e relacionar-se com Deus, mas isso não aconteceu. Deus queria a satisfação do homem, mas o homem não pôde dar. Somente Deus poderia satisfazer-se a si mesmo, mas para satisfazer a Deus pelo que o homem havia feito, teria que se fazer por homem. Por isso, a Encarnação era uma realidade lógica e a morte do Deus Encarnado o fim lógico de sua existência.
6.2.7.3. Expiação como demonstração do Amor de Deus (Teoria da Influência Moral)

Abelardo descarta o conceito de Anselmo, enfatizando o amor de Deus na expiação, ao morrer pelo homem, Jesus demonstrou o amor de Deus.

O problema básico do homem era a sua ignorância quanto ao propósito de Deus em sua vida, a morte de Cristo mostrou isso ao homem.

O pecado é uma enfermidade da qual o homem deve ser curado. A morte de Jesus era o auge de seu amor. Sua morte abre ao homem três possibilidades:

1. A possibilidade de apertura até Deus;

2. A possibilidade de um arrependimento profundo e sincero pelo seu pecado;

3. A possibilidade de aprender do sacrifício de Jesus.
6.2.7.4. Expiação como substituição penal (Teoria Reformada)

Os reformadores consideram que a cruz de Cristo foi uma substituição pelo homem. Este fato se baseia em três naturezas:



  1. A natureza de Deus. Ele é perfeito e Santo;

  2. A natureza da lei. A lei é a forma em que o homem se relaciona com Deus. O pecado é a violação da lei divina, trazendo como conseqüência a separação de Deus.

  3. A natureza do homem. O homem é pecador.Ele nada pode fazer para reconciliar-se com Deus.

O centro da teoria da substituição penal é a encarnação. Jesus é por sua vez Deus e homem. Como homem pode morrer como ser humano. Como Deus, a sua morte pode ser a expiação pela humanidade. A morte de Jesus é:

1. um sacrifício como do AT;

2. uma propiciação que aplaca a ira de Deus;

3. uma substituição em que Cristo morre em lugar do pecador;

4. Uma reconciliação pela qual o homem é restaurado a uma relação com Deus.
6.2.7.5. Expiação como Exemplo (Teoria Sosiniana)

Faustus e Laelius Socinus (século XVI) descartaram a idéia de um sacrifício vicário. A morte de Jesus é um exemplo (I Pe. 2: 21). O conceito nasce de três fontes:



  1. A idéia pelagiana da capacidade do homem de agradar e obedecer a Deus

  2. A visão do amor como a característica básica de Deus.

  3. A rejeição da divindade de Jesus.

A morte de Jesus enche a necessidade do homem a ver um exemplo do amor de Deus e a experimentar a inspiração da morte de Jesus.
6.2.7.6. Expiação como demonstração da Justiça de Deus (Teoria Governadora)

Hugo Grotius rejeita o conceito Sosiniano. Para ele, Deus é um Deus santo e justo que tem imposto ao mundo certas leis universais. Ele tem direito de julgar e castigar o pecado do homem. Mas como sua característica maior é o amor, não castiga o homem. Pode escolher de perdoar e absolvê-lo de seu pecado. A pergunta é como o faz.

Deus atua como governador na expiação. Podia perdoar o pecado do homem sem pedir preço, mas faria valer a sua lei. Era necessário ter uma expiação que desse base para o perdão do pecado, mantendo a estrutura de governo. A morte de Cristo nos mostra que Deus requererá de nós se vivermos em pecado. A morte de Cristo não é um castigo, faz dele, algo necessário. O sofrimento de Cristo é demonstração do ódio que Deus sente pelo pecado.
Marco Histórico

6.2.7.7. Antigo Testamento

Sacrifício no AT é visto como um meio pelo qual o homem se aproxima de Deus, não é como um sacrifício pagão – que é primordialmente uma propiciação para aplacar a ira de Deus. O sacrifício do AT é uma norma do pacto que provê:



  1. O homem que vê o pacto como uma forma de relacionar-se com Deus;

  2. O homem que quer agradar a Deus com uma forma aceitável de expressar sua gratidão.


6.2.7.8. Judaísmo Pré Cristão

Não há uma mudança básica no conceito de sacrifício nem expiação no Judaísmo pré-cristão. Outro conceito que parece ser incluído no NT é o de Akeda Isaac. No tempo pós-paulino encotramos paralelos entre Akeda Isaac e o sacrifício de Jesus. A epístola de Bernabé 7: 3 diz:


E mais, cravado na cruz, foi oferecido água com vinaagre e fel. Veja como de antemão mostraram este pormenor aos sacerdotes do templo. Como está escrito o preceito: o que não ayunare o ayuno, seja exterminado com morte; a razão de mandar o Senhor foi porque Ele havia de oferecer em sacrifício por nossos pecados e cumprir a par a figura de Isaque oferecido sobre o altar.
Veja também o comentário de Orígenes sobre Gn. 8 e possivelmente Hebreus 11: 8-20; A literatura pré-paulina o Akeda se menciona em Josefo Ant. I, 13, 1-4:
Isaque (que era de ânimo generoso como seu pai), ficou muito satisfeito pelo sermão de Abraão, dizendo que não haveria merecido ter nascido se não cumprisse a decisão de Deus. E se dirigiu imediatamente ao altar para ser sacrificado.
4 Mac. 16: 20 diz: “Por Deus nosso pai, Abraão se apressou em sacrificar a seu filho Isaque e este não se assustou e ver avançar a mão de seu pai”. Ver também Jub. 18: 1-19 e os Tárgumes em relação a Gn. 22: 10. Há um progresso histórico na doutrina. Depois de um interesse na obediência de Isaque, passam a ver o sacrifício de Isaque como algo que foi cumprido. Os méritos de Isaque são enfatizados como um valor expiatório.

Paulo apenas menciona a Akeda (possivelmente) em Rm. 8: 32 e Gl. 3: 13-14: “o que não poupou a seu próprio filho, mas que se entregou por todos nós”...

“Cristo nos redimiu da maldição da lei, havendo-se feito maldição por nós... a fim de que em Cristo Jesus a bênção de Abraão viesse aos gentios”.
6.2.7.9. Ensinamentos de Jesus.

Ensinamento sobre a sua morte. Jesus já esperava uma morte violenta se vê desde Mc 2: 18-20.Teve o conceito do extenso de sua morte (três dias) – Mt. 16:21s. Entendia também a implicação de sua morte (Mt 17: 22, Mt 20: 17-19), mas não há fatalismo, a morte como o precursor necessário para a ressurreição.

Ensinamentos sobre a expiação. Jesus reconhece sua própria morte como um resgate (Mc. 10: 45). A palavra lutrion significa o preço para livrar um escravo. A idéia de redenção é incluída aqui.

A frase “para a remissão de pecados” (Mt. 26: 26-29, Mc. 14: 22-25) conecta a morte de Jesus com a idéia do sacrifício do AT. O grito da cruz (Mt 27: 46) agrega esta idéia. Jesus entendeu que Deus o havia abandonado por causa do pecado que ele havia tomado sobre si.

O uso do verbo paradidanai (Mc. 9: 31. 14: 41, Lc 24: 7) pode indicar uma relação com Isaías 53: 12 (LXX), o mesmo que Lc 22: 35-38. Pode indicar que Jesus veio como Servo Sofredor de Isaías 53.

O fato de Jesus ter sido sacrificado na Páscoa, enfatiza o efeito do Pacto em sua expiação.Tal como a ovelha pascoal inicia a Nova Aliança.


6.2.7.10. Credos Pré-Paulinos

Rm. 3: 25-26 a enfatiza três funções da obra redentora de Jesus: uma jurídica, uma cúltica e uma funcional. “sendo justificados gratuitamente por sua graça por meio da redenção em Cristo Jesus, a quem Deus mostrou publicamente como propiciação por seu sangue através da fé, a fim de demonstrar sua justiça, porque em sua misericórdia, Deus esqueceu os pecados cometidos anteriormente para demonstrar nesse tempo sua justiça, a fim de que ele seja justo e seja o que justifica ao que tem fé em Jesus”.

Em II Tm. 2: 11-13, a morte de Jesus é completa em nós em que chegamos a morrer com Ele. “Se morremos com Ele, com ele também viveremos”. A ressurreição é muito mais notável que a morte.
6.2.7.11. Paulo

O vocabulário que Paulo utiliza em relação a morte de Jesus é diversa. O substantivo thanatos (Rm. 5: 10; 6: 3) significa morte, oito vezes Paulo utiliza o termo thanatos Iesou. Duas vezes a morte de Jesus nos reconcilia com Deus (Rm. 1: 10; Col. 1: 22). Duas vezes fala da realidade histórica da morte de Jesus (I Cor. 11: 26; Fp. 2: 8). Cristo fala da nossa participação na morte de Jesus (Rm 6: 3, 4, 5, Fp. 3: 10).

O substantivo jaima (ama – cp. Rm. 3: 25; 5:9; Ef. 1: 7; 2: 13; 2:13) quer dizer sangue. Utiliza-se no sentido da morte de Jesus, oito vezes Paulo utiliza jaima Iesou. Uma vez traz propiciação (Rm. 3: 25).Uma vez traz justificação e salvação (Rm 5: 9). Uma vez traz redenção (Ef. 1:7). Duas vezes traz reconciliação (Ef. 2: 13; Col. 1: 20). Três vezes refere à Santa Ceia/ Novo Pacto (I Cor. 10: 16, 11: 25, 27).

Os substantivos staurus (staurV – Fp. 2: 8, 3: 18, Gl. 5: 11, 6:12, 14, I Cor 1: 18, Ef. 2: 16, Col. 1: 20, 2: 14) quer dizer cruz. A cruz é o meio da reconciliação (Ef. 2: 16). É um termo para a totalidade da mensagem do evangelho (I Cor 1: 18) o mesmo evangelho (Fil 3: 18). Dez vezes Paulo utiliza stauros Iesou. Uma vez é o centro do evangelismo (I Cor 1: 17). Uma vez fala da realidade histórica (Fp. 2: 8). Uma vez traz a redenção ou perdão (Col. 2: 14). Uma vez fala de nossa participação na cruz (Gl. 6: 14). Duas vezes traz a reconciliação (Ef. 2: 16, Col. 1: 20). Quatro vezes é equivalente ao evangelho (I Cor. 1: 18, Gl. 5: 11, Fp. 3: 18). O verbo stauroo ocorre dez vezes em Paulo. Três vezes o feito histórico da crucificação (I Cor. 2: 8, II Cor. 13: 4). Três vezes é o centro do evangelho (I Cor. 1: 13). Quatro vezes fala da nossa participação na cruz.

O substantivo jilasterion quer dizer propiciação ou propiciatório. Ocorre uma só vez em Paulo. O substantivo apolutrosis quer dizer redenção ou resgate. A palavra se aplica ao preço pago para livrar um escravo. Duas vezes a redenção é conectado diretamente com o conceito de perdão de pecados. Os verbos agorazein (I Cor. 6: 20; 7: 23) quer dizer redimir ou pagar.

Isto mostra um total de 34 referências sobre a morte de Jesus em Paulo. Isto parece indicar que há em Paulo uma expiação objetiva e subjetiva. Calvino parece estar de acordo com isso. Segundo Calvino, a expiação calvina implica participação com Cristo.


Expiação objetiva em Paulo:

A expiação é uma vitória “Preço de resgate”, é uma expiação como compensação, visto nos lugares de onde aparece “propiciação” (Rm. 3: 25). Em vários lugares, expiação é uma demonstração de amor (Rm. 5: 8). Às vezes a expiação é uma substituição penal. A expiação nunca ocorre como exemplo moral, nem como demonstração da justiça como sugeriram Bushnell e Grotius.

Paulo não tem uma expressão exclusivista da expiação objetiva. Podemos excluir algumas teorias, mas não podemos escolher entre outras. Paulo utiliza várias imagens. A mais popular é a imagem de redenção, mas não é exclusiva. Também Paulo enfatiza o conceito e propiciação (satisfação), substituição e demonstração do amor do Pai. Nunca apresenta a Cristo como um sacrifício como o do AT.

Há três passagens que apresentam aspectos importantes da expiação de Jesus em Paulo.

Rm. 3: 24-26 “somos justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que é por Cristo Jesus, a quem Deus colocou como propiciação por meio da fé em seu sangue, para manifestar sua justiça... a fim de que Ele seja o justo e seja o que justifica ao que tem fé em seu nome”.

Paulo agrega a esse credo primitivo o conceito do propósito de Deus ao efetuar a redenção. “A fim de que ele seja o justo e seja o que justifica ao que tem fé em Jesus”. Há duas formas de traduzir esta frase. A tradução anotada é a Bíblia das Américas e é em seguida literalmente maior que todas as traduções. Esta frase é confusa quando se vê no grego. Na última frase falta um artigo antes da palavra dikaiounta que omite a conjunção kai o que não indica a uma leitura original, e sim uma possibilidade de tradução. O Kai pode traduzir-se não como uma conjunção, mas como advérbio “mesmo” e dikaiounta pode ser uma frase adverbial temporal. Assim a tradução seria: “a fim de que Ele seja o justo mesmo quando justifica o que tem fé em Jesus”.

Esta frase parece ser propriamente Paulino em origem , já que agrega todo conteúdo do credo que cabe bem no contexto de Romanos. Vem depois que Paulo enfatiza a “ira de Deus” em Rm. 1: 18 – 3:20, explica porque Deus é justo mesmo em aceitar propiciação por alguns e não por outros.

Nesse caso, Paulo herda do credo o conceito de substituição e de propiciação, mas agrega o conceito da justiça de Deus como resposta a ira.

Em I Cor. 11: 24-25 encontramos uma passagem igual à Lc. 22: 19-20.

I Cor. “Este é o meu corpo que dado por vós, fazei isso em memória de mim”.

Lucas. “Isto é o meu corpo que por vós é dado; fazei isso em memória de mim”.

I Cor. “Este corpo é a nova aliança em meu sangue”

Lucas. “Este corpo é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vos”.

Esta semelhança indica que estas duas declarações chegaram a serem conhecidas entre os primeiros cristãos – é um credo litúrgico da Ceia do Senhor.

A preposição uper indica uma classe de substituição, ou pelo menos benefício (Daube). O uso do novo Kaine, cabe no conceito Paulino do novo homem, nova criação.

Estas duas passagens indicam que Paulo herda da teologia cristã através dos credos primitivos, o conceito da morte substitutiva de Jesus, mas quando Paulo mesmo trata de sua morte, outro tema sobressai.

Romanos 6: 1-11

Em Rm. 6 encontramos um tratado Paulino da morte de Jesus sem credo. Nesta passagem, a participação do cristão, com a morte de Jesus é o que sobressai. No uso dos termos sumfotoi (6:5), suzesomem (6:8) e as referencias à morte com ele, e vida com ele, chamam nossa atenção a proeminência da participação do crente na morte de Jesus.

Igualmente em Gálatas 2: 19-20, sem credo, a referência é a participação do crente na morte de Cristo. A expiação em Paulo é participacionista. Paulo interpreta a expiação em termos subjetivos. Como realidade objetiva, reconhece que ocorreu historicamente, mas não oferece uma idéia do que realmente aconteceu. Para Paulo, o mais importante que o cristão chegue a participar na realidade pessoal e mística da morte e ressurreição de Jesus.


      1. Ressurreição de Jesus em Paulo:

A tese de Vidal que a ressurreição de Jesus se vê em quatro formas de tradições em Paulo.

1. a beraká em Deus da Páscoa (Rm. 4: 17, II Cor. 1: 9- visto também em forma abreviada em Rm. 4: 24, I Cor 4: 14, Gl. 1: 1).

2. as formas de fé com a estrutura narrativa. Este tem três expressões: a forma teológica (Rm. 10: 9, I Cor 6: 14; 15:15 e I Tes. 1: 10), a forma cristológica (I Tes. 4: 14) e as fórmulas de fé narrativas. (Rm. 4: 25, I Cor. 15: 3-5)

3. as fórmulas do tipo pessoal (Rm. 1: 3-4)

4. em tradições sem fórmula fixa (padecimentos – glória e fórmula de morte).

Vidal conclui que a ressurreição para Paulo é considerada como fato histórico, ligado a morte e Jesus e como base do evangelho (I Cor. 15).




      1. Catálogo: portugues
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