TEÓricos da educaçÃo angélica Russo 2004 Índice



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TEORIA DE CARL ROGERS

.......... Parece que, se desejo tornar-me um cientista, o primeiro passo para isso é mergulhar nos fenômenos da área especifica pala qual me interessei... absorver a experiência como uma esponja, de tal modo que ela seja recolhida em toda a sua complexidade, com meu organismo total, e não apenas minha mente consciente, participando livremente da experiência dos fenômenos....Carl R. Rogers.”

Nascido nos Estados Unidos em 1902, filho de uma família protestante, com valores tradicionais e religiosos, onde o incentivo ao trabalho duro, era amplamente cultivado. Rogers faleceu em plena atividade, aos 85 anos de idade em 1987. Psicólogo, formado na Universidade de Columbia em Nova York, especializou-se em problemas infantis. Lecionou na Universidade de Rochester e escreveu o livro O Tratamento Clinica da Criança. Como professor da Universidade de Chicago, pôs em pratica suas idéias, cujos resultados foram avaliados no livro Psicoterapia Centrada no Cliente em 1951. “Ele considerava que era o próprio cliente quem dirigia o processo terapêutico”.Em sua publicação Psicoterapia Centrada no Cliente em 1951, Rogers fez uma exposição geral do seu método não diretivo, e de suas aplicações à educação e a outros campos. Em sua obra Liberdade para Aprender, ele discute: “Melhorando o nosso relacionamento com os alunos, melhoramos o nosso ensino, melhora a aprendizagem. Os nossos alunos estão ávidos deste tipo de comunicação; eles querem, antes de tudo, ser vistos como pessoas que existem, que amam, que choram, que sofrem, que têm dificuldades. Só os alunos? E nós, professores, também não desejamos ser vistos não só como aqueles que sabem alguma coisa, mas igualmente como pessoas humanas?...Eu quero que meus alunos sejam meus amigos, e quero dar-lhes a minha amizade...O bom relacionamento depende fundamentalmente de mim, de criar um clima propício à amizade, à aceitação, à autenticidade. (P.21.)

Suas primeiras experiências clínicas, colocadas na tradição behaviorista e, ainda mais, psicanalistas, foram feitas como interno do Instituto For Child Guidance, onde sentiu a forte ruptura entre o pensamento especulativo freudiano e o mecanismo mediador e estatístico do behaviorismo.



CARL ROGERS foi um dos principais responsáveis, embora quase nunca se fale nisso pelo acesso e reconhecimento dos psicólogos ao universo clinica, antes dominado pela psiquiatria médica e pela psicanálise, e que, nos EUA, era exercida exclusivamente por médicos até bem pouco tempo atrás. Sua postura enquanto terapeuta sempre esteve apoiada em sólidas pesquisas e observação clinica, podendo-se sem sombra de dúvida, dizer que o campo de pesquisas objetivas voltadas para o referencial teórico da abordagem Centrada na Pessoa é formado por um número considerável de trabalhos, indo mesmo além que o numero de pesquisas feitas sobre muitas outras abordagens, incluindo a psicanálise. A utilização dos testes psicológicos e a elaboração de diagnósticos tornaram-se irrelevante para Carl Rogers, e ele transportaria para a educação a sua concepção terapêutica.
Destaques na Teoria de Rogers:
* Para Rogers o importante é aprender a aprender. Não é o conhecimento em si que será de utilidade, e sim uma atitude de busca constante do conhecimento;

*A preocupação de Rogers é com o aluno como pessoa. O importante é a auto-realização da pessoa;

* Parte de um enfoque essencialmente humanístico que visa à aprendizagem “pela pessoa inteira”, uma aprendizagem que transcende e engloba as aprendizagens cognitivas, afetivas e psicomotoras;


  • Para Rogers aprendizagem significante é mais do que acumulação de fatos. É uma aprendizagem que provoca uma modificação quer seja no comportamento do individuo, na orientação da ação futura que escolher ou nas suas atitudes e na sua personalidade. É uma aprendizagem penetrante que não se limita a um aumento de conhecimentos; é uma aprendizagem “pela pessoa inteira”;

  • Ele vê a aprendizagem como algo muito mais amplo de que acumulação de conhecimento e afirma que a aprendizagem socialmente mais útil, no mundo moderno, é a do próprio de aprender. Isso implica em uma postura de busca continua de conhecimento;

  • O objetivo do ensino deve ser a facilitação da mudança e da aprendizagem;

  • O importante é que exista uma relação interpessoal entre facilitador e aprendiz, e não nos recursos instrucionais utilizados;

  • O professor deve ser o facilitador da aprendizagem, mas seu sucesso nesta tarefa repousa, sobretudo, em qualidades atitudinais como a autenticidade, a compreensão empática, a aceitação e a confiança no aprendiz;

  • Rogers afirma que o educador deve concentrar a atenção não em ensinar, mas em criar condições que promovam a aprendizagem;

  • O pressuposto básico da teoria rogeriana é a crença de que a pessoa é capaz de promover seu próprio crescimento;

  • Rogers acha que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar se relaciona com seus próprios objetivos;

  • Para que o aluno aprenda, crie, produza intelectualmente, ele precisa sentir-se seguro, apoiado, o que não ocorre em climas severos, de censura, onde os alunos trabalham com alto nível de ansiedade e poucos produzem;

  • Os seres humanos têm natural potencialidade para aprender;

  • A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo;

  • O comportamento pode ser provocado, em alguns casos, por experiências e necessidades não simbolizadas;

  • O facilitador confia no desejo de cada aluno para alcançar os objetivos significativos para ele, como força motivadora subjacente à aprendizagem significativa;



TEORIA DE HENRI WALLON
Wallon era médico, psicólogo e filósofo francês. Nasceu em 1872 e morreu em 1962. Membro da escola soviético, teórico humanista, propõe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura humanista.

Possue uma origem baseada na psicogenética e no interacionismo. A sua psicogenética, “como diz Heloysa Dantas, professora da USP e uma das autoras do livro Piaget, Vygotsky e Wallon—Teorias Psicogenéticas em Discussão, atribui a Psicologia um tratamento histórico (genético), neurofuncional, multidimensional e comparativo, tendo como ponto de partida a observação de casos patológicos. O grande êxito dessa teoria é a questão da motricidade, que para Wallon, motor é sempre sinônimo de psicomotor. A psicogênese de Wallon se confunde com a psicogênese da pessoa e a patologia do movimento com a patologia da personalidade”.

O desenvolvimento intelectual envolve não só o cérebro, mas também sua emoção. Emoção, movimento e espaço físico se confundem na sala de aula. Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança, mas também suas emoções para dentro da sala de aula. As emoções têm papel importante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. Na sua teoria, Wallon propunha uma educação integral, intelectual, afetiva e social, indo desde da pré-escola até a universidade. Ele também tinha uma grande preocupação com a formação dos valores éticos e morais, pois acreditava ser a escola o espaço ideal para se criar condições e se desenvolver valores e aptidões.

O teórico achava que as aptidões se desenvolviam e se cultivavam em contato com a cultura. Uma aptidão só se manifesta se encontrar ocasião favorável e objetos que lhe respondam. Para ele. O ser humano é geneticamente social, isto é, sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para atualizar-se.

Para Wallon existem quatro elementos que explicam a passagem do orgânico para o psíquico: a emoção, a imitação, a motricidade e o social.

Wallon criou juntamente com o físico Paul Langevin, um projeto que sistematizou e sugeriu etapas consecutivas que priorizassem aspectos e necessidades especificas de cada faixa etária, respeitando o desenvolvimento afetivo, cognitivo de socialização e maturação biológica de cada individuo. O homem é um ser de predisposição genética para a vida social, a qual servirá de amparo a sua sobrevivência. Assim ele acreditava na relação individuo/sociedade e suas dimensões afetivas. Na sua psicogenética, a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Afetividade, por essa perspectiva, não é apenas uma das dimensões das pessoas. Ela é também uma fase do desenvolvimento, que vai desde o inicio da vida até ao longo do trajeto, onde a afetividade recua um pouco para dar espaço a imensa atividade cognitiva.

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese da pessoa completa. Wallon acreditava que não é possível dissociar o biológico do social no homem. Esta é uma das características básicas da sua teoria. Em sua teoria, Wallon teve a preocupação de reservar espaço especial para o meio social como espaço de construção da atividade física, mental e afetiva, ou seja, como espaço que oportuniza o desenvolvimento global. Para isto, ele dividiu em estágios nos quais podem explicar como o homem se desenvolve: Estes estágios se comunicam entre si, favorecendo a aprendizagem:

1º) Estágio Impulsivo (0 – 6 meses), movimentação dos membros dentro do campo visual não coordenada, iniciada a partir do ato reflexo e dependente diretamente dos estados afetivos.

2º) Estágio Emocional (6-8 meses), reações que foram associadas a alguma atividade, portanto, reforçadas e repetidas nessa fase. Preparação para a fase sensório-motora.

3º) Estágio Sensório-Motor (8 – 18 meses), predominância de ralações cognitivas com o meio, através da experimentação e curiosidade em relação aos objetos. A movimentação passa a ter finalidades afetivas, expressivas e tônicas, com a liberação progressiva das mãos.

4º) Estágio Projetivo (18 meses – 3 anos), inicia-se com muita força o simbolismo da linguagem, sua aquisição se torna cada vez mais elaborada, tornando esse período muito especial. O pensamento passa a ser expresso pelos gestos.

5º) Estágio Personalismo (3 – 7 anos), evidencia-se nesse período o processo de formação da personalidade, com a predominância das relações afetivas expressas através de palavras e idéias.

6º) Estágio Categorial (7 – puberdade), grande avanço nos processos cognitivos e predominância desses na relação com o meio.

Adolescência, rompimento com a tranqüilidade afetiva pela busca de resignação enquanto ser social, ou seja, desejo de busca de uma nova ordem que dê conta do novo ser bio-psico-social.

Para Wallon, o desenvolvimento é um processo marcado por conflitos que acontecem através de certo descompasso entre as ações desenvolvidas pelas crianças e o ambiente exterior, o qual é estruturado pelos adultos e pela cultura. O movimento estudado por Wallon engloba vários aspectos próprios da natureza humana, disponibiliza ao homem diferenciar-se dos outros animais, pois permite que a natureza possa ser transformada. Dessa maneira compreenderemos um movimento dotado de intencionalidade e de desejos, como o ato motor. O ato motor pode ter várias significações relativas a que se destina, podendo ser desenvolvido tecnicamente, ou simbolicamente.

Destaques na teoria de Wallon:
* Considera o meio social como um

espaço de construção da atividade física, mental e afetiva;

* Dizia que não é possível dissociar o biológico do social;

* Tinha uma grande preocupação com os valores éticos e morais;

* Emoção, movimento e espaço físico se confundem na sala de aula;

* A gênese da inteligência é genética e organicamente social;

* É pela emoção que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades;

* O meio social oportuniza o desenvolvimento global;

* A escola é o lugar apropriado para o desenvolvimento das aptidões;

* No inicio da vida, afetividade e inteligência estão integradas, com o predomínio afetivo;

* O ser humano é geneticamente social, isto é, sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para atualizar-se;

TEORIA DE JEAN PIAGET
Piaget especialista em psicologia evolutiva e epistemologia genética, filósofo e educador. Em 1923, Piaget divulgou suas primeiras descobertas sobre a gênese do conhecimento. Nasceu em Neuchâtel Suíça, em 1896 e morreu em 1980. A Suíça de Piaget é uma das nações de mais rica tradição cultural do mundo. Ali surgiram algumas das mais expressivas figuras dos movimentos de vanguarda da primeira metade do século XX.

Formou-se na Universidade de Neuchâtel em 1915. Na mesma universidade fez seu curso de doutor, defendendo a tese sobre os Moluscos de Valois. Piaget ocupou inúmeros cargos universitários, entre os quais o de professor catedrático de psicologia e sociologia da universidade de Lausanne. Foi na Suíça que Piaget desde cedo se interessou pelas ciências, e, precocemente revelou suas qualidades de investigador da natureza, dedicando-se ao estudo dos moluscos da região. Também desde cedo Piaget já manifestara em suas atividades, seu interesse pelos problemas da educação, como Diretor que foi, por muitos anos, do “Bureau Internacional de l’education” e em artigos sobre métodos de ensino e outros problemas pedagógicos. O drama da pedagogia, diz Piaget, é que os melhores métodos são os mais difíceis. É difícil para o professor equilibrar a dosagem exata de transmissão verbal, e suas condições intercaladas pelas necessárias retroalimentações, com os recursos mais convenientes para a transmissão da mensagem e o estimulo à iniciativa verbal do aluno, individualmente e em atividades de grupo.

Para Piaget, a aprendizagem é um conceito psicológico. Como tal é objeto de teorias. A psicologia não apresenta uma visão unívoca das características da aprendizagem, como processo, ou de seus resultados. Assim, não dispomos de uma só teoria da aprendizagem, mas de várias. Podemos, mesmo, formar “classes” de teorias, por exemplo, o grupo neobehaviorista e o grupo cognitivista.

Desde criança Piaget, interessou-se por mecânica, fósseis e zoologia. Além da formação cientifica em biologia, sentiu-se igualmente atraído pelo qual chamou de “demônio da filosofia”. A filosofia bergsoniana permitiu-lhe imprimir nova direção em sua formação teórica, conciliando sua formação cientifica com suas disposições especulativas. Seguindo um itinerário rigorosamente coerente, ele passou por quase todos os domínios do conhecimento, até chegar à lógica formal e a teoria da ciência.

Piaget definiu a si mesmo como um “antigo-futuro-filosofo que se transformou em psicólogo e investigador da gênese do conhecimento”. Essa definição e as razões da transformação são apresentadas por ele no livro Sabedoria e Ilusões da Filosofia, publicado em 1965. Nesse livro, Piaget desenvolve a tese de que a filosofia é uma “sabedoria” indispensável aos seres racionais, mas que não atinge um “saber” propriamente dito, provido das garantias e dos métodos de controle, característicos do que se denomina conhecimento. Para Piaget, “a filosofia tem sua razão de ser e deve-se mesmo reconhecer que todo homem que não passou por ela é incuravelmente incompleto”. Mas, descontente com o rumo especulativo tomado pela maioria dos filósofos de seu tempo, Piaget dedicou-se a investigação cientifica da formação das funções intelectuais da criança, criando a epistemologia genética. Na epistemologia genética de Piaget, os desenhos e pinturas infantis desempenham papel particularmente importante para a investigação da formação das estruturas intelectuais. A criação plástica, ao lado da linguagem e das atividades lúdicas, constitui uma das formas de representação, através das quais se revela o mundo interior da criança. É assim que modalidades especifica de atuação grupal, como a discussão, a troca de idéias, a colaboração no jogo e no trabalho, tornam-se importantes para o desenvolvimento do pensamento. A lógica, diz Piaget, é a “moral do pensamento’, imposta e sancionada pelos outros (“ assim como, “diz o “Psicólogo”, a moral é a lógica da ação”.) Para Piaget esses tipos de brincadeiras têm função especifica, a de assimilação do mundo real.

A epistemologia genética criada por Piaget não é, assim, uma disciplina filosófica, como a epistemologia tradicional. Em primeiro lugar, porque se afasta de toda especulação, estudando a gênese das estruturas e dos conceitos científicos, tal como de fato se constituíram em cada uma das ciências; em segundo lugar, porque procura desvendar através da experimentação, os processos fundamentais de formação do conhecimento na criança. A epistemologia genética também não é uma ciência entre outras, mas uma matéria interdisciplinar que se ocupa com todas as ciências.

Essa unificação realizada por Piaget e, sobretudo, esse processo de gênese dos conhecimentos, que vai da simples constatação de fatos concretos até as mais altas abstrações, até certo ponto identificando-se com sua própria vida.

A epistemologia foi o principal foco de interesse de Piaget. Para analisar as relações entre conhecimento e vida orgânica, recorreu à psicologia. Quando iniciou suas pesquisas em psicologia, sua principal preocupação era explicar como o ser humano chega ao conhecimento, isto é, como o ser humano consegue organizar, estruturar e explicar o mundo em que vive.

Foi a partir destas preocupações, que chegou a uma teoria do desenvolvimento do pensamento e da inteligência. Foi o que levou Piaget a dizer que a inteligência é a forma de equilíbrio para a qual tendem todas as formas de adaptação, desde o desenvolvimento sensório-motor, cumprindo-lhes a função de estruturar o universo. Quando se torna reflexiva, gnóstica, verbal, destaca-se do contato imediato com a realidade, e passa a proceder por construção interior.

Em 1923, assumiu a direção do Instituto Jean Jacques Rousseau, de Genebra, passando a estudar, sistematicamente a inteligência. Desde 1921 lecionou em varias universidades da Europa, além de proferir varias conferências nos EUA, recebendo ali o titulo de doutor Honoris Causa. Foi professor de Psicologia na Universidade de Genebra em 1955 e fundou o Centro de Estudos de Epistemologia Genética. Foi a partir deste Centro, que cientistas e lógicos de todo o mundo têm-se ocupado da pormenorização e aperfeiçoamento do processo genético, descrito por Piaget, e de suas relações com os principais conceitos da ciência contemporânea. Com isso tornou-se realidade seu desejo de criação dos “métodos de controle”, indispensáveis para legitimar a verdade, bem como dar uma nova dimensão ao problema das relações entre a ciência propriamente dita e a filosofia.

Piaget procurou, assim, evitar que a filosofia, através da pura especulação, mantenha o status de dona absoluta, da verdade, já que deve haver uma correlação epistemica entre teorias e fatos.

Jean Piaget foi o responsável por uma das maiores contribuições no campo da psicologia cientifica contemporânea, na área especifica do comportamento cognitivo. As aplicações de sua teoria do desenvolvimento encontram-se muito difundidas no campo pedagógico e na explicação da evolução da conduta cognitiva. Sua teoria pode ser classificada em duas áreas principais: a que procura explicar a formação da estrutura cognitiva, tema central em sua psicologia evolutiva, e a outra que se desenvolve em torno da epistemologia genética.

Publicou aproximadamente vinte artigos sobre moluscos e temas zoológicos afins. Seu primeiro trabalho cientifico surgiu quando tinha dez anos de idade: era uma nota sobre um pardal totalmente albino que observara num parque público. Em seus vários livros, Piaget sempre defende a idéia de que a inteligência surge com um processo que envolve equilibrações e desequilibrações de modo que a criança se permite a construções de suas estruturas lógicas, evoluindo conforme faixas etárias definidas. Da inteligência sensório-motora o individuo evolui para a inteligência lógica formal. Piaget acreditava nas pessoas e nas capacidades que possuem de participarem ativamente nos seus aprendizados, construindo os seus significados em formas sócio-interativas.

Na sua obra “A Linguagem e Pensamento da Criança” oferece alguns exemplos interessantes. Nesta obra se relata como os observadores seguiram conversas espontâneas de crianças durante muito tempo, levantaram e classificaram as manifestações verbais de crianças em idade pré-escolar e estudaram as perguntas das próprias crianças. A partir dessas observações, Piaget vai estabelecer uma classificação dos tipos e das funções da linguagem infantil, encontrando a conhecida diferenciação entre uma “linguagem egocêntrica” e uma “linguagem socializada”.

Embora uma das preocupações centrais de Piaget tenha sido o desenvolvimento da inteligência, em nenhum de seus escritos desmereceu a afetividade e o desenvolvimento social, pois considera que o desenvolvimento da criança ocorre de forma integrada. A afetividade é que atribui valor às atividades e lhe resulta a energia. A afetividade não é nada sem a inteligência “Piaget-Seis Estudos de Psicologia, 1964”.


Destaques na Teoria de Piaget:
* Piaget indica como fator de motivação para a aprendizagem, “a situação-problema”;

* Teoria psicogenética ou construtiva de Piaget, dar mais ênfase ao desenvolvimento da inteligência;

* Necessidade de prestar mais atenção às diferenças individuais entre os alunos e de acompanhar de maneira mais individualizada sua aprendizagem;

* A inteligência é algo que se vai construindo gradualmente pela estimulação e o desafio;

* A teoria de Piaget não é propriamente uma teoria de aprendizagem e sim uma teoria de desenvolvimento mental;

* Os conceitos têm papel fundamental;

* A estrutura cognitiva de um indivíduo poderia, pois, ser pensada como um complexo de esquemas de assimilação;

* Só há aprendizagem quando o esquema de assimilação sofre acomodação;

* O professor teria a função de propor situações que ativassem o mecanismo de aprendizagem do educando, isto é, sua capacidade de reestruturar-se mentalmente procurando um novo equilíbrio;

* Supõe que ensinar é um esforço para auxiliar ou moldar o desenvolvimento;


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