TEÓricos da educaçÃo angélica Russo 2004 Índice



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TEORIA DE ROBERT GAGNÉ

Segundo Gagné, a aprendizagem é uma mudança de estado interior que se manifesta através da mudança de comportamento e na persistência, a qual Gagné chama de aprendizagem, refere-se àquela que ocorre quando o individuo interage com o seu meio externo.

A aprendizagem é, segundo ele atividade por uma variedade de tipos de estimulação provenientes do ambiente do individuo. Esta estimulação se constitui em insumo (input) para os processos de aprendizagem. O exsumo (output) é uma modificação do comportamento que é observada como desempenho humano.

À primeira vista o conceito de aprendizagem proposto por Gagné, insere-se no contexto de uma abordagem behaviorista, isto é, do tipo “estimulo-resposta”. Entretanto, contrariamente á posição de Skinner, por exemplo, que não está preocupado com processos intermediários (entre o estímulo e a resposta) e sim com o controle do comportamento observável por meio das respostas do individuo, Gagné se preocupa com o processo da aprendizagem.

Na abordagem Skinneriana o que interessa é o comportamento observável e não o que ocorre dentro da mente do individuo durante o processo de aprendizagem, enquanto que na de Gagné a aprendizagem é algo que se realiza “dentro da cabeça do individuo”, e é destacada a importância das teorias de aprendizagem.

Para Gagné, a aprendizagem é um processo formalmente comparável a outros processos humanos orgânicos e, como tal, o conhecimento sobre a aprendizagem pode ser acumulado através dos métodos científicos. Desse conhecimento decorrem princípios de aprendizagem que, por sua vez, quando inter-relacionados de forma consistente e racional originam modelos do processo de aprendizagem e, finalmente, teorias de aprendizagem.

Ao professor cabe a tarefa de promover a aprendizagem através da instrução. Ele planeja a instrução, administra-a e avalia sua eficácia através da avaliação da aprendizagem do aluno. Ele é uma espécie de “gerente” da instrução, cuja tarefa é planejar, delinear, selecionar e supervisionar a organização de eventos externos com o objetivo de influenciar os processos internos de aprendizagem.

Uma vez planejada a instrução, é necessário ministrá-la ao aluno. Tanto ao planejar como ao ministrar a instrução (bem como ao avaliar seus resultados), o professor deve tomar muitas decisões e é nesse sentido que pode ser visto como um “gerente” da instrução ou um organizador dos eventos externos da aprendizagem.

É importante compreender que em termos de teorias ou abordagens ao ensino e á aprendizagem, Gagné parece situar-se entre o behaviorismo e o cognitivismo. Por outro lado, fala em estímulos, respostas, estimulação do ambiente, comportamentos, etc, mas, por outro, fala em processos internos de aprendizagem e enfatiza a importância das teorias de aprendizagem para a instrução.

Destaques na Teoria de Gagné:
* A aprendizagem é, ativada por uma variedade de tipos de estimulação provenientes do ambiente do individuo;

* A aprendizagem é algo que se realiza “dentro da cabeça”;

* O organismo é naturalmente ativo e a aprendizagem ocorre devido a tal atividade; Acredita-se, então, que o agente da aprendizagem é o aluno, sendo o professor um orientador e facilitador;

* Metodologia variada na qual cada assunto exigiria uma metodologia adequada á estrutura do assunto;

* Necessidade de prestar atenção ás diferenças individuais entre os alunos;

* Define a aprendizagem como uma mudança comportamental;

* Defende a aprendizagem por descobertas;

* Vê o ensino como uma atividade de planejamento e execução de eventos externos, ou condições externas à aprendizagem com a finalidade de influenciar os processos internos para atingir determinados objetivos;

* O professor é o organizador das condições externas da aprendizagem. O professor é uma espécie de “gerente” da instrução, cuja tarefa é planejar e implementar condições externas à aprendizagem, com a finalidade de influenciar os processos internos para atingir determinados objetivos, isto é, capacidade a serem aprendidos;


TEORIA LAURO DE OLIVEIRA LIMA
O trabalho, deixando de ser manual para ser intelectual, deixando de ser linha de produção (linear), para ser uma decisão (circular), transformar-se-á em discussão”. (Lima, 1975).

Ora, educadores de todo o mundo, “não estamos vendo que vai ficar assim? Por que não começamos logo? (Lima, 1975)”.

Educar já não é prever as necessidades sociais, mas preparar os jovens para o imprevisível” (Lima, 1975).

O educador Lauro de Oliveira Lima nasceu em Limoeiro do Norte-Ceará, em 12 de abril de 1921. Suas idéias são muito voltadas para a tendência renovada progressista, por defender uma teoria de que o aluno é responsável pelo seu próprio conhecimento. O professor é importante no processo de crescimento do aluno, mas é aquele que ajuda o aluno a aprender, que prepara as atividades do aluno de acordo com as etapas do seu desenvolvimento. Ele valoriza os processos mentais e as habilidades cognitivas.

Tenho orgulho de escrever algo sobre o caminho percorrido por este educador cearense. Suas idéias a respeito da história da educação são tantas e tão importantes, que fico sem saber como organizá-las e selecioná-las. Para Oliveira, um dos grandes problemas da educação brasileira é a falta de uma didática que ajude na formação de indivíduos que desejem planejar o futuro. Em muitos dos seus livros faz uma análise critica a educação brasileira, mas propõe soluções. A critica para ele só é importante quando é construtiva, e depende muito da maturidade de quem critica e de quem é criticado.

Mestre Zé Afonso foi sua primeira escola, que ensinava todos os meninos da cidade a ler, escrever e contar (ensinava também o Manuscrito, que era uma espécie de curso de pós-graduação, e a Tabuada Grande, a matemática superior).

Formou-se em Direito em 1949 e dois anos depois, em Filosofia. Dentre os cargos importantes que assumiu, obteve em 1945 o cargo de Inspetor Federal de Ensino do Mec. Deixou o Magistério particular para fundar o Ginásio Agapito dos Santos em Fortaleza, iniciando, assim, sua carreira como “reformador”, característica básica de atuação como educador. Escreveu nessa época a obra “Escola Secundaria Moderna”, iniciando também seu trabalho com Dinâmica de grupo e propondo o Método Psicogenético. O Método Psicogenético de Lima é estruturado a partir das descobertas cientificas de Piaget. Não se pode mais falar de desenvolvimento da inteligência sem falar das Teorias de Piaget, que teve na figura de Lauro de Oliveira Lima, durante algum período, o maior interlocutor dessas idéias no Brasil.

“Psicogenético” é o termo empregado para descrever a pedagogia criada a partir das teorias e pesquisas piagetianas. Significa que o processo pedagógico modifica-se sucessivamente, de acordo com o estagio de desenvolvimento mental (psicogênese). O nível mental da criança é que determina como o professor deve apresentar as situações didáticas, pois, em cada estagio do desenvolvimento a criança tem uma maneira diferente de aprender.

Lima teve e continua tendo um trajeto longo e dinâmico na área da educação escreveu vários livros e dentre os mais recentes podemos citar: ”Piaget: Sugestão aos educadores” (1999), “Dinâmica de Grupo” (2000) e “Para que servem as escolas?” (1996).

Para Lauro, o principio fundamental da didática, esta centrada na concepção, de que o professor não ensina, ajuda o aluno a aprender. O aluno irá aprender através de atividades como, pesquisas, leituras, passeios, etc, sempre bem planejadas tendo claro os objetivos a alcançar. As atividades devem ser grupais e orientadas pelo professor, para que todos possam construir o conhecimento na interação entre eles. “O que se aprende com alegria aprende-se melhor, de maneira mais efetiva”.

Em 1980, Lauro apresentou no primeiro congresso piagetiano no Rio de Janeiro um documento que causou muitas discussões: “Computadores, um débil mental com a velocidade da luz”.
Destaques na Teoria da Lauro de Oliveira Lima:
* A aula expositiva torna-se quase um desestimulo a criatividade;

* O nível mental da criança é que determina como o professor deve apresentar as situações didáticas;

* O grupo é o ambiente mais estimulador;

* Não ensine, provoque a atividade do aluno;

* A escola deve estimular a criatividade e preparar o aluno para resolver situações-problema;

* Em cada estágio de desenvolvimento, o aluno tem uma forma diferente de aprender;

* Valoriza mais o processo de aquisição do saber, do que o saber propriamente dito;

* Sugere ao professor, que faça o aluno compreender o que faz;

* No grupo o aluno constrói a solidariedade, a responsabilidade, a criatividade, preservando a individualidade;

* Criou o Método Psicogenético, para aplicação na educação.



TEORIA DE PESTALOZZI

Pestalozzi nasceu em Zurique, Suíça, em 1746 e faleceu em 1827. Considerado o reformador ou o promotor da escola popular. Embora a posição da pedagogia seja um pouco obscura, ele defende a idéia, de que a escola precisa simplificar os conteúdos dados e evitar a decoreba. Fundamenta a educação no respeito e no amor, como forma de reconhecer, manter e promover em cada ser a dignidade da pessoa.

Pestalozzi foi o educador que pôs em prática os princípios do empirismo que, antes dele, já começavam vagamente a influir na opinião dos professores. Se a vida mental resulta da experiência sensorial ou se, por sua influencia, se desenvolve, então educar é “construir na mente do aluno uma experiência definida a luz da percepção sensorial clara”. Pestalozzi disse está convencido de que a criança é dotada de poderes ou de faculdades inatas que só se desenvolvem mediante o enriquecimento da experiência sensorial. O emprego do método empírico no estudo dos estados mentais levou filósofos dos séculos XVII e XVIII a compreensão de que a vida mental resulta da experiência sensorial. Esse novo ponto de vista psicológico produziu também uma mudança na concepção de educação. Educar deixou de ser treinar, disciplinar as faculdades, e assume o sentido de enriquecimento da experiência sensorial”.

Foi Pestalozzi quem pôs em prática a nova maneira de considerar o processo educativo. O esforço fundamental da educação, para Pestalozzi, que se propõe a tornar psicológica a educação, é analisar o conhecimento em qualquer ramo, nos seus elementos mais simples, e apresentá-los naturalmente a criança. Os dois aspectos característicos do processo de Pestalozzi são, portanto, começar com as experiências da criança, pela observação, para haver idéias claras, e, prosseguir por meio da instrução oral, cuidadosamente, para o conhecimento sistemático e organizado.

Em qualquer ramo, disse Pestalozzi, o ensino deve começar dos elementos mais simples e processar-se gradualmente, segundo o desenvolvimento da criança. Desta maneira, essas concepções produzem profundas mudanças na escola. Passou-se a ensinar maior número de matérias e todas elas obedeciam a uma graduação que partia da observação das coisas próximas para as remotas, sempre atendendo ao desenvolvimento do aluno. Assim o interesse do aluno seria consultado e o processo de formação devia estar associado àquilo que tem maior relação com o aluno, isto é, ao que lhe pertence, ao que existe no seu ambiente, sempre pelo emprego da intuição.

Influenciou profundamente a educação; ele fez uma grande adaptação na educação publica. Ninguém acreditou mais que Pestalozzi no poder da educação, para aperfeiçoar o individuo e a sociedade. Com o seu entusiasmo, influenciou reis e governantes a pensarem na educação do povo. Deu novo impulso à formação de professores e ao estudo da educação como ciência. Foi o primeiro a tentar fundamentar a educação no desenvolvimento orgânico, mais que a transmissão de idéias.

Em 1792, Pestalozzi escreve o seu livro mais erudito: Minhas Investigações sobre o curso da Natureza no desenvolvimento da raça humana. A obra é recebida sem entusiasmo. Pestalozzi decide ser mestre-escola; e parte para um trabalho na sua escola. O lar era para ele a melhor instituição da educação, base para a formação política, moral e religiosa. A instituição educacional deveria se aproximar de uma casa bem organizada.

A prática pedagógica de Pestalozzi, sempre valorizou o ideal do educador, isto é, a educação poderia mudar a terrível condição de vida do povo.

Tinha uma fé indomável e contagiante na educação como o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social. Democratizou a educação, proclamando ser o direito absoluto de toda a criança, ter plenamente desenvolvidos os poderes que Deus lhe havia dado. O professor é comparado ao jardineiro que providencia as condições para a planta crescer; a educação sensorial é fundamental e os sentidos devem estar em contato direto com os objetos; a mente é ativa. Na escola de Pestalozzi, mestres e alunos ficavam juntos o dia todo. No dia escolar, as atividades eram bem diversificadas: rezavam, tomavam banho, faziam o desjejum, brincavam, estudavam as lições, almoçavam, lançavam. Duas tardes por semana, os alunos faziam excursões em locais culturais.

No livro, Os Grandes Pedagogos-atualidades pedagógicas, destacamos algumas passagens que explicam o quanto Pestalozzi era envolvido com a educação: “...renunciei aos prazeiros da vida para consagrar-me a tentativa de educação do povo, e aprendi a conhecer-lhe a verdadeira situação e os meios de mudá-la, pág 214”. “aperfeiçôo-me a mim mesmo, quando faço, aquilo que devo. A lei do que quero, pág 215”. “Como produto do meu próprio eu, sinto-me independente do egoísmo de minha natureza animal e dos laços de minhas relações sociais, tendo a um tempo, o direito e o dever de fazer o que me enobrece e o que é vantajoso para meus semelhantes”, pág 215”. “... minha ação tende a elevar a natureza humana ao que ela tem de mais alto, de mais nobre: a elevá-la pelo amor, e não é senão nessa força sagrada, o amor, que reconheço o instrumento de libertação do homem, de tudo quanto há nele de divino e de eterno, pág 223”.



Destaques na teoria de Pestalozzi:

* Pestalozzi condenava as punições e recompensas;

* As classes privilegiadas desprezavam o povo;

* Foi o primeiro a pesquisar as leis fundamentais do desenvolvimento;

* O defensor dos princípios empíricos;

* O desenvolvimento é uma aquisição gradativa de poder;

* A educação começa com a percepção de objetos concretos;

* Pestalozzi tinha uma fé indomável e contagiante na educação como o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social;

* A religião é mais profunda do que dogmas, ou credos;

* Deu novo impulso à formação de professores e ao estudo da educação como uma ciência;

* Psicologizou a educação;

* Procurou apresentar seu método sob formas apropriadas as leis da psicologia;

* Empregava as letras do alfabeto presas a cartões, e introduziu lousas e lápis;

* Professor é comparado ao jardineiro, que providencia as condições para a planta crescer;

* A educação sensorial é fundamental e os sentidos devem estar em contato direto com os objetos;

* A educação poderia mudar a terrível condição de vida do povo;

* Somente a educação poderá contribuir para que o povo conservasse os direitos conquistados;

* O lar era para ele a melhor instituição de educação, base para a formação política, moral e religiosa;



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