Terra Santa Que Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz



Baixar 17.34 Kb.
Encontro30.07.2016
Tamanho17.34 Kb.
Manôa – Manaus – Amazonas

Terra Santa...

Que Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz

Longe... Lá se vai o tempo das criações, dos mistérios e milagres.


O homem povoou as terras. Criou mitos e lendas, criou até deuses e céus. Aprendeu coisas sem fim... Evoluiu... Criou a civilização.
Os que superavam os outros povos se diziam “civilizados” ao invadi-los, dizimá-los e espoliá-los. Levavam dos invadidos as riquezas e impingiam-lhe sua cultura, seus deuses e tradições. Nessa tortuosa caminhada os deuses se misturam, louva-se deuses gregos na África e africanos nas Américas. Nessa Babel de cultura, raças e religiões, os homens se lançam ao mar, sempre por ambição, em busca de novas terras para civilizar e explorar.
Assim, nos idos do século XV, os pedidos de proteção se multiplicam a bordo das embarcações que buscam atravessar as bordas do abismo chamado horizonte. Em uma embarcação espanhola tanto podia se pedir proteção à Zeus como à Oxalá, Netuno ou Iemanjá, Eólos, Santa Bárbara ou Iansã. Os temores eram grandes, mas a ganância e a necessidade de aventura e expansão ardem na alma humana. Partem D’Espanha Pizarro, Orelana e outros capitães que farão história, descobrirão terras, conquistarão seus povos, darão nome ao Novo Mundo que se descortinara diante de seus olhos. Através deles veremos destruídas culturas milenares em nome da civilização, sacrificados deuses em nome dos deuses e destruídos povos em nome da ganância, assim os lagos de sangue não impedirão as sequiosas mãos de levantarem os tesouros dessas vítimas. Descendo de Quito os espanhóis, tendo o já famoso Orelana como locotenente de Pizarro, invadem a floresta – Manôa - A Mãe Natureza. Sem saber navegam Honorato - A Cobra Rio e, na busca do Eldorado, chegam ao coração da flor da tradição.
Mas outra flor brotava no coração dos homens que, sem acatar os desígnios da criação, deixa aflorar a maldita ambição em cujo nome destemidas criaturas cortaram as águas doces do Rio-mar. Numa estocada feriram o coração da mata em busca de ouro, prata e pedras preciosas na ânsia de encontrar Manôa e o fantástico Reino do Eldorado com sua corte com fascinantes adornos, onde até a vegetação era do mais valioso metal e a semente dos frutos as mais lindas pedras preciosas. Entraram em tamanho delírio que não deram conta que na verdade o tesouro era verde, brotava do coração de Manôa e escondia em suas folhas, cipós e ervas, a cura para os males do mundo; que suas águas límpidas haveriam de matar a sede da humanidade transformando-se assim, como suas plantas, no maior tesouro. Depois de conquistar Astecas, Incas, Maias, encantado com a quantidade de ouro encontrado e por lendas contadas pelos povos vencidos, adentra a floresta em busca da maior de todas as lendas nativas desde o México até o interior do Peru.

Porém, aturdidos por Honorato - a cobra rio que protege a floresta, se viram atacados por uma tribo de ferozes mulheres guerreiras e, em seu delírio, Pizarro batizou o Rio Honorato de Rio Amazonas, em lembrança das gregas mulheres guerreiras e começa a entrelaçar ou deuses greco-romanos com os da terra.


Nesse místico ambiente propiciado pela floresta, os espanhóis, acudindo aos incitamentos de Lopes de Aguirre, um aventureiro da conquista, caem em sedição a Pedro de Ursua que comandava a expedição e proclamaram-se independentes da Coroa Espanhola fundando, em plena selva amazonense, um reinado espanhol aclamando como Rei à Fernão de Gusmão.
Mas, ao longo do grande Rio e seus afluentes a vida aflora com mistérios escondidos nas matas e nas almas que ali vivem. Os naturais protegiam Manôa – A Mãe da Terra - e eram protegidos por Honorato, a cobra-rio-mística que criou para proteção da floresta e das almas puras que em seu seio fazem morada, um grande exército místico e mágico. Deu então vida ao Jurupari, senhor todo poderoso e guardião das florestas; para preservar as águas fez surgir a cobra grande Boiúna, que espalha pavor com seus olhos de fogo e a Iara, que atrai para o seu palácio de cristal verde no fundo das águas aqueles que teimam em agredir os rios. Assim como caiporas, curupiras e outros guardiões para afastar, encantar ou destruir os predadores.
Mas, se o criador dedicou alguns dos seus maravilhosos dias para plantar, adubar e fazer brotar a flor da tradição, a humanidade dedicou milhares dos seus dias para, com sua infinita ignorância, destruir as benesses da criação e fazer brotar a flor da cultura que irrompe do litoral para o interior propagando-se, ampliando-se, amontoando-se, fazendo brotar a erva daninha da civilização e descoberta.
Se a descoberta corresponde a primeira fase do capitalismo que é o mercantilismo e teve um caráter puramente predatório, a exploração indiscriminada do ouro, da prata e das madeiras nobres, além da subjugação dos naturais, as expedições e missões pseudo artísticas ou científicas do século XIX, funcionaram como uma espécie de catalogação ou cadastramento das nossas riquezas.
A borracha dos seringais do Purus-Acre, do Juruá e do Madeira, projeta o Amazonas no cenário mundial. Manaus tornou-se um dos mais famosos centros exóticos da Terra.
No seu Teatro decorado pelo artista italiano De Angelis, apresentaram-se as melhores companhias da Europa. Homens e mulheres de todas as cores e credos e de todos os continentes encontravam-se na Paris dos trópicos. Médicos, bacharéis, jornalistas, engenheiros, agrônomos, comerciantes, operários, navios das mais variadas bandeiras e calados vieram fazer o Amazonas.
Ah... Civilização...
Em nome do seu Deus envergonhaste o universo ao tentar cobrir as vergonhas dos donos da terra; pregando a sua fé à força, espalhaste doenças e não ensinaste a cura; escravizaste, mataste, queimaste. A fúria da poluição alcança as águas, o ar, a terra, o caçador ignorante, implacável, fez desaparecer várias espécies vegetais e animais.
Sim, queimaste corpos com o mesmo fogo que queimaste a mata: O fogo da ambição.
Mas da suprema luz surge o fruto dos deuses, nascida da luta clássica entre o bem e o mal: A flor do guaraná. Guardada na aldeia dos Maués, traz ao homem o ideal da redenção. A lembrança da traição do homem à sua verdadeira imagem e semelhança brotou no formato dos olhos do criador para lembrar que ele tudo sabe e tudo vê e que, em sua extrema bondade, a bebida feita com essa flor abre as portas divinas e renova o pacto do homem de alma humilde com os deuses, assim como era no princípio e nunca deixou de ser para aqueles que não se envolveram no perfume da flor da cultura, flor que surgiu lentamente do solo regada pelo suor e alimentada pela cobiça.
A “ação civilizadora” da Europa em nosso continente começou pelo extermínio dos naturais e o deslocamento de negros africanos, como escravos, para o “Mundo Novo”, prosseguiu com as expedições científicas e missões artísticas no século passado e já neste século a penetração econômica das multinacionais.

Sendo assim, lançamos aqui o manifesto do naturalismo integral, acreditando que dessa volta a natureza poderá surgir um novo renascimento, um novo século de luzes, pois a Amazônia constitui hoje em nosso planeta, o último reservatório, o derradeiro refúgio da natureza integral. Amazonas, um paraíso que guarda em si, os segredos da cura do mundo, a própria vida.


Fica então aqui o nosso grito de alerta para que juntos, numa junção de energias universais, possamos enfim compreender que o Eldorado de fato é real, mas de ouro não é não, nem mesmo diamantes ou esmeraldas. Que todos se dêem conta que o verdadeiro Eldorado é verde e brota no coração da floresta. Que nas suas folhas, ramagens, cipós, flores e ervas estão guardados os segredos para a cura dos males do corpo e do espírito.
Que a nossa guerra seja por um mundo melhor, por saudáveis gerações.
Que a nossa luta seja eterna para preservarmos uma dádiva infinitamente valiosa: A água – O fantástico combustível da vida.
Como guerreiros, transformarmos a sede que ameaça o planeta, em sede permanente da batalha por um mundo de pessoas com o corpo e a mente sã.
Que o quadro do futuro não seja pintado com os tons de cinza das queimadas, o negro das fumaças das fábricas ou os tons de marrom das águas poluídas, mas que seja sim, tingido com as variadas cores e infinitas matizes que nos legaram todos os deuses:
O verde das matas;

O azul do céu e das águas;

A explosão de cores dos pássaros e das flores...

O branco da paz.


Que ecoe para todo o sempre as vozes dos povos e dos espíritos da Floresta na imensidão verde. Evocando sob a luz da lua cheia os espíritos dos ancestrais pajés feiticeiros em louvor da deusa Amazônia, a Senhora Guardiã dos Segredos da Própria Vida.
Manôa que virou Manaus. O coração do Amazonas. Uma Terra Santa que Alimenta o Corpo de quem transforma sua fauna e flora em uma forma de vida e de cura, que Equilibra a Alma daqueles que tiveram seu espírito perturbado pelo caos da civilização e Transmite a Paz em tempos em que o homem insiste em declarar guerras.

Laíla, Cid Carvalho, Shangai,

Fran-Sérgio e Ubiratan Silva

Comissão de Carnaval 2004


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal