Teses e dissertações em análise do comportamento e educação no Brasil – 1970 a 1985



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Teses e dissertações em análise do comportamento e educação no Brasil – 1970 a 1985
Daniela Hillesheim(PICV/Unioeste/PRPPG), Maria Ester Rodrigues(Orientador), e-mail: mariaester.rodrigues@gmail.com

Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Educação, Comunicação e Artes/Cascavel, PR


Grande área e área: Ciências Humanas - Educação
Palavras-chave: Teses e Dissertações, Análise do Comportamento, Educação.
Resumo
O presente trabalho teve o objetivo de analisar características das teses e dissertações brasileiras com temática educacional no período de 1970-1985. Foram analisados 110 resumos encontrados a partir de pesquisa em 12 instituições onde haveria maior probabilidade de serem encontrados trabalhos na abordagem, a partir de categorias previamente extraídas da literatura da área e passíveis de análise nesse tipo de material. Os principais resultados foram: Maior contribuição advinda do Programa de Psicologia Experimental da USP SP e concentração da contribuição na região sudeste. Os trabalhos são predominantemente empíricos (experimentais e descritivos) com privilégio dos experimentais. O setting mais utilizado é a situação escolar e, dentre os temas escolhidos, a maior concentração é em comportamentos e habilidades acadêmicas, e a modalidade de ensino mais contemplada nos estudos é a educação fundamental, seguida da educação infantil. Recomenda-se a verificação de recortes de períodos mais recentes nesse tipo de produção e, em outras, para verificação das tendências e possíveis modificação nas mesmas.
Introdução
O objetivo do trabalho é analisar resumos de teses e dissertações brasileiras defendidas entre 1970 e 1985, realizadas num enfoque psicológico analítico-comportamental, que estejam inseridos numa temática educacional, para oferecer um panorama das principais características da pesquisa na área no período escolhido, bem como, ponto de partida e elementos para futuras pesquisas.
Materiais e Métodos
Utilizamos material já coletado e descrito em Rodrigues (2005), como tendo sido obtido por uma combinação de estratégias. Foi priorizado o material produzido na USP, UNB, UFSCAR, UFPA, UFMG, UCG, PUCSP, UFRGS, UNESP-Marília, da UEL – Educação e UNICAMP – Educação, UFSC-SC. Os critérios de seleção de resumos foram: período de análise, palavras chave no título ou resumo, ter objetivos acadêmicos ou de ensino.

Os itens escolhidos para análise, extraídas de exame prévio da literatura, foram: Ano de defesa, orientador, instituição e programa em que a dissertação ou tese foi defendida, natureza do trabalho, temática, sujeitos e modalidades de ensino.


Resultados e Discussão
Das dissertações e teses analisadas no período selecionado (1970-2005), foram encontradas 110 (80% dissertações e 2º% teses), com distribuição desigual entre os anos e picos de produção nos anos de 1975, 1976, 1980 e 1981.

Os orientadores que mais orientaram trabalhos ao longo do período foram os Professores Doutores Geraldina Porto Witter (28,18%), Carolina Martuscelli Bori (24,54%) e Sergio Luna (9,09%). Houve uma dispersão no número de orientadores, chegando a vinte e um nomes em apenas quatro instituições (USP SP, PUC SP, UFSCAR SP e UFRGs RS) situadas em dois estados (SP e RS).

A instituição de ensino superior em que foram encontrados mais trabalhos defendidos com temática educacional foi a USP SP (73 de 110 ou 66,36%), mais especificamente nos programas de psicologia experimental (34,54%) e psicologia escolar (25,45%).

A maior parte dos trabalhos defendidos concentra-se na região Sudeste, nas cidades de São Paulo e São Carlos. O único estado fora de São Paulo onde se encontraram alguns trabalhos na abordagem foi o RS, com 14 trabalhos (12,72%) defendidos no programa de educação na UFRGS. Miraldo Castells e Botomé (2006) já haviam identificado a mesma tendência de concentração no Sudeste do mesmo tipo de produção.

Quanto à natureza do trabalho a maior parte das teses e dissertações defendidas é empírica se encontrando na categoria “Experimental” (55,66%), seguida dos trabalhos “Descritivos” (24,52%), totalizando 80,18% dos trabalhos analisados em que existia a informação. A predominância dos trabalhos empíricos apresenta tendência semelhante à de estudos mais recentes como os de Nicolino e Zanotto (2011).

Dos trabalhos experimentais 15,09% se constituem em trabalhos realizados com metodologia própria da área, a de sujeito único, pela qual o comportamento do sujeito é pesquisado em comparação com ele mesmo, em oposição à análise estatística. A maior parte dos trabalhos experimentais foi realizada, no entanto, com delineamento de grupo (17,92%), o que demonstra que nesse período histórico os estudos não eram sempre realizados com metodologia própria da área.

Dentre os que mencionam settting o mais comum é a situação escolar (41,5%), sendo que destes, 28,3% se realizam em situação de sala de aula. Esses dados apresentam concordância com Northup, Volmer e Serret (1993) que analisaram as tendências da Análise Aplicada do Comportamento (JABA) no período de 1968-1992.

Dentre os temas mais escolhidos encontram-se “Comportamentos ou habilidades acadêmicas” (16,36%) e “Investigação sobre metodologia de ensino ou procedimentos de ensino-aprendizagem” (16,36%). Encontramos similaridade entre nossos dados e os dos trabalhos de Sulzer-Azaroff e Gillat (1990) e Marmo (2002), que analisaram publicações da área da educação publicadas no JABA entre 1968 a1987.

A modalidade de ensino mais contemplada nos estudos é a Educação Fundamental (27,27%), seguida de Educação Infantil (21,21%) e Educação Superior (16,66%). Os dados demonstram que, no período, os autores de teses e dissertações se preocuparam mais com educação regular do que com educação especial, algum interesse em educação superior, e nenhum interesse em ensino médio. A tendência desse período é semelhante à da encontrada em periódicos brasileiros (Nicolino e Zanotto, 2011) cuja modalidade de educação mais frequentemente encontrada foi a educação regular.
Conclusões
O Programa de Psicologia Experimental da USP foi o que mais contribuiu com a temática educacional dos trabalhos de pós-graduação defendidos na análise do comportamento. A concentração na região sudeste é expressiva e merece reflexão. Programas de pós-graduação da área de educação não tiveram participação expressiva na contribuição com a área, e sim os de psicologia.

Os trabalhos possuem características empíricas (em oposição a trabalhos conceituais e teóricos, por exemplo) em uma área essencialmente aplicada, e não eram sempre realizados com metodologia própria da área.

A dispersão temática encontrada sinaliza amplo interesse da contribuição das teses e dissertações em análise do comportamento na área educacional, especialmente no campo das habilidades acadêmicas.

A Educação fundamental e a infantil apareceram como as modalidades de ensino mais estudadas, sinalizando preocupação com o inicio da escolarização, período em que se desenvolvem inúmeras habilidades pré-requisito e comportamentos precorrentes para outros níveis de ensino.



Recomenda-se a verificação das tendências de recortes de períodos mais recentes nesse tipo de produção (ou em outras) para verificar a existência de mudanças nas tendências, em quais direções e, principalmente, para verificar se continua ocorrendo expansão da análise do comportamento, em que direções e se é diferenciada da expansão da psicologia e da educação na pós-graduação em geral.
Referências
Marmo, A. V. (2002) Publicações sobre Educação no “Journal of Applied Behavior Analysis”: Uma revisão. Dissertação de Mestrado, Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Miraldo Castells, C. M., Botomé, S. (1986) Conhecimento em Análise do Comportamento produzido pelas dissertações e teses brasileiras desde 1975. In: 38a Reunião Anual da SBPC, Curitiba. Ciência e Cultura. v. 38. p. 1075.
Nicolino, V. F. e Zanotto, M. L. B. Trabalhos de Análise do Comportamento na área de Educação em periódicos brasileiros no período de 1961 a 2006. Acta Comportamentalia, 19 (3), 2011.
Northup, J.; Vollmer, T. R.; Serret, K. Publications Trends in 25 years of the Journal of Applied Behavior Analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, 26 (4), 527-537, 1993.
Rodrigues, Maria Ester (2005). A Contribuição do Behaviorismo Radical para a Formação de Professores Uma Análise a partir de teses e dissertações no período de 1970 a 2002. Tese de Doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação: Psicologia da Educação da PUC SP.
Sulzer-Azaroff, B., Gillat, A. Trends in Behavior Analysis in Education. Journal of Applied Behavior Analysis, 23 (4), 491-495, 1990.





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