Teses e dissertações em análise do comportamento e educação no Brasil – 1986 a 2002



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Teses e dissertações em análise do comportamento e educação no Brasil – 1986 a 2002
Raquel Semicheche(PIBIC/Fundação Araucária/Unioeste), Maria Ester Rodrigues(Orientador), e-mail: mariaester.rodrigues@gmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Educação, Comunicação e Artes/Cascavel-PR
Grande área e área: Ciências Humanas - Educação
Palavras-chave: Teses e Dissertações, Análise do Comportamento, Educação.
Resumo
O objetivo do trabalho é analisar resumos de teses e dissertações brasileiras defendidas entre 1986 e 2002. Foram analisados 172 resumos encontrados a partir de pesquisa em 12 instituições onde haveria maior probabilidade de serem encontrados trabalhos na abordagem, a partir de categorias previamente extraídas da literatura da área e passíveis de análise nesse tipo de material. Os principais resultados foram: Maior contribuição advinda do Programa de Educação Especial da UFSCAR SP e concentração da contribuição na região sudeste. Os trabalhos são predominantemente empíricos (experimentais e descritivos) com privilégio dos experimentais. O setting mais utilizado é a situação escolar e dentre os temas escolhidos a maior concentração é em comportamentos e habilidades acadêmicas, e a modalidade de ensino mais contemplada nos estudos é a educação especial, seguida do ensino fundamental. Recomenda-se a verificação de recortes de períodos mais recentes nesse tipo de produção e em outras para verificação das tendências e possíveis modificação nas mesmas.
Introdução
O objetivo do trabalho é analisar resumos de teses e dissertações brasileiras defendidas entre 1986 e 2002, realizadas num enfoque psicológico analítico-comportamental, que estejam inseridos numa temática educacional, para oferecer um panorama das principais características da pesquisa na área no período escolhido, bem como, ponto de partida e elementos para futuras pesquisas.
Materiais e Métodos
Utilizamos material já coletado e descrito em Rodrigues (2005), como tendo sido obtido por uma combinação de estratégias. Foi priorizado o material produzido na USP, UNB, UFSCAR, UFPA, UFMG, UCG, PUCSP, UFRGS, UNESP-Marilia, da UEL – Educação e UNICAMP – Educação, UFSC-SC. Os critérios de seleção de resumos foram: período de análise, palavras chave no título ou resumo, ter objetivos acadêmicos ou de ensino.

Os itens escolhidos para análise, extraídas de exame prévio da literatura, foram: Ano de defesa, orientador, instituição e programa em que a dissertação ou tese foi defendida, natureza do trabalho, temática, sujeitos e modalidades de ensino.


Resultados e Discussão
Das dissertações e teses analisadas no período selecionado (1986-2002), foram encontradas 172 (128 dissertações e 44 teses). A distribuição foi desigual entre os anos e houve picos de produção nos anos de 1986, 1996, 2000, 2001, 2002. O maior número de teses e dissertações defendidas está ao final do período, provavelmente devido ao crescimento do número de programas de pós-graduação.

As instituições de ensino superior que mais contribuíram com trabalhos defendidos em análise do comportamento e educação foram UFSCAR SP (37,2%), USP SP (26,7%), PUC SP (13,4%), UFPA (5,8%) e UNB DF (5,2%), independente de o programa estar situado na área de psicologia ou de educação, na classificação da CAPES. Tais dados são semelhantes aos de Guedes et al (2005) em que as cinco instituições anteriormente mencionadas também despontam como os maiores centros de formação. A maior parte dos trabalhos defendidos concentra-se na região Sudeste – Cidade e Estado de São Paulo (77,3%), seguida da região Norte (UFPA PA) e do Distrito Federal (UNB DF).

Dentre os programas que mais produzem (dentro das instituições mencionadas) encontramos o de Psicologia: Psicologia Experimental no IP USP (com 19,76% dos 26,7% total da instituição) e o de Educação: Psicologia da Educação da PUC SP (com 8,13%, dos 13,37% total da instituição).

Houve grande dispersão no número de orientadores, chegando a mais de cinquenta nomes em 11 instituições e 8 estados. Os Doutores que mais orientaram trabalhos ao longo do período foram os Professores Júlio C. C. de Rose (9,3%), Maria Amélia Matos (8,1%) e Deisy das Graças de Souza (5,2%).

A natureza do trabalho da maior parte das teses e dissertações defendidas é empírica: “Experimental” (53,6%), “Descritivos” (29,5%). A predominância dos trabalhos empíricos também é encontrada em estudos como os de Nicolino e Zanotto (2011) na análise de periódicos brasileiros, e no de Nortuhp, Volmer e Serret (1993) que observaram o predomínio de trabalhos experimentais no JABA (74%), no período de 1968-1992. Dos trabalhos experimentais, a maior parte (30,7%) se constitui de trabalhos realizados com metodologia própria da área, qual seja a de sujeito único, na qual comportamento dos indivíduos é pesquisado em comparação com ele mesmo, em oposição à análise estatística.

Metade dos resumos não traz informação sobre o setting da pesquisa, mas dentre os que mencionam (162) a situação mais comum é a situação escolar (32,7%), sendo que destes 18,5% se realizam em situação de sala de aula. Esses dados apresentam concordância com Northup, Volmer e Serret (1993) analisando o JABA.

Existe uma grande dispersão temática nos trabalhos analisados, indicando amplas áreas de interesse entre os autores. Dentre os temas mais escolhidos encontram-se “Comportamentos ou habilidades acadêmicas” (22,67%) e “Investigação sobre metodologia de ensino ou procedimentos de ensino-aprendizagem” (11,04%). Esses dados condizem com os de Sulzer-Azaroff e Gillat (1990), que encontraram no JABA como focos de intervenção mais frequente a conduta em sala de aula (29%) e habilidades acadêmicas (25%). Marmo (2002) também encontrou em primeiro lugar estudos focando habilidades acadêmicas analisando estudos educacionais no JABA.

Os sujeitos/participantes dos estudos são na maior parte alunos/aprendizes (58%), seguidos de sujeito misto (24,69%), como professor e aluno; diretora, professores e funcionários; mães e filhos.

A modalidade de ensino mais contemplada nos estudos é a Educação Especial (33,58%), seguida do Ensino Fundamental regular (24,42%). Tais dados podem refletir a expressiva participação do programa de Educação Especial da UFSCAR entre os trabalhos defendidos, apresentando o maior número deles (37,2%).
Conclusões
O número de teses e dissertações defendidas em diferentes programas e regiões do país aumentou ao longo do período, como toda a pós-graduação brasileira, tanto na área da psicologia como da educação.

A concentração na região sudeste merece reflexão a respeito do quanto a análise do comportamento se desenvolveu ao longo do período no Brasil e de quais são as condições atuais para o seu desenvolvimento. Há tendência de expansão também para outras regiões do país com a abertura de novos programas e com a dispersão de analistas do comportamento interessados na temática.

Tantos programas da área de psicologia como de educação contribuem com a área, especialmente o programa de Educação: Psicologia da Educação da PUC SP, não sendo exclusiva a contribuição dos programas de psicologia. Há predominância dos trabalhos experimentais e descritivos, ou seja, a produção empírica pode ser considerada uma característica das dissertações e teses brasileiras defendidas entre 1986 e 2002 na área educacional, uma área essencialmente aplicada.

A temática educacional mais estudada foi a de habilidades acadêmicas, sejam leitura e escrita, matemática, outras disciplinas ou ainda ensino de habilidades (solução de problemas, criatividade, metodologia científica etc.). A dispersão temática encontrada sinaliza amplo interesse das teses e dissertações em análise do comportamento na área educacional.

A Educação especial apareceu como a modalidade de ensino mais estudada, dado provavelmente atrelado ao fato do programa de educação especial da UFSCAR ter sido o que apresentou o maior número de estudos no período analisado.

Recomenda-se a verificação das tendências mais recentes nesse tipo de produção e em outras, para verificar a existência de mudanças nas tendências e, principalmente, para verificar se continua ocorrendo expansão da análise do comportamento, em quais direções, bem como analisadas as condições em que tal expansão ocorre.


Agradecimentos
Agradecemos a Fundação Araucária pela bolsa de IC.
Referências
Marmo, A. V., Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002). Publicações sobre Educação no “Journal of Applied Behavior Analysis”: Uma revisão. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento
Nicolino, V. F. e Zanotto, M. L. B. (2011). Trabalhos de Análise do Comportamento na área de Educação em periódicos brasileiros no período de 1961 a 2006. Acta Comportamentalia, 19 (3).
Northup, J.; Vollmer, T. R.; Serret, K. (1993). Publications Trends in 25 years of the Journal of Applied Behavior Analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, 26 (4), 527-537.
RODRIGUES, Maria Ester (2005). A Contribuição do Behaviorismo Radical para a Formação de Professores Uma Análise a partir de teses e dissertações no período de 1970 a 2002. Tese de Doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação: Psicologia da Educação da PUC SP.
Sulzer-Azaroff, B.; Gillat, A. (1990). Trends in Behavior Analysis in Education. Journal of Applied Behavior Analysis, 23 (4), 491-495.




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