Teshuvá – Parte II a viagem de Volta



Baixar 207.31 Kb.
Página1/3
Encontro06.08.2016
Tamanho207.31 Kb.
  1   2   3

BS”D

Teshuvá – Parte II

A Viagem de Volta
Na primeira aula da Morashá desta série de duas partes, nós examinamos o significado básico de teshuvá. Teshuvá significa voltar – voltar a D’us e voltar a nossa própria pureza interior. Nesta aula, nós estudaremos o caminho feito na viagem de volta. Os Sábios revelaram um sistema no qual o arrependimento total pode ser alcançado. Nesta aula, nós descreveremos e analisaremos este processo.
Cada pessoa possui uma combinação singular de virtudes e deficiências ou, como os Sábios expressaram: “cada pessoa é um pequeno mundo” (Avot deRabi Natan 23:3). Para aperfeiçoar ou mudar a si mesma, a pessoa precisa apurar e adaptar o processo de teshuvá para se beneficiar das suas virtudes e superar as suas deficiências.
Portanto, além de satisfazer os constituintes clássicos da teshuvá para corrigir uma transgressão (arrependimento, suspensão, resolução e, se necessário, pedir perdão de alguém), a pessoa também precisa de uma abordagem mais ampla em relação a mudança de caráter, trabalhando sobre as raízes da sua transgressão. Esta aula será concluída com algumas ferramentas e exercícios práticos.
Esta aula tratará das seguintes questões:

  • O que é o processo de teshuvá?

  • Eu realmente posso decidir nunca mais voltar a cometer um erro?

  • O que acontece se você tentar se reconciliar com alguém e ele negar o seu pedido?

  • Por que a teshuvá sobre as nossas características às vezes é mais importante do que aperfeiçoar os nossos atos?

  • Quando nós devemos fazer teshuvá?



Síntese da Aula:
Seção I. O Processo de Teshuvá

Parte A. 1° Passo: Arrependimento (charatá - חרטה)

Parte B. 2° Passo: Suspensão (azivat hachet - עזיבת החטא)

Parte C. 3° Passo: Confissão (vidui - וידוי) – Responsabilizando-se

Parte D. 4° Passo: Resolução para o Futuro (kabalá lehabá –קבלה להבא )

Parte E. Pedindo Perdão de Alguém que Você Ofendeu (mechilá - מחילה)


Seção II. Abordagens Mais Amplas de Teshuvá

Parte A. Mudando as Suas Características

Parte B. Elevando as Suas Aspirações

Parte C. Fazendo Bons Atos


Seção III. Quando Nós Devemos Fazer Teshuvá?

Parte A. A Teshuvá é Para Cada Dia da Nossa Vida

Parte B. Elul e os Dez Dias de Arrependimento

Parte C. Rosh HaShaná

Parte D. Iom Kipur

Parte E. Dias de Jejum

Seção IV. Ferramentas Práticas Para a Teshuvá

Seção I. O Processo de Teshuvá
Todos nós cometemos erros. Quase todo dia, nós fazemos coisas que nós realmente não queremos fazer. Este é um fenômeno fascinante. Quando foi a última vez que você teve a seguinte experiência? Você se deparou com a oportunidade de fazer algo que você se deu conta que estava errado, algo que você claramente não queria fazer, mas uma coisa estranha aconteceu… O próprio ato que você não queria fazer, você fez de qualquer forma. Às vezes, nós podemos inclusive fazer coisas prejudiciais intencionalmente – espalhar um boato, mentir, roubar, ser desleal, não ajudar alguém que precisa. E, mais tarde, nós percebemos que estes comportamentos não só magoaram os outros e arruinaram os nossos relacionamentos, mas também eles debilitaram as essências boas dos nossos seres. Você decide: é suficiente, é hora de parar! É hora de consertar os danos do passado e trabalhar para evitar repetir esse comportamento negativo no futuro. Por onde eu começo? (Veja Shimon Apisdorf, Rosh HaShanah - Yom Kippur Survival Guide (Kit de Sobrevivência de Rosh Hashaná e Iom Kipur), Editora Leviathan, p. 101.)
Por um ponto de vista prático, a teshuvá envolve vários elementos que incluem a introspecção e trabalho árduo e, ao final, levam a grandeza.
1. Rambam (Maimônides), Hilchot Teshuvá (Leis de Arrependimento), 2:2, 9 – Os elementos da teshuvá: arrependimento, suspensão, confissão, resolução e, se necessário, pedir perdão dos outros.

Como se faz teshuvá?


  • O transgressor para de fazer a transgressão e a retira dos seus pensamentos.




  • Ele decide que ele não a fará novamente no futuro…




  • Ele se arrepende [do que ele fez] no passado…




  • Ele expressa verbalmente as suas transgressões para D’us e faz uma resolução verbal em relação ao futuro.




  • Em relação a transgressões contra o próximo, a pessoa deve reembolsar tudo o que ela deve ao outro e pedir perdão dele.

ומה היא התשובה?


  • הוא שיעזוב החוטא חטאו ויסירנו ממחשבתו,



  • ויגמור בלבו שלא יעשהו עוד ...



  • וכן יתנחם על שעבר...



  • וצריך להתודות בשפתיו ולומר עניינות אלו שגמר בלבו.



  • אבל עבירות שבין אדם לחבירו ... אינו נמחל לו לעולם עד שיתן לחבירו מה שהוא חייב לו וירצהו ... ולשאל ממנו שימחול לו.

Os passos da teshuvá podem ser divididos em passado, presente e futuro (baseado no Rabino Mordechai Becher, Gateway to Judaism (Portões do Judaísmo), p. 136):







Ação:

Relacionado com o …


1° passo

Arrependimento (charatá). Perceber o nível de dano e sentir arrependimento sincero.



Passado

2° passo

Suspensão (azivat hachet). Parar imediatamente de fazer o ato nocivo.


Presente

3° passo

Confissão (vidui). Articular o pecado em privado para D’us e pedir perdão.


4° passo

Resolução (kabalah lehabá). Tomar uma decisão séria de não voltar a cometer o ato no futuro.


Futuro

Se a transgressão envolve outra pessoa, um quinto elemento é necessário – pedir perdão (mechilá). Agora nós discutiremos cada elemento em detalhes. A ordem específica dos quatro passos abaixo é descrita no Sefer Charedim (capítulo 63). Na prática, a ordem pode variar.


Parte A. 1° Passo: Arrependimento (charatá - חרטה)
O primeiro passo é reconhecer que a pessoa fez algo de errado e sentir arrependimento por tê-lo feito.
Muitas pessoas se confundem entre arrependimento e culpa. Veja a diferença entre os dois:


O arrependimento é construtivo

A culpa pode imobilizar

O arrependimento é a percepção que você perdeu uma oportunidade, mas que a sua essência continua sendo pura.

A culpa é o sentimento que você é uma pessoa perversa e desprezível.

O seguinte exemplo ilustra a diferença:


Durante o primeiro ano como um investidor da Wall Street, você tem uma reunião privada com George Soros, o investidor multibilionário. Por uma hora, ele lhe dá todas as dicas sobre como investir e ganhar dinheiro na bolsa de valores. Enquanto você tenta não observar os móveis caros ou não se distrair com a vista do 40° andar, ele lhe diz em que empresas investir e quais devem ser evitadas.
A reunião termina. Os dias passam. Você investe um pouco aqui e ali, indo atrás das suas intuições ao invés de seguir os seus conselhos. Após um ano, depois que todos os prognósticos dele sobre os investimentos se realizaram, ele lhe convida novamente para ver como estão as coisas. O que você diz a ele?


  1. Sr. Soros, eu me sinto muito culpado por não ter lhe escutado. Eu sou uma pessoa perversa por não ter seguido os seus conselhos sobre investimentos!”

  2. Eu realmente me arrependo do que eu fiz no ano passado. Eu perdi uma grande oportunidade financeira. Realmente vale a pena escutar o que os peritos têm a dizer!” (De uma palestra do Rabino Asher Resnick, Jerusalém)

De forma similar, quando nós estamos diante de D’us e olhamos para trás, para o nosso passado, nós devemos nos arrepender dos erros e das oportunidades perdidas ao invés de sentirmos culpa.


1. Liturgia de Selichot – O arrependimento é o sentimento de que “simplesmente não valia a pena. Eu não acredito que eu perdi a oportunidade!”

Nós nos desviamos das Tuas mitzvot e dos Teus preceitos, que são para o nosso bem, mas não valeu a pena.

סרנו ממצותיך וממשפטיך הטובים ולא שוה לנו.


2. Rabino E. E. Desler, Michtav MeEliahu, Vol. II, p. 79-80 – Quanto mais nós sentimos o remorso de arrependimento, é mais provável que nós melhoremos. Na realidade, quando nós aprendemos dos nossos erros, D’us não os considera mais como erros, mas sim como mitzvot!

O propósito do arrependimento é para fortalecer o comprometimento da pessoa com o futuro. Isto deve-se ao fato que o comprometimento de se aprimorar é construído ao reconhecer quão negativa é a transgressão e sentir um remorso pelos erros passados…
Quando a pessoa sente um verdadeiro arrependimento, ela percebe que a transgressão simplesmente não valia a pena… É a própria transgressão que provocou nele esta conscientização e, portanto, ele retorna a D’us por amor [ao invés de medo das consequências]. Este é o significado da afirmação: “Grandiosa é a teshuvá, pois ela transforma as transgressões em méritos” [Ioma 86b]. O transgressor foi elevado a um nível de grande amor por D’us devido às suas transgressões e, portanto, D’us as julga como mitzvot!

חרטה באה כדי לחזק את הקבלה להבא, כי אין הקבלה מבוססת היטב אלא כשהיא באה מתוך הכרת גודל החטא ומתוך צער על העבירות שעבר...

כששב ומתחרט מכיר את שפלות החטא ... אכן הרי העבירה גרמה לו הכרות אלה, ולכן השב מאהבה ... עבירותיו נעשין כזכויות [יומא פו:] כי כיון שנתעלה לאהבה גדולה זו בגרם החטא, דן הקב"ה עליהם ברוב חסדיו בבחינת זכויות.


Como a próxima fonte descreve, há vários obstáculos no caminho do verdadeiro arrependimento.


3. Rabino Shraga Simmons, Teshuvah: Dry Cleaning for the Soul (Teshuvá: Lavando a Alma à Seco) (aish.com) – esclareça o que é certo e errado, de forma que você não justifique as suas ações e, desta forma, evite se arrepender.

Às vezes, nós tentamos legitimar as nossas ações, usando várias justificativas:

  • “Todo mundo faz isto.”

  • “Pelo menos eu não sou como as pessoas que matam e roubam por aí!”

  • “Quem é você para dizer que isto é errado!?”

O arrependimento realmente não é possível, a menos que nós diferenciemos entre o certo e o errado. Do contrário, nós simplesmente racionalizaremos e nos iludiremos pensando que nós não fizemos nada de errado. Os níveis de valores em constante mudança e instáveis da sociedade contribuem para esta falta de claridade.


Por exemplo, imagine crescer em uma casa onde a fofoca era constantemente falada. A menos que você foi apresentado a ideia judaica de lashon hará (“fala negativa”) e se deu conta da sua natureza destrutiva, você nunca consideraria contar fofocas como algo ruim!
Por este motivo, é importante estar familiarizado com a halachá, a lei judaica e ter um rabino que lhe conhece pessoalmente e pode lhe aconselhar…


Parte B. 2° Passo: Suspensão (azivat hachet - עזיבת החטא)
As palavras podem surgir facilmente. Porém, na prática, impedir a ação nociva mostra um compromisso verdadeiro de mudar. O que segue é um exemplo humorístico.
Você foi para uma festa com os seus amigos. Que festa! Uma diversão atrás da outra… Até que aparece um “estraga-prazer.” Ao dirigir para casa, você escuta o som temido – a sirene da polícia com azul e vermelho brilhantes. Qual seria o problema? Você está abaixo do limite da velocidade. Você não está bêbado. Mas o seu amigo deixa cair o seu estoque de maconha no chão do seu carro. Oh-oh. Depois da busca no carro, a solicitação educada: “identifique esta substância, senhor,” você foi acusado de porte de maconha. Nãaaaaao!!
A data do julgamento está marcada. Você sabe que isto é um assunto sério. O seu advogado lhe diz para admitir os fatos e se responsabilizar para poder corrigir o seu delito. Em seguida, ele acrescenta: “E lembre-se: você está em julgamento por porte de maconha, então, não apareça ‘fumado’ no tribunal!” (Escutado do Rabino Noach Weinberg, Aish HaTorah, Jerusalém.)
A mensagem desta parábola é: se você está tentando se aprimorar, certifique-se que você pare de fazer a ação negativa. A importância deste passo, a suspensão, é ilustrada pela fonte seguinte.
1. Talmud Bavli (Talmud Babilônico), Taanit 16a – A purificação só funciona se você eliminar a fonte da impureza. Jogue fora o sheretz antes de você entrar na mikvê.

Rav Ada bar Ahava disse: “Considere uma pessoa que está pecando e ela admite isto, e ainda assim, não para. Ela como alguém que está segurando um sheretz [animal impuro]. Mesmo se ela tenta se purificar com toda a água do mundo, isto não ajudará. Porém, assim que ele jogar fora o sheretz e se submergir em uma mikvê [banho de purificação], ele fica puro!”

אמר רב אדא בר אהבה: אדם שיש בידו עבירה, ומתודה ואינו חוזר בה למה הוא דומה - לאדם שתופס שרץ בידו, שאפילו טובל בכל מימות שבעולם - לא עלתה לו טבילה. זרקו מידו, כיון שטבל בארבעים סאה - מיד עלתה לו טבילה.

Você pode imaginar pedir perdão de alguém enquanto você continua a prejudicá-lo? Sem parar de fazer o ato nocivo, toda a intenção do mundo não ajudará.


Parte de parar de fazer atos incorretos é traçar limites para impedir de voltar a fazê-los. Isto é um elemento crucial do arrependimento, pois isto indica que a pessoa aprendeu com os seus erros anteriores. Não só ela para de pecar, mas também ela tenta se assegurar que ela não cometerá um lapso novamente.
2. Rabbeinu Bachya ibn Pakuda, Chovot HaLevavot (Deveres do Coração) 7:5, O Portão da Teshuvá – Seja cuidadoso e mantenha a distância de coisas que podem fazer com que você volte a cometer erros antigos.

[Parte de evitar a transgressão é:] evitar coisas que levam a transgressão. Isto inclui evitar coisas que são questionáveis... E os Sábios nos ordenaram: “Faça uma cerca para a Torá” [Pirkei Avot/Ética dos Pais 1:1].

והשני, עזיבת המותר המביא לידי אסור, כדברים המסופקים אם מותרים הם או אסורים ... שצוו עליהם רבותינו ז"ל ואמרו: ועשו סיג לתורה.

O que segue são exemplos de fazer uma cerca para ajudar a impedir o ato nocivo:



Se você não quer sair da sua dieta, não traga chocolate para casa.

Se você tem problemas com bebida, saia com amigos que bebem menos ou não bebem.

Se você tem um hábito ruim com a internet, peça um serviço de filtro de internet.
Parte C. 3° Passo: Confissão (vidui - וידוי) – Responsabilizando-se
O terceiro passo é falar com D’us sobre o assunto. Confissão significa admitir verbalmente a sua transgressão somente para D’us, como a próxima fonte ilustra.
1. Rambam, Hilchot Teshuvá 1:1 – É mitzvá admitir verbalmente para D’us que você cometeu um erro ou se rebelou contra Ele.

Se uma pessoa transgride qualquer uma das mitzvot da Torá – seja uma obrigação, seja uma proibição, seja intencional, ou seja desintencional – ela deve admitir a sua transgressão diante de D’us quando ela faz teshuvá e para de fazer a transgressão. Como está escrito: “Se um homem ou uma mulher peca contra o próximo, desta forma, sendo desleal com D’us e se tornando culpado de um pecado, ele deve confessar a infração que ele cometeu” [Bamidbar/Números 5:6-7]. Esta é a mitzvá de se confessar verbalmente a D’us.
Como a pessoa deve se confessar? Diga a D’us [em qualquer língua]: “Por favor, D’us, eu pequei acidentalmente ou intencionalmente ou me rebelando ativamente contra Ti. Eu fiz o seguinte… Agora, eu me arrependo e me sinto envergonhado pelo que eu fiz, e, portanto, eu nunca o farei novamente [veja o 4° Passo abaixo].” Esta é a confissão básica, mas é louvável dizer mais.

כל המצוות שבתורה, בין עשה בין לא תעשה, אם עבר אדם על אחת מהן בין בזדון בין בשגגה, כשיעשה תשובה וישוב מחטאו חייב להתודות לפני הקל ברוך הוא, שנאמר אִישׁ אוֹ אִשָּׁה כִּי יַעֲשׂוּ מִכָּל חַטֹּאת הָאָדָם לִמְעֹל מַעַל בַּה' וְאָשְׁמָה הַנֶּפֶשׁ הַהִוא וְהִתְוַדּוּ אֶת חַטָּאתָם אֲשֶׁר עָשׂוּ, זה וידוי דברים, ווידוי זה מצות עשה.
כיצד מתודה אומר "אנא השם, חטאתי, עויתי, פשעתי לפניך ועשיתי כך וכך והרי ניחמתי ובושתי במעשי ולעולם איני חוזר לדבר זה", זהו עיקרו של וידוי. וכל המרבה להתודות ומאריך בענין זה הרי זה משובח.

O propósito da confissão é para que a pessoa diga a si mesma: “Isto não é quem eu quero ser.” Por que nós devemos expressar os nossos sentimentos verbalmente? Além disto, se D’us conhece todos os nossos pensamentos e sentimentos, por que nós precisamos contá-los a Ele? A próxima fonte explicará estas questões.


2. Rabino Eliahu Desler, Michtav MeEliahu Vol. V, p. 260 – Expressando sentimentos com palavras os torna muito mais efetivos e duradouros. Por este motivo, nós expressamos o nosso arrependimento diante de D’us através de uma confissão verbal.

A partir do fato que a confissão verbal é um dos elementos principais da mitzvá de teshuvá, [como nós veremos no Rambam da fonte anterior], nós aprendemos o seguinte:
Não é suficiente compreender emocional e intelectualmente. Nós damos um passo adiante e expressamos isto com palavras. Porque quando você acrescenta palavras aos pensamentos e sentimentos [passageiros], elas ficam cravadas no coração da pessoa. Através da fala, o nível espiritual [que ele alcançou através da teshuvá] se completa e se fortalece. Portanto, o profeta nos lembra: “Peguem para si palavras e as devolvam a D’us [e digam a Ele: ‘Que Tu perdoes a todas as nossas transgressões e aceite as boas intenções e deixe os nossos lábios substituírem os sacrifícios’ – Hoshea/Oséas 14:3].”

הרי שוידוי דברים הוא מעיקרי מצות התשובה. הלימוד מזה:

אינו די בגילויים שבמחשבה ושבהרגש, אלא צריך לגלותם גם בפה כי בהוספת הדיבור אל המחשבה וההרגש נקבע בלב האדם. נמצא שהדיבור הוא הגומר והקובע את המדריגה וע"כ "קְחוּ עִמָּכֶם דְּבָרִים וְשׁוּבוּ אֶל ה'.


A confissão verbal é mais para o nosso bem do que para o bem de D’us. Ela ajuda a reforçar a nossa decisão de tornar os nossos pensamentos e sentimentos mais concretos, próximos a esfera de ação.


Como o próximo relato mostra, admitir a responsabilidade com sinceridade não é tão fácil quanto parece. Na realidade, isto é muito doloroso e difícil (veja Orchot Chaim, cap. 36). Nós inventamos desculpas. Nós nos sobressaímos racionalizando sobre o assunto. Mas a pessoa que arranca de si mesma a verdade desagradável – “eu errei” – realiza um ato grandioso e significativo.
A juíza da vara civil Alice Gilbert teve uma ideia inovadora. Ela pediu que cada pessoa condenada no seu tribunal por crimes desde homicídio culposo até o pagamento com cheques sem fundo escreva um artigo respondendo às seguintes perguntas: “Como o meu crime me afetou? E a minha família? E a minha comunidade? O que pode ser feito para evitar estes crimes no futuro?”
Em uma visita recente a Michigan, eu me hospedei na casa da juíza Gilbert (que, por acaso, é a minha prima). Eu estava intrigada com a sua ideia brilhante. Sempre interessada no processo de mudar o comportamento humano, eu pedi para ler alguns artigos.
Eu escolhi os crimes mais severos: um motorista bêbado que matou um adolescente, um cara que roubou um posto de gasolina e matou um cliente infeliz. Com uma grande expectativa, eu me sentei para ler estes confrontos dramáticos de seres humanos com as sombras dos seus próprios seres, pensando que um mar de arrependimento certamente surgiria de um exame de consciência honesto.
Nada disto! O que eu li, no lugar disto, foi artigo após artigo explicando porque o escritor não era culpado do crime. Ignorando totalmente as quatro perguntas, cada condenado escreveu detalhadamente como cada acontecimento ocorreu, produzindo esse resultado terrível e que tudo não era de forma alguma culpa do escritor! (Sara Yocheved Rigler, The Crime I Didn’t Commit (O Crime Que Eu Não Cometi), aish.com)
Nós temos que nos responsabilizar pelos nossos atos e admití-los. Para ilustrar este ponto, um dos pedidos no Shemone Esre é teshuvá. O pedido não é expresso como “abençoado és Tu, D’us, que nos faz retornar a Ti.” No lugar disto, ele diz: “Que quer que nós retornemos a Ti.” D’us quer que nós voltemos, por assim dizer, mas nós temos que nos responsabilizar e nós mesmos temos que tomar os primeiros passos.

Parte D. 4° Passo: Resolução para o Futuro (kabalá lehabáקבלה להבא )
O quarto passo é decidir não voltar a fazer a transgressão no futuro. Embora possa parecer intimidador se comprometer a nunca voltar a fazer um hábito ruim, a fonte seguinte descreve como isto pode ser feito passo a passo.
1. Rabino Chaim Friedlander, Sifsei Chaim, Vol. I, p. 269 – Tome uma decisão firme de consertar pelo menos uma parte de uma transgressão. Isto contribui para o objetivo de consertar toda a transgressão.

כל עבירה מתחלקת לבחינות שונות, בכל עבירה יש זמנים ומצבים שקל הוא לאדם ומסוגל יותר להיזהר מלהכשל בעבירה, ויש אשר הנסיונות לעמוד כנגד אותה העבירה קשים מאוד. ולדוגמא: ביטול תורה, יש מצבים שאדם יכול יותר בנקל להתגבר על היצר הרע דביטול תורה, ויש אשר הנסיונות בו קשים מאוד...

ראשית, האדם צריך לקחת את פרטי העבירה הקלים ביותר ולתקנם, וזאת כיון שהם יותר קלים, א"כ נקל יותר לתקנם, נוסף לכך גם הקבלה להבא תהיה יותר יציבה.

האפשרות להיות בעל תשובה גמור קיימת גם בחלקי העבירה. ... מ"מ ודאי שהאדם מצדו צריכה להיות אצלו השאיפה להמשיך לעלות ולהתעלות בתיקון כל פרטי העבירה זו ושאר העבירות.


Cada transgressão possui várias partes e aspectos. Além disto, há certo momentos e situações onde é mais fácil evitar a transgressão e outras vezes onde há uma tremenda luta moral (nissaion). Por exemplo, perder uma oportunidade de estudar Torá (bitul Torá): em algumas situações, a pessoa pode facilmente vencer o seu ietzer hará (inclinação ruim) de perder tempo e, em outros momentos, é uma grande luta…
Por isto, a pessoa deve identificar as partes mais simples da transgressão para se concentrar nelas e corrigí-las primeiro. Isto não é só porque ele achará mais fácil corrigí-las, mas porque a sua decisão para o futuro estará mais sólida.
Portanto, a pessoa pode chegar a fazer teshuvá completa em relação inclusive aos elementos de uma transgressão. No entanto, ela deve continuar a desejar se elevar a níveis espirituais mais altos, corrigindo todos os elementos desta transgressão e de todas as outras transgressões.

Quando a pessoa está inspirada a se aprimorar, o seu desejo intenso de se aperfeiçoar pode levá-lo a dar grandes saltos espirituais. Este método pode ser perigoso. Como nós vimos na fonte anterior, a estratégia normalmente recomendada é o autoaperfeiçoamento constante, um passo de cada vez. Um exemplo do último caso é o seguinte:


Uma pessoa tem um problema de falar negativamente sobre os outros. Ela sabe que há um determinado amigo que ela fala lashon hará dele logo na primeira xícara de café de manhã. Embora ele não possa mudar os seus hábitos de fala de uma só vez, ele é capaz de se comprometer a evitar falar sobre o seu amigo até mais tarde, quando o assunto da conversa possa ser diferente.
2. Rabino Shraga Simmons, Teshuvah: Dry Cleaning for the Soul (Teshuvá: Lavando a Alma à Seco) (aish.com) – Comprometa-se a se avançar na direção certa mesmo se você ainda puder cometer erros.

Tomando uma decisão para o futuro? Como eu posso me comprometer a nunca mais pecar? Isto é realista?

Imagine uma criança dando os seus primeiros passos diante dos pais orgulhosos. Ela fica de pé, dá alguns passos e cai. Os pais aplaudem com entusiasmo e alegria. Porém, se você analisar a situação, os pais não deveriam ficar transtornados? Afinal de contas, a criança caiu!

A resposta é óbvia. Um pai ou uma mãe não julga a criança baseado no fato que ela caminha ou cai, mas sim, se ela tomou alguns passos na direção certa.

O mesmo ocorre em relação a D’us. Nós não estamos competindo com ninguém, somente conosco. O que importa para Ele é se nós estamos fazendo um esforço sincero para avançar na direção certa. D’us não pediu que você mudasse em um aspecto que ainda não é viável que você mude. Nós somos ordenados a sermos seres humanos, não anjos. Isto significa assumir um compromisso sério de mudar e tomar os passos certos na hora certa… Nada pode ser um obstáculo para a persistência e a determinação. Como diz o Talmud: “No caminho que a pessoa deseja ir, ela será levada” (Macot 10b).


Tomar decisões sobre o futuro significa: “Eu melhorarei no futuro inclusive quando eu estou cansado, irritado ou decepcionado” (Rabino Yitzchak Berkovits). O futuro serve como a prova de fogo para o nosso arrependimento. Se nós conseguimos cumprir os nossos compromissos, mesmo em uma situação difícil, nós alcançamos teshuvá completa, como a próxima fonte descreve.


3. Rambam, Hilchot Teshuvá 2:1 – Se a decisão da pessoa é firme o suficiente para impedir a transgressão quando a oportunidade surge novamente, então, isto é uma teshuvá completa.

Quando a teshuvá da pessoa é considerada completa? Se ela tem uma oportunidade de voltar a cometer a transgressão, mas, no lugar disto, ela resiste – não por medo [de ser descoberta] ou por falta de força –, mas devido a sua teshuvá, então, a teshuvá da pessoa está completa.
Por exemplo, certa vez, uma pessoa pecou com uma mulher. Posteriormente, ele fica sozinho com ela com o mesmo desejo. Ele tem a mesma força, e eles estão no mesmo local, e ele resiste e não peca – isto é teshuvá completa.

אי זו היא תשובה גמורה? זה שבא לידו דבר שעבר בו ואפשר בידו לעשות, ופירש ולא עשה מפני התשובה, לא מיראה ולא מכשלון כח.
כיצד, הרי שבא על אשה בעבירה. ולאחר זמן נתייחד עמה והוא עומד באהבתו בה, ובכח גופו ובמדינה שעבר בה, ופירש ולא עבר: זהו בעל תשובה גמורה.

Certamente, nós não devemos nos colocar propositalmente em uma situação onde nós podemos ficar tentados a pecar. Mesmo quando a situação não ocorre, D’us sabe quando o arrependimento da pessoa é completo (Sefer Chasidim 157, Shaarei Teshuvá 1:49).


  1   2   3


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal