Testemunho” do Mosteiro Água Viva, em Itacoatiara no Amazonas – Brasil Ir Elizabeth Franke osb índice



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Testemunho” do Mosteiro Água Viva, em Itacoatiara no Amazonas – Brasil

Ir Elizabeth Franke OSB



ÍNDICE

  1. Introdução

  1. Agradecimento

  2. Como surgiu o Mosteiro Água Viva

  3. Raízes

  4. Fundação

  1. Um mosteiro no Amazonas

  1. Deseja ser presença orante na sua Igreja

  2. O mosteiro membro vivo do Corpo Vivo que é a Igreja

  1. Inserção da comunidade do Mosteiro Água Viva

  1. No louvor e na intercessão

  2. Na leitura orante da Palavra de Deus

  3. Na Oração silenciosa

  4. No Trabalho

  5. No Acolhimento

  6. Na Vida Fraterna

  1. Conclusão

Bibliografia

I – Introdução

Seguindo o exemplo do nosso Papa Francisco, começo com um “Bom Dia”.



  1. Agradecimento:

Gostaria de iniciar o “testemunho” do Mosteiro Água Viva, em Itacoatiara no Amazonas – Brasil, agradecendo a CIMBRA, na pessoa de sua presidente a Madre Abadessa Vera Lúcia Parreiras Horta, do Mosteiro do Salvador na Bahia que buscou um “testemunho” de vida monástica a mais de 4000 km de distância. Ela foi a um mosteiro localizado na floresta Amazônica pedir o testemunho de vida numa região de risco e de muitos desafios.

E este convite foi para a nossa pequena comunidade uma oportunidade de rever a nossa caminhada, às vésperas dos 25 anos de nossa presença monástica na Prelazia de Itacoatiara.

Uma verdadeira aventura de amor e doação!


  1. Como surgiu o Mosteiro Água Viva?

E tudo começou nas vésperas dos 500 anos da Evangelização da América Latina.

Em 1987, a nossa comunidade do Mosteiro do Encontro, em Curitiba no Paraná, recebeu de três bispos brasileiros, de locais diferentes, o pedido de fundação monástica em suas Dioceses.

Depois de muita oração, muita reflexão e reuniões, o Mosteiro do Encontro decidiu responder Sim ao Bispo da Prelazia de Itacoatiara no Estado do Amazonas.

D. Jorge Marskell, missionário de Scarboro naquele ano veio pessoalmente bater à nossa porta.

D. Jorge admitia conhecer pouco da Vida Monástica, mas acreditava de todo o coração, que a presença de um mosteiro seria uma Luz para todas as Comunidades de sua imensa Prelazia. Ele nos disse que desejava para sua Igreja local uma presença de oração e acolhimento. D. Jorge acreditou no que diz o documento de Puebla sobre a vida religiosa contemplativa: “As comunidades contemplativas são como o coração da vida religiosa. a todos animam e estimulam para que intensifiquem o significado transcendente da vida cristã [...]. E é por si mesma, pelo radicalismo de seu testemunho um meio privilegiado de evangelização eficaz. (Puebla, 738; 856).

A semente estava lançada!



  1. Raízes

O Mosteiro Água Viva foi fundado pelo Mosteiro do Encontro (hoje em Mandirituba – Paraná/Brasil).

E o Mosteiro do Encontro foi fundado pelo Mosteiro de Nossa Senhora de Betânia, em Loppem, perto de Bruges, na Bélgica, da Congregação das Monjas beneditinas da Rainha dos Apóstolos fundada em 1921 por D. Theodoro Néve, abade do Mosteiro Santo André na Bélgica.

E em 1963, o Capítulo Geral do Mosteiro de Nossa Senhora de Betânia, decidiu fazer uma fundação no Brasil, atendendo o apelo de beato João XXIII, que pedia a fundação de mosteiros fora da Europa.

E assim, em pleno Concílio Vaticano II, nasceu o Mosteiro do Encontro, o Mosteiro do Concílio.

Então como continuadoras dos monges e monjas que durante séculos, com seu trabalho e a sua presença orante e acolhedora, fizeram florescer o Evangelho e espalharam Mosteiros no meio dos mais diversos povos. Como foi o caso da primeira fundação beneditina feminina em 1911, da Abadia de Santa Maria em São Paulo, que deu início a uma florescente Vida Monástica no Brasil.

Faz parte da história da nossa Congregação das Monjas beneditinas da Rainha dos Apóstolos, levar a Vida Monástica aonde ela não existe e aonde muitos não vão e assim sendo, com coragem no Amor de Cristo, Madre Chantal prioresa naquela data, com seu habitual entusiasmo e caridade , e a Comunidade responderam Sim ao convite do Bispo da Prelazia de Itacoatiara, hoje já falecido, e foi sucedido por D. Carillo Gritti.

Foi um Sim que dava da sua pobreza com alegria.


  1. A fundação

Foi preciso muita coragem para fazer mais de 4000 km que separavam o Mosteiro do Sul do Mosteiro do Norte.

No início, devido ao alto custo das passagens aéreas as viagens eram bem cansativas, pois de Curitiba tínhamos que nos deslocar à Brasília e eram 22 horas de viagem de ônibus. E depois de Brasília a Manaus, no vôo noturno, 3 horas de vôo. E de Manaus à Itacoatiara mais 4 horas de viagem de carro. E sempre carregadas de grandes bagagens de 100 a 200 Kg de todo o tipo de legumes, batatas e outros alimentos, que no início não encontrávamos em Itacoatiara e quando encontrávamos o preço era exorbitante.

Esperava-nos o desconhecido, a aventura e um grande calor equatorial.

O cenário era a exuberante floresta amazônica com uma extraordinária sinfonia de pássaros e também de outros animais grandes e pequenos. Sem esquecer a invasão de morcegos, formigas, baratas, cupins e também de ter a surpresa de encontrar uma cobra na cela. Digno de nota foram também os mucuins, cujo nome científico já o define: tetranicus mollestissimos.

Estávamos chegando à outra cultura, a uma terra de missão.

Hoje, a quase 25 anos depois, este percurso pode ser feito com um custo mais reduzido do que naquela época, com vôos diretos a Manaus. Mas quanto às batatas, os legumes, os queijos e as geléias continuam a ser bem-vindos do Sul, pois o custo de vida aqui é alto.



II – Um Mosteiro no Amazonas

  1. Deseja ser presença orante na sua Igreja

Diz o Documento de Aparecida: De maneira especial, a América Latina e o Caribe necessitam da vida contemplativa, testemunha de que somente Deus basta para preencher a vida de sentido e de alegria. (Aparecida, 221) E disse o beato João Paulo II na Catedral de Guadalajara- México: “Em um mundo que continua perdendo o sentido do divino, diante da supervalorização do material, vocês queridas religiosas, comprometidas desde seus claustros a serem testemunhas dos valores pelos quais vivem,sejam testemunhas do Senhor para o mundo de hoje, infundam com sua oração um novo sopro de vida na Igreja e no homem atual.”

A vida Monástica, segundo a Vita Consacrata, deseja oferecer à Igreja e aos fiéis um encontro pessoal com Jesus Cristo. E para isso coloca-se, como o Senhor, a serviço de Deus e da humanidade, assumindo a forma de vida que Cristo escolheu para vir a este mundo: vida virginal, pobre e obediente.

O Mosteiro Água Viva deseja oferecer ao povo do Amazonas, um encontro com Jesus Cristo.


  1. Mosteiro membro vivo do Corpo Vivo que é a Igreja

Eis aqui o desafio!

Viver nossa vocação monástica na Amazônia pan Americana que foi descrita no documento de Aparecida e no documento do IX Encontro de bispos da Amazônia como uma região “ que ocupa uma área de 7,01 milhões de quilômetros quadrados e corresponde a 5% da superfície da terra, 40% da América do Sul. Contém 20% da disponibilidade mundial de água não congelada. Abriga 34% das reservas mundiais de florestas e gigantesca reserva de minerais. Sua diversidade biológica de eco-sistema é a mais rica do planeta. Nessa região se encontram cerca de 30% de todas as espécies de fauna e flora do mundo.

Mas, esta terra foi depredada

esta natureza agredida e

estas águas tornaram-se mercado negociável.

É triste!

E o próprio Papa Bento XVI, em 2007, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, chamou a atenção sobre a “devastação ambiental da Amazônia e as ameaças à dignidade humana de seus povos”. E pediu aos jovens: “um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação”. (Aparecida, 30-31)

A Amazônia, imenso e bonito jardim, com a maior biodiversidade do planeta, onde os “bosques têm mais vida”, é uma verdadeira dádiva divina!... Mas, neste imenso jardim o ser humano é ameaçado, ele que é a maior riqueza do cenário.

O Mosteiro Água Viva está inserido neste contexto exuberante, onde vivencia e reza com o homem desta região os seus inúmeros problemas e dificuldades.

- O homem deixa o campo, as regiões ribeirinhas e habita em condições miseráveis na cidade.

- Por falta de perspectivas envereda pelo caminho do alcoolismo, drogas, prostituição e gangues. A droga aqui é “pesada”, pois o Amazonas é um dos “maiores corredores” da América Latina para o mundo.

- Há roubos, assaltos e seqüestros. A desestruturação da família, o desemprego, as frustrações, aumentam os casos de violência doméstica que levam à perda do sentido da vida.

Mas, Deus criou a Amazônia e como o Papa Paulo VI o disse: “Cristo aponta para a Amazônia!”

Esta deslumbrante e desestruturada foi a realidade que as primeiras monjas encontraram.

Em 7 de outubro de l989 um pequeno grupo de monjas do Mosteiro do Encontro iniciou uma presença monástica na Igreja local da Prelazia de Itacoatiara, coincidindo com as celebrações dos 25 anos da Prelazia e com a festa da sua Padroeira, Nossa Senhora do Rosário.

O Mosteiro Água Viva é a primeira Comunidade de monjas beneditinas no imenso Norte do Brasil, no Estado do Amazonas.

Um Mosteiro beneditino no Amazonas para ser uma comunidade de oração e acolhimento!

Para a construção material do Mosteiro contamos com a preciosa ajuda de um missionário da Consolata, P. José Maria Fumagalli, um monge de coração que assim que soube da fundação, colocou-se à nossa disposição para a construção. Não só coordenou os trabalhos como também colocou a “mão na massa”.

Naquela ocasião os recursos para uma construção eram precários e muitas vezes foi preciso ir à Manaus para procurar material, ou seja, percorrer quase 600 km de ida e volta numa estrada que não é Rodovia, é uma das poucas estradas asfaltadas do Estado.

Para a construção contamos com a ajuda do nosso Mosteiro fundador, de alguns amigos e de organizações da Alemanha.

O Mosteiro se situa a 10 km de Itacoatiara e desde o seu início tornou-se uma referência para os vizinhos.

A primeira vocação local não tardou a chegar e corajosamente fez sua formação monástica no Mosteiro do Encontro, no sul do país, longe do calor do Amazonas. Hoje já é monja e entre muitas ocupações se encarrega da catequese no Mosteiro das crianças da vizinhança e de adultos que desejam receber o batismo ou o casamento na Igreja.

Outras três amazonenses vieram fazer parte da Comunidade. Agora já são monjas professas.

Foi uma audácia, nesta região, viver a vida monástica, pois estamos numa região de missão.

Quanto à questão da formação das jovens, foi sempre uma das prioridades da Comunidade. E para completar a formação que recebem no Mosteiro, até cursos na Europa já foram feitos por elas: a RB, com ir. Aquinata em Roma; Curso de Formação Monástica, nos cistercienses, em Roma; “Ananias”, curso realizado na França e na Bélgica. E não podemos deixar de mencionar também as sessões da CIMBRA e da CRB para as contemplativas. Mas para que estes projetos se realizassem, contamos sempre com a valiosa ajuda da AIM, de Mosteiros da Europa, da CIMBRA e de nosso Mosteiro fundador. Pois sem estas preciosas ajudas como poderíamos dar uma sólida formação monástica às nossas jovens amazonenses?

Alimentamos, porém, um sonho de poder um dia convidar pessoas que, através de cursos ou sessões, possam nos ajudar na formação permanente, mas a distância é grande e as viagens onerosas. Mas já tivemos, graças ao Mosteiro da Santa Cruz e Nossa Senhora da Esperança, um curso de Patrística com o P. Leonardo Möhlemberg da Holanda. E recentemente recebemos a visita do P. Martin Neyt da AIM. E não podemos nos esquecer também dos Retiros pregados por Dom Bernardo Bonowitz da Trapa do Novo Mundo. Das visitas de Madre Úrsula de Tutzing , Madre Cecília do Acre, Madre Abadessa Paula de Santa Cruz com ir. Maria de Fátima, D.José Gabriel de Garanhuns ,D.Romano de Brasília e do Padre Francisco da Trapa.



III - Inserção da comunidade

No desejo de continuar levando em frente o facho da vida monástica, nós permanecemos uma pequena fonte de Água Viva para aqueles que têm sede de Deus e de seu Reino.



  1. No louvor e na intercessão.

Nosso Mosteiro é uma comunidade de oração, de louvor e de intercessão pelos irmãos.

No meio da noite, às 4 horas da manhã, uma pequena comunidade beneditina interrompe a sinfonia noturna da floresta para cantar: “Abri Senhor os meus lábios e cantarei vossos louvores”, dando início ao ofício de Vigílias.

À mesma hora, na cidade, muitas mães de famílias e pescadores começam a luta pela sobrevivência.

São duas formas diferentes e tão próximas de fazer subir para Deus o clamor dos filhos de Deus.

E nós os guardamos na nossa oração!

Somos uma comunidade de oração, de louvor gratuito e de intercessão pelos irmãos da Prelazia. Embora tenhamos plena consciência que somos um mínimo diante do máximo.

Lá estamos!

b) Na leitura orante da Palavra

Nesta Igreja local, que nos acolheu tão bem, vários grupos nos procuram com um grande desejo de oração. O amazonense tem uma alma contemplativa e quando descobre a Palavra de Deus dedica-lhe um grande amor.

Os grupos de diversas Pastorais vêm ao Mosteiro para um dia, ou mais, de formação, quer bíblica ou litúrgica e são acompanhados por uma monja.

Crianças da catequese e Crisma vêm fazer retiro e rezar conosco.

Algumas Sras. vêm refletir sobre a liturgia da Palavra do domingo.

Raras vezes, quando um grupo é muito numeroso, uma monja vai até a Comunidade que solicita a formação. Em Itacoatiara não há transporte coletivo.

Semanalmente fazemos nossa Lectio comunitária, na qual participam os hóspedes. É a escuta do Pai, de sua Palavra Escrita!

Sim, o Mosteiro é a “barraca” armada fora da cidade para acolher os discípulos que caminham, lutam e buscam a vida.

Aqui é um lugar de encontro com Deus. Nossa oração é um gota a gota que visa dar vida, nossa oração é expressão do amor de Deus.

E como a monja faz profissão de amar, aí está a nossa missão.

Tudo! Para que a vida seja oração!

c) Na oração silenciosa

É a escuta da Palavra de Deus.

É uma leitura saborosa, ruminada e prolongada.

Há tempos fortes de oração. E por causa do grande calor que nos acompanha, escolhemos os melhores horários do dia para a oração pessoal. São horários menos quentes que são reservados para este encontro com o Senhor. E este é o momento privilegiado, de em nome de todos os que precisam e dos que não podem rezar e dos que não sabem rezar, que a monja, unida ao Cristo e com a Igreja intercede pelo povo de Deus.

Como diz o nosso Papa Francisco: “é preciso orar com o coração – uma oração valente, como a de Abraão, que lutava com o Senhor para salvar a cidade; como a de Moisés, que mantinha as mãos levantadas e se cansava, orando ao Senhor; como a de muitas pessoas, de tantas pessoas que têm fé e que oram com fé. A oração faz milagres.”

Na oração tornamos visível a presença permanente do Ressuscitado.

A oração é a luz que ilumina em direção a paz!

c) No Trabalho

“São verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos.” RB 48,8

A pobreza da cidade de Itacoatiara é grande. Há poucas possibilidades de trabalho. E quando há uma Indústria de “fora”, os funcionários de setores administrativos vêm de “fora”. O nosso povo, o nosso ribeirinho, fica com a dureza, como entrar nas matas abrindo picadas e desmatando, sempre sujeito a ser devorado por feras ou picado por serpentes. A vida é dura.

E nós como ficamos?

Como todos, a monja deve trabalhar para ganhar a sua vida. Trabalho intelectual e trabalho manual preenchem o nosso dia. É o Ora et Labora.

Uma construção no meio da floresta requer muita manutenção. Há muitas invasões de formigas, de cupins de morcegos que exigem não só muita paciência e bom humor, mas muito trabalho para combatê-los e recompor os estragos. E há também muito mofo.

Com o clima equatorial, as chuvas são abundantes e o mato cresce “a galope” vigorosamente. Às vezes é triste olhar aquele matagal, mas é preciso aguardar uma boa estiagem para cortá-lo.

O trabalho para a subsistência do Mosteiro permanece um desafio, pois a região, como já o disse é pobre. Tentamos e nos esforçamos para ganhar a nossa vida confeccionando terços de sementes de Açaí, terços em acrílico, conjuntos de altar, hospedaria, grupos, polpa de fruta e frutas no sistema de troca (Vendemos a fruta e recebemos em troca a farinha). No início da fundação contamos com a ajuda do nosso Mosteiro fundador para todos os gastos. Hoje já conseguimos nos manter, levando, para isso, uma vida bem simples. Mas, sabemos que se houver uma emergência podemos pedir auxílio ao Mosteiro do Encontro.

É pelo seu trabalho e pela sua oração que o monge procura a Deus e é solidário aos homens que lutam pelo pão de cada dia.

e) No acolhimento dos irmãos

“Todos os que chegam ao Mosteiro sejam acolhidos como o Cristo.” (RB 53,1)

Como todos os Mosteiros, temos uma tradição de acolhimento, com o desejo de ser um espaço de silêncio, de escuta, de compaixão, aberto a todos, sem distinção, para que possa ressoar a Palavra de Cristo: “- se conhecesses o dom de Deus, e quem é Aquele que te diz:- dá-me de beber, tu é que lhe pedirias e Ele te daria água viva”. (Jo 4,10)

E como é gratificante ver comunidades de Padres que viajam 12 h, dois dias, três dias, enfrentando os rios e suas correntezas para vir para alguns dias de retiro. E voltam a cada ano.

Várias religiosas de Manaus também procuram a hospedaria do Mosteiro.

O clero da Prelazia faz aqui o seu retiro anual.

Os missionários de Guadalupe, que estão na Prelazia, fazem aqui suas reuniões.

E isso sem falar nos leigos, nos agentes, de perto e de longe que desejam um tempo de silêncio, de oração e de encontro consigo, com Deus e com a Comunidade Eclesial.

É o Cristo que vem!


  1. Na gratuidade

Num contexto com tantas necessidades e com tão poucos operários para a messe, é uma grande audácia de fé, um grande desafio ousar não assumir nenhum trabalho pastoral e ser uma presença monástica contemplativa.

O nosso viver, nesta Prelazia, é uma forma de evangelização pela presença orante, de trabalho simples, de acolhimento, numa solidariedade de destino com este povo.

Viemos para ficar, para nos enraizar aqui, pois temos a convicção que a comunidade monástica é um pequeno sinal da Transcendência de Deus e de que vale a pena ter a paixão da procura de Deus, na gratuidade e lhe dar o primeiro lugar.

E como disse um sacerdote, as monjas vieram partilhar a espiritualidade conosco.



  1. Vida Fraterna

Uma das características principais da vida monástica beneditina é a vida fraterna. E vivendo fraternalmente a comunidade torna-se responsável pela vivência da caridade e a preservação da harmonia dos seus membros, facilitando a realização dos trabalhos e manifestando o espírito de doação. E como nos fala Nosso Pai São Bento na RB 3 “Todas as vezes que deverem ser feitas coisas importantes no Mosteiro convoque o Abade toda a comunidade”.

Portanto, será verdadeira monja aquela que se integra na vida comunitária e que tem no Abade o seu Superior. E este ideal de vida comunitária deve ser compartilhado com os hóspedes e visitantes.

É dessa forma que nossa comunidade procura ser um testemunho vivo da caridade cristã. Ela está aberta para todos os que a procuram superando distâncias e barreiras.

Um fato positivo que ilustra a vida fraterna na nossa Congregação são as visitas de monjas da Europa (Bélgica e Portugal) e da África. Elas vêm passar algum tempo nos Mosteiros do Brasil para melhor conhecer a nossa realidade. É uma festa poder mostrar-lhes o Amazonas e principalmente o amazonense.

E que todos aqueles que nos procuram possam dizer: “Como é bom como é suave os irmãos viverem juntos bem unidos.” (Sl 132)

Conclusão

Deus permitiu que fossemos a primeira comunidade monástica beneditina no imenso Estado do Amazonas. E desde o primeiro dia o nosso grande desejo foi o de viver em comunhão com as diversas Comunidades Locais, esperando ser uma pedra viva na construção do Reino.

Em 1993, chegaram as monjas do Mosteiro da Santa Cruz, de Juiz de Fora, Minas Gerais, para uma fundação da Congregação Beneditina do Brasil, em Rio Branco no Acre.

Em 1997 foram as monjas do Mosteiro da Virgem em Petrópolis, Rio de Janeiro que fizeram uma fundação em Guajará Mirim em Rondônia, também da Congregação Beneditina do Brasil.

Graças as nossas Irmãs a retaguarda orante tornou-se mais “ poderosa “. E há ainda muito espaço neste imenso território da Amazônia brasileira.

Viemos para ficar!

Pergunto: Será o Mosteiro inútil?

Há algo que ainda não disse, é que somos a única presença religiosa feminina em Itacoatiara atualmente.

Somos ainda úteis após quase 25 anos?

A eficácia da vida escondida com Cristo, em Deus, não se mede, nem se avalia com critérios da sociedade de consumos. Esta aventura espiritual, à procura da Água Viva, longe de nos afastar da história, de nos separar da solidariedade fraterna, longe de nos fazer esquecer egoisticamente as perguntas angustiantes da humanidade, introduz-nos progressivamente no próprio coração da história, no centro de toda a realidade naquele ponto secreto em que o nosso coração encontra o coração de Cristo.

É aqui, neste lugar escondido, que se vive a salvação do mundo. Neste lugar onde tudo é grande: a maior floresta do mundo, a maior bacia fluvial do mundo, o maior rio em volume de água do mundo e a maior ilha fluvio marinha do mundo. É neste macro cenário que está “plantado” um Mosteirinho de monjas beneditinas (que não é o maior do mundo).

Mosteirinho, mas está na linha de frente de batalha, junto com os agentes de pastoral, com os missionários, com o clero e seu Bispo e com o povo. E para isso cada uma de nós deve viver seriamente este combate à nível do seu coração profundo diante de Deus.

Quase 25 anos já são passados e ainda estamos conhecendo melhor este mundo diferente, numa outra antropologia, num universo cultural diferente, mas já tão querido e amado por nós.

Sabemo-nos portadoras de uma tradição de vida monástica cristã, que com a graça de Deus, um dia, terá um rosto ainda mais amazonense.

Na Prelazia, que nos acolheu tão bem, é gratificante ver o grande desejo de oração e de mais conhecer a Palavra de Deus da parte dos grupos que nos procuram.

Que o espaço do Mosteiro possa continuar sendo sempre este lugar onde ressoa a Palavra de Deus: “Se conhecesses o dom de Deus, e quem é Aquele que te diz: - dá-me de beber, tu é que lhe pedirias e Ele te daria Água Viva”. (Jo 4,10)

Não posso terminar este testemunho sem deixar aqui um agradecimento aos primeiros filhos e filhas de São Bento que doaram suas vidas na missão do Rio Branco, hoje Roraima, na Amazônia.

Obrigada irmãos beneditinos do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.

Obrigada Irmãs Missionárias de Tutzing.

Estes nossos irmãos foram os que primeiro pisaram o solo desta macro região no início do século XX e falaram de Deus e de Nosso Pai São Bento na Amazônia Legal. Foram sementes lançadas ao solo que hoje produzem alguns frutos. Obrigada!



E que Deus nos ajude a adorar o Senhor e a servir o nosso próximo. Que possamos viver a centralidade de Jesus Cristo e de seu Evangelho, num serviço de amor na Mãe Igreja neste solo Amazonense.

Bibliografia



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