Texto 2: a queimada 23Os homens olhavam atônitos, diante do clamor 24



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TEXTO: 1 - Comum à questão: 1

TEXTO 2: A QUEIMADA


23Os homens olhavam atônitos, diante do clamor 24geral das vítimas. Línguas de fogo viperinas 25procuravam atingi-los. Pelos cimos da mata se 26escapavam aves espantadas, remontando às alturas 27num vôo desesperado, pairando sobre o fumo.

28Uma Araponga feria o ar com um grito metálico 29e cruciante. Os ninhos dependurados arderam e um 30piar choroso entrou no coro como nota suave e 31triste. Pelas aberturas do mato corriam os animais 32destocados pelo furor das chamas. Alguns 33libertavam-se do perigo, outros caíam inertes na 34fornalha.

35Num alvoroço de alegria os homens viam 36amarelecer a folhagem que era a carne e fender-se 37os troncos firmes, eretos, que era a ossatura do 38monstro. Mas o fogo avançava sobre eles, 39interrompendo-lhes o prazer. Surpresos, atônitos, 40repararam que a devastação tétrica lhes ameaçava 41a vida e era invencível pelo mato adentro, quase 42pelas terras alheias. E feros e duros, atiravam-se à 43enxada para cavar o aceiro. Do lado da praia o 44trabalho foi fácil, o terreno estava desbastado e 45limpo. Aí abriram rápido o sulco protetor. Do outro 46lado, no meio da floresta, nos limites da área do 47lote, a luta foi tremenda. A nevrose do pavor 48centuplicou-lhes as forças. Os pigmeus que se 49mediam com as árvores, e que, não podendo vencê–las, 50tinham recorrido ao fogo, agora, sob o aguilhão 51da defesa própria, se arrojavam contra os paus com 52o denodo de gigantes. E fogueados, enegrecidos, 53cavam a trincheira pelo rumo, e, se encontravam o 54embaraço de algum tronco, atacavam-no a 55machado, com raiva, com ânsia, com febre. O aceiro 56foi sendo aberto até que o fogo se aproximou; a 57coluna, como um ser animado, avançava solene, 58sôfrega por saciar o apetite. Sobre a terra queimada 59na superfície, aquecida até ao seio, continuava a 60queda dos galhos. O fogo não tardou a penetrar 61num pequeno taquaral. Ouviram-se sucessivas e 62medonhas descargas de um tiroteio, quando a 63taboca estalava nas chamas. O fumo crescia e subia 64no ar rubro, incendiado, os estampidos redobravam, 65as labaredas esguichavam, enquanto a fogueira 66circundava num abraço a moita de bambus.

FONTE: (Fragmento de Canaã, 14a ed. Rio de

Janeiro, F. Briguiet, 1959, p. 111-113)
Morfologia - Classe de Palavras

Questão 01 - (UECE)

“Uma araponga feria o ar com um grito metálico e cruciante.” (linhas 28 e 29).

A palavra em negrito pode ser substituída por:

a) Mortal.

b) Agonizante.

c) Sufocante.

d) Estridente.

Questão 02 - (USS RJ)

A flexão de gênero da expressão... “meio molhados”... resultaria na expressão:

a) meios molhados.

b) meio molhadas.

c) meia molhadas.

d) meias molhadas.

e) meia molhada.
TEXTO: 2 - Comuns às questões: 3, 29

Morte e Vida Severina


O meu nome é Severino

não tenho outro de pia.

Como há muitos Severinos

que é santo de romaria,

deram então de me chamar

Severino de Maria;

Como há muitos Severinos

com mães chamadas Maria,

fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias.

Mas isso ainda diz pouco:

há muitos na freguesia,

por causa de um coronel

que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo

senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem fala

ora a Vossas Senhorias?

Vejamos: é o Severino

da Maria do Zacarias,

lá da serra da Costela,

limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:

se ao menos mais cinco havia

com nome de Severino

filhos de tantas Marias

mulheres de outros tantos,

já finados Zacarias,

vivendo na mesma serra

magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:

na mesma cabeça grande

que a custo se equilibra,

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas,

e iguais também porque o sangue

que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte Severina:

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta,

de emboscada antes dos vinte,

de fome um pouco por dia

(de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos

Iguais em tudo e na sina:

a de abrandar estas pedras

suando-se muito em cima,

a de tentar despertar

terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar

algum roçado da cinza.

Mas, para que me conheçam

melhor Vossas Senhorias

e melhor possam seguir

a história da minha vida,

passo a ser o Severino

que em vossa presença emigra.

(João Cabral M. Neto – Morte e Vida Severina – Ed. Nova. Fronteira – 1997 – adaptado)



Questão 03 - (UNIFOA MG)

...sobre as mesmas pernas finas.

A relação sintática existente entre as duas palavras sublinhadas não pode ser observada em:

a) morte severina

b) presença emigra

c) cabeça grande

d) santo de romaria

e) ventre crescido



Questão 04 - (UFRJ)

TEXTO
A produção cultural do corpo

Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é portanto algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz.

Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

(GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes (org.) "Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação". Petrópolis: Vozes, 2003. p.28-29)
Do primeiro parágrafo do texto, retire os quatro adjetivos que melhor caracterizam a noção de corpo nele apresentada.

Questão 05 - (UNESP SP)

Corte na Aldeia


– A minha inclinação em matéria de livros (disse ele), de todos os que estão presentes é bem conhecida; somente poderei dar agora de novo a razão dela. Sou particularmente afeiçoado a livros de história verdadeira, e, mais que às outras, às do Reino em que vivo e da terra onde nasci; dos Reis e Príncipes que teve; das mudanças que nele fez o tempo e a fortuna; das guerras, batalhas e ocasiões que nele houve; dos homens insignes, que, pelo discurso dos anos, floresceram; das nobrezas e brasões que por armas, letras, ou privança se adquiriram. [...]

– Vós, senhor Doutor (disse Solino) achareis isso nos vossos cartapácios; mas eu ainda estou contumaz. Primeiramente, nas histórias a que chamam verdadeiras, cada um mente segundo lhe convém, ou a quem o informou, ou favoreceu para mentir; porque se não forem estas tintas, é tudo tão misturado que não há pano sem nódoa, nem légua sem mau caminho. No livro fingido contam-se as cousas como era bem que fossem e não como sucederam, e assim são mais aperfeiçoadas. Descreve o cavaleiro como era bem que os houvesse, as damas quão castas, os Reis quão justos, os amores quão verdadeiros, os extremos quão grandes, as leis, as cortesias, o trato tão conforme com a razão. E assim não lereis livro em o qual se não destruam soberbos, favoreçam humildes, amparem fracos, sirvam donzelas, se cumpram palavras, guardem juramentos e satisfaçam boas obras. [...]

Muito festejaram todos o conto, e logo prosseguiu o Doutor:

– Tão bem fingidas podem ser as histórias que merecem mais louvor que as verdadeiras; mas há poucas que o sejam; que a fábula bem escrita (como diz Santo Ambrósio), ainda que não tenha força de verdade, tem uma ordem de razão, em que se podem manifestar as cousas verdadeiras.

(Francisco Rodrigues Lobo, "Corte na Aldeia")
No trecho de Corte na Aldeia, focaliza-se uma discussão sobre dois conceitos – o de história verdadeira, defendido pela personagem “Doutor”, e o de história fingida (livro fingido), defendido pela personagem “Solino”.
Depois de reler o trecho atentamente,

a) estabeleça, segundo as noções de cada interlocutor, o que querem dizer com história verdadeira e história fingida;

b) aponte dois adjetivos da fala de Solino cujo significado comprova o fato de a personagem utilizar, entre outros, o critério moral para defender seu ponto de vista.

Questão 06 - (UFRN)

Do ponto de vista morfológico, o vocábulo que pertence à mesma classe de MIRACULOSO .

a) nova

b) materiais

c) derivado

d) cientistas



Questão 07 - (UFLA MG)

Complete com locução adjetiva adequada:


No romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, o autor faz referência aos olhos da personagem Capitu, "grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã."
Isso nos permite afirmar que eram olhos ______________.

Questão 08 - (UFRJ)

TEXTO I
A produção cultural do corpo


Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é portanto algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz.

Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

(GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes (org.) "Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação". Petrópolis: Vozes, 2003. p.28-29)
TEXTO II
A não-aceitação
Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.

Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.

Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.

(LISPECTOR, Clarice. "A descoberta do mundo". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291)


Estabeleça a relação entre esses adjetivos e a temática central do texto.

Questão 09 - (UDESC SC)

Na oração Certos pais não chegam jamais a ser pais certos, os termos sublinhados são, respectivamente:

a) adjetivo posposto / adjetivo anteposto.

b) adjetivo / pronome.

c) pronome substantivo / pronome adjetivo.

d) pronome adjetivo / adjetivo.

e) pronome adjetivo / pronome indefinido.

Questão 10 - (UFAM)

Assinale a alternativa em que melhor é comparativo de bem:

a) Robinho jogou melhor do que se esperava.

b) A crônica reconhece que o melhor jogador da Copa foi Ronaldo.

c) Lúcio, na zaga, é melhor que Roque Júnior.

d) Seria melhor deixar Kaká no banco de reservas.

e) Se Ronaldinho Gaúcho tivesse jogado, o resultado teria sido melhor.
TEXTO: 3 - Comum à questão: 11

COMO SER FELIZ

Darlene Menconi
Lá se vão mais de 100 dias desde que as primeiras denúncias de corrupção atingiram o governo Lula e lançaram o País numa espécie de desencanto coletivo. A vida seguiu, mesmo que entre a lama e o medo do caos. Mas teve mais. Os furacões Katrina e Rita varreram casas e vidas. No Iraque, corpos queimados viraram estandartes. São tempos difíceis, que nos conduzem a uma inevitável melancolia. Em meio à tormenta, salvaramse os bons indicadores econômicos, como a recuperação da estabilidade, os recordes da exportação e a primeira queda dos juros em 17 meses. Sinais de que melhores dias virão e que vamos começar a ser felizes?

Para os cientistas especializados em bemestar e satisfação pessoal, não poderia haver sensação mais equivocada. Não podemos condicionar a felicidade ao futuro.

Pensamos que seremos felizes depois de trocar de carro, receber aumento, encontrar um grande amor, reformar a cozinha ou quando nosso time vencer o campeonato. As recentes pesquisas sobre o assunto dizem o contrário, que a felicidade está aqui e no agora. Um grupo de notáveis, composto pelo psicólogo americano Daniel Gilbert, da Universidade de Harvard, e pelo Prêmio Nobel de Economia Daniel Katneman, da Universidade de Princeton, descobriu que a felicidade nunca é tão boa quanto se imaginava nem dura tanto quanto se pensava. O melhor é que o mesmo princípio vale para a infelicidade, que não dura para sempre nem é tão nefasta assim. “Erramos ao tentar prever o que nos fará felizes, seja quando isso significa um romance, seja quando significa um novo carro ou uma refeição suntuosa”, explica o professor Gilbert. Ou seja, uma Mercedes na garagem não vai fazêlo mais feliz. Nem sapatos Manolo Blahnik, muito menos uma televisão de plasma. Tudo isso pode exercer fascínio, trazer conforto, representar uma conquista, mas está longe de trazer uma sensação permanente de satisfação.

Definir felicidade é tão complexo e abstrato quanto decifrar a insanidade. Desde a Grécia Antiga, os filósofos estabeleceram uma diferença entre ser e estar feliz. Nos últimos séculos, o tema mobilizou artistas, pensadores, intelectuais e produziu frases antológicas. “O segredo da felicidade é encarar o fato de que o mundo é horrível, horrível, horrível”, resumiu o filósofo Bertrand Russel, prêmio Nobel de Literatura. Já Ingrid Bergman, a atriz de Casablanca, dizia que “felicidade é ter boa saúde e péssima memória”. Para os psicólogos, ser feliz é estar bem.

O psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate vai lançar um livro sobre o que ele chama de medo da felicidade. Segundo ele, todos buscam esse estado de espírito privilegiado, mas acabam se desviando da rota ou se autosabotando por desespero. Ele percebe duas maneiras de pensar a felicidade: uma sensação de paz, completude e harmonia ou uma conquista. “O importante é perceber que a felicidade está no processo de chegada ao pódio, e não na permanência nele. Uma pessoa fica feliz ao comprar uma casa, mas esse sentimento se esvai em três semanas”, diz.

O psiquiatra propõe que a felicidade seja vista como algo dinâmico. É, em primeiro lugar, na obtenção de quatro requisitos mínimos: saúde física, estabilidade financeira mínima, boa relação afetiva e integração social. A partir dessas conquistas, alcançase o ponto de equilíbrio e o que vier é lucro. A felicidade inclui ainda autoestima, o cuidado consigo e os prazeres intelectuais, como curtir uma boa música, um bom livro, se deleitar com um poema ou uma idéia nova. “Quem passa a tarde de domingo em frente à televisão assistindo ao Gugu ou o Faustão não pode ser plenamente feliz”.

Enfrentar os problemas cotidianos já é uma forma de buscar satisfação. “Felicidade é algo que independe do que está a nossa volta. Desfrutar e saborear a vida é o nosso maior compromisso. As coisas ruins também fazem parte da vida e quem aceita isso enfrenta melhor o sofrimento, sem perder os momentos de alegria”, diz o psicanalista Luiz Alberto Py. O ser humano tem uma capacidade inigualável de aceitar e se adaptar. Durante mais de duas décadas, um psicólogo conhecido como Doutor Felicidade procura motivações que levam as pessoas a se sentirem satisfeitas com a vida.

Professor da universidade de Illinóis, o americano Edward Diener notou que os dois bem realizados eram aqueles que se cercavam da família, dos amigos e, mais importante, sabiam perdoar.



Questão 11 - (UNIMONTES MG)

Na fala do filósofo Bertrand Russell “O segredo da felicidade é encarar o fato de que o mundo é horrível, horrível, horrível”, a repetição do adjetivo:

a) estabelece uma relação antitética entre o que se diz sobre a felicidade e o que ela é, de fato

b) produz um efeito de intensificação do sentido expresso por ele

c) cria um efeito de verdade em relação ao que se diz

d) cria em efeito de inverdade em relação ao que se diz


TEXTO: 4 - Comum à questão: 12

Arte de furtar
Questão é se há-de ter o príncipe muitos conselheiros se um só. (...) Outra questão é se devem ser conselheiros os letrados, se idiotas [leia-se: simples curiosos, amadores], isto é de 5capa e espada. Uns dizem que os letrados, com o muito que sabem, duvidam em tudo e nada resolvem, e os idiotas, com a experiência sem especulações, dão logo no que convém. Outros têm para si que as letras dão luz a tudo e que a 10ignorância está sujeita a erros. E eu digo que não seja tudo letrados, nem tudo idiotas.

(...) Outra questão se segue a esta (...) se é melhor para a República ser o príncipe bom e os conselheiros maus ou serem os conselheiros bons 15e o príncipe mau. Se o príncipe se governar por seus conselheiros, diz Elio Lamprídio, que pouco vai em que o príncipe seja mau, se os conselheiros forem bons, porque depressa se faz bom um mau com o exemplo de muitos bons, que muitos maus 20bons com o exemplo e conselho de um bom.

(...) O conselheiro há-de ser prudente e secreto, sábio e velho, amigo e sem vícios, não cabeçudo, nem temerário, nem furioso. Quatro inimigas tem a prudência: primeira, precipitação; 25segunda, paixão; terceira, obstinação; quarta, vaidade. A primeira arrisca, a segunda cega, a terceira fecha a porta à razão, a quarta tudo tisna. Três inimigos o segredo: Baco, Vênus e o interesse. O primeiro o descobre, o segundo o 30rende, o terceiro o arrasta. E perdido o segredo do governo, perde-se a República. (...)

Excerto do texto anônimo do século XVII.[1652]. Lisboa:

INCM, 1991.
temerário: audacioso, atrevido, precipitado.

tisnar: sujar, macular, enegrecer.

Questão 12 - (UEM PR)

Assinale a alternativa em que o elemento destacado não é um adjetivo.

a) "...ser o príncipe bom..." (linha 13)

b) "...conselheiros bons..." (linha 14)

c) "...conselheiros maus." (linha 14)

d) "...príncipe mau." (linha 15)

e) "...exemplo de muitos bons..." (linha 19)
TEXTO: 5 - Comum à questão: 13

Exercício de Ironia

Beto Vianna*
01Votar não é coisa fácil. Ainda mais depois que inventaram essas maquininhas em que não é preciso nem escrever o nome do candidato. Ou o número. Até hoje não vi ninguém denunciar essa eleição informatizada no Brasil como o maior golpe que já se deu em quem não sabe escrever (ao lado do 05celular, do MSN e do orkut). Hoje, não é preciso saber escrever pra votar. Hoje, não é preciso saber escrever. Que histórica ironia: depois de 5.000 anos de evolução da escrevinhação humana, não precisamos mais escrever o voto, e o voto virou-se contra a escrita.

Elitista, eu? Vou viajar mais um pouco, que a responsabilidade da pena é 10minha: qualquer bactéria inquilina deste planeta (a maioria, as que eu conheço, pelo menos) sabe viver em paz e harmonia com a próxima. Já o humano (a maioria, os que eu conheço, pelo menos) sofre de democracismo, desde os gregos. É preferível pra esse organismo civilizadíssimo a justiça, a liberdade e a igualdade, ou seja, mais vale o respeito dos outros ao eu do que a 15responsabilidade individual. Esse é o fundamento da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos. Ah! Como se meu vizinho fosse lavagem pra dar pros porcos, e eu – sempre eu – fosse o supercidadão, pleno de direitos. A minha liberdade começa onde... putz, começa onde eu conseguir que ela comece, e dane-se o resto. Não esqueço nunca esta música do Premê (cito de 20memória, talvez com liberdade poética): “compre já o seu abrigo nuclear e deixe o resto do mundo queimar à vontade lá fora”.

Você luta por seus direitos? Parabéns, mas engula comigo o fato que quem inventou isso foram os gregos em um atentado fundacional no Ocidente à coletividade, colocando o Estado a serviço do eu. O Procon, a Lei do Ventre 25Livre, o PSDB e o PT, o PSOL, a carteirinha de estudante, o banheiro público, tudo isso são invenções gregas, milenares. A idéia é a mesma: eu tenho os meus direitos e ninguém tasca, mas o direito do vizinho é problema dele. Cada um com seus problemas, e os meus problemas devem ser resolvidos pelo Estado.

30Falando em particular do Brasil, enquanto nós, intelectuaizinhos da classe mediana, ficamos reclamando nossos direitos, enquanto nós, operários sindicalizados, conquistamos 44 horas semanais, enquanto todos curtimos o livre-arbítrio, a livre imprensa, o livre comércio, o livre-pensar e a luta livre, um monte de outros humanopatas é gerado no sistema educacional brasileiro, esse 35lugarzinho onde a grana – a verba, pra usar o termo de quem faz direito – não vai pra quem é de direito. País capitalista que se preza, como outros existem por aí há 400 anos, o Brasil paga bem o universitário e rouba da criança. Capitalista, num sentido lato da coisa, come criancinha mais rápido e mais deglutido que qualquer comunista stricto sensu.

*In: Jornal O tempo, 23/09/2006, p. A9.




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