Texto de apoio do curso Formando Médicos Empresários Empreendedores Unimed



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Texto de apoio do curso Formando Médicos Empresários Empreendedores Unimed.
Deve ser estuado de preferencia minuciosamente pelos participantes para auxiliar o debate e posicionamento de cada um, como médico e como empresário da área de saúde.
Se for possível debater antes com os colegas médicos facilitará a compreensao e irá enriquecer o trabalho durante o curso.
Ver o texto com os olhos de médico e dono da Unimed. Unimed de hoje e a Unimed daqui a vinte anos.
Coordenação do Curso

Re-definindo a Competição no Cuidado da Saúde
Traduzido e adaptado de:

Redefining Competition in Health Care”



Michael Porter & Elizabeth Teisberg

Harvard Business Review – June 2004

Os tipos errados de competição tornaram o sistema Americano de cuidado da saúde um caos. Os tipos certos de competição podem organiza-lo.
O sistema de cuidado da saúde dos EUA vem registrando, por muitos anos, um desempenho insatisfatório quanto a custos e qualidade. Enquanto isto pode ser esperado em um setor controlado pelo estado, é praticamente inimaginável em um mercado competitivo – e nos Estados Unidos, o cuidado com a saúde é, em sua maioria, privado e sujeito á mais competição do que em qualquer outro lugar no mundo.

Em uma competição saudável, incessantes melhoramentos em processos e métodos diminuem os custos. A qualidade dos produtos e serviços aumenta constantemente. A inovação leva a novas e melhores abordagens que difundem

rapidamente. Fornecedores não competitivos são re-estruturados ou fecham as portas. O preço dos produtos com valor cai, e o mercado se expande. Esta é a trajetória comum a todas as indústrias em bom funcionamento – computadores, comunicação móvel, bancos e muitos outros.

Na área da saúde não poderia ser mais diferente. Os custos são altos e em aumento, apesar dos esforços para reduzi-los, e estes custos em ascensão não podem ser explicados por uma melhoria na qualidade. Muito pelo contrário: serviços médicos são restritos ou racionados, muitos pacientes recebem cuidados que estão muito aquém dos procedimentos aceitáveis ou padrões, e altas taxas de erros médicos previsíveis persistem. Há diferenças amplas e inexplicáveis nos custos e na qualidade entre os fornecedores e as áreas geográficas. Além disto, as diferenças de qualidade no cuidado duram longos períodos devido à difusão de melhores práticas ser extraordinariamente lenta. Leva, em média, 17 anos para que os resultados de ensaios clínicos tornem-se prática clínica padrão. Participantes importantes da área no cuidado da saúde vêem a inovação como um problema ao invés de um caminho para o sucesso. Considerados juntos, estes resultados são inconcebíveis em um mercado funcional. Eles são intoleráveis no cuidado da saúde, com a vida e a qualidade da vida em jogo.

Acreditamos que a competição é a raiz do problema do desempenho do cuidado com a saúde nos EUA. Mas isto não significa que defendemos um sistema controlado pelo estado e nem um sistema com um pagador único; estes casos somente tornariam o problema pior. Pelo contrário, a competição também é a solução, porém a natureza da competição no cuidado da saúde deve mudar. Nossa pesquisa mostra que a competição no sistema de cuidado da saúde ocorre em um nível errado, sobre as coisas erradas, nos mercados geográficos errados, e no tempo errado. A competição passou por tudo, a não ser pela eliminação exatamente onde e quando ela era mais importante.

Não há vilão aqui. Escolhas equivocadas na política pública contribuíram para o problema, mas também contribuíram as escolhas equivocadas feitas pelos planos de saúde, hospitais e os empregadores que compram seus serviços. Décadas de ‘reformas’ falharam, e tentativas de reformas continuarão a falhar até que finalmente se aplique o tipo correto de competição.

O sistema de cuidado à saúde pode alcançar ganhos surpreendentes em qualidade e eficiência. E os empregadores, os principais compradores dos serviços de cuidado com a saúde, poderiam liderar a transformação.

Competição Soma-Zero

Em uma indústria, com o passar do tempo, a competição deveria alavancar os valores para os consumidores enquanto a qualidade melhora e os custos caem. È freqüentemente discutido que o cuidado com a saúde é diferente porque é complexo; porque consumidores têm informação limitada; e porque os serviços são altamente customizados. Indiscutivelmente, o cuidado com a saúde possui estas características, mas outras indústrias também as possuem onde a competição funciona bem. Por exemplo, o negócio de fornecer software customizado e serviços técnicos para empresas é altamente complexo, porém, quando ajustados para maior qualidade, o custo de empresas de computação tem caído dramaticamente durante a década passada. A competição no cuidado da saúde, pelo contrário, tem se tornado soma-zero: os participantes do sistema dividem valor ao invés de aumenta-lo. Em alguns casos, eles podem até minar o valor criando custos desnecessários.

A competição soma-zero, no cuidado com a saúde, é manifestada em várias maneiras: primeiro, ela assume a forma de mudança de lugar do custo ao invés da redução fundamental de custo. Os custos são deslocados dos pagadores para o paciente, do plano de saúde para o hospital, do hospital para os médicos, dos segurados para os sem seguro, e assim por diante. Passando os custos de um jogador para outro, como uma batata quente, não cria valor algum. Pelo contrário, ganhos para um participante vêm às custas das despesas de outros – e freqüentemente com um acréscimo de custos administrativos.

Segundo, a competição soma-zero envolve a busca de maior poder de barganha e não esforços para fornecer melhores cuidados. Planos de saúde, grupos hospitalares e grupos de médicos têm se consolidado para, em primeiro lugar, obter mais influência e realizar melhores negócios com fornecedores ou clientes. Porém o ganho com a qualidade e a eficiência é muito modesto.

Terceiro, a competição soma-zero restringe a escolha e o acesso a serviços ao invés de tornar os cuidados melhores e mais eficientes. Do modo em que o sistema está atualmente estruturado, planos de saúde ganham dinheiro negando o pagamento por serviços e limitando as escolhas de associados e médicos. Planos de saúde e fornecedores de cuidados restringem o acesso do paciente às inovações médicas ou limitam os serviços que são cobertos. Muitos planos de saúde pagam a hospitais um valor determinado por admissão de uma determinada doença ao invés de por um ciclo completo de tratamento. Isto cria um incentivo para hospitais usarem tratamentos mais baratos no lugar de tratamentos mais eficientes e inovadores – e se pacientes necessitarem ser re-admitido, os hospitais são pagos novamente.

Quarto, a competição soma-zero depende do Poder Judiciário para resolver disputas. Ainda, processos judiciários agravam o problema. Na verdade, eles aumentam custos diretamente (através de taxas legais e despesas administrativas) e indiretamente (através de prática desnecessária da medicina defensiva); em nenhum caso criam valores para os pacientes. E restringe a escolha e o acesso a serviços ao invés de tornar os cuidados melhores e mais eficientes mais, dos bilhões de dólares que médicos e hospitais pagam anualmente devido a seguro de responsabilidade civil, menos de 30% vão para pacientes ou suas famílias.



O que aconteceu?

A competição soma-zero no cuidado da saúde é a conseqüência de uma série de escolhas estratégicas desafortunadas feitas por praticamente todos que atuam no sistema – encorajados, e em alguns casos reforçados, por maus incentivos introduzidos através de regulamentações governamentais. Estes incluem:


O Nível Errado de Competição. O problema mais fundamental e não reconhecido no cuidado da saúde nos EUA hoje é que esta competição opera no nível errado. Ela ocorre no nível de planos de saúde, redes e grupos hospitalares. Ela deveria ocorrer na prevenção, diagnóstico e tratamento de condições individuais de saúde. É neste nível que o real valor é criado – ou destruído – doença por doença e paciente por paciente. É aqui onde enormes diferenças de custo e qualidade persistem. E é aqui onde a competição traria melhorias na eficiência e eficácia, reduziria erros, e incentivaria a inovação. No entanto, a competição no nível de condições individuais de saúde é ausente.

As economias fundamentais nos cuidados da saúde são impulsionadas ao nível de doenças ou condições. Numerosos estudos mostram que, quando médicos ou equipes tratam um grande volume de pacientes que têm uma doença ou condição em particular, eles criam melhores prognósticos e diminuem os custos. (Ver texto “Experience Matters”).

O renomado Texas Heart Institute (THI), por exemplo, se orgulha em ter custos cirúrgicos que são de um terço a metade mais baixos do que de outros centros médicos acadêmicos apesar de tratar os casos mais difíceis e de usar as tecnologias mais recentes. Devido à sua especialização, o THI atrai os pacientes mais complexos e exigentes, cujas necessidades produzem um aprendizado ainda mais rápido. No cuidado com a saúde, como na maioria das indústrias, custo e qualidade podem melhorar simultaneamente na medida em que os provedores previnem erros, impulsionam a eficiência, e desenvolvem experiência. De acordo com aquilo que aprendemos em vários negócios, “fazer corretamente na primeira vez” não somente melhora os resultados, mas pode cortar custos dramaticamente. A troca entre o custo e a qualidade no cuidado da saúde, portanto, é significativamente reduzida pela competição em um nível correto.

A competição ao nível de doenças e condições individuais está se tornando mais importante à medida que a pesquisa médica revela que diagnósticos e tratamentos devem ser crescentemente especializados. Câncer de próstata, por exemplo, é agora considerado como sendo seis doenças diferentes que respondem a tratamentos diferentes. Provedores deveriam competir para serem os melhores a lidarem com um grupo particular de problemas, e pacientes deveriam ter a liberdade de procurarem os prevedores com as melhores credenciais devido a suas circunstâncias únicas. No meio ambiente atual, onde os tratamentos dos pacientes são determinados pelas redes na qual se encontram, os provedores destas redes buscam garantir o negócio.


O Objetivo Errado. A competição no nível errado tem sido piorada pela busca do objetivo errado: a redução de custos. Até pior, o objetivo muitas vezes não tem sido a redução total dos custos com os cuidados com a saúde, mas a redução do custo gerado pelos intermediários do sistema – planos de saúde ou empregadores. O objetivo correto é melhorar o valor (qualidade do prognóstico da saúde por dólar aplicado), e valor só pode ser medido no nível de doença e do seu tratamento. Competir somente no custo só faz sentido nos negócios de “commodities”, onde todos os vendedores são mais ou menos os mesmos. Isto claramente não é verdadeiro no cuidado com a saúde. No entanto, aquela suposição perversa - que nem os compradores e nem os vendedores acreditam – são a real causa do comportamento dos participantes do sistema. Pagadores, empregadores, e até procedores não dão atenção suficiente para a obtenção de resultados melhores e na melhoria de valores com o passar do tempo, que é o que realmente importa.
As Formas Erradas de Competição. Ao invés de competir para aumentar o valor no nível de doenças individuais ou condições, os participantes do cuidado com a saúde entraram em quatro tipos de competições não saudáveis, todas com conseqüências infelizes. O primeiro é a competição entre planos de saúde para atrair clientes. Devido a fortes restrições nas redes, no entanto, participar de um plano de saúde bloqueia a maioria da competição no nível de doenças e tratamentos. E como o compromisso entre o associado e o plano de saúde é por somente um ano, tanto os pagadores quanto os empregadores são motivados a engajarem em pensamento de curto prazo e não no investimento em praticas e terapias que irão melhorar o valor com o passar do tempo.

Outra forma de competição não-produtiva ocorre quando provedores competem para serem incluídos nas redes de plano de saúde dando grandes descontos aos pagadores e empregadores que têm uma população grande de pacientes. Há pouca ou nenhuma racionalidade econômica para tais descontos. Não custa menos tratar um paciente empregado por uma grande companhia do que um paciente que é autônomo. O cuidado com a saúde não se torna mais eficiente tratando duas vezes o numero de pacientes com distribuição aleatória de doenças; pacientes ainda são tratados um por vez e de acordo com suas circunstâncias particulares. Grandes descontos em troca de um aumento geral do fluxo de pacientes, simplesmente alteram a receita dos provedores para os planos de saúde ou para grandes empregadores. Isto cria benefícios artificiais para grandes grupos e desvia os custos para pequenos grupos, indivíduos não afiliados, pacientes fora da rede em busca de cuidados, e os sem cobertura – com pouco ou nenhum valor compensatório. Tal desvio de custos inevitavelmente eleva os custos em geral – até para grandes grupos – aumentando o numero de pacientes sem seguro que devem ser tratados em locais caros (salas de emergência, por exemplo) daí o número de cuidado gratuito que deve ser subsidiado.

Provedores também competem para ver quem pode formar o grupo maior, mais poderoso, com condições de oferecer uma gama completa de serviços. Aqui também, há poucas eficiências a serem ganhas, além de oportunidades modestas de compartilhamento. Fusões hospitalares freqüentemente resultam em dois departamentos na mesma especialidade ao invés de um departamento, mesmo quando as instalações são próximas umas das outras. Grupos de provedores são formados não para criar valor, mas para alavancar o poder de barganha vis-à-vis com planos de saúde e outros sistemas participantes. Na Flórida, por exemplo, grandes redes hospitalares têm sofrido acréscimos de preços muito além da taxa de inflação e sem conexões a qualquer melhoria feita na qualidade do cuidado após ameaçar cortar um dos maiores planos de saúde da região. E como suas “referencias” são fortemente direcionadas para grupos de médicos e instituições afiliadas, grande grupos de provedores limitam a competição ao nível de doenças e tratamentos.

Finalmente, sempre há discussões sobre quem paga. Esta luta assume muitas formas. Provedores e pagadores tentam repassar custos um para o outro. Pagadores aumentam as taxas dos afiliados que ficam doentes. Provedores aumentam seus preços para que descontos com Medicare (seguro de saúde governamental) não sejam tão significativos. Pacientes procuram cobertura para cuidados opcionais e cosméticos. E empregadores permitem que planos de saúde neguem pagamento para seus empregados. Tudo isto tem um custo alto. Nada disto cria valor para pacientes.


O Mercado Geográfico Errado. A competição deveria forçar provedores a igualar ou exceder o valor criado pelo melhor de sua região ou até país. Para a maioria, no entanto, a competição no cuidado da saúde é local. Tal competição isola fornecedores medíocres das pressões do mercado e inibe a expansão de melhores praticas e inovações. Nos EUA, ha uma variação de quase 3 vezes no custo anual por usuário de Medicare – de menos que $3,000 por paciente em algumas áreas até mais de $8,500 em outras. De acordo com estudos feitos por John Wennberg da Darthmouth Medical School e do Center for the Evaluative Clinical Sciences da mesma escola, os custos elevados não são associados com melhores resultados médicos e não podem ser explicados pelas diferenças em idade, sexo, raça, taxas de doenças (que afetam a necessidade de cuidado) ou custo de vida (que afetam o custo destes cuidados). Estes estudos encontraram, assim como muitos outros, significativas diferenças de resultados e na entrega dos cuidados no nível da doença ou tratamento, através das regiões. Tais diferenças são apoiadas pela ausência de competição.

Competição local é institucionalizada por políticas de planos de saúde que exigem que os usuários paguem a maior parte dos custos de cuidados fora da rede – desencorajando-os em procurar fornecedores fora de sua área imediata – ou que penalizam médicos por encaminhamento fora da rede. O Medicare, por sua vez, computa pagamentos de ‘capitação’ das “HMO” em nível de país, criando pouco incentivo para hospitais em diferentes condados competirem, mesmo que estejam somente alguns quilômetros uns dos outros. Competição localizada também é resultado de habito, inércia e informação; médicos referem seus pacientes para médicos mais próximos – até seus pacientes Medicare, que não têm nenhuma restrição geográfica.

Embora muitos serviços de cuidados à saúde deveriam ser fornecidos localmente, a competição no cuidado da saúde deveria ocorrer regionalmente, ou até nacionalmente, especialmente para condições mais complexas ou incomuns. Desta forma, todos os provedores estariam sujeitos à pressão competitiva para melhorarem. E provedores que tratassem de condições menos comuns, em uma área mais ampla, poderiam servir um número suficiente de pacientes para desenvolver a experiência e a eficiência que resultam de experiência e aprendizagem repetidas.

Um sistema de cuidado da saúde ideal encorajaria relacões próximas de trabalho entre provedores locais (para a maioria dos serviços de rotina e de emergência e cuidados de seguimento) e uma ampla de gama de provedores líderes (para diagnósticos definitivos, estratégias de tratamento e procedimentos complexos em certas áreas). Estes relacionamentos acelerariam a difusão dos cuidados clínicos de ponta e ajudariam a aumentar a qualidade e a eficiência do sistema – porém eles hoje freqüentemente sofrem resistência.


As Estratégias e Estruturas Erradas. Embora valor seja criado desenvolvendo profunda experiência e instalações adequadas em um conjunto de áreas onde os provedores podem realmente desenvolver excelência, a maioria dos hospitais e redes têm buscado linhas de serviço mais amplas para poderem negociar mais com os planos de saúde.

Hospitais e grupos de médicos têm estreitado seus serviços por fundirem com ou através da compra de outras instituições, resultando na união de aproximanadmente 700 hospitais entre 1996 e 2000 e níveis muito altos de concentração de indústrias locais. Na Carolina do Norte, por exemplo, somente 18 dos 100 condados tinham sistemas hospitalares múltiplos em 2000. Como resultado, a rivalidade é severamente limitada.

Esta redução na competição produz poucos benefícios compensatórios. Como já foi discutido, a consolidação tem levado a pouca eficiência. Tampouco está claro que qualidade seja melhor quando for mais ampla. Embora alguns pacientes têm doenças múltiplas, instituições ‘focalizadas’ podem facilmente lidar com isso. O M.D. Anderson Câncer Center, em Houston, por exemplo, tem cardiologistas no seu quadro, porém não mantém atividades completas em cardiologia. Quando casos difíceis chegam ou quando cirurgia cardíaca é necessária, os médicos no M.D. Anderson consultam colegas ‘externos’ ou encaminham seus pacientes com câncer para centros cardíacos de referência.
A Informação Errada. Informação é integral para a competição em qualquer mercado com bom funcionamento. Ela permite que compradores busquem o melhor valor e força os vendedores a se compararem com seus rivais. No cuidado com a saúde, a informação realmente necessária para dar suporte à competição criadora de valores tem estado largamente ausente ou suprimida. Há bastante informação sobre coisas que têm um impacto modesto no valor – cobertura dos planos de saúde e pesquisas de satisfação dos segurados, por exemplo. Porém muito mais relevante é a informação sobre as experiências dos provedores e resultados no tratamento de certas condições. Nem esta informação básica está disponível. Por exemplo, a maioria dos hospitais e médicos nem sequer fornecem dados sobre quantos pacientes com um certo diagnóstico ou condição eles trataram. Ao contrário, a informação disponível sobre experiências e resultados médicos é largamente ‘boca-a-boca’, até entre os médicos, e pode não ser comprovada através de evidencias.

Tem havido esforços para coletar o tipo correto de informação – dentre eles, Cleveland Health Quality Choice, o Pennsylvania Health Care Cost Containment Council e o Sistema de Relatório dos Cirurgiões Cardíacos do New York State. Mas estas têm sido experiências de pequena escala. Provedores argumentam que os dados sobre os resultados de tratamentos – apropriadamente ajustados com relação ao risco para refletirem a complexidade ou severidade das condições iniciais do paciente – são complexos e difíceis de serem mensurados de forma relevante. De fato, a coleção de informação sobre resultados tem recebido oposições ativamente por alguns participantes do sistema – às vezes por bons motivos (a dificuldade de desempenhar ajustes com riscos, por exemplo) e às vezes por motivos não tão bons (medo de comparação e responsabilidade, por exemplo).

Alguns observadores têm tentado desacreditar as tentativas que tem sido feitas até agora para coletar informação relevante. Porém estas experiências demonstram tanto o valor crítico de ter a informação correta e a viabilidade de seu desenvolvimento. Em Cleveland, a informação coletada não foi disseminada aos pacientes ou a médicos referenciadores. Empregadores, enfrentando pressões de custos de curto prazo, não utilizaram os dados para selecionar provedores de alta qualidade. Pacientes e médicos foram deixados às escuras. Neste meio tempo, em New York, informação era coletada sobre taxas de mortalidade ajustadas ao risco após cirurgias cardíacas de “bypass” efetuadas em todo o Estado e os dados foram disponibilizados amplamente. Em resposta a isto, grupos de cirurgia cardíaca buscaram melhoramentos nos seus processos, e alguns hospitais revogaram os privilégios de cirurgiões cardíacos com baixos volumes e altas taxas de mortalidade. Após quatro anos de dados publicados, New York tinha a menor taxa de mortalidade risco-ajustada de cirurgia de “bypass” em qualquer estado no país.

Encorajar a competição ao nível de doenças ou condições específicas irá acelerar o desenvolvimento do tipo correto de informação. Por exemplo, a seguradora Preferred Global Health (PGH) ajuda seus associados a escolherem entre os provedores de classe mundial e os tratamentos que ela oferece para as 15 doenças críticas que ela cobre. Para encontrar os provedores de maior qualidade, a PGH identifica aqueles com a maior experiência nos tratamentos mais avançados, documenta sua eficácia e resultado e solicita que participem nos processos de melhoramento de qualidade. A experiência da PGH ‘infla’ o argumento de que há muito pouca informação disponível para uma escolha relevante do consumidor no cuidado da saúde. A América não pode esperar para que uma informação perfeita seja desenvolvida antes de dissemina-la. Nada fomentará melhoramentos mais rapidamente do que tornar a informação já existente largamente disponível.


Os Incentivos Errados para Pagadores. Seguradoras de saúde deveriam ser premiadas for ajudarem seus clientes aprenderem a obter cuidado com o melhor valor; por simplificarem processos administrativos; e por facilitar a vida dos participantes. Ao invés disto, pagadores beneficiam-se financeiramente ao inscreverem pessoas saudáveis e aumentarem prêmios para ou negando coberturas para pessoas doentes. Pagadores têm incentivos para complicarem a cobrança; eles podem alterar preços emitindo faturas incompreensíveis ou não precisas e podem atrasar ou questionar pagamento. Elas também recebem incentivos para transferir custos ou reduzir serviços colocando obstáculos entre os pacientes e os provedores de cuidados, restringindo o acesso do paciente a tratamentos caros e a tratamentos fora da rede (embora cuidados fora da rede não sejam necessariamente mais caro, hospitais cobram, destes pacientes, preços que podem ser o dobro do preço negociado dentro da rede. A diferença entre o valor que o pagador irá reembolsar e os preços artificialmente aumentados, essencialmente torna o cuidado fora da rede proibitivo para muitos pacientes). Finalmente, pagadores beneficiam com a desaceleração de inovações que não mostram redução de custo imediata e em curto prazo. Todos estes incentivos reforçam a competição soma-zero e trabalham contra a criação de valor no cuidado da saúde.

Um sistema de pagador único, que já fora proposto, terminaria a prática de excluir participantes de alto-risco. Mas isto somente fomentaria todos os outros incentivos eliminando a competição ao nível de planos de saúde e dando ao pagador mais poder de barganha com o qual poderia deslocar custos para os fornecedores, pacientes e empregadores. Um único pagador teria maior incentivo de reduzir seus custos restringindo ou racionando serviços e desacelerando a difusão de inovação. A única real solução é mudar estes incentivos e abrir a competição, e não tornar o seguro de saúde um monopólio do governo.


Os Incentivos Errados para Provedores. Provedores deveriam ser premiados por competirem regionalmente e nacionalmente para apresentarem o cuidado com melhor valor para doenças ou condições particulares. Pelo contrário, os incentivos aos provedores, assim como nos incentivos para os pagadores, reforçam a competição soma-zero. Hospitais e médicos têm incentivos para não encaminharem pacientes para outros provedores que podem ter mais experiência e para fazerem encaminhamentos somente dentre sua rede. Praticas de reembolso estimulam os médicos a gastarem menos tempo com pacientes, dispensa-los rapidamente, e readmiti-los se houver algum problema. Enquanto muitos médicos resistem à pressão de subtratar seus pacientes, este conflito entre a boa medicina e o interesse econômico desmoraliza os médicos e diminui a difusão de melhores praticas.

A ameaça de ações por má pratica cria incentivos contrários fazendo os médicos solicitarem exames, tratarem, e encaminharem seus pacientes em demasia. Infelizmente, estes incentivos para tratar em demasia não cancelam o os incentivos de reembolso para tratar menos. Pelo contrario, o resultado é uma pratica clinica menos efetiva e montanhas de papel para sugar o tempo dos médicos. Pior ainda, a ameaça de ações de má pratica cria riscos para os provedores que tentam aprender através de resultados ruins medindo-os e analisando-os. Ironicamente, enquanto a tecnologia tem tornado a difusão do conhecimento mais rápida e mais fácil do que antes, as estruturas sociais e econômicas do setor de cuidado da saúde trabalham contra a rápida disseminação da aprendizagem.



Competição Soma-Positiva

Em um sistema saudável, a competição em nível de doenças ou tratamentos torna-se o motor do progresso e da reforma. A melhoria se desenvolve. Para que este processo inicie, no entanto, o foco da competição deve mudar de “Quem paga?” para “Quem fornece o melhor valor?” chegar lá exigirá mudanças nas estratégias dos provedores/fornecedores e de pagadores e no comportamento de empregadores comprando planos de saúde. E mais, algum sistema importante de infraestrutura deve ser colocado em prática – regras e regulamentos que mudam os incentivos e criam os tipos corretos de informação. Vamos dar uma olhada em cada necessidade.


Estratégias de fornecedores: Distinção. Com a competição soma-positiva, fornecedores não tentariam igualar todos os passos de seus competidores. Pelo contrario, eles desenvolveriam estratégias claras com experiência única e instalações customizadas naquelas áreas onde eles podem tornar-se distintos. A maioria dos hospitais iria reter uma série de áreas de serviço, mas eles não tentariam ser tudo para todos. Na maioria dos negócios, é comum desenvolver produtos e serviços que criam valores únicos. Para muitos hospitais, desenvolver esta distinção é uma mudança significativa de mentalidade e decidir o que não fazer é ainda uma idéia mais radical.
Nenhuma Restrição à Escolha. Com a competição soma-positiva, todas as restrições à escolha no nível de doença ou tratamento desapareceriam, incluindo restrições da rede e aprovações de encaminhamentos. “Co-pagamentos” e grandes franquias combinadas com contas de poupança de médicos permitiriam alguma responsabilidade financeira para a escolha dos pacientes. Porém, ‘co-pagamentos’ seriam os mesmos dentro e fora da rede. Autoridades “anti-trust” iriam vasculhar os participantes do sistema para que um sistema hospitalar ou plano de saúde não dominassem injustamente um mercado importante.
Preços transparentes. Preços seriam expostos e prontamente disponíveis. Fornecedores cobrariam o mesmo preço para qualquer paciente para tratar uma certa condição médica, independentemente da afiliação do paciente. Fornecedores poderiam e certamente determinariam preços diferentes de seus competidores, mas esta diferença não seria simplesmente porque um paciente estava segurado por Aetna, outro segurado pela Blue Cross e outro ‘pagaria de seu bolso’. Pagadores poderiam negociar, porem a alteração de preços traria benefícios para todos os pacientes, não somente os seus. O custo de tratar uma condição medica não tem nada a ver com quem é o empregador ou seguradora do paciente.

Discriminação de preços não relacionados a custos impõem grandes fardos no sistema hoje. Ter preços múltiplos eleva o custo administrativo. Os pacientes cobertos pelo setor público são subsidiados por pacientes do setor privado. E dentre o setor privado, pacientes em grande numero são subsidiados por aqueles sem seguro, membros de pequenos grupos, e pacientes fora-da-rede, que pagam preços da lista. Listas de preços artificialmente elevados aumentam o numero de pacientes que não podem pagar, elevando despesas de cuidados sem compensação, que leva a listas de preços ainda mais elevadas e descontos maiores para grupos maiores. A falta de incentivos para preços da saúde fora da rede endurece a competição, que por sua vez, diminui o desenvolvimento da qualidade e da eficiência que, de outra forma,beneficia todos os pacientes. Sem a competição serviço-por-serviço, custos pairam ainda mais altos enquanto carece qualidade. O custo de uma competição disfuncional pesa muito mais que qualquer sistema de participação que pacientes recebem da descriminação de preço – até para aquelas firmas que atualmente recebem os maiores descontos.

Paradoxalmente, a maneira mais prática de eliminar diferenciais no preço para grupos favorecidos pode ser a sua institucionalização temporária. O governo federal poderia limitar a margem de lucro entre o preço mais descontado e o maior preço cobrado por um fornecedor para qualquer serviço e então reduzir esta margem de lucro a cada ano durante um período de cinco anos. Terminar com a anomalia de preços poria um pequeno fardo nos maiores beneficiários do sistema atual – principais ‘alteradores’ de custo como Medicare e os maiores planos de saúde. Porem, com o passar do tempo, todos os participantes beneficiariam com as enormes melhorias no valor e na eficiência.
Cobrança Simplificada. Uma função fundamental de determinação de preços é levar informação aos consumidores e aos competidores. Práticas atuais de cobrança obscurecem esta informação. Cobrança desnecessária contribui para a alteração de custos, eleva custos administrativos e tornam as comparações de preços e valores virtualmente impossíveis. Com a competição soma-positiva, fornecedores teriam que emitir uma única nota para cada jogo de serviços, ou para cada período de tempo de tratamento de condições crônicas, ao invés de uma montanha de notas para cada serviço separadamente. Muitas outras indústrias resolveram o problema de como emitir uma única nota para serviços customizados; dentre eles estão aeroespacial, construção, reparo de automóveis e consultoria. Uma indústria competitiva de saúde saudável também poderia descobrir como. Fornecedores competidores também descobririam como fazer estimativas de preço de antemão. Tais estimativas não somente melhorariam a escolha do consumidor, mas também incentivaria fornecedores para aprenderem sobre seus custos reais.

A outra fonte principal de problemas com cobrança é que, atualmente, o paciente carrega a responsabilidade legal das contas, até com um seguro pago em dia. Na competição soma-positiva, pagadores assumiriam total responsabilidade com as contas médicas de segurados em dia. Se os fornecedores cobrarem uma vez e pagadores não conseguirem repassar os custos para o paciente de fornecedores, muita confusão de cobrança terminará.


Informação Acessível. Com a competição soma-zero, ambos os provedores e os consumidores de cuidados com a saúde receberiam a informação que necessitassem para tomar decisões sobre cuidados. O governo ou um amplo consórcio de empregadores poderia disparar o processo de coleção e disseminação através de acordo sobre a padronização de informação que seria coletada nacionalmente de forma sistemática. De fato, informação médica não é diferente dos resultados corporativos supervisionados pela SEC. Os benefícios de comparações nacionais estão compelindo e irão disparar uma onda gigante de melhorias na qualidade e eficiência.

Um ponto de partida obvia – e relativamente não controverso – seria coletar informação sobre experiências especificas de fornecedores com determinadas doenças, tratamentos e procedimentos. Os dados seriam disponibilizados para o publico após um tempo de espera durante o qual fornecedores poderiam corrigir quaisquer erros. Com o passar do tempo, informação sobre os resultados médicos com riscos ajustados sobre os fornecedores também precisaria ser coletada e disseminada, permitindo que consumidores avaliam os fornecedores. Esta informação seria especifica para certas doenças ou condições médicas, não agregadas a diferentes áreas da pratica da medicina. Um sistema produtivo também coletaria ou disseminaria informação sobre preços, permitindo comparações para tratamentos ou procedimentos específicos.


Contratação de Seguro Sem Discriminação. Duas anomalias mancham os preços de planos de saúde. Primeiro, pessoas que são incluídas em um ‘pools’ de alto risco (tais como aqueles que trabalham para grandes companhias) podem conseguir um plano de saúde com preços razoáveis até mesmo se alguém na família tem riscos médicos. Mas aqueles sem acesso a tal “pool” (como as pessoas que trabalham para pequenas empresas ou são autônomos) pagarão preços muito altos se um membro da família tem riscos médicos. Esforços de reformas realistas precisam presumir que a cobertura de cuidado com a saúde continuará a vir, em sua maioria, de empregadores. No entanto, soluções onde estes ‘pools’ são criados devem ser desenvolvidas para aqueles que são autônomos, empregados por pequenas empresas, trabalhadores de meio turno ou desempregados. Por exemplo, empresas menores estão criando consórcios para compras de planos de saúde. Para pessoas com alto risco, sem condições de adquirir um plano de saúde, ´’pools’ de risco determinados , como aqueles utilizados pelas seguradoras de automóveis, deverão desenvolver-se.

Além disto, pessoas em pequenos grupos ou com seguro individual encaram a probabilidade que seus prêmios aumentarão drasticamente se alguém na família desenvolver uma condição médica cara, mesmo se a família tem pagado prêmios durante anos sem fazer reivindicações grandes. Esta pratica, conhecida como ‘re-contratação’ nega o propósito de seguro de saúde e deve ser eliminada.


Menos ações judiciais. Litígios de má prática e as préticas médicas defensivas associadas infligem custos enormes em todos, e eles têm feito pouco para elevar a qualidade do cuidado com a saúde. De fato, a ameaça de má prática cria incentivos para médicos e hospitais a esconderem seus enganos em lugar de assumi-los e elimina-los. Padrões para litígios de má prática devem mudar. Ações são apropriadas somente em casos de verdadeira má prática, tais como negligência, o uso de tratamentos obsoletos, ou falta de cuidado quando um paciente teve um resultado ruim apesar de ter recebido o tratamento apropriado e atualizado. Com melhor informação e sem restrição na escolha, muitas ações judiciais serão evitadas. O dinheiro gasto com a disponibilização da informação e da escolha é um investimento na remoção de bilhões de dólares de custos administrativos e legais do sistema.
Lista nacional de cobertura mínima. O sistema atual de negociação individual e litígio sobre cobertura é caro. Um sistema melhor exigiria um nível mínimo de cobertura com uma lista nacional (como aquela usada no Programa de Benefícios para a Saúde de Empregados Federais). Os planos de saúde poderiam escolher cobrir mais serviços e tratamentos por razões competitivas, mas não seriam forçados a fazê-lo através de ação judicial. Esta mudança iria alterar despesas com o cuidado com a saúde de prêmios de má prática para a disponibilização de cuidados para mais pessoas.
Estratégias do pagador: Escolha e Eficiência. A competição de soma-positiva induziria pagadores a competirem para criar valor, não somente minimizar custos. Eles iriam simplificar cobrança e processos administrativos. Eles serviriam aos associados identificando tratamentos alternativos e fornecedores com resultados excelentes. Eles ajudariam os associados a saberem quando e aonde é apropriado viajar para fora de suas áreas de cuidado com qualidade (alguns pagadores começaram a divulgar informação sobre tratamentos e fornecedores em suas páginas eletrônicas, porém freqüentemente a informação sobre estes tratamentos e fornecedores fica somente em uma área pequena ao redor do código postal do assinante). Os melhores pagadores também poderiam recomendar opções de gerenciamento de doença efetivas para assinantes com condições crônicas. A competição mudaria para o fornecimento de informação e serviço excelente. Tentativas de limitar as escolhas de pacientes ou de controlar o comportamento do medico terminariam.
Acelerando a Transformação. Mais dois passos acelerariam a transformação no cuidado com a saúde – um, uma mudança de transição e uma outra muito maior e mais controversa. O passo de transição, com importância simbólica tremenda seria a criação de um mecanismo de curto prazo para encorajar a difusão de uma abordagem ao cuidado que são inicialmente caras. Um modelo seria para o Medicare, tradicionalmente lento ao adotar novos tratamentos, criar um Fundo de Adoção de Inovação para dar suporte a disseminação de terapias para os pacientes aprovadas pelo FDA. Fornecedores, trabalhando com fornecedores de tecnologia, empresas farmacêuticas e pagadores competiriam para ganhar o financiamento com padrões bem definidos para a revisão institucional e a informação do consentimento do paciente. Em tempo, tal financiamento poderá não ser necessário se a competição de soma positiva vingar. Como um dispositivo de transição, no entanto, isto apressaria tratamentos com custos mais baixos e adoção mais ampla.

O passo maior e mais controverso seria o governo solicitar cobertura para todos, com subsídios para pessoas de renda baixa. Com a exigência de cobertura de saúde, todos seriam clientes pagantes interessados no valor do cuidado com a saúde. Enquanto subsídios para pessoas de baixa renda elevariam as despesas com o cuidado com a saúde, haveria uma retificação na economia e nos ganhos. O enorme gasto com cuidado gratuito seria eliminado e fornecedores não teriam mais que aumentar seus preços para cobri-lo. Economia de custos resultaria de mais cuidado no tempo certo no lugar de após o desenvolvimento de complicações, e em locais com custo-efeito ao invés de em salas de emergência. Receitas adicionais viriam de pessoas que podem pagar cobertura, mas que escolhem não comprá-la e se tornam parte de um ‘pool’ de cuidado sem compensação caso eles adoeçam ou se machucam.


Empregadores Deveriam Mostrar o Caminho. Empresas têm muito a perder dependendo do desempenho do sistema de cuidado com a saúde dos EUA. Os custos de cuidados com a saúde de empresas ultrapassaram a inflação em 13 dos últimos 17 anos, alcançando mais de $6,200 por empregado em 2003. Acréscimos de dois dígitos nos últimos três anos, e estimado a continuar em 2004, chamou a atenção de gerentes seniores. Um estudo das 622 principais feito pela Hewitt Associates descobriu que 96% de CEOs e CFOs estão significativamente ou criticamente preocupados com os custos do cuidado com a saúde para 2004, e 91% mostraram a mesma preocupação com impacto que os custos com a saúde terão em seus empregados.

Enquanto os principais consumidores de serviços de cuidado com a saúde, empregadores têm a influencia para insistir na mudança. Infelizmente, eles também têm sido parte do problema. Ao comprarem serviços de cuidados com a saúde, empresas têm esquecido de algumas lições sobre como a competição funciona e como comprar inteligentemente. Ignorando diferenças em qualidade, companhias têm comprado planos de saúde baseados em preços ao invés de em valor. Elas delegaram o gerenciamento de seus planos de saúde para terceiros cujos incentivos não estavam bem alinhados com as tentativas da empresa de maximizar valor ou com o bem estar de seus empregados. Portanto, empregadores têm se tornado conspiradores, sem querer, de um sistema problemático.

Eles deveriam ter sabido. Poucos produtos ou serviços realmente são ‘commodities’ – especialmente serviços sem complexidade como o fornecimento de qualidade no cuidado da saúde. O padrão relevante deveria ser valor, não custo. Companhias sabem que experiência e capacidade simultâneas melhoram qualidade e reduzem custo. Eles sabem que a inovação é crucial para o progresso, não uma despesa a ser suprimida. E eles sabem que informação relevante é essencial para a tomada certa de decisões.

Alguns empregadores começaram a adquirir serviços de planos de saúde diferentemente. E consórcios como o Leapfrog Group (uma coalizão de 150 organizações publicas e privadas que fornecem benefícios para o cuidado com a saúde) estão trabalhando para melhorarem a qualidade do cuidado com a saúde; o foco da Leapfrog está na redução de alta incidência de erros no cuidado médico nos EUA. Estes esforços são importantes, mas eles terão ainda mais efeito quando eles focarem no poder da competição. Ao contrário de aprovar hospitais ou dizer como devem dirigir suas operações, empregadores devem insistir que escolha e informação devem ser verdadeiramente disponibilizadas em nível de doenças e tratamentos específicos para que pacientes e médicos que encaminham podem escolher fornecedores que usam métodos eficientes e atuais de cuidado. Leapfrog está indo nesta direção com seus esforços de promover referencias opcionais para cirurgias de alto risco para fornecedores altamente experimentados. A Honeywell também está caminhando nesta direção contratando a Consumer’s Medical Resource, um serviço de apoio a decisões que fornece informação independente em diagnósticos e tratamentos para empregados.

As mais recentes iniciativas de empregadores, conhecidas como ‘pagamento por desempenho’ determinou taxas de reembolso mais altas para fornecedores que cumprem com padrões específicos de cuidado medico. Estas medidas objetivam prevenir cuidado ‘subpar’ encorajando uma disseminação de padrões bem estabelecidos que são, infelizmente, freqüentemente ignorados. Pagamento por desempenho poderia ser uma medida de transição importante até que a experiência e dados com resultado sejam amplamente disponíveis. No entanto, é uma solução de longo termo inadequada porque ela premia fornecedores por seguirem praticas determinadas, e não por alcançar resultados excelentes (risco-ajustado). O sistema irá melhorar muito mais rapidamente se os fornecedores encararem a pressão competitiva para produzirem resultados realmente bons, paciente por paciente e condição por condição.

Por colocar novas expectativas para os planos de saúde e por comprar serviços de cuidados da saúde diferenciados, empregadores podem perceber o poder da competição soma-positivo no cuidado com a saúde. A maioria dos empregadores resistem à idéia do fim de descontos por volume, mas estes descontos contribuem para o ciclo vicioso do aumento de custo e da mudança de custo no cuidado com a saúde. Se empregadores tomarem a dianteira de criarem competição produtiva no cuidado com a saúde, insistindo que a competição ocorra no nível correto, as empresas e seus empregados beneficiarão do aumento de valor nos serviços e de informação mais acessível. Se perseguida seriamente, tais mudanças iriam alterar radicalmente o sistema de cuidado com a saúde, instigando uma transformação de proporções históricas. O sistema tem concerto.




  1. A experiência importa

Quanto mais experiência médicos e times têm em tratarem pacientes com uma doença ou condição particular, mais provavelmente eles criarão melhores resultados – e, por fim, praticarem custos mais baixos. Desempenhando procedimentos várias vezes, times aumentam suas oportunidades de aprendizagem e, portanto, reduzem taxas de mortalidade.


  1. Como a Reforma Deu Errado

Tentativas de reformar o sistema de cuidado com a saúde nos EUA têm falhado, pois elas estavam baseadas no diagnóstico errado do problema.

Estes esforços de reforma não resultaram em competição relevante no nível de doenças e condições específicas – o nível onde valor é criado na medicina. Com a competição no nível errado, todos os participantes do sistema – consumidores, fornecedores, empregadores e segurados – têm agido ‘contra-produtivamente’. Alguns aspectos históricos aparecem na exibição “The Evolution of Reform Models.”

O era do cuidado gerenciado focou amplamente no custo; reformadores trataram o cuidado com a saúde como se fosse um commodity. Para cortarem suas despesas, pagadores alteraram custos e perseguiram o poder de barganha agressivamente. Fornecedores fizeram o mesmo. Serviços eram racionados, e houve poucos melhoramentos reais na eficiência. Ironicamente, custos continuaram a subir.

Como reação ao cuidado gerenciado, reformadores tentaram dar mais direitos legais aos seus pacientes. Estes esforços acabaram trazendo mais camadas com regulamentações extras – e aumentaram custos. Exigindo que médicos e hospitais aderissem aos direitos do pacientes, eliminou alguns dos exemplos mais terríveis de racionalização de custos pelos fornecedores, mas também deixou inalterada a causa fundamental do comportamento dos fornecedores – em sua maioria, competição estruturada para compelir os participantes a focarem no custo. Os custos subiram mais ainda.

Quando as tentativas de arrumar o sistema através de um meio legal e regulador provou-se fútil, reformadores começaram a focar na escolha do consumidor – um bom tópico para se examinar, porém a escolha do plano de saúde dos associados não é a escolha que realmente importa. Hoje, consumidores têm pouca escolha sobre fornecedores e tratamentos e não estão em posição de tomar decisões dadas as informações limitadas disponibilizadas para eles.

Recentes reflexões sobre a reforma no cuidado com a saúde migraram para a melhoria de qualidade e na redução de erros médicos. Consórcios de empregadores estão tentando melhorar práticas hospitalares exigindo que instalações, por exemplo, coloquem as ordens de tratamentos em sistemas computadorizados, mantenham cobertura em unidades de cuidado intensivo e em salas de emergência, e cumpram algumas determinações para alguns encaminhamentos. Estas são exigências úteis, porem, elas não alteram os incentivos para a competição soma-zero. Da mesma forma, iniciativas ‘pagar por desempenho’ propostas por empregadores ajudarão, em curto prazo, na obtenção de mais concordância dos fornecedores com padrões médicos aceitos. Mas isto não será o suficiente para reformar o sistema porque os incentivos são para concordar com processos específicos, não em alcançar resultados reais. Incentivos eficientes devem ser amarrados a objetivos e não a meios.

Algumas reformas propostas recentemente até irão piorar a competição soma-zero. Por exemplo, alguns grupos de empregadores defendem a competição ‘sistema para sistema’, aonde médica são forçados a se unirem a uma rede fechada ou outra. Isto realmente limita a competição no nível de doenças e tratamentos enquanto acentua o poder de alguns poucos sistemas para completamente evitar a competição neste nível. Neste meio tempo, outras reformas propostas, tais como a migração de alguns consumidores do Medicare para seguro privado e a compra de drogas controladas do Canadá, não são reformas de modo algum. Mudar os pacientes do Medicare para um sistema privado que não está funcionando não é uma solução. E comprar remédios do Canadá é a tentativa mais recente do sistema em mudar custos, ao invés de criar volume.

O que carece na discussão sobre a reforma no cuidado com a saúde está a compreensão de papel que a competição tem no que se refere à melhoramentos de qualidade, segurança e eficiência e o tipo de competição que será a melhor. Se o objetivo é criar valor, então a competição para melhorar resultados e aumentar eficiência em condições medicas especificas é essencial. Acertar o nível de competição irá reduzir erro e encorajar a disseminação de novas e excelentes práticas. A reforma deve focar nas regras, incentivos, informação e estratégias que irão possibilitar uma competição soma-positiva aonde conta – no nível de doenças e tratamentos individuais.




  1. Problemas e Potencial:


Um resumo do que está ‘atacando’ o Cuidado com a Saúde nos EUA

Em qualquer indústria, a competição deveria aumentar o valor para os consumidores com o passar do tempo. No cuidado com a saúde, a competição soma-zero é dividida (às vezes destruída) ao invés de aumentar. O sistema pode mudar se os participantes lutarem pela competição soma-positiva.



As características da competição SOMA-ZERO no cuidado com a saúde

O nível errado de competição


A competição está entre os planos de saúde, hospitais e redes.

O objetivo errado


Redução de custo; participantes tentam reduzir seus próprios custos transferindo-os para outra pessoa sem redução do custo total.

As formas erradas de competição


A competição é para associar pessoas saudáveis. Métodos incluem desconto nos preços para grandes pagadores e grupos, consolidando para aumentar o poder de barganha e alterando custos.

O Mercado Geográfico Errado

A competição é local.



As estratégias e a estrutura erradas

Participantes constroem serviços completos, formam redes fechadas, consolidam com outros (portanto reduzindo rivalidade) e se equivalem aos seus competidores.



A Informação Errada

A informação é sobre planos de saúde e pesquisas de satisfação de assegurados.



Os Incentivos Errados para Pagadores

Pagadores tentam atrair associados saudáveis e aumentar taxas para associados doentes. Eles restringem tratamentos e serviços fora-da-rede, alteram custos para fornecedores e pacientes e desaceleram a inovação.



Os Incentivos Errados para Fornecedores

Fornecedores oferecem todo serviço, porem freqüentemente abaixo de padrões médicos. Eles encaminham pacientes dentro da rede, se o fizerem; gastam menos tempo com pacientes e liberam-nos rapidamente; e praticam a medicina defensiva.




  1. As Características da Competição SOMA-POSITIVA no Cuidado

com a Saúde

O Nível certo de competição

A competição é para prevenir, diagnosticar e tratar doenças específicas ou combinações de condições.



O objetivo Correto

Melhorar valor – qualidade por dólares ‘expandidos’ com opassar do tempo.


As formas corretas de Competição


A competição é para criar valor no nível de doenças ou condições desenvolvendo competência, reduzindo erros, aumentado eficiência e melhorando resultados.

O Mercado Geográfico Certo


Competição está no nível regional ou nacional.

As Estratégias e Estrutura Corretas


Participantes definem suas diferenças oferecendo serviços e produtos que criam valores únicos. O sistema tem muitos competidores.
A Informação Correta

Informação é sobre fornecedores, tratamentos e alternativas para condições específicas.

Os Incentivos Certos para Pagadores

Pagadores ajudam associados encontrarem o cuidado com melhor valor para condições específicas. Eles simplificam a cobrança e processos administrativos e pagam contas prontamente.


Os Incentivos Corretos para os Fornecedores


Fornecedores obtêm sucesso desenvolvendo áreas de excelência e competência. Eles medem e melhoram qualidade e eficiência. Eles erradicam enganos; eles acertam na primeira tentativa. Eles alcançam, excedem e melhoram padrões.


Os Ingredientes para a Mudança




Nenhuma restrição à Competição e Escolha


  • Nenhuma pré-aprovação para encaminhamentos ou tratamentos.

  • Nenhuma restrição a redes.

  • Leis severas anti-trust contra conluio, concentração excessiva e prática injustas.

  • ‘co-pagamentos’ significativos e contas de poupanças médicas com dedutíveis altos, onde todos darão aos consumidores incentivos para procurarem bom valor.

Informação Acessível


  • Informações adequadas sobre tratamentos e alternativas é coletada formalmente e largamente disseminada.

  • Informações sobre a experiência dos fornecedores no tratamento de certas doenças e condições são disponibilizadas imediatamente.

  • Dados sobre resultados com riscos ajustados são desenvolvidos e continuamente melhorados.

  • Algumas informações são padronizadas nacionalmente para permitir comparações.
Preços transparentes

  • Fornecedor determina um preço único para um dado tratamento ou procedimento.

  • Diferentes fornecedores determinam preços diferentes.

  • Estimativas de preço são disponibilizadas de antemão para possibilitar comparação.
Cobrança Simplificada

  • Uma conta por hospitalização ou por período de cuidado crônico

  • Pagador tem responsabilidade legal por contas médicas de associados com pagamentos em dia.
Seguro Não Discriminatório

  • Nenhuma ‘re-contratação’.

  • Pools de risco determinado para aqueles que o necessitarem.

  • Plano de saúde obrigatório, que criaria participação e valor no sistema.
Cobertura de Tratamento

  • Lista nacional de coberturas mínimas exigidas.

  • Resultados adicionais de cobertura da competição, não do litígio.

Menos ações judiciais

  • Mais informação significa mais divulgação de riscos e escolhas com mais informação para os pacientes.

  • Ações judiciais mencionam o uso de tratamentos obsoletos e falta de cuidado.


O que os Empregadores Podem Fazer De Imediato


    • Escolherem planos que não restringem o acesso dos empregados a tratamentos ou fornecedores fora da rede.

    • Cobrar, dos fornecedores, informação sobre sua experiência, seus usos de padrões prevalecentes e seus resultados.

    • Garantir o acesso do empregado à informação sobre diagnósticos e tratamentos alternativos. Compartilhar informação coletada regionalmente e nacionalmente.

    • Insistir para que empregados sejam tratados por fornecedores experientes.

    • Exigir uma única taxa para cada serviço.

    • Exigir uma conta por hospitalização ou ciclo de tratamento.

    • Eliminar cobrança de empregados através de planos de saúde ou fornecedores.



Diagnóstico Mais Profundo
O cuidado com a saúde deve ser uma prioridade máxima para gerentes corporativos. No entanto, a maioria das empresas depende do governo e “especialistas” da indústria, cujas reformas durante a década passada falharam em criar competição efetiva no cuidado com a saúde. Em “Fixing Competition in U.S. Health Care,” os professors Michael E. Porter e Elizabeth Olmstead Teisberg explicam o que está errado com o sistema de uma perspectiva de negócios e que mudança será necessária para melhorar a equação de valor. Este relatório apresenta analises profundas e fatos e números compreensíveis baseados na pesquisa exaustiva dos autores. Para obter mais informação, visite http://hcreport.hbr.org.




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