Texto de Maria Amália Leite Valente da Costa, rscm directora do Colégio de 1932 a 1952 e de 1954 a 1961



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Texto de Maria Amália Leite Valente da Costa, RSCM


Directora do Colégio de 1932 a 1952 e de 1954 a 1961)

Uma síntese da história do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, por muito breve que seja, não dispensa uma rápida referência ao seu antepassado, o «Colégio da Miss Hennessey», situado no Bairro da Picaria, no centro da cidade do Porto.

Quando Miss Henessey, de nacionalidade irlandesa, assumiu a sua direção nos meados do século XIX, já várias gerações de alunas por lá tinham passado. Apesar da simpatia e confiança que Miss Hennessey inspirava às famílias do Porto, todo o seu desejo era confiá-lo a um Instituto Religioso. Após repetidas instâncias em cartas dirigidas ao Padre Gailhac, fundador do recente Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, em Béziers, cidade do Sul de França (1849), conseguiu que lhe enviasse as suas duas irmãs, a Madre Santa Maria e a Madre São Tomás Hennessey, que tinham professado neste Instituto.

Setembro de 1871 é a data em que as irmãs do Sagrado Coração de Maria iniciam no Porto a sua acção educativa.

Para acalmar os ânimos da população que, a princípio, não recebeu bem as irmãs, exacerbada pelas calúnias propagadas contra as Ordens Religiosas e que não via com bons olhos uma comunidade com elementos vindos de França, as irmãs Hennessey resolveram hastear a bandeira inglesa.

Em fins de Setembro de 1872, as instalações do Colégio, muito acanhadas para o desenvolvimento que ele ia tomando, foram transferidas para o Largo do Coronel Pacheco, uma casa antiga com uma grande quinta onde, mais tarde veio a funcionar o Liceu Carolina Michãelis e depois também alguns departamentos da Faculdade de Engenharia.

"Colégio Inglês do Sagrado Coração de Maria" - foi o nome gravado numa placa de mármore colocada à direita do portão. No entanto, continuou a ser conhecido no Porto pelo nome de Colégio das Inglesinhas da Miss Hennessey.

Da leitura dos programas seguidos no Colégio uma conclusão se impõe: se não continham tantas disciplinas como as atuais, a orientação era mais feminina - Língua e Literatura Portuguesa, História e Geografia. O uso do Francês, do Inglês e do Alemão era corrente no Colégio, o que possibilitava às alunas representarem em qualquer destas línguas.

Igualmente cuidada era a aprendizagem das então chamadas prendas femininas: lavores, desenho, pintura, flores. Até dança era ensinada a preceito por professor de fama, lições solenemente presididas pela Miss Hennessey. Incluía ainda lições de canto pelo Professor Dubini que era muito conceituado no Porto. As disciplinas acima citadas eram na sua quase totalidade leccionadas pelas irmãs estrangeiras que revelavam grande competência.

Após a proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, é promulgado um Decreto que proibia às religiosas ensinar. Foram estas, entre as quais já havia muitas portuguesas, obrigadas a dispersar, dirigindo-se as que tinham família no Porto e proximidades para as suas casas. As irmãs de nacionalidade estrangeira foram as primeiras a embarcar para os seus países. Desta dispersão, que atingiu igualmente os colégios de Braga e Viseu, fundados respetivamente em 1876 e 1892 pelo mesmo Instituto do Sagrado Coração de Maria, nasceram os colégios do Brasil. Outras ainda foram para a França e Estados Unidos.

Entretanto, no dia 11 de Abril, chegava a Tuy, pequena cidade espanhola fronteira a Valença, onde a Madre Maria da Eucaristia Lencastre, primeira provincial portuguesa do Instituto, resolvera procurar abrigo para as religiosas velhinhas, o primeiro grupo de irmãs portuguesas.

Quando se soube que as Religiosas do Sagrado Coração de Maria estavam tão perto da fronteira, os pais das antigas alunas começaram a pedir-lhes a abertura de um colégio, que lá funcionou até poderem abrir em Portugal os colégios de Espinho (1920) e Braga (1921). As alunas vinham fazer os seus exames de disciplinas singulares a Portugal. Simultaneamente mantinha-se no Porto um grupo de três religiosas, por concessão de um funcionário responsável pelo edifício, numa casa anexa ao Colégio onde funcionava um Internato para crianças de famílias carenciadas. Este também teve de ser abandonado em 1912 pelas irmãs, que alugaram então uma casa na Rua de Cedofeita e, passados anos, transitaram para a Rua dos Bragas. Lá se conservaram até à data da fundação do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, em 1926, leccionando crianças pobres e dando hospedagem a alunas do Liceu e Escola Normal. Não podemos deixar de salientar o auxílio prestado por estas três irmãs com uma vida de trabalho incessante e por vezes heróico, não só às irmãs exiladas em Tuy, mas ainda às novas fundações dos colé­gios de Espinho, Braga e finalmente do Porto.

No dia 15 de Outubro de 1926, reabria, portanto, o Colégio do Sagrado Coração de Maria no Porto, agora com o nome de «Colégio de Nossa Senhora do Rosário», no palacete Boaventura, na Avenida da Boavista, graças à insistência de Dona Adelaide de Sousa Chambers, antiga aluna do Colégio Inglês, junto do seu irmão, para que o arrendasse às religiosas.

Desde o início que, a uma formação integral, se aliou a preocupação de garantir às alunas uma habilitação académica equivalente àquela que era dada nas escolas do Estado.

Em 21 de Novembro de 1932, foi concedido ao Colégio de Nossa Senhora do Rosário, pelo Ministério da Instrução Pública - Inspecção-Geral do Ensino Particular, o Alvará que autorizava a abertura de um estabelecimento de Ensino Particular, sob a denominação de Colégio de Nossa Senhora do Rosário, podendo ministrar o Curso Primário, Secundário (geral), Técnico-Profissional (comercial) e Artístico e ainda o Curso Complementar de Letras.

Quando, em 1934, se exigiram, pela primeira vez, exames de admissão à Universidade, o Colégio de Nossa Senhora do Rosário já apresentou nove alunas nas faculdades de Letras e de Direito de Lisboa.

Por volta de 1945, tendo o Colégio atingido o total de 310 alunas, entre internas e externas, número máximo que a casa e os seus anexos podiam comportar, impunha -se a necessidade de construir um novo edifício. Dois anos mais tarde foi adquirido para esse efeito o vasto terreno em que veio a levantar-se a actual construção, obra do arquitecto Mário de Morais Soares e do construtor Joaquim Ferreira dos Santos.

15 de Outubro de 1958!

«O portão abriu-se para deixar entrar centenas de raparigas...», assim começa a Maria Clara Koehler (aluna do 5° ano do Curso Geral Secundário) a descrição das suas impressões do primeiro dia no Colégio novo, encantada com a amplidão das instalações cheias de luz, as salas de aula, o ginásio, os laboratórios, etc., etc.

O número de alunas tinha aumentado sensivelmente. Foram já 450 as que se matricularam neste ano lectivo e 750, passados dois anos.

Nos últimos anos e após o Concílio Vaticano II, superando crises e vicissitudes de vária ordem, o Colégio conseguiu crescer em número de alunos, em qualidade pedagógica, em abertura à comunidade local e vivência da utopia evangélica.

A partir de 1980, com o apoio pedagógico do ensino estatal, tem-se vindo a processar «a profissionalização» em quase todas as disciplinas, a qual tem contribuído para a dinamização do Colégio com introdução de novas metodologias baseadas nas correntes pedagógicas actuais. Organizaram-se cursos de reciclagem e variadíssimas acções de formação para professores, pais, alunos e outros trabalhadores do Colégio. Com a abertura ao meio e ao movimento de carácter social e de evangelização, têm-se empregado todos os esforços para a implementação neste Colégio de uma verdadeira Escola Católica que se defina num quotidiano de vivência cristã.

De um modo particular nos últimos anos, - devemos salientar! - pais e professores têm dado resposta ao IDEÁRIO DO INSTITUTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE MARIA numa colaboração dedicada, activa e generosa.

Os educadores deste Colégio, dinamizados por uma Equipa de Evangelização, envolvidos todos na mesma acção educativa, esforçam-se em cooperação e corresponsabilidade para obter a síntese Fé, Cultura e Vida.

Por favor aguarde...

© 2008 Colégio de Nossa Senhora do Rosário Avenida da Boavista, 2856 4100-120 PORTO



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