Texto, gramática e ensino do português app 2014 Leitura e Educação Literária ficha pedagógica



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Texto, gramática e ensino do português - APP 2014

Leitura e Educação Literária




ficha pedagógica

Maria Vitória de Sousa1









Saber ler para…


Recorrer a processos inferenciais na reconstituição de um texto





Objectivos 

Levar o aluno a:


  1. extrair o sentido global do texto;

  2. compreender a sua progressão a partir da reconstituição de texto.







Conteúdo 

Coerência textual



Material 
Texto “O Abridor de Latas” de Millôr Fernandes




Desenvolvimento 




  1. Distribuição dos diferentes parágrafos do texto pelos diferentes grupos.

  2. Os alunos devem ler os parágrafos; reconstituir o texto organizando os parágrafos e atribuir um título. (tempo marcado)

  3. Reflexão em grande grupo. Comparação das diferentes propostas dos grupos e acerto final para uma forma comum. Atribuição de um título único, o que for considerado o mais adequado.






Metodologia 

Trabalho de pares ou grupos de três alunos.




Observações 

  • O exercício de reconstituição de texto permite a determinação da coerência da história. O texto é apresentado em parágrafos, em cada parágrafo existe um ou vários elementos que anunciam o seguinte (retoma).




  • A abordagem do texto pode obedecer a uma introdução a partir da lentidão que caracteriza as tartarugas. “Andar a passo de tartaruga” é uma expressão muito conhecida para caracterizar a marcha lenta destes animais. Os alunos devem conhecer outras expressões consagradas em que o animal é a fonte de comparação: “falar como um papagaio, ser forte como um touro”, etc.




  • O autor introduz uma interrupção no ritmo da narrativa com advérbios e grupos adverbiais que neutralizam as afirmativas. À lentidão das tartarugas opõem-se os advérbios e as locuções adverbiais: rapidamente, súbito, imediatamente, um pouco.




  • O texto permite ainda o estudo dos numerais: lustro, novena, quinquénio, semestre.




  • Uma atividade a desenvolver como prolongamento pode ser a dramatização do texto. Rescrevendo-se os diálogos com a introdução do tempo pode-se encenar o texto. Por exemplo, logo de início: “Faz 28 anos que estamos sentadas aqui. Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia desta vida?

Outro recurso seria um aluno fazer o papel de narrador para introduzir a história. Cada tartaruga levantaria um cartaz onde se registariam os anos que já se passaram entre uma fala e outra. O narrador voltaria a participar para que não se perdesse a linha humorística do texto.




A

Vinte cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o piquenique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerantes, elas partiram. Quarenta anos depois chegaram a um local mais ou menos aconselhável para um piquenique.

- Ah – disse a tartaruguinha, oito anos depois -, excelente local este!



B

As outras tartarugas hesitaram um pouco mas, quinze anos depois, acharam que deviam esperar pela outra. E se passou mais um século nessa espera. Afinal, a tartaruga mais velha não pôde mesmo e disse:



  • Ora, vamos mesmo comer só uns docinhos enquanto ela não vem.


C


Discutiram e, ao fim de vinte anos, chegaram à conclusão que a tartaruga menor devia ir buscar o abridor de latas..

- Está bem – concordou a tartaruguinha três anos depois -, mas só vou vocês prometerem que não tocam em nada enquanto eu não voltar.

Dois anos depois as tartarugas concordaram imediatamente que não tocariam em nada, nem no pão nem nos doces. E a tartaruguinha partiu.




D

Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse:

- Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia desta vida?


  • - Formidável – disse a tartaruguinha mais nova doze anos depois – vamos fazer um piquenique?


E

Como um raio as tartarugas caíram sobre os doces seis meses depois. E justamente quando iam morder o doce ouviram um barulho no mato por detrás delas e a tartaruguinha mais jovem apareceu:



  • - Ah – murmurou ela -, eu sabia, eu sabia que vocês não cumpririam o prometido e por isso fiquei escondida atrás da árvore. Agora eu não vou mais buscar o abridor, pronto!

FIM (trinta anos depois)


F

Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira da estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1200 anos e uma tartaruga bem pequenina ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas mesmo.




G

Passaram-se cinquenta anos e a tartaruga não apareceu. As outras continuavam esperando. Mais dezassete anos e nada. Mais oito anos e nada ainda. Afinal, uma das tartarugas murmurou:

- Ela está demorando muito. Vamos comer alguma coisa enquanto ela não vem?

As outras não concordaram, rapidamente dois anos depois. E esperaram mais dezassete anos. Aí outra tartaruga disse:

- Já estou com muita fome. Vamos só comer um pedacinho de doce que ela nem notará.



H

Sete anos depois todas as tartarugas tinham concordado. Quinze anos se passaram e, rapidamente, elas tinham arrumado tudo para o convescote. Mas, súbito, três anos depois, elas perceberam que faltava o abridor de latas para as sardinhas.




O abridor de latas

Millôr Fernandes
Pela Primeira Vez no Brasil

um Conto Escrito

inteiramente

em Câmara Lenta

Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira da estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1200 anos e uma tartaruga bem pequenina ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas mesmo.

Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse:

- Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia desta vida?

- Formidável – disse a tartaruguinha mais nova doze anos depois – vamos fazer um piquenique?

Vinte cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o piquenique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerantes, elas partiram. Quarenta anos depois chegaram a um local mais ou menos aconselhável para um piquenique.

- Ah – disse a tartaruguinha, oito anos depois - , excelente local este!

Sete anos depois todas as tartarugas tinham concordado. Quinze anos se passaram e, rapidamente, elas tinham arrumado tudo para o convescote. Mas, súbito, três anos depois, elas perceberam que faltava o abridor de latas para as sardinhas.

Discutiram e, ao fim de vinte anos, chegaram à conclusão que a tartaruga menor devia ir buscar o abridor de latas..

- Está bem – concordou a tartaruguinha três anos depois -, mas só vou vocês prometerem que não tocam em nada enquanto eu não voltar.

Dois anos depois as tartarugas concordaram imediatamente que não tocariam em nada, nem no pão nem nos doces. E a tartaruguinha partiu.

Passaram-se cinquenta anos e a tartaruga não apareceu. As outras continuavam esperando. Mais dezassete anos e nada. Mais oito anos e nada ainda. Afinal, uma das tartarugas murmurou:

- Ela está demorando muito. Vamos comer alguma coisa enquanto ela não vem?

As outras não concordaram, rapidamente dois anos depois. E esperaram mais dezassete anos. Aí outra tartaruga disse:

- Já estou com muita fome. Vamos só comer um pedacinho de doce que ela nem notará.

As outras tartarugas hesitaram um pouco mas, quinze anos depois, acharam que deviam esperar pela outra. E se passou mais um século nessa espera. Afinal, a tartaruga mais velha não pôde mesmo e disse:

- Ora, vamos mesmo comer só uns docinhos enquanto ela não vem.

Como um raio as tartarugas caíram sobre os doces seis meses depois. E justamente quando iam morder o doce ouviram um barulho no mato por detrás delas e a tartaruguinha mais jovem apareceu:



- Ah – murmurou ela -, eu sabia, eu sabia que vocês não cumpririam o prometido e por isso fiquei escondida atrás da árvore. Agora eu não vou mais buscar o abridor, pronto!
FIM (trinta anos depois)

1 Associação de Professores de Português




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