Texto para a próxima questãO (Cesgranrio 91) cinzas da inquisiçÃO



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9 Um perigoso teorema, na verdade. Porque, em cima dele e da sua inconsistência, começamos a construir justamente aquele castelo que queríamos mais sólido e mais seguro.

Marina Colasanti. E por falar em amor (com adaptações).


20. Assinale a frase em que a classe gramatical da palavra ou expressão em destaque está correta.

a) "E O que a gente ouve não é:" (par.1) (pronome substantivo oblíquo).

b) "... sem que NADA (...) supere esse sentimento." (par.1) (advérbio de negação)

c) "Ele fala do HOJE, e nós entendemos o eterno." (par.1) (substantivo).

d) "enquanto minha emoção amorosa me preenche POR INTEIRO..." (par.1) (locução prepositiva).

e) "...para que o amor se complete física e efetivamente..." (par.7) (adjetivo)


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufsc 2002) Um Apólogo


1 Era uma vez uma agulha, QUE disse a um NOVELO DE LINHA:

2 - Por que está VOCÊ COM esse ar, toda CHEIA DE SI, toda enrolada, PARA fingir que vale alguma cousa neste MUNDO?

3 - Deixe-ME, senhora.

4 - Que a deixe? Que A deixe, POR quê? Porque LHE digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

5 - Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é AGULHA. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o AR que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

6 - Mas você é orgulhosa.

7 - Decerto que sou.

8 - Mas por quê?

9 - É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

10 - Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

11 - Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

12 - Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...

13 - Também os batedores vão adiante do imperador.

14 - Você é imperador?

15 - Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

16 Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana - para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

17 - Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

18 A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

19 Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

20 - Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

21 Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: - Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

22 Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: - Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


(ASSIS, Machado de. Contos. 18. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 89-90.)
Apólogo: Gênero que expressa uma verdade moral em forma de fábula. (N.E.)

Galgos = cães ágeis.

Diana: Era a deusa da caça entre os romanos. Armada de arco, Diana vivia nas matas protegendo a caça, acompanhada por seus cães. (N.E.)
21. O fragmento do texto, desde "Era uma vez ..." até "... deixe a dos outros." (par. 1 a 6), tem - destacadas - certas palavras que estão a seguir relacionadas em três colunas distintas. Observe:

Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S), de acordo com o enunciado acima.
01. Na coluna 1, existe em negrito uma palavra que não pertence à classe gramatical de pronome.
02. Na coluna 2, há uma palavra em negrito que não pertence à classe morfológica dos outros exemplos da relação dada.
04. Na coluna 3, a palavra CHEIA não faz parte da relação da classe gramatical dessa coluna, por ser um adjetivo.
08. Na coluna 2 e na 3, as palavras em negrito não pertencem à classe morfológica dos outros exemplos de cada uma dessas relações.
16. Na coluna 1 a palavra em negrito não pertence à classe morfológica dos outros exemplos dessa relação.
32. As palavras em negrito, nas três colunas, não são exemplos de classes gramaticais.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unirio 2003) Declaração


Devia começar, como o sabe de cor e salteado a maioria dos leitores, que é sem dúvida nenhuma muito entendida na matéria, por uma declaração em forma.

Mas em amor, assim como em tudo, a primeira saída é o mais difícil. Todas as vezes que esta idéia vinha à cabeça do pobre rapaz, passava-lhe uma nuvem escura por diante dos olhos e banhava-se-lhe o corpo em suor. Muitas semanas levou a compor, a estudar o que havia de dizer a Luizinha quando aparecesse o momento decisivo. Achava com facilidade milhares de idéias brilhantes: porém, mal tinha assentado em que diria isto ou aquilo, já isto ou aquilo lhe não parecia bom. Por várias vezes, tivera ocasião favorável para desempenhar a sua tarefa, pois estivera a sós com Luizinha; porém, nessas ocasiões, nada havia que pudesse vencer um tremor nas pernas que se apoderava dele, e que não lhe permitia levantar-se do lugar onde estava, e um engasgo que lhe sobrevinha, e que o impedia de articular uma só palavra. Enfim, depois de muitas lutas consigo mesmo para vencer o acanhamento, tomou um dia a resolução de acabar com o medo, dizer-lhe a primeira coisa que lhe viesse à boca.

Luizinha estava no vão de uma janela a espiar para a rua pela rótula: Leonardo aproximou-se tremendo, pé ante pé, parou e ficou imóvel como uma estátua atrás dela que, entretida para fora, de nada tinha dado fé. Esteve assim por longo tempo calculando se devia falar em pé ou se devia ajoelhar-se. Depois fez um movimento como se quisesse tocar no ombro de Luizinha, mas retirou depressa a mão. Pareceu-lhe que por aí não ia bem; quis antes puxar-lhe pelo vestido, e ia já levantando a mão quando também se arrependeu. Durante todos esses movimentos o pobre rapaz suava a não poder mais. Enfim, um incidente veio tirá-lo da dificuldade.

Ouvindo passos no corredor, entendeu que alguém se aproximava, e tomado de terror por se ver apanhado naquela posição, deu repentinamente dois passos para trás, e soltou um - ah! - muito engasgado. Luizinha, voltando-se, deu com ele diante de si, e recuando espremeu-se de costas contra a rótula: veio-lhe também outro - ah! - porém não lhe passou da garganta e conseguiu apenas fazer uma careta.

A bulha dos passos cessou sem que ninguém chegasse à sala; os dois levaram algum tempo naquela mesma posição, até que Leonardo, por um supremo esforço, rompeu o silêncio, e com voz trêmula e em tom o mais sem graça que se possa imaginar perguntou desenxabidamente:
- A senhora... sabe... uma coisa?

E riu-se com uma risada forçada, pálida e tola.

Luizinha não respondeu. Ele repetiu no mesmo tom:

- Então... a senhora... sabe ou... não sabe?

E tornou a rir-se do mesmo modo. Luizinha conservou-se muda.

- A senhora bem sabe... é porque não quer dizer...

Nada de resposta.

- Se a senhora não ficasse zangada... eu dizia...

Silêncio.

- Está bom... Eu digo sempre... mas a senhora fica ou não fica zangada?

Luizinha fez um gesto de quem estava impacientada.

- Pois então eu digo... a senhora não sabe... eu... eu lhe quero... muito bem...


Luizinha fez-se cor de uma cereja; e fazendo meia volta à direita, foi dando as costas ao Leonardo e caminhando pelo corredor. Era tempo, pois alguém se aproximava.

Leonardo viu-a ir-se, um pouco estupefato pela resposta que ela lhe dera, porém, não de todo descontente: seu olhar de amante percebera que o que se acabava de passar não tinha sido totalmente desagradável a Luizinha.

Quando ela desapareceu, soltou o rapaz um suspiro de desabafo e assentou-se, pois se achava tão fatigado como se tivesse acabado de lutar braço a braço com um gigante.

(Manuel Antônio de Almeida. "Memórias de um Sargento de Milícias".)


22. A opção em que o adjetivo determina o substantivo, mas, na verdade, qualifica o referente a que o substantivo está associado é:

a) "Achava com facilidade milhares de idéias brilhantes" (2Ž par.)

b) "... e com voz trêmula..." (5Ž par.)

c) "E riu-se com uma risada pálida e tola" (7Ž par.)

d) "Luizinha fez-se cor de uma cereja" (18Ž par.)

e) "Leonardo viu-a rir-se, um pouco estupefato" (19Ž par.)


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unifesp 2003) INSTRUÇÃO: As questão seguintes baseiam-se em fragmentos de três autores portugueses.


Auto da Lusitânia

(Gil Vicente - 1465?-1536?)

Estão em cena os personagens "Todo o Mundo" (um rico mercador) e "Ninguém" (um homem vestido como pobre). Além deles, participam da cena dois diabos, Berzebu e Dinato, que escutam os diálogos dos primeiros, comentando-os, e anotando-os.
Ninguém para Todo o Mundo: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande que tope co ela já.

Berzebu para Dinato: Outra adição nos acude:

Escreve aí, a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca virtude.

Ninguém para Todo o Mundo: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse em cada cousa que errasse.

Berzebu para Dinato: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Berzebu: Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado, e Ninguém ser repreendido.

Ninguém para Todo o Mundo: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida e quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.

Berzebu para Dinato: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Berzebu: Muito garrida: Todo o Mundo busca a vida, e Ninguém conhece a morte.

(Antologia do Teatro de Gil Vicente)

Os Maias

(Eça de Queirós - 1845-1900)


- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão...

Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim...

- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dentro, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de se ser insensato ou sem sabor...

- Resumo: não vale a pena viver...

- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega.

Riram ambos. Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranqüilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades.

Ega, em suma, concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de vida, era da inutilidade de todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na Terra - porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do Eclesiastes, em desilusão e poeira.

(Eça de Queirós, "Os Maias")

Ode Triunfal

Álvaro de Campos

(heterônimo de Fernando Pessoa - 1888-1935)
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.


Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fora e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fora,

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!


Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -

Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes elétricas

Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinqüenta,

Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

(Fernando Pessoa, "Obra Poética")


23. Os fragmentos das obras "Auto da lusitânia", "Os Maias" e "Ode triunfal" realizam-se, no plano formal, como textos dramático, narrativo e de poesia lírica. Além de outras características, privilegiam, respectivamente,

a) a pessoa ou coisa de que se fala (3 pessoa gramatical); a pessoa com quem se fala (2 pessoa gramatical); a pessoa que fala (1 pessoa gramatical).

b) a pessoa que fala (1 pessoa gramatical); a pessoa com quem se fala (2 pessoa gramatical); a pessoa ou coisa de que se fala (3 pessoa gramatical).

c) a pessoa com quem se fala (2 pessoa gramatical); a pessoa ou coisa de que se fala (3 pessoa gramatical); a pessoa que fala (1 pessoa gramatical).

d) a pessoa com quem se fala (2 pessoa gramatical); a pessoa que fala (1 pessoa gramatical); a pessoa ou coisa de que se fala (3 pessoa gramatical).

e) a pessoa ou coisa de que se fala (3 pessoa gramatical); a pessoa com quem se fala (2 pessoa gramatical); a pessoa que fala (1 pessoa gramatical).


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Ufrs 96) Pais e adultos em geral são incompetentes para entender ¥o que vai pela cabeça das crianças; estas, por sua vez, são incapazes de detectar ¦o que se esconde sob os gestos e as frases dos mais velhos. Na zona cinzenta que reúne essas duas conhecidas limitações, reside o objeto de "Quarto de Menina", estréia literária da psicanalista carioca Livia Garcia Roza.

Luciana, oito anos, filha única de pais separados, é inteligente, sapeca, sem papas na língua e mora com o pai, intelectual, pacato, caladão, professor de filosofia. É ela a narradora do livro. Ao longo de 180 páginas, relata o seu cotidiano,§ que se ¢limita, aqui, ao próprio quarto, à biblioteca do pai, à sala e à casa da mãe. [...]

Apesar disso, não se trata de uma obra para crianças. A construção híbrida da narrativa descarta episódios mais banais ou preocupações que seriam em tese mais comuns às crianças, dando destaque para os £diálogos, seja entre Luciana e os pais, seja entre a garota e suas bonecas.

No primeiro caso, Luciana freqüentemente não entende certas insinuações dos pais, enquanto estes ficam perplexos diante de reações ou perguntas da filha. Já nas "conversas" com seus amigos de quarto, a narradora expõe seu estranhamento, desabafa, chora, faz planos e, ao mesmo tempo, revela indireta e inconscientemente a dificuldade de captar o significado dos eventos que ela mesma narra, significado que nós, ¤leitores presumivelmente maduros, enxergamos logo de cara.

Nessa capacidade de explicar ao mesmo tempo uma história e a não-compreensão dessa mesma história pelo seu próprio narrador, aí está um dos pontos mais interessantes de "Quarto de Menina". [...] (Ajzenberg B. A ABISSAL NORMALIDADE DO COTIDIANO, Folha de São Paulo, 15.10.95, p. 5-11)


24. As expressões a seguir poderiam substituir a expressão 'Apesar disso' (no início do terceiro parágrafo) sem causar alteração essencial no significado da frase, à exceção de:

a) Contudo

b) No entanto

c) Todavia

d) Portanto

e) Entretanto


25. Considere as seguintes propostas de substituições de expressões do texto.
I - Substituir a palavra 'o' (ref. 4) por 'aquilo'.

II - Substituir a expressão 'o que' (ref. 5) por 'o qual'.

III - Substituir a palavra 'que' (ref. 6) por 'o qual'.
Quais delas poderiam ser realizadas sem acarretar erro?

a) Apenas I

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e III

e) I, II e III


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufsc 2001) "Aqui estou de novo. Feliz por este momento. Eu estava muito nervoso no final do jogo. Foi aqui que eu apareci pela primeira vez, para ganhar o meu primeiro torneio em 97. Foi aqui que meus sonhos começaram a se tornar realidade. Não achei que pudesse voltar aqui e vencer," disse Guga com o microfone na mão. "Também gostaria de parabenizar o Norman. Nós dois merecíamos estar aqui hoje."

KUERTEN, Gustavo, no discurso após a vitória de Roland Garros, Paris, França, 11/06/2000.
26.

Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S):


01. Em - "A gente SÓ conhece bem as coisas ... e TAMBÉM gostaria de parabenizar o Norman" as palavras destacadas classificam-se, morfologicamente, como conjunção.

02. A forma verbal "Conhecerei", possui sujeito elíptico de primeira pessoa do singular.

04. Com a expressão "Feliz por este momento", o tenista catarinense está se referindo à felicidade de retornar ao Brasil.

08. Quanto ao processo de formação, as palavras MICROFONE, SONHOS, TORNEIO e NERVOSO são primitivas.

16. Há alguns verbos que possuem duas ou mais formas de Particípio, como GANHAR (ganhado, ganho), PRENDER (prendido, preso), EXPRIMIR (exprimido, expresso).

32. Na expressão "- Por favor... cativa-me!", o pronome átono está proclítico.

64. Em ambas as frases: "O campo de tênis é IMENSO" e "O campo de tênis IMENSO está lotado", o adjetivo IMENSO é um termo acessório.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unb 2000) A GAROTA-PROPAGANDA, COITADINHA!


1 Já passava das oito horas da manhã e a garota-propaganda dormia gostosamente sobre o seu colchão Vulcaspuma, macio e confortável, que não enruga nem encolhe, facilmente removível e lavável. Foi quando o relógio despertador começou a tilintar irritantemente. (Você nunca dará corda num Mido).

2 A pobrezinha, que tivera de agüentar a cantada de um patrocinador de programa (Agência Galo de Ouro - quem não anuncia se esconde) que prometera um cachê melhor, caso ela ficasse efetiva na programação, levantou-se ¢meio tonta. Fora dormir inda agorinha. Estremunhada, entrou no banheiro, colocou pasta de dentes na escova e pôs-se a escovar com força. Ah... que agradável sensação de bem-estar!

3 Depois do banho, abriu a cortina do boxe, que parece linho mas é linholene, e foi até a cozinha tomar um copo de leite. Tinha de estar pronta em seguida, para decorar páginas e páginas de texto que apanhara na véspera, no departamento comercial da televisão. Abriu a geladeira de 7 pés, toda impermeável, com muito mais espaço interior e que £você pode adquirir dando a sua velha de entrada (a sua velha geladeira, naturalmente). Dentro não havia leite: - Não faz mal - pensou. (Tudo que se faz com leite, com Pulvolaque se faz.)

4 O diabo é que também não tinha Pulvolaque. Procurou no armário uma lata daquele outro que se dissolve sem bater, mas também não achou. Tomou então um cafezinho mesmo e correu ao quarto para se vestir e arrumar o cômodo o mais depressa possível. Iria à cidade apanhar os textos de uma outra agência que precisavam ser decorados até as três; além disso, tinha de almoçar com um diretor de TV, a quem fingia aceitar a corte para poder ser escalada nos programas.

5 Arrumou as coisas assim na base do mais ou menos. Fechou o sofá-cama, um lindo móvel que ocupa muito menos espaço em sua residência, e procurou o vestido verde que comprara no Credifácil, onde você adquire agora e só começa a pagar muito depois. O vestido não estava no armário. Lembrou-se então que o deixara na véspera dentro da pia, embebido na água com Rinso e o diabo é que o vestido, como ficou dito, era verde. Se fosse branco, depois ficaria explicado porque a roupa dela é muito mais branca do que a minha.

6 Eram onze e meia quando chegou à cidade, graças à carona que pegara. Saltou da camioneta com tração dianteira e muito mais resistente, fez todas as coisas que precisava fazer em uma velocidade espantosa e entregou-se ao suplício de almoçar com o diretor de TV.

7 Ali estão os dois escolhendo o menu. Ele pediu massa e perguntou se ela também queria (Aimoré você conhece - pensou ela), mas preferiu outra coisa. Garota-propaganda não pode engordar. Comeu rapidamente e aceitou o copo de leite que o garçom sugeriu. Afinal, não o tomara pela manhã. Foi botar na boca e ver logo que era leite em pó, em pó, em pó ...

8 Às três horas o programa das donas-de-casa. Às quatro, o teleteste que distribui brindes para você. De 5 às 8, decorar outros textos, de 8 e meia às 10, tome de sorriso na frente da câmara, a jurar que a liquidação anunciada era uma ma-ra-vi-lha. Aceite o meu conselho e vá verificar pessoalmente. Mas note bem. É só até o dia 30.

9 Quase meia-noite e ela tendo de dançar com "seu" Pereira, do "Espetáculo Biscoiteste". Um velho chato, mas muito bonzinho. O diabo era aquele perfume que saía do cangote do seu par. Um perfume inebriante, que deixa saudade.

10 Já eram quase três da matina, quando ela voltou para o seu apartamento com sala, quarto, banheiro, boxe, copa, quitinete e área interna, tudo conjugado, que comprara dando apenas trinta por cento na entrada e começando a pagar as prestações na entrega das chaves. Finalmente, vai poder dormir um pouquinho.

11 E, aos pés do sofá-cama, faz a oração da noite: "Padre Nosso, que estais nos Céu, muito obrigada pela atenção dispensada e até amanhã, quando voltaremos com novas atrações. Boa Noite."

(Stanislaw Ponte Preta. In: "Primo Altamirando e elas". Rio de Janeiro: 1962 (com adaptações))




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