Texto para a próxima questãO (Cesgranrio 91) cinzas da inquisiçÃO



Baixar 0.61 Mb.
Página7/11
Encontro29.07.2016
Tamanho0.61 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11

(João Ubaldo Ribeiro, "O Verbo 'For'". O Estado de São Paulo, 13/setembro/98)
69. Assinale a alternativa correta:

a) Há um erro intencional de gramática na seguinte frase "Havia provas escritas e orais", pois, quando significa "existir", o verbo "haver" deve concordar com seu sujeito, cujo núcleo é, no presente caso, "provas".

b) Na frase "TINHA só quatro matérias", a palavra em maiúsculo tem o mesmo significado que em: "Eu TINHA fama de professor carrasco".

c) O autor invoca o "sentido antigo" do adjetivo "chocante" (aquele ou aquilo que choca, ofende), porque este se opõe a um sentido moderno (muitíssimo bom), presente na linguagem coloquial dos jovens.

d) A frase "a gente tinha de se virar por fora" faz recurso ao registro coloquial da linguagem e, se fosse transposta para a norma culta do idioma, seria "a gente virar-se-ia por fora".

e) Na frase "sendo que ESTA não constava dos currículos", o pronome destacado tem como antecedente o substantivo "matéria" com o qual concorda em gênero e número.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fatec 2000) Texto I


(...) Ia chover. Bem. A catinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a solidão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chiqueiro das cabras, Sinhá Vitória vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda verde.

Lembrou-se dos filhos, da mulher, e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia, ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra (...) Chegou. Pôs a cuia no chão, escorou-a com pedras, matou a sede da família. Em seguida acocorou-se, remexeu o aió, tirou o fuzil, acendeu as raízes de macambira, soprou-as, inchando as bochechas cavadas. Uma labareda tremeu, elevou-se, tingiu-lhe o rosto queimado, a barba ruiva, os olhos azuis. Minutos depois o preá torcia-se e chiava no espeto de alecrim.

Eram todos felizes, Sinhá Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. (...) A fazenda renasceria - e ele, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria dono daquele mundo.

Os troços minguados ajuntavam-se no chão; a espingarda de pederneira, o aió, a cuia de água e o baú de folha pintada. A fogueira estalava. O preá chiava em cima das brasas.

Uma ressurreição. As cores da saúde voltariam à cara triste de Sinhá Vitória.. (...) A catinga ficaria verde.

(Graciliano Ramos , "Vidas Secas")

Texto II Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive


E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

- Lá sou amigo do rei -

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

(Manuel Bandeira "Libertinagem")
70. "E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito"


Contrariando o emprego tradicional, a palavra "mas" não assume, no contexto acima, o papel de criar contraste ou oposição entre os enunciados que liga; antes, cria um vínculo de sentido de intensificação entre eles.
Assinale a alternativa em que se repete esse emprego de ''mas''.
a) Se você gosta, mas gosta mesmo de comer, então você tem de conhecer Digeplus. (Texto de anúncio publicitário)
b) Na mesa do escritório (...) a cadeira onde sentava era injustamente mais alta do que as duas poltronas (...) reservadas aos seus interlocutores. Falava de cima, mas sabia ser suave, educado e divertidamente inteligente. (ISTOÉ)
c) Nos próximos anos ele vai torcer o pé no futebol, machucar o joelho no pega-pega, vai cair de bicicleta, da árvore... Mas tudo bem, ele já é associado Transmontano. (Texto de anúncio publicitário)
d) Então Macunaíma foi pescar porque agora não tinha mais ninguém que pescasse pra ele não. Mas cada peixe que tirava do anzol e jogava no paneiro, a sombra pulava do ombro, engolia o peixe e voltava pro poleiro outra vez. (Mário de Andrade)
e) Chegou a pegar o punhal que o índio lhe dera, mas compreendeu logo que não teria coragem de meter aquela lâmina no peito e muito menos na barriga, onde estava a criança. (Érico Veríssimo)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fei 99) "O desenvolvimento científico e tecnológico, ¢embora traga inegáveis benefícios (pensemos nos avanços da medicina e dos meios de comunicação, nas facilidades proporcionadas pelos modernos meios de transporte e pelos inúmeros aparelhos eletrodomésticos que fazem parte de nosso cotidiano), criou também novos e graves problemas. Chaplin denunciou a desumanização do trabalho no filme "Tempos Modernos"; alguns anos depois, a humanidade assistia atônita ao holocausto nuclear em Hiroshima e Nagasaki. Descobriu-se que a ciência nem sempre é benéfica ao homem: tudo depende de como ela é usada.

Pode-se dizer que o avanço científico e tecnológico propõe hoje três grandes desafios para o século XXI: antes de mais nada, a degradação do meio ambiente demonstra a necessidade de pesquisar novas formas de produção, de transporte e de geração de energia não agressivas à natureza. Em segundo lugar, temos de encontrar alternativas ao avanço da mecanização industrial, que representa uma ameaça ao emprego de trabalhadores no mundo inteiro. Por fim, as recentes descobertas no campo da engenharia genética levantam sérias questões de ordem moral: as experiências com genes humanos não nos levariam a repetir em maior escala as atrocidades cometidas durante a 2 Grande Guerra nos laboratórios de Hitler? É impossível esquecer as profecias de Aldous Huxley em seu "Admirável Mundo Novo".

O século XX criou as bombas atômicas e os computadores; esperemos que no próximo aprendamos a utilizar a tecnologia para o bem-estar e a paz entre os homens".

(Carlo Roberto)
71. A conjunção "embora" (ref. 1) poderia ser substituída por:

a) mas


b) talvez

c) todavia

d) sem que

e) ainda que


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Cesgranrio 92) O NOVO PLANETA DOS HOMENS


1 Uma recente pesquisa americana, concluída em 1985, busca apreender as reações e os sentimentos dos homens após vinte anos de emancipação feminina, para daí projetar a provável tendência futura da vida entre os sexos. O livro COMO OS HOMENS SE SENTEM, do jornalista Anthony Astrachan, aposta numa "revolução masculina irreversíveis, que teria se iniciado na década de 70, impulsionada por dez anos de avanço feminino. O autor faz uma minuciosa análise das conseqüências, para o homem, da entrada da mulher nos vários setores da sociedade: indústria, serviços, exército, mundo empresarial e profissões liberais. Ele conclui que a revolução feminina efetivamente gerou reformulações profundas nos papéis sociais e na identidade masculina, às custas de um alto preço efetivo e emocional.

2 Às reações negativas dos homens, desencadeadas pelas transformações no equilíbrio de poder entre os sexos, Astrachan oferece uma curiosa explicação: "É possível que os homens tenham reivindicado a liderança há muito tempo, e a tenham mantido através dos tempos para compensar a sua incapacidade de gerar filhos." Mas, observa o autor, ao mesmo tempo que o homem luta para não abandonar a fantasia do poder, continuando a lidar com a mulher emancipada a partir de antigos e conhecidos padrões, ao colocá-la no lugar de mãe, amante, esposa ou irmã e negar-lhe a competência profissional, tem aumentado o número de homens que incorporaram outras atitudes. O fenômeno apontaria para um homem realmente novo, capaz de usufruir e contribuir para uma síntese positiva entre os sexos.

3 Não tão otimista, a escritora e filósofa Elisabeth Badinter 90 não vê ainda configurado um "novo homem". Para o homem, abordar o terreno feminino é "desvirilizante", ao passo que a mulher se valorizou ao adentrar o mundo masculino. Sem dúvida, segundo ela, a evolução maior depende da recolocação dos homens, mas esse projeto "é ainda um fenômeno muito marginal e se dá apenas numa minoria sofisticada".

4 Para a realidade brasileira, essas questões assumem diferentes contornos, matizadas por uma crise que, no limite, torna perigosas as prospecções. Poucos são os que se arriscam: "O homem está sendo obrigado a se adaptar à crise permanente com uma revolução permanente", diz o escritor Sérgio Sant'Anna. Ele vê, ainda, mudanças na família e nas relações do homem com a paternidade, mas sente que, no momento, "as pessoas estão muito inseguras, desprotegidas e tendem a voltar a padrões conservadores". Mas adverte: "Essa não é uma transformação que se dê ao nível ideológico e intelectual; os que a fizeram se deram mal. Ela supõe crises emocionais profundas."

5 A feminista Rose Marie Muraro, embora admita um retrocesso violento aos comportamentos machistas e convencionais na década de 80, prevê a vitória inconteste dos comportamentos libertários. Quanto à luta feminista, ela reconhece que os homens tiveram pouco tempo para incorporar as transformações da década de 70. Acreditando que a definição virá na próxima década, Rose finaliza: "Hoje a mulher não é mais a imagem do desejo alheio, (...) mas é sujeito de seu próprio desejo." Mas tudo isso não esconde uma mágoa: "(...) Tive um câncer e uma úlcera ao viver o mundo masculino, sendo mulher no setor público. Tive de me masculinizar, pois lá quem não mata, morre."

6 Sem rancores, mas não menos inquieta, a psicanalista Suely Rolnik assume toda sua crença na potência criativa do desejo humano: "O que eu vejo hoje é uma aliança entre homem e mulher. É uma história nascente de cumplicidade entre o homem e a mulher."

(Yudith Rosenbaum, Revista LEIA, nŽ 128, 1989, p. 36-38, com adaptações.)
72. Assinale a opção em que se identifica CORRETAMENTE a classe gramatical das palavras destacadas nos trechos a seguir:

a) "projetar a PROVÁVEL tendência futura da VIDA entre os sexos"

Substantivos, sendo que o segundo faz parte de uma locução adjetiva.

b) "que teria se iniciado na DÉCADA de 70, impulsionada por dez ANOS de avanço feminino"

Advérbios, expressando noção de tempo.

c) "homens QUE incorporaram OUTRAS atitudes"

Pronomes, sendo o primeiro classificado como relativo e o segundo como indefinido.

d) "ela reconhece QUE os homens tiveram pouco tempo PARA incorporar as transformações"

Conjunções, estabelecendo ligação entre as orações.

e) "SEM rancores, MAS não menos inquieta"

Preposições, subordinando um elemento da frase a um outro elemento anterior.
73. Em qual das opções há uma análise ERRADA quanto à variação nominal de gênero ou de número?
a) homem - mulher

Substantivos que indicam oposição semântica de sexo através de vocábulos distintos.


b) jornalista - amante

Substantivos com uma só forma para os dois gêneros.


c) o rapaz ALEMÃO - a moça ALEMÃ

Adjetivos cujo plural apresenta grafia e pronúncia iguais.


d) muito frio - friíssimo

Formas do superlativo absoluto: o analítico e o sintético.


e) vice-diretor - beija-flor

Compostos cuja flexão de plural só ocorre no segundo elemento.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fuvest 90) Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as idéias não vêm, ou vêm muito numerosas - e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel.

Emoções indefiníveis me agitam - inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, e esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.

Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.

Lá fora os sapos arengavam, o vento gemia, as árvores do pomar tornavam-se massas negras.

- Casimiro!

Casimiro Lopes estava no jardim, acocorado ao pé da janela, vigiando.

- Casimiro!

A figura de Casimiro Lopes aparece à janela, os sapos gritam, o vento sacode as árvores, apenas visíveis na treva. Maria das Dores entra e vai abrir o comutador. Detenho-a: não quero luz.

O tique-taque do relógio diminui, os grilos começam a cantar. E Madalena surge no lado de lá da mesa. Digo baixinho:

- Madalena!

A voz dela me chega aos ouvidos. Não, não é aos ouvidos. Também já não a vejo com os olhos.

Estou encostado na mesa, as mãos cruzadas. Os objetos fundiram-se, e não enxergo sequer a toalha branca.

- Madalena...

A voz de Madalena continua a acariciar-me. Que diz ela? Pede-me naturalmente que mande algum dinheiro a mestre Caetano. Isto me irrita, mas a irritação é diferente das outras, é uma irritação antiga, que me deixa inteiramente calmo. Loucura estar uma pessoa ao mesmo tempo zangada e tranqüila. Mas estou assim. Irritado contra quem? Contra mestre Caetano. Não obstante ele ter morrido, acho bom que vá trabalhar. Mandrião!

A toalha reaparece, mas não sei se é esta toalha que tenho sobre as mãos cruzadas ou a que estava aqui há cinco anos.

Rumor do vento, dos sapos, dos grilos. A porta do escritório abre-se de manso, os passos de seu Ribeiro afastam-se. Uma coruja pia na torre da igreja. Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que piava há dois anos? Talvez seja até o mesmo pio daquele tempo.

Agora seu Ribeiro esta conversando com D. Glória no salão. Esqueço que eles me deixaram e que esta casa está quase deserta.

- Casimiro!

Penso que chamei Casimiro Lopes. A cabeça dele, com o chapéu de couro de sertanejo, assoma de quando em quando à janela, mas ignoro se a visão que me dá é atual ou remota.

Agitam-se em mim sentimentos inconciliáveis: encolerizo-me e enterneço-me; bato na mesa e tenho vontade de chorar.

Aparentemente estou sossegado: as mãos continuam cruzadas sobre a toalha e os dedos parecem de pedra. Entretanto ameaço Madalena com o punho. Esquisito.

Distingo no ramerrão da fazenda as mais insignificantes minudências. Maria das Dores, na cozinha, dá lição ao papagaio. Tubarão rosna acolá no jardim. O gado muge no estábulo.

O salão fica longe: para irmos lá temos de atravessar um corredor comprido. Apesar disso a palestra de seu Ribeiro e D. Glória é bastante clara. A dificuldade seria reproduzir o que eles dizem. É preciso admitir que estão conversando sem palavras.

Padilha assobia no alpendre. Onde andará Padilha?

Se eu convencesse Madalena de que ela não tem razão... Se lhe explicasse que é necessário vivermos em paz... Não me entende. Não nos entendemos. O que vai acontecer será muito diferente do que esperamos. Absurdo.

Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.

Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me.
(Ramos, Graciliano, SÃO BERNARDO, Rio de Janeiro, Record, 1989)
74. Conheci que (1) Madalena era boa em demasia...

A culpa foi desta vida agreste que (2) me deu uma alma agreste.

Procuro recordar o que (3) dizíamos.

Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que (4) piava há dois anos?

Esqueço que (5) eles me deixaram e que (6) esta casa está quase deserta.
Nas frases acima o "que" aparece seis vezes; em três delas é pronome relativo. Quais?

a) 1, 2 e 4.

b) 2, 4 e 6.

c) 3, 4 e 5.

d) 2, 3 e 4.

e) 2, 3 e 5.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrs 98) "O futebol é muito maior do que a criação artística"


1 Por que cargas d'água o futebol não tem na literatura brasileira a correspondência de sua verdadeira dimensão na nossa sociedade? Na verdade, pode-se ... (I) ... essa questão ¨para todas as demais manifestações artísticas - música, cinema, teatro e artes plásticas. De ...(II)... muito, o futebol £se infiltrou de tal forma no ¤tecido social brasileiro que está presente no nosso dia-a-dia de maneira sufocante. Respirarmos futebol e falamos de futebol, quer gostemos ou não de futebol. Ele já faz parte da própria natureza do brasileiro. Mas isso não está devidamente expresso na poesia ou na prosa, nem impresso nas obras espalhadas pelas galerias de arte, tampouco projetado nas telas de cinema, representado devidamente nos palcos ou ¥capturado em seu rico gestual pelas coreografias de balé.

2 Talvez a resposta esteja com o professor, ensaísta, poeta, escritor e gênio em geral, Décio Pignatari, que, ©a propósito, me disse certa vez: "É que o futebol é muito maior do que a criação artística".

3 O que o mestre queria dizer, se ¦entendi, é que o futebol incorpora a graça do balé, a dinâmica do cinema, a expressão do ser e dos movimentos das artes plásticas; ele cria os mais inverossímeis personagens, tece as tramas mais insólitas que a ficção possa conceber e nos §derrama um belo verso, ªao menos, ... (III) ... cada partida. Assim, criou sua própria semântica, uma linguagem que dispensa as demais.

(Adaptado de: HELENA JR., Alberto. O FUTEBOL É MUITO MAIOR DO QUE A CRIAÇÃO ARTÍSTICA. "Folha de São Paulo", 03 de setembro, 1997, p. 12, 3° caderno.)


75. Considere as seguintes possibilidades de substituição de preposições do texto.
I - A preposição "para" poderia ser substituída por "a" (ref.7).

II - A preposição "a" poderia ser substituída por "de" (ref.8).

III - A preposição "a", na combinação "ao" (ref.9), poderia ser substituída por "por", gerando-se, assim, uma nova combinação.
Quais delas mantêm o significado original das expressões que as contêm?

a) Apenas I

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e II

e) Apenas I e III


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufc 2003) Os moradores do casarão

(...)

1 Consultando o relógio de parede, que bate as horas num gemer de ferros, ela chama uma das pretas, para que lhe traga a chaleira com água quente. Toma banho dentro da bacia no quarto, cujos tacos já estão podres. Demora-se sentada no banco de madeira com medo da corrente de ar, os cabelos soltos e os ombros protegidos pela toalha.



2 A única amiga que a visita diz que a vida dela dá um romance. O casarão. A posição social de outrora. A educação dela: o piano, a aula particular de francês, o curso de pintura com irmã Honorine. Tudo se foi acabando. Os mortos são retratos no alto das paredes. Galeria de retratos, o do pai, imponente, o cabelo partido ao meio, certa ironia nos olhos, ao tempo em que foi secretário de estado e diretor do grande hospital. Foi por esse tempo que ela se casou com o bacharel recente. As tias fizeram oposição forte. Aquelas tias magras, de nervuras nos pescoços, as blusas de colarinho de renda, os bandós. A mais renitente delas era tia Matilda. A sobrinha merecia coisa melhor, homem já projetado na vida, com carreira feita, que a família era nobre, quisessem ou não: vinha de boa cepa portuguesa, com barão na origem. O moço era filho de comerciante, com pequena loja de tecidos:

3 - E um menino! Em começo de vida.

4 Mas casaram. Foi decidido que ficassem no casarão, que dava para todos, e ninguém queria separar-se de Violeta, que tinha muitas mães, todas mandando nela. Violeta, governada, sem vontade própria, como se ainda fosse menina, ouvindo uma e outra:

5 - Estou bem com este vestido?

6 A nervura das tias:

7 - Horrível! Ponha o de organdi.

8 Ela voltava ao grande quarto, de forro alto, e mudava a roupa na frente do marido, marginalizado e em silêncio. Concessão maior só do pai, que era meio boêmio, apreciava uma roda de cerveja e de pôquer. O pai soltava gargalhada na cadeira de balanço e garantia ao genro que aquelas velhas, e a própria mulher dele, eram doidas.

9 A pressão. O ¢reparo para qualquer deslize tolo ou gafe:

10 - Filho de comerciante.

11 E Violeta, que nunca teve filhos, engordava, lambia os dedos e os beiços untados de manteiga. Muita banha, preguiça de sair de casa, uma ou outra nota no piano de cauda, com o jarro de flores, onde as moscas dormiam e cagavam.

12 Veio o desquite. O marido mudou-se para São Paulo. Fez carreira brilhante, é advogado de prestígio e, faz muito tempo, vive com a outra. Mas fixou pensão para a mulher e escrevia-lhe, talvez por pena dela: a gordura disforme. Foram cartas que raramente recebeu, e uma ou outra que ela própria tivesse escrito, tia Matilda, a renitente, tomava do jardineiro, lia e rasgava.

13 Quando essa tia morreu, porque afinal todos morreram, Violeta encontrou no quarto dela dentro da gaveta da cômoda, lá no fundo, algumas dessas cartas do marido, amarradas com o fitilho. Trancou-se, leu-as à luz do abajur e chorou.

14 O casarão, com a torre, é ninho de morcegos, que voejam na tarde. Tudo é silêncio. O gradil do muro, enferrujado. Secou a fonte, onde o vento rodopia folhas mortas. De resistente apenas a hera, que sobe pelas velhas paredes, uma ou outra vez aguada por Seu Vicente, jardineiro, ou pela preta mais nova, também cria da família.

15 A única amiga que a visita volta a assegurar que a vida dela dá um romance.

16 - Acho que sim.

17 E Violeta se levanta, pesada, envolvida no cachecol, para fechar a janela por onde vem a corrente de ar e já se aproxima a noite.

(MOREIRA CAMPOS, José Maria. "Dizem que os cães vêem coisas". Fortaleza: Edições UFC, 1987)
76. Marque a alternativa que preenche corretamente todas as lacunas numeradas.

a) (1) substantivo (2) derivação sufixal (3) adjetivo (4) derivação sufixal

b) (1) adjetivo (2) derivação parassintética (3) adjetivo (4) composição

c) (1) adjetivo (2) derivação sufixal (3) advérbio (4) composição

d) (1) substantivo (2) derivação parassintética (3) adjetivo (4) derivação sufixal

e) (1) substantivo (2) derivação parassintética (3) advérbio (4) composição
77. (Unitau 95) Em "A crença de que ESSES dois objetivos podem existir paralelamente é, devido ao estágio primitivo de nosso conhecimento científico, uma questão de fé", o autor empregou a palavra em destaque porque




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal