Texto para a próxima questãO (Cesgranrio 91) cinzas da inquisiçÃO



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TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Cesgranrio 91) CINZAS DA INQUISIÇÃO

1 Até agora fingíamos que a Inquisição era um episódio da história européia, que tendo durado do século XII ao século XIX, nada tinha a ver com o Brasil. No máximo. se prestássemos muita atenção, íamos ouvir falar de um certo Antônio José - o Judeu, um português de origem brasileira, que foi queimado porque andou escrevendo umas peças de teatro.

2 Mas não dá mais para escamotear. Acabou de se realizar um congresso que começou em Lisboa, continuou em São Paulo e Rio, reavaliando a Inquisição. O ideal seria que esse congresso tivesse se desdobrado por todas as capitais do país, por todas as cidades, que tivesse merecido mais atenção da televisão e tivesse sacudido a consciência dos brasileiros do Oiapoque ao Chuí, mostrando àqueles que não podem ler jornais nem freqüentar as discussões universitárias o que foi um dos períodos mais tenebrosos da história do Ocidente. Mas mostrar isso, não por prazer sadomasoquista, e sim para reforçar os ideais de dignidade humana e melhorar a debilitada consciência histórica nacional.

.......................................................................................

3 Calar a história da Inquisição, como ainda querem alguns, em nada ajuda a história de instituições e países. Ao contrário, isto pode ser ainda um resquício inquisitorial. E no caso brasileiro essa reavaliação é inestimável, porque somos uma cultura que finge viver fora da história.

4 Por outro lado, estamos vivendo um momento privilegiado em termos de reconstrução da consciência histórica. Se neste ano (l987) foi possível passar a limpo a Inquisição, no ano que vem será necessário refazer a história do negro em nosso país, a propósito dos cem anos da libertação dos escravos. E no ano seguinte, 1989, deveríamos nos concentrar para rever a "república" decretada por Deodoro. Os próximos dois anos poderiam se converter em um intenso período de pesquisas, discussões e mapeamento de nossa silenciosa história. Universidades, fundações de pesquisa e os meios de comunicação deveriam se preparar para participar desse projeto arqueológico, convocando a todos: "Libertem de novo os escravos", "proclamem de novo a República".

5 Fazer história é fazer falar o passado e o presente criando ecos para o futuro.

6 História é o anti-silêncio. É o ruído emergente das lutas, angústias, sonhos, frustrações. Para o pesquisador, o silêncio da história oficial é um¢ silêncio ensurdecedor. Quando penetra nos arquivos da consciência nacional, os dados e os feitos berram, clamam, gritam, sangram pelas prateleiras. Engana-se, portanto, quem julga que os arquivos são lugares apenas de poeira e mofo. Ali está pulsando algo. Como num vulcão aparentemente adormecido, ali algo quer emergir. E emerge. Cedo ou tarde. Não se destrói totalmente qualquer documentação. Sempre vai sobrar um herege que não foi queimado, um judeu que escapou ao campo de concentração, um dissidente que sobreviveu aos trabalhos forçados na Sibéria. De nada adiantou aquele imperador chinês ter queimado todos os livros e ter decretado que a história começasse com ele.

7 A história recomeça com cada um de nós, apesar dos reis e das inquisições.

(Affonso R. de Sant'Anna. A RAIZ QUADRADA DO ABSURDO. Rio de Janeiro, Rocco, 1989, p. 196-198.)


1. Assinale a opção em que a indicação entre parênteses NÃO completa corretamente a lacuna da frase:

a) Os amigos .... procuraram para dar-lhe os parabéns. (a)

b) Seria conveniente que ele se referisse .... recomendações do chefe. (às)

c) Ele disse que .... anos vem escrevendo suas memórias. (há)

d) Ela nunca chegou .... gritar com o filho. (a)

e) Ele criou problemas todas .... vezes em que veio aqui. (às)


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufpe 96) "Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até a parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros.

Quando eles me clarearam, vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso, atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas."

("Dom Casmurro", Machado de Assis)


Na(s) questão (ões) adiante escreva nos parêntesses (V) se a afirmação for verdadeira ou (F) se for falsa.
2. Em "Quando eles me clarearam..." (Texto), a concordância verbal atende à norma padrão, o mesmo acontecendo em:

( ) O beijo, o suspiro, tudo se tornou motivo de enlevo para o par.

( ) Haverão sempre amuos entre enamorados.

( ) Encontra-se pares enamorados no salão de danças.

( ) O casal, no jardim de mansão, trocavam palavras cálidas e mimosas.

( ) Bastava um gesto, um ímpeto, para que ela me perdoasse.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Faap 97) AS POMBAS


Vai-se a primeira pomba despertada...

Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas

De pombas vão-se dos pombais, apenas

Raia sangüínea e fresca a madrugada


E à tarde, quando a rígida nortada

Sopra, aos pombais, de novo, elas, serenas

Ruflando as asas, sacudindo as penas,

Voltam todas em bando e em revoada...


Também dos corações onde abotoam,

Os sonhos, um por um, céleres voam

Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,

Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam

E eles aos corações não voltam mais...

(Raimundo Correia)


3. "E ELES aos corações não voltam mais". Eles é um pronome no lugar de:

a) corações

b) sonhos

c) pombas

d) pombais

e) asas
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Faap 96) OLHOS DE RESSACA
Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...

As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momentos houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.

(Machado de Assis)
4. "Momento houve em que..."
Com MOMENTO no plural poderíamos escrever corretamente assim:

a) momentos houveram

b) momentos houve

c) momentos existiu

d) momentos ia existir

e) momentos iam haver


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufal 2000) Língua para inglês ver


A incorporação da língua inglesa aos idiomas nativos dos mais diversos países não é novidade. Traduz, no âmbito da linguagem, uma hegemonia que os Estados Unidos consolidaram desde a década de 50. Com a globalização e o encurtamento das distâncias entre as nações obtido pelo avanço dos meios de comunicação, a contaminação das demais línguas pelo inglês ficou ainda mais patente.

O fenômeno não é em si mesmo nocivo. Pode até enriquecer um idioma ao permitir que se incorporem informações vindas de fora que ainda não têm correspondência local. A Internet é um exemplo nesse sentido.

Outra coisa, porém, bem diferente, é o uso gratuito de palavras em inglês como o que se verifica hoje no Brasil. A não ser pela vocação novidadeira - e caipira - de quem se deslumbra diante de qualquer coisa que o aproxima do "estrangeiro", não há nenhuma razão para que se diga "sale" no lugar de liquidação, ou qualquer motivo para falar "off" em vez de desconto. Tais anomalias são um dos sintomas do subdesenvolvimento e exprimem, no seu ridículo involuntário, a mentalidade de quem confunde modernidade com uma temporada em Miami.

Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma ortográfica para "germanizar" expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente.

Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade. No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra "entrega" em vez de "delivery".

(FOLHA DE S. PAULO - 20/10/97)


5. "Não há nenhuma razão para que se diga 'sale' no lugar de liquidação"
A reformulação da frase acima em que se substituiu corretamente NENHUMA por outro pronome indefinido e o verbo HAVER por EXISTIR é:

a) Não existem quaisquer razões.

b) Não existe quaisquer razões.

c) Não existem qualquer razões.

d) Não existe quaisquer razão.

e) Não existem razões alguma.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Cesgranrio 93) O POETA COME AMENDOIM - TEXTO I


Noites pesadas de cheiros e calores amontoados...

Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil

Andou marcando de moreno os brasileiros.
Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer...
A noite era pra descansar. As gargalhadas brancas dos mulatos...

Silêncio! O Imperador medita os seus versinhos.

Os Caramurus conspiram à sombra das mangueiras ovais.

Só o murmurejo dos cre'm-deus-padre irmanava os

[ homens de meu país...

Duma feita os canhamboras perceberam que não tinha

[mais escravos,

Por causa disso muita virgem-do-rosáriõ se perdeu...


Porém o desastre verdadeiro foi embonecar esta República temporã.

A gente inda não sabia se governar...

Progredir, progredimos um tiquinho

Que o progresso também é uma fatalidade...

Será o que Nosso Senhor quiser!...
Estou com desejos de desastres...

Com desejos do Amazonas e dos ventos muriçocas

Se encostando na canjerana dos batentes...

Tenho desejos de violas e solidões sem sentido...

Tenho desejos de gemer e de morrer...
Brasil...

Mastigado na gostosura quente do amendoim...

Falado numa língua curumim

De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...

Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...

Molham meus beiços que dão beijos alastrados

E depois semitoam sem malícia as rezas bem nascidas...
Brasil amado não porque seja minha pátria,

Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...

Brasil que eu amo porque é o ritmo no meu braço aventuroso,

O gosto dos meus descansos,

O balanço das minhas cantigas amores e danças.

Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,

Porque é o meu sentimento pachorrento,

Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

(Mário de Andrade. POESIAS COMPLETAS. S.P.: Martins, 1996. p. 109-110)

TEXTO II
A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou o conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

(Rui Barbosa. Texto reproduzido em ROSSIGNOLI, Walter. "Português: teoria e prática". 2. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 19)
6. "Noites pesadas de CHEIROS e CALORES amontoados..." (Texto I, verso 1). Aponte a opção em que, substituídos os substantivos em destaque, fica INCORRETA a concordância de amontoado:

a) nuvens e brisas amontoadas.

b) odores e brisas amontoadas.

c) nuvens e morros amontoados.

d) morros e nuvens amontoados.

e) brisas e odores amontoadas.


7. (Ufc 2001) Marque a alternativa que preenche corretamente todas as lacunas do quadro abaixo.

a) (1) com que; (2) estava receosa; (3) se animava.

b) (1) o qual; (2) não estava atenta; (3) se importava.

c) (1) de que; (2) começava a enxergar; (3) se deparava;

d) (1) que; (2) se mostrava interessada; (3) manifestava receio.

e) (1) ao qual; (2) começava a pressentir; (3) mostrava fascinação.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Ufc 2001) 1 Inquieta, olhou em torno. Os ramos se balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar, pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a se aperceber.

2 Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos.

3 Ao mesmo tempo que imaginário - era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega - era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante.

4 As árvores estavam carregadas, o mundo era tão rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia crianças e homens grandes com fome, a náusea subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida e abandonada. A moral do Jardim era outra. Agora que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros passos de um mundo faiscante, sombrio, onde vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A decomposição era profunda, perfumada... Mas todas as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por um enxame de insetos enviados pela vida mais fina do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana mais adivinhava que sentia o seu cheiro adocicado... O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.

5 Era quase noite agora e tudo parecia cheio, pesado, um esquilo voou na sombra. Sob os pés a terra estava fofa, Ana aspirava-a com delícia. Era fascinante, e ela sentia nojo.

(LISPECTOR, Clarice. "Laços de Família". Rio de Janeiro: Sabiá, 1973, p.24-25)
8. Marque V ou F, conforme seja verdadeira ou falsa a explicação para o feminino da forma em destaque na frase "Os troncos eram percorridos por parasitas FOLHUDAS, o abraço era macio, colado". (par.3)
( ) subentende-se o substantivo feminino plantas.

( ) parasita é um substantivo comum de dois gêneros.

( ) na frase anterior, há palavras femininas, "dálias e tulipas".
A seqüência correta se encontra na alternativa:

a) V - F - F

b) V - V - F

c) V - F - V

d) F - V - V

e) V - V - V


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufpe 2001) ABRASILEIRAMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL DOS PRIMEIROS TEMPOS


A AMA NEGRA fez muitas vezes com as palavras o mesmo que com a comida: machucou-as, tirou-lhes as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas moles. Daí esse português de menino que no Norte do Brasil, principalmente, é uma das falas mais doces deste mundo. Sem RR nem SS; as sílabas finais moles; palavras que só faltam desmanchar-se na boca da gente. A linguagem infantil brasileira, e mesmo a portuguesa, tem um sabor quase africano: cacá, pipi, bumbum, nenen, tatá, Iili (...)

Esse amolecimento se deu em grande parte pela ação da ama negra junto à criança; do escravo preto junto ao filho do senhor branco. E não só a língua infantil se abrandou desse jeito, mas a linguagem em geral, a fala séria, solene, da gente, toda ela sofreu no Brasil, ao contacto do senhor com o escravo, um amolecimento de resultados às vezes deliciosos para o ouvido. Efeitos semelhantes aos que sofreram o inglês e o francês noutras partes da América, sob a mesma influência do africano e do clima quente.

(Freyre, Gilberto. CASA-GRANDE & SENZALA, 9 ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 1958).
9. Assinale a alternativa em que a norma de concordância, verbal e nominal, foi inteiramente respeitada.

a) A rejeição à idéia de inferioridade ou de submissão leva boa parte das pessoas que se preocupam com a questão dos empréstimos lingüísticos a exigirem um posicionamento das autoridades.

b) Se, em um país, existe, realmente, fatores de diferenciação que interfere na língua, existe também elementos de unificação com o objetivo de preservá-la.

c) O interesse do Brasil, como o de Portugal, é de que hajam resistências naturais aos modismos e aos empréstimos linguísticos.

d) Aos termos regionais faltam força para atravessarem as fronteiras dos locais em que são empregados.

e) O número de termos regionais cresceram bastantes, mas, por não haverem sido bem aceitos, não se incorporaram à língua nacional.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufjf 2002) O fragmento de texto a seguir foi selecionado do capítulo "A forma do livro", da obra de MANGUEL, Alberto. "Uma história da leitura." SP: Companhia das Letras, 1977.


A FORMA DO LIVRO
Minhas mãos, escolhendo um livro que quero levar para a cama ou para a mesa de leitura, para o trem ou para dar de presente, examinam a forma tanto quanto o conteúdo. Dependendo da ocasião e do lugar que escolhi para ler, prefiro algo pequeno e cômodo, ou amplo e substancial. Os livros declaram-se por meio de seus títulos, seus autores, seus lugares num catálogo ou numa estante, pelas ilustrações em suas capas; declaram-se também pelo tamanho. Em diferentes momentos e em diferentes lugares, acontece de eu esperar que certos livros tenham determinada aparência, e, como ocorre com todas as formas, esses traços cambiantes fixam uma qualidade precisa para a definição do livro. Julgo um livro por sua capa; julgo um livro por sua forma.

Desde os primórdios, os leitores exigiram livros em formatos adaptados ao uso que pretendiam lhes dar. As tabuletas mesopotâmicas eram geralmente blocos de argila quadrados, às vezes oblongos, de cerca de 7,5 centímetros de largura; cabiam confortavelmente na mão. Um livro consistia de várias dessas tabuletas, mantidas talvez numa bolsa ou caixa de couro, de forma que o leitor pudesse pegar tabuleta após tabuleta numa ordem predeterminada. É possível que os mesopotâmicos também tivessem livros encadernados de modo parecido ao dos nossos volumes: monumentos funerários de pedra neo-hititas representam alguns objetos semelhantes a códices - talvez uma série de tabuletas presas umas às outras dentro de uma capa -, mas nenhum livro desses chegou até nós.

Nem todos os livros da Mesopotâmia destinavam-se a ser segurados na mão. Existem textos escritos em superfícies muito maiores, tais como o Código de Leis da Média Assíria, encontrado em Assur e datado do século XII a.C., que mede 6,2 metros quadrados e traz o texto em colunas de ambos os lados. Obviamente, esse "livro" não se destinava a ser carregado, mas erguido e consultado como obra de referência. Nesse caso, o tamanho devia ter também um significado hierárquico: uma tabuleta pequena poderia sugerir um negócio privado; um livro de leis nesse formato tão grande com certeza aumentava, aos olhos do leitor mesopotâmico, a autoridade das leis.
10. Leia novamente:
"Minhas mãos, escolhendo um livro que quero levar para a cama ou para a mesa de leitura, para o trem ou para dar de presente, EXAMINAM a forma ..." (1Ž parágrafo)
A forma verbal "examinam" está subordinada a "minhas mãos" por um princípio de:

a) regência verbal.

b) concordância nominal.

c) concordância em número e gênero.

d) colocação pronominal.

e) concordância em número e pessoa.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES.

(Uel 97) Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada.


11. As delegações .......... que .......... participar dos jogos chegarão amanhã.
a) latinas-americanas - vêem

b) latinas-americanas - vem

c) latino-americanas - vêm

d) latinos-americanas - vêm

e) latinos-americanas - vem
12. O almoxarifado estava bem .......... de peças para reposição, quando .......... aquela catástrofe.
a) provisto - sobreveio

b) provisto - sobreviu

c) provindo - sobreveio

d) provido - sobreviu

e) provido - sobreveio
13. Naquela prova só .......... questões muito .......... .
a) havia - difícil de resolver

b) havia - difícil de resolverem

c) havia - difíceis de resolver

d) haviam - difíceis de resolver

e) haviam - difícil de resolverem
14. É bom que se .......... os convites ainda hoje, embora .......... acrescentar alguns nomes à lista.
a) enviem - seja preciso

b) enviem - sejam precisos

c) enviem - sejam preciso

d) envie - seja preciso

e) envie - sejam precisos
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrs 2001) ¢Até algum tempo atrás, imaginava-se que um cérebro jovem, em sua plena vitalidade biológica, £fosse muito mais poderoso e criativo do que um outro já maduro e desgastado pela idade. A matemática fornecia o maior dos ¤argumentos para os defensores dessa teoria: quase todas as grandes equações matemáticas foram propostas ou decifradas por gente com menos de 30 anos. Albert Einstein tinha apenas 26 anos "quando apresentou sua Teoria Geral da Relatividade - a mais revolucionária de todas as elaborações matemáticas, que lhe valeu o Prêmio Nobel de Física, quinze anos ¦depois. O argumento é forte, porém ele se baseia numa idéia ultrapassada __1__ respeito da mente humana. As novas §descobedas estão mostrando que a inteligência não se limita__2__ capacidade de raciocínio lógico, necessária para propor ou resolver uma ¨complicada equação matemática. Os testes de Ql, um dos antigos parâmetros usados para medir a inteligência, já não servem ©mais para avaliar a capacidade cerebral de uma pessoa.

A inteligência é muito mais que ªisso. ¢¡É uma soma inacreditável de fatores, que inclui ¢¢até os emocionais. Uma pessoa excessivamente tímida ou muito agressiva terá problemas para conseguir um bom emprego, __3__ na profissão ou ter bom relacionamento familiar, por maior que seja seu Ql. O que os novos estudos estão mostrando ¢£no momeno é que ¢£um cérebro jovem ¢¤tende, sim, a ser mais ¢¥inovador e ¢¦revolucionário. Mas, como um bom vinho ou uma boa idéia, ¢§ele também ¢¨pode ¢©amadurecer e melhorar com o tempo. Basta ¢ªser estimulado.

(Adaptado de: GUARACY, Thales; RAMALHO, Cristina. "Veja",19 de agosto de 1998.)


15. Considere a hipótese de substituir um "cérebro jovem" (ref.12) por "cérebros jovens". Isso acarretaria algumas outras modificações. Nessa situação, seria INCORRETO substituir

a) tende (ref.13) por tendem.

b) inovador (ref.14) e revolucionário (ref.15) por inovadores e revolucionários.

c) ele (ref.16) e pode (ref.17) por eles e podem.

d) amadurecer e melhorar (ref.18) por amadurecerem e melhorarem.

e) ser estimulado (ref.19) por serem estimulados.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrn 2002) Palmada fora-da-lei


A maioria das pessoas encara com naturalidade o gesto de bater nos filhos, como se a violência física fosse um instrumento legítimo (e até necessário) para a educação das crianças. É um hábito ¢tão arraigado em nossa cultura £que não é raro ouvirmos o argumento de que "os filhos já não respeitam mais seu pais ¤porque não apanham". ¥Mas essa agressão não deveria ser vista com tanta naturalidade, ¦já que é uma violência proibida por lei em países como Finlândia, Suécia, Dinamarca, Chipre, Letônia, Áustria, Croácia e Noruega. E eles não são uma exceção. Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Itália, Irlanda, Escócia, Israel e Bulgária estão caminhando na mesma direção, criando leis para proibir os pais de bater em seus filhos.

No Brasil, antes da chegada dos portugueses, os índios não tinham o costume de castigar fisicamente as crianças. Diversos relatos de padres no início da colonização revelam que, entre os índios, nem pai nem mãe agrediam seus filhos. Foram os jesuítas e os capuchinhos que introduziram o castigo físico como forma de "disciplinar" as crianças no Brasil. Durante esses 500 anos, os menores sofreram surras aplicadas com os mais inóspitos instrumentos: varas de marmelo e de açaí, rabo de tatu, chicote, cintos, tamancos, chinelos, palmatórias e as próprias mãos paternas e maternas, cocres na cabeça, puxões de orelha, palmadas...




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