Texto para a próxima questãO (Cesgranrio 91) cinzas da inquisiçÃO



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Além da covardia que está presente no ato de bater em alguém mais fraco, a violência não é, definitivamente, um bom instrumento de disciplina. Ela perde o seu efeito a longo prazo e a criança, aos poucos, teme menos a agressão física. Com o tempo, a tendência dos pais é ainda bater mais, na busca dos efeitos que haviam conseguido anteriormente. O resultado desse aumento da violência pode trazer seqüelas físicas e psicológicas permanentes para as crianças. Os filhos também vão se afastando gradualmente de seus pais, pois a agressão física, em vez de fazer a criança pensar no que fez, desperta-lhe a raiva contra aquele que a agrediu.

Ao ser punida fisicamente, a criança tem a sua auto-estima comprometida - passa a se enxergar como alguém que não tem valor. Esse sentimento pode comprometer a imagem que faz de si pelo resto da vida, influenciando negativamente sua atitude durante a adolescência até a vida profissional. Como a criança pode se sentir tranqüila quando sua segurança depende de uma pessoa que facilmente perde o controle e a agride? Ela também passa a omitir dos pais os seus erros, com medo da punição, e sente-se como se tivesse pago por seu erro - e acredita que por isso pode cometê-lo novamente.

Enfim, não é preciso enumerar todos os problemas que são causados pela violência familiar. Bater nos filhos é um atestado de fracasso dos pais, uma prova de que perderam o controle da situação. Por mais inofensiva que possa parecer uma "pequena palmada", é importante saber que a força física empregada pelo adulto é necessariamente desproporcional. É verdade que os castigos imoderados e cruéis estão proibidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em 1990. Mas como definir claramente o que é castigo imoderado? Há vários casos de crianças que morreram depois de ter sido castigadas "cruelmente". Embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que rege os dois tipos de atitude é exatamente o mesmo: utilização da força e do poder.

Por trás da violência física está a idéia implícita de que os pais têm total direito sobre a vida e a integridade física da criança. A maioria dos adultos com que tenho contato foram educados com surras e palmadas e reproduzem esse modelo, pois acreditam que o tapa tem a capacidade de modificar comportamentos. A meu ver, a proibição por lei de qualquer castigo físico eliminaria a violência familiar e ajudaria a formar pessoas melhores. A lei não precisa ter caráter punitivo (os pais não deveriam ser presos depois de uma palmada, a história mostra que não se deve tratar violência com violência). Mas eles deveriam ser advertidos caso fossem reincidentes, podendo até perder a posse da criança. Seriam obrigados a participar de um programa de educação, semelhante aos que já existem na legislação de trânsito. Estamos conscientes de que a lei, sozinha, não seria suficiente para impedir o comportamento violento dos pais. Somente um trabalho educativo poderia trazer a consciência de que o amor e o carinho são fundamentais para formarmos cidadãos capazes, seres humanos de verdade.

(PARANHOS, C. Palmada fora-da-lei. "Superinteressante", São Paulo, ano 15, n. 2, p. 90, fev. 2001.)
16. ... a agressão física, em vez de fazer a criança pensar no que fez, desperta-lhe a raiva contra aquele que a agrediu.
No trecho reproduzido acima, pluralizando-se a expressão A CRIANÇA, obtém-se, de acordo com a norma culta da língua escrita:

a) ... a agressão física, em vez de fazer as crianças PENSAREM no que FIZERAM, DESPERTAM-LHES a raiva contra aquele que AS AGREDIU.

b) ... a agressão física, em vez de fazer as crianças PENSAREM no que FIZERAM, DESPERTA-LHES a raiva contra aquele que AS AGREDIU.

c) ... a agressão física, em vez de fazer as crianças PENSAREM no que FIZERAM, DESPERTA-LHES a raiva contra aquele que AS AGREDIRAM.

d) ... a agressão física, em vez de fazer as crianças PENSAREM no que FIZERAM, DESPERTAM-LHES a raiva contra aquele que AS AGREDIRAM.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufv 99) Amor ao Saber

1 Que me dêem uma boa razão para que os jovens se apaixonem pela Ciência. Para isto seria necessário que os cientistas fossem também contadores de estórias, inventores de mitos, presenças mágicas em torno das quais se ajuntassem crianças e adolescentes, à semelhança do "flautista de Hamelin", feiticeiro que tocava sua flauta encantada e os meninos o seguiam...

2 Todo início contém um evento mágico, um encontro de amor, um deslumbramento no olhar... É aí que nascem as grandes paixões, a dedicação às causas, a disciplina que põe asas na imaginação e faz os corpos voarem. Olho para os nossos estudantes, e não me parece que seja este o seu caso. E eles me dizem que os mitos não puderam ser ouvidos. O ruído da guerra e o barulho das moedas era forte demais. Quanto à flauta, parece que estava desafinada. O mais provável é que o flautista se tivesse esquecido da melodia...

3 Não, não se espantem. Mitos e magia não são coisas de mundos defuntos. E os mais lúcidos sabem disto, porque não se esqueceram de sonhar. Em 1932, Freud escreveu uma carta a Einstein que fazia uma estranha pergunta/afirmação: "Não será verdade que toda Ciência contém, em seus fundamentos, uma mitologia?" Dirão os senhores que não pode ser assim. Que mitologia é coisa da fantasia, de falsa consciência, de cabeça desregulada. Já a Ciência é fala de gente séria, pés no chão, olhos nas coisas, imaginação escrava da observação...

4 Pode ser. Mas muita gente pensa diferente. Primeiro amar, depois conhecer. Conhecer para poder amar. Porque, se se ama, os olhos e os pensamentos envolvem o objeto, como se fossem mãos, para colhê-lo. Pensamento a serviço do corpo, Ciência como genitais do desejo, para penetrar no objeto, para se dar ao objeto, para experimentar união, para o gozo. Lembram-se de Nietzche? Pensamento, pequena razão, instrumento e brinquedo da grande razão, o corpo.

5 Sei que tais pensamentos são insólitos. E me perguntarão onde foi que os aprendi. Direi baixinho, por medo de anátema, que foi na leitura de minha Bíblia, coisa que ainda faço, hábitos de outrora. E naquele mundo estranho e de cabeça para baixo, como Pinóquio às avessas ou nas inversões do espelho das aventuras de Alice, conhecimento não é coisa de cabeça e nem de pensamento. É coisa do corpo inteiro, dos rins, do coração, dos genitais. E diz lá, numa candura que tomamos por eufemismo, que "Adão conheceu sua mulher. E ela concebeu e pariu um filho". Conhecimento é coisa erótica, que engravida. Mas é preciso que o desejo faça o corpo se mover para o amor. Caso contrário, permanecem os olhos, impotentes e inúteis... Para conhecer é preciso primeiro amar.

6 E é esta a pergunta que estou fazendo: que mágico, dentre nós, será capaz de conduzir o fogo do amor pela Ciência? Que estórias contamos para explicar a nossa dedicação? Que mitos celebramos que mostrem aos jovens o futuro que desejamos?

7 Ah! É isto. Parece que as utopias se foram. Ciência e cientistas já não sabem mais falar sobre esperanças. Só lhes resta mergulhar nos detalhes do projeto de pesquisa, financiamentos, organização - porque as visões que despertam o amor e os símbolos que fazem sonhar desapareceram no ar, como bolhas de sabão. Especialistas que conhecem cada vez mais, de cada vez menos têm medo de falar sobre mundos que só existem no desejo.

8 Claro que não foi sempre assim. Houve tempo em que o cientista era ser alado, imaginação selvagem, que explicava às crianças e aos jovens os gestos de suas mãos e os movimentos do seu pensamento, apontando para um novo mundo que se anunciava no horizonte. Terra sem males, a natureza a serviço dos homens, o fim da dor, a expansão da compreensão, o domínio da justiça. Claro, o saber iria tornar os homens mais tolerantes. Compreenderiam o absurdo da violência. Deixariam de lado o instrumento de tortura pela persuasão suave do ensino. Os campos ficariam mais gordos e perfumados. As máquinas libertariam os corpos para o brinquedo e o amor. E os exércitos progressivamente seriam desativados, porque mais vale o saber que o poder. As espadas seriam transformadas em arados e as lanças em podadeiras. Realização do sonho do profeta Isaías, de harmonia entre bichos, coisas e pessoas.

9 Interessante. Estes eram mitos que diziam de amor, harmonia, felicidade, estas coisas que fazem bem à vida e invocam sorrisos. Quem não se alistaria como sacerdote de tão bela esperança?

10 Foram-se os mitos do amor.

11 Restaram os mitos do poder.

12 As guerras entre os mundos, os holocaustos nucleares, os super-heróis de cara feia, punhos cerrados e poder imbatível. Ah! Quem poderia pensar num deles jogando bolinha de gude, ou soprando bolhas de sabão, ou fazendo amor? Certamente que bolas, bolhas e corpos se estraçalhariam ante o impacto do poder. Não é por acidente que isto aconteceu. É que a Ciência, de realizadora do desejo, se metamorfoseou em aliada da espada e do dinheiro. Os cientistas protestarão, é claro, lavando suas mãos de sangue ou de lucro. E com razão. Mas, este não é o problema. É que a Ciência é coisa cara demais e o desejo pobre demais. E, na vida real, as princesas caras não se casam com plebeus sem dinheiro. A Ciência mudou de lugar. E, com isto, mudaram-se também os mitos.

13 Que estórias contaremos para fazer nossas crianças e nossos jovens amar o futuro que a Ciência lhes oferece?

14 Falaremos sobre o fascínio das usinas nucleares?

15 Quem sabe os levaremos a visitar Cubatão. Protestarão de novo, dizendo que não é Ciência. Como não? Cubatão não será filha, ainda que bastarda, da Química, da Física, da Tecnologia, em seu casamento com a Política e a Economia?

16 Poderemos fazer um passeio de barco no Tietê. Sei que não foi intenção da Ciência, sei que não foi planejado pelos cientistas. Mas ele é um sinal, aperitivo, amostra, do mundo do futuro. De fato, o futuro será chocante. Só que não da forma como Toffler pensa.

17 Parece que só nos resta o recurso ao embuste e à mentira, dos mitos da Terceira Onda. Mas como levar a sério um mito sorridente que não chora ante a ameaça da guerra? "Se um cego guiar outro cego, cairão ambos na cova..."

18 Que me dêem uma boa razão para que os jovens se apaixonem pela Ciência. Sem isto, a parafernália educacional permanecerá flácida e impotente. Porque sem uma grande paixão não existe conhecimento.

(ALVES, Rubem. "Estórias de quem gosta de ensinar", o fim dos vestibulares. São Paulo: Ars Poética, 1995. p.95-99)
17. Seguindo as gramáticas tradicionais, diríamos ter havido um ERRO de concordância VERBO-NOMINAL em:

a) "É aí que nascem as grandes paixões, a dedicação às causas, a disciplina que põe asas na imaginação e faz os corpos voarem." (par.2)

b) "Porque, se se ama, os olhos e os pensamentos envolvem o objeto..." (par.4)

c) "O ruído da guerra e o barulho das moedas era forte demais." (par.2)

d) "Só lhes resta mergulhar nos detalhes do projeto de pesquisa, financiamentos, organização - porque as visões que despertam o amor e os símbolos que fazem sonhar desapareceram no ar, como bolhas de sabão." (par.7)

e) "Que estórias contaremos para fazer nossas crianças e nossos jovens amar o futuro que a Ciência lhes oferece?" (par.13)


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Unifesp 2003) INSTRUÇÃO: As questões seguintes estão relacionadas ao seguinte anúncio de jornal:


LOJA DE CALÇADOS FEMININO

Vende-se 3 lojas bem montadas

tradicionais, nos melhores Pontos

da Cidade. Ótima Oportunidade!

F: (__) xxx-xxxxxx
("O Estado de S.Paulo", 15.08.2002)
18. De acordo com as normas gramaticais, particularmente no que se refere às regras de concordância, o título deste anúncio deveria ser

a) LOJAS DE CALÇADOS FEMININO, porque, na seqüência, o texto fala em "3 lojas".

b) LOJAS DE CALÇADOS FEMININOS, porque, na seqüência, o texto fala em "3 lojas".

c) LOJA DE CALÇADOS FEMININOS, porque o título não especifica as outras duas lojas "bem montadas" de calçados, implicitamente, masculinos.

d) LOJA FEMININA DE CALÇADOS, porque o título não se relaciona com o restante do anúncio.

e) LOJA DE CALÇADOS FEMININO, tal como aparece no anúncio, porque o vocábulo "FEMININO" apenas especifica o tipo de calçado comercializado pelas lojas à venda.


19. No corpo do anúncio, a expressão "Vende-se 3 lojas bem montadas"

a) apresenta problema de concordância verbal. Deveria ocorrer na forma "Vendem-se" porque "se" é índice de indeterminação do sujeito, e "lojas" é o sujeito paciente.

b) não apresenta problema de concordância verbal porque "se" é índice de indeterminação do sujeito, e "lojas" é o objeto direto.

c) apresenta problema de concordância verbal. Deveria ocorrer na forma "Vendem-se" porque "se" é partícula apassivadora, e "lojas" é o sujeito paciente.

d) não apresenta problema de concordância verbal, porque "se" é partícula apassivadora, e "lojas" é o sujeito paciente.

e) apresenta problema de concordância verbal. Deveria ocorrer na forma "Vendem-se" porque "se" é pronome reflexivo com função sintática de objeto indireto, e "lojas" é o objeto direto.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Pucsp 2000) Ethos - ética em grego - designa a morada humana. O ser humano separa uma parte do mundo para, moldando-A ao seu jeito, construir um abrigo protetor e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a casa que construiu para SI.

Ético significa, portanto, tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma morada saudável: materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritualmente fecunda.

Na ética há o permanente e o mutável. O permanente é a necessidade do ser humano de ter uma moradia: uma maloca indígena, uma casa no campo e um apartamento na cidade. TODOS estão envolvidos com a ética, porque todos buscam uma morada permanente.

O mutável é o estilo com que cada grupo constrói sua morada. É sempre diferente: rústico, colonial, moderno, de palha, de pedra... Embora diferente e mutável, o estilo está a serviço do permanente: a necessidade de ter casa. A casa, nos seus mais diferentes estilos, deverá ser habitável.

(BOFF, Leonardo. In A ÁGUIA E A GALINHA. Petrópolis: Vozes, 1997, pp.90-91.)


20. Observando aspectos de pontuação, concordância e colocação pronominal, podemos afirmar que:
I. na oração "A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez", há um uso inadequado no que diz respeito à pontuação, uma vez que se usou a vírgula entre o sujeito A ÉTICA e o verbo ser (É).

II. na oração "Na ética há o permanente e o mutável", há um ERRO de concordância, uma vez que o sujeito "o permanente e o mutável" é composto, logo o verbo haver (HÁ) deveria estar na terceira pessoa do plural.

III. na oração "moldando-a ao seu jeito", o pronome pessoal do caso oblíquo átono "a" está enclítico ao verbo no gerúndio, em início de oração, de acordo com a norma culta.
Assinale:

a) se I e II estão corretas.

b) se todas estão incorretas.

c) se apenas III está correta.

d) se I e III estão corretas.

e) se apenas II está correta.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Faap 97) Os gatos


Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato. Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronrom e a garra, a língua espinhosa. Fê-lo nervoso e ágil, refletido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até a tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários... .

Desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato - isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia - por que não escolheremos nós o travesti do último? É o que se quadra mais ao nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.

Razão por que nos acharás aqui, leitor, miando um pouco, arranhando sempre e não temendo nunca.
Fialho de Almeida
21. "... e fez O CRÍTICO à semelhança do gato.". Com pronome no lugar da palavra em maiúsculo:

a) e lhe fez à semelhança do gato

b) e fez-lhe à semelhança do gato

c) e te fez à semelhança do gato

d) e fez-o à semelhança do gato

e) e fê-lo à semelhança do gato


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Pucsp 2003) Pedro cumprira sua missão me devolvendo ao seio da família; foi um longo percurso marcado por um duro recolhimento, os dois permanecemos trancados durante toda a viagem que realizamos juntos, e na qual, feito menino, me deixei conduzir por ele o tempo inteiro; era já noite quando chegamos, a fazenda dormia num silêncio recluso, a casa estava de luto, as luzes apagadas, salvo a clareira pálida no pátio dos fundos que se devia à expansão da luz da copa, pois a família se encontrava ainda em volta da mesa; entramos pela varanda da frente, e assim que meu irmão abriu a porta, o ruído de um garfo repousando no prato, seguido, embora abafado, de um murmúrio intenso, precedeu a expectativa angustiante que se instalou na casa inteira; me separei de Pedro ali mesmo na sala, entrando para o meu antigo quarto, enquanto ele, fazendo vibrar a cristaleira sob os passos, afundava no corredor em direção à copa, onde a família o aguardava; largado na beira de minha velha cama, a bagagem jogada entre meus pés, fui envolvido pelos cheiros caseiros que eu respirava, me despertando imagens torpes, mutiladas, me fazendo cair logo em confusos pensamentos; na sucessão de tantas idéias, me passava também pela cabeça o esforço de Pedro para esconder de todos a sua dor, disfarçada quem sabe pelo cansaço da viagem; ele não poderia deixar transparecer, ao anunciar a minha volta, que era um possuído que retornava com ele a casa; ele precisaria dissimular muito para não estragar a alegria e o júbilo nos olhos de meu pai, que dali a pouco haveria de proclamar para os que o cercavam que "aquele que tinha se perdido tornou ao lar, aquele pelo qual chorávamos nos foi devolvido".

(NASSAR, Raduan. "Lavoura Arcaica". São Paulo: Companhia das Letras, 1989).
22. O trecho "... os dois permanecemos trancados durante toda a viagem que realizamos juntos,..." apresenta, quanto à concordância verbal,

a) respectivamente, silepse ou concordância ideológica e indicação do sujeito pela flexão verbal.

b) em ambos os casos, indicação do sujeito apenas pela flexão verbal.

c) em ambos os casos, concordância ideológica ou silepse.

d) respectivamente, concordância ideológica e silepse.

e) respectivamente, indicação do sujeito pela flexão verbal e silepse ou concordância ideológica.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fatec 2000) Texto I


(...) Ia chover. Bem. A catinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a solidão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chiqueiro das cabras, Sinhá Vitória vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda verde.

Lembrou-se dos filhos, da mulher, e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia, ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra (...) Chegou. Pôs a cuia no chão, escorou-a com pedras, matou a sede da família. Em seguida acocorou-se, remexeu o aió, tirou o fuzil, acendeu as raízes de macambira, soprou-as, inchando as bochechas cavadas. Uma labareda tremeu, elevou-se, tingiu-lhe o rosto queimado, a barba ruiva, os olhos azuis. Minutos depois o preá torcia-se e chiava no espeto de alecrim.

Eram todos felizes, Sinhá Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. (...) A fazenda renasceria - e ele, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria dono daquele mundo.

Os troços minguados ajuntavam-se no chão; a espingarda de pederneira, o aió, a cuia de água e o baú de folha pintada. A fogueira estalava. O preá chiava em cima das brasas.

Uma ressurreição. As cores da saúde voltariam à cara triste de Sinhá Vitória.. (...) A catinga ficaria verde.

(Graciliano Ramos , "Vidas Secas")

Texto II Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada

sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive


E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

- Lá sou amigo do rei -

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

(Manuel Bandeira "Libertinagem")
23. "Em Pasárgada tem tudo

(...)


Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas"
O emprego de "ter", nos contextos anteriores, é característico da língua popular.
Assinale a alternativa em que a substituição desse verbo se faz de acordo com a língua culta.
a) Deve haver telefone automático / Existe prostitutas bonitas.

b) Há alcalóide à vontade / Há prostitutas bonitas.

c) Existe telefone automático / Deve existir prostitutas bonitas.

d) Deve haver tudo / Devem haver prostitutas bonitas.

e) Existe alcalóide à vontade / Existe prostitutas bonitas.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Ufsc 96) Na(s) questão(ões) a seguir escreva nos parênteses a soma dos itens corretos.


24. Leia com atenção as frases e assinale as proposições que estão CORRETAS quanto à norma culta de língua.
01. As pessoas de que mais precisamos são aquelas de quem mais podemos confiar.

02. O policial que mora à Rua Mariana Delamare tem um comportamento passível à críticas.

04. O chefe dos ladrões atira-se, com algemas e tudo o mais, às águas do rio Itajaí-Açu, preferindo a morte à prisão.

08. Não devem haver na escola de samba mais do que cem homens e mulheres brancos; dez por cento deles mora no centro da cidade.

16. Maria Celestina, o lar, a sociedade e seus códigos, nada me importava.

32. Constituindo como parte da classe pensante, não importa que o público universitário sejam tão inexperientes, mas são aprendizes.


Soma ( )
25. Observe as palavras em maiúsculo e assinale as proposições CORRETAS quanto à flexão.
01. Usava camisa e calças VERDE-LIMÃO.

02. Sou testemunha de que eles falaram BASTANTES coisas injustas.

04. É PROIBIDA a presença de estranhos.

08. Mandarei fazer os CARTÕEZINHOS numa pequena gráfica do inteiror.

16. Jânio Quadros proibiu o uso de LANÇAS-PERFUMES no Brasil.

32. Todos já sabiam o resultado, MENAS as duas irmãs de Rodolfo.


Soma ( )
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Puccamp 97) Tribalização


O continente africano, que tantas vezes e por tanto tempo já foi o espelho sombrio e espoliado dos progressos da civilização ocidental, infelizmente continua sujeito a um processo que, no limite, resume-se a uma implosão civilizatória.

Se os tempos são de globalização, o espelho de horrores africano coloca-nos diante da antítese mais extrema, a da tribalização. Chegam-se ao fim do século 20 com o mais velho continente mergulhado em conflitos étnicos, miséria, endemias e estagnação econômica.




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